text
stringlengths
200
1.55M
Astronomia é uma ciência natural que estuda corpos celestes (como estrelas, planetas, cometas, nebulosas, aglomerados de estrelas, galáxias) e fenômenos que se originam fora da atmosfera da Terra (como a radiação cósmica de fundo em micro-ondas). Preocupada com a evolução, a física e a química de objetos celestes, bem como a formação e o desenvolvimento do universo. A astronomia é uma das mais antigas ciências. Culturas pré-históricas deixaram registrados vários artefatos astronômicos, como Stonehenge, os montes de Newgrange e os menires. As primeiras civilizações, como os babilônios, gregos, chineses, indianos, persas e maias realizaram observações metódicas do céu noturno. No entanto, a invenção do telescópio permitiu o desenvolvimento da astronomia moderna. Historicamente, a astronomia incluiu disciplinas tão diversas como astrometria, navegação astronômica, astronomia observacional e a elaboração de calendários. Durante o período medieval, seu estudo era obrigatório e estava incluído no Quadrivium que, junto com o Trivium, compunha a metodologia de ensino das sete Artes liberais. Durante o século XX, o campo da astronomia profissional dividiu-se em dois ramos: a astronomia observacional e a astronomia teórica. A primeira está focada na aquisição de dados a partir da observação de objetos celestes, que são então analisados utilizando os princípios básicos da física. Já a segunda é orientada para o desenvolvimento de modelos analíticos que descrevem objetos e fenômenos astronômicos. Os dois campos se complementam, com a astronomia teórica procurando explicar os resultados observacionais, bem com as observações sendo usadas para confirmar (ou não) os resultados teóricos. Os astrônomos amadores têm contribuído para muitas e importantes descobertas astronômicas. A astronomia é uma das poucas ciências onde os amadores podem desempenhar um papel ativo, especialmente na descoberta e observação de fenômenos transitórios. A Astronomia não deve ser confundida com a astrologia, sistema de crença que afirma que os assuntos humanos, como a personalidade, estão correlacionados com as posições dos objetos celestes. Embora os dois campos compartilhem uma origem comum, atualmente eles estão totalmente distintos. Inicialmente, a astronomia envolveu somente a observação e a previsão dos movimentos dos objetos no céu que podiam ser vistos a olho nu. O Rigveda refere-se aos 27 asterismos ou nakshatras associados aos movimentos do Sol e também às doze divisões zodiacais do céu. Durante milhares de anos, as pessoas investigaram o espaço e a situação da Terra. No ano 4000 a.C. os egípcios desenvolveram um calendário baseado no movimento dos objetos celestes. A observação dos céus levou à previsão de eventos como os eclipses. Os antigos gregos fizeram importantes contribuições para a astronomia, entre elas a definição de magnitude aparente. A Bíblia contém um número de afirmações sobre a posição da Terra no universo e sobre a natureza das estrelas e dos planetas, a maioria das quais são poéticas e não devem ser interpretadas literalmente; ver Cosmologia bíblica. Nos anos 500, Aryabhata apresentou um sistema matemático que considerava que a Terra rodava em torno do seu eixo e que os planetas se deslocavam em relação ao Sol. O estudo da astronomia quase parou durante a Idade Média, à exceção do trabalho dos astrónomos árabes. No final do século IX, o astrónomo árabe ou persa al-Farghani (Abu'l-Abbas Ahmad ibn Muhammad ibn Kathir al-Farghani) escreveu extensivamente sobre o movimento dos corpos celestes. No século XII, os seus trabalhos foram traduzidos para o latim, e diz-se que Dante aprendeu astronomia pelos livros de al-Farghani. No final do século X, um observatório enorme foi construído perto de Teerã, Irã, pelo astrônomo al-Khujandi, que observou uma série de trânsitos meridianos do Sol, que permitiu-lhe calcular a obliquidade da eclíptica, também conhecida como a inclinação do eixo da Terra relativamente ao Sol. Como sabe-se hoje, a inclinação da Terra é de aproximadamente 23°34', e al-Khujandi mediu-a como sendo 23°32'19". Usando esta informação, compilou também uma lista das latitudes e das longitudes de cidades principais. Omar Khayyam (Ghiyath al-Din Abu'l-Fath Umar ibn Ibrahim al-Nisaburi al-Khayyami) foi um grande cientista, filósofo e poeta persa que viveu de 1048 a 1131. Compilou muitas tabelas astronômicas e executou uma reforma do calendário que era mais exato do que o Calendário Juliano e se aproximava do Calendário Gregoriano. Um feito surpreendente era seu cálculo do ano como tendo 365,24219858156 dias, valor esse considerando a exatidão até a sexta casa decimal se comparado com os números de hoje, indica que nesses mil anos pode ter havido algumas alterações na órbita terrestre. Durante o Renascimento, Copérnico propôs um modelo heliocêntrico do Sistema Solar. No século XIII, o imperador Hulagu, neto de Gengis Khan e um protetor das ciências, havia concedido ao conselheiro Nasir El Din Tusi autorização para edificar um observatório considerado sem equivalentes na época. Entre os trabalhos desenvolvidos no observatório de Maragheh e a obra "De Revolutionibus Orbium Caelestium" de Copérnico, há algumas semelhanças que levam os historiadores a admitir que este teria tomado conhecimento dos estudos de Tusi, através de cópias de trabalhos deste existentes no Vaticano. O modelo heliocêntrico do Sistema Solar foi defendido, desenvolvido e corrigido por Galileu Galilei e Johannes Kepler. Kepler foi o primeiro a desenvolver um sistema que descrevesse corretamente os detalhes do movimento dos planetas com o Sol no centro. No entanto, Kepler não compreendeu os princípios por detrás das leis que descobriu. Estes princípios foram descobertos mais tarde por Isaac Newton, que mostrou que o movimento dos planetas se podia explicar pela Lei da gravitação universal e pelas leis da dinâmica. Constatou-se que as estrelas são objetos muito distantes. Com o advento da Espectroscopia provou-se que são similares ao nosso próprio Sol, mas com uma grande variedade de temperaturas, massas e tamanhos. A existência de nossa galáxia, a Via Láctea, como um grupo separado das estrelas foi provada somente no século XX, bem como a existência de galáxias "externas", e logo depois, a expansão do universo dada a recessão da maioria das galáxias de nós. A Cosmologia fez avanços enormes durante o século XX, com o modelo do Big Bang fortemente apoiado pelas evidências fornecidas pela Astronomia e pela Física, tais como a radiação cósmica de micro-ondas de fundo, a Lei de Hubble e a abundância cosmológica dos elementos. Por ter um objeto de estudo tão vasto, a astronomia é dividida em muitas áreas. Uma distinção principal é entre a astronomia teórica e a observacional. Observadores usam vários meios para obter dados sobre diversos fenômenos, que são usados pelos teóricos para criar e testar teorias e modelos, para explicar observações e para prever novos resultados. O observador e o teórico não são necessariamente pessoas diferentes e, em vez de dois campos perfeitamente delimitados, há um contínuo de cientistas que põem maior ou menor ênfase na observação ou na teoria. Os campos de estudo podem também ser categorizados quanto:, ao assunto: em geral de acordo com a região do espaço (ex. Astronomia galáctica) ou aos problemas por resolver (tais como formação das estrelas ou cosmologia);, à forma como se obtém a informação (essencialmente, que faixa do espectro eletromagnético é usada). Enquanto a primeira divisão se aplica tanto a observadores como também a teóricos, a segunda se aplica a observadores, pois os teóricos tentam usar toda informação disponível, em todos os comprimentos de onda, e observadores frequentemente observam em mais de uma faixa do espectro. Na astronomia, a principal forma de obter informação é através da detecção e análise da luz visível ou outras regiões da radiação eletromagnética. Mas a informação é adquirida também por raios cósmicos, neutrinos, e, no futuro próximo, ondas gravitacionais (veja LIGO e LISA). Uma divisão tradicional da astronomia é dada pela faixa do espectro eletromagnético observado. Algumas partes do espectro podem ser observadas da superfície da Terra, enquanto outras partes só são observáveis de grandes altitudes ou no espaço. A radioastronomia estuda a radiação com comprimento de onda maior que aproximadamente 1 milímetro. A radioastronomia é diferente da maioria das outras formas de astronomia observacional pelo fato de as ondas de rádio observáveis poderem ser tratadas como ondas ao invés de fótons discretos. Com isso, é relativamente mais fácil de medir a amplitude e a fase das ondas de rádio. Uma grande variedade de objetos são observáveis no comprimento de onda de rádio, incluindo supernovas, gás interestelar, pulsares e núcleos de galáxias ativas. Algumas moléculas radiam fortemente no infravermelho, e isso pode ser usado para estudar a química no espaço, assim como detectar água em cometas. Historicamente, a astronomia óptica (também chamada de astronomia da luz visível) é a forma mais antiga da astronomia. Imagens ópticas eram originalmente desenhadas à mão. No final do século XIX e na maior parte do século XX as imagens eram criadas usando equipamentos fotográficos. Imagens modernas são criadas usando detectores digitais, principalmente detectores usando dispositivos de cargas acoplados . Apesar da luz visível estender de aproximadamente Å até Å (400 nm até 700 nm), A maioria das fontes emissoras de raio gama são na verdade Erupções de raios gama, objetos que produzem radiação gama apenas por poucos milissegundos a até milhares de segundos antes de desaparecerem. Apenas 10% das fontes de raio gama são fontes não transcendentes, incluindo pulsares, estrelas de nêutrons, e candidatos a buracos negros como núcleos galácticos ativos. No futuro, detectores de neutrino poderão ser sensíveis aos neutrinos produzidos quando raios cósmicos atingem a atmosfera da Terra. No final de 2015, pesquisadores do projeto LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) observaram "distorções no espaço e no tempo" causadas por um par de buracos negros com trinta massas solares em processo de fusão. A astronomia planetária tem se beneficiado da observação direta pelos foguetes espaciais e amostras no retorno das missões. Essas missões incluem fly-by missions com sensores remotos; veículos de aterrissagem que podem realizar experimentos no material da superfície; missões que permitem ver remotamente material enterrado; e missões de amostra que permitem um exame laboratorial direto. Um dos campos mais antigos da astronomia e de todas as ciências, é a medição da posição dos objetos celestiais. Historicamente, o conhecimento preciso da posição do Sol, Lua, planetas e estrelas era essencial para a navegação astronômica. A cuidadosa medição da posição dos planetas levou a um sólido entendimento das perturbações gravitacionais, e a capacidade de determinar as posições passadas e futuras dos planetas com uma grande precisão, um campo conhecido como mecânica celestial. Mais recentemente, o monitoramento de Objectos Próximos da Terra vai permitir a predição de encontros próximos, e possivelmente colisões, com a Terra. A medição do paralaxe estelar de estrelas próximas provêm uma linha de base fundamental para a medição de distâncias na astronomia que é usada para medir a escala do universo. Medições paralaxe de estrelas próximas provêm uma linha de base absoluta para as propriedades de estrelas mais distantes, porque suas propriedades podem ser comparadas. A medição da velocidade radial e o movimento próprio mostra a cinemática desses sistemas através da Via Láctea. Resultados astronômicos também são usados para medir a distribuição de matéria escura na galáxia. Durante a década de 1990, as técnicas de astrometria para medir as stellar wobble foram usados para detectar planetas extrasolares orbitando a estrelas próximas. Localizada a uma distância de aproximadamente de oito minutos-luz da Terra, a estrela mais frequentemente estudada é o Sol, uma típica estrela anã da sequência principal da classe estrelar G2 V, com idade de aproximadamente 4,6 Gyr. O Sol não é considerado uma estrela variável, mas passa por mudanças periódicas em atividades conhecidas como ciclo solar, que se caracteriza por uma flutuação de cerca de 11 anos no número de mancha solares. Manchas solares são regiões de temperatura abaixo da média que estão associadas a uma intensa atividade magnética. O Sol tem aumentado constantemente de luminosidade no seu curso de vida, aumentando em 40% desde que se tornou uma estrela da sequência principal. O Sol também passa por mudanças periódicas de luminosidade que podem ter um impacto significativo na Terra. Por exemplo, se acredita que o mínimo de Maunder tenha causado a Pequena Idade do Gelo. A superfície externa visível do Sol é chamada fotosfera. Acima dessa camada há uma fina região conhecida como cromosfera. Essa é envolvida por uma região de transição de temperaturas cada vez mais elevadas, e então pela superquente corona. No centro do Sol está a região do núcleo, um volume com temperatura e pressão suficientes para uma fusão nuclear ocorrer. Acima do núcleo está a zona de radiação, onde o plasma se converte o fluxo de energia através da radiação. As camadas externas formam uma zona de convecção onde o gás material transporta a energia através do deslocamento físico do gás. Se acredita que essa zona de convecção cria a atividade magnética que gera as manchas solares. Ciência planetária: Estuda os planetas. Planetologia: Estudo dos planetas do Sistema Solar e exoplanetas. Astronomia estelar: Estudo das estrelas, em geral. Formação de estrelas: Estudo das condições e dos processos que conduziram à formação das estrelas no interior de nuvens do gás, e o próprio processo da formação. Evolução estelar: Estudo da evolução das estrelas, de sua formação a seu fim como um remanescente estelar. Formação estelar: Estudo das condições e processos que levam à formação de estrelas no interior de nuvens de gás. Astronomia galáctica: Estudo da estrutura e componentes de nossa galáxia, seja através de dados relativos a objetos de nossa galáxia, seja através do estudo de galáxias próximas, que podem ser observadas em detalhe e que podem ser usadas para comparação com a nossa. Formação e evolução de galáxias: Estudo da formação das galáxias e sua evolução ao estado atual observado. Astronomia extragaláctica: Estudo de objetos (principalmente galáxias) fora de nossa galáxia. Uranografia: Estudos das constelações e asterismos. Nome atual de Uranometria. Cosmologia: Estuda a origem e a evolução do universo. Tópicos estudados pelos astrônomos teóricos são: dinâmica e evolução estelar; formação e evolução de galáxias; estrutura em grande escala da matéria no Universo; origem dos raios cósmicos; relatividade geral e cosmologia física, incluindo Cosmologia das cordas e física de astropartículas. A astronomia e astrofísica desenvolveram links significantes de interdisciplinaridade com outros grandes campos científicos. Arqueoastronomia é o estudo das antigas e tradicionais astronomias em seus contextos culturais, utilizando evidências arqueológicas e antropológicas. Astrobiologia é o estudo do advento e evolução os sistemas biológicos no universo, com ênfase particular na possibilidade de vida fora do planeta Terra. O estudo da química encontrada no espaço, incluindo sua formação, interação e destruição, é chamada de Astroquímica. Essas substâncias são normalmente encontradas em nuvens moleculares, apesar de também terem aparecido em estrelas de baixa temperatura, anões marrons, e planetas. Cosmoquímica é o estudo de compostos químicos encontrados dentro do Sistema Solar, incluindo a origem dos elementos e as variações na proporção de isótopos. Esses dois campos representam a união de disciplinas de astronomia e química. Segundo o censo realizado pela Sociedade Astronômica Brasileira, em maio de 2011 havia 340 doutores em Astronomia atuando como pesquisadores no Brasil. Em 2006 foi instituída, no estado do Rio de Janeiro, a data de 2 de dezembro como o Dia do Astrônomo. A data coincide com o aniversário do imperador Dom Pedro II, que era um conhecido incentivador da Astronomia. No país, apenas 3 Estados possuem cursos de nível superior relacionados com a Astronomia: Sergipe, Rio de Janeiro e São Paulo. Além disso, todos os anos os todos os estudantes do Brasil têm a oportunidade, caso queiram, de participar da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, da qual abre oportunidades para jovens interessados na área. Luneta, Telescópio, Computador, Radiotelescópio, Calculadora, Observatório, Observatório espacial
Albino Maria Pereira Forjaz de Sampaio (Lisboa, 19 de Janeiro de 1884 — Lisboa, 13 de Março de 1949) foi um escritor e bibliógrafo português, autor de um dos livros mais vendidos em Portugal durante o século XX, Palavras Cínicas, lançado em 1905, que à morte do autor tinha já 46 edições. Albino Forjaz de Sampaio começou a sua carreira literária aos 16 anos como jornalista no jornal A Lucta A crónica de crítica social que procurava inverter a moral comum da época tornou-o famoso sobretudo pelo escândalo que as suas opiniões originavam. Fazia-o um pouco à maneira de Oscar Wilde mas num país ainda menos preparado para tais agitações. Daí que a sua estreia tenha sido estrondosa (embora as crónicas jornalísticas que já publicara o anunciassem), com o livro Palavras Cínicas que, no começo do século, deixava os portugueses tudo menos indiferentes: muitos criticaram, outros riram, alguns elogiaram. Neste livro Sampaio tentava subverter a moral vigente, emitindo juízos anticlericais, contra a crendice popular, e a "esperteza" saloia, e deixando clara a sua opinião de que a vida não vale a pena no mundo em que se vivia. A partir deste sucesso, Forjaz de Sampaio levou a sua crítica social ao ponto de criar uma arte da crítica ou, como o poria Wilde, a crítica pela crítica. Com humor, cinismo e uma ausência completa de consciência social a obra de Forjaz de Sampaio "fez-se" como a de muitos escritores que "ninguém lê" mas que esgotam edições atrás de edições. O acme deste género, de que foi o único cultor em Portugal, foi atingido com Crónicas Imorais e continuou com Prosa Vil, Cantáridas e Violetas, Tibério, Filósofo e Moralista, e O Homem que deu o seu Sangue, entre outros. Tem colaboração nas revistas Serões (1901-1911), Illustração portugueza (1903-1923), A Sátira, na II série da revista Alma nova (1915-1918) e ainda, nas publicações da Câmara Municipal de Lisboa: Anais das bibliotecas, arquivo e museus municipais (1931-1936) e no Boletim cultural e estatístico . O segundo género que desenvolveu, de menor interesse e originalidade de acordo com Óscar Lopes, foi o naturalismo com tendências decadentistas que desenvolveu em volumes de contos e algumas novelas. Tinha este género já alguns precursores como Raul Brandão e sofria a influência das filosofias de Nietzsche ou Schopenhauer (de quem aliás Forjaz de Sampaio traduziu As Dores do Mundo). É a vertente da obra do autor que menos interesse suscitará senão pelo quadro da miséria em Portugal que descreve com rigor jornalístico. A precisão da descrição interessará muitos olissipógrafos pelos conhecimentos profundos que revela de um submundo lisboeta que mais nenhum escritor da época descrevia em tanto pormenor. A escrita de Forjaz de Sampaio é um mundo a descobrir. O escritor desenvolveu uma linguagem muito sua inventando inúmeros vocábulos e passando para o papel uma série de coloquialismos originais e que muito ajudavam construção do humor que os seus escritos patenteavam. Como muitos dos escritores seus contemporâneos, Forjaz de Sampaio era um artista da frase, da máxima (em 1922 dava ao prelo Mais Além do Amor e da Morte, um livro de máximas e pensamentos). Toda a sua escrita era constituída por um conjunto de artifícios que visavam o culminar numa máxima / frase central que muitas vezes era igualmente o contrário do argumento que tinha vindo a elaborar. O seu ensejo de escandalizar levava a algumas inovações no mundo editorial de então, em 1916 Forjaz de Sampaio reuniu-se com o pintor Bento de Mântua no sentido de elaborar a obra O Livro das Cortesãs, tratava-se de uma antologia de poetas portugueses e brasileiros (da poesia trovadoresca até aos poetas contemporâneos) cujos poemas tivessem por tema as prostitutas e a prostituição. A crítica mordaz, a frase curta e incisiva e o seu “linguajar ofensivo” fizeram de Forjaz de Sampaio um dos escritores mais amados mas também um dos mais odiados da literatura portuguesa. As suas obras são extremamente actuais na crítica que fazem de uma sociedade que perde os seus valores e ideologias. Na maneira como vê o jornalismo sensacionalista e a sua influência sobre as massas. Na forma como via o curso que o panorama cultural português levava. Na crise que anunciava a II Guerra Mundial. Na forma como anunciava a morte da literatura pela morte da leitura... Quem hoje ler essas crónicas de Albino Forjaz de Sampaio poderá certamente considerá-lo o Jules Verne da sociedade portuguesa pela forma como as suas predições vieram a realizar-se. Estes dois géneros foram essencialmente desenvolvidos na primeira fase da sua carreira. Uma segunda fase da sua carreira começou a verificar-se por volta da década de 1920. Se até aí Forjaz de Sampaio tinha sido o menos canónico dos escritores, de um momento para o outro o escritor começa a interessar-se pela história da literatura portuguesa, torna-se um bibliófilo acérrimo. Rapidamente e através do seu conhecimento do submundo lisboeta Forjaz de Sampaio reúne de vários pequenos alfarrabistas um enorme espólio da literatura popular o que resulta na publicação de Teatro de Cordel (1920-1922), ainda hoje um dos melhores estudos de conjunto sobre o teatro português nos séculos XVII, XVIII e inícios do século XIX. Esta publicação editada pela Academia das Ciências de Lisboa mereceu ao autor, até então considerado “vulgar e rasteiro” a condição de Sócio Honorário da mesma Academia. Com efeito, se bem que já em 1916 no livro Grilhetas juntasse alguns textos sobre escritores e obras literárias (um dos quais um genial ensaio sobre os problemas financeiros de Camilo Castelo Branco e a influência que tiveram no percurso literário do escritor, ensaio elaborado a partir de um conjunto de documentação que o Forjaz de Sampaio adquirira por «tuta e meia» de que constava a correspondência de Camilo com os seus editores e a contabilidade destes últimos), é a partir da publicação de Teatro de Cordel que Forjaz de Sampaio vê serem-lhe reconhecidos os primeiros méritos por um mundo literário português que até então o desprezara porque o receava. Neste processo de institucionalização a publicação de sequência de obras de investigação literária e o jornalismo deste mesmo jaez seguem-se a um ritmo alucinante, Homens de Letras, a colecção “Patrícia” dedicada aos maiores vultos da literatura portuguesa publicada a partir de 1924 (sob o patrocínio do Diário de Notícias) e em perto de 30 volumes e a sua monumental História Ilustrada da Literatura Portuguesa em três volumes são disso exemplo. Nos últimos anos da sua vida, Albino Forjaz de Sampaio dedicou-se essencialmente aos estudos de biblioteconomia, à história do livro e da tipografia. Publicou alguns volumes de cariz eminentemente nacionalista na sequência da política de espírito criada por António Ferro. Foi iniciado na Maçonaria em 1924 na Loja Irradiação, de Lisboa, com o nome simbólico de Erasmo. Morreu em Lisboa, a sua cidade de eleição, a escrever um artigo para um jornal. Forjaz de Sampaio nunca se afirmou um escritor mas bradou aos quatro ventos que era um “jornalista levado dos diabos”. Dele disse Almada Negreiros no seu Manifesto Anti-Dantas: ' Albino Forjaz de Sampaio é autor das seguintes obras publicadas: ;1902, O sol do Jordão [poesia] ;1903, Versos do Reyno [poesia] ;1904, Illuminuras [poesia] ;1905, Palavras Cínicas [crónicas / cartas] ;1909, Crónicas Imorais [crónicas] ;1910, Lisboa Trágica [contos] ;1911, Prosa Vil [crónicas / ensaios], Como se implantou a República em Portugal [ensaio] ;1914, Gente da Rua [novela] ;1915, Cantáridas e Violetas [crónicas] ;1916, Grilhetas [crónicas / ensaios], O Livro das Cortesãs [antologia poética e artística com Bento de Mântua] ;1917, Vidas Sombrias [contos] ;1918, A Avalanche [obra sobre a I Guerra Mundial], Tibério, Filósofo e Moralista [crónicas / diálogos], Os Bárbaros I – António Nobre [ensaio bio-bibliográfico] ;1919, Jornal de Um Rebelde [crónicas] ;1920, Subsídios para a história do teatro português: teatro de cordel – catálogo da colecção do autor [ensaio / bibliografia] ;1921, O Homem que Deu o Seu Sangue [contos / crónicas] ;1922, Cosmopolia [conto / crónica / ensaio], Teatro de Cordel [ensaio / bibliografia], Mais Além do Amor e da Morte [máximas e pensamentos] ;1923, Do Amor: evocação da Lisboa seiscentista e de um sermão do Padre António Vieira pregado... em 1645, seguida do mesmo sermão lido pelo grande actor Eduardo Brasão... / por Albino Forjaz de Sampaio, com as palavras previas... D. Thomaz de Mello Breyner ;1924, Alexandre Herculano: a sua vida e a sua obra (col. Patrícia), A Batalha (col. Patrícia / Monumentos), Camilo Castelo Branco: a sua vida e a sua obra (col. Patrícia) [1924 ou 1925?], Eça de Queirós: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Eugénio de Castro: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Fialho d'Almeida – a sua vida e obra (Col. Patrícia) [1924 ou 1925?], Gomes Leal: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia) [Forjaz de Sampaio foi um dos primeiros escritores do século XX a fazer justiça ao génio de Gomes Leal então esquecido do público], Guerra Junqueiro: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia) ;1925, António Nobre: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Bocage: sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Camilo e o centenário, Gil Vicente: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Júlio Dantas: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Julio Diniz: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Marcelino Mesquita: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Marqueza d'Alorna: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia) (Col. Patrícia), As mais lindas quadras populares [antologia], Os escriptores: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia) ;1926, Porque me Orgulho de Ser Português [obra de exaltação nacional], As cartas de amor de Soror Mariana (Col. Patrícia), Dom João da Câmara – a sua vida e obra (Col. Patrícia), Garcia de Resende – a sua vida e obra (Col. Patrícia), Henrique Lopes de Mendonça: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Júlio César Machado: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Nicolau Tolentino: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Sá de Miranda – a sua vida e obra (Col. Patrícia) ;1927, Augusto Gil – A Sua Vida e Obra (Col. Patrícia), Fernão Lopes: sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Gonçalves Crespo – a sua vida e obra (Col. Patrícia), O livro: história trágico-marítima (Col. Patrícia), Manuel Bernardes: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Silva Pinto – a sua vida e obra (Col. Patrícia) ;1929, Início da publicação em fascículos da História da literatura portuguesa ilustrada com colaboração de Afonso Lopes Vieira que se vem a concluir em 1942.Catálogo de livros... que constituem boa parte do recheio da biblioteca de Delfim Guimaräes... [que] será vendida em leiläo... (org. e pref.) ;1930, Homens de Letras [ensaios bio-bibliográficos / crónicas / entrevistas] ;1931, Abel Botelho: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Guilherme de Azevedo: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), João de Deus: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), António Feijó: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Poetisas de hoje (Col. Patrícia), André Brun: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia), Tomás Ribeiro: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia) ;1932, A Tipografia Portuguesa no Século XVI [estudo], As Melhores Páginas da Poesia Portuguesa (Antologia), Poeira do Caminho – Páginas Escolhidas (vinte e sete anos de vida literária) (com um prefácio do Dr. Ricardo Jorge) ;1933, As melhores páginas do teatro português: de Gil Vicente a nossas dias [antologia] ;1935, Cartilha de Portugueses [obra de exaltação nacional], As melhores páginas da literatura femenina: prosa [antologia], As melhores páginas da literatura femenina: poesia [antologia], Carlos Reis: pintura portuguesa (Col. Patrícia), D. Cristóvão da Gama (Col. Pelo Império) ;1936, Salvador Correia de Sá e Benevides: o restaurador de Angola (Col. Pelo Império), Pero da Covilhä (Col. Pelo Império) ;1938, No Porão da Vida [crónicas], Como devo formar a minha biblioteca: ensaio [até há bem pouco tempo este ensaio sobre bibliotecas e organização bibliográfica era recomendado em cursos de arquivo e bibliotecas] ;1939, Volúpia: a nona arte: a gastronomia [ensaio / crónicas] ;1941, Osvaldo Orico – A sua vida e obra (Col. Patrícia) ;1943, O que todo o português deve saber de Portugal [obra de exaltação nacional] ;Sem data, Schopenhauer [ensaio bio-bibliográfico] O autor prefaciou obras de:, Ladislau batalha; Baudelaire; Guilherme Braga; D. João da Câmara; Camilo Castelo Branco; Júlio Dinis; José Duro; António Ferreira; Agostinho Fortes; João Penha ou ainda Delfim Guimarães. Obras relacionadas:, Catálogo da importante e valiosa biblioteca do ilustre escritor Albino Forjaz de Sampaio, Coelho, João [este autor era, na época, um dos mais importantes e lidos escritores brasileiros], Veneno?: resposta às palavras cínicas de Albino Forjaz de Sampaio, Freire “Mário”, João Paulo, Albino Forjaz de Sampaio, escôrço bio-bibliográfico
Anno Domini é uma expressão em latim que significa "no ano do Senhor" e é utilizada para marcar os anos seguintes ao ano 1 do calendário mais comumente utilizado no Ocidente, designado como "Era Cristã" ou, ainda, como "Era Comum". Aparecia em inscrições latinas e ainda é usada na língua inglesa, correspondendo à expressão "depois de Cristo" (DC, D.C. ou d.C.) e em sucessão ao período "antes de Cristo" (AC, A.C. ou a.C.). Esta era cronológica ("Era Cristã" ou "Era Comum"), que é globalmente adotada, mesmo em países de cultura maioritariamente não cristã, para efeitos de unanimidade de critérios em vários âmbitos, como o científico e comercial, foi organizada de forma a contar o ano do nascimento de Cristo como ano 1, marcando uma linha divisória no tempo a partir de então. A contagem dos anos assemelha-se à ordem dos números inteiros (com a exceção de que não existiu um ano zero — pelo que o ano foi imediatamente sucedido pelo ano ), pelo que também é comum referir os anos antes de Cristo por números inteiros negativos e os anos depois de Cristo por números inteiros positivos. Utiliza-se, nesta forma de datação, os calendários Juliano e Gregoriano. O termo Anno Domini é, por vezes, substituído pela expressão mais formal e descritiva Anno Domini Nostri Iesu Christi ("Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo"). É, por vezes, ainda substituído pela expressão na era da Graça. A forma de datação segundo o Anno Domini foi primeiramente utilizada na Europa Ocidental durante o . Portugal foi um dos últimos países a adotar o novo método, imposto pelo rei Dom João I, a 15 de Agosto de 1422, em substituição da "era de César". A Espanha já o usava desde meados do século precedente. Nem todos os países seguem o calendário ocidental: judeus e muçulmanos, por exemplo, organizam anos e meses de maneiras diferentes. Contudo, é o padrão internacional, sendo reconhecido por instituições internacionais como a Organização das Nações Unidas ou a União Postal Universal. Isso justifica-se tanto pelo peso da tradição ocidental quanto pelo facto de que o Calendário Gregoriano foi, durante muito tempo, considerado astronomicamente correto. A datação Anno Domini só foi adotada na Europa Ocidental a partir do . Tal como os outros habitantes do Império Romano, os primeiros cristãos usavam diversos métodos para especificar os anos, inclusive no mesmo documento. Tal redundância tornou-se útil para os historiadores que puderam, assim, elaborar tabelas comparativas de reinados e outros períodos políticos, com dados de crónicas de diferentes regiões, sob os mesmos governantes. Uma das formas mais comuns e mais antigas consistia na datação consular, que consistia em nomear os dois consules ordinarii que iniciavam o seu exercício a 1 de Janeiro do ano civil. Por vezes, a designação para o cargo de um dos cônsules, ou mesmo dos dois, podia não ocorrer até Novembro ou dezembro do ano precedente, pelo que, como as notícias levavam meses a chegar aos pontos mais afastados do Império, existem documentos em que o ano é definido como "depois do consulado de...". Outro método de datação, raramente usado, consistia no anno urbis conditae, ou "no ano da fundação da Cidade" (abreviadamente, AUC), sendo "a Cidade" Roma. (Note-se que, apesar de ser uma confusão frequente, a abreviatura AUC não significa exatamente ab urbe condita, que é o título da História de Roma escrita por Tito Lívio, e que se adoptou para nomear esta era). A data da fundação de Roma era disputada entre os próprios romanos, mas os historiadores modernos adoptam, geralmente, a data proposta por Varrão, de . No início do, o historiador ibero Orósio usava a era ab urbe condita. O papa Bonifácio IV, no início do, terá sido o primeiro a utilizar, simultaneamente, esta forma de datação, e o Anno Domini, equivalendo a data de 607 = 1360 anno urbis conditae. Outro sistema, menos usado do que é frequente pensar-se, consistia na indicação do ano de reinado de cada imperador romano. No início, Augusto indicava os anos do seu governo contando as vezes em que foi investido no cargo de cônsul, ou as vezes em que o Senado de Roma renovava os seus privilégios tribunícios, alimentando a ideia de que os seus poderes lhe eram legitimamente adjudicados por estes órgãos de poder e não pelo fato de aproveitar o culto da personalidade de que já gozava, além do número de legiões sob o seu controlo. Os seus sucessores seguiram tal prática até que a memória da República Romana se foi esbatendo (nos final do ou início do III), quando começaram a usar explicitamente o seu ano de reinado. Também a pacificação de uma região por Augusto serviu como ponto de partida para um calendário. A Era Hispânica ou Era de César, que foi um calendário usado na Península Ibérica durante mais de um milênio, tinha como ano-base o ano da imposição de uma nova taxa regular de impostos sobre os Ibéricos por Augusto, o que foi um marco simbólico do início da Pax romana sobre as províncias da Hispânia; muito embora outro motivo para o surgimento deste calendário pudesse ter sido a renovação do acordo do Triunvirato, que confirmou a Augusto o poder sobre a Península. Os ciclos de (do latim indictio) consistiam em quinze anos (cada um igual a uma indicção) que marcavam um ciclo determinado por um imposto, contando-se os anos a partir da data em que este era pago. Jesus Cristo nasceu no quinto ano deste ciclo. Tal sistema, usado na Gália, no Egipto até à conquista Islâmica, no Império Romano do Oriente até à sua queda em 1453 e ainda na Santa Sé durante parte da Idade Média. Coexistiam, ainda vários sistemas locais de datação ou eras de alguma importância, tal como o ano de fundação de uma dada cidade, o ano de reinado dos imperadores persas e, mesmo, o ano de governo de um dado califa. Particularmente importantes foram a Era dos selêucidas (em uso até ao ) e a Era de César (ou Era Hispânica). Da mesma forma, na Europa, até ao, não existia unanimidade quanto ao primeiro dia do ano, não sendo consensual, exceto em Inglaterra, datá-lo no primeiro dia de Janeiro. Os primeiros cristãos nomeavam cada ano usando, combinadas, as datações consulares, os anos de reinado imperial e a datação a partir da criação do mundo. A datação consular foi extinta quando o imperador Justiniano I deixou de nomear cônsules em meados do . Pouco depois, tornava-se oficial a datação pelo ano de reinado imperial. O último cônsul a ser nomeado foi Anício Fausto Albino Basílio em 541. A Santa Sé manteve, entretanto, um contato regular, durante a Idade Média, com embaixadores do Império Bizantino, pelos quais sabia com alguma certeza qual o imperador no trono, apesar do número elevado de mortes súbitas e deposições que se sucediam. O sistema do Anno Domini foi desenvolvido em Roma por um monge cita, Dionísio, o Exíguo, em 527, como resultado secundário do seu trabalho no cálculo da data da Páscoa cristã. Cronistas bizantinos, como Teófanes, o Confessor, mantinham, entretanto, critérios judaico-cristãos para as datas referidas nas suas crónicas universais, como a datação a partir da suposta data da criação do mundo por graça divina, de acordo com cálculos efetuados por estudiosos cristãos nos primeiros cinco séculos da Era Cristã. Tais eras, por vezes designadas como Anno Mundi, "ano do Mundo" (de forma abreviada, AM), pelos acadêmicos atuais, nem sempre concordavam umas com as outras, existindo grandes discrepâncias. Nenhuma era de Anno Mundi dominava entre os vários estudiosos, ainda que a calculada por Eusébio de Cesareia, historiador na época de Constantino I. São Jerónimo, tradutor da Bíblia para o latim, foi um dos principais divulgadores no ocidente da era AM calculada por Eusébio. Outra era AM, especialmente adoptada no Oriente durante os primeiros séculos do Império Bizantino foi desenvolvida pelo monge Aniano de Alexandria. Os cálculos feitos pelo monge Dionísio, o Exíguo, para datar o nascimento de Jesus Cristo são, em geral, considerados incorretos pela maioria dos académicos bíblicos, julgando-se que teria ocorrido em . Sabe-se que Jesus terá nascido antes da morte de Herodes, o Grande, no ano — ano este que é determinado pelas informações dadas por Flávio Josefo quanto aos eclipses lunares ocorridos na Páscoa e aos acontecimentos que acompanharam a sua morte, tal como foi calculado por Kepler. O primeiro historiador ou cronista a usar o Anno Domini como mecanismo de datação principal foi Vítor de Tununa, escritor africano do . Poucas gerações depois, o historiador anglo-saxão Beda, que conhecia bem o trabalho de Dionísio, voltou a usar o Anno Domini na sua Historia eclesiástica gentis Anglorum, ("História eclesiástica do povo inglês) terminada em 731. Foi nesta obra que se usou pela primeira vez o equivalente, em latim, de "antes de Cristo" (Ante Christum — A.C.), estabelecendo o padrão da não existência de ano zero — ainda que tenha usado o zero no seu computus, ou determinação da Páscoa cristã. Tanto Dionísio como Beda dataram o Anno Domini como sendo o momento da encarnação ou concepção de Jesus Cristo por Graça do Espírito Santo e não no seu nascimento, aproximadamente nove meses depois. A implantação do novo sistema foi gradual, primeiro em Itália e depois no resto do mundo cristão. A região de Inglaterra foi uma das primeiras a adotar o Anno Domini, graças à influência dos missionários romanos, como se pode verificar em documentos do . No continente Europeu, o Anno Domini foi a era de eleição de Alcuíno de Iorque, durante a Renascença Carolíngia. A adoção do novo sistema de datação por Carlos Magno e pelos seus sucessores está na origem do sucesso do mesmo nos séculos seguintes, até a época atual. Na Gália, o sistema só tornou-se vulgar a partir do ano 1000, o que justifica que os franceses usassem o termo millésime para designar os anos da era Cristã. Fora do Império Carolíngio, a Hispânia continuava a seguir a Era Hispânica (ou "dos Césares"), que se iniciara em, até bem tarde na Idade Média. A Era dos Mártires, que numerava os anos a partir da ascensão ao trono de Diocleciano, em 284, e que marcava o início da última e mais severa perseguição aos cristãos manteve-se no Oriente, sendo ainda atualmente utilizada pelos cristãos coptas, bem como, durante muito tempo, pela Igreja Ortodoxa Etíope. Outro sistema recorria à datação a partir da data da crucificação de Jesus Cristo, que Hipólito, Lactâncio, Agostinho e Tertuliano situavam em, durante o consulado dos Gêmeos (Lúcio Rubélio Gêmino e Caio Fúfio Gêmino). Ainda que o Anno Domini já fosse comum no, a designação "antes de Cristo", ou outra equivalente só se tornou vulgar a partir do final do .
Este texto tem direitos de autor? Se tem não pode estar aqui. -- joao Este texto tem autor mas não há nada de direitos mexam no que quiserem - o autor :ok !! obrigado e bem vindo à wikipedia. Só queria garantir que estavamos autorizados a usar este texto. joao Tudo neste artigo leva a crer que o Magnum Opus deste autor é "Palavras Cínicas", mas na caixa informativa a obra referida como tal é "Porque me orgulho de ser português", apesar de não haver referência que o justifique, e o artigo em nada refere essa obra, a não ser listando-a na "Bibliografia completa". É caso de, pelo menos, indicar que essa informação carece de referência? - 10h59min de 20 de agosto de 2019
Aquiles, na mitologia grega, foi um herói da Grécia, um dos participantes da Guerra de Troia e o protagonista e maior guerreiro da Ilíada, de Homero. Aquiles tem ainda a característica de ser loiro e o mais belo dos heróis reunidos contra Troia, assim como o melhor entre eles. A figura de Aquiles foi sendo moldada por diversos autores num espaço de mil anos, o que explica suas diversas contradições. A mais conhecida é a que fala que Aquiles era invulnerável em todo o seu corpo por se banhar no rio Estige, exceto em seu calcanhar (conforme um poema de Estácio, no ). Segundo estas versões de seu mito, sua morte teria sido causada por uma flecha envenenada que o teria atingido exatamente nesta parte de seu corpo, desprotegida da armadura. A expressão "calcanhar de Aquiles", que indica a principal fraqueza de alguém, teria aí a sua origem. As obras literárias (e artísticas em geral) em que Aquiles aparece como herói são abundantes. Para além da Ilíada e da Odisseia - onde é mostrada o destino de Aquiles após a sua morte - pode-se destacar, ainda, a tragédia Ifigénia em Áulide, de Eurípides, "imitada" mais tarde pelo dramaturgo francês Jean Racine e transformada em ópera pelo compositor alemão Christoph Willibald Gluck, além das artes plásticas, onde podem ser encontradas, além das diversas pinturas de vasos e esculturas do próprio período da Antiguidade Clássica, telas de Peter Paul Rubens, David Teniers, o Jovem, Jean-Auguste Dominique Ingres, Eugène Delacroix e muitos outros, que retratam as suas múltiplas façanhas. O nome de Aquiles pode ser interpretado como uma combinação de ἄχος, "luto" e λαός, "povo", "tribo", "nação", etc. Em outras palavras, Aquiles seria uma personificação do luto das pessoas, luto sendo um dos temas que é levantado por muitas vezes na Ilíada (muitas delas pelo próprio Aquiles). O papel de Aquiles como herói do luto forma, assim, um contraste irônico com a visão convencional, que o apresenta como um herói de kleos ("glória", especialmente na guerra). Laos foi interpretado como "um corpo de soldados"; neste sentido, o nome teria um sentido duplo, no poema; quando o herói atua da maneira correta, seus homens trazem luto ao inimigo; da maneira errada, são os seus homens que sentem o luto e a dor da guerra. O poema fala, em parte, sobre a má direção da ira por parte dos líderes. O nome Achilleus passou a ser um nome comum e presente entre os gregos desde o início do século VII a.C. Foi transformado para a forma feminina Ἀχιλλεία (Achilleía), atestada pela primeira vez na Ática, no século IV a.C. e Achillia, encontrada como nome de uma gladiadora lutando contra Amazonia ("amazonas"). Os jogos gladiatórios romanos frequentemente reverenciavam a mitologia clássica, e esta parece ser uma referência à luta de Aquiles contra a rainha amazona Pentesileia, com um toque curioso de mostrar o herói na forma de uma mulher. Aquiles era o filho da nereida Tétis e de Peleu, rei dos mirmidões. Tétis era uma das várias filhas de Nereu e Doris e Peleu era filho de Éaco e Endeis. Zeus e Posídon haviam sido rivais pela mão de Tétis até que Prometeu, o responsável por trazer o fogo aos humanos, alertou Zeus a respeito de uma profecia que dizia que Tétis daria luz a um filho ainda maior que seu pai. Por este motivo, os dois deuses desistiram de cortejá-la, e fizeram-na se casar com Peleu. Como em boa parte da mitologia grega, existe uma versão da lenda que oferece uma versão alternativa destes eventos: na Argonáutica Hera alude à casta resistência de Tétis aos avanços de Zeus, e que Tétis teria sido tão leal aos laços matrimoniais de Hera que o rejeitou de maneira fria. De acordo com um fragmento de um Achilleis — a Aquilíada, escrita por Estácio no século I, ou seja, quase mil anos depois da Ilíada - quando Aquiles nasceu, Tétis teria tentado fazê-lo imortal, mergulhando-o no rio Estige; deixou-o, no entanto, vulnerável na parte do corpo pelo qual ela o segurava, seu calcanhar (ver calcanhar de Aquiles, tendão de Aquiles). Nenhuma das fontes anteriores a Estácio, no entanto, faz qualquer referência a esta invulnerabilidade física do personagem; ao contrário, na própria Ilíada Homero descreve Aquiles sendo ferido: no livro 21 Asteropeu, o herói Peônio, filho de Pélago, desafia Aquiles nas margens do rio Escamandro; arremessa duas lanças ao mesmo tempo, uma das quais atinge o calcanhar de Aquiles, "tirando um jorro de sangue". Também nos fragmentos de poemas do Ciclo Épico, onde podem ser encontradas as descrições da morte do herói, Cípria (de autoria desconhecida), Etiópida (de Arctino), a Pequena Ilíada (de Lesco de Mitilene), entre outras, não existe qualquer indicação ou referência à sua invulnerabilidade ou ao seu célebre ponto fraco no calcanhar; nas pinturas em vasos feitas mais tarde, que representam a morte de Aquiles, a flecha (ou, em muitas casos, as flechas) o atingem no corpo. Peleu confiou Aquiles a Quíron, o centauro, no monte Pélion, para lá ser criado. O centauro encarregou-se da educação do jovem, alimentou-o com mel de abelhas, medula de ursos e de javalis e vísceras de leões. Ao mesmo tempo, iniciou-o na vida rude, em contato com a natureza; exercitou-o na caça, no adestramento dos cavalos, na medicina, na música e, sobretudo, obrigou-o a praticar a virtude. Aquiles tornou-se um adolescente muito belo, loiro, de olhos vivos, intrépido, simultaneamente capaz da maior ternura e da maior violência. Peleu deu ainda ao seu filho um segundo preceptor, Fénix, um homem de grande sabedoria, que instruiu o príncipe nas artes da oratória e da guerra. Juntamente com Aquiles, foi educado Pátroclo, seu amigo, filho do rei da Lócrida, Menécio. O adivinho Calcas havia declarado, quando Aquiles tinha nove anos de idade, que Troia só poderia ser tomada com a ajuda de Aquiles. Tétis tinha o pressentimento de que Aquiles morreria na guerra. Entretanto, os gregos enviaram Odisseu como embaixador à corte de Peleu, a fim de que ele trouxesse o indispensável Aquiles, mas como este não foi encontrado, recorreram a Calcas, que lhes revelou o embuste. Odisseu se disfarçou, então, de mercador, e dirigiu-se ao palácio de Licomedes, conseguindo entrar no gineceu. Ele expôs, perante os olhos maravilhados das princesas, os mais ricos adornos; entre os tecidos e as joias, no entanto, estavam escondidos um escudo e uma lança. Odisseu fez soar a trombeta da guerra, quando a pretensa Pirra correu para se armar, se revelando. Aquiles então concorda em participar da guerra. com o resto do Ciclo Épico e as tradições narradas por Plutarco e pelo acadêmico bizantino João Tzetzes, quando os navios gregos chegaram a Troia, Aquiles teria lutado contra Cicno de Colonas, um filho de Posídon, e o matado. De acordo com a Cípria (a parte do Ciclo Épico que narra os eventos da Guerra de Troia antes da "ira de Aquiles"), quando os aqueus desejaram retornar para suas casas, foram impedidos por Aquiles, que posteriormente atacou o gado de Eneias, saqueou as cidades vizinhas e matou Troilo. o sumário em latim através do qual a história de Aquiles foi transmitida à Europa medieval, Troilo era um jovem príncipe troiano, o mais novo dos cinco filhos legítimos de Príamo (ou, por vezes, de Apolo) e de Hécuba. Apesar de sua pouca idade, foi um dos principais líderes guerreiros troianos. Profecias ligavam o destino de Troilo ao de Troia, e por isso ele sofreu uma emboscada, numa tentativa de aprisioná-lo. Aquiles, no entanto, fascinado com a beleza tanto de Troilo como de sua irmã Polixena, e, arrebatado pelo desejo, dirigiu suas atenções sexuais ao jovem - que, ao recusar-se a ceder aos avanços de Aquiles, viu-se decapitado sobre um altar de Apolo. Versões posteriores da história sugeriram que Troilo teria sido morto acidentalmente por Aquiles, num abraço caloroso entre amantes; nesta versão do mito, a morte de Aquiles teria vindo como uma retribuição por este sacrilégio. Os escritores antigos retrataram Troilo como a epítome de uma criança morta, pranteada por seus pais. Nas palavras do primeiro Mitógrafo Vaticano, se Troilo tivesse chegado à idade adulta, Troia teria sido invencível. A Ilíada de Homero é a narrativa mais famosa dos feitos de Aquiles na Guerra de Troia. O épico homérico cobre apenas algumas poucas semanas do conflito, e não descreve a morte de Aquiles. Ela se inicia com o herói se retirando da batalha, após se ver desonrado por Agamemnon, comandante das forças aqueias. Agamemnon havia capturado uma mulher chamada Criseida como sua escrava; seu pai, Crises, sacerdote do deus Apolo, implorou a Agamemnon que a devolvesse a ele, em vão. Como punição, Apolo fez uma praga recair sobre os gregos. O profeta Calcas conseguiu determinar com sucesso a origem dos problemas, porém não ousou se manifestar até que Aquiles jurasse protegê-lo. Agamemnon consentiu então em retornar Criseida a seu pai, porém ordenou que o prêmio obtido por Aquiles durante a batalha, a escrava Briseida, lhe fosse trazida como substituta de Criseida. Irado com a desonra (e, como ele viria a dizer posteriormente, porque amava Briseida) e incitado por Tétis, sua mãe, Aquiles recusou-se a lutar ou liderar suas tropas junto com as forças gregas. À medida que a batalha começou a tomar um rumo desfavorável aos gregos, Nestor declarou que os troianos estavam vencendo porque Agamemnon havia enfurecido a Aquiles, e instigou o líder aqueu a fazer as pazes com o guerreiro. Agamemnon concordou e enviou Odisseu e mais outros dois líderes até Aquiles, oferecendo o retorno de Briseida e outros presentes. Aquiles recusou, e ainda instou os gregos a velejarem de volta para casa, como ele planejava fazer. Eventualmente, no entanto, ansioso por obter glória, a despeito de sua ausência no campo de batalha, Aquiles orou para sua mãe, pedindo a ela que intercedesse a seu favor junto a Zeus, favorecendo os troianos - que, liderados por Heitor, acabaram efetivamente por empurrar o exército grego rumo aos seus acampamentos na praia, e tomaram de assalto seus navios. Com as tropas gregas à beira da completa destruição, Pátroclo liderou os mirmidões na batalha, passando-se por Aquiles após vestir sua armadura e usar seu carro de batalha. Pátroclo obteve sucesso ao expulsar os troianos das praias ocupadas pelos gregos, porém acabou sendo morto por Heitor antes que pudesse organizar o contra-ataque à cidade de Troia. Após receber de Antíloco, filho de Nestor, as notícias da morte de Pátroclo, Aquiles sofreu muito com a morte de seu amigo, e realizou diversos jogos fúnebres em sua honra. Sua mãe, Tétis, também tenta confortar um Aquiles atormentado, e convence Hefesto a fazer-lhe uma nova armadura, no lugar daquela que Pátroclo vestia, e que fora levada por Heitor. A nova armadura contava com o Escudo de Aquiles, descrito com riqueza de detalhes pelo poeta. Furioso com a morte de Pátroclo, Aquiles reconsidera sua decisão de se afastar do combate, e voltou à batalha, matando diversos homens em sua fúria - sempre à procura de Heitor. O herói chegou mesmo a lutar contra o deus-rio Escamandro, que havia se enfurecido por Aquiles ter sufocado suas águas com todos os homens que ele havia matado. O deus estava prestes a afogar Aquiles quando foi interrompido por Hera e Hefesto; e o próprio Zeus, ao perceber a dimensão da fúria de Aquiles, enviou os deuses para contê-lo, para que ele não saqueasse sozinho a própria Troia - indicando que a fúria de Aquiles, se não fosse obstruída, poderia desafiar o próprio destino, já que Troia não deveria ser destruída ainda. Finalmente, Aquiles encontrou sua presa; após perseguir Heitor em torno das muralhas de Troia por três vezes, até que a deusa Atena - que havia assumido a forma do irmão favorito de Heitor, Deífobo - convenceu Heitor a parar de fugir e enfrentar Aquiles, cara a cara. Quando Heitor percebeu que havia sido enganado, soube que sua morte era inevitável e aceitou seu destino; desejoso de morrer lutando, atacou Aquiles com sua única arma, sua espada. Aquiles obteve finalmente sua vingança, matando Heitor com um único golpe no pescoço. Amarrou então o corpo do derrotado ao seu carro, e o arrastou pelo campo de batalha por nove dias. Com a ajuda do deus Hermes, o pai de Heitor, Príamo, foi à tenda de Aquiles durante uma noite e implorou-lhe que permitisse realizar os ritos fúnebres que seu filho merecia. A última passagem da Ilíada é o funeral de Heitor, após o qual o destino de Troia era apenas uma questão de tempo. Após esta trégua temporária com Príamo, Aquiles derrotou em combate e matou a rainha amazona, Pentesileia, mais tarde lamentando sua morte. Inicialmente distraído por sua beleza, ele não lutou de maneira tão intensa quanto de costume; ao perceber, no entanto, que sua distração estava colocando em risco sua vida, devido às habilidades de combate da rainha guerreira, concentrou-se novamente e conseguiu matá-la. Enquanto Aquiles lamentava a morte de tão rara beleza, um notório tumultuador grego, chamado Térsites, começou a rir e caçoar dele, sugerindo que o herói estaria apaixonado pela falecida; perturbado com tamanha falta de sensibilidade e de respeito, Aquiles socou Térsites no rosto com fúria, matando-o imediatamente. Embora Homero tenha retratado Térsites como um indivíduo claramente de baixo nível social, as tradições posteriores o descreveram como sendo um parente de Diomedes - o que teria levado Aquiles a viajar até a ilha de Lesbos, em busca de purificação. Segundo o diário de Díctis de Creta, a história foi diferente. Pentesileia chegou durante os funerais de Heitor, trazendo um exército de amazonas e aliados, e atacou os gregos, sem a ajuda dos troianos. Aquiles feriu Pentesileia, puxou-a pelo cabelo, e derrubou-a do cavalo, o que causou a fuga do seu exército. Pentesileia ainda estava viva, e os gregos discutiram o que fazer com ela: jogá-la no rio ou dá-la para os cachorros dilacerarem, mas Aquiles queria deixá-la morrer naturalmente (pelas feridas) e enterrá-la. A relíquia, no entanto, seguramente estava em exibição durante a vida de Pausânias no século II. A relação de Aquiles com Pátroclo é um dos aspectos principais de seu mito. Sua natureza exata vem sendo alvo de debates e disputas, desde a Antiguidade até os dias de hoje. Na Ilíada eles parecem ser retratados de maneira geral como modelos de uma relação de philia profunda e legal; por isso, analistas e estudiosos de todas as épocas já interpretaram a relação sob o ponto de vista de suas próprias culturas, o que gerou uma ampla gama de opiniões a respeito. Na Atenas do século V a.C. por exemplo, cerca de quatro séculos após Homero, a relação era comumente interpretada como pederástica. Já leitores contemporâneos se dividem entre interpretar os dois heróis tanto como "camaradas de guerra" (hetaîros), entre os quais não existe qualquer tipo de relacionamento sexual, quanto como um casal homossexual. Havia um culto heroico arcaico a Aquiles na Ilha Branca, no mar Negro, na atual costa da Romênia e Ucrânia, onde um templo e um oráculo dedicado ao herói sobreviveu até o período romano. No épico perdido Aithiopis, uma espécie de continuação da Ilíada atribuída a Arctino de Mileto, a mãe de Aquiles, Tétis, retorna para prestar-lhe homenagens e remover suas cinzas da pira funerária, e leva-as a Leuca, na foz do Danúbio. Lá, os aqueus ergueram um túmulo para ele, e celebraram jogos fúnebres. A História Natural de Plínio, o Velho, menciona que o túmulo já não mais era visível (Insula Akchillis tumulo eius viri clara) na ilha consagrada a ele, localizada a cinquenta milhas romanas de Peuce, no delta do Danúbio. Pausânias foi informado que a ilha era coberta por florestas e repleta de animais, alguns selvagens, outros dóceis, e que na ilha também havia um templo de Aquiles, e sua estátua. Ruínas de um templo em forma de quadrado, com 30 metros em cada lado - possivelmente aquele dedicado a Aquiles - foram descobertas por um capitão Kritzikly, em 1823, porém não há atualmente qualquer tipo de trabalho arqueológico sendo feito na ilha. Segundo Pompônio Mela, Aquiles estaria enterrado na ilha chamada de Aquileia (Achillea), entre o Borístenes e o Istro. Já para o geógrafo grego Dionísio Periegeta, da Bitínia, que viveu no tempo do imperador romano Domiciano, a ilha onde Aquiles está enterrado seria chamado de Leuca (em grego: Leuke, "branca") "porque os animais selvagens que lá vivem são brancos", e que lá residiriam as almas de Aquiles e de outros heróis, que vagavam sobre os vales desabitados do local; "era assim que Jove recompensava os homens que haviam se distinguido por suas virtudes, porque através da virtude alcançaram a honra eterna." O Périplo de Ponto Euxino dá os seguintes detalhes: :Diz-se que a deusa Tétis criou esta ilha do mar, para seu filho Aquiles, que nela vive. Lá está seu templo e sua estátua, obras arcaicas. Esta ilha não é habitada, e cabras pastam sobre ela, não muitas, que as pessoas que por acaso ali chegam com seus navios sacrificam para Aquiles. Neste templo são depositados diversas oferendas sagradas, como vasos, anéis e pedras preciosas, oferecidas ao herói como forma de gratidão. Ainda podem ser lidas inscrições em grego e latim, nas quais Aquiles é louvado e celebrado. Algumas delas são dedicadas a Pátroclo, pois aqueles que procuram pelos favores de Aquiles, sempre rendem homenagem a ele ao mesmo tempo. Existem na ilha também incontáveis tipos de pássaros marinhos, que cuidam do templo de Aquiles. Todas as manhãs eles voam rumo ao mar, molham suas asas, e retornam ao templo para borrifá-lo com água; em seguida limpam a lareira do templo com suas asas. Outras pessoas ainda dizem que alguns homens vêm a esta ilha intencionalmente; trazem animais em seus navios, destinados a serem sacrificados. Alguns destes animais são efetivamente mortos, e outros são postos em liberdade na ilha, como forma de honrar a Aquiles. Outros ainda são impelidos à ilha por tempestades marítimas; como não trazem animais para serem sacrificados, devem consultars o oráculo do próprio Aquiles, e pedir permissão para escolher as vítimas do sacrifício dentre os animais que pastam livremente lá, e pagar por eles, em troca, um preço que considerem justo. Caso o oráculo lhes negue a permissão, pois existe de fato um oráculo lá, eles acrescentam algo ao preço oferecido anteriormente; e se o oráculo recusar novamente, devem acrescentar outra coisa, até que finalmente o oráculo concorde que o preço seja suficiente. A vítima, então, deixa de fugir, mas se oferece voluntariamente para ser aprisionada. Há também uma grande quantidade de prata na ilha, dedicada ao herói, como preço pelas vítimas do sacrifício. Para algumas das pessoas que vêm à ilha, Aquiles aparece em seus sonhos; para outras, aparece até mesmo durante a viagem marítima, se estiverem nas proximidades, chegando mesmo a instrui-las a respeito de em que parte da ilha podem ancorar melhor seus navios. O culto heroico a Aquiles na ilha de Leuca foi muito difundido da Antiguidade, não somente nas vias marítimas do mar Pôntico, mas também em diversas cidades marítimas cujos interesses econômicos estavam ligados às riquezas do mar Negro. Aquiles da ilha de Leuca era venerado como "Pontarca" (Pontarches), o soberano do Ponto, protetor dos navegantes e da navegação. Os marinheiros desviavam seus caminhos para oferecer-lhe sacrifícios. Diversas cidades portuárias comerciais dos mares dominados pelos gregos foram dedicadas a Aquiles de Leuca: Achilleion, na Messênia,Achilleios, na Lacônia, ou até mesmo, segundo alguns estudiosos, Aquileia e, no braço norte do delta do Danúbio, Quília ("Achileii"). Leuca tinha a reputação de ser um lugar de cura; Pausânias relata que a pítia délfica teria enviado um nobre de Crotona para se tratar de um ferimento no peito. Amiano Marcelino atribui a cura às águas da ilha. Na região de (Γαστούρι), a sul da cidade de Corfu, na Grécia, a imperatriz da Áustria, Isabel da Baviera, mais conhecida como Sissi, construiu em 1890 um palácio de verão, com Aquiles como seu tema central, um monumento ao romantismo platônico. O palácio, naturalmente, recebeu um nome em homenagem ao herói, Achilleion (Αχίλλειον). A estrutura elegante está repleta de pinturas e estátuas de Aquiles, tanto no salão principal quanto nos jardins luxuosos, que recriam cenas trágicas e heroicas da Guerra de Troia. No livro 11 da Odisseia o mesmo Odisseu viaja ao mundo inferior e lá conversa com as sombras, as almas dos mortos. Uma destas é Aquiles, que, quando saudado como sendo "abençoado na vida, abençoado na morte", responde que preferia ser um escravo sob o pior dos senhores do que um rei de todos os mortos. Aquiles então pergunta a Odisseu sobre os feitos de seu filho na Guerra de Troia, e quando aquele lhe descreve os atos heroicos de Neoptólemo, o herói se enche de satisfação - o que dá ao leitor um intrigante senso de ambiguidade na maneira com que Aquiles vê a vida heroica. Aquiles foi venerado como deus marinho em muitas das colônias gregas do mar Negro, onde se localizada a semi-mítica "Ilha Branca" onde ele teria habitado, após sua morte, juntamente com diversos outros heróis. Os reis do Epiro alegavam descendência de Aquiles através de seu filho, Neoptólemo. Alexandre, o Grande, filho da princesa epirota Olímpia, alegava por este mesmo motivo esta descendência - e em diversas maneiras tentou ser como o seu suposto ancestral, tendo até mesmo visitado seu túmulo ao passar por Troia. Algumas versões de sua lenda dizem que teria se casado com Medeia, e que após a morte dos dois ambos teriam sido reunidos nos Campos Elísios do Hades - como Hera havia prometido a Tétis, na Argonáutica de Apolônio. O dramaturgo trágico grego Ésquilo é autor de uma trilogia de peças sobre Aquiles, que receberam o nome de Achilleis por estudiosos modernos. Estas tragédias relatam os feitos de Aquiles durante a Guerra de Troia, incluindo a sua vitória sobre Heitor, e sua morte, quando uma flecha disparada por Páris e guiada por Apolo o atingiu no calcanhar. Alguns fragmentos desta obra foram juntados com outros fragmentos de obras do autor, formando uma peça moderna sobre o qual se trabalhou; a primeira parte da trilogia, Os Mirmidões, foca-se na relação entre Aquiles e o coro, que representa o exército aqueu, e tenta convencer o herói a pôr um fim à sua disputa com Agamemnon; apenas poucas linhas sobrevivem do trecho hoje em dia. Outro dramaturgo autor de tragédias, Sófocles, também escreveu uma peça com Aquiles como personagem principal, Amantes de Aquiles, dos quais apenas alguns fragmentos sobrevivem. No decurso do décimo ano de guerra, Aquiles e Agamemnon envolveram-se em grande disputa. Tudo isto porque, como Agamemnon se vira obrigado a libertar a filha do sacerdote, Criseida, exigiu como compensação a serva de Aquiles, Briseis. Injuriado e furioso, Aquiles decidiu abandonar a guerra e retirou-se para o seu acampamento, pondo assim em causa a possível vitória dos gregos. A história da cólera de Aquiles, em Troia, é o tema da Ilíada, a obra mais lida de toda a Antiguidade, que é responsável pela enorme notoriedade do herói grego. A situação dos gregos não tardou a tornar-se aflitiva. Pátroclo, sem a autorização de Aquiles furta-lhe a armadura e vai para o campo de batalha onde acabou por encontrar a morte às mãos de Heitor, marido de Andrómaca, o mais valente dos filhos do rei Príamo (verdadeiro herói da Ilíada, subtendido por Homero). Enlouquecido de dor pela perda de seu amigo (e possível amante), Aquiles saltou sem armas para o campo de batalha produzindo um bramido demente que o exército troiano achou se tratar de um louco insano. A sua contenda com Agamemnon fora esquecida, pois agora Aquiles só pensava em vingar-se da morte de Pátroclo. E é Heitor quem Aquiles persegue com seu ódio e é ele quem pretende sacrificar em homenagem a Pátroclo. Certo dia, ao acaso da guerra, Aquiles encontra-se com Heitor no campo de batalha derrotando-o num combate extenso e singular, matando-o somente após uma topada numa pedra a luz de um Sol escaldante (topada a qual desorientou todos os sentidos do guerreiro troiano). Depois, desrespeitando a ética dos rituais fúnebres dos vencidos em combate, prendeu o cadáver ao seu carro e deu a vergonhosa volta às muralhas de Troia, onde só largou o corpo ensanguentado e desfeito do honrado Heitor quando o já velho rei Príamo lhe veio suplicar indulgência. A tradição pós-homérica acrescentou, ainda, outros feitos atribuídos a Aquiles. Entre estas, pode-se destacar a sua luta contra a rainha das amazonas, Pentesileia, que veio com as suas tropas em socorro dos troianos e perdeu a vida às suas mãos. No último momento, quando Aquiles viu o rosto da sua vítima inflamado por uma súbita e impossível paixão, chorou sobre o seu corpo. Relata-se, igualmente, o seu encontro com Mémnon, filho da Aurora, que terminou com a morte do troiano, e foi uma fonte inesgotável de lágrimas para sua mãe. Apesar da valentia e dos feitos de Aquiles, a fatalidade não podia deixar de acontecer. A morte do grande herói da Antiguidade é apresentada em várias versões, porém a mais aceita relata que ele morreu ferido no calcanhar por uma flecha certeira, poderosa e assassina, atirada pelo príncipe Páris e guiada por Apolo. Páris, nesse ato, consegue vingar-se da morte de seu irmão Heitor e simultaneamente vingar a morte do filho do deus Apolo, Tenes. Aquiles, após a morte, recebeu a justa recompensa por toda uma vida de feitos heroicos e de combates. Zeus, a pedido de Tétis, conduziu-o à ilha dos bem-aventurados, onde ele casou com uma heroína (cita-se Medeia, Ifigénia, Polixena, e mesmo Helena: da sua união com esta, teria nascido um filho alado, Euforião, que é identificado com a brisa da manhã). A ascendência de Aquiles. Aquiles, segundo os Cantos Cípricos, tem como filho Neoptólemo
Anarquismo é uma ideologia política que se opõe a todo tipo de hierarquia e dominação, seja ela política, econômica, social ou cultural, como o Estado, o capitalismo, as instituições religiosas, o racismo e o patriarcado. Através de uma análise crítica da dominação, o anarquismo pretende superar a ordem social na qual esta se faz presente através de um projeto construtivo baseado na defesa da autogestão, Os meios para se alcançar tais objetivos são motivos de debates e divergências entre os anarquistas. O termo ' é composto pela palavra ' e pelo sufixo ', derivando do grego ἀναρχος, transliterado anarkhos, que significa "sem governantes", a partir do prefixo ἀν-, an-, "sem" + ἄρχή, arkhê, "soberania, reino, magistratura" e a resistência contra o fascismo na Itália; nesses dois países, também foram formados sindicatos com bases sindicalistas revolucionárias e federações anarquistas. Na Alemanha, militantes anarquistas proeminentes, como Erich Mühsam, foram assassinados pelo regime nazista; após o fim da guerra, os anarquistas reorganizaram-se em sindicatos e em organizações específicas anarquistas. Na Ucrânia, a Nabat foi restabelecida e protagonizou um levante armado em 1943, que teve continuidade até 1945; também há indícios da existência de uma organização maknhovista secreta dentro do Exército Vermelho do pós-guerra. Em toda a América Latina, houve a formação de sindicatos, organizações específicas anarquistas e centros culturais em Cuba, México, Brasil, Chile, Argentina e Venezuela. Na Europa, os anarquistas continuam investindo em iniciativas sindicais e em organizações específicas anarquistas; na Grécia em especial, desde 1990, vem crescendo uma tradição insurrecionalista. Outro país que viu um ressurgimento da tradição insurrecionalista foi a Itália, com o surgimento da Federação Anarquista Informal (FAI/FRI), inspirada pelas ideias de Alfredo Bonanno. Com o fim do regime soviético, destaca-se o surgimento e o crescimento de organizações na Polônia, Tchecoslováquia e na própria Rússia, além da Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão e Ucrânia. Nas Américas, o anarquismo foi significativamente marcado pelo movimento antiglobalização. Nos Estados Unidos, os protestos contra o encontro da OMC em Seattle destacaram-se como um dos mais significativos eventos com participação anarquista durante o movimento antiglobalização. Também destacou-se a participação dos anarquistas no movimento Occupy Wall Street em 2011. No México, o Exército Zapatista de Libertação Nacional, de significativa influência anarquista, realizou um levante em 1994, e após a revolta, formaram-se vários grupos anarquistas de apoio aos zapatistas no país; em 2006, os anarquistas mexicanos também participaram da rebelião de Oaxaca em 2006, onde, a partir de uma greve de 70 mil professores, articularam-se trabalhadores sindicalizados, camponeses e estudantes na luta contra o governo de Ulises Ruiz Ortiz, estabelecendo a Asamblea Popular de los Pueblos de Oaxaca, que tomou prédios públicos, estabeleceu organizações de mulheres, como a Comisión de Mujeres de Oaxaca, tomou rádios e televisões e terminou sendo duramente reprimida pelo governo. Na região sul do continente, destacou-se a influência da FAU na difusão do especifismo, auxiliando no estabelecimento de organizações anarquistas em outros países, como no Brasil, com a Federação Anarquista Gaúcha e a Federação Anarquista do Rio de Janeiro . Organizações especifistas também foram fundadas na Argentina e no Chile. Essas organizações vêm tendo participação relevante, ainda que na maioria dos casos minoritária, em movimentos sociais do continente, dentre os quais se encontram sindicatos, associações comunitárias e de bairro, movimentos rurais, de estudantes, desempregados, sem-teto, sem-terra e outros; dentre as grandes mobilizações ocorridas na América do Sul que contaram com participação anarquista relevante, destacam-se as manifestações de 2001 na Argentina, em resposta à crise econômica que assolava o país; as mobilizações estudantis em 2006 no Chile e as manifestações de 2013 no Brasil. Na África, experiências baseadas no sindicalismo revolucionário têm tido relevância, bem como a formação de organizações específicas anarquistas como a Zabalaza Anarchist Communist Front, na África do Sul. No Oriente Médio, o anarquismo surgiu na Turquia durante a década de 1990, com a criação de grupos como a Anarchist Youth Federation, Anatolian Anarchists e o Karasin Anarchist Group ; o anarquismo ganhou também influência entre os curdos e tanto no norte da África como no Oriente Médio os anarquistas tiveram participação significativa na chamada Primavera Árabe. Anarquistas vindos de diversos países, mas principalmente da Turquia e da Grécia, mantém uma participação na frente curda da Guerra Civil Síria como voluntários internacionais. Essa participação se dá dentro de organizações anarquistas que compõe o Batalhão Internacional da Liberdade, como a União Revolucionária para a Solidariedade Internacionalista, a Luta Anarquista e as antigas Forças Guerrilheiras Internacionais e Revolucionárias do Povo, ou como participação individual dentro de outras frentes internacionais não-anarquistas, como a montada pelo Partido Comunista Marxista-Leninista . Algumas ideias do teórico anarquista Murray Bookchin influenciaram o desenvolvimento do Confederalismo democrático de Abdullah Öcalan, que atualmente serve de orientação política para o Partido dos Trabalhadores do Curdistão. Na Ásia, há pouquíssimas referências anarquistas contemporâneas. Na Oceania, algumas experiências anarcossindicalistas têm tido relevância na Austrália. O anarquismo se fundamenta em três princípios básicos: uma crítica da dominação, que a considera como injusta e construída socialmente; uma defesa da autogestão, que tem em vista a constituição de uma sociedade libertária baseada na ajuda mútua e na livre associação; e os meios e estratégias que possam realizar essa transformação social e que devem ser coerentes com os fins. O federalismo permitiria a articulação das estruturas por meio de delegações que levam às instâncias mais amplas (isto é, a federações municipais, estaduais, nacionais e talvez até internacionais) as decisões das bases e garantindo sua execução; os delegados possuiriam autonomia relativa, seriam controlados pela base, suas funções seriam rotativas e seus mandatos revogáveis a qualquer momento. Em geral, os antiorganizacionistas sustentam que os anarquistas deveriam atuar por meio da educação, da propaganda e da ação violenta. Os impossibilistas defendem diferentes meios para a atuação anarquista; enquanto uns defendem a propaganda pelo ato e sustentam que a utilização da violência por meio de atentados deveria ser a principal estratégia anarquista, outros defendem estratégias insurrecionais distintas, além da propaganda e da educação popular como meio de atuação. Posições possibilistas também foram bastante comuns entre os anarquistas, muitos dos quais envolvidos com a militância sindical ou comunitária. Galleani, também notório defensor dessa posição, sustentava que "em vez das inefetivas conquistas de curto prazo, as táticas de corrosão e de ataque contínuo devem ser priorizadas", somente as greves gerais teriam condições de promover a revolução, a qual deveria ser buscada "por meio da inevitável utilização da força e da violência". Anarquistas como Ravachol e Severino di Giovanni, que realizaram atentados durante suas vidas, acreditavam que seus atos de violência seriam, além de uma forma de propaganda, uma vingança contra os capitalistas. Embora historicamente minoritária, a defesa dessa posição foi adotada por um certo período por anarquistas notórios como Kropotkin e Malatesta. Anarquistas que defendem a segunda posição enfatizam que a violência deveria dar suporte ao movimento sindical e de massas durante um processo revolucionário. Nesse sentido, a violência é reivindicada como uma forma de autodefesa dos anarquistas e deveria ser utilizada somente nos momentos e contextos em que se vislumbre o fortalecimento do movimento de massas. Em geral, anarquistas envolvidos com o movimento sindical defenderam essa posição, que também foi adotada pela maior parte dos anarquistas, inclusive Kropotkin e Malatesta, durante a maior parte de suas vidas. Muitos anarquistas defenderam a necessidade, criaram e participaram de organizações anarquistas ao longo da história. Bakunin teorizou sobre o tema e, juntamente com outros outros anarquistas, fundou a Aliança da Democracia Socialista em 1868. Kropotkin, defendendo a organização anarquista, afirmou que "o partido que mais fez agitação revolucionária, que mais manifestou vida e audácia, esse partido será mais escutado no dia em que for preciso agir, em que for preciso avançar para a revolução". Malatesta sustentava que "permanecer isolado, agindo ou querendo agir cada um por sua conta, sem se entender com os outros, sem preparar-se, sem enfeixar as fracas forças dos isolados", significa, para os anarquistas, "condenar-se à fraqueza, desperdiçar sua energia em pequenos atos ineficazes, perder rapidamente a fé no objetivo e cair na completa inação". Emma Goldman sustentava que a organização anarquista deveria se fundamentar no respeito absoluto por todas as iniciativas individuais. Voltairine de Cleyre afirmava que a associação dos anarquistas deveria encontrar sua forma organizativa a partir da experiência. Max Nettlau, que os anarquistas deveriam organizar-se conservando sua autonomia, mas apoiando-se reciprocamente. E José Oiticica reivindicava o dualismo organizacional, sustentando que a organização anarquista deveria ser separada da organização sindical, e as duas deveriam trabalhar em dois níveis complementares de organização e atuação. Organizações específicas anarquistas também tiveram papel fundamental em diversos acontecimentos relevantes na história do anarquismo, e vários anarquistas defenderam a necessidade de tais organizações, articulando e participando de associações do tipo. Entretanto, dentre esses anarquistas, há um debate que tem, como foco, o modelo dessa organização, envolvendo questões como o nível de afinidade teórica, ideológica, estratégica e programática, critério de ingresso e grau de autonomia dos membros. Destacam-se duas posições fundamentais entre os anarquistas sobre essa questão. A primeira, defende um modelo de organização flexível, que insiste na necessidade de agrupar o maior número possível de anarquistas, ainda que com distintas perspectivas estratégicas. A segunda, defende um modelo de organização programático, que prioriza, entre os anarquistas, aqueles que possuam maior afinidade políticas e estratégias. Historicamente, o debate mais rico sobre esses modelos de organização anarquista ocorreu em meados da década de 1920 e início da década de 1930, em torno da polêmica entre a Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários e a Síntese Anarquista, com os defensores da primeira sustentando um modelo de organização programático, e os defensores da segunda, um modelo de organização mais flexível. Anarquistas que defendem um modelo de organização programático partem do pressuposto que há contradições fundamentais entre aqueles que se consideram anarquistas, sendo a solução para isso a criação de uma organização forte, com afinidade ampla entre os membros para incidir de maneira mais adequada nas lutas populares, devendo a organização se dar de modo federalista e autogestionário, com uma organicidade bem definida, direitos e deveres, autodisciplina e responsabilidade, além da defesa de uma unidade tática, ideológica, teórica e estratégica. Os anarquistas que defendem um modelo de organização flexível, por sua vez, partem do pressuposto que há grandes afinidades entre aqueles que se consideram anarquistas, e que deve-se buscar o fim das rusgas entre os anarquistas e a sua união em torno da luta pelos mesmos objetivos, devendo a organização se dar também de modo federalista e autogestionário, porém com uma organicidade limitada e com a participação de todos os anarquistas e prezando a autonomia dos indivíduos e grupos organizados, a diversidade nas posições ideológicas, teóricas e estratégicas. A série de divergências existentes entre os anarquistas constituíram as bases para uma reflexão acerca do estabelecimento de correntes anarquistas. Entretanto, as diferenciações entre as correntes anarquistas foram estabelecidas de acordo com diferentes critérios pelos autores, não havendo nenhum consenso definido. Os critérios mais utilizados pelos autores clássicos, como Max Nettlau e George Woodcock, para definir as correntes do anarquismo, foram a distribuição dos produtos do trabalho na sociedade futura, subsidiando uma distinção entre coletivistas e comunistas; os sujeitos mobilizados pelos anarquistas e as estratégias adotadas por eles — subsidiando uma distinção entre anarcossindicalismo, sindicalismo revolucionário, "anarquismo terrorista" e "anarquismo pacifista" — e critérios de ordem política e filosófica, como a defesa da liberdade individual. Para Woodcock, por exemplo, haveria três correntes anarquistas: mutualismo, coletivismo e anarcocomunismo; baseadas respectivamente nas obras de Proudhon, Bakunin e Kropotkin, levando em conta os modos de distribuição do trabalho na sociedade libertária; anarcossindicalismo ou sindicalismo revolucionário, levando em conta os sujeitos mobilizados e as estratégias de luta; anarquismo pacifista, levando em conta também as estratégias de luta, baseadas no repúdio à violência e fundamentadas na obra de Tolstói; e anarco individualismo, levando em conta critérios de ordem filosófica, como a defesa radical das liberdades individuais e baseada nas obras de Godwin e Stirner. Entretanto, novos estudiosos do anarquismo, como Michael Schmidt e Lucien van der Walt, têm contestado esses critérios, argumentando que tais definições são insuficientes e que elas foram forjadas levando em conta um conjunto de pensadores muito restrito, alguns dos quais não seriam anarquistas — como Godwin, Stirner e Tolstói —; para eles, foram os debates acerca da estratégia que historicamente dividiram os anarquistas; a centralidade e a relevância desses debates indicariam que é em meio a eles que se devem buscar elementos para estabelecer as correntes anarquistas. Seguindo esse critério, os novos estudiosos do anarquismo estabeleceram duas correntes: o anarquismo insurrecionário e o anarquismo social ou de massas. O anarquismo insurrecionário, segundo Michael Schmidt e Lucien van der Walt, ... afirma que as reformas são ilusórias e que os movimentos de massa organizados são incompatíveis com o anarquismo, dando ênfase à ação armada — a propaganda pelo ato — contra a classe dominante e suas instituições, como o principal meio de despertar uma revolta espontânea revolucionária. Sendo assim, os anarquistas insurrecionários fazem parte do campo antiorganizacionista e posicionam-se, na maioria dos casos, contrários aos movimentos de massa organizados. Para eles, o sindicalismo é, em geral, considerado um movimento que tende à burocratização e à busca exclusiva de reformas, constituindo um perigo ao anarquismo, que é, para esses anarquistas, essencialmente revolucionário. Em relação à articulação com outros anarquistas, os insurrecionários preferem grupos de afinidade sem muita organicidade às organizações mais estruturadas e programáticas. Para os anarquistas insurrecionários, as lutas reivindicativas são inúteis e, em última instância, ajudam a fortalecer o status quo; para eles, somente a revolução social é que poderia promover a transformação social desejada. As reformas são condenadas ou consideradas supérfluas, já que afastam as classes populares dos objetivos prioritariamente revolucionários, na visão desses anarquistas. Os anarquistas insurrecionários são defensores da propaganda pelo ato, ou seja, acreditam que o anarquismo deve ser propagado por atos de violência contra a burguesia e membros do Estado, tomando corpo em assassinatos, atentados à bomba ou insurreições sem bases populares organizadas de antemão. Esses anarquistas consideram que esses atos individuais de violência teriam a capacidade de funcionar como um gatilho para influenciar trabalhadores e camponeses, gerando, a partir deles, movimentos insurrecionais e revoltas populares, capazes de levar, a cabo, a revolução social. Essa estratégia sustenta que a violência pode ocorrer fora dos movimentos populares organizados e sem o respaldo destes. Muitos dos que foram rotulados ou se identificaram como "anarquistas individualistas" foram incentivadores ou adeptos destas estratégias, principalmente por conta de suas posições contrárias à organização. Apesar de ser historicamente minoritária, essa corrente foi a que mais se difundiu no imaginário popular e que ficou forjada na imagem do anarquista conspirador e terrorista. O anarquismo insurrecionário foi defendido por anarquistas como Luigi Galleani, Émile Henry, Ravachol, Nicola Sacco, Bartolomeo Vanzetti e Severino di Giovanni e grupos como o Bando Bonnot, francês, e o Chernoe znamia, russo; encontrou respaldo também, por algum tempo, em anarquistas como Nestor Makhno, Kropotkin e Malatesta. O anarquismo social ou de massas, como definido por Michael Schmidt e Lucien van der Walt, ... enfatiza a visão de que somente os movimentos de massa podem criar uma transformação revolucionária na sociedade, que tais movimentos são normalmente construídos por meio de lutas em torno de questões imediatas e de reformas (em torno de salários, brutalidade policial ou altos preços etc.), e que os anarquistas devem participar desses movimentos para radicalizá-los e transformá-los em alavancas para a transformação revolucionária. Os defensores do anarquismo social ou de massas constituem o setor organizacionista do anarquismo, sendo favoráveis à organização; defendem que a transformação social só pode se dar pelo protagonismo dos movimentos populares, sejam eles construídos nos locais de trabalho ou nas comunidades. Entretanto, houve alguns casos de antiorganizacionistas que se vincularam ao anarquismo social ou de massas, embora constituam exceção. Ao contrário dos anarquistas insurrecionários, os anarquistas que defendem o anarquismo social ou de massas se posicionam favoráveis em relação às lutas de curto prazo e sustentam que as reformas — desde que sejam conquistadas pelos próprios movimentos populares e não vindas "de cima" como obra da burguesia ou dos governos — são os primeiros objetivos da luta popular de massas. Essa luta, que deve constituir-se com a mobilização social em torno de reivindicações, segundo eles, fortalece a consciência e solidariedade de classe e melhora as condições do povo, quando há conquistas. Assim, para esses anarquistas, reformas e revolução não são necessariamente contraditórias; dependendo de como forem conquistadas, podem ser complementares; é na luta pelas reformas que se forjam as condições para realizar a revolução, segundo eles. Sobre a questão da violência, esses anarquistas concordam que as ideias anarquistas também devem ser difundidas por atos, ainda que entendam por atos as mobilizações populares de massa, e não os atos isolados de violência; atos que também devem ser conciliados com as intervenções por meio de discursos e escritos. A violência não deve, deste ponto de vista, ser realizada com o objetivo de criar movimentos insurrecionais, mas ser perpetrada a partir de movimentos populares amplos já existentes, e, portanto, ter significativo respaldo popular; uma violência que deve ser levada a cabo pela própria classe organizada, de maneira a fortalecê-la nos conflitos de classe. Essa corrente foi historicamente majoritária e teve, como adeptos, militantes e teóricos proeminentes como Mikhail Bakunin, Buenaventura Durruti, Fernand Pelloutier, Rudolf Rocker, Voline, Ricardo Flores Magón, Ba Jin e Edgard Leuenroth, além de Makhno, Kropotkin e Malatesta, que, durante a maior parte de suas vidas, defenderam essa abordagem. O anarquismo social ou de massas, entretanto, teria duas subdivisões de ordem estratégica em relação às abordagens sindicais e antissindicais. Dentre as abordagens sindicais, estão as posições anarcossindicalistas e sindicalistas revolucionárias; entre as abordagens antissindicalistas, estão as posições que defendem as mobilizações de massa pelos locais de moradia. As críticas mais comuns ao anarquismo sustentam que este seria uma ideologia utópica e inviável, na medida em que, para esses críticos, as forças repressivas seriam absolutamente necessárias para a manutenção da ordem social, relacionando o anarquismo com a destruição, o caos, a desorganização e com posturas antissociais e desagregadoras, geralmente violentas ou criminosas. Também são comuns críticas no sentido de que o anarquismo se trataria de uma ideologia juvenil, visto que por razão da idade, os jovens estariam mais naturalmente envolvidos em problemas com a autoridade e em revolta contra as concepções morais e sociais dos mais velhos. O anarquismo também tem sido apontado por diversos críticos como uma ideologia incoerente, e sustentam que a "disputa e a discórdia sempre fizeram parte de sua mais genuína natureza", e ainda apontam que o anarquismo jamais teve impacto popular relevante e que encontrou a oposição de todas as classes. Críticos marxistas geralmente afirmam que o anarquismo seria uma doutrina pequeno-burguesa, alheia ao proletariado, sem fundamentos, voluntarista, idealista, individualista e sectária, muitas vezes argumentando que o anarquismo se sustenta em versões extremadas do liberalismo individualista e que ele não teria qualquer contribuição significativa para a teoria socialista e o movimento operário de modo geral. Marxista notório, o historiador inglês Eric Hobsbawm afirmou que, em todos os países onde o anarquismo teve um papel importante na vida política, as estratégias dos anarquistas foram totalmente ineficazes, considerando-o "um capítulo definitivamente encerrado no desenvolvimento dos movimentos revolucionários e operários modernos", tratando-o como um fenômeno pré-político e pré-industrial que encontrou expressão apenas em países menos desenvolvidos economicamente; para ele, "o principal atrativo do anarquismo era emocional e não intelectual".
Albert Einstein (Ulm, 14 de março de 1879 – Princeton, 18 de abril de 1955) foi um físico teórico alemão que desenvolveu a teoria da relatividade geral, um dos pilares da física moderna ao lado da mecânica quântica. Embora mais conhecido por sua fórmula de equivalência massa–energia, E = mc² — que foi chamada de "a equação mais famosa do mundo" —, foi laureado com o Prêmio Nobel de Física de 1921 "por suas contribuições à física teórica" e, especialmente, por sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico, que foi fundamental no estabelecimento da teoria quântica. Nascido em uma família de judeus alemães, mudou-se para a Suíça ainda jovem e iniciou seus estudos na Escola Politécnica de Zurique. Após dois anos procurando emprego, obteve um cargo no escritório de patentes suíço enquanto ingressava no curso de doutorado da Universidade de Zurique. Em 1905, publicou uma série de artigos acadêmicos revolucionários. Uma de suas obras era o desenvolvimento da teoria da relatividade especial. Percebeu, no entanto, que o princípio da relatividade também poderia ser estendido para campos gravitacionais, e com a sua posterior teoria da gravitação, de 1916, publicou um artigo sobre a teoria da relatividade geral. Enquanto acumulava cargos em universidades e instituições, continuou a lidar com problemas da mecânica estatística e teoria quântica, o que levou às suas explicações sobre a teoria das partículas e o movimento browniano. Também investigou as propriedades térmicas da luz, o que lançou as bases da teoria dos fótons. Em 1917, aplicou a teoria da relatividade geral para modelar a estrutura do universo como um todo. Suas obras renderam-lhe o status de celebridade mundial enquanto tornava-se uma nova figura na história da humanidade, recebendo prêmios internacionais e sendo convidado de chefes de estado e autoridades. Foi professor da Academia de Ciências de Berlim. Em 1933, quando o Partido Nazista chegou ao poder na Alemanha, estava nos Estados Unidos, onde passou a morar. Desde então, não tornou a residir no seu país de origem. Naturalizou-se estadunidense em 1940. Em agosto de 1939, pouco antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, ajudou a alertar o presidente Franklin D. Roosevelt que a Alemanha poderia estar desenvolvendo uma arma atômica, recomendando aos norte-americanos começarem uma pesquisa semelhante, que se tornaria o Projeto Manhattan. Apoiou os Aliados, opondo-se, no entanto, à utilização de armas nucleares contra o Japão. Seu tio Jacob, um engenheiro, e Max Talmey, um jovem estudante pobre de medicina que jantava na casa da família uma vez por semana entre 1889 e 1894, foram grandes influências durante seus anos de formação. Eles incentivaram sua curiosidade inerente e insaciável sobre tudo. Talmey trouxe livros populares de ciência, incluindo Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant, que Einstein começou a ler. Em 1894, a empresa de seu pai faliu: a corrente contínua perdeu a Guerra das Correntes para a corrente alternada. Em busca de negócios, a família de Einstein mudou-se para a Itália, primeiro para Milão e, alguns meses mais tarde, para Pavia. Quando a família se mudou para a cidade italiana, Einstein ficou em Munique para terminar seus estudos no Ginásio Luitpold. Seu pai queria que seguisse a engenharia elétrica, mas o jovem entrou em choque com as autoridades e ressentiu-se com o regime da escola e o método de ensino. Escreveu mais tarde que o espírito do conhecimento e o pensamento criativo foram perdidos na esteira da aprendizagem mecânica. No final de dezembro de 1894, viajou para a Itália para se juntar à sua família em Pavia, convencendo a escola a deixá-lo ir usando um atestado médico. Foi durante seu tempo na Itália que escreveu um pequeno ensaio com o título "Sobre a Investigação do Estado do Éter num Campo Magnético". No final do verão de 1895, com dezesseis anos, dois antes da idade padrão, realizou os exames de admissão para a Escola Politécnica Federal Suíça (hoje a ETH-Zurique). Ele não conseguiu alcançar o padrão exigido em várias disciplinas, mas obteve notas excepcionais em física e matemática. Seguindo o conselho do diretor da Politécnica, frequentou a Escola Cantonal em Aarau, Suíça, entre 1895 e 1896 para completar o ensino secundário. Enquanto se hospedava com a família do professor Jost Winteler, apaixonou-se por sua filha, Marie Winteler (mais tarde sua irmã Maja casou-se com o filho dos Wintelers, Paul). Em 28 de janeiro de 1896, com a aprovação de seu pai, renunciou à sua cidadania no Reino de Württemberg, para evitar o serviço militar. Em 29 de outubro foi aprovado no exame Matura com boas notas. Embora tivesse apenas 17 anos, um a menos que os demais alunos, matriculou-se no curso de quatro anos para obter o diploma de professor de física da Escola Politécnica. Durante os anos de graduação, viveu com uma mesada de 1 franco suíço por mês, da qual guardou uma pequena quantia para pagar por seus papéis de naturalização. Muito de seu trabalho no escritório de patentes relacionava-se a questões sobre a transmissão de sinais elétricos e sincronização eletromecânica do tempo, dois problemas técnicos que aparecem visivelmente nos experimentos mentais que o levaram a suas conclusões radicais sobre a natureza da luz e da conexão fundamental sobre o espaço e tempo. Neste mesmo ano, que tem sido chamado de o Ano Miraculoso, publicou quatro trabalhos revolucionários sobre o efeito fotoelétrico, o movimento browniano, a relatividade especial e a equivalência entre massa e energia, que o levariam ao conhecimento do mundo acadêmico. Em 1906, enquanto era promovido no escritório de patentes, recebeu formalmente o título de doutor e conheceu Max Planck, que começou a discutir algumas implicações da teoria da relatividade especial. No final desse ano terminou um artigo fundamental sobre calor específico, além de escrever resenhas de livros para o Annalen der Physik. No final de 1907, fez seus primeiros passos importantes em direção à teoria da relatividade geral tentando reconciliar a gravidade newtoniana com a relatividade especial, além de tentar usar o princípio da equivalência para a construção de uma nova teoria da gravidade. Em fevereiro de 1908 já era reconhecido como um importante cientista e foi nomeado Privatdozent (professor) na Universidade de Berna. No ano seguinte, deixou o escritório de patentes e o cargo de professor e começou a dar aulas de eletrodinâmica na Universidade de Zurique, Alfred Kleiner recomendou-lhe à faculdade um recém-criado cargo de professor em física teórica. Foi nomeado professor adjunto em 1909. Tornou-se professor catedrático na Universidade Carolina em Praga, em 1911, aceitando a cidadania austríaca no Império Austro-Húngaro para fazer isso. Em 1912, entretanto, retornou à sua alma mater, em Zurique. De 1912 até 1914 foi professor de física teórica no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, onde lecionou mecânica analítica e termodinâmica. Também estudou mecânica do contínuo, a teoria molecular do calor, e o problema da gravitação, no qual trabalhou com o matemático Marcel Grossmann. Em 1914, retornou à Alemanha depois de ser nomeado diretor do Instituto Kaiser Guilherme de Física (1914- 1932) e professor da Universidade Humboldt de Berlim, com uma cláusula especial em seu contrato que o liberou da maioria das obrigações dos docentes. Ele se tornou um membro da Academia Prussiana de Ciências. Em 1916, Einstein foi nomeado presidente da Sociedade Alemã de Física, cargo que ocuparia até 1918. Em novembro de 1911 foi convidado a participar da primeira Conferência de Solvay em Bruxelas, que reunia alguns dos maiores cientistas de todos os tempos, junto de Max Planck e Marie Curie. No mesmo ano, calculou que, com base em sua nova teoria da relatividade geral, a luz de uma estrela seria curvada pela gravidade do Sol. Essa previsão foi dada como confirmada em observações feitas por duas expedições britânicas, durante o eclipse solar de 29 de maio de 1919: uma liderada por Sir Arthur Stanley Eddington na Ilha do Príncipe; e outra liderada por Andrew Crommelin e Charles R. Davidson na cidade brasileira de Sobral, no Ceará. Notícias da mídia internacional fizeram Einstein instantaneamente famoso. Em 7 de novembro, The Times, o maior jornal britânico, publicou uma manchete que dizia: "Revolução na Ciência – Nova Teoria do Universo – Ideias de Newton Derrubadas". Usando sua imagem na capa, a revista semanal alemã Berliner Illustrirte Zeitung publicou uma manchete intitulada "Nova figura na história do mundo". Muito mais tarde, foram levantadas questões se os cálculos foram precisos o suficiente para apoiar a teoria. Em 1980, os historiadores John Earman e Clark Glymour publicaram uma análise sugerindo que Eddington tinha suprimido resultados desfavoráveis. A seleção dos dados de Eddington parece válida e sua equipe realmente fez medições astronômicas verificando a teoria. Em 10 de novembro de 1922, Einstein foi agraciado com o Prêmio Nobel de Física de 1921 "por suas contribuições à física teórica e, especialmente, por sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico". A relatividade não era bem compreendida. Mais tarde também recebeu a Medalha Copley da Royal Society em 1925 e a Medalha de Ouro da Royal Astronomical Society em 1926. Einstein visitou Nova Iorque pela primeira vez em 2 de abril de 1921, onde recebeu uma recepção oficial por parte do prefeito John Francis Hylan, seguido de três semanas de palestras e recepções. Apresentou diversas conferências na Universidade Columbia e na Universidade de Princeton, e em Washington acompanhou representantes da Academia Nacional de Ciências em uma visita à Casa Branca. Em seu retorno à Europa, foi convidado do estadista e filósofo britânico Visconde de Haldane, em Londres, onde se encontrou com várias figuras científicas, intelectuais e políticas de renome e apresentou uma palestra na King's College de Londres. Em 1922, viajou por toda a Ásia e depois à Palestina, como parte de uma excursão de seis meses apresentando palestras. Suas viagens incluíram Singapura, Ceilão e Japão, onde deu uma série de palestras para milhares de japoneses. Sua primeira palestra em Tóquio durou quatro horas e após a apresentação encontrou-se com o imperador e imperatriz no Palácio Imperial, onde milhares vieram assisti-lo. Em uma carta para seus filhos, descreveu sua impressão sobre os japoneses como modestos, inteligentes, atenciosos e tendo sensibilidade para a arte. Em sua viagem de volta também visitou a Palestina durante 12 dias, no que viria a ser sua única visita naquela região. Ao chegar na casa do alto comissário britânico Sir Herbert Louis Samuel com uma saudação com tiro de canhão, foi recebido como se fosse um chefe de Estado, em vez de um físico. Durante uma recepção, o edifício foi invadido por pessoas que queriam ver e ouvi-lo. Na palestra para a audiência, expressou sua felicidade de que o povo judeu estava começando a ser reconhecido como uma força no mundo. Einstein fez uma viagem à América do Sul, em 1925, visitando países como Argentina, Uruguai e também o Brasil. Além de fazer conferências científicas, visitou universidades e instituições de pesquisas. Em 21 de março passou pelo Rio de Janeiro, onde foi recebido por jornalistas, cientistas e membros da comunidade judaica. Visitou o Jardim Botânico e fez o seguinte comentário, por escrito, para o jornalista Assis Chateaubriand: "O problema que minha mente formulou foi respondido pelo luminoso céu do Brasil". Tal afirmação dizia respeito a uma observação do eclipse solar registrada na cidade cearense de Sobral por uma equipe de cientistas britânicos, liderada por Andrew Crommelin e Charles R. Davidson, que buscava vestígios que pudessem comprovar a teoria da relatividade. Chaplin também lembrou que Elsa lhe contou sobre a época em que concebeu a teoria da relatividade. Durante o café da manhã, parecia perdido em pensamentos e ignorou sua comida. Ela lhe perguntou se algo o incomodava. Ele se sentou em seu piano e começou a tocar. Continuou tocando e escrevendo notas durante meia hora, em seguida, subiu para seus estudos, onde permaneceu por duas semanas, com Elsa trazendo sua comida. No final das duas semanas, desceu as escadas com duas folhas de papel que ostentavam sua teoria. Seu filme, Luzes da Cidade, teve lançamento alguns dias mais tarde, em Hollywood, e Chaplin os convidou a juntar-se a ele como seus convidados especiais, descrito por Isaacson como "uma das cenas mais memoráveis da nova era das celebridades". Ambos chegaram juntos, em gravata preta, com Elsa se juntando a eles, "radiante". O público aplaudiu quando eles entraram no teatro. Chaplin visitou Einstein em sua casa em uma viagem mais tarde a Berlim, e recordou o seu "pequeno apartamento modesto" e o piano em que tinha começado a escrever sua teoria. Chaplin especulou que era "usado possivelmente como graveto pelos nazistas". Em fevereiro de 1933, durante uma visita aos Estados Unidos, Einstein decidiu não voltar para a Alemanha devido à ascensão do Partido Nazista ao poder com seu novo chanceler Adolf Hitler. Enquanto em universidades norte-americanas no início daquele ano, realizou sua terceira visita de dois meses como professor na Caltech, em Pasadena. Junto de sua esposa Elsa, voltou de navio para a Bélgica no final de março. Durante a viagem, foram informados de que sua casa havia sido invadida pelos nazistas e seu veleiro pessoal confiscado. Após o desembarque em Antuérpia em 28 de março, foi imediatamente ao consulado alemão onde apresentou seu passaporte e formalmente renunciou à cidadania alemã. Einstein também tomou conhecimento de que seu nome estava em uma lista de alvos de assassinato, com uma "recompensa de 5 mil dólares por sua cabeça". Em 1937 completou a versão final de um artigo sobre ondas gravitacionais. Um ano mais tarde, escreveu em parceria com seu amigo e físico Leopold Infeld A Evolução da Física, um livro popular de ciência publicado para ajudá-lo financeiramente. Einstein e Infeld se conheceram em Berlim, na época em que este era um estudante. Entre 1936 e 1937 foi membro do Instituto de Estudos Avançados, onde colaboraram juntos em três artigos sobre o problema no movimento na relatividade geral. Infeld foi professor da Universidade de Toronto de 1938 até 1950, e da Universidade de Varsóvia de 1950 até sua morte em 1968. Em 1939, um grupo de cientistas húngaros que incluía o físico emigrante Leó Szilárd tentou alertar Washington de pesquisas nazistas em andamento sobre a bomba atômica. Os avisos do grupo foram ignorados. Einstein e Szilárd, junto com outros refugiados, como Edward Teller e Eugene Wigner, "consideravam como sua responsabilidade alertar os americanos para a possibilidade de que cientistas alemães pudessem ganhar a corrida para construir uma bomba atômica, e por avisar que Hitler estaria mais do que disposto a recorrer a tal arma". Em 12 de julho, poucos meses antes do início da Segunda Guerra Mundial na Europa, Szilárd e Wigner visitaram Einstein e explicaram sobre a possibilidade de bombas atômicas por meio de experimentos com urânio e fissão, além de cálculos indicando uma reação em cadeia. Ele respondeu: "Nisto eu nunca havia pensado". Foi convencido a emprestar seu prestígio, escrevendo uma carta com Szilárd ao presidente Franklin Delano Roosevelt para alertá-lo sobre essa possibilidade. A carta também recomendou que o governo dos Estados Unidos prestasse atenção e se envolvesse diretamente na pesquisa de urânio e de pesquisas associadas à reação em cadeia. Para Sarah Diehl e James Clay Moltz, a carta é "provavelmente o estímulo fundamental para a adoção pelos Estados Unidos de investigações sérias em armas nucleares pouco antes da entrada do país na Segunda Guerra Mundial". O presidente nomeou um comitê para avaliar a carta, e o grupo que a enviou foi expandido para coordenar a investigação nuclear entre universidades americanas. Entre os membros estavam Szilárd, Teller e Wigner. Roosevelt seguiu a sugestão da carta. Einstein foi convidado a integrar o grupo, mas recusou. Entre 1940 e 1941, pesquisas preliminares confirmaram a viabilidade de uma bomba atômica. Em 7 de dezembro, um ataque japonês surpresa na base naval de Pearl Harbor forçou os Estados Unidos a entrar na guerra. Pouco tempo depois, a Alemanha também declarou guerra contra o país devido a um tratado de defesa com o Japão. Isto aumentou a urgência de pesquisa atômica. No ano seguinte, o governo americano autorizou um esforço maior para produzir bombas atômicas. A fim de manter este projeto secreto e evitar mencioná-lo, foi colocado sob o Distrito Manhattan do Corpo de Engenheiros do Exército e chamado de Projeto Manhattan. Para Einstein, "a guerra era uma doença, e ele sempre apelou para a resistência contra a guerra". Ao assinar a carta a Roosevelt, agiu contrariamente aos seus princípios pacifistas. Em 1954, um ano antes do seu falecimento, disse ao seu velho amigo Linus Pauling, "Eu cometi um grande erro na minha vida — quando assinei a carta ao presidente Roosevelt recomendando a construção da bomba atômica; mas nesse tempo havia uma justificativa — o perigo de que os alemães a construíssem". Einstein tornou-se um cidadão norte-americano em 1.º de outubro de 1940. Não muito tempo depois de iniciar sua carreira na Universidade de Princeton, expressou o seu apreço pela "meritocracia" da cultura americana, quando comparada com a Europa. De acordo com Isaacson, ele reconheceu o "direito dos indivíduos a dizer e pensar o que quisessem", sem barreiras sociais e, como consequência, o indivíduo era "incentivado" a ser mais criativo, uma característica que valorizava desde sua própria educação inicial. Após o fim da Segunda Guerra Mundial e as memórias e imagens de Hiroshima e Nagasaki ainda frescas na mente das pessoas, cientistas pediram-lhe para participar de um apelo à comunidade científica para que recusassem a trabalhar no desenvolvimento de energia nuclear por causa de seus possíveis usos para o mal. Apesar de relutante a fazê-lo devido as respostas negativas a questões críticas, Einstein posteriormente assinou a carta de proposta. Estava mais disposto a unir seu nome e participar de atividades coletivas com outros cientistas. Por insistência de Szilárd, em maio de 1946, concordou em ser o presidente do Comitê Emergencial de Cientistas Atômicos, cuja missão era promover o uso pacífico da energia nuclear, difundir o conhecimento e informação sobre energia atômica e promover a compreensão geral de suas consequências (ver: Movimento pró-nuclear e Movimento antinuclear). Como membro da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, em Princeton, que fazia campanha pelos direitos civis dos afro-americanos, Einstein se correspondia com o ativista dos direitos dos negros W.E.B. Du Bois, e, em 1946, chamou o racismo de "a pior doença da América". Mais tarde, ele afirmou que "o preconceito de raça infelizmente se tornou uma tradição americana que é acriticamente transmitida de uma geração para a outra [...] Os únicos remédios são a iluminação e a educação". Einstein fez ainda uma palestra na Universidade Lincoln em Pensilvânia, a primeira universidade historicamente negra dos Estados Unidos, onde recebeu um título honoris causa do presidente Horace Mann Bond, em maio de 1946. Em outubro do mesmo ano recebeu os membros da mesma universidade para uma confraternização em sua casa em Princeton. Depois da morte do primeiro presidente de Israel, Chaim Weizmann, em novembro de 1952, o primeiro-ministro David Ben-Gurion lhe ofereceu a posição, um cargo principalmente cerimonial em um sistema que investia mais poder no primeiro-ministro e o gabinete. A oferta foi apresentada pelo embaixador de Israel em Washington, Abba Eban, que explicou que ela "encarna o mais profundo respeito que o povo judeu pode repousar em qualquer um de seus filhos". No entanto, recusou e escreveu em sua resposta que estava "profundamente comovido" e "ao mesmo tempo triste e envergonhado", pois não poderia aceitá-la: No verão de 1950, seus médicos descobriram que um aneurisma — um vaso sanguíneo fraco — em sua aorta abdominal estava ficando maior. Quando foi encontrado, os médicos tinham poucas opções de tratamento e envolveram o vaso sanguíneo inflamado com papel celofane na esperança de evitar uma hemorragia. Einstein parecia ter recebido bem a notícia, assim como recusou quaisquer tentativas cirúrgicas adicionais para corrigir o problema. Recusou a cirurgia dizendo: "Quero ir quando eu quiser. É de mau gosto ficar prolongando a vida artificialmente. Fiz a minha parte, é hora de ir embora e eu vou fazê-lo com elegância". Em 18 de março de 1950, assinou seu testamento. Nomeou sua secretária, Helen Dukas, e amigo Otto Nathan como seus executores literários; deixou todos os seus manuscritos para a Universidade Hebraica de Jerusalém, a escola que ajudou a fundar em Israel; e legou seu violino para seu primeiro neto, Bernhard Caesar Einstein. Durante a autópsia, o patologista de plantão do Hospital de Princeton, Thomas Stoltz Harvey, removeu o cérebro de Einstein para preservação. Harvey dissecou o órgão em cerca de 240 seções, vedou algumas das partes em parafina para preservá-las e outras foram deixadas flutuando livremente em formol. Conforme as pesquisas em seu cérebro continuaram, logo tornou-se público o ocorrido e o patologista realizou uma conferência de imprensa, dizendo que pretendia estudar o órgão para a ciência. Por não ser um neuropatologista, especialistas do campo questionaram sua capacidade de estudar o cérebro, e tentaram persuadi-lo a entregá-lo. Mas Harvey recusou. Desde então, o órgão vem sendo objeto de diversos estudos científicos. Pessoas têm pesquisado motivos anatômicos em relação à inteligência. Seus restos mortais foram cremados e suas cinzas espalhadas muito provavelmente ao longo do rio Delaware, perto de Princeton, por seus amigos. Em sua palestra no memorial de Einstein, o físico nuclear Robert Oppenheimer resumiu sua impressão sobre ele como pessoa: "Era quase totalmente sem sofisticação e totalmente sem mundanismo [...] Havia sempre com ele uma pureza maravilhosa ao mesmo tempo infantil e profundamente teimosa". Após uma colaboração de longa data com o escritor, pacifista e vencedor do Nobel de Literatura Bertrand Russell, Einstein junto com um grupo de cientistas proeminentes assinou o Manifesto Russell-Einstein, em 11 de fevereiro de 1955. O manifesto é um apelo que declarava suas preocupações com o uso de armas nucleares na corrida armamentista entre os Estados Unidos e a União Soviética. Apelou aos cientistas para que assumissem suas responsabilidades sociais e informassem o público sobre as ameaças tecnológicas, particularmente as nucleares. Além de Einstein e Russell, os outros nove signatários do manifesto foram Max Born, Percy Williams Bridgman, Leopold Infeld, Frédéric Joliot-Curie, Hermann Muller, Linus Pauling, Cecil Frank Powell, Józef Rotblat e Hideki Yukawa. Foi publicado em 9 de julho de 1955, em Londres, alguns meses após a morte de Einstein. Foi sua última declaração política. Ao longo de sua vida, Einstein publicou centenas de livros e artigos. Além do trabalho individual, também colaborou com outros cientistas em outros projetos, incluindo a estatística de Bose-Einstein, o refrigerador de Einstein e outros. Publicou mais de 300 trabalhos científicos, juntamente com mais de 150 obras não científicas. Sobre a Eletrodinâmica dos Corpos em Movimento. Com foco na relatividade restrita, foi apresentado em 30 de junho e publicado em 26 de setembro. Reconciliou as equações de eletricidade e de magnetismo de Maxwell com as leis da mecânica, introduzindo alterações importantes na mecânica perto da velocidade da luz, que resultam da análise com base na evidência empírica de que a velocidade da luz é independente do movimento do observador. Desacreditou o conceito de um "éter luminoso". A inércia de um corpo depende do seu conteúdo energético?. Artigo que investiga a equivalência massa-energia, foi apresentado ao periódico em 27 de setembro e publicado em 21 de novembro. É apresentada a equivalência de matéria e energia, E = mc² (e, por consequência, a capacidade da gravidade em "curvar" a luz), a existência da "energia de repouso" e a base da energia nuclear (a conversão de matéria em energia por seres humanos e no cosmos). Outros cientistas, especialmente Henri Poincaré e Hendrik Lorentz, tinham teorizado partes da relatividade especial. No entanto, Einstein foi o primeiro a reunir toda a teoria em conjunto e perceber o que era uma lei universal da natureza, não uma invenção de movimento no éter, como Poincaré e Lorentz tinham pensado. Originalmente, a comunidade científica ignorou os artigos do Ano Miraculoso. Isso começou a mudar depois que recebeu a atenção de Max Planck, o fundador da teoria quântica, um dos físicos mais influentes de sua geração e o único físico que notou os trabalhos. Ambos viriam a se conhecer em uma palestra internacional na Conferência de Solvay, após Planck gradualmente confirmar sua teoria. === Relatividade, E=mc² e o princípio da equivalência === Articulou o princípio da relatividade. Isto foi entendido por Hermann Minkowski como uma generalização da invariância rotacional, do espaço para o espaço-tempo. Outros princípios postulados por Einstein e mais tarde provados são o princípio da equivalência e o princípio da invariância adiabática do número quântico. A relatividade geral é uma teoria da gravitação que foi desenvolvida por Einstein entre 1907 e 1915. De acordo com a relatividade geral, a atração gravitacional observada entre massas resulta da curvatura do espaço e do tempo por essas massas. A relatividade geral tornou-se uma ferramenta essencial na astrofísica moderna. Ela fornece a base para o entendimento atual de buracos negros, regiões do espaço onde a atração gravitacional é tão forte que nem mesmo a luz pode escapar. Como disse mais tarde, a razão para o desenvolvimento da relatividade geral foi a de que a preferência de movimentos inerciais dentro da relatividade especial não foi satisfatória, enquanto uma teoria que, desde o início, não prefere nenhum estado de movimento (mesmo os mais acelerados) deve parecer mais satisfatória. Consequentemente, em 1907, publicou um artigo sobre a aceleração no âmbito da relatividade especial. Nesse artigo intitulado "Sobre o Princípio da Relatividade e as Conclusões Tiradas Dela", argumentou que a queda livre é um movimento inercial, e que para um observador em queda livre as regras da relatividade especial devem se aplicar. Este argumento é chamado de princípio da equivalência. No mesmo artigo, Einstein previu também o fenômeno da dilatação temporal gravitacional, desvio gravitacional para o vermelho e deflexão da luz. Em 1911, publicou "Sobre a Influência da Gravidade na Propagação da Luz", em expansão do artigo de 1907, em que estimou a quantidade de deflexão da luz por corpos maciços. Assim, a previsão teórica de relatividade geral pode, pela primeira vez ser testada experimentalmente. Seu artigo "Sobre a Eletrodinâmica dos Corpos em Movimento" ("Zur Elektrodynamik bewegter Körper") foi recebido em 30 de junho de 1905 e publicado em 26 de setembro daquele ano. Concilia as equações de Maxwell para a eletricidade e o magnetismo com as leis da mecânica, através da introdução de grandes mudanças para a mecânica perto da velocidade da luz. Isto mais tarde se tornou conhecido como a teoria da relatividade especial de Einstein. As consequências disto incluem o intervalo de espaço-tempo de um corpo em movimento, que parece reduzir de velocidade e se contrair (na direção do movimento), quando medido no plano do observador. Este documento também argumentou que a ideia de um éter luminífero — uma das entidades teóricas líderes da física na época — era supérflua. Em seu artigo sobre equivalência massa-energia, Einstein concebeu E=mc² de sua equação da relatividade especial. Seu trabalho de 1905 sobre a relatividade permaneceu controverso por muitos anos, mas foi aceito pelos principais físicos, começando com Max Planck. A teoria da relatividade geral tem uma lei fundamental — as equações de Einstein que descrevem como o espaço se curva, a equação geodésica que descreve como as partículas que se movem podem ser derivadas a partir das equações de Einstein. Uma vez que as equações da relatividade geral são não-lineares, um pedaço de energia feita de campos gravitacionais puros, como um buraco negro, se moveria em uma trajetória que é determinada pelas equações de Einstein, e não por uma nova lei. Assim, Einstein propôs que o caminho de uma solução singular, como um buraco negro, seria determinado como uma geodésica da própria relatividade geral. Isto foi estabelecido por Einstein, Infeld e Hoffmann para objetos pontuais sem movimento angular e por Roy Kerr para objetos em rotação. Poucos meses após publicar seu artigo sobre a relatividade geral em 1916, perceberam que distorções no espaço poderiam levar objetos a atalhos que poderiam conectar áreas muito remotas. Foram encontradas soluções que permitiam a possibilidade de um buraco de minhoca — um atalho entre duas partes remotas do espaço e, possivelmente, do tempo. Um buraco de minhoca é criado quando uma grande massa cria uma singularidade no tecido do espaço-tempo, algo tornado possível pela relatividade geral. Quando a singularidade de uma massa encontra a de outra, ambas podem se unir e criar uma passagem através da qual algo — matéria, luz, radiação — pode passar relativamente rápido apesar da grande distância entre elas. No mesmo ano em que Einstein publicou a teoria, dois físicos, Ludwig Flamm e Karl Schwarzschild, descobriram independentemente que os túneis no espaço eram soluções válidas para as equações da relatividade, que eram ferramentas para descrever a forma do espaço. As equações mostram que a gravidade distorceu a própria natureza do espaço, e em áreas de imensa gravidade, uma distorção, ou túnel, poderia aparecer. Schwarzschild já havia postulado a existência do que acabaria se tornando conhecido como buracos negros — estrelas mortas tão densas e com uma gravidade tão forte que qualquer coisa que chegasse muito perto seria sugada para sempre. A intensa gravidade associada com esses buracos negros poderia muito bem levar a enormes distorções espaciais. Em 1935, Einstein e Nathan Rosen desenvolveram um modelo mais completo destes túneis, que hoje são referidos como pontes de Einstein-Rosen. Ao longo da década de 1910, a mecânica quântica expandiu em escopo para cobrir muitos sistemas diferentes. Depois de Ernest Rutherford descobrir o núcleo e propor que os elétrons orbitam como planetas, Niels Bohr foi capaz de mostrar que os mesmos postulados da mecânica quântica introduzidos por Planck e desenvolvidos por Einstein explicariam o movimento discreto dos elétrons nos átomos e a tabela periódica de elementos. Einstein contribuiu para estes desenvolvimentos, ligando-os com os argumentos que Wilhelm Wien tinha apresentado em 1898. Wien tinha mostrado que a hipótese de invariância adiabática de um estado de equilíbrio térmico permite que todas as curvas de um corpo negro a temperaturas diferentes sejam derivadas uma a partir da outra por um processo simples de deslocamento. Einstein observou em 1911 que o mesmo princípio adiabático mostra que a quantidade que é quantizada em qualquer movimento mecânico deve ser um invariante adiabático. Arnold Sommerfeld identificou esta invariante adiabática como a variável de ação da mecânica clássica. Embora o escritório de patentes o tenha promovido para técnico examinador de segunda classe em 1906, Einstein não tinha desistido da carreira acadêmica. Em 1908 tornou-se privatdozent na Universidade de Berna. Em "Sobre o desenvolvimento de nossa visão sobre a natureza e constituição da radiação" ("Über die Entwicklung unserer Anschauungen über das Wesen und die Konstitution der Strahlung"), sobre a quantização da luz, e antes em um artigo de 1909, Einstein mostrou que os quanta de energia de Max Planck devem ter momentos bem definidos e agir, em alguns aspectos, como partículas pontuais independentes. Este artigo introduziu o conceito de fóton (embora o nome fóton tenha sido introduzido mais tarde por Gilbert Newton Lewis em 1926) e inspirou a noção de dualidade onda-partícula na mecânica quântica. Quando os físicos desenvolveram a mecânica quântica, sentiu-se uma grande emoção pois estavam concebendo as ferramentas necessárias para descrever o mundo recém-descoberto das partículas subatômicas. Einstein compartilhava a emoção. Mas o campo da mecânica quântica tomou um rumo que o frustrou: as equações desenvolvidas pelos cientistas só foram capazes de prever as probabilidades de como um átomo agiria. A mecânica quântica insiste que as leis mais fundamentais da natureza são aleatórias. Mesmo que os primeiros trabalhos de Einstein levaram diretamente para o desenvolvimento da nova ciência, o próprio sempre se recusou a aceitar essa aleatoriedade. Em 1917, no auge de seu trabalho sobre a relatividade, publicou um artigo no Physikalische Zeitschrift que propôs a possibilidade da emissão estimulada, o processo físico que torna possíveis o maser e o laser. Este artigo mostra que as estatísticas de absorção e emissão de luz só seriam consistentes com a lei de distribuição de Planck se a emissão de luz em uma moda estatística com ‘’’n’’’ fótons fosse aumentada estatisticamente em comparação com a emissão de luz em uma moda vazia. Este artigo foi enormemente influente no desenvolvimento posterior da mecânica quântica, porque foi o primeiro trabalho a mostrar que as estatísticas de transições atômicas tinham leis simples. Einstein descobriu os trabalhos de Louis de Broglie e apoiou as suas ideias, que foram recebidas com ceticismo no início. Em outro grande artigo nessa mesma época, Einstein proveu uma equação de onda para as ondas de Broglie, que sugeriu como a equação de Hamilton-Jacobi da mecânica. Este trabalho iria inspirar o trabalho de Schrödinger de 1926. A intuição física de Einstein o levou a notar que as energias do oscilador de Planck tinham um ponto zero incorreto. Ele modificou a hipótese de Planck, definindo que o estado de menor energia de um oscilador é igual a hf, a metade do espaçamento de energia entre os níveis. Este argumento, que foi feito em 1913 em colaboração com Otto Stern, Embora continuasse a ser elogiado por seu trabalho, tornou-se cada vez mais isolado em sua pesquisa, e seus esforços foram infrutíferos. Em sua busca por uma unificação das forças fundamentais, Einstein ignorou alguns desenvolvimentos da física corrente, principalmente as forças nucleares forte e fraca, que não foram muito compreendidas até muitos anos após sua morte. A física corrente, por sua vez, em grande parte ignorou suas abordagens à unificação. O sonho de Einstein de unificar as outras leis da física com a gravidade motivam missões modernas para uma teoria de tudo e em particular a teoria das cordas, onde os campos geométricos surgem em um ambiente da mecânica quântica unificada. Em 1917, aplicou a teoria da relatividade geral para modelar a estrutura do universo como um todo. Ele queria que o universo fosse eterno e imutável, mas este tipo de universo não é consistente com a relatividade. Para corrigir isso, modificou a teoria geral através da introdução de uma nova noção, a constante cosmológica. Com uma constante cosmológica positiva, o universo poderia ser uma esfera eterna estática. Einstein acreditava que um universo esférico estático é filosoficamente preferido, porque obedeceria ao princípio de Mach, elaborado por Ernst Mach. Ele havia mostrado que a relatividade geral incorpora o princípio de Mach, até um certo ponto, no arraste de planos por campos gravitomagnéticos, mas ele sabia que a ideia de Mach não funcionaria se o espaço continuasse para sempre. Em um universo fechado, ele acreditava que o princípio de Mach se manteria. O princípio de Mach tem gerado muita controvérsia ao longo dos anos. Em seu artigo "Sobre um ponto de vista heurístico relativo à produção e transformação da luz" ("Über einen die Erzeugung und Verwandlung des Lichtes betreffenden heuristischen Gesichtspunkt"), Einstein postulou que a luz em si consiste de partículas localizadas (quanta). Os quanta de luz de Einstein foram quase universalmente rejeitados por todos os físicos, incluindo Max Planck e Niels Bohr. Essa ideia só se tornou universalmente aceita em 1919, com os experimentos detalhados de Robert Millikan sobre o efeito fotoelétrico, e com a medida de espalhamento Compton. Einstein concluiu que cada onda de frequência f é associada com um conjunto de fótons com uma energia hf cada, em que h é a constante de Planck. Ele não diz muito mais, porque não tinha certeza de como as partículas estão relacionadas com a onda. Mas ele sugere que essa ideia poderia explicar alguns resultados experimentais, especialmente o efeito fotoelétrico. Em 1907, propôs um modelo de matéria em que cada átomo de uma estrutura de rede é um oscilador harmônico independente. No modelo de Einstein, cada átomo oscila de forma independente — uma série de estados quantizados igualmente espaçados para cada oscilador. Einstein estava consciente de que obter a frequência das oscilações reais seria diferente, mas ele propôs esta teoria porque era uma demonstração particularmente clara de que a mecânica quântica poderia resolver o problema do calor específico na mecânica clássica. Peter Debye aprimorou este modelo. Einstein voltou para o problema das flutuações termodinâmicas, dando um tratamento das variações de densidade de um fluido no seu ponto crítico. Normalmente as flutuações de densidade são controladas pela segunda derivada da energia livre em relação à densidade. No ponto crítico, esta derivada é zero, levando a grandes flutuações. O efeito da flutuação da densidade é que a luz de todos os comprimentos de onda é dispersada, fazendo com que o fluido pareça branco leitoso. Einstein relaciona isso com a dispersão de Rayleigh, que é o que acontece quando o tamanho da flutuação é muito menor do que o comprimento de onda, e que explica por que o céu é azul. Ao desenvolver a relatividade geral, Einstein ficou confuso sobre a invariância de gauge na teoria. Formulou um argumento que o levou a concluir que uma teoria geral do campo relativístico é impossível. Desistiu de procurar equações tensoriais covariantes completamente gerais e procurou por equações que seriam invariantes apenas sob transformações lineares gerais. Em junho de 1913, a teoria Entwurf (do alemão "rascunho") foi o resultado dessas investigações. Como o próprio nome sugere, era um esboço de teoria, com as equações de movimento complementadas por condições adicionais de fixação de calibre. Ao mesmo tempo menos elegante e mais difícil do que a relatividade geral, após mais de dois anos de intenso trabalho, Einstein abandonou a teoria em novembro de 1915, depois de perceber que o argumento do buraco estava errado. O primeiro trabalho de Einstein, publicado em 1900 no Annalen der Physik, versou sobre a atração capilar. Foi publicado em 1901 com o título "Folgerungen aus den Kapillarität Erscheinungen", que se traduz como "Conclusões sobre os fenômenos de capilaridade". Dois artigos que publicou entre 1902 e 1903 (termodinâmica) tentaram interpretar fenômenos atômicos a partir de um ponto de vista estatístico. Estas publicações foram a base para o artigo de 1905 sobre o movimento browniano, que mostrou que pode ser interpretado como evidência sólida da existência das moléculas. Sua pesquisa em 1903 e 1904 estava centrada principalmente sobre o efeito do tamanho atômico finito em fenômenos de difusão. A relatividade geral inclui um espaço-tempo dinâmico, por isso é difícil identificar a energia e momento conservados. Além de colaboradores de longa data como Leopold Infeld, Nathan Rosen, Peter Bergmann e outros, também teve algumas colaborações pontuais com vários cientistas, como Banesh Hoffmann, Jeroen van Dongen, Einstein e Wander de Haas demonstraram que a magnetização é devida ao movimento de elétrons, o que hoje em dia é conhecido como a rotação. Para mostrar isto, inverteram a magnetização em uma barra de ferro suspensa em um pêndulo de torção. Confirmaram que isso leva a barra a rodar, devido a mudanças no momento angular do elétron com as mudanças de magnetização. Esta experiência precisava ser sensível, porque o momento angular associado com os elétrons é pequeno, mas estabeleceu definitivamente que o movimento de elétrons é responsável pela magnetização. Sugeriu a Erwin Schrödinger que seria capaz de reproduzir as estatísticas de um gás de Bose-Einstein ao considerar uma caixa. Então, para cada possível movimento quântico de uma partícula em uma caixa, associar um oscilador harmônico independente. Quantizando estes osciladores, cada nível terá um número inteiro de ocupação, que será o número de partículas na mesma. Essa formulação é uma forma de segunda quantização, mas é anterior à moderna mecânica quântica. Schrödinger a aplicou para derivar as propriedades termodinâmicas de um gás ideal semiclássico. Schrödinger pediu que adicionasse seu nome como coautor, mas Einstein recusou o convite. Os debates entre Bohr e Einstein foram uma série de disputas públicas sobre a mecânica quântica entre Einstein e Niels Bohr, que foram dois dos seus fundadores. Seus debates são lembrados por causa de sua importância para a filosofia da ciência. Em 1924 recebeu uma carta com a descrição de um modelo estatístico do físico indiano Satyendra Nath Bose, que criou um método de contagem onde se assume que a luz pode ser entendida como um gás de partículas indistinguíveis, usando uma nova forma para chegar à Lei de Planck. As novas estatísticas de Bose ofereceram mais informações sobre como entender o comportamento dos fótons. Ele mostrou que se um fóton entrou em um estado quântico específico, então há uma tendência para que o próximo entre no mesmo estado. Einstein notou que as estatísticas de Bose aplicavam-se a alguns átomos, bem como partículas de luz propostas, e submeteu a tradução do artigo em alemão para o Zeitschrift für Physikalische Chemie. Também publicou seus próprios artigos descrevendo o modelo e suas implicações. Entre os resultados, em 1925 fez a notável descoberta em que algumas partículas aparecem em temperaturas muito baixas; se um gás tivesse uma temperatura bem próxima do zero absoluto — o ponto em que os átomos não se movem — todos eles caíam no mesmo estado quântico. O condensado de Bose-Einstein é um tipo de matéria que é distintamente diferente das outras na Terra — diferente de líquido, sólido ou gasoso. Foi a última grande contribuição de Einstein à física. Somente em 1995 o primeiro condensado foi produzido experimentalmente por Eric Allin Cornell e Carl Wieman usando equipamentos de ultrarresfriamento construídos no laboratório do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia — Instituto Conjunto do Laboratório de Astrofísica da Universidade do Colorado em Boulder. Hoje, as estatísticas de Bose-Einstein são usadas para descrever o comportamento de qualquer conjunto de bósons. Entre os anos de 1926 e 1930, Einstein e Szilárd trabalharam juntos e desenvolveram um silencioso refrigerador doméstico. Em 11 de novembro de 1930, a Patente dos Estados Unidos foi atribuída a ambos pelo refrigerador de Einstein. Sua invenção não foi imediatamente colocada em produção comercial, uma vez que a mais promissora de suas patentes foi rapidamente comprada pela empresa sueca Electrolux para proteger sua tecnologia de refrigeração da competição. Em 1935, Einstein, Boris Podolsky e Nathan Rosen produziram um famoso argumento para mostrar que a interpretação da mecânica quântica defendida por Bohr e sua escola em Copenhague era incompleta se certas suposições razoáveis fossem feitas a respeito de "realidade" e "localidade" contra o qual não havia um pouco de evidência empírica naqueles dias. Bohr escreveu um desmentido e foi declarado o vencedor. O debate persistiu em um nível filosófico até 1964, quando John Stewart Bell produziu sua famosa desigualdade baseada no realismo local (ou seja, a localidade mais realidade, tal como definido por Einstein, Podolsky e Rosen) na qual a mecânica quântica viola. Por fim, a questão foi trazida a baixo de sua altura filosófica ao nível empírico. Mas teve que esperar até 1982 para um verdadeiro veredito experimental. Os experimentos engenhosos realizados pela Aspect e seus colegas com fótons correlacionados mais uma vez pareciam vindicar a mecânica quântica. Após o aparecimento do argumento EPR e a resposta de Bohr, a escola de Copenhague teve que mudar sua postura. Tiveram que abandonar a ideia de que toda medida causava uma "perturbação" inevitável do sistema de medida. De fato, Bohr admitiu que, em uma causa como a correlatada no paradoxo EPR, "não havia dúvida de uma perturbação mecânica do sistema sob investigação". A teoria da gravidade de Einstein-Cartan é uma modificação da teoria da relatividade geral, permitindo que o espaço-tempo tenha torção, além de curvatura, e torção relativa à densidade da quantidade de momento angular intrínseco. Esta modificação foi proposta em 1922 por Élie Cartan, antes da descoberta do spin. Cartan foi influenciado pelo trabalho dos irmãos Cosserat, que consideravam, além de um (assimétrico) tensor força de estresse, também um tensor momento de estresse em um meio contínuo adequadamente generalizado. Com seis anos de idade, no final de 1885, Einstein entrou na escola primária católica de seu bairro, provavelmente a partir do segundo grau. Era a única criança judia na classe. Instrução religiosa fazia parte do currículo escolar, assim ele se familiarizou com as histórias da Bíblia e dos santos. Suas opiniões políticas surgiram publicamente em meados do século XX, devido à sua fama e reputação de gênio. Ele era a favor do socialismo e contra o capitalismo, que ele detalhou em seu ensaio Por que o Socialismo? Suas opiniões sobre os bolcheviques mudaram com o tempo. Em 1925, ele os criticou por não terem um "sistema de governo bem regulado" e chamou seu governo de "um regime de terror e uma tragédia na história humana". Posteriormente, ele adotou uma visão mais "equilibrada", criticando seus métodos, mas elogiando-os, o que é demonstrado por sua observação de 1929 sobre Vladimir Lênin: "Em Lenin, honro um homem que, em total sacrifício de sua própria pessoa, dedicou toda a sua energia para realizar a justiça social. Não acho seus métodos aconselháveis. Uma coisa é certa, no entanto: homens como ele são os guardiões e renovadores da consciência da humanidade". Einstein ofereceu-se e foi chamado a opinar em questões muitas vezes não relacionadas à física teórica e matemática. Seus pontos de vista sobre a crença religiosa foram coletados a partir de entrevistas e escritos originais. Quando jovem dizia que acreditava no conceito de "Deus" conforme preconizado pelo filósofo Baruch Espinoza, mas não em um Deus pessoal, crença que ele criticava. Nesta visão, deus e a natureza são uma mesma entidade. Chamava-se de agnóstico, ao mesmo tempo que se dissociava do rótulo de ateu quando vinculado ao ateísmo forte (ateísmo não cético). "Você pode me chamar de agnóstico, mas eu não concordo com o espírito do ateu profissional cujo fervor é um ato de dolorosa restrição da doutrinação religiosa da juventude. Eu prefiro ter uma atitude de humildade em relação ao quão pouco entendemos sobre a natureza e nossos próprios seres", escreveu a Guy H. Raner Jr. em setembro de 1949. Numa carta manuscrita em alemão em 1954 e dirigida ao filósofo judeu Eric Gutkind, Einstein critica enfaticamente as religiões institucionalizadas, em particular a religião judaica, de forma a posicioná-lo como ateu um ano antes de sua morte. Na missiva em questão, o cientista declara que: :::"Para mim, a palavra Deus não é mais do que a expressão e o produto das fraquezas humanas; a Bíblia é uma coleção de lendas honrosas, mas ainda assim primitivas, que, no entanto, são bastante infantis. Nenhuma interpretação, por mais subtil que seja, pode (para mim) alterar isso. Para mim, a religião judaica, como todas as outras religiões, é a encarnação das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual pertenço de bom grado e com cuja mentalidade tenho profunda afinidade, não tem para mim uma qualidade diferentes de todos os outros povos. De resto, não consigo ver nada de "escolhido" neles." Conhecida como a "Carta de Deus", a carta foi vendida em 2018 em Nova Iorque por 2,89 milhões de dólares num leilão organizado pela Christie's. Einstein desenvolveu apreciação musical em uma idade precoce. Sua mãe tocava piano razoavelmente bem e queria que seu filho aprendesse a tocar violino, não só para incutir nele o amor pela música, mas também para ajudá-lo a assimilar a cultura alemã. De acordo com o maestro Leon Botstein, Einstein disse ter começado a tocar quando tinha cinco anos, mas não o apreciava nessa idade. Quando completou treze anos, no entanto, descobriu as sonatas para violino de Mozart. "Einstein se apaixonou", e estudou música com mais vontade. Aprendeu a tocar sozinho sem "nunca praticar sistematicamente", acrescentando que "o amor é um professor melhor do que um sentido de dever". Aos dezessete anos, foi ouvido por um examinador de sua escola em Aarau quando tocava as sonatas de violino de Beethoven, tendo o examinador afirmado depois que seu toque era "notável e revelador de 'uma grande visão'". O que impressionou o examinador, escreve Botstein, era que Einstein "exibiu um amor profundo pela música, uma qualidade que foi e continua a ser escassa. A música possuía um significado incomum para esse estudante". Perto do fim de sua vida, em 1952, quando o Quarteto de Cordas Juilliard (da Juilliard School, de Nova Iorque) visitou-o em Princeton, ele tocou seu violino com eles; ainda que diminuísse o ritmo para acomodar suas habilidades técnicas menores, Botstein observa que o quarteto ficou "impressionado com o nível de coordenação e entonação de Einstein". Einstein doou os royalties do uso de sua imagem para a Universidade Hebraica de Jerusalém. Corbis, sucessor da The Roger Richman Agency, licencia o uso de seu nome e imagens associadas, como agente para a universidade. Suas grandes conquistas intelectuais e originalidade fizeram da palavra "Einstein" sinônimo de gênio. Sua fórmula de equivalência massa-energia — E = mc² — foi chamada por Karen Fox e Aries Keck de "a equação mais famosa do mundo". Ao lado da mecânica quântica, sua teoria da relatividade geral foi considerada um dos pilares da física moderna. Em dezembro de 1952, Albert Ghiorso, trabalhando na Universidade da Califórnia em Berkeley, descobriu um novo elemento ao analisar resíduos da detonação da primeira bomba H. Para homenagear Einstein, este novo elemento, o de número 99 na tabela periódica, recebeu o nome Einstênio. No cinema foi interpretado pelos atores Walter Matthau em I.Q. e por Tom Conti em Oppenheimer . No período anterior à Segunda Guerra Mundial, era tão conhecido nos Estados Unidos a ponto de ser indagado na rua por pessoas que solicitavam que ele explicasse "aquela teoria". Einstein finalmente descobriu uma maneira de lidar com as perguntas incessantes. Ele passou a responder a elas com o bordão "Perdão, sinto muito! Sou sempre confundido com o Professor Einstein". Foi o assunto ou inspiração para muitas novelas, filmes, peças de teatro e obras de música. É o modelo favorito para representações de cientistas loucos e professores distraídos, seu rosto expressivo e penteado característico têm sido amplamente copiado e exagerado. Em 1999, a revista Time publicou a compilação ', no qual classificava as pessoas mais influentes do século XX. Einstein ficou em primeiro lugar como a pessoa mais importante do século, acrescentando que "foi o cientista preeminente em um século dominado pela ciência. As pedras fundamentais da época — a bomba, o Big Bang, física quântica e eletrônicos — todas trazem sua marca". Frederic Golden escrevendo para a mesma revista disse na publicação que Einstein era "o sonho realizado de um cartunista". Também em 1999, 100 físicos renomados elegeram-no o mais memorável físico de todos os tempos.
Aquecimento global é o processo de aumento da temperatura média dos oceanos e da atmosfera da Terra causado por massivas emissões de gases que intensificam o efeito estufa, originados de uma série de atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis e mudanças no uso da terra, como o desmatamento, bem como de várias outras fontes secundárias. Essas causas são um produto direto da explosão populacional, do crescimento econômico, do uso de tecnologias e fontes de energia poluidoras e de um estilo de vida insustentável, em que a natureza é vista como matéria-prima para exploração. Os principais gases do efeito estufa emitidos pelo homem são o dióxido de carbono (ou gás carbônico, CO2) e o metano . Esses e outros gases atuam obstruindo a dissipação do calor terrestre para o espaço. O aumento de temperatura vem ocorrendo desde meados do século XIX e deverá continuar enquanto as emissões continuarem elevadas. O aumento nas temperaturas globais e a nova composição da atmosfera desencadeiam alterações importantes em virtualmente todos os sistemas e ciclos naturais da Terra. Afetam os mares, provocando a elevação do seu nível e mudanças nas correntes marinhas e na composição química da água, verificando-se acidificação, dessalinização e desoxigenação. Interferem no ritmo das estações e nos ciclos da água, do carbono, do nitrogênio e outros compostos. Causam o degelo das calotas polares, do solo congelado das regiões frias (permafrost) e dos glaciares de montanha, modificando ecossistemas e reduzindo a disponibilidade de água potável. Tornam irregulares o regime de chuvas e o padrão dos ventos, produzem uma tendência à desertificação das regiões florestadas tropicais, enchentes e secas mais graves e frequentes, e tendem a aumentar a frequência e a intensidade de tempestades e outros eventos climáticos extremos, como as ondas de calor e de frio. As mudanças produzidas pelo aquecimento global nos sistemas biológicos, químicos e físicos do planeta são vastas, algumas são de longa duração e outras são irreversíveis, e provocam uma grande redistribuição geográfica da biodiversidade, o declínio populacional de grande número de espécies, modificam e desestruturam ecossistemas em larga escala, e geram por consequência problemas sérios para a produção de alimentos, o suprimento de água e a produção de bens diversos para a humanidade, benefícios que dependem da estabilidade do clima e da integridade da biodiversidade. Esses efeitos são intimamente inter-relacionados, influem uns sobre os outros amplificando seus impactos negativos e produzindo novos fatores para a intensificação do aquecimento global. O aquecimento e as suas consequências serão diferentes de região para região, e o Ártico é a região que está aquecendo mais rápido. A natureza e o alcance dessas variações regionais ainda são difíceis de prever de maneira exata, mas sabe-se que nenhuma região do mundo será poupada de mudanças. Muitas serão penalizadas pesadamente, especialmente as mais pobres e com menos recursos para adaptação. Mesmo que as emissões de gases estufa cessem imediatamente, a temperatura continuará a subir por mais algumas décadas, pois o efeito dos gases emitidos não se manifesta de imediato e eles permanecem ativos por muito tempo. É evidente que uma redução drástica das emissões não acontecerá logo, por isso haverá necessidade de adaptação às consequências inevitáveis do aquecimento. Uma vez que as consequências serão tão mais graves quanto maiores as emissões de gases estufa, é importante que se inicie a diminuição destas emissões o mais rápido possível, a fim de minimizar os impactos sobre esta e as futuras gerações. A Organização das Nações Unidas publica um relatório periódico sintetizando os estudos feitos sobre o aquecimento global em todo o mundo, através do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas . Estes estudos têm, por motivos práticos, um alcance de tempo até o ano de 2100. Todavia, já se sabe que o aquecimento e suas consequências deverão continuar por séculos adiante, e algumas das consequências mais graves, como a elevação dos mares e o declínio da biodiversidade, serão irreversíveis dentro dos horizontes da atual civilização. Os governos do mundo em geral trabalham hoje para evitar uma elevação da temperatura média acima de 1,5 °C, considerada o máximo tolerável antes de se produzirem efeitos globais em escala catastrófica. Num cenário de elevação de 3,5 °C a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais prevê a extinção provável de até 70% de todas as espécies hoje existentes. Se a elevação superar os 4 °C, uma possibilidade que não está descartada e que a cada dia parece se tornar mais plausível, pode-se prever sem dúvidas mudanças ambientais em todo o planeta em escala tal que comprometerão irremediavelmente a maior parte de toda a vida na Terra. Num cenário de altas emissões continuadas, superpopulação humana e exploração desenfreada da natureza, semelhante ao que hoje está em curso, prevê-se para um futuro não muito distante o inevitável esgotamento em larga escala dos recursos naturais e uma rápida escalada nos índices de fome, epidemias e conflitos violentos, a ponto de desestruturar todos os sistemas produtivos e sociais e tornar as nações ingovernáveis, levando ao colapso da civilização como hoje a conhecemos. Se considerarmos o futuro para além do limite de 2100, admitindo a queima de todas as reservas conhecidas de combustíveis fósseis, projeta-se um aquecimento dos continentes de até 20 °C, eliminando a produção de grãos em quase todas as regiões agrícolas do mundo e criando um planeta praticamente inabitável. A imprensa ainda dá espaço para controvérsias mal-informadas, tendenciosas ou distorcidas sobre a realidade e a gravidade do aquecimento e seus efeitos, e influentes grupos de pressão política e econômica financiam campanhas de negacionismo climático, opondo-se ao consenso científico virtualmente unânime dos climatologistas. Este consenso afirma que o aquecimento global está acontecendo inequivocamente e precisa ser contido com medidas vigorosas sem nenhuma demora, pois os riscos da inação, sob todos os ângulos, são altos demais. De todas as ameaças ambientais contemporâneas, o aquecimento global é a maior e a mais grave, em vista dos seus efeitos múltiplos e duradouros e do seu impacto generalizado sobre todo o mundo. O Protocolo de Quioto e outras políticas e ações nacionais e internacionais visam a redução das emissões. Todavia, as negociações intergovernamentais não têm sido muito frutíferas, os avanços nas ações de mitigação e adaptação têm sido muito lentos e pobres, e a sociedade em geral resiste irracionalmente em acatar as conclusões da ciência e mudar seu estilo de vida. O resultado é que as emissões de gases têm crescido sem cessar, não havendo sinais de que se reduzirão substancialmente no futuro próximo. Ao mesmo tempo, as evidências concretas do aquecimento global e das suas consequências têm se avolumado ano a ano. Os meios necessários para evitar a materialização das previsões mais pessimistas já existem, como por exemplo o uso de energia limpa, redução nos níveis de consumo, reflorestamento, reciclagem de materiais e tratamento de resíduos, e devem ser implementados imediata e agressivamente em ampla escala, caso contrário essas previsões se materializarão de maneira inevitável. O termo "aquecimento global" é um tipo específico de mudança climática à escala global. No uso comum, o termo se refere ao aquecimento ocorrido nas décadas recentes devido à influência humana. O termo "alteração climática antrópica" equivale às mudanças no clima causadas pelo homem. O termo "antrópico" parece ser mais adequado do que "antropogênico", um cognato do inglês "anthropogenic", bastante usado neste assunto, inclusive em textos em português. Porém, segundo os dicionários Priberam, Aulete e Michaelis, em português "antropogênico" refere-se especificamente à antropogênese, a geração e reprodução humanas e às origens e desenvolvimento do homem como espécie (do grego ánthropos, homem + genesis, origem, criação, geração). Já "antrópico" é referente àquilo que diz respeito ou procede do ser humano e suas ações, de maneira mais genérica (do grego anthropikos, humano). O dicionário Michaelis define como "pertencente ou relativo ao homem ou ao período de existência do homem na Terra". O dicionário Houaiss traz até mesmo, em uma de suas definições deste verbete, como "relativo às modificações provocadas pelo homem no meio ambiente" — daí a preferência pelo termo "antrópico", neste artigo, para designar as mudanças causadas pela influência humana. A Terra, em sua longa história, já sofreu muitas mudanças climáticas globais de grande amplitude. Isso é demonstrado por uma série de evidências físicas e por reconstruções teóricas. Já houve épocas em que o clima era muito mais quente do que o de hoje, com vários graus acima da temperatura média atual, tão quente que em certos períodos o planeta deve ter ficado completamente livre de gelo. Entretanto, isso aconteceu há milhões de anos, e suas causas foram naturais. Também ocorreram vários ciclos de resfriamento importante, conduzindo às glaciações, igualmente por causas naturais. Entre essas causas, tanto para aquecimentos como para resfriamentos, podem ser citadas mudanças na atividade vulcânica, na circulação marítima, na atividade solar, no posicionamento dos polos e na órbita planetária. A mudança significativa mais recente foi a última glaciação, que terminou em torno de 10 mil anos atrás, e projeta-se que outra não aconteça antes de 30 mil anos. Este último período interglacial, chamado Holoceno, também sofreu mudanças climáticas naturais, embora tenha sido um período de notável estabilidade quando comparado às interglaciais anteriores. Houve variações perceptíveis, mas tiveram pequena amplitude e provavelmente foram fenômenos localizados e não globais, como o período quente medieval ou a pequena idade do gelo, que são melhor explicadas por causas naturais. Muitas dessas mudanças, especificamente os períodos de aquecimento, são em alguns aspectos comparáveis às que hoje se verificam, mas em outros aspectos o aquecimento contemporâneo é distinto, principalmente no que diz respeito às suas causas e à velocidade em que está acontecendo. É inequívoco que a temperatura média da Terra tem se elevado desde meados do século XVII, e é inequívoco que as atividades humanas têm sido o fator determinante nesse processo. No período de 1850–2021 a temperatura global, combinando os registros dos oceanos e dos continentes, aumentou em média 1,09 °C. Os continentes estão aquecendo mais rápido do que os oceanos. Nos continentes a média de aumento foi de 1,59 °C e nos oceanos de 0,88 °C. Apesar de o oceano absorver mais calor do que as massas continentais, responde com mais lentidão, e desde 1979 as temperaturas em terra aumentaram quase duas vezes mais rápido que as temperaturas no oceano (0,25 °C por década contra 0,13 °C por década). A elevação na temperatura não foi, porém, linear, com várias oscilações para mais e para menos. Variações desse tipo são naturais e esperadas, mas a tendência geral é claramente ascendente. Emissões antrópicas de alguns poluentes — em especial aerossóis de sulfato — podem gerar um efeito refrigerante através do aumento do reflexo da luz incidente. Isso explica em parte o resfriamento observado no meio do século XX, embora isso possa também ser atribuído em parte à variabilidade natural. O efeito estufa é um mecanismo natural fundamental para a preservação da vida no mundo e para a regulação e suavização do clima global, que oscilaria entre extremos diariamente, caso ele não existisse. O efeito estufa funciona como um amortecedor de extremos. Sem ele, a Terra seria cerca de 30 °C mais fria do que é hoje. Provavelmente ainda poderia abrigar vida, mas ela seria muito diferente da que conhecemos e o planeta seria um lugar bastante hostil para a espécie humana viver. Porém, mudanças na composição atmosférica podem desequilibrá-lo. O que ocorre hoje, em vista da mudança na composição atmosférica provocada pela emissão continuada e massiva de diversos gases, é sua intensificação, fazendo com que passe a abafar demais o planeta. Vários gases obstruem a perda de calor da atmosfera, chamados em conjunto gases do efeito estufa ou, abreviadamente, gases estufa. Eles têm a propriedade de serem transparentes à radiação na faixa da luz visível, mas são retentores de radiação térmica. Os mais importantes são o vapor d'água, o gás carbônico (dióxido de carbono ou CO2), o metano, o óxido nitroso e o ozônio . Apesar de em proporções absolutas o vapor d'água e o gás carbônico serem os mais efetivos, por existirem em maiores quantidades, a potência desses gases, comparada individualmente, é muito distinta. O metano, por exemplo, é de 20 a 30 vezes mais potente que o gás carbônico. Segundo o professor da UFRGS Róber Avila, "os defensores de políticas natalícias não levam em conta também a questão ambiental. Quanto maior é a população, há mais esgoto, trânsito, plástico nos rios, congestionamento, gás carbônico na atmosfera, lixo, pobreza e mais problemas sociais". Desde o início do século XIX a população humana aumentou seu tamanho em sete vezes, desde a década de 1960 até o presente os níveis de consumo duplicaram e cerca de 60% dos recursos naturais já estão esgotados ou em vias de rápido esgotamento. Ao longo do século XXI espera-se um aumento acelerado no consumo, que pode chegar a ser 900% maior do que os níveis atuais. Neste processo de acelerado crescimento populacional e econômico, desenvolveram-se tecnologias e sistemas produtivos que consomem muitos recursos naturais e são altamente poluidores, e que ainda têm no uso dos combustíveis fósseis sua principal fonte de energia. Ao mesmo tempo, a necessidade de espaço para urbanização e para a formação de lavouras e pastagens determinou a derrubada de imensas áreas florestais e a degradação da maior parte dos ecossistemas da Terra. A queima de combustíveis fósseis e as mudanças no uso da terra — incluindo o desmatamento, uso de fertilizantes e agrotóxicos, as queimadas e outras práticas agropecuárias — são as principais fontes de gases estufa. Outras fontes importantes são a degradação dos solos, o desperdício de alimentos e a produção de resíduos (lixo, esgotos, efluentes industriais, etc). Em 2010 o setor elétrico e a produção de energia calorífera respondiam por 25% das emissões globais de gases estufa, incluindo a queima de carvão, gás natural e derivados do petróleo. A indústria respondia por 21% do total, incluindo queima de combustíveis fósseis para processos químicos, metalúrgicos, transformação mineral e manejo de resíduos. A agricultura, a silvicultura, o desmatamento e outros usos da terra eram responsáveis por 24% do total. Ao setor de transporte cabiam 14%, à construção civil 6%, e o restante a uma série de outros agentes de menor expressão. Cada uma das quatro últimas décadas foi mais quente que a década anterior. Entre 2001 e 2020 a média global de aumento da temperatura foi de 0,99 °C maior que no período de 1850-1900. Entre 2011 e 2021 a média de aumento foi de 1,09 °C. Os continentes estão aquecendo mais rápido do que os oceanos. Nos continentes a média de aumento foi de 1,59 °C e nos oceanos de 0,88 °C. A diminuição da área coberta por neve;, A retração do gelo oceânico global;, Migração de muitas espécies animais e vegetais de climas mais quentes em direção aos pólos, ou a altitudes mais elevadas; O diferencial contemporâneo é que mudanças importantes estão sendo agora induzidas pelo homem, cujas atividades geram gases estufa e os liberam na atmosfera, aumentando a sua concentração e provocando finalmente um aumento na retenção geral de calor. As evidências observadas, sintetizadas principalmente no Quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, apontam que o aquecimento é uma realidade inequívoca e que sua origem deriva principalmente do efeito estufa intensificado pela atividade humana. A responsabilização das atividades humanas por esta amplificação é apoiada por várias evidências:, A composição isotópica do gás carbônico atmosférico indica que tem principalmente origem fóssil, derivando da combustão do petróleo, do gás natural e do carvão mineral, combustíveis fósseis de uso generalizado na sociedade moderna. A quantidade de O2 também tem diminuído de forma consistente com a liberação de CO2 por meio de combustão. Nos últimos 800 mil anos a concentração de CO2 atmosférico manteve-se relativamente estável, variando de 170 a 300 ppm (partes por milhão). Contudo, desde a Revolução Industrial, iniciada em meados do século XVIII, a concentração atmosférica aumentou aproximadamente 35%, Em 2012, foram emitidas 31,6 gigatoneladas, e somente nas áreas de combustíveis fósseis e indústria foram 35,9 gigatoneladas em 2014 e 35,7 gigatoneladas em 2015. Dados da FAO mostram que o desperdício de alimentos é a terceira maior causa de emissões de carbono, respondendo pelo lançamento anual de 3,3 bilhões de toneladas de CO2 e outros gases estufa na atmosfera. mas outros gases também estão elevando seus níveis atmosféricos. O metano se origina no uso de combustíveis fósseis, na agricultura, na pecuária e na decomposição de matéria orgânica (lixo, esgotos), mais que dobrando sua concentração atmosférica desde o período pré-industrial, tendo passado de uma média de 722 [± 697-747] ppb (partes por bilhão) em 1750 para 1869 ppb em 2018. Recentemente o papel do metano vem sendo reavaliado, e prevê-se que aumente muito sua contribuição para o efeito estufa à medida que derrete o permafrost das regiões frias, onde é estocado congelado em vastas quantidades. A elevação do óxido nitroso, devida principalmente ao uso de fertilizantes, variou de 270 ppb pré-industrial para 331,1 ppb em 2018 Menos calor está escapando para o espaço. Num planeta em aquecimento, este fato é consistente apenas com um efeito estufa intensificado. Além disso, este calor é retido nas faixas de frequência correspondentes aos gases estufa, como o CO2 e CH4. Mais calor está retornando da atmosfera de volta à superfície. Esta evidência é o outro lado da moeda da evidência anterior, pois o calor que deixa de ser liberado ao espaço acaba retornando para a superfície. Também nesse caso, observam-se os padrões no espectro de frequência que indicam a ação dos gases estufa. O padrão de aquecimento nas diferentes profundidades dos oceanos é consistente com o que se esperaria com o aumento do efeito estufa atmosférico. A forma com que têm se aquecido as diferentes camadas da atmosfera é consistente com o padrão provocado pela intensificação do efeito estufa. As temperaturas noturnas têm aumentado mais do que as diurnas. Os invernos têm apresentado maior aquecimento do que os verões. No seu conjunto, as evidências são consistentes apenas com a intensificação do efeito estufa causado pela atividade humana. Uma explicação "alternativa" popular é que o aquecimento recente poderia ser originado por maior atividade solar. À luz das evidências, entretanto, esta hipótese não se confirma. Neste caso, as temperaturas subiriam mais quando o sol está mais presente: durante o verão, e durante o dia; não haveria aumento de retenção de energia na atmosfera nas faixas de frequência dos gases estufa; e teria de haver aumento da atividade solar que justificasse, quantitativamente, o aquecimento observado. Ao contrário, não há tendência de aumento dessa atividade pelo menos nos últimos 60 anos. É certo que, na história geológica de nosso planeta, variações de irradiância solar tiveram consequências climáticas importantes. Todavia, o aquecimento das últimas décadas não pode ser atribuído a isso. Alguns estudos indicaram que uma parte do aquecimento observado no início do século XX pode ser atribuível a causas naturais, como a variabilidade climática natural e emissões vulcânicas de gases, mas o consenso atual é de que a partir da segunda metade do século as atividades humanas têm sido o fator largamente preponderante. Outras hipóteses sugeriram como possíveis influências naturais no aquecimento os raios cósmicos e alterações no campo magnético da Terra, afetando a formação das nuvens e de chuva, mas o IPCC considera que uma influência neste sentido não foi comprovada com segurança, e mesmo se existir, ela seria pequena demais para ter exercido qualquer modificação significativa no sistema climático ao longo do século XX. que os continentes aqueceriam mais do que os oceanos, e que o Hemisfério Norte aqueceria mais que o Sul. Os registros confirmam a previsão e indicam que a região do Ártico aumentou suas temperaturas duas vezes mais rápido do que a média mundial nos últimos 100 anos. A maioria das projeções teóricas espera que o Ártico continue a experimentar os maiores índices de aquecimento. A causa mais importante para essa diferença regional é a diferença na superfície coberta por terra firme em relação à coberta por água. O Hemisfério Norte tem muito mais terras firmes do que o Sul. Em primeiro lugar, as terras aquecem mais rapidamente do que o mar, e em segundo, há mais superfície coberta por neve e gelo perenes. Os gelos, com sua brancura (albedo), têm grande capacidade de refletir a radiação recebida do Sol de volta para o espaço. Com o rápido degelo que ocorre no Ártico o albedo total se reduz e ao mesmo tempo mais terra fica exposta para aquecer. Esses efeitos podem ser potencializados pela grande estabilidade da baixa troposfera sobre o Ártico (a chamada inversão ártica), que tende a concentrar o calor junto à superfície, embora o real papel da inversão seja disputado. Também influem na variabilidade regional mudanças na cobertura de nuvens, na circulação marítima e nos sistemas de ventos e correntes de jato. Uma rápida elevação na temperatura também é observada no sul do globo em trechos da Antártida, especialmente no centro-oeste e na Península Antártica, embora nestas regiões o fenômeno seja muito menos compreendido e muito mais polêmico pela menor disponibilidade de dados confiáveis e por estudos que trazem conclusões conflitantes. A causa do menor aquecimento observado no continente antártico é incerta, mas foi atribuída a um aumento na potência dos ventos, originada por sua vez de alterações na camada de ozônio. Por várias questões práticas, os modelos climáticos referenciados pelo IPCC normalmente limitam suas projeções até o ano de 2100. São análises globais, e por isso não oferecem grande definição de detalhes. Embora isso gere mais incerteza para previsão das manifestações regionais e locais do fenômeno, as tendências globais já foram bem estabelecidas e têm se provado confiáveis. Desde janeiro de 1979, os satélites da NASA passaram a medir a temperatura da troposfera inferior (de 1 000 m a 8 000 m de altitude) através da monitoração das emissões de microondas por parte das moléculas de oxigénio na atmosfera. O seu comprimento de onda está diretamente relacionado com a temperatura (estima-se uma precisão de medida da ordem dos 0,01 °C). Não são, portanto, diretamente comparáveis à temperatura de superfície, mas a tendência de aquecimento apresentado nas séries históricas de temperatura por satélite são bastante similares àquelas medidas por termômetros na superfície: enquanto os dados de superfície da National Oceanic and Atmospheric Administration mostram aquecimento de 0,154 °C por década, os dados da Universidade de Huntsville, Alabama, tomados a partir dos satélites da NASA, indicam 0,142 °C no mesmo período entre 1979 e 2012. Mudanças nas concentrações de gases estufa e aerossóis, na cobertura dos solos e outros fatores interferem no equilíbrio energético do clima e provocam mudanças climáticas. Essas interferências afetam as trocas energéticas entre o Sol, a atmosfera e a superfície da Terra. O quanto um dado fator tem a capacidade de afetar este equilíbrio é a medida da sua forçante radiativa. A sensibilidade climática, por sua vez, é como o sistema climático responde a uma certa forçante radiativa sustentada, e é definida praticamente como o quanto a temperatura média sobe em função da duplicação da quantidade de gás carbônico na atmosfera. Daí em diante, inúmeros outros foram feitos, a partir de diversos conjuntos de dados e abordagens metodológicas, em países e épocas diferentes. Neles incluem-se tanto levantamentos empíricos, realizados a partir de dados paleoclimáticos ou medições instrumentais recentes, quanto cálculos teóricos baseados em simulações de computador – os modelos climáticos. O 5º Relatório do IPCC indica uma sensibilidade climática entre 1,5 e 4,5 °C, se a concentração de CO2 subir para o dobro dos níveis pré-industriais, isto é, de 280 ppm para 560 ppm. Uma elevação acima de 4 °C foi considerada improvável em quase todos os modelos do IPCC. Uma elevação maior que 6 °C não foi excluída mas é muito improvável, e valores abaixo de 1 °C são extremamente improváveis, dentro dos parâmetros de emissão mencionados. Vide nota Nenhum dos cenários matemáticos é otimista quanto à perspectiva de conseguirmos manter o aquecimento em torno de 2 °C — isso se as metas oficiais de emissão forem cumpridas —, e nenhum deu a esta possibilidade uma chance maior do que 50%. Nenhum dos efeitos produzidos pelas forçantes climáticas é instantâneo. Devido à inércia térmica dos oceanos terrestres e à lenta resposta dos outros efeitos indiretos, o sistema climático da Terra leva mais de três décadas para se estabilizar sob novos parâmetros. Se considerados feedbacks lentos como a mudança da vegetação ou mantos de gelo, o sistema climático pode lever milênios aquecendo-se lentamente até se estabilizar. Quaisquer que sejam os níveis atingidos em 2100 na concentração de gás carbônico, seus efeitos perdurarão por muitos séculos, pois o gás permanece na atmosfera por muito tempo. Um modelo climático é uma representação matemática de cinco componentes do sistema climático: atmosfera, hidrosfera, criosfera (ambientes gelados), superfície continental e biosfera (seres vivos). Estes modelos se baseiam em princípios físicos que incluem dinâmica de fluidos, termodinâmica e transporte radiativo. Podem incluir componentes que representam os padrões de ventos, temperatura do ar, densidade e comportamento de nuvens, e outras propriedades atmosféricas; temperatura oceânica, salinidade e circulação marinha; cobertura de gelo continental e oceânica; transferência de calor e umidade do solo e vegetação para a atmosfera; processos químicos e biológicos, entre outros. Porém, o comportamento natural destes elementos não foi suficiente para explicar as mudanças climáticas recentes. Apenas quando os modelos incluem influências humanas, como o aumento da concentração de gases estufa ou a mudança no uso da terra, é que eles conseguem reproduzir adequadamente o aquecimento recente. É significativo que nenhum dos modelos que excluem os fatores humanos pôde reproduzir os registros objetivos com fidelidade. Apesar dos pesquisadores procurarem incluir tantos processos quanto possível, simplificações do sistema climático real são inevitáveis, uma vez que há limitações quanto à capacidade de processamento e disponibilidade de dados. Os resultados podem variar também devido a diferentes projeções de emissões de gases, bem como à sensibilidade climática do modelo. Por exemplo, a margem de erro nas projeções do Quarto Relatório do IPCC de 2007 deve-se ao uso de diversos modelos com diferentes sensibilidades à concentração de gases estufa, ao uso de diferentes estimativas das emissões humanas futuras de gases estufa, e a outras emissões provindas de feedbacks climáticos que não foram incluídas nos modelos constantes no relatório do IPCC, como a liberação de metano quando derrete o permafrost. Os modelos não tomam o aquecimento como premissa, mas calculam, segundo as leis da física conhecidas, como os gases estufa vão interagir quanto ao transporte radiativo e outros processos físicos. Apesar de haver divergências quanto à atribuição de causas do aquecimento ocorrido na primeira metade do século XX, eles convergem no tocante ao aquecimento a partir da década de 70 ter sido causado por emissões humanas de gases estufa. De fato, as principais projeções do IPCC, quando comparadas às observações subsequentes, mostram-se precisas. Em alguns casos, como o aumento do nível do mar e a retração da calota polar Ártica, estas projeções mostraram-se conservadoras demais, com os eventos observados ocorrendo em ritmo bem mais rápido que o previsto. A expressão "aquecimento global" não era conhecida até a década de 1970; ela só foi cunhada em 1975, num artigo do geoquímico Wallace Broecker publicado na revista Science. Joseph Fourier, trabalhando na década de 1820, foi o primeiro a assinalar que os gases da atmosfera poderiam reter calor do Sol. John Tyndall, em experimentos realizados na década de 1850, tentou comprovar a hipótese de Fourier, descobrindo exatamente o que este havia previsto, e identificando o vapor d'água e o CO2 como alguns dos gases envolvidos no processo de retenção de calor. Svante Arrhenius, com a ajuda de Arvid Högbom, produziram entre o fim do século XIX e o início do século XX novos avanços no conhecimento, identificando o CO2 como um elemento-chave na variação da temperatura da Terra, prevendo que os oceanos absorveriam parte do gás atmosférico e associando a elevação em seus níveis à atividade industrial, mas eles acreditaram que o homem não seria capaz de provocar uma mudança significativa na temperatura através da emissão de gases senão ao longo de séculos ou milênios de atividade. Seus gráficos, porém, se aproximam notavelmente das análises mais recentes. Nos anos 1970 o tema já estava sendo estudado em larga escala, multiplicando-se a bibliografia especializada, mas os cientistas do clima e os ambientalistas ainda não haviam ganhado força política para colocar suas conclusões nas mesas de negociação dos governos. Um dos trabalhos mais importantes desta década foi o Relatório Charney, publicado em 1979 pela National Academy of Science dos Estados Unidos, que enfocou claramente o problema e declarou que "se o dióxido de carbono continuar a se elevar, não há razão para duvidar que resultarão mudanças climáticas, e não há razão para acreditar que elas serão desprezíveis". Além das limitações da época quanto aos dados e capacidade computacional disponíveis, havia incertezas quanto à própria sensibilidade climática, bem como à evolução das emissões humanas de gases estufa. Mesmo assim, ambos os trabalhos, quando comparados às observações subsequentes, mostram bastante precisão. A Conferência de Toronto, realizada em 1986, foi a primeira a colocar o clima na pauta de debates, contando com a participação de um grupo de trabalho sobre os gases estufa, mas o grupo não tinha caráter oficial e não podia impor recomendações e práticas. Sua representação recebeu larga divulgação na imprensa e o tema se tornou imediatamente popular, mas até a data havia grande cautela entre os cientistas na associação da elevação da temperatura com as atividades humanas. Desde então as pesquisas se multiplicaram, e a referida associação ganhou crescente grau de certeza com a compilação de numerosas evidências adicionais, embora ao mesmo tempo se levantasse grande polêmica sobre a confiabilidade dos achados e das previsões. Em 2007 veio à luz o Quarto Relatório, confirmando, com muito elevado grau de confiança, que o homem é responsável pelo aquecimento presente, e detalhando com profundidade as evidências disponíveis e as condições atuais nos vários ecossistemas e na vida humana, bem como os impactos potenciais futuros sob diferentes cenários de emissão, sugerindo adicionalmente formas de combate às origens e efeitos do problema. No prefácio da publicação, o secretário-geral da OMM e o diretor-executivo do PNUMA fizeram uma declaração conjunta, dizendo: ::"O relatório confirma que o aquecimento do sistema climático é inequívoco, e muitas das mudanças observadas não têm precedentes no intervalo entre as últimas décadas e milênios atrás: o aquecimento da atmosfera e do oceano, a redução da neve e do gelo, a elevação do nível do mar e a crescente concentração de gases estufa. Cada uma das últimas três décadas foi mais quente que qualquer outra década desde 1850. [...] A mudança climática é um desafio de longa duração, que requer ação urgente devido à velocidade e escala com que os gases estufa estão se acumulando na atmosfera, e devido aos riscos envolvidos em uma elevação de temperatura superior a 2 ºC. Hoje precisamos estar focados no essencial e na ação, senão os riscos se tornarão maiores a cada ano". Em 2018 o IPCC publicou um relatório especial, Aquecimento global de 1,5 ºC, que analisa os impactos de um aquecimento de 1,5 °C, meta definida internacionalmente no Acordo de Paris de 2015. No documento são enfatizadas as vantagens de se conter o aquecimento neste nível e não no nível de 2 °C, que vigorou antes, e a necessidade de mudanças rápidas e profundas no sistema de produção e consumo para que a meta seja alcançada. Em 2021 o IPCC publicou seu Sexto Relatório, reforçando as conclusões anteriores e trazendo dados novos sobre vários aspectos, com um melhor entendimento das relações entre as emissões e seus efeitos; uma melhor qualidade e segurança nas previsões de aquecimento futuro; refinamento nos modelos climáticos usados para análise; estreitamente da margem de sensibilidade climática de 1,5–4,5 °C para 2,5-4 °C; avanços na compreensão dos impactos regionais; atualização das medições do aumento de temperatura na série histórica; e pela primeira vez foram feitas avaliações das possibilidades de pontos de ruptura no clima global levando a mudanças catastróficas no sistema do clima. O aquecimento da atmosfera aumenta sua capacidade de reter vapor d'água, bem como aumenta a evaporação das águas superficiais (oceanos, lagos e rios). Isso tem dois efeitos importantes: em primeiro lugar, aumenta a quantidade de água disponível na atmosfera, e em certas regiões, quando essa água em vapor se converte em chuva, tende a chover com mais intensidade porque há mais água a descarregar. Prevê-se que essa precipitação aumentada tenha uma distribuição irregular nas diferentes regiões do mundo, enquanto outras zonas devem experimentar uma redução nas chuvas. Esta irregularidade é resultado da combinação de vários outros fatores influenciados pelo aquecimento, como a mudança no regime de ventos, nas correntes oceânicas e na linha de monções. Uma série de eventos extremos recentes associados ao ciclo das águas, como chuvas torrenciais, secas recorde e ciclones tropicais devastadores com pesada precipitação, vem sendo relacionada ao progressivo aquecimento global. O segundo efeito deriva do fato de que o vapor d'água é um gás estufa por si mesmo, e de todos o mais importante, porque existe em grande quantidade na nossa atmosfera naturalmente. Com o aumento do calor, o aquecimento global se intensifica por um ciclo de auto-reforço: aumenta a evaporação, mais vapor d'água vai para a atmosfera e o efeito estufa se acentua; então o calor aumenta ainda mais, aumenta a evaporação e assim sucessivamente. Em função do desequilíbrio hídrico, em algumas regiões subtropicais está prevista tendência à desertificação, perdendo-se áreas férteis necessárias às lavouras e diminuindo a superfície coberta por florestas, de onde o homem obtém madeira e vários outros produtos naturais valiosos, e que são responsáveis por boa parte da produção de oxigênio e da redução dos níveis de gás carbônico. Com a diminuição da capacidade da natureza de reciclar o gás carbônico, o efeito estufa se realimenta. Ao mesmo tempo a redução nas florestas provoca regionalmente o declínio dos mananciais de água e das chuvas, criando outro ciclo de auto-reforço para aumento dos danos ambientais. Também estão previstas mudanças no padrão dos ventos e o aumento na frequência e intensidade das tempestades severas e das ondas de calor extremo. Mesmo os eventos climáticos normais devem sofrer alguma intensificação, pois todo o sistema do clima está mais quente e úmido. Desde a década de 1950 a maior parte do mundo tem experimentado ondas de calor mais frequentes e intensas, e as ondas de frio também podem se agravar sob certas condições. Os ciclones tropicais são a catástrofe natural que mais causa prejuízos materiais nos países desenvolvidos, e nos países em desenvolvimento são uma das maiores causas de fatalidades e ferimentos decorrentes de catástrofes naturais. É um exemplo o ciclone Nargis, que afligiu a Birmânia em 2008. Pelo menos 85 mil pessoas morreram, um ano depois cerca 54 mil ainda eram dadas como desaparecidas (o número exato é controverso e pode ser muito maior; as Nações Unidas estimaram em mais de 300 mil entre mortos e desaparecidos), 1,5 milhão foram evacuadas, e um total de 3,2 milhões foram afetadas de diversas maneiras em torno do delta do rio Irauádi, a região mais atingida, e onde se localiza Yangon, a principal cidade do país. Cerca de 700 mil moradias foram destruídas, 3/4 das criações de animais pereceram, metade da frota pesqueira afundou, um milhão de acres de terras cultivadas foram salgadas por uma maré de tempestade de 3,5 metros que acompanhou o ciclone, os mananciais de água doce foram salgados e contaminados, e os sobreviventes sofreram com epidemias de febre tifoide, cólera, disenteria e outras doenças, além de fome, sede e falta de assistência médica e abrigo. Mais umidade (vapor de água) no ar pode também significar uma presença de mais nuvens na atmosfera, o que, na média, poderia causar um efeito de arrefecimento. As nuvens têm um papel importante no equilíbrio energético porque controlam a energia que entra e a que sai do sistema. Podem arrefecer a Terra ao refletirem a luz solar para o espaço, e podem aquecê-la por absorção da radiação infravermelha radiada pela superfície, de um modo análogo ao dos gases estufa. Variações regionais são esperadas e o efeito dominante depende de muitos fatores, entre eles a altitude e do tamanho das nuvens e das suas gotículas. Pesquisas recentes mostram que as nuvens interagem também com muitas outras alterações físicas e biológicas que ocorrem na Terra, como por exemplo o aumento nos níveis de aerossóis antrópicos, o aumento na umidade troposférica e as imprevisíveis emissões por vulcanismo, e teoriza-se que possam sofrer influências tão distantes quanto dos raios cósmicos, que poderiam ser capazes de afetar a formação dos núcleos primários de condensação das gotículas da chuva. Efeitos combinados de mudanças no tipo ou quantidade de nuvens, maior umidade e temperatura também devem afetar a produção de precursores biológicos do ozônio atmosférico, mas todo o papel das nuvens em relação ao aquecimento ainda é incerto e pouco compreendido. O aumento da temperatura global, junto com seus efeitos secundários (diminuição da cobertura de gelo, subida do nível do mar, mudanças dos padrões climáticos, etc.), provocam importantes alterações nas condições que mantém estáveis os ecossistemas, influindo negativamente, por extensão, nas atividades humanas. Todas as espécies devem ser prejudicadas em alguma medida, mas as espécies das zonas tropicais e equatoriais são especialmente vulneráveis porque de modo geral têm baixa tolerância a mudanças duradouras nos padrões de temperatura e, por conseguinte, baixa capacidade adaptativa, habituadas a viver em zonas cujo clima normalmente pouco varia ao longo do ano. Também são sensíveis espécies que já estão ameaçadas ou são raras, as migratórias, as polares, montanhosas e insulares, as geneticamente empobrecidas e as muito especializadas. Quando chegam a ocorrer, as migrações tornam as espécies migrantes invasoras de ecossistemas diferentes, entrando em competição com as espécies nativas, podendo levar estas últimas a um declínio populacional ou extinção, mas nem sempre as invasoras se adaptam bem aos novos ambientes e podem da mesma maneira desaparecer. Uma vasta redistribuição geográfica da biodiversidade está ora em andamento por força do aquecimento global. Na região do Ártico, a que está aquecendo mais rápido, com os últimos anos batendo recordes de temperatura, já foi observada uma migração de espécies exóticas arbóreas e arbustivas perenes para uma faixa de 4ª a 7º de latitude em direção ao norte nos últimos 30 anos, equivalendo a 9 milhões de km², invadindo sistemas de tundra e redefinindo as características e a biodiversidade de toda essa região. Dos 26 milhões de km² de área vegetada do Ártico, de 32% a 39% já sofreram um aumento nos índices de crescimento de vegetais no mesmo período. Prevê-se que uma faixa adicional de 20º possa ser invadida até o fim do século por causa do aquecimento global, se a tendência continuar. O maior calor no Ártico também tem aumentado o número e a gravidade dos incêndios na tundra e nas florestas boreais, que lançam grandes quantidades de gases estufa na atmosfera, destroem ecossistemas e derretem o permafrost, o solo permanentemente congelado que existe em vastas áreas do Hemisfério Norte (e também, em menor extensão, no Sul). Entre as décadas de 1950 e 1990 a espessura do gelo flutuante do oceano Ártico diminuiu em média de 1 a 3 metros, desde a década de 1970 a dimensão da sua área no período de verão diminui em média de 3 a 4% por década, e desde 2002, com a exceção de quatro anos, em todos os anos a redução anual na área têm batido o recorde do ano anterior. Muitas espécies dependem deste gelo flutuante para sua sobrevivência, como as morsas, as focas e os ursos-polares. O derretimento da camada superficial do gelo continental da Groelândia no verão também se acelera. Outro efeito preocupante nas regiões frias é o derretimento do permafrost. Cerca de 24% do solo exposto do Hemisfério Norte é de permafrost, que pode chegar a uma profundidade de até 700 m. Em várias regiões já está sendo observado um rápido derretimento, que vem acelerando nos últimos anos. Outros efeitos do derretimento são estruturais. Este solo congelado é frágil, é facilmente degradado pela erosão e pela intervenção humana, está sempre em movimento naturalmente, seja pela expansão do gelo subterrâneo no inverno, seja pelos derretimentos superficiais no verão, quando fica encharcado e fluido, e sua conservação está ligada a muitas variáveis. De firmeza sempre um tanto precária, o derretimento mais acelerado dos solos permafrost pode ter um impacto importante nas regiões onde há estruturas humanas construídas sobre ele, como oleodutos, estradas, represas, linhas de transmissão energética e cidades, como evidenciam diversos exemplos de desabamentos já ocorridos. Entre os impactos ecossistêmicos previstos do derretimento do permafrost estão a redistribuição e declínio de espécies, intensificação de incêndios florestais, alterações nos sistemas hidrológicos, assoreamento e secura de rios e lagos e erosão de suas margens. Esses efeitos se combinam e reforçam mutuamente, e têm um grande impacto no atual ritmo de extinções; de fato, o aquecimento está entre as principais causas do declínio recente da biodiversidade, e vem ganhando crescente importância relativa no total. O progressivo declínio faz com que as cadeias alimentares se rompam, o ciclo dos componentes inorgânicos se perturbe, e o processo entrópico se auto-reforce. Além de certo ponto, os ecossistemas tendem a entrar em colapso irreversível. Algumas pesquisas servem de exemplo das vastas implicações do problema. Um estudo prevê que 18% a 35% de 1 103 espécies de plantas e animais observadas serão extintas até 2050, baseado nas projeções do clima no futuro. Outro estudo indica que 34% dos animais e 57% das plantas do mundo devem perder cerca de metade de seus habitats até 2080 em virtude do aquecimento. Os corais formam os mais ricos ecossistemas marinhos e são a base de sustentação de um grande número de espécies. Uma revisão da bibliografia publicada em 2019 indicou que cerca de 40% das espécies de insetos estão sofrendo um declínio dramático e podem estar extintas em poucas décadas, sendo o aquecimento uma das causas, de especial relevo nas regiões tropicais. Os insetos estão na base de muitos ciclos naturais e cadeias alimentares e são os principais polinizadores das plantas com flores e das culturas agrícolas, e seu desaparecimento em tal escala teria consequências catastróficas para a biodiversidade e para a sociedade. Já se tornou um consenso que o aquecimento provocará um grave empobrecimento da biodiversidade. e segundo a pesquisadora Rachel Warren, da Universidade de East Anglia, "a mudança climática reduzirá em muito a biodiversidade, mesmo para animais e plantas comuns". Analisando volumosa bibliografia recente o IPCC em seu 5º Relatório admitiu pela primeira vez "com alto grau de confiança" a extinção de "significativo" número de espécies se a temperatura subir mais do que 2 °C, e se subir a 4 °C o número de extinções deve ser "extenso", apontando que isso deve produzir efeitos negativos para o homem em larga escala. Ao mesmo tempo, são previstos alguns benefícios menores para as regiões temperadas, como a provável redução no número de mortes devido à exposição ao frio. Outro efeito positivo possível deriva do fato de que aumentos de temperaturas e aumento de concentrações de CO2 podem aprimorar a produtividade de certos ecossistemas, já que o CO2 estimula a fotossíntese, o crescimento vegetal e o melhor aproveitamento da água pelas plantas. Mas os resultados das pesquisas sobre este aspecto têm sido contraditórios. Alguns apontam um significativo aumento na produtividade, outros indicam um aumento que depois é revertido, e outros ainda apontam para um declínio. Por exemplo, um estudo que avaliou 47 hot-spots de florestas tropicais de altitude em todo o mundo, indicou que a produtividade vegetal era ascendente até meados dos anos 90, quando a tendência se inverteu de repente, sendo desde lá registrada a diminuição na sua atividade fotossintética e no total da biomassa produzida. Acredita-se que o fator limitante tenha sido a precipitação reduzida que acompanhou a elevação de temperatura. Os estudos que indicam aumento da produtividade por causa do aumento do CO2, embora autênticos, são feitos em geral em ambiente laboratorial controlado, analisando o efeito isolado do gás sobre as plantas, Pesquisas feitas em condições mais próximas do ambiente natural atestam um índice de produtividade 50% menor do que o acusado em ambientes controlados. Mesmo existindo alguns efeitos positivos localizados, a quantidade e gravidade dos efeitos negativos em outros domínios os torna, no balanço geral, irrelevantes. Uma outra causa de grande preocupação é a subida do nível do mar. Entre 1901 e 2010 o nível médio do mar subiu cerca de 19 centímetros, com uma faixa de variação entre 17 e 21 cm. A elevação está acelerando. Entre 1901 e 2010 o nível subiu cerca de 1,7 milímetros por ano [variação de 1,5 a 1,9 mm], 2,0 mm por ano [variação de 1,7 a 2,3 mm] entre 1971 e 2010, e 3,2 mm por ano [variação de 2,8 a 3,6 mm] entre 1993 e 2010. O aquecimento global provoca subida dos mares através de dois fatores principais: o primeiro é a expansão térmica das águas, um mecanismo pelo qual as águas se expandem ao aquecer, ocupando maior volume. Os oceanos absorvem cerca de 90% do calor gerado pelo efeito estufa, e por isso aquecem e se expandem. Segundo informa o IPCC, calcula-se que a expansão térmica contribua atualmente com pelo menos 0,4 mm de elevação anual. Um estudo de 2012 de Levitus et al. encontrou que se todo o calor armazenado nos oceanos desde 1995 fosse liberado de uma só vez para a atmosfera inferior, esta camada teria sua temperatura elevada em 36 °C. Isso não vai ocorrer desta maneira, mas dá uma medida do grande papel dos mares na dinâmica da temperatura mundial, e evidencia o quanto eles têm retardado o aumento do aquecimento atmosférico geral. Porém, este importante armazenamento de calor tem gerado efeitos negativos de grande amplitude para a vida marinha. O aquecimento tem sido observado de forma consistente em todas as bacias oceânicas do mundo, mesmo levando em conta a variabilidade regional ou multidecadal que ocorre naturalmente, como o fenômeno do El Niño e a Oscilação do Atlântico Norte. O segundo fator importante é o derretimento das calotas polares e dos glaciares de montanha, que acrescenta água líquida aos mares. Os modelos utilizados pelo IPCC dão resultados bastante divergentes, mas todos apontam para uma elevação que até 2100 deve ficar entre 26 e 98 centímetros, e é virtualmente certo que a elevação continuará depois de 2100. Essa continuidade é inevitável porque o calor que penetra no oceano leva muito tempo para chegar às zonas profundas e exercer seu efeito expansivo sobre toda a coluna de água. Ao mesmo tempo, os gelos devem continuar derretendo até que se atinja um novo patamar estável nas médias globais de temperatura. Avaliações realizadas nos últimos anos provaram que a capa de gelo da Groelândia é muito mais instável do que se imaginava, e a velocidade do seu derretimento aumentou em cerca de cinco vezes desde 1990. Na Antártida essa velocidade duplicou nos últimos 15 anos. Outros estudos recentes apontam que várias grandes regiões da Antártida estão dando crescentes sinais de instabilidade, e podem num prazo de 200 a 500 anos acrescentar vários metros ao nível do mar. Um estudo de 2011 realizado pela NASA confirmou que o derretimento dos gelos polares está acontecendo muito mais rápido do que as projeções teóricas, e três vezes mais rápido do que a taxa registrada nos glaciares de montanha. Isso é confirmado também por medições do nível do mar realizas em 2015 através de metodologias novas que não foram utilizadas pelo IPCC, e que apontam para uma aceleração no ritmo de elevação das águas. As projeções não excluem a possibilidade de mudanças súbitas e imprevistas de grande proporção no processo de elevação do mar, e o ritmo atual, já em aceleração, pode vir a se tornar muito mais rápido. Em 2015 uma equipe de pesquisadores publicou na revista Science o resultado de 30 anos de trabalho. Analisando épocas da pré-história em que a temperatura da Terra esteve apenas 1 °C ou 2 °C acima da média atual, foi constatado que o mar subiu mais de seis metros, e um estudo conduzido por James Hansen em 2015 apontou que em alguns momentos críticos daqueles períodos geológicos a elevação foi extremamente rápida, chegando a 2-3 metros em questão de décadas. Cabe lembrar que as estimativas mais recentes do IPCC preveem que até o fim do século XXI a temperatura deve ficar na faixa de 3,4 °C a 3,9 °C acima dos valores pré-industriais. Se a situação presente repetir o efeito das épocas geológicas passadas, mais de 375 milhões de pessoas em todo o mundo terão de se mudar por terem suas terras inundadas. No Brasil, mais de 100 mil quilômetros quadrados de terra ficariam debaixo d'água, e mais de 11 milhões de pessoas seriam desalojadas. Mesmo nos cenários mais otimistas os impactos sobre o homem serão seguramente vastos. Um estudo avaliou os custos para os Estados Unidos de uma elevação de um metro no nível do mar: isso inundaria até 30 mil km² de costas, e cada proprietário de terreno habitacional típico junto à costa deveria gastar de mil a dois mil dólares em medidas de contenção das águas. No total, junto com outros custos, seriam gastos de 270 a 475 bilhões de dólares. Isso poderia ser viável economicamente, mas o estudo concluiu que as perturbações ambientais que a movimentação e alteração maciça do terreno costeiro causariam poderiam ser inaceitáveis. A elevação do nível do mar também compromete a estrutura de internet como redes de fibra ótica e centros de processamento de dados que foram projetados e construídos na década de 1990, quando o aquecimento global não era tão preocupante. Já existem vários projetos destinados a obras de adaptação e a conter a subida do mar em alguns locais críticos, construindo-se canais, comportas, diques, ilhas artificiais, muros, estruturas flutuantes, terraços e outros métodos, como o reflorestamento costeiro e fixação de dunas. Os Países Baixos, que possuem grande parte de seu território muitos metros abaixo do nível do mar e construíram um eficiente sistema de grandes diques para protegê-lo, são frequentemente apontados como um modelo bem sucedido de ação. Mas os custos de erguer e manter obras desse tipo são altíssimos. Os planos para proteção de Nova Iorque têm um custo calculado em cerca de 20 bilhões de dólares. Também é questionada a eficiência dessas proteções em situações extremas, quando seriam especialmente importantes, e cita-se como exemplo o caso de Nova Orleans, cujos sólidos e bem conservados diques de proteção foram rompidos pelo furacão Katrina, alagando vários bairros da cidade com metros de água. Miami já gastou cerca de 100 milhões de dólares em proteção, no futuro próximo deve gastar mais algumas centenas de milhões, e mesmo assim, em função do terreno permeável onde se assenta, seu destino é incerto. Tais obras geralmente desencadeiam impactos ambientais sérios pela escala monumental das intervenções na geografia e nos ecossistemas litorâneos, baixam o valor das propriedades costeiras e limitam seu uso recreativo. O muralhamento costeiro em escala mundial, por sua vez, além de ser em si mesmo indesejável, seria impraticável, especialmente se as previsões mais pessimistas se confirmarem. Assim, para muitos cientistas e administradores, tentar conter o avanço do mar na maior parte dos casos já mostrou ser uma batalha perdida, produzindo apenas benefícios efêmeros e ilusórios, valendo mais a pena iniciar uma retirada estratégica para o interior em larga escala em uma perspectiva de longo prazo, a qual, para ser bem-sucedida, deve ser feita com muito planejamento. Porém, o tempo para isso está diminuindo, enquanto a ameaça está aumentando. Mesmo se adotada, a solução da retirada deve enfrentar sérias dificuldades. Experimentos já realizados nos Estados Unidos em âmbito limitado mostraram que mesmo com ajuda oficial e disponibilidade de recursos é extremamente difícil operacionalizar a mudança, especialmente se ela envolve grandes grupos de pessoas. As populações geralmente resistem em deixar seus locais habituais de residência, mesmo diante de ameaças; os custos são sempre elevados, o processo costuma ser muito moroso, e as complicações jurídicas, imobiliárias, securitárias e políticas provocadas pelo reassentamento são desanimadoras, além de a mudança causar a desagregação de comunidades e conflitos sociais difíceis de manejar. A elevação do nível do mar também afetará os ecossistemas costeiros, causando sua degradação ou erradicação, com perdas ou modificações importantes na biodiversidade. Outro efeito direto é a erosão costeira, provocando o recuo da linha de areia nas praias, mudanças no perfil dos litorais e destruição de infraestruturas litorâneas construídas pelo homem, como barragens, estradas e habitações, além de prejudicar o lazer, o turismo e outras atividades econômicas e sociais. Ao mesmo tempo, os aquíferos costeiros subterrâneos de água doce tendem a ser invadidos por água salgada, diminuindo a oferta de água potável para as populações humanas, gerando por extensão problemas de saúde e inquietação social. O aquecimento da água, além de causar a elevação do nível do mar, produz vários outros efeitos negativos. Altera as correntes marinhas, a salinidade, os níveis de oxigênio e de evaporação, modifica a estratificação das camadas de água, e acelera as taxas de derretimento do gelo flutuante, com variados efeitos secundários sobre a biologia marinha e o clima de todo o planeta. As reações químicas do metabolismo animal e vegetal são diretamente influenciadas pela temperatura do meio em que vivem. O aquecimento das águas provoca também um maior consumo de oxigênio, torna as espécies mais vulneráveis a malformações congênitas e doenças, altera os padrões e ritmos de crescimento e os ciclos de reprodução, e interfere na oferta de alimentos. Um outro efeito do aquecimento da água, que até recentemente era desconhecido, é a liberação de metano estocado em sedimentos depositados no fundo do oceano, sob a forma de hidratos de metano (ou clatratos), que resultam da sua combinação com as moléculas de água em condições de baixa temperatura e/ou alta pressão, como as que ocorrem nas regiões frias ou em águas profundas. Nesta combinação, o metano não representa ameaça ambiental. Contudo, o atual aquecimento do oceano cria as condições ideais para que esta combinação seja desfeita nas águas rasas e o metano escape para a atmosfera, circunstância que tem sido chamada de "detonação da bomba de clatratos". O grande problema é que a quantidade de gás estocado desta forma é imensa, calculada em até cerca de dez mil gigatoneladas (dez trilhões de toneladas), uma quantidade maior do que todas as reservas conhecidas de combustíveis fósseis juntas. Além disso, o metano é até 36 vezes mais potente do que o gás carbônico em sua capacidade de aumentar o efeito estufa. Em condições normais, cerca de 90% do metano liberado de águas profundas é oxidado em seu caminho até a superfície e perde seu potencial de ameaça térmica, mas por outro lado contribui para a maior acidificação e desoxigenação da água. Em águas rasas, como as que cobrem a parte ocidental da plataforma continental da Sibéria, sua emergência não sofre neutralização significativa e o metano acaba escapando para a atmosfera. Esta e outras zonas de pouca profundidade são sujeitas a terremotos, aumentando o risco de exposição direta de grandes quantidades de metano. Segundo Archer, "existe na Terra tanto metano na forma de hidratos que parece o ingrediente perfeito para um cenário apocalíptico. [...] O reservatório de hidratos de metano tem o potencial de aquecer o clima da Terra até um estado semelhante ao da 'estufa do Eoceno' num intervalo de poucos anos. O potencial para uma devastação planetária colocado pelo reservatório de hidratos de metano parece, portanto, comparável à destrutividade de um inverno nuclear ou de um impacto de um meteorito". Já se sabe também que os gases atmosféricos em alteração estão mudando a composição química dos oceanos, já que os gases se dissolvem nas águas a partir da atmosfera e voltam para o ar em um processo ininterrupto de intercâmbio e equilíbrio mútuo. Todos os ecossistemas marinhos dependem fortemente das condições do mar próximas da superfície, entre outros motivos, porque ali se realiza a maior parte da oxigenação da água e ali principalmente viceja o plâncton, que está na base das cadeias alimentares marinhas, e nesta camada superficial as águas são mais sujeitas à influência da atmosfera. O efeito é potencializado pelo aumento das temperaturas oceânicas e está relacionado a muitos outros efeitos secundários físicos e biológicos que por sua vez influem de volta sobre a atmosfera, sendo importantes reguladores naturais do clima. Os oceanos são os maiores sequestradores de CO2 atmosférico. Esta impregnação excessiva das águas pelo gás carbônico constitui uma forma de poluição química. A elevação da concentração de CO2 nos mares fez com que as águas se tornassem 26% mais ácidas do que eram no período pré-industrial. Já existem vários indícios de que a salinidade está diminuindo em vários mares do mundo, com impacto potencial mas indeterminado sobre a bioquímica marinha. Embora as evidências não sejam suficientes para indicar uma causa com segurança, parece provável a influência das mudanças climáticas globais, especialmente através do degelo de glaciares e banquisas polares e mudanças nas chuvas e na umidade atmosférica. A combinação de aquecimento, mudança na salinidade, derretimento dos gelos e elevação do nível do mar também modifica a circulação termoalina, as correntes marinhas e a estratificação das camadas de água. A Corrente do Atlântico Norte, por exemplo, aparentemente está enfraquecendo à medida que a temperatura média global aumenta. Isso significa que áreas como a Escandinávia e a Inglaterra, que são aquecidas pela corrente, poderão apresentar climas mais frios a despeito do aumento do aquecimento global. Evidências recentes mostram em alguns lugares, como na área entre as Ilhas Canárias e a Flórida, uma redução de 25% a 30% na velocidade média e mudanças anuais súbitas e irregulares na Circulação do Atlântico Meridional, parte do sistema de circulação termoalina global, o que tende a fortalecer os furacões no Atlântico e pode elevar em até 13 cm o nível do mar na costa norte-americana ao norte de Nova Iorque. Os giros do Pacífico Norte e do Pacífico Sul parecem ter se expandido e reforçado desde 1993, e a Corrente Circumpolar Antártica parece ter se deslocado cerca de 1º de latitude para o sul desde 1950, o que corresponde a cerca de 110 km. Muitas espécies marinhas de grande valor comercial e alimentício já mostram acentuadas modificações regionais em suas populações por virtude de efeitos do aquecimento global, e outras sofrem redistribuição geográfica, movendo-se para latitudes mais altas e águas mais profundas. Acrescentando-se a isso o aumento da poluição marítima por outros contaminantes antrópicos, como o lixo marinho, os agrotóxicos e os fertilizantes, descarregados no mar pelos rios e pelas chuvas, espera-se que as mudanças sejam severas e venham a afetar virtualmente toda a vida marinha no longo prazo. Todos esses efeitos são agravados pela pesca excessiva. Cerca de 50% de todas as espécies de valor comercial já estão com suas populações no limite máximo de exploração, e cerca de 30% delas, incluindo a maioria das dez mais importantes, estão superexploradas e em declínio rápido, devendo estar completamente esgotadas em meados do século XXI se o declínio não for revertido. Por causa dos impactos combinados os oceanos estão sob o grave risco de sofrerem uma extinção em massa e se tornarem ambientes muito simplificados, com uma diversidade biológica extremamente reduzida, composta em sua grande maioria de seres microscópicos e de pequeno tamanho. Em 2008 haviam sido identificadas mais de 400 "zonas mortas" em mares de todo o mundo. Desde a década de 1960 o seu número tem duplicado a cada dez anos, e prevê-se que o aparecimento de novas se acelere. Uma consequência esperada do somatório de todos os efeitos do aquecimento global é o sério comprometimento da produção de alimentos. Como foi assinalado, as mudanças nos mares devem significar uma importante ameaça aos estoques de peixes, moluscos e crustáceos para consumo, que constituem alimento básico ou importante para grande parte da população mundial. O aquecimento global também afeta a produção de outros alimentos. A elevação das temperaturas, as mudanças nas chuvas, na circulação de umidade atmosférica, no ritmo das estações, no ciclo do carbono, no ciclo do nitrogênio e outros nutrientes, a redução da umidade do solo e dos mananciais de água, o aumento nas taxas de evaporação superficial, a tendência à desertificação subtropical, sem dúvida vão prejudicar a agricultura, a pecuária e a silvicultura de grandes áreas produtoras em todo o mundo. Temperatura e umidade atmosférica mais altas e extremos climáticos mais frequentes e intensos também afetam o metabolismo de animais e vegetais, tornando-os mais propensos a epidemias e a distúrbios de crescimento e reprodução, e dificultam a preservação da qualidade de grãos e outros alimentos armazenados, fatores que juntos concorrem para reduzir ainda mais a produtividade geral e aumentar as perdas. Hoje quase um bilhão de pessoas sofre de fome crônica. Sistemas produtivos cada vez mais fragilizados por crescentes ameaças e perdas em várias frentes, associados ao rápido aumento populacional, multiplicam os riscos para a segurança alimentar das nações. É esperado o aumento na incidência e mudanças na distribuição geográfica de várias doenças, especialmente as cardiorrespiratórias, as infecciosas e as ligadas à má nutrição, elevando significativamente os custos com a assistência médica e social. Segundo Barcellos et al. a malária é um dos principais problemas de saúde pública na África, ao sul do deserto do Saara, no sudeste asiático e nos países amazônicos da América do Sul, e a dengue é a principal doença reemergente nos países tropicais e subtropicais. Várias outras moléstias influenciadas pelo clima, como a leishmaniose, febre amarela, filariose, febre do oeste do Nilo, doença de Lyme, ebola e várias arboviroses, provavelmente seguirão neste caminho. Outras perturbações nos ecossistemas ou nos sistemas produtivos, que favoreçam a proliferação de vetores dessas doenças ou diminuam a resistência humana às infecções, como a subnutrição, a água potável de baixa qualidade, problemas de saneamento como ocorre nas inundações, tendem a aumentar a gravidade e a incidência das epidemias. Alterações de temperatura, umidade e chuva podem amplificar os efeitos das doenças respiratórias, assim como alterar as condições de exposição aos poluentes atmosféricos. Outras doenças que estão tendo condições mais favoráveis de difusão em virtude do aquecimento são as zoonoses, aquelas que são típicas de animais mas podem contaminar o homem. A degradação ambiental generalizada que ocorre hoje força migrações de populações selvagens e muitas vezes elas invadem áreas habitadas pelo homem em busca de novos locais de abrigo e alimento, facilitando as infecções. Outros fatores colaboram ativamente neste processo, como o crescente comércio de espécies selvagens exóticas e mudanças no uso da terra. Epidemias recentes de gripe aviária, Vírus Ebola e síndrome respiratória aguda grave, que custaram muitas vidas e enormes recursos financeiros, são exemplo dramáticos de zoonoses que provavelmente se tornarão mais frequentes, e sob certas circunstâncias podem degenerar em perigosas pandemias. A saúde geral das populações e sua capacidade de responder às novas doenças também devem ser afetadas pelo aquecimento. O aumento nas concentrações atmosféricas de CO2 deve favorecer a disseminação de diversos vegetais que provocam grandes incômodos para o homem na forma de alergias, e o gás estimula a produção de pólen, outro alérgeno importante. o aquecimento é uma das principais causas do surgimento de novas doenças, As ondas de calor extremo desencadeiam importantes problemas para a saúde humana, e podem afetar as capacidades cognitivas das pessoas. Nas últimas décadas sua frequência e intensidade vêm aumentado. Segundo Lugber & McGeehin elas são responsáveis por mais mortes anualmente do que os furacões, os raios, os tornados, a enchentes e os terremotos combinados. A onda de calor de 2003 na Europa matou mais de 70 mil pessoas, e estima-se que a onda de calor no Hemisfério Norte em 2010 tenha causado a morte de 55 mil pessoas apenas na parte ocidental da Rússia. Esses eventos costumam causar paralelamente grandes incêndios nas florestas, crises no abastecimento de água e energia e sérios prejuízos econômicos, sociais e agrícolas. Também estão sendo estudados os possíveis efeitos do aquecimento sobre a produtividade humana. Que temperaturas elevadas são inadequadas para a realização de esforço físico é fato notório, mas esta interação em relação ao aquecimento global somente há pouco vêm sendo estudada e não foi avaliada nos relatórios do IPCC, e se torna cada vez mais um elemento importante a ser computado nos planos de adaptação. Uma pesquisa publicada em 2013 pelo NOAA indica que o aquecimento global deve aumentar em média até 50% os problemas de saúde relacionados ao estresse térmico no trabalho, reduzindo a capacidade de operários da construção civil, agricultores, esportistas e outros que exercem atividades físicas intensas a céu aberto. Esse tipo de estresse pode levar a crises cardíacas, cãibras, desconforto, desidratação e exaustão, entre outros efeitos, e se torna um agravante de moléstias preexistentes. Outros estudos fazem projeções similares. As regiões tropicais devem ser as mais afetadas, com grande repercussão social e econômica provável, mas efeitos sensíveis podem se verificar em outras áreas e afetar outras atividades, como o turismo, o lazer e programas escolares. Outro aspecto desafiador que vem sendo levantado recentemente é o impacto dos problemas gerados pelo aquecimento sobre a saúde emocional e mental das populações afetadas por desastres ambientais. Tem sido demonstrado que eventos deste tipo podem desencadear sérias perturbações, tais como crises de ansiedade, distúrbios do sono, depressão, estresse, risco aumentado de suicídio, de surtos de violência social e de consumo de drogas, que se assemelham à síndrome pós-traumática, estado clínico severo que pode levar vários anos para ser superado após um evento concreto desencadeante, como uma inundação. A simples expectativa de que possam acontecer desastres, por outro lado, tem gerado efeitos similares à síndrome pré-traumática, um estado de preocupação difusa e desalento ante a possibilidade de catástrofes ou outras perdas graves. Segundo Elizabeth Haase, professora de psiquiatria na Universidade de Colúmbia, somente nos Estados Unidos espera-se que até 200 milhões de pessoas desenvolvam algum tipo de problema mental em decorrência das mudanças climáticas, e os autores de um estudo publicado na revista científica Lancet consideram que as doenças mentais estão entre as mais perigosas ameaças indiretas do aquecimento global. O mesmo tipo de ameaça foi apontado por José Marengo, que colaborou na elaboração do Primeiro Relatório de Avaliação Nacional sobre Mudanças Climáticas: ::"Quando pensamos em problemas relacionados a extremos climáticos, pensamos em qualidade da água, leptospirose, dengue, malária... Uma pesquisadora do painel nos mostrou, no entanto, que não só problemas ditos ‘físicos’ devem nos preocupar, mas também os problemas mentais e psicológicos que ocorrem como consequência da alteração dos padrões climáticos. Aumento de infartos, acidentes vasculares cerebrais, depressão. Isso foi realmente uma novidade. Foram feitas pesquisas em Blumenau, estado de Santa Catarina, depois das fortes chuvas de 2008. Meses depois foram registrados altos níveis de estresse na região – mesmo em pessoas que moram em áreas rurais, distantes dos clássicos problemas urbanos". Outro exemplo impactante vem da Índia, que no início de 2016 experimentou uma das mais intensas e prolongadas secas de sua história, com ondas de calor cujas temperaturas chegaram a 51 °C, estabelecendo um novo recorde nacional. Além de provocar a morte direta de centenas de pessoas, devastar as colheitas e causar um grande êxodo populacional das regiões mais criticamente afetadas, o desespero diante da calamidade climática fez com que somente na região de Maharashtra mais de 400 agricultores cometessem suicídio. Todos os impactos ambientais se conjugam para afetar negativamente vários aspectos das culturas e sociedades mundiais e problematizam a conservação do seu patrimônio histórico. As migrações e êxodos populacionais causados pela disrupção climática tendem a desintegrar valores sociais, culturais, identitários, estéticos, afetivos, psicológicos, linguísticos, políticos e religiosos das populações migrantes, que se formam intimamente vinculados às suas regiões de origem. A chegada de grande afluxo de populações em novas regiões tende a exacerbar os conflitos violentos, as desigualdades e a competição por recursos entre os recém-chegados e as populações residentes, minando as bases das culturas autóctones e suas relações com a história e a memória local. Populações em movimento deixam para trás tanto suas raízes culturais quanto seu patrimônio edificado e seus sítios históricos, que se degradam pelo abandono. as celebrações e festividades tradicionais e folclóricas, e as culturas dos povos indígenas, que são essencialmente ligadas à terra e ao ambiente onde vivem. O declínio ou desaparecimento de espécies associadas a valores culturais, afetivos ou religiosos também acarreta danos à cultura e às tradições. Declarou a UNESCO que "a mudança climática produzirá impactos em aspectos sociais e culturais, com comunidades mudando as maneiras como vivem, trabalham, cultuam e socializam em seus edifícios, sítios e paisagens". Temperatura e umidade aumentadas implicam em aceleração na degradação de patrimônio histórico edificado, sítios históricos e arqueológicos, e aumentam as dificuldades de conservação de acervos de museus. Além disso, os diferentes materiais nas diferentes regiões do mundo responderão a um clima modificado de formas novas, às quais as populações locais que cuidam de sua conservação não estão acostumadas. Alterações na biodiversidade das diferentes regiões decorrentes das mudanças climáticas trazem consigo ameaças antes inexistentes para os patrimônios em função da invasão por novas pragas biológicas. A elevação do nível do mar inundará em graus variáveis todos os litorais, onde se localiza vasto número de cidades históricas ou culturalmente importantes. Com o progressivo agravamento dos desafios econômicos e das carências de recursos, devem ser prejudicados também aspectos de educação e preparação profissional de novos conservadores e a disponibilidade e facilidade de aquisição de materiais de conservação, com impactos desproporcionais nos países mais pobres. Mesmo em países ricos são previstas maiores dificuldades de conservação patrimonial em um cenário de mudança climática. O sub-secretário-geral da ONU, Achim Steiner, afirmou que somente a perda e degradação de florestas gera um prejuízo anual de cerca de 4,5 trilhões. Se nada for feito para mitigá-lo significativamente, os custos do aquecimento podem corroer de 5 a 20% do Produto Mundial Bruto por ano, ao passo que o custo de mitigação ficaria em torno de apenas 1%, segundo informa o Relatório Stern. Some-se a isso prejuízos culturais e sociais, e patenteia-se o imenso impacto prático e imediato dessas perturbações ecológicas para o homem. Um relatório produzido pelo Banco Mundial em 2012, intitulado ', causou surpresa pelo tom incomumente dramático para uma organização caracterizada pela sisudez, juntando-se ao consenso dos cientistas e ambientalistas e prevendo um cenário assustador para o mundo, em termos de disrupção social e perturbações ambientais, se a temperatura média se elevar aos 4 °C, nível esperado pela maioria dos estudos se nada for feito em contrário. As primeiras palavras do presidente do Banco, Jim Yong Kim, na apresentação do estudo, foram: "Espero que este relatório nos choque, levando-nos à ação". Após considerar todos os riscos que se colocam, o relatório encerrou com a declaração: "Um mundo 4 °C mais quente apresentará para a humanidade desafios jamais vistos. E fica claro que danos e riscos em escala local e global provavelmente acontecerão bem antes deste nível de aquecimento ser atingido. [...] Simplesmente não podemos permitir que a projetada elevação de 4 °C aconteça". Em 2013 o presidente reiterou seu apelo a todas as nações, dizendo que "as mudanças climáticas devem estar no topo da agenda internacional, pois o aquecimento global põe em risco qualquer desenvolvimento que for conseguido em outros setores, inclusive o econômico". O Relatório de Desenvolvimento Humano 2013, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, previu que o número de pessoas vivendo em pobreza extrema em 2050 como consequência do problema ambiental aumentaria em 2,7 bilhões. No cenário mais grave, o Índice de Desenvolvimento Humano médio global diminuiria 15% em 2050, mas os países mais pobres experimentariam índices de declínio ainda maiores. O Grupo de Trabalho de Economia da Adaptação às Mudanças Climáticas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estimou perdas anuais no PIB das nações de 1 a 12% até 2030. Em um cenário de mudanças mais radicais no clima, as perdas econômicas relacionadas ao aquecimento podem chegar se elevar em 200% em 2030. Um estudo mostrou que em 2010 o aquecimento global causou a morte de 5 milhões de pessoas, e Bekele Geleta, secretário-geral da Federação Internacional da Cruz Vermelha, relatou que no mesmo ano a organização fez mais de 30 milhões de atendimentos a vítimas de desastres naturais derivados do aquecimento global. Maiores mudanças no clima devem tornar a situação ainda pior. Para o equilíbrio e saúde da natureza em geral e para a biodiversidade em si, cujo valor de existência ainda está para ser reconhecido, os danos são incalculáveis, e as espécies que se extinguirem em função do aquecimento representam perdas irreversíveis, um triste legado para as futuras gerações, que terão, se nada for feito em contrário, a difícil tarefa de sustentar uma população bem maior com os recursos generalizadamente empobrecidos de um planeta que terá, além de tudo, um clima bem mais imprevisível e hostil, que complicará de maneira significativa o atendimento das crescentes demandas. Por causa disso, é esperada também uma escalada nas migrações populacionais, nas guerras civis e nos conflitos internacionais violentos. Na primeira metade de 2019, 70% das migrações internas registradas nos países foram causadas por desastres climáticos. Em 2011 o Conselho de Segurança da ONU reconheceu por unanimidade que as mudanças climáticas podem ser uma ameaça para a paz e a estabilidade mundial, e o tema tem recebido crescente atenção da diplomacia internacional em função de suas múltiplas consequências econômicas, sociais e políticas e seu caráter transnacional. Conflitos violentos como os que ocorrem na Síria, por exemplo, que desencadeiam êxodos populacionais importantes e atritos internacionais, têm sido em parte causados por problemas locais derivados do aquecimento global. Estudos recentes que analisam o desempenho das políticas climáticas das nações vêm indicando que sociedades instáveis e violentas e com problemas de governança crônicos tendem notoriamente a ser incapazes de gerir suas políticas de maneira eficiente e atender às crescentes demandas de suas populações num cenário climático em modificação, multiplicando as chances da ocorrência de falhas críticas em sistemas vitais. Em 2016 o Fórum Econômico Mundial apontou o fracasso no combate ao aquecimento como a principal ameaça global pelas suas consequências negativas sobre o ambiente, a segurança, a geopolítica, a economia e a sociedade. O recente progresso da humanidade gerou muitos benefícios, mas desencadeou efeitos negativos que não haviam sido previstos e para os quais o mundo não estava preparado, dada sua enorme amplitude e suas múltiplas consequências indiretas. O impacto ambiental antrópico pode ser sumarizado em cinco grandes ameaças: desequilíbrio do clima, declínio da biodiversidade, poluição, perda e degradação de ecossistemas e a explosão demográfica, todas intimamente ligadas entre si. afirmou: ::"A vasta maioria dos cientistas que estudam as interações entre as pessoas e o resto da biosfera concordam em uma conclusão central: as cinco tendências perigosas citadas acima estão produzindo efeitos negativos, e, se continuarem, os efeitos negativos já aparentes sobre a qualidade de vida do homem se tornarão muito piores dentro de poucas décadas. A abundância de evidências científicas sólidas substanciando os prejuízos foi sumarizada em muitos estudos individuais e em declarações de consenso [...] e foi documentada em centenas de artigos publicados na literatura científica sujeita à revisão por pares. [...] Assegurar um futuro para nossos filhos e netos que seja tão desejável para ser vivido como a vida que levamos hoje exigirá aceitarmos que já fizemos inadvertidamente o ecossistema global rumar em direções perigosas, e que temos o conhecimento e o poder de colocá-lo de volta em seus eixos — mas se agirmos agora. Esperar mais somente tornará mais difícil, se não impossível, termos sucesso, e produzirá custos substancialmente maiores, tanto em termos monetários como em sofrimento humano". Refletindo esse consenso, disse Paul Ehrlich que a raiz de todo este problema planetário é cultural: ::"Enquanto a mudança climática já está na agenda política, a maior parte dos outros desafios não está, e o entendimento do público sobre o que produz a degradação ambiental, ou dos fenômenos naturais em geral, é mínimo. Poucos leigos estão familiarizados com a ideia fundamental de que a degradação do ambiente é um produto do tamanho da população humana, do consumo per capita, e dos tipos de tecnologias e sistemas econômicos e sociais que suprem o consumo. No último século, aproximadamente, criou-se um vasto hiato cultural entre o que a sociedade como um todo sabe e o que cada indivíduo sabe — um hiato que se provou especialmente problemático no caso dos representantes eleitos e outros líderes que não possuem quase nenhum conhecimento de ciência. ::"Infelizmente, levará muitas décadas até que as ações humanas produzam mudanças significativas na atual trajetória da população. Mesmo assim, sabemos que padrões de consumo mudam virtualmente da noite para o dia, como foi demonstrado pelas mobilizações e desmobilizações durante a Segunda Guerra Mundial. Mudanças enormes na produção e no consumo aconteceram nos Estados Unidos em quatro ou cinco anos, e, durante esses anos, os americanos aceitaram racionamentos de gasolina, de açúcar e de carne. Se são dados incentivos adequados, a economia pode se transformar muito rapidamente. [...] É o comportamento humano, das próprias pessoas entre si e em relação ao planeta que sustenta a todos, o que requer modificação rápida". Com o avanço nas pesquisas nos últimos anos veio a se considerar imprudente e perigosa demais a meta de redução na emissão de gases que levaria a um aumento máximo de 2 °C na temperatura média, meta que vigorou por muitos anos, e as comunidades científica e ambientalista conseguiram que o Acordo de Paris, celebrado em 2015, a reduzisse para 1,5 °C. Isso não significa que este aquecimento possa ser atingido despreocupadamente, ao contrário, o IPCC afirma que não existe nenhum "nível seguro" de aquecimento, e qualquer elevação adicional aos níveis atuais deveria ser evitada, pois a elevação já observada, de menos de 1 °C, já provoca consequências de ampla repercussão, e elevações ainda maiores só podem piorar o quadro altamente preocupante que se vive no presente. Ao mesmo tempo, surge o problema adicional de que os objetivos globais de emissão, que antes já eram considerados na prática inalcançáveis por muitos cientistas, ficam ainda mais difíceis de cumprir, e para que a nova meta possa ser atingida as medidas de contenção de emissões precisam se tornar muito mais agressivas do que têm sido planejadas até agora, o que possivelmente vá acirrar ainda mais, em vários setores da economia e da sociedade, as resistências em relação às mudanças necessárias. e exigiriam uma redução de 45% no total de emissões de cerca até 2030, em relação às emissões de 2010, mas as metas do Acordo de Paris não são suficientes para alcançar esse objetivo. Para piorar, a reação da sociedade tem sido lenta demais, as emissões de CO2 continuam a crescer e chegaram a um recorde em 2013, ultrapassando as 400 ppm. De fato, os recordes têm sido quebrados continuamente, e em fevereiro de 2019 a concentração ultrapassava as 414 ppm. Outros gases do efeito estufa também estão aumentando, como o metano e o óxido nitroso. É importante lembrar outra vez que diversos efeitos dos gases estufa só se manifestam muitos anos depois de ocorrerem as emissões, e outros são de longa duração. Os gases estufa podem levar mais de trinta anos para produzirem efeitos em termos de temperatura. Ou seja, o aquecimento experimentado atualmente é o resultado dos gases emitidos até a década de 1980. Por isso, é inevitável um aquecimento adicional mesmo se as emissões cessassem hoje totalmente, pois os gases emitidos entre os anos 80 e a atualidade só produzirão seus efeitos daqui a algumas décadas. Porém, desde então as emissões só cresceram, e evidências recentes indicam que a tendência é não apenas continuarem crescendo, mas também que o crescimento deve se acelerar. A acidificação do oceano, por exemplo, levará milênios para ser revertida pelos processos naturais, e o nível do mar continuará a se elevar por séculos, podendo chegar a vários metros acima dos níveis atuais. Alguns gases, além disso, têm um longo ciclo de vida, permanecendo ativos por muito tempo. De acordo com o IPCC, o ciclo de vida dos hidrofluorocarbonetos importantes industrialmente varia de 1,4 a 270 anos. O gás carbônico, o principal gás estufa antropogênico, pode permanecer ativo na atmosfera por até centenas de anos, e o óxido nitroso, até 114 anos. Outros gases, como os compostos perfluorados e o hexafluoreto de enxofre, embora em menores quantidades no total, mas muito potentes, têm ciclos ainda mais longos, que variam de mil a 50 mil anos. Não há nenhuma garantia de que todos os efeitos serão reversíveis se esta crise for superada, nem que uma eventual recuperação levará os ecossistemas a um estado semelhante ao que eram antes, sendo, ao contrário, virtualmente certo de que eles reemergirão transformados de maneira substancial e provavelmente muito empobrecidos. Assim, se eles terão capacidade de sustentar a população futura adequadamente, é questão muito duvidosa e preocupante. Além disso, as perdas na biodiversidade por extinção são obviamente irreversíveis. O aquecimento, com seu longo elenco de efeitos diretos e indiretos, é um dos principais agentes do declínio contemporâneo da biodiversidade mundial, e se as tendências não mudarem levarão a uma extinção em massa em escala global, que acarretaria resultados catastróficos para o ambiente e também para a humanidade. Todos esses dados apontam para a vasta magnitude do problema e indicam que muitos efeitos persistirão para além dos horizontes da presente civilização, mesmo se as emissões cessarem hoje, o que enfatiza a necessidade de sua redução drástica e imediata. O Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica foi enfático ao analisar as perspectivas de futuro: ::"A maioria dos cenários futuros projeta altos índices contínuos de extinções e perda de habitats ao longo deste século. [...] As medidas tomadas durante as duas próximas décadas e a direção traçada no âmbito da Convenção sobre a Biodiversidade, determinarão se as condições ambientais relativamente estáveis das quais a civilização humana tem dependido durante os últimos 10 mil anos continuarão para além deste século. Se não formos capazes de aproveitar essa oportunidade, muitos ecossistemas do planeta se transformarão em novos ecossistemas, com novos arranjos sem precedentes, nos quais a capacidade de suprir as necessidades das gerações presentes e futuras é extremamente incerta". O IPCC é largamente considerado a maior autoridade mundial em aquecimento global, recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo seu trabalho, e suas conclusões foram aceitas por um largo leque de outras organizações e academias científicas de todo o mundo, entre elas a Royal Meteorological Society do Reino Unido, a Network of African Science Academies, com a participação de academias nacionais de 13 países africanos, o Relatório Conjunto das academias científicas de 11 países, a National Oceanic and Atmospheric Administration dos Estados Unidos, a European Geosciences Union, e o International Council for Science, representando 119 organizações científicas nacionais e 30 organizações internacionais.". Muitas outras importantes sínteses científicas internacionais também aceitaram as conclusões do IPCC, entre elas a Avaliação Ecossistêmica do Milênio, a série Global Environment Outlook, da UNEP, e o Vital Forest Graphics da UNEP`/ FAO / UNFF, escritos e revisados por milhares de especialistas. Porém, por mais que os resultados dos relatórios do IPCC sejam preocupantes, eles não estão livres de críticas, e há vários anos uma expressiva quantidade de trabalhos independentes vêm indicando que eles são excessivamente conservadores em vários aspectos importantes, em parte devido ao fato de que as conclusões do IPCC são adotadas no sistema do consenso, onde participam da tomada de decisão representantes políticos das nações, que têm a tendência de minimizar as previsões mais alarmantes. Esses estudos mostram que as mudanças climáticas estão se agravando bem mais rápido do que o IPCC previu e que os piores cenários estimados ficam cada vez mais perto de se concretizarem. Além disso, Stefan Rahmstorf, pesquisador da Universidade de Potsdam, assinalou que os cientistas em geral são muito cautelosos no momento de fazer declarações extraordinárias e temem ser acusados de alarmismo, e em parte a isso se deve o conservadorismo do IPCC, mas acrescenta que quando existe uma ameaça da magnitude daquela representada pelo aquecimento global, seria mais prudente superestimar os riscos do que subestimá-los. Outro fator que colabora para justificar as críticas é o longo tempo necessário para que se façam todas as revisões antes da publicação, o que torna os relatórios ultrapassados em alguns aspectos assim que são divulgados, deixando de considerar muitos estudos mais recentes. Evidências em registros paleoclimáticos atestam que mudanças abruptas radicais no sistema do clima são não apenas possíveis, mas já aconteceram no passado, às vezes em questão de apenas uma década ou menos. Adicionalmente, considerando que os esforços para combate ao aquecimento e outros agravos à natureza que atuam em sinergia têm sido até o momento pouco efetivos, o cenário futuro não pode ser senão sombrio. É um exemplo Paul Ehrlich, presidente do Center for Conservation Biology da Universidade de Stanford e cofundador do projeto Millenium Alliance for Humanity and the Biosphere: "Hoje, pela primeira vez, a civilização humana global [...] está ameaçada de colapso por uma massa de problemas ambientais. A humanidade está engajada no que o príncipe Charles chamou de 'um ato de suicídio em larga escala', enfrentando o que John Beddington, o principal conselheiro científico do Reino Unido, chamou de 'a tempestade perfeita' de problemas ambientais". Um estudo patrocinado pela National Science Foundation dos Estados Unidos e pela NASA projetou que "sob condições que se aproximam de perto da realidade vivida atualmente o colapso futuro é difícil de evitar", Alguns poucos cientistas, como Stephen Hawking, temem que o descontrole do sistema climático possa chegar ao extremo de levar o planeta a uma condição semelhante à de Vênus, sufocado por um efeito estufa extremo e com uma temperatura superficial de 480 °C. A maioria dos cientistas, contudo, considera esse cenário impossível de se materializar, embora considerem possível uma grande elevação da temperatura. Um aquecimento de 11 ou 12 °C pode tornar o planeta praticamente inabitável, O PNUMA, acompanhado de um crescente grupo de cientistas, acredita que a oportunidade que a humanidade tinha de evitar um aquecimento catastrófico já pode ter sido perdida pela excessiva demora na tomada de ações efetivas. Um aquecimento descontrolado poderia colocar em risco a própria sobrevivência da humanidade. Reconhecendo a urgência e vastidão da ameaça, até julho de 2019 mais de 700 administrações estatais, regionais e locais de vários países, e mais de 7 mil universidades, escolas técnicas e faculdades de todo o mundo declararam estado de emergência climática, como forma de criar mecanismos e incentivos para uma redução total das emissões até meados do século. Os principais aspectos do aquecimento global estão bem estabelecidos na ciência, como a propriedade dos gases estufa de reterem radiação infravermelha, o aumento de temperatura decorrente da maior concentração destes gases, a causa humana em sua acumulação, e a importância deste aquecimento no clima. De fato, o consenso do meio científico a este respeito é virtualmente unânime. Vários estudos atestam este consenso, analisando milhares de trabalhos publicados nos últimos anos. O levantamento mais recente, que em 2015 analisou mais de 24 mil trabalhos sobre o tema, indicou que 99,99% dos climatologistas concordam que o aquecimento é real e produzido pelo homem. De acordo com The National Academies, uma reunião de academias científicas nacionais dos Estados Unidos, as principais dúvidas ainda existentes dizem respeito apenas à velocidade deste aquecimento, a que níveis vai chegar ao final, e como afetará localmente as diversas regiões do mundo. Em contraste, a mídia não-científica, numa enganosa busca por equilíbrio e imparcialidade, com frequência procura apresentar "os dois lados" da questão, dando o mesmo espaço e a mesma importância a quem afirma a realidade do problema e a aqueles que a negam. Isso é um erro, pois de um lado há argumentos muito fortes, sustentados por uma maioria esmagadora de especialistas científicos, e do outro, muito fracos, apoiados em geral por amadores, empresas, políticos e grupos de interesse. Como o grande público obtém suas informações principalmente da mídia, esse equilíbrio artificioso tem sido apontado como um importante fator para a pouca importância que o público dá ao problema, o que se reflete na presente dificuldade de se adotar em larga escala medidas preventivas e mitigadoras do aquecimento. Uma pesquisa feita com alguns grandes e influentes jornais dos Estados Unidos, analisando 3 543 artigos que trataram do aquecimento no período de 1988 a 2002, encontrou que 52,65% dos artigos davam peso igual a quem negava e a quem afirmava que a atividade humana tem impacto sobre o clima. Discutindo o que deveria ser feito, apenas 10,6% acatavam o consenso científico e enfatizavam a necessidade de ação internacional urgente e compulsória, enquanto 78,2% apresentavam um texto "equilibrado", induzindo a opinião pública a tirar conclusões equivocadas. Analisando cronologicamente o impacto do problema entre o público, a mesma pesquisa mostrou que entre 1988 e 1989, quando o aquecimento começou a chamar grande atenção internacional, os jornais diziam praticamente o mesmo que os cientistas, mas que desde então vêm sendo impostas ao público dúvidas artificiais e a distância entre a opinião científica e a popular vem se alargando. Nos Estados Unidos, um dos poucos países que não ratificaram o Protocolo de Quioto, a resistência em acatar a ciência tem uma longa história, e é um dos países com mais alto índice de negacionismo climático. A situação do país é importante devido à sua influência política global. Mas desde o governo Bush cientistas são pressionados a mudar suas conclusões, funcionários do governo são forçados a ignorar pareceres técnicos, e um poderoso lobby negacionista está sediado nos EUA, com conexões internacionais. Uma pesquisa de 2013 descobriu que 140 fundações gastaram um total de 558 milhões de dólares entre 2003 e 2010 financiando campanhas e organizações negacionistas. Nas últimas décadas o governo de Barack Obama foi o mais sintonizado com a ciência, mas encontrou forte resistência interna, e os avanços que alcançou em grande parte foram revertidos com a entrada de Donald Trump, que se tornou notório como um negacionista sistemático. Sua administração revogou leis ambientais e tem se caracterizado por suprimir evidências, impor a censura aos cientistas do governo e distorcer o discurso científico a seu favor. Ao longo desses anos, a opinião pública nos EUA tem permanecido largamente cética em alguns aspectos ou decididamente negacionista. Uma pesquisa de opinião do Instituto Gallup de 2019 mostrou que nos últimos 18 anos os norte-americanos evoluíram pouco na aceitação da ciência, mas a evolução está acontecendo, passando de 57% em 2001 para 66% em 2019. No resto do mundo os problemas continuam grandes, o lobby negacionista e múltiplos grupos de pressão político-econômica continuam ativos e influentes, interferindo na opinião pública e nas políticas públicas em larga escala, reunindo esforços para desacreditar a ciência deslocando suas conclusões da sua categoria de fatos para colocá-las no incerto e confuso domínio da teoria, no que esses grupos têm sido muito bem sucedidos. Na lista abaixo, com dados do projeto Skeptical Science, que se dedica a refutar as crendices populares sobre o aquecimento, esclarecer os mal-entendidos e divulgar a ciência de ponta em uma linguagem acessível, vão citados os dez mais frequentes argumentos correntes entre o povo para negar a realidade ou a gravidade do fenômeno atual, usados também por políticos e empresas, junto com a resposta dos cientistas em forma sintética: # A: O clima já mudou no passado. — R: O clima é um sistema sensível à influência de vários fatores. No passado houve fatores naturais que provocaram mudanças. Hoje, o fator determinante é a atividade humana. # A: O sol é a causa. — R: Desde a década de 1980 as tendências da atividade solar e da temperatura terrestre vão em direções opostas, ou seja, o sol está esfriando e a Terra está esquentando. # A: Os modelos teóricos não são dignos de confiança. — R: Os modelos usados têm limitações e margens de erro, e como em geral são modelos globais, são imprecisos no que diz respeito a detalhamentos regionais, mas reproduzem com grande aproximação as mudanças em escala global do clima observadas historicamente, e por isso suas projeções para o futuro são plausíveis e confiáveis. Não obstante, os modelos vêm sendo constantemente aperfeiçoados. # A: Plantas e animais podem se adaptar a mudanças no clima. — R: É verdade, mas a adaptação das espécies selvagens a mudanças ambientais só acontece em largos períodos de tempo. A rapidez da mudança atual é demasiada para que os processos naturais de adaptação se completem a tempo para a vasta maioria das espécies, inevitavelmente levando à extinção ou a significativo declínio populacional muitos tipos de seres vivos. # A: Desde 1998 não esquenta. — R: Em termos globais, 2005 e 2010 foram os anos mais quentes na história dos registros. As três últimas décadas foram as mais quentes desde 1850. # A: A Antártida está ganhando gelo. — R: Embora a área coberta por gelo possa estar se expandindo em alguns locais, o volume total do gelo está em declínio. Medições de satélite apontam que a Antártida perde mais de 100 quilômetros cúbicos de gelo a cada ano desde 2002. Em suma, os argumentos verdadeiros, o primeiro e o oitavo, são inaplicáveis ao caso contemporâneo, e os outros são falsos segundo os dados objetivos, já detalhados nas seções anteriores. A pesquisadora Caren Cooper, da Universidade de Cornell, analisando os problemas gerados pelas dúvidas e incertezas que ainda circulam popularmente sobre a realidade ou a gravidade do aquecimento global, advertiu que se o grande público não adquirir uma sólida confiança na ciência e acatar suas recomendações, os governos democráticos não conseguirão enfrentar com sucesso o problema, porque sua base de apoio popular está dividida e insegura ou não se importa com a questão. Além disso, como antes foi mencionado, a força das mídias e dos grupos de pressão política e econômica é imensa, distorcendo os debates públicos e influenciando a criação de leis muitas vezes de acordo com seus interesses exclusivos. Ainda segundo Cooper, esses agentes que negam as mudanças climáticas têm sido formadores de opinião muito mais eficientes do que os cientistas e professores, porque suas mensagens criam nas pessoas a impressão de que o que a imprensa divulga é o bastante para capacitá-las a participar legitimamente do debate científico de alto nível e criticar suas conclusões, uma impressão que, ela enfatiza, é profundamente equivocada. Naomi Oreskes resumiu a questão da seguinte maneira: ::"Os políticos e a mídia, especialmente nos Estados Unidos, frequentemente afirmam que a ciência do clima é altamente incerta. Alguns têm usado este argumento contra a adoção de medidas fortes para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. [...] Algumas corporações, cujos lucros poderiam ser afetados negativamente pelo controle das emissões de gás carbônico, também têm alegado que a ciência padece de graves incertezas. Tais declarações sugerem que poderia persistir uma controvérsia significativa dentro da comunidade científica sobre a realidade da mudança climática causada pelo homem. Mas isso não é verdade. O consenso científico é claramente expresso nos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. [...] O Painel não está sozinho em suas conclusões. Nos anos recentes, todos os principais corpos científicos nos Estados Unidos cujos membros são peritos no assunto têm publicado declarações semelhantes. [...] Certamente, os autores que avaliaram os impactos, desenvolveram métodos ou estudaram as mudanças paleoclimáticas poderiam acreditar que a mudança é natural. Contudo, nenhum deles considerou essa hipótese. [...] Muitos detalhes sobre as interações do clima não são bem entendidos, e há muito espaço para mais pesquisas que forneçam uma base mais sólida para nosso entendimento da dinâmica do clima. Mas há um consenso sobre a realidade da causa humana na mudança climática. Os cientistas têm repetidamente tentado deixar isso claro. É hora de o resto de nós ouvir o que eles dizem". Apenas os Estados Unidos, historicamente o maior emissor de gases estufa do mundo, e o Cazaquistão, recusaram-se a ratificar o tratado. Os países menos desenvolvidos e mais pobres em geral são pequenos emissores de gases estufa, mas devem sofrer suas consequências mais pesadamente do que os ricos — que são grandes emissores e os maiores responsáveis pela origem do problema — justamente porque têm menor capacidade de se adaptar aos impactos. Essa desproporção entre a responsabilidade causal e o sofrimento das consequências tem dado margem a uma grande polêmica sobre as políticas internacionais de redução de emissões, e em parte devido a isso os avanços têm sido lentos e modestos. O debate passa também pela questão de saber em que medida é que países recém-industrializados, como China e Índia, deverão ter o privilégio de poder aumentar suas emissões a fim de que seu crescimento não seja prejudicado, especialmente a China, uma vez que ela é atualmente o maior emissor individual do mundo, mas o líder chinês Li Keqiang em 2015 reafirmou o compromisso de iniciar uma redução progressiva das emissões até 2030, e se possível antes. A fim de auxiliar os países menos favorecidos, o Protocolo de Quioto introduziu três instrumentos principais para a flexibilização das exigências: o Comércio de Emissões, a Implementação Conjunta e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. O Comércio de Emissões instituiu os chamados créditos de carbono, através dos quais empresas, em conjunto com os governos, concordam em limitar suas emissões ou comprar créditos daqueles que emitiram menos do que as suas quotas. Convencionou-se que uma tonelada de gás carbônico corresponde a um crédito de carbono, que pode ser negociado no mercado internacional. Em 2015, 15 países já haviam instituído impostos sobre a emissão de CO2, e em 17 regiões do mundo o carbono já se tornou uma commodity. Porém, os progressos neste sentido são lentos, os valores de mercado ainda são baixos, o que não incentiva sua adoção, e sua eficiência global, bem como suas bases científicas, são questionadas. Muitos ambientalistas já têm denunciado este sistema como um incentivo indireto à destruição do ambiente e ao incremento de desigualdades e injustiças entre as nações e sociedades. A Implementação Conjunta prevê que países desenvolvidos, os chamados países do Anexo I, possam desenvolver projetos de mitigação em outros países do Anexo I, e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo incentiva projetos de redução de emissões em países em desenvolvimento que não estabeleceram metas no âmbito do Protocolo de Quioto, e estimula a transferência de tecnologia entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento. Também nestes campos os resultados são menores do que o esperado, e as isenções de países em desenvolvimento de algumas cláusulas do Protocolo de Quioto têm sido criticadas pelos Estados Unidos e estão sendo usadas como sua justificativa para não ratificar o protocolo. Outros sistemas de mitigação adotados recentemente como consequência do Protocolo de Quioto são o Bioenergia-CCS para captura de CO2 e produção de biomassa como fonte de energia; o Fundo Verde para o Clima, uma espécie de banco mundial para captação de recursos destináveis à mitigação e adaptação; o Mercado Voluntário de Carbono, destinado a empresas, ONGs, instituições, governos e mesmo cidadãos que assumem a responsabilidade de reduzir as emissões voluntariamente. Uma série de outros projetos e políticas estão sendo desenvolvidos em escala nacional e regional, mas também nestes casos no geral os avanços ainda são tímidos e despertam grandes controvérsias sobre a relação custos-benefícios, eficiência e viabilidade prática. No ocidente, a ideia da influência humana no clima e os esforços para combatê-lo ganharam maior aceitação na Europa que nos Estados Unidos. A União Europeia pretende, até 2050, reduzir entre 60% e 80% as emissões de gases estufa, aumentar em 30% a eficiência energética, e aumentar para 60% a percentagem de energias renováveis, face ao consumo energético total da UE. O Protocolo de Quioto expirou em 2012, e há muitos anos se prolongam os debates internacionais sobre um novo tratado para sucedê-lo. A Conferência do Clima de 2013 das Nações Unidas (COP 19), realizada com grande tumulto em Varsóvia, conseguiu chegar a um acordo formal sobre o programa Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação de Florestas, depois de muitos anos de discussão. O programa prevê incentivos econômicos e outras medidas para a redução de emissões. O documento produzido deu ênfase às medidas de prevenção do aquecimento e aos países pobres, e contemplou também, entre outras, ações nas áreas de financiamento, envolvimento institucional, monitoramento de florestas, agilização administrativa, padronização de procedimentos técnicos e manejo de impactos. A definição dos parâmetros do REED+ foi considerada positiva, mas no geral foi um acordo fraco e deu margem a retrocessos ao revogar a obrigatoriedade no cumprimento das metas, que passam a ser contribuições voluntárias, além de criar para as políticas de mitigação uma indesejável dependência do sistema de financiamento, o Fundo Verde, cujas verbas ainda são muito pequenas. Em 2015 foi realizada em Paris outra Conferência (COP 21), onde foi conseguido um consenso de que deve-se evitar que a temperatura suba acima de 1,5 °C. A aprovação do Acordo de Paris foi louvada internacionalmente como um marco nas negociações climáticas, principalmente pelo reconhecimento de que o aquecimento global é um problema de extrema gravidade, por dar um sinal claro aos mercados de que a transição para a economia verde é inevitável, e pela criação de um vultoso fundo de apoio aos países emergentes. Porém, o acordo foi criticado por não estabelecer um cronograma preciso de ações definidas e por não ter força legal, dependendo de reduções voluntárias, o que pode levar ao descumprimento dos objetivos traçados ou a um excessivo atraso no seu atingimento. Ao mesmo tempo, em conjunto, as metas voluntárias que os países ofereceram não são suficientes para a redução global de emissões considerada necessária, e em muitas nações os objetivos acordados podem ser bloqueados pelos legisladores locais em virtude de pressões econômicas e políticas. Uma revisão da literatura produzida pelo IPCC em 2018 enfatizou que as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris são insuficientes para manter o aquecimento abaixo de 1,5 °C. O IPCC, no seu 5º Relatório, enfatizou que as metas de redução das emissões também não vão ser atingidas se cada região ou país pensar em resolver o seu problema isoladamente e o esforço global for descoordenado. Ao mesmo tempo, o relatório apontou que as medidas de mitigação e adaptação têm se revelado ineficientes em comunidades e nações com problemas crônicos de governança. Políticas climáticas mal-informadas, descoordenadas ou realizadas com dados maquiados e atenuados artificialmente podem produzir efeitos colaterais imprevistos tão indesejáveis quanto os que a inação produziria. Muitos grupos ambientais encorajam ações individuais contra o aquecimento global, frequentemente por parte dos consumidores, mas também através de organizações comunitárias e regionais. Outros têm proposto o estabelecimento de um limite máximo para a produção de combustíveis fósseis. Também têm sido feito esforços para um melhor manejo de resíduos, o combate ao desmatamento e o mau uso da terra, o aumento da eficiência energética e o uso de fontes alternativas de energia. O IPCC oferece em seus relatórios uma multiplicidade de maneiras para a mitigação e adaptação, sumarizadas abaixo: O etanol, que dá uma redução de 8 para 1, é a melhor opção até agora em termos de emissões, mas, por exemplo, se todo o combustível brasileiro em 2007 fosse etanol, metade da área agricultável do país teria de ser convertida ao cultivo da cana, de onde se extrai o etanol. Globalmente, os biocombustíveis têm gerado crescente incerteza para o setor da segurança alimentar num cenário de população em crescimento rápido, e têm mostrado significativa capacidade de induzir conflitos sociais e produzir danos diretos e indiretos à biodiversidade e outros recursos naturais como a água, Usinas hidrelétricas frequentemente são classificadas como fontes limpas de energia, mas múltiplos estudos recentes vêm mostrando que essa imagem é enganosa. A formação das bacias muitas vezes exige um grande desmatamento, por si um fator de emissão de gases estufa, além de produzir severos impactos ambientais e sociais paralelos: interfere nos ciclos naturais de cheia e vazante dos rios e nos ciclos reprodutivos de peixes migrantes, modifica ecossistemas, pode prejudicar a oferta de alimentos para outras espécies aquáticas, afetar negativamente povos ribeirinhos que dependem da pesca e povos indígenas, dificultar o acesso à água a jusante, pode exigir remoção forçada de populações e muitas vezes gera importantes conflitos sociais. Hidrelétricas também podem ser altas emissoras de gases estufa, especialmente se localizadas em zonas tropicais e se a área inundada é vasta, devido à decomposição de matéria orgânica residual (troncos, folhas e material no solo) após a inundação. Bacias que não são limpas adequadamente antes da inundação emitem mais gases por longos períodos do que plantas produtoras de energia equivalente baseadas em combustíveis fósseis. As opções mais promissoras atualmente no setor energético são os projetos de aproveitamento da energia do sol e do vento e algumas formas de energia hidráulica que não exijam criação de reservatórios, como o aproveitamento da energia das ondas do mar e moinhos de água. Essas tecnologias de produção de energia limpa já se encontram maduras, seus custos de implantação têm se reduzido sensivelmente nos últimos anos e seus benefícios são altos, e deveriam ser adotadas em larga escala. Também pode ser uma boa opção, em algumas regiões, a energia geotérmica. Projetos de captura e estocagem artificial do carbono atmosférico podem ser uma alternativa no futuro, mas ainda estão em uma fase inicial de desenvolvimento e sua efetividade ainda é incerta. A atenção principal das nações tem sido dada ao setor energético, mas a mitigação e a adaptação abrangem a totalidade da sociedade, especialmente setores que são grandes emissores de gases, como o mau uso da terra, a indústria, a agricultura, o desperdício de alimentos, os transportes, a construção civil e a urbanização das cidades, além dos hábitos culturais e modos de vida em si que produzem ou perpetuam um modelo insustentável de desenvolvimento. Esses aspectos devem ser igualmente valorizados, pois geram causas de aquecimento igualmente influentes. Porém, o controle teria um grande impacto na redução de emissões de gases estufa. Um estudo britânico de 2009 indicou que a cada 4 libras gastas em planejamento familiar uma tonelada de carbono deixaria de ser emitida. Uma redução da mesma magnitude através das tecnologias convencionais exigiria um investimento de 8 libras em reflorestamento, 15 libras em energia eólica, 31 libras em energia solar ou 56 libras em veículos híbridos. Reforçando esse cenário, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento publicou em 2013 seu Relatório de Desenvolvimento Humano prevendo cerca de 3 bilhões de pessoas vivendo na pobreza extrema em 2050 em função do aquecimento global não mitigado e outros problemas ambientais, um terço da população mundial estimada para aquela data. Embora a polêmica ainda seja grande sobre os mais variados aspectos, os estudos recentes mais qualificados já deixaram cristalinamente claro que a mudança para um modelo sustentável não é mais uma questão de escolha, é questão de sobrevivência. Essa mudança, se pode trazer alguns problemas imediatos de adaptação, abre muitos outros campos para investimento e é mais lucrativa no médio e longo prazo do que a persistência no modelo atual, coisa que também não parece ter sido ainda bem compreendida pelos legisladores, políticos e grandes empresários. Hoje o consumo de recursos naturais do planeta já é maior do que sua capacidade suporte. Além da população mundial estar em crescimento rápido, o consumo de recursos per capita também está aumentando. O IPCC prevê que se não houver modificações nas tendências atuais, até 2100 o consumo mundial aumentará de 300 a 900%. Percebe-se assim o enorme impacto que a humanidade impõe aos recursos naturais e a urgência de medidas que limitem o consumo à capacidade suporte do planeta. Manter o atual curso de ação significará impor um pesado fardo às gerações futuras, pois espera-se que importantes desafios sociais, hoje já difíceis de enfrentar, se agravem ainda mais, como a fome, a pobreza e a violência. A Declaração de Estocolmo, adotada pela ONU, por exemplo, afirma que o homem tem "a responsabilidade especial de salvaguardar e manejar sabiamente o patrimônio da vida selvagem e seus habitats, que estão atualmente em grave perigo", e a Carta da Terra, elaborada durante a conferência Rio 92 e adotada pela UNESCO em 2002 como um código de ética global, diz explicitamente que "a proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado". Esta questão poucas vezes tem sido levada em conta, mas de acordo com o IPCC deveria ser encarada com a mesma seriedade que as questões técnicas. O último relatório do IPCC e outros documentos recentes vêm deixando bastante clara a importância e a realidade da sua mensagem e seu caráter de urgência, ressaltando que as opções de mitigação e adaptação são maiores do que foram no passado, e muitas delas vêm tendo seus custos de implantação significativamente reduzidos em anos recentes, cabendo aos governos e à sociedade fazer bom uso das oportunidades e dos avanços tecnológicos e científicos que se colocam à disposição. Caso contrário, dificuldades em larga escala seguramente se concretizarão e só tenderão a crescer. Outra conclusão importante foi o reforço do consenso que já se formara antes de que as decisões positivas tomadas nas próximas duas décadas terão efeitos decisivos e de longo prazo. Ainda há algum tempo para evitar o pior previsto nos modelos teóricos, mas esse tempo está chegando rapidamente ao fim. O último relatório do IPCC considerou, em suma, que o mundo agora tem apenas cerca de 50% de chance de conseguir manter a elevação da temperatura abaixo dos 2 °C, e para conseguir manter os níveis abaixo de 1,5 °C as emissões precisariam cair 45% até 2030, e chegar a zero em torno de 2050. Isso não será possível sem uma ação rápida e uma mudança em larga escala nos sistemas produtivos e nos hábitos de consumo. Se a sociedade optar por deixar para a última hora tudo o que precisa ser feito, será tarde demais, pois muito ainda precisa ser feito e o tempo corre contra. Processo de mudança social em tal escala requererá muito esforço, honestidade e boa vontade, e levará necessariamente muitos anos, não se justificando mais, portanto, a demora.
Abel — personagem bíblico, Prémio Abel — prémio dado a matemáticos em homenagem a Niels Henrik Abel, Abel (Ursinho Pooh) — personagem das histórias do Ursinho Pooh muitas vezes chamado apenas de Coelho
Topônimos, Adams (Dacota do Norte), Adams, Adams (Ilocos Norte), Adams (Minnesota), Adams (Nebraska), Adams (Nova Iorque), Adams (Oregon), Adams (Tennessee), Adams, Adams (Wisconsin), Adams (cratera lunar), Adams (cratera marciana) ;Outros, Adams (automobilismo)
Públio Élio Adriano (24 de janeiro de 76 — 10 de julho de 138), também designado como Hadriano, foi imperador romano de 117 a 138. Pertence à dinastia dos Antoninos, sendo considerado um dos "cinco bons imperadores". Nasceu provavelmente em Itálica, na Hispânia. Seu pai pertencia à Ordem Senatorial e era primo do imperador Trajano. Quando este faleceu, a imperatriz-viúva, Pompeia Plotina, alegou que em seu leito de morte seu marido havia adotado Adriano e o nomeado sucessor. É incerto se isso realmente ocorreu, mas o Senado e o Exército aprovaram a escolha. Porém, pouco depois quatro importantes senadores que haviam se oposto foram acusados de conspiração pelo prefeito pretoriano Públio Acílio Aciano e condenados à morte ilegalmente. O Senado o responsabilizou pelo crime e nunca o perdoou. Fez outros opositores ao abandonar a política expansionista de seu antecessor e alguns territórios recentemente conquistados, como a Assíria, a Mesopotâmia, a Armênia e partes da Dácia, preferindo investir na consolidação das fronteiras e na unificação dos diversos povos que viviam no Império. Foi um imperador viajante, visitando quase todas as províncias e passando muito tempo longe de Roma. Encorajou a disciplina e a prontidão no Exército e promoveu, projetou ou financiou pessoalmente várias instituições e edifícios civis e religiosos. Em Roma reconstruiu o Panteão e construiu o grande Templo de Vênus e Roma. Era um amante da cultura grega e procurou fazer de Atenas a capital cultural do Império, ordenando a construção de vários templos suntuosos na cidade. Suprimiu a Revolta de Barcoquebas na Judeia, que entendeu como o sinal do fracasso de seus planos de estabelecer um ideal pan-helênico, mas fora este evento, seu reinado foi em geral pacífico. Em seus últimos anos foi aflito por doenças. Manteve um intenso relacionamento com o efebo grego Antínoo e após sua morte precoce estabeleceu um culto para ele que teve larga difusão. Seu casamento com Vibia Sabina, sobrinha-neta de Trajano, foi infeliz e não produziu filhos. Em 138 adotou Antonino Pio e o nomeou sucessor. Faleceu no mesmo ano em Baías. Foi divinizado por Antonino, a despeito da oposição do Senado, que sempre o considerou distante e autoritário. Adriano tem suscitado posições divididas entre a crítica, descrito como enigmático e contraditório, capaz tanto de atos de grande generosidade como de extrema crueldade, dominado por uma curiosidade insaciável, pelo orgulho e pela ambição. O renascimento do interesse contemporâneo pela sua figura deve muito ao romance Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar, publicado em 1951. Durante muito tempo se considerou para Adriano um nascimento em Roma, a partir de uma menção na História Augusta, que antigamente tinha muito prestígio, mas hoje se sabe que esta fonte é repleta de erros e se tornou pouco confiável. Mais de dez autores romanos e proto-medievais, e inclusive seu horóscopo, calculado pouco depois de sua morte, colocam-no como natural de Itálica, próximo à atual Santiponce, na Hispânia (Espanha). Ao nascer foi-lhe dado o nome de Públio Élio Trajano Adriano. Era filho de Públio Élio Adriano Afer, um senador romano primo do futuro imperador Trajano. Sua família provinha de Piceno, e havia se estabelecido em Itálica pouco depois da sua fundação por Cipião Africano. Sua mãe foi Domícia Paulina, de uma ilustre família senatorial romana radicada em Gades . Teve uma irmã, Domícia Paulina, a Jovem. Seus pais faleceram quando tinha dez anos de idade, sendo confiado à guarda de Trajano e de Públio Acílio Aciano. e em 102 acompanhou o imperador na campanha da Dácia. Em 105 foi dispensado para assumir o posto de tribuno da plebe, e em 106 provavelmente era pretor. No ano seguinte, por alguns meses serviu como legado junto à Legião I Minervia e depois como governador da Panônia. Em 108 foi eleito cônsul sufecto (substituto). Nos anos seguintes sua carreira romana estagnou, ao que parece pela ascensão de opositores do partido de Plotina e Sura. É registrado em 112 como cidadão de Atenas, ocupando a função de arconte, quando foi homenageado com uma estátua, e possivelmente passou este período de obscuridade estudando a cultura grega. Na época das guerras contra os partas, foi nomeado legado de Trajano, e quando o governador da Síria teve de atender a um chamado na Dácia, Adriano foi apontado como substituto, passando a comandar o Exército do Oriente. As relações de Adriano com Trajano não parecem ter sido simples, e podem ter sido algo tensas. Questiona-se, por exemplo, o motivo de Trajano não ter demonstrado um apoio mais efetivo à carreira de Adriano, e por quê não o elevou ao patriciado, o que lhe teria aberto muitas possibilidades de progresso. Sua ligação com Plotina e Sura, e suas tentativas de aproximação aos favoritos de Trajano, podem, num contexto de permanentes disputas por influência, colocado Adriano um pouco sob suspeita. A maneira como veio a herdar o trono é também controversa. Quando Trajano morreu, em 9 de agosto de 117, Plotina alegou que o marido havia adotado Adriano e nomeado seu sucessor. O documento de adoção que foi apresentado, contudo, era assinado por Plotina e datado um dia depois da morte de Trajano. Correram na época muitos rumores de que tudo não passava de uma trama armada pela imperatriz-viúva. Uma vez que sua ligação com o protegido era notória, Plotina e sua família seriam beneficiadas com Adriano no poder. Seja como for, Adriano, que estava na Síria, foi aclamado pelo Exército e aprovado pelo Senado. O novo imperador não rumou imediatamente para Roma. Passou algum tempo no Oriente assegurando sua posição, retirou suas forças da Assíria e da Mesopotâmia, recentemente conquistadas, reprimiu revoltosos na Judeia, e depois dirigiu-se à fronteira do Danúbio. Enquanto Adriano não chegava, os assuntos em Roma ficaram sob a responsabilidade do prefeito pretoriano Públio Acílio Aciano, que acusou de conspiração quatro importantes senadores — Lúsio Quieto, Aulo Frontoniano, Lúcio Celso e Caio Nigrino —, condenando-os à morte sem um julgamento público e sem a permissão do Senado. Adriano alegou que a iniciativa da condenação havia partido de Aciano e confirmou vários privilégios do Senado, tentando minimizar o escândalo e o ultraje dos outros senadores, mas com pouco efeito. Doravante suas relações com o Senado ficariam para sempre comprometidas. Quando Adriano chegou a Roma, no verão de 118, sua posição estava razoavelmente segura. Adriano também atuou para garantir o apoio do povo, organizando jogos de gladiadores, dispensando benesses e perdoando dívidas. Tertuliano disse que ele tinha uma curiosidade insaciável sobre tudo o que pudesse ser interessante, impulsionado por um espírito inquieto e um intelecto aguçado. Essas inovações não foram muito bem vistas em Roma e desencadearam a resistência dos tradicionalistas. Talvez por entender que o império esgotara sua capacidade de expansão, Adriano abandonou a política de conquistas de Trajano, adotando outra nitidamente defensiva, optando pela via diplomática para resolver questões com povos vizinhos. Na prática, isso significou renunciar às conquistas recentes de Trajano na Mesopotâmia, que a esta altura pouco mais eram do que nominais. Adriano também retificou os limites de uma antiga conquista de Trajano, a Dácia (atual Roménia), cedendo aos sármatas a planície do Baixo Danúbio e concentrando a ocupação romana na região da Transilvânia, protegida pela barreira natural dos Cárpatos. Segundo Dião Cássio, Adriano teria também ordenado a demolição da ponte sobre o Danúbio construída por Trajano, de forma a evitar uma invasão das províncias danubianas a partir da Dácia. Com o intuito de proteger as demais fronteiras romanas contra os bárbaros, construiu grande número de fortificações contínuas na Germânia e na Inglaterra. Adriano implementou uma profunda reforma na administração, transformando o conselho do príncipe num órgão de governo, e procurou unificar a legislação (Édito Perpétuo, 131). Sua primeira viagem iniciou em 121, visitando a Gália, a Germânia onde iniciou a construção da Muralha de Adriano, destinada a conter as invasões e migrações de bárbaros. Em 122 foi à Hispânia, passando o inverno em Tarraco, onde supervisionou a restauração do Templo de Augusto. Em 123 estava na Mauritânia, suprimindo uma pequena rebelião. Sua estada foi interrompida por notícias de uma revolta na Pártia, para onde rumou, conseguindo estabelecer acordos com os partas. Visitou Cirene e ali promoveu a educação militar de jovens de boas famílias. Providenciou a reconstrução de Nicomédia, destruída por um terremoto, sendo aclamado como um salvador. No outono de 124 chegou à Grécia e foi iniciado nos Mistérios de Elêusis. Revisou a constituição de Atenas e criou uma nova tribo, que recebeu seu nome. Concedeu subsídios para a produção de grãos, criou fundações para o patrocínio dos jogos, festivais e competições públicos, e incentivou a criação de serviços públicos permanentes, como fontes e aquedutos. Em Epidauro construiu um templo, onde foi instalada uma estátua sua em nudez heroica, restaurou o Templo de Posídon Hípio em Mantineia, os santuários de Abas e Mégara e o de Argos. Persuadiu duas importantes lideranças gregas, Herodes Ático de Atenas e Euricles Herculano de Esparta, a entrarem no Senado, sendo os primeiros senadores gregos de Roma. Em 125 presidiu o festival das Dionísias em Atenas, onde providenciou a finalização do grande Templo de Zeus Olímpico e a construção de um aqueduto. Antes de voltar a Roma passou pela Sicília, onde moedas o descrevem como o restaurador da ilha. Em Roma supervisionou a reconstrução do Panteão e terminou sua villa de repouso em Tivoli. Em março de 127 iniciou um périplo pela Itália. Restaurou o santuário de Cupra Marítima, mandou drenar o Lago Fucino, e dividiu o território italiano em quatro províncias governadas por legados imperiais, mas a medida não foi muito bem aceita por ser considerada uma desprestigiosa equiparação dos italianos às outras províncias. Em 128 já estava na África, inspecionando as tropas. Voltou à Itália apenas para partir em seguida em direção a Atenas, onde participou novamente das celebrações dos Mistérios. Iniciou os preparativos para a formação de uma liga grega, o Pan-Helênio, passou por Éfeso e rumou para o Egito. Ali restaurou a tumba de Pompeu em Pelúsio, oferecendo-lhe sacrifícios como herói e compondo um epigrama comemorativo. Caçou leões no deserto da Líbia e em sua excursão pelo Nilo perdeu seu amante Antínoo, afogado nas águas do rio, evento que causou-lhe grande dor. Como parte do extenso processo de celebração da memória do jovem, que incluiria sua divinização, fundou uma cidade em sua honra, Antinoópolis, em 130. e tampouco parece ter tido um caráter definidamente político, devendo sendo antes uma congregação cultural. Ficou em Atenas até meados de 132, a tempo de inaugurar o Templo de Zeus Olímpico, e depois voltou a Roma. As origens do confronto são obscuras. A região vivia em um estado de tensão há décadas, resultado da maciça presença romana e da sua interferência nos costumes, administração e religião locais. A maior resistência à aculturação helenizante proposta por Adriano vinha dos judeus. As causas imediatas parecem estar ligadas ao projeto de construção de uma cidade romana, Élia Capitolina, sobre as ruínas de Jerusalém, que havia sido arrasada no assédio de 70, e de um templo para Júpiter no Monte do Templo. A revolta assumiu graves proporções e exigiu a convocação do general Sexto Júlio Severo, que estava na Britânia e reuniu diversas tropas dispersas para atender ao chamado. A revolta estava controlada em 135. Roma perdeu toda uma legião, cerca de 4 mil soldados, mas as baixas entre os judeus foram vastas. Segundo Dião Cássio, cerca de 580 mil pessoas morreram, 50 fortalezas foram abatidas e 985 vilas foram arrasadas. Muitos judeus foram escravizados, e outras medidas punitivas foram tomadas. Adriano apagou o nome da província do mapa romano, rebatizando-a de Síria Palestina, e implementou o plano de construção de Élia Capitolina. No lugar do antigo templo judaico ergueu-se a estátua de Júpiter e junto ao Gólgota (onde, segundo a tradição bíblica, teria sido crucificado Jesus) ergueu-se um templo à deusa grega Afrodite. O conflito acarretou a perda total da independência regional. Por isso, no Talmude, essa revolta ficou sendo chamada "a guerra do extermínio". De fato, por mais que a diáspora judaica tivesse-se iniciado séculos antes de Adriano, e que as narrativas sobre a guerra judaica tenham-se cedo revestido de características legendárias, é certo que a guerra eliminou definitivamente qualquer possibilidade de renascimento de um judaísmo centrado no Templo de Jerusalém e na sua casta sacerdotal, dando origem, assim, ao judaísmo como uma expressão puramente religiosa e cultural, e não mais política, situação esta que se perpetuaria até o surgimento do sionismo no . Adriano casou-se com Víbia Sabina provavelmente mais por interesse político do que por vontade própria. Diz a História Augusta que ela manteve um relacionamento com Suetônio, secretário do imperador, que teria sido demitido por isso. Também é referido que ela tinha um temperamento difícil e mau humor, e após sua morte, ocorrida em torno de 136, teriam corrido rumores de que teria sido envenenada pelo marido, mas a História Augusta é uma fonte pouco confiável. De fato, pouco se sabe sobre ela. O que é certo é que recebeu o prestigioso título de augusta em 128, sua efígie apareceu em moedas, estátuas lhe foram dedicadas e, de acordo com o costume, foi deificada pouco depois de falecer. O casamento parece ter sido infeliz e não produziu descendência. Parece certo que Adriano nunca teve qualquer interesse sexual por mulheres, mas há muitas evidências de sua atração por homens e jovens. Antínoo, natural da Bitínia, foi apresentado ao imperador provavelmente em 123, quando ainda era um menino de cerca de 13 anos. Foi enviado a Roma para ser educado, e em torno de 128 havia se tornado seu favorito. O relacionamento entre homens maduros e adolescentes foi comum e socialmente aceito na Grécia, tendo mesmo um caráter pedagógico e iniciador, e embora em Roma o costume fosse mais restrito, a bissexualidade era rotineira nos altos escalões. Antínoo parece ter sido um jovem inteligente, e não há evidências de que tenha aproveitado sua intimidade com o imperador para obter vantagens pessoais ou políticas. O relacionamento, pelo menos da parte de Adriano, sem dúvida era apaixonado, mas foi efêmero. Em outubro de 130, Antínoo morreu afogado durante uma excursão pelo rio Nilo. Não se sabe como isso ocorreu, e várias teorias foram propostas, inclusive um suposto sacrifício voluntário de caráter religioso. O que se sabe é que o evento repercutiu profundamente em Adriano, que chegou a ser censurado por expressar aberta e intensamente demais sua tristeza. Depois de sua morte o imperador deificou o amante, instituiu um culto para ele que teve grande difusão, associou-o com outras divindades, como Osíris, Baco e Mercúrio, fundou uma cidade, criou um festival em sua honra, e mandou fazer numerosas estátuas, calcula-se que até duas mil delas tenham sido produzidas em menos de dez anos, sobrevivendo mais de cem. Pelo menos 28 templos lhe foram dedicados e mais de 30 cidades cunharam moedas com sua efígie. Adriano morreu em 10 de julho de 138, em Roma, depois de uma longa doença. Seu corpo foi depositado num mausoléu, que veio a ser transformado no atual Castelo de Santo Ângelo, em Roma. A sucessão de Adriano foi complicada: a princípio ele havia pensado em adotar como filho e sucessor um dos seus muitos antigos favoritos (tal como o adolescente grego Antínoo), Lúcio Élio — e efetivamente o fez, mas tendo Élio falecido prematuramente, Adriano acabou por adotar o senador T. Aurélio Fúlvio Boiônio Antonino — que tornou-se depois o imperador Antonino Pio — sob a condição, no entanto, de que este adotasse como seu filho e sucessor o parente distante de Adriano, o jovem Marco Ânio Vero, o futuro imperador Marco Aurélio, assim como o filho do falecido Lúcio Ceiônio, Lúcio Vero, que viria a ser co-imperador junto com Marco Aurélio. Entrementes, Adriano acabou por ordenar o suicídio de outro dos seus parentes, o nonagenário senador Lúcio Júlio Urso Serviano, desconfiando que ele buscaria a sucessão imperial para seu neto, que também foi obrigado a suicidar-se. Tal decisão fez muito para confirmar a alienação mútua entre Adriano e o Senado, que levaria, após sua morte, a uma tentativa do Senado de invalidar seus atos, o que foi impedido por Antonino Pio. A hostilidade duradoura entre o Senado e Adriano seria reconhecida pelo seu contemporâneo mais jovem, o senador, orador e correspondente de Marco Aurélio, Frontão, que comparava Adriano ao deus da guerra Marte e ao deus dos mortos Dis Pater — ambos deuses que se deve tentar apaziguar, mas sem poder realmente amá-los. As atividades militares de Adriano se conformaram à sua política antiexpansionista, procurando antes consolidar o que havia sido conquistado, eventualmente empregando a força para repelir ataques e reprimir revoltas, do que ampliar os territórios. Algumas províncias recentes foram mesmo abandonadas, e cedeu parte da Dácia aos sármatas. É provável que mesmo se o desejasse, uma expansão não seria viável, em vista da carência de recrutas em sua época. Adriano sistematicamente incorporou ao Exército guerreiros bárbaros com suas armas tradicionais, que eram menos custosos de manter, preferia intervenções rápidas e ágeis, e enfatizava a disciplina e o bom treinamento dos legionários. Construiu uma extensa série de bastiões, fortalezas, muralhas, torres, paliçadas e postos de vigia ao longo das fronteiras, o que contribuía para manter as tropas ocupadas em tempo de paz e melhorava as possibilidades de defesa em caso de guerra. Credita-se a ele a criação de um corpo de polícia política, os frumentários, cujos agentes foram destacados do corpo de funcionários imperiais dedicados à supervisão do abastecimento de trigo (frumentum) da cidade de Roma, daí seu nome em latim. A ele, através do trabalho do jurista Sálvio Juliano, se deve a primeira tentativa de codificação sistemática do Direito Romano, concretizada no Edito Perpétuo. Reformou a burocracia estatal e, seguindo o exemplo de Domiciano, transformou o Conselho do Príncipe em um corpo consultivo permanente, composto de juristas assalariados, em sua maioria recrutados da Ordem Equestre. A formação de uma nova elite burocrática encontrou a resistência do Senado, que se sentiu desprestigiado. Também codificou os privilégios consuetudinários da elite, mantendo grandes diferenças de tratamento entre ricos e pobres diante da Lei, mas elevou o estatuto dos pequenos burocratas provincianos, dos soldados, dos veteranos e suas famílias para conceder-lhes benefícios da elite. Reduziu as penalidades que os escravos podiam sofrer. Ainda podiam ser torturados para extração de provas legais, mas já não podiam ser mortos senão sob acusação de crimes capitais, nem vendidos para mestres de gladiadores. Aboliu as ergastula, prisões privadas de escravos. Proibiu a castração, equiparando-a ao crime de assassinato. Impôs a separação dos sexos nos teatros e nas termas, e para desencorajar o ócio, proibiu a abertura das termas públicas antes das 14 horas. Adriano ocupava também a função de pontífice máximo, responsável pela organização da religião de todo o Império. Com uma origem hispânica e um interesse pelo pan-helenismo, transferiu para as províncias o foco do culto imperial oficial. Embora as moedas que cunhou em geral trouxessem sua efígie na qualidade de Gênio do Povo Romano, algumas emissões enfatizam sua qualidade de protetor da cultura grega ou o identificam com o Hércules Gaditano, padroeiro de Gades, cidade de sua mãe. Fundou vários centros novos para o culto imperial, especialmente na Grécia. Cidades que apoiavam o culto imperial recebiam patrocínio do imperador, e atraíam turismo, comércio e investimentos privados. Sacerdotes e patronos do culto eram incentivados a divulgar sua posição e a fomentar a reverência pela autoridade imperial. Também construiu ou restaurou muitos templos e santuários dos cultos tradicionais. Letrado, Adriano era um grande admirador da cultura grega, sendo um dos responsáveis pela propagação do helenismo no mundo antigo. Era versado em filosofia e poesia, e sobrevivem alguns dos poemas que compôs. Tinha um ativo interesse em arquitetura e projetou pessoalmente diversas edificações. Em seu reinado Roma testemunhou um intenso programa construtivo, uma atividade que foi imitada em várias cidades provincianas. Uma das realizações mais notáveis é a Villa Adriana que construiu em Tivoli, um extenso complexo de edifícios suntuosamente decorados, que recriavam ou incorporavam elementos de diferentes origens e épocas, formando uma paisagem que lembrava os diferentes locais que visitara. Hoje é um Patrimônio da Humanidade. O Panteão de Roma tornou-se um influente modelo arquitetônico ao longo dos séculos, Em suas viagens pelo Império realizou obras e melhorou a infraestrutura e a economia das províncias. Como gesto simbólico, ordenou uma série de emissões monetárias honrando as províncias, que eram representadas nestas moedas por alegorias femininas que lhes davam uma personalidade moral distinta. Estas alegorias seriam mais tarde representadas como uma série de estátuas que, após a morte de Adriano, seriam colocadas no seu templo em Roma. Por onde passava ia levantando cidades, construindo estradas, erigindo monumentos. Estes monumentos tinham um significado político: sua construção geralmente significava uma aliança em pé de igualdade abstrata entre Roma e a cidade onde eram erguidos. Assim, Adriano mandou completar em Atenas a construção de um gigantesco templo a Zeus, o Olimpeu, cuja construção já se arrastava desde a época do tirano Pisístrato, do Nas vizinhanças desta construção, organizou um bairro dentro do estilo romano de urbanismo, de maneira a poder igualar-se a um rei mítico de Atenas, Teseu. Esta Atenas "romana" era separada da antiga cidade por um pórtico na entrada do qual estava inscrito: "Esta é a cidade de Adriano, e não a de Teseu". Ao mesmo tempo, Adriano fez de Atenas a sede de um fórum regional de discussão de assuntos comuns das cidades helênicas, o Pan-Helênio. Esta reelaboração da legitimidade política do império em torno não mais da hegemonia da cidade de Roma e do seu Senado e da Itália, mas como um império ecumênico, dotado de uma cultura helênica comum, que prenunciava já de certa forma o Império Bizantino, permitiu ao historiador francês Paul Veyne chamar Adriano de "um Nero bem-sucedido", que soube transformar sua mania da cultura helênica num programa político. A figura de Adriano tem fascinado o público por séculos, especialmente por uma personalidade que foi vista como enigmática, intrigante e contraditória. Na História Augusta ele aparece ao mesmo tempo como discreto e genial, dignificado e brincalhão, procrastinador e apressado, avarento e liberal, dissimulado e veraz, cruel e generoso, sendo indulgente para com seus amigos e sempre disposto a conhecer novas pessoas, mas seu alegado pedantismo e competitividade o teriam tornado solitário. Também parece certo de que ele foi muito hábil em combinar persuasão e força para atingir seus objetivos, e que tinha um interesse genuíno no bem-estar fiscal e econômico do Império, resultando num reinado que em geral foi caracterizado pela prosperidade. Cartas e discursos que deixou mostram um homem versado na Lei, nos costumes e nos assuntos de governo, meticuloso nos detalhes e na maneira de pensar, familiarizado com o povo tanto como com a elite e sensível às diferenças. Foi duro na repressão de dissidências, manteve muitos dos privilégios da elite e sua beneficência não se estendeu com igualdade a todas as regiões, mas tornou o Império mais coeso, incentivou o orgulho cívico e a participação voluntária na vida social e religiosa, encorajou os ricos a se tornarem benfeitores das cidades, facilitou o acesso à cultura, promoveu a liberdade pessoal desde que dentro da Lei, e contribuiu para a difusão e preservação da cultura grega e para a consolidação de uma forma de governo monárquico forte e centralizado. Segundo Mary Boatwright, "através da sua constante atividade municipal, e particularmente através do seu incentivo à religião, Adriano assegurou que uma imagem beneficente dos imperadores romanos se entrelaçasse inextrincavelmente com os padrões da vida cotidiana nas cidades do mundo romano. A valorização da vida urbana e o reconhecimento da supremacia do imperador seriam as marcas mais universais do que significava ser romano durante o período imperial".
Alberto de Saxe-Coburgo-Gota — marido da rainha Vitória do Reino Unido *Alberto da Prússia (1837-1906) — marechal-general de campo do exercito prussiano e regente do Ducado de Brunsvique *Alberto Vitor, Duque de Clarence e Avondale — filho mais velho de Eduardo VII do Reino Unido, Alberto de Aquisgrão — cronista e historiador germânico, Alberto de Mainz — arcebispo alemão
Alexandre é um prenome popular da língua portuguesa. É cognato ao nome Alexander, da língua inglesa. Em países lusófonos, pessoas chamadas Alexandre são normalmente apelidadas de Alex. O primeiro registro conhecido do nome foi feito no grego micênico: encontrou-se a versão feminina do nome, Alexandra, escrito em Linear B. Albanês – Aleksandër, Aleks, Leka i Madh, Lekë (no norte da Albânia), Sandër, Skëndër, Skander (ver Skanderbeg), Amárico – Eskender, Árabe – الاسكندر / اسكندر (Iskandar), Skandar, Skender, Bielorrusso – Аляксандp (Aliaksandr), Алeсь, Алелька (Alyel'ka), Catalão – Alexandre, Àlex, Xandre, Inglês – Alexander, Alec, Alex, Sandy, Andy, Alexis, Alexa, Sandra, Xander, Gaélico escocês – Alasdair, Alastair, Alistair, Alisdair, Galego – Alexandre, Álex, Georgiano – ალექსანდრე (Alexandre), ალეკო, ლექსო, სანდრო (Sandro), Hebraico – אלכסנדר (Alexander), Hindi – Hindustani – Sikandar, Iídiche – סענדער – Sender, Senderl, Irlandês – Alasandar, Italiano – Alessandro, Leandro, Ale, Sandro, Alessio, Lissandro, Malaio – Iskandar, Língua malaiala – ചാണ്ടി (Chandy), Maltês – Lixandru, Quirguiz – Искендер (İskender), Persa – اسكندر (Eskandar), Russo — Александр (Alexandr), Sânscrito – Alekchendra, Ucraniano — Олександр (Oleksandr), Urdu – İskender, Sikandar, Sikander ("Sikander-e-Azam" é "Alexandre, o Grande"), Uzbeque – Iskandar, Turco - Iskander, Alexandre de Afrodísias, filósofo da Escola peripatética, Alexandre da Macedônia. Alexandre de Gusmão, Alexandre Balas, Alexandre de Mindos, Alexandre I da Iugoslávia, Alexandre II Karadjordjevitch - chefe da Casa de Karađorđević da Sérvia, Papa Alexandre - cognome de vários papas, como Santo Alexandre, Alexandre da Rússia - cognome de vários imperadores da Rússia (Alexandre I da Rússia, Alexandre II da Rússia, Alexandre III da Rússia), Alexandre da Escócia - cognome de vários reis da Escócia (Alexandre I da Escócia, Alexandre II da Escócia, Alexandre III da Escócia), Alexis II (patriarca de Moscou), Santo Alexandre - cognome de vários santos e mártires, Alexandre, o Grande - co-produção hispano-estadunidense de 1956. Alexandre - produção estadunidense de 2004.
Allen faz referência a vários artigos:, Allen: cidade na província de Rio Negro, Argentina;, Allen (Dacota do Sul), Allen (Kansas), Allen (Kentucky), Allen (Maryland), Allen (Michigan), Allen (Nebraska), Allen (Nova Iorque), Allen (Oklahoma), Allen, Allen Park, cidade de Michigan, Furacão Allen, da temporada de 1980. Allen é um apelido de origem escocês:, Christa B. Allen: artista estadounidense, John Allen Jr: jornalista estadounidense, Lily Allen: apresentadora britânica, Ray Allen: jogador de basquete estadounidense, Woody Allen: artista estadounidense, B.M.Allen - Betty Eleanor Gosset Molesworth Allen 1913-, B.H.Allen - Bruce H. Allen 1952-, C.K.Allen - Caroline Kathryn Allen 1904-1975 estadounidense, C.M.Allen - Craig M. Allen 1951-, D.E.Allen - David Elliston Allen 1932-, G.Allen - Gary Allen fl. 1999, G.A.Allen - Geraldine A. Allen 1950-, G.O.Allen - Guy Oldfield Allen 1883-1963, J.G.Allen - J.G. Allen fl. 1991, J.M.Allen - J.M. Allen fl. 1995, J.W.Allen - J.W. Allen fl. 1993, J.Allen - James Allen c.1830-1906, J.A.Allen - John Alphaeus Allen 1863-1916, J.F.Allen - John Fisk Allen 1807-1876, M.B.Allen - Mary Belle Allen 1922-1973, M.F.Allen - Michael F. Allen fl. 1999, P.H.Allen - Paul Hamilton Allen 1911-1963 b. e explorador estadounidense, P.S.Allen - Perry S. Allen fl. 1993, R.M.Allen - Ruth M. Allen fl. 1969, S.Allen - Suzy Allen fl. 1976, T.C.Allen - Thomas Cort Allen 1899-, Allen - Timothy Field Allen 1837-1902: médico homeópata, ficólogo, e botânico estadounidense (nos vegetais), Allen - Joel Asaph Allen 1838-1921: zoólogo e ornitólogo estadounidense (nos animais), W.B.Allen - William B. Allen fl. 1909, Chave Allen, ferramenta;, Allen (bola de futebol), usada na Copa do Mundo FIFA de 1938 realizada na França
Afonso I de Aragão — rei de Aragão e Navarra *Afonso II de Aragão — rei de Aragão e conde de Barcelona *Afonso III de Aragão — o Liberal, rei de Aragão *Afonso IV de Aragão — rei de Aragão e Valência *Afonso V de Aragão — rei de Aragão, Maiorca, Sicília, Valência e Nápoles
Afonso, Príncipe Herdeiro de Portugal (Lisboa, 18 de maio de 1475 — Almeirim, 13 de julho de 1491), foi o único filho e herdeiro do rei João II de Portugal e de sua esposa, a rainha Leonor de Viseu. O rei tanto adorava este seu filho que, em sua homenagem, batizou de "Príncipe" a menor ilha do arquipélago de São Tomé e Príncipe. Ainda criança, D. Afonso casou com a princesa Isabel de Aragão, filha mais velha dos Reis Católicos. e tinham um herdeiro, João, que era um jovem frágil e que viria a falecer com dezanove anos de idade. A princesa Isabel seria, portanto, a herdeira mais provável das coroas de Castela e Aragão e, como estava casada com o príncipe herdeiro de Portugal, adivinhava-se uma união dos reinos ibéricos sob a alçada de Portugal. Afonso morreu de uma queda de cavalo durante um passeio, em Alfange, Santarém, à beira do Tejo. Segundo Bernardo Rodrigues, em os Anais de Arzila, o seu aio era João de Meneses, conde de Cantanhede, e esse acontecimento terá ocasionado nesta personagem um grande traumatismo: Depois da morte de D. Afonso, nomeou como sucessor o Duque de Beja, seu primo, que viria a governar como e que casou depois com Isabel, a viúva do infante Afonso.
A Ideia Perigosa de Darwin (em Portugal) ou A Perigosa Ideia de Darwin (no Brasil), Darwin's Dangerous Idea no original em inglês, é um livro da autoria de Daniel C. Dennett que explora os efeitos que a teoria da evolução de Charles Darwin terá produzido no pensamento filosófico ocidental. Segundo o autor, a teoria de Darwin sugere que a vida no planeta Terra foi produzida por um processo algorítmico absolutamente cego, enquanto pensadores da época de Darwin defendiam que só Deus poderia criar todas as coisas concebidas. Através da seleção natural, a concepção e a própria noção de Deus seriam criadas a partir de coisas mais simples. Através da biologia, Darwin teria encontrado uma solução para um problema de filosofia antiga: as origens da concepção. Dennett introduz termos como "gruas" (mecanismos que produzem concepção de baixo para cima sem a necessidade de uma entidade superior) e "Ganchos Celestes" (mecanismos que criam concepção por meios milagrosos), colocando-os com um papel preponderante de entre os possíveis mecanismos susceptíveis de criar concepção. Defende também a ideia de que Darwin conseguiu encontrar um processo de concepção que dispensa a existência de uma inteligência superior, baseado na ideia de seleção natural. Um dos temas discutidos no livro é o adaptacionismo. O autor procura mostrar que os tímpanos de Stephen Jay Gould na realidade não existem e são de facto exaptações. Dennett concede que Stephen Jay Gould chamou a atenção para alguns problemas importantes como o pan-adaptacionismo, mas defende que os darwinistas clássicos nunca foram adaptacionistas e que sempre tomaram em consideração outros factores. Dennett mostra que Stephen Jay Gould não refutou o adaptacionismo. Pelo contrário, deu-lhe mais consistência. Fundamentalismo darwiniano ou fundamentalismo darwinista é o título de um artigo de Stephen Jay Gould, no qual ele faz uma ávida crítica contra Daniel Dennett e Richard Dawkins, colocando-os como extremistas, ou "ultra-darwinistas". Ele critica o livro de Dennett como "o manifesto filosófico dos ultras do puro adaptacionismo". Ele afirma que este livro é lido como a caricatura da caricatura. :se Richard Dawkins trivializou a riqueza de Darwin ao aderir para a mais estrita forma de argumento adaptacionista num modo maximamente reducionista, então Dennet, como divulgador de Dawkins, consegue converter um imperfeito e improvável relato em numa doutrina ainda mais simplista e inflexível. Se a história, como muitas vezes se nota, refaz grandiosidades em paródias, e se T. H. Huxley de fato agiu como o "buldogue de Darwin", então é difícil resistir de pensar em Dennet, no seu livro, como "cachorrinho de madame de Dawkins" A descrição de fundamentalismo darwiniano é também utilizada por criacionistas para descrever qualquer cientista que defenda a evolução de modo a fazer passar a ideia de que esses cientistas manifestam as mesmas características dos fundamentalistas religiosos, como intolerância, obscurantismo e dogmatismo.
Esta é a página para pedir artigos na Wikipédia lusófona. Se você quer pedir um novo artigo, leia as instruções abaixo e depois procure o tema mais apropriado na lista. Para fazer um pedido deve colocá-lo no final da seção apropriada. Para isso clique em [editar] do lado direito da secção/tópico ao longo da página e escreva abaixo do texto que aparece (não apague o texto existente) o seguinte código:, Nome do artigo. Se o artigo correspondente já existir numa das outras Wikipédias, inclua também a ligação. Se não existir uma seção adequada para o artigo que você quer pedir, fique à vontade para criá-la na página adequada. Se você estiver procurando um artigo para criar, há duas formar de fazer a pesquisa: *, Por seção: No índice ao lado, clique na seção de sua preferência e escolha o artigo. *, Por idioma: Digite + no seu teclado e tecle o código do idioma desejado, seguido do sinal de "dois pontos", para fazer a busca (por exemplo, en: para inglês, fr: para francês e de: para alemão). *, Adicionalmente, considere consultar a e a . __TOC__ Para facilitar a localização do tema mais adequado ao seu pedido, aqui está a relação das seções das páginas de pedidos: * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Outros artigos a criar * * * * * * * * * * *
Introdução O projecto de uma enciclopédia livre, já foi apresentado aqui no Gildot. Desde então, o projecto sofreu algumas alterações importantes que eu pretendo relatar de seguida. O projecto apresentado anteriormente no Gildot foi o projecto Nupedia, href= uma tentativa de criar uma enciclopédia que obedeça a elevados critérios académicos de qualidade. O projecto Nupedia está a avançar lentamente e as pessoas envolvidas estão convencidas que o processo editorial é demasiado burocrático e está tudo a ser repensado. As atenções viram-se agora para o projecto Wikipedia, href= um projecto iniciado pelo mesmo grupos de pessoas e que está a ter um estrondoso sucesso. Desde Janeiro já foram escritas mais de 15 mil entradas e o objectivo é atingir as 100 mil, o número de entradas de uma grande enciclopédia como a Britânica. O que é a wikipedia A wikipedia é WikiWikiWeb, um conjunto de páginas web que podem ser editadas por qualquer visitante. Os artigos são escritos de forma colaborativa. Vários autores podem trabalhar em conjunto editando sucessivamente a mesma página. O software utilizado é o Usemodewiki, Este sistema funciona muito bem e as pessoas acabam por ficar um bocado viciadas em participar na escrita da wikipedia. (Eu sei que há por aí alguns projectos de tradução e sugiro que utilizem o usemodewiki como ferramenta de trabalho). A wikipedia está sob licença GNU FDL, uma licença semelhante ao GPL, mas para documentos. Os voluntários têm portanto a garantia de que o seu trabalho permanecerá livre e não será utilizado abusivamente fora do âmbito desta licença. A base de dados do projecto é publicada com frequência e quem não estiver satisfeito pode fazer um fork. Porque é que precisamos da wikipedia O projecto wikipedia é estremamente ambicioso e pretende rivalizar com enciclopédias do calibre da Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, da Verbo. Os 23 volumes desta enciclopédia custam à volta de 400 contos e aparentemente não existe nenhuma versão electrónica. Uma das enciclopédias Verbo está está disponível online, mas não parece ter a qualidade a que a wikipedia aspira, O que já foi feito A versão inglesa da Wikipedia possui mais de 15 mil artigos que foram escritos em 10 meses por um grupo de voluntários. O número de voluntários tem vindo a crescer e a taxa de produção de artigos está a aumentar continuamente. A versão portuguesa tem pouco mais de 13000 páginas para os quais contribuiram pelo menos 130 voluntários. *Enciclopédia Digital Master ** *Enciclopédia Verbo ** "A Nupedia é um enciclopédia livre apoiada pela Free Software Foundation que abdicou do projecto GNUpedia (de que já se falou no Gildot) em favor da Nupedia.(ver página da GNUpedia . O projecto de tradução da Nupedia para português e quem quiser contribuir pode inscrever-se na mailinglist. Vou tentar antever algumas reacções a este artigo esclarecendo que: Eu sei que há outros projectos de tradução e que há pessoas que acham que esses projectos são prioritários para a comunidade Gildotiana. No entanto, projectos diferentes apelam a pessoas diferentes e estou certo que este projecto poderá interessar a muita gente. Projectos como o everything2 e o h2g2 não são a mesma coisa que a Nupedia. Para começar a Nupedia é totalmente livre, aqueles dois, tanto quanto eu percebi, são projectos proprietários. E depois a Nupedia é um projecto sério, criado a partir do meio académico e com pretensões para se tornar a nova enciclopédia Britânica. Mesmo quem não está muito interessado em traduzir artigos pode contribuir para a Nupedia lendo, revendo e corrigindo artigos. E mesmo aqueles que não estejam muito interessados em participar podem ajudar fazendo chegar esta ideia a outras pessoas. Finalmente quero lembrar os objectivos da Nupedia: criar uma enciclopédia que pode ser copiada livremente e utilizada para produzir produtos secundários na condição de que esses produtos secundários possam ser utilizados de forma igualmente livre. Assim, quem desejar contribuir para a tradução portuguesa deve increver-se nesta mailinglist. Quem desejar contribuir para o projecto original deve visitar a página original do projecto " A Nupedia é uma enciclopédia livre, isto é, qualquer pessoa tem a liberdade de fazer com ela o que bem entender, desde que os produtos derivados da sua utilização sejam igualmente livres. Os utilizadores são livres de distribuir a Nupedia, de forma comercial ou não comercial, e de a utilizarem para produzir outros bens culturais. Quaisquer produto derivado da Nupedia terá que ser distribuídos nas mesmas condições que a Nupedia. O propósito deste projecto é o de conseguir que o conhecimento não tenha direitos de autor e que qualquer pessoa possa ter acesso a ele. O resultado final do projecto será uma enciclopédia tão boa quanto a Enciclopédia Britânica. O projecto tem bastante apoio nos meios académicos e é feito com base no voluntariado.
O erro da data de nascimento de Cristo é somente uma hipotese, nada de verificável, alguns dizem que Cristo nasceu antes da Era Vulgar e outros que nasceu depois desta data. Eu proponho de escrever esta informaçao como hipotese visto que nao existe uma maneira certa para estabelecer a data exacta do nascimento de Cristo. Nos sabemos só que: Dionysius Exiguus ("Dionisio o Pequeno") (470 - 540) um monje nascido na [Scythia Menor]?. foi chamado pelo [Papa Joao I]? para compilar a tabela para as futuras datas da Pasqua. Em 525, Dionisio produzia o seu Liber de Paschate. Naquele tempo a data era calculada desde o inicio do reino do Imperador romano Diocleziano um feroz perseguidor dos cristaos. Dionisio nao queria continuar a memoria do tirano que perseguia os cristaos, e assim propos de numerar os anos desde o nascimento de Jesus Cristo. A data segundo Dionisio, tambem [Era Vulgar]?, começava no ano DCCLIII ab Urbe condita (753 da fundaçao de Roma),que passou a ser o ano 1 da Era Vulgar. A data era calculada com referencia ao nascimento de Cristo, portanto, a.C. (ante Cristo) ou d.C. (depost Christo). Os romanos nao conheciam o zero eis porque ele nao existe no [calendario cristao]?, portanto ao ano 1 a.C. segue imediatamente o ano 1 d.C. Segundo os calculos de Dionisio, que hoje muitos consideram errados, Jesus nascia em 25 de dezembro do ano 1 e.v. Coisa inverossimil se se pensa que os Romanos fizeram um censimento geral da Judeia e nao era no habito dos romanos faze-lo em inverno, outra evidencia é a presença dos pastores ao aberto uma usança primaveril e nao invernal. Muito provavelmente Cristo nasceu em primavera e nao em inverno. Muito provavelmente Cristo nao nasceu no ano 1 d.C. ou talvez sim o facto é que nao é possivel estabelece-lo com os elementos que temos actualmente, sò hipoteses e nada mais. Jose Soares Da Silva ----- Jesus Cristo: o misterio da sua data de nascimento Provavelmente Dionisio o Pequeno, nos seus calculos para estabelecer o ano de inicio da era crista, cometeu um erro (talvez de 7 anos, talvez de 4 ou 5). Jesus poderia ter nascido no ano 747 "ab Urbe condita", ou seja no 7 a.C. (mas tambem no 4 ou 5 a.C. ou talvez, como diz o historico Giorgio Fedalto, que revaloriza os calculos de Dionisio, pouco antes do inicio do ano 1). A data exacta nâo se conhece. Todavia os recentissimos estudos, efectuados sobre os textos dos fragmentos do Qumran, valorizam a hipotese que Jesus poderia ter nascido efectivamente no periodo ao redor do 25 de dezembro precedente o ano 1. E se o calendario de Dionisio fosse exato assi como é? ----- Uma enciclopédia não pode trabalhar com hipóteses, credos, dogmas nem doxas. Fato é que não temos registros e estudos seguros à respeito da data de nascimento de Jesus de Nazaré. Parece-me que o que de mais fidedigno com a realidade que temos é a data da morte de Herodes em 4 a.C. da nossa contagem. Parece-me, então, justo que seja esta a única informação que publiquemos já que Jesus, seguramente, nasceu anteriormente a esta data, e só. na questão do calendário a data exata do nascimento de cristo é o menos importante. deve-se realizar duas observações, ou três: a.C e d.C não correspondem ao ano exato; o conceito do número zero só foi estabelecido muito recentemente; toda marcação de tempo é arbitrária, tomando um referêncial para seu início (no caso o nascimento de cristo). em termos de enciclopédia é o que se deve fazer, senão vamos começar a discutir a própria existência de jesus! para efeito de discussão: 25 de dezembro possui algum evento astronômico? se sim, foi o motivo de dionísio, o pequeno usar a data. -- 14:01, 17 Março 2006 :Não, foi apenas e tão só por ser nove meses depois de 25 de Março, a data definida tradicionalmente como a da Anunciação/Concepção de Maria. -- 17:14, 18 Maio 2006 A Bíblia é perfeitamente clara quanto a este assunto: Quando Herodes o Grande soube do nascimento de uma criança predestinada, mandou matar todos os bebés com menos de dois anos de idade, e tendo um anjo avisado isto a José em sonho, José e Maria fugiram com Jesus para o Egito, de onde só retornaram após a morte de Herodes o Grande. Os registros históricos dizem que Herodes morreu na primavera do ano 4 a.C.. Deste modo, se Jesus nasceu num 25 de dezembro, só poderia ter sido no ano 5 a.C. ou num ano ainda anterior a esse. E mais: Levando-se ainda em consideração que os semitas daqueles tempos tinham o hábito de contar a idade das crianças a partir da concepção (e não do nascimento), os "dois anos de idade" corresponderiam na verdade a um ano e três meses de idade a partir do nascimento. Assim, se cogitarmos a hipótese de Herodes ter morrido apenas alguns dias depois de decretar a matança dos bebés, faz sentido que Jesus tenha nascido em dezembro de 6 a.C. e que a matança das crianças tenha sido decretada em março de 4 a.C. - um ano e três meses após o nascimento de Jesus, ou dois anos contados desde a sua concepção. —o comentário precedente por 14h15min de 16 de Setembro de 2007 Se contarmos a partir do ano assinalado como ano 1 (depois ou antes de cristo, é igual), verificamos que a "1ª década" está assinalada no 10º ano, a "2ª década" está no 19º ano, a "3ª década" no 28º ano e assim por diante. Isto leva a um erro na contagem à medida que se afasta do "nascimento de Cristo". O certo seria, acredito, a 1ª década ser do ano 1 ao 10 inclusivé (10 anos), a 2ª década do 11 ao 20, a 3ª do 21 ao 30, assim por diante, e o 1º século do 1 ao 100 (100 anos). Além disso, o Século I está assinalado com "110" anos, pois está depois da 10ª década.
O Afeganistão, oficialmente Emirado Islâmico do Afeganistão, é um país sem litoral, montanhoso, localizado no centro da Ásia, estando na encruzilhada entre o Sul da Ásia, a Ásia Central e a Ásia Ocidental. Faz fronteira com o Paquistão ao sul e ao leste, com o Irã ao oeste, com o Turcomenistão, Uzbequistão e Tajiquistão ao norte e com a China no nordeste. Ocupando, sendo o 41.º maior do mundo em área, o Afeganistão é predominantemente montanhoso, com planícies no norte e sudoeste. Cabul é a capital e a maior cidade, com uma população estimada em 4,6 milhões, sendo o 37.º país mais populoso do mundo, composta principalmente de etnias pastós, tajiques, hazaras e usbeques. O território do Afeganistão foi um ponto essencial para a rota da seda e para a migração humana. Arqueólogos encontraram evidências de presença humana remontantes ao Paleolítico Médio . A civilização urbana pode ter começado entre e O país fica em uma localização geoestratégica importante que liga o Oriente Médio à Ásia Central e ao subcontinente indiano, tendo sido a casa de vários povos através dos tempos. A terra tem testemunhado muitas campanhas militares, desde a Antiguidade: as mais notáveis feitas por Alexandre o Grande, Chandragupta Máuria, Gêngis Cã, pela União Soviética e, mais recentemente, pelos Estados Unidos e OTAN. A capital do Afeganistão foi transferida em 1776 de Candaar para Cabul e parte do Império Afegão foi cedida aos impérios vizinhos em 1893. No final do, o Afeganistão tornou-se um Estado-tampão, no Grande Jogo entre os impérios britânico e russo. Depois da Terceira Guerra Anglo-Afegã e a assinatura do Tratado de Rawalpindi em 1919, o país recuperou o controle de sua política externa com os britânicos. Após a revolução marxista de 1978 e a invasão soviética em 1979, teve início uma guerra entre as forças governamentais apoiadas por tropas soviéticas e os rebeldes mujahidin, apoiados pelos Estados Unidos, Paquistão, Arábia Saudita e outros países muçulmanos. Nesse conflito, mais de um milhão de afegãos perderam a vida, muitos deles vítimas de minas terrestres. Após a vitória dos rebeldes, em 1992, teve início uma guerra civil, entre diversos grupos rebeldes, que foi vencida pelos talibãs. Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, teve início um novo conflito, decorrente da intervenção de forças norte-americanas no país. Em dezembro de 2001 o Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou a criação da Força Internacional de Assistência para Segurança para ajudar a manter a segurança no Afeganistão e ajudar a administração do presidente Hamid Karzai. Enquanto a comunidade internacional está reconstruindo o Afeganistão dilacerado pela guerra, grupos terroristas como a rede Haqqani e Hezbi Islami estão ativamente envolvidos na insurgência talibã por todo o país, que inclui centenas de assassinatos e ataques suicidas. De acordo com a Organização das Nações Unidas, os insurgentes foram responsáveis por 75% das mortes de civis em 2010 e 80% em 2011. A guerra de vinte anos entre o governo e o talibã atingiu o clímax com a ofensiva talebã em 2021, a consequente queda de Cabul, e o restabelecimento do Emirado Islâmico do Afeganistão. As décadas de guerra fizeram do Afeganistão o país mais perigoso do mundo, incluindo o título de maior produtor de refugiados e requerentes de asilo. O nome Afeganistão ([avɣɒnestɒn]) significa "Terra dos Afegãos", que se origina a partir do etnônimo "afegão". Historicamente, o nome "afegão" designa as pessoas pastós, o maior grupo étnico do Afeganistão. Este nome é mencionado na forma de Abgan, no, pelo Império Sassânida, como Avagana (afghana), no, pelo astrônomo indiano Varahimira. Albiruni faz referência no a várias tribos nas montanhas da fronteira ocidental do rio Indo, conhecidas como . ibne Batuta, um famoso estudioso marroquino que visitou a região em 1333, escreve: "Nós viajámos para Cabul, antigamente uma grande cidade, o lugar agora é habitado por uma tribo de persas chamados afegãos. Eles vivem nas montanhas e desfiladeiros e possuem considerável força, e são muitas vezes salteadores. Sua principal montanha é chamada de Kuh Sulaiman". Um importante estudioso persa do explica extensamente sobre os afegãos. Por exemplo, ele escreve: É amplamente aceito que os termos pastó e afegão são sinônimos. Nos escritos do o poeta pastó Khushal Khan Khattak é mencionado: A última parte do nome, -istão é um sufixo persa para "lugar", proeminente em muitas línguas da região. O nome "Afeganistão" é descrito no pelo imperador mogol Babur em suas memórias e também pelo estudioso persa Firishta e os descendentes de Babur, referindo-se a tradicional étnica afegã territórios entre as montanhas de Indocuche e o Rio Indo. No início do, Políticos afegãos decidiram por adotar o nome Afeganistão para todo o Império Afegão após sua tradução para o inglês já havia aparecido em diversos tratados com o Império Qajar e a Índia Britânica. Em 1857, na análise de John William Kaye The Afghan Warm Friedrich Engels descreve o "Afeganistão" como: O Reino do Afeganistão foi, por vezes referido como Reino de Cabul, como mencionado pelo estadista e historiador britânico Mountstuart Elphinstone. O Afeganistão foi oficialmente reconhecido como um estado soberano pela comunidade internacional após a assinatura do Tratado de Rawalpindi em 1919. Os vestígios de povoamento humano no que hoje é o Afeganistão remontam a pelo menos anos. Assentos permanentes emergiram na região há cerca de 9 mil anos atrás, evoluindo gradualmente à Civilização do Vale do Indo (Xortugai), a Civilização do Oxo (Dasliji) e a Civilização de Helmande no terceiro milênio antes de Cristo. Os povos indo-arianos migraram pela região da Báctria-Margiana para Gandara, seguidos pelo surgimento da da Idade do Ferro, que tem sido intimamente associada à cultura retratada no Avestá, os antigos textos religiosos do Zoroastrismo. A região, então conhecida como "Ariana", caiu perante os Persas Aquemênidas no, que conquistou as áreas a leste até além do Rio Indo. O macedônio Alexandre o Grande invadiu a região no e se casou com Roxana em Báctria antes de invadir o vale do Rio Cabul, de onde ele enfrentou resistência das tribos aspásios. O Reino Greco-Báctrio se tornou o canto mais a leste do Mundo Helênico. Após a conquista pelos indianos do Império Máuria, o budismo e o hinduísmo floresceram na região por séculos. O imperador Canisca I, do Império Cuchana, que governou de suas capitais gêmeas de Capisa e Purusapura, desempenhou um papel importante na disseminação do budismo Maaiana à China e a Ásia Central. Várias outras dinastias budistas se originaram nesta região também, incluindo os quidaritas, heftalitas, alconitas, nezaques, e xaís turcos. Os muçulmanos levaram o islã para Herate e Zaranje, controlados pelos Sassânidas, em meados do século VII, enquanto a islamização mais completa foi alcançada entre os séculos IX e XII sob as dinastias Safárida, Samânida, Gasnévida e Gúrida. Partes da região foram posteriormente governadas pelos impérios Corásmio, Calji, Timúrida, Lodi, Sur, Mogal e Safávida. A história política do moderno estado afegão começou com o Império Hotaqui, cujo fundador Miruais Cã declarou o sul do Afeganistão independente em 1709. Em 1747, Amade Xá Durrani estabeleceu o Império Durrani com sua capital em Candaar. Em 1776, a capital Durrani foi transferida para Cabul, enquanto Pexauar se tornou a capital de inverno até que esta caiu em batalha para os Siques em 1823. No final do século XIX, o Afeganistão tornou-se um Estado-tampão no "Grande Jogo" entre os impérios Britânico e Russo. Na Primeira Guerra Anglo-Afegã, de 1839 a 1842, tropas britânicas, vindas da Índia, tomaram o controle do Afeganistão, mas acabaram sendo derrotados decisivamente. Após a Terceira Guerra Anglo-Afegã de 1919, o país conseguiu se tornar independente da influência estrangeira. Em 1926, o Afeganistão se tornou uma monarquia sob comando de Amanulá Cã. Contudo, em 1973, o rei Zair foi derrubado e uma república de partido único foi estabelecida. Em 1978, após um segundo golpe de estado, o Afeganistão se tornou um Estado socialista, que levou a nação a passar boa parte da década de 1980 envolvido na Guerra Afegã-Soviética contra os rebeldes mujahidins. Em 1996, a maior parte do país havia sido tomado por fundamentalistas do grupo Talibã, que estabeleceram um regime totalitarista radical; eles foram derrubados do poder na invasão dos Estados Unidos em 2001, mas mantiveram controle e influência sob boa parte do país, especialmente nas zonas rurais e montanhosas. A guerra civil no país continuou entre o novo governo afegão e os insurgentes talibãs, que resultou em mais de 150 mil mortos, atrocidades, atentados terroristas, torturas, sequestros e assassinatos. Como a nova república afegã dependia imensamente da ajuda econômica e militar dos americanos, quando os Estados Unidos começou a se retirar em 2020, o exército afegão entrou em colapso e o governo central começou a ruir. Em maio de 2021, o Talibã iniciou uma grande ofensiva generalizada e em poucos meses dominou a maioria dos distritos do país. Em agosto daquele ano, eles entraram na capital Cabul, completando o colapso da república afegã. O Afeganistão é um país ao meio de um enclave montanhoso, com planícies a norte e sudoeste, localizado no sul da Ásia ou na Ásia Central. Faz parte do Grande Oriente Médio no mundo islâmico e fica entre as latitudes 29 N e 39 N e longitudes 60 E e 75 E. O ponto mais alto do país é Noshaq com m acima do nível do mar. Apesar de ter numerosos rios e reservatórios, grande parte do país está seco. A bacia endorreica de Sistan é uma das regiões mais secas do mundo. Além da chuva habitual que cai no Afeganistão, o país recebe neve durante o inverno no Indocuche e nas Montanhas Pamir, posteriormente, o derretimento dessa neve na primavera entra nos rios, lagos e riachos. No entanto dois terços da água do país flui para os países vizinhos do Irã, Paquistão e Turcomenistão. Em 2010, o Estado necessitava de mais de dois bilhões de dólares para reabilitar os sistemas de irrigação, de modo que o abastecimento de água pudesse ser gerido corretamente. Ao nordeste da cordilheira de Indocuche e em torno da Província de Badakhshan, existe uma área geologicamente ativa em que ocorrem fortes sismos, quase todos os anos. Eles podem ser mortais e destrutivos, por vezes, causando deslizamento de terra e no inverno avalanchas. Os últimos fortes terremotos ocorreram em 1998, em Badakhshan perto do Tajiquistão, matando 6 mil pessoas. Isto foi seguido pelos terremotos de 2002 em Indocuche, no qual mais de 150 pessoas morreram em vários países da região, e mais de mil ficaram feridos. O terremoto de 2010 deixou 11 afegãos mortos, mais de 70 feridos, e 2 mil casas destruídas. Os principais recursos naturais do país são: carvão mineral, cobre, minério de ferro, lítio, urânio, terra-rara, cromita, ouro, zinco, talco, barita, enxofre, chumbo, mármore, pedras preciosas e semipreciosas, gás natural, petróleo, entre outras coisas. Em 2010, funcionários do Estados Unidos e Afeganistão estimaram que os depósitos minerais inexplorados localizados, em 2007, pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos valem entre US$ 900 bilhões e US$ 3 trilhões. Tem de área, sendo então o 41° maior país do mundo, pouco maior que a França e menor que Myanmar. Faz fronteira com o Paquistão no sul e no leste, o Irã a oeste, Turcomenistão, Uzbequistão e Tajiquistão no norte, e a China no extremo oriente. O Afeganistão tem um clima continental com verões quentes e secos (apenas no extremo sudeste as monções trazem chuva) e invernos muito frios. Os ventos de oeste do inverno geralmente trazem chuvas moderadas. No inverno, devido à alta altitude do país, especialmente no norte, a queda de neve pode ocasionalmente atingir os vales. Climaticamente, o sul do país já pertence aos subtrópicos mais quentes, onde o cultivo de tamareiras é possível, enquanto o norte pertence à zona mais temperada. Em 2000, metade da população sofreu com uma das secas severas que ocorrem com frequência. Essas secas podem se tornar mais frequentes no futuro; o aquecimento global pode levar a menos chuvas, especialmente no inverno e na primavera (→ clima mais árido). No sudeste afetado pelas monções, por outro lado, espera-se que as quantidades de precipitação variem mais no verão; o aquecimento adicional da atmosfera também tornará o sistema de monções indiano mais instável. A agricultura (na qual muitos afegãos trabalham) pode ser particularmente afetada negativamente. É mais frio nas montanhas e terras altas ao redor desses lugares; de acordo com a fórmula da altitude, a temperatura do ar normalmente cai 0,65 °C a cada 100 m de altitude. Com a capital em Cabul e uma área de ; e 32 milhões de habitantes (46 hab./km²), o Afeganistão é um dos países mais pobres e inóspitos do mundo. A instabilidade política e os conflitos internos arruinaram a sua já débil economia e infraestruturas a tal ponto que um terço da população afegã abandonou o país. Segundo uma estimativa de 2006, a população cresce 2,67% ao ano. O índice de natalidade é de 46,6 por mil habitantes, enquanto o índice de mortalidade é 20,34 por mil habitantes. A taxa de mortalidade infantil é de 160,23 mortes por mil nascimentos. A expectativa de vida é de 43,34 anos. Em 2001, o país tinha diferentes grupos étnicos. Os pastós, que tradicionalmente dominaram o país, eram 52 por cento da população; os hazaras eram 19 por cento; os tajiques, que habitavam a porção mais ao norte, eram 21 por cento; os uzbeques, que também habitavam no norte, eram 5 por cento. Até a década de 1890, a região em torno de Nuristão era conhecida como Cafiristão (terra dos cafires ou cafir (incrédulos)), por causa de seus habitantes não muçulmanos, o nuristanis, um povo etnicamente distinto cujas práticas religiosas incluíam o animismo, politeísmo e xamanismo. Há pequenas minorias de cristãos, budistas, parsis, sikhs e hindus. O Afeganistão é um dos vários países islâmicos que prevê a pena de morte por apostasia ou blasfémia. O crime está presente em várias formas. As formas de criminalidade incluem o narcotráfico, o branqueamento de capitais, fraude, corrupção, etc. O Afeganistão é o maior produtor mundial de ópio. De 80 a 90% da heroína consumida na Europa provêm de ópio produzido no Afeganistão. O tráfico de ópio tornou-se um importante negócio ilegal no Afeganistão desde a queda do regime talibã, em 2001. De acordo com um inquérito realizado em 2007 pelo Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, 93% dos opiáceos no mercado mundial tiveram origem no Afeganistão. Outras formas de criminalidade incluem roubo, bem como sequestros e assaltos. Após o colapso da República Islâmica do Afeganistão como consequência da ofensiva talibã de 2021, as autoridades talibãs declararam o Emirado Islâmico como o novo governo nacional, o estabelecendo em setembro de 2021. Nenhum outro país reconheceria formalmente o Emirado Islâmico como o governo “de jure” do Afeganistão. Um instrumento tradicional de governança no Afeganistão é a loya jirga (grande assembleia), um grupo consultivo pastó que é organizado principalmente para escolher um novo chefe de Estado, que serve para adotar uma nova constituição ou para resolver questões nacionais ou regionais, como a guerra. Loya jirgas são realizadas desde 1747, com o mais recentemente acontecendo em agosto de 2020. Em setembro de 2021, o Talibã estabeleceu formalmente um novo governo mais permanente, composto inteiramente por homens, revertendo várias liberdades que as mulheres tinham, como participar da vida política nacional. Jornalistas e ativistas de direitos humanos, principalmente mulheres, protestaram em Herate e Cabul, pedindo que as mulheres fossem incluídas no gabinete de governo. Entre algumas das medidas tomadas estava a extinção do Ministério de Assuntos da Mulher. Hibatullah Akhundzada, líder do Talibã, é o atual emir, na função de Chefe de Estado supremo. Mohammad Hassan Akhund foi nomeado como chefe de governo na função de primeiro-ministro, com Sirajuddin Haqqani e Mullah Yaqoob assumindo posições de destaque dentro do governo. A Amnistia Internacional tem documentado tortura e maus tratos em numerosas instalações de detenção no Afeganistão. Jornalistas foram presos, espancados ou mortos. A pena de morte é muitas vezes aplicada. Muitas crianças sofrem casamentos forçados e a violência doméstica é generalizada. Há também abuso infantil e abuso sexual de crianças através da prática dos bacha bazi. Até à data, os hazaras no Afeganistão são discriminados e perseguidos. De acordo com a ONG Global Rights, cerca de 90% das mulheres afegãs sofrem abusos físicos e sexuais abuso psicológico e casamentos forçados, habitualmente ás mãos da própria família. Em 2012, o Afeganistão registou 240 casos de crimes de "honra", muito embora se acredite que o número real de casos é muito maior. Destes crimes reportados, 21% foram cometidos pelos maridos das vítimas, 7% pelos seus irmãos, 4% pelos pais e os restantes por outros familiares. A Comissão Independente dos Direitos Humanos do Afeganistão chegou também á conclusão de que 15% dos crimes de "honra" e violações foram cometidos por policiais afegãos. A AIHRC também afirmou que as instituições judiciárias culpam as vítimas de violação pelo crime e as condenam como castigo. Apesar dos testes de virgindade terem sido proibidos em 2016, continuam a ser efectuados, e caso o resultado não seja o que se espera, as mulheres afegãs podem ser presas ou executadas. A bandeira nacional do Afeganistão é a bandeira usada pelo grupo Talibã, que trocou a antiga bandeira do país pela bandeira do grupo. O emblema tem aparecido de alguma forma sobre a bandeira do Afeganistão desde o início da nação. A mais notável ausência foi durante a década de 1980 quando um regime comunista dominou o país, e nos finais dos anos 1990, durante o Estado do Talibã. A mais recente alteração do emblema foi a inserção da inscrição das shahada em árabe no topo do mesmo. Abaixo, está uma imagem de uma mesquita com um mehrab que se confronta com um local de oração em Meca. Anexa à mesquita estão duas bandeiras, tomadas de posição das bandeiras do Afeganistão. Abaixo da mesquita encontra-se uma inscrição que indica o nome da nação. Em torno da mesquita está uma grinalda vegetal. "Sorud-e Melli" (hino nacional) é o hino nacional, adoptado em 2006. De acordo com o artigo 20 da constituição do Afeganistão: "O hino nacional deverá ser em pastó e terá a menção "Alá é o maior", assim como os nomes das etnias do Afeganistão". O Afeganistão está dividido em 34 vilaietes ou províncias, as quais são divididas em distritos . O Afeganistão é um país extremamente pobre, com índice de desenvolvimento baixo e altos níveis de violência e desnutrição infantil. Muito dependente da agricultura (principalmente da papoula, matéria-prima do ópio) e da criação de gado. A economia sofreu fortemente com a recente agitação política e militar, e uma severa seca veio se juntar às dificuldades da nação entre 1998 e 2001. A maior parte da população continua a ter alimentação, vestuário, alojamento e cuidados de saúde insuficientes, e estes problemas são agravados pelas operações militares e pela incerteza política. A inflação continua a ser um problema sério. Depois do ataque da coligação liderada pelos Estados Unidos que levou à derrota dos Talibã em Novembro de 2001 e à formação da Autoridade Afegã Interina resultante do acordo de Bona de Dezembro de 2001, os esforços internacionais para reconstruir o Afeganistão foram o tema da Conferência de Doadores de Tóquio para a Reconstrução do Afeganistão em Janeiro de 2002, onde foram atribuídos 4,5 bilhões de dólares a um fundo a ser administrado pelo Banco Mundial. As áreas prioritárias de reconstrução são: a construção de instalações de educação, saúde e saneamento, o aumento das capacidades de administração, o desenvolvimento de setores agrícolas e o de reconstrução das ligações rodoviárias, energéticas e de telecomunicações. Dois terços da população vivem com menos de dois dólares por dia. A taxa de mortalidade infantil é de 160,23 por mil nascimentos. A partir de 2006 mais de quatro milhões de estudantes de ambos os sexos estavam matriculados em escolas por todo o país. No entanto, ainda existem obstáculos significativos à educação no Afeganistão, decorrentes da falta de financiamento, edifícios escolares inseguros e normas culturais. A falta de professoras é uma questão que diz respeito a alguns pais afegãos, especialmente em áreas mais conservadoras. Alguns pais ainda não permitem que as suas filhas sejam ensinadas por homens. A taxa de alfabetização está estimada (em 1999) em 36% — 51% para o sexo masculino e 21% para o feminino. Existem 9,5 mil escolas no país. Outro aspecto da educação que está mudando rapidamente no Afeganistão é o ensino superior. Após a queda do regime talibã, a Universidade de Cabul foi reaberta para estudantes de ambos os sexos. Em 2006, a Universidade Americana do Afeganistão também abriu suas portas, com o objectivo de proporcionar um mundo de classe, Inglês como língua, a coaprendizagem ambiente educacional no Afeganistão. A universidade aceita alunos provenientes do Afeganistão e os países vizinhos. Na Universidade de Balkh, localizada em Mazar-i-Sharif, um novo edifício foi projetado para a faculdade de engenharia em 2015. A obra, financiada pelo governo da Alemanha através do, foi orçada em 3,4 milhões de euros, com capacidade para 720 alunos dos departamentos de construção ferroviária, canalização, eletricidade, construção de estradas e engenharia civil. A rede rodoviária está atualmente sendo reconstruída e também está sendo ampliada. A chamada estrada do anel, a principal artéria do país, que interliga cerca de 60% da população, foi restaurada. Em 2007, 715 km de estrada já haviam sido renovadas. No entanto, a conclusão do último trecho de 400 km de extensão, que acabaria com a última lacuna no noroeste do país, está atrasada devido à precária situação de segurança local. Além disso, mais de 800 km de estradas secundárias foram renovados ou recém-criados em meados de 2007. A rede rodoviária toda é composta de km, dos quais são pavimentados. O rio Amu Dária, situado na fronteira, bem como o rio Panj são obstáculos naturais ao transporte terrestre para o Uzbequistão e o Tajiquistão, pois existem apenas algumas pontes sobre esses dois rios. Além disso, em alguns locais há um alto risco de minas e muitas estradas são frequentemente inundadas, dependendo da estação. Aplicam-se, no Afeganistão, os regulamentos de tráfego rodoviário da RDA. Existem mais de 60 aeroportos no Afeganistão, a maioria dos quais são simples pistas de cascalho. Os aeroportos maiores existem apenas em algumas cidades e são predominantemente usados pela Força Aérea dos Estados Unidos para fins militares. O maior aeroporto do país é o Aeroporto Internacional de Cabul. Mais de uma dúzia de companhias aéreas voam para destinos no Afeganistão, sendo que as principais companhias aéreas afegãs são a Ariana Afghan Airlines, a Kam Air e a Pamir Airways. O Afeganistão participou das Olimpíadas treze vezes desde 1936. Suas únicas medalhas foram dois bronzes, por intermédio do atleta Rohullah Nikpai, no taekwondo. O esporte nacional do Afeganistão é o buzkashi, onde os atletas a cavalo tentam levar a carcaça de uma cabra ou bezerro à linha de chegada. Outros esportes populares incluem o futebol e críquete. A seleção masculina afegã de futebol não teve destaque em torneios internacionais. Ela foi classificada na 153ª posição no ranking da FIFA em agosto de 2021. Por outro lado, a seleção feminina afegã, de futebol, foi classificada na 152.ª posição no ranking da FIFA nesta mesma data. O críquete, por outro lado, foi trazido por refugiados afegãos depois de voltarem do Paquistão para seu país.
A história do Afeganistão é marcada pela miscigenação e pelo confluir da influência de diversos povos e civilizações asiáticas, devido à sua posição geográfica estratégica, numa zona de transição, de altos conflitos geopolíticos e de movimentos migratórios. Por estar entre a Índia, a China, o Oriente Médio e a Europa Oriental, o Afeganistão tem uma grande importância como rota comercial, tendo servido historicamente como zona central da Rota de Seda. O Afeganistão como Estado surge em 1823 como "Emirado do Afeganistão", sendo controlado pelo Império Durrani. A criação desse Emirado ocorreu com a unificação de diversas tribos, como os pastós, tajiques, hazaras, usbeques e turcomenos, unificando-os como afegãos. Os primeiros registros escritos da terra do atual Afeganistão datam de aproximadamente 500 A.P, quando a área era controlada pelo Império Aquemênida. Outras evidências apontam para a existência de culturas urbanas avançadas entre 3000 e 2000 A.P. Alexandre o Grande e o Império Macedônico chegaram no que hoje é o Afeganistão por volta de 330 A.P, após a queda do Império Aquemênida durante a Batalha de Gaugamela. Após isso, inúmeros impérios e Estados se estabeleceram na região, incluindo o reino Greco-Báctrio, o Império Cuchana, o Império Sassânida, o Império Gúrida, a Dinastia Timúrida, o Império Hotaqui, o Império Durrani e muitas outras sociedades persianizadas. Podemos considerar que o primeiro gérmen nacionalista afegão nasceu durante este período, com a reforma religiosa de Zoroastro, que originou um reino monárquico organizado de tribos arianas. Em, a região é conquistada por Alexandre da Macedónia que aí estabeleceu várias cidades designadas por Alexandria. Essas cidades terão dado origem, provavelmente, a Candaar e a Cabul. A primeira Alexandria aí fundada, a “Alexandria dos Arianos” terá dado origem à actual Herate. Depois da morte de Alexandre, a Bactriana foi governada pelos Selêucidas até, ainda que as satrapias de Candaar, Cabul, Herate e Baluchistão tenham sido cedidas por Seleuco Nicátor, em cerca de, a Chandragupta, fundador do Império Máuria e avô de Asoca. Este último, que adotou o budismo como religião, é o autor do mais antigo documento escrito da história do Afeganistão, em grego e aramaico. Em forma-se, durante o seu reinado, o reino independente de Bactriana que se estenderá até cerca de . Este será um período particularmente florescente em termos culturais, com a afirmação de uma civilização greco-búdica nascida da troca de influências helênicas e indianas. A região terá tido, durante esta época, uma escrita própria. A partir do final do ou início do que invasões de tribos nômades indo-europeias vindas da Alta Ásia (primeiro, os Citas, depois, os Partos) darão fim a esta civilização. Nos dois primeiros séculos da era Cristã, a região foi integrada no Império Cuchana, nômades tornados sedentários vindos da China, que se estabeleceram a sul do Amu Dária. Os cuchanas alargaram o seu domínio ao noroeste da Índia, difundindo o budismo como religião de estado, e mantiveram-se na região até ao . O império, que teve o seu auge no reinado de, tornou-se num local de passagem de grande importância no intercâmbio entre o império Romano, a Índia e a China. As rotas das caravanas da Ásia Central, como a “Rota da seda”, ajudaram, por seu lado, à difusão do budismo na China. A zona ocidental da região foi, desde o, acometida pelos Sassânidas, havendo a realçar a invasão de ao Império Cuchana. No final do, início do V, a Báctria é assolada por uma horda de hunos brancos que segue em direcção à Índia, onde os Sassânidas, aliados aos turcos, os derrotam em 568. A região é então partilhada por várias potências, de forma algo complexa. O bramanismo hindu terá nessa altura uma importância decisiva, sendo reafirmada com a dinastia dos Xás de Cabul, substituindo o budismo. Quando os árabes conquistam a região, no (a conquista de Herat dá-se a 651), encontrarão, assim, alguma resistência à implantação do islamismo que, contudo, impor-se-á definitivamente na primeira metade do . A região passará a ser designada pelos árabes como Coração (País de Leste). Formaram-se, então, duas dinastias autónomas: os Safávidas e os Samânidas. Os últimos terminam o seu poderio no, passando a região a ser controlada por diversas dinastias turcas. No, os mongóis invadem o território, liderados por Gengis Cã, causando uma devastação que será depois continuada por Tamerlão, à frente dos turco-mongóis. Estes últimos, contudo, serão absorvidos pela cultura islâmica, promovendo mais tarde um certo renascer civilizacional. Com a descoberta do caminho marítimo para a Índia, a rota da seda deixa de ter a importância que tinha e leva ao abandono do Coração. O grupo étnico dos pachtuns começa então a ganhar alguma importância em relação às outras etnias, principalmente depois de Mir Waïss e do seu filho, Mir Mahmud, que conquistou a capital do Irão, Isfahan. O seu sucessor será considerado um tirano, de modo que é deposto por Nadir Xá, que prosseguirá a política de conquistas (Candaar e Cabul, em direcção a Deli, na Índia). Em 1747, Ahmed Shah Durrani, o fundador do moderno Afeganistão, estabeleceu seu domínio. Durrani, um pachtun, foi eleito pela primeira Loya Jirga após o assassinato do monarca persa, Nadir Shah, que teve lugar no mesmo ano em Khabushan. Durante seu reinado, os Durrani consolidaram em uma só nação tribos, pequenos principados e províncias fragmentadas. Seu poder prorrogou a partir de Mashhad, no oeste da Caxemira, para o leste de Delhi, do rio Amu Dária ao norte, com o Mar Arábico ao sul. Com exceção de um período de nove meses em 1929 até o golpe marxista de 1978 todos os governantes do Afeganistão vieram da confederação tribal de pachtuns Durrani, e a partir de 1818 foram todos membros do clã Mohammadzai daquela tribo. Os britânicos transformaram-se na potência principal no subcontinente indiano depois do Tratado de Paris de 1763, mas a coleção de pequenos príncipes e de tribos guerreiras que compunham o Afeganistão não lhes interessou até ao . Em 1809, sem saber em que direção iam as ambições de Napoleão Bonaparte, ainda fizeram um pacto com o líder de uma das facções em que se tinha estilhaçado a Dinastia Durrani, na região. Foi então que o Império Russo começou a ganhar vantagem na região afegã para pressionar a Índia britânica. O confronto entre os impérios britânico e russo expandiram significativamente influenciando o Afeganistão durante o no que foi denominado "Grande Jogo". A preocupação britânica com os avanços russos na Ásia Central e a influência crescente na Pérsia culminaram em duas guerras anglo-afegãs e o "Cerco de Herat" entre 1837-1838, em que os persas, tentando retomar o Afeganistão e expulsar os britânicos e os russos, enviou exércitos no país e lutou contra os exércitos britânicos na maior parte ao redor e na cidade de Herat. A potência principal no Afeganistão era Doste Maomé Cã. Entre 1818 e 1835 tinha unido a maioria dos povos afegãos sob o seu domínio. Em 1837, os britânicos tinham-lhe proposto uma aliança por temerem uma invasão Russo-Persa do Afeganistão. Entretanto os britânicos e Doste Maomé desentenderam-se e os britânicos decidiram invadir o país na chamada Primeira Guerra Anglo-Afegã (1839-1842), que resultou na destruição do exército britânico, é lembrado como um exemplo da ferocidade da resistência afegã ao domínio estrangeiro. Em 1839, entre abril e agosto, os britânicos conquistaram as planícies e as cidades de Candaar no sul, Gásni e Cabul, a capital. Doste Maomé rendeu-se e foi exilado na Índia, e os britânicos colocaram Xá Xujá no poder. Mas grande parte do país continuava a opor-se ativamente aos britânicos, sendo o filho de Doste Maomé, Aquebar Cã, o mais ativo. Em novembro de 1841, um antigo oficial britânico, Sir Alexander 'Sekundar' Burnes, e os seus ajudantes foram mortos por uma multidão em Cabul. As forças britânicas acantonadas no exterior de Cabul não agiram de imediato. Nas semanas seguintes os generais britânicos Elphinstone e McNaghten tentaram negociar com o Akbar Khan, mas McNaghten foi morto numa das reuniões. Em janeiro de 1842, Elphinstone seguiu uma estratégia incomum: os britânicos e os seus seguidores saíram de Cabul e tentaram voltar a Peshwar. A caravana era composta por 15 a 30 000 pessoas. Apesar de Akbar Khan ter dado garantias de segurança, os britânicos foram atacados durante toda a viagem. Oito dias após ter deixado Cabul um sobrevivente conseguiu chegar a Jalalabad. Shah Sujah foi assassinado e Doste Maomé reconquistou o trono, governando até 1863. Doste Maomé foi sucedido pelo filho Sher Ali (Akbar Khan morreu em 1845). Depois de uma algumas lutas internas em 1860, Sher Ali aproximou-se da Rússia czarista, que tinha estendido sua influência ao Turquemenistão. Em consequência desta amizade política, em novembro de 1878 os britânicos invadiram outra vez o Afeganistão e voltaram a tomar Cabul iniciando a Segunda Guerra Anglo-Afegã (1878-1880). Sher Ali fugiu para o norte do Afeganistão mas morreu em Mazar-i-Sharif antes que pudesse organizar todas as forças. Os britânicos apoiaram o filho de Shir Ali, Yaqub Khan, como o sucessor e o forçaram a assinar o Tratado de Gandumak. Era um tratado extremamente desfavorável e colocou os povos afegãos contra aos britânicos. Por volta de 1881 os britânicos tinham bastado a si mesmos e a despeito da vitoriosa carnificina na batalha de Maiwand, em julho de 1880, saíram. Os britânicos dominaram algum território e mantiveram sua influência, mas em um golpe a seu favor, colocaram Abdur Rahman no trono. Um homem leal aceitável para britânicos, russos e para o povo afegão. Durante o seu reinado (1880-1901), os britânicos e os russos criaram oficialmente os limites do que se tornaria o Afeganistão moderno. Os britânicos mantiveram o controle efetivo sobre assuntos estrangeiros de Cabul. Governou o Afeganistão de forma firme até 1901 e foi sucedido por seu filho Habibullah Khan. Na Convenção de São Petersburgo em 1907 a Rússia concordou que o Afeganistão ficasse fora de sua esfera de influência. Habibullah, que conseguiu manter a neutralidade do Afeganistão durante a Primeira Guerra Mundial e assistiu ao primeiro movimento pela adopção de uma constituição no país, foi assassinado por nacionalistas em 1919 e substituído por seu filho Amanullah Khan. Amanullah declarou a independência total e provocou a Terceira Guerra Anglo-Afegã. Após muita discordância, os britânicos concordaram com autonomia plena. Em agosto de 1919, o Tratado de Rawalpindi foi assinado. Amanullah fez também reformas profundas na política interna do país, ao abolir a servidão. Chegou, inclusive, a tocar no estatuto da mulher, o que provocou descontentamentos e o obrigou a exilar-se. O rei Amanullah Khan moveu-se para acabar com o isolamento tradicional do seu país nos anos seguintes a terceira guerra anglo-afegã. Ele estabeleceu relações diplomáticas com a maioria dos grandes países e, após 1927 com a Europa Ocidental e a Turquia (durante o qual ele observou a modernização e a secularização avançada por Atatürk), introduziu várias reformas destinadas a modernizar o Afeganistão. Uma força-chave por trás dessas reformas foi Mahmud Tarzi, ministro da relações exteriores de Amanullah Khan, e pai-de-lei - e um fervoroso adepto da educação das mulheres. Ele lutou para que o artigo 68 da primeira Constituição do Afeganistão (declarado através de uma Loya Jirga), que tornou obrigatório o ensino fundamental. Algumas das reformas que foram realmente postas em prática, como a abolição do véu muçulmano tradicional para as mulheres e a abertura de um número de escolas coeducativas, rapidamente afastou muitos líderes tribais e religiosos. Confrontado com a esmagadora oposição armada, Amanullah foi forçado a abdicar em janeiro de 1929 depois que Cabul caiu por forças lideradas por Habibullah Kalakani. O Príncipe Mohammed Nadir Khan, primo de Amanullah Khan, por sua vez derrota e executa Habibullah Kalakani no início de novembro de 1929. Ele logo foi proclamado como rei Nadir Khan. Começou por consolidar o poder e regenerar o país. Abandonou as reformas de Amanullah Khan, em favor de uma abordagem mais gradual para a modernização. Em 1933, porém, foi assassinado em uma vingança por um estudante de Cabul. Mohammad Zahir Shah, filho de Nadir Khan de 19 anos, assumiu o trono e reinou de 1933 a 1973. Até 1946, Zahir Shah reinou com a ajuda de seu tio Sardar Mohammad Hashim Khan, que ocupou o posto de Primeiro-Ministro e continuou as políticas de Nadir Shah. Em 1946, outro dos tios de Zahir Shah, Sardar Shah Mahmud Khan, tornou-se primeiro-ministro e iniciou uma experiência que permitiu uma maior liberdade política, mas reverteu a política quando ela foi mais longe do que esperava. Em 1953, ele foi substituído como primeiro-ministro por Mohammed Daoud Khan, primo e cunhado do rei. Daoud buscou uma relação mais estreita com a União Soviética e mais distante do Paquistão. No entanto, as disputas com o Paquistão levaram a uma crise econômica e ele foi convidado a se demitir em 1963. De 1963 até 1973, Zahir Shah assumiu um papel mais ativo. Em 1964, o rei Zahir Shah promulgou uma constituição liberal, que prevê uma legislatura bicameral em que o rei nomeou um terço dos deputados. O povo elegeu um terço, e o restante foram selecionados indiretamente pelas assembleias provinciais. Apesar do "experimento da democracia" Zahir produziu poucas reformas duradouras, que permitiu o crescimento de partidos extremistas não oficiais tanto de esquerda quanto de direita. Estes incluíram o comunista Partido Democrático do Povo do Afeganistão, que tinha laços ideológicos estreitos com a União Soviética. Em 1967, o PDPA se dividiu em duas grandes facções rivais: o Khalq (massas) foi dirigido por Nur Mohammad Taraki e Hafizullah Amin, que foram apoiados por elementos dentro das forças armadas, e os Parcham (insígnia), liderado por Babrak Karmal. Em meio a acusações de corrupção e prevaricação contra a família real e as más condições econômicas criadas pela grave seca de 1971-1972, o ex-primeiro-ministro Mohammad Sardar Daoud Khan, que era primo do Rei Zahir tomou o poder em um golpe de Estado sem violência em 17 de julho de 1973, enquanto Zahir Shah estava recebendo tratamento para problemas oculares e terapia para a lombalgia na Itália. Daoud aboliu a monarquia, revogou a Constituição de 1964, e declarou o Afeganistão uma república com ele como seu primeiro presidente e primeiro-ministro. Suas tentativas de realizar as reformas econômicas e sociais necessárias reuniram-se com pouco sucesso, e a nova Constituição promulgada em fevereiro de 1977 não conseguiu acabar com a instabilidade política crônica. As modificações manifestadas na sociedade afegã também ajudaram ao golpe de Estado: a família real tinha, insolitamente, estabelecido relações de colaboração com a esquerda contrária à monarquia tradicional, apoiada nos chefes das tribos mais influentes (principalmente, os pachtuns). Daud prosseguirá uma política de aproximação aos países muçulmanos, principalmente com a Arábia Saudita e com o Xá do Irã, e realizou uma reforma agrária mal concebida, que foram mal interpretadas por praticamente todos os afegãos. O Governo proibiu também, no processo, a usura. O PDPA convidou a União Soviética para ajudar na modernização da infra-estrutura econômica do país (principalmente a sua exploração e lavra de minerais raros e gás natural). A URSS enviou também contratados para construir estradas, hospitais e escolas e para perfurar poços de água, também treinaram e equiparam o exército afegão. Após a ascensão do PDPA ao poder, e o estabelecimento da RDA, a União Soviética prometeu ajuda monetária no valor de pelo menos 1,262 bilhões dólares. Ao mesmo tempo, os comunistas impuseram uma tirania sobre o povo afegão; prenderam, torturaram ou assassinaram milhares de membros da elite tradicional, das instituições religiosas, e os intelectuais. mas os mais recentes relatórios afirmam que a Arábia Saudita e os Estados Unidos forneceram até US$ 40 bilhões em dinheiro e armas, para a criação de grupos islâmicos contra a União Soviética. Os Estados Unidos passaram mais do seu apoio através do ISI paquistanês. A Arábia Saudita também prestou apoio financeiro. Líderes como Ahmad Shah Massoud receberam apenas um auxílio menor em comparação com Gulbuddin Hekmatyar e alguns dos outros partidos, embora Massoud foi nomeado o "afegão que venceu a Guerra Fria" pelo Wall Street Journal. A ocupação soviética de 10 anos resultou na morte de entre 600 000 e dois milhões de afegãos, a maioria civis. Cerca de 6 milhões de refugiados afegãos fugiram para o Paquistão e o Irã, e de lá fez mais de 38 000 para os Estados Unidos e muitos mais para a União Europeia. Confrontados com a crescente pressão internacional e grande número de baixas em ambos os lados, os soviéticos se retiraram em 1989. Sua retirada do Afeganistão foi vista como uma vitória ideológica nos Estados Unidos, que havia apoiado algumas facções mujahidins através de três administrações presidenciais dos Estados Unidos para combater a influência soviética na proximidade da região rica em petróleo do Golfo Pérsico. A URSS continuou a apoiar o presidente Mohammad Najibullah (ex-chefe do serviço secreto afegão, KHAD) até 1992. O período de 1989 a 1992, da assim chamada Guerra Civil Afegã, começou depois que os soviéticos se retiraram do Afeganistão, deixando os comunistas afegãos a defender-se contra os mujahidins. Surpreendentemente, o regime sobreviveu à retirada dos soviéticos e à progressiva redução da ajuda econômica e militar. As ofensivas guerrilheiras, fortalecidas pela continuidade da ajuda externa, não conseguiram derrubar o governo, nem chegar a um acordo para formar uma nova administração. A capital Cabul se transformara numa cidade-Estado, onde refugiados do campo e segmentos urbanos apoiavam o governo. Com a dissolução da União Soviética a ajuda foi completamente cortada, levando ao colapso do governo. A fase de 1992 a 1996 da Guerra Civil Afegã começou com a renúncia do presidente Najibullah do Governo do Afeganistão e a entrada dos grupos mujahidins em Cabul. O combate envolveu múltiplas facções até os talibãs entraram na cidade em 1996, foi amplamente combatido em três frentes. O Oeste da cidade era controlado em grande parte por Hezbe Wahdat e o Jamiat-e Islami aliado de Ittehad-I-Islami. O norte da cidade estava sob controle das forças de Ahmad Shah Massoud e Jamiat-e Islami, enquanto o Sul estava em grande parte sob o controle de Gulbuddin Hekmatyar do Hezbi Islami. Uma Loya Jirga – conselho de notáveis formado por líderes tribais, autoridades religiosas e anciãos – instala um governo islâmico moderado, liderado por Burhanuddin Rabbani; entretanto o poder de fato fica com os chefes militares regionais corruptos e bandos armados. Assim, os partidos políticos no Afeganistão chegaram a acordo sobre um acordo de paz e partilha do poder (os Acordos de Peshawar). Os Acordos de Peshawar criaram o Estado Islâmico do Afeganistão, e nomeou um governo interino para um período de transição. Os remanescentes do regime derrubado juntaram-se a diferentes grupos, que tenderam a se agrupar por etnias. Estes, por sua vez, recebiam apoio externo de potências regionais, desejosas de ocupar o vazio de poder provocado pela desintegração da URSS. Muitos dos partidos vinculavam-se aos novos países da Ásia Central, em que sua etnia era majoritária. Mas havia uma divisão dominante: os moderados (como Massud), desejosos de um governo de coalizão e independência externa, e os fundamentalistas (como Hekmatyar), ligados ao Paquistão e ao Ocidente. O governo do presidente Rabbani, foi reconhecido internacionalmente, mas combatido por Hekmatyar. Os países recém-independentes da Ásia central, abastados em petróleo e situados entre a Rússia e a China, constituíam uma nova realidade geopolítica, ambicionada pelo Ocidente. O Afeganistão, localizado entre o Irã e a China, ocupava uma posição importante, representando o único acesso à região. Assim, as companhias sauditas e estadunidenses desejavam construir um oleoduto ligando o petróleo do Mar Cáspio ao Oceano Índico, evitando desse modo, a Rússia e o Irã. Assim, necessitavam de um governo servil em Cabul. Em 1995, o Hezb-i-Islami de Gulbuddin Hekmatyar, o Hezb-i Wahdat apoiado pelo Irã, assim como as forças Junbish de Abdul Rashid Dostum foram derrotados militarmente na capital Cabul por forças do governo interino de Massoud que posteriormente tentou iniciar um processo de política nacional com o objetivo de consolidação nacional e eleições democráticas. O Paquistão buscou, então, uma alternativa, com ajuda estadunidense e saudita, seus serviços de inteligência recrutaram entre os campos de refugiados os estudantes das madrassas, uma poderosa milícia, oferecendo treinamento, armas, dinheiro e apoio aéreo. Num país economicamente devastado, socialmente esgotado e politicamente decepcionado com a continuação da guerra civil pelos partidos tradicionais, o surgimento deste grupo em 1994, que pregava a unidade, a ordem, o fim da guerra e a criação de um Estado islâmico “puro”, passou a ser visto para amplos segmentos da população como a única organização capaz de proteger os afegãos dos desmandos praticados pelas diversas facções guerrilheiras. Após a conquista de Candaar e Herat, no oeste, eles avançaram gradativamente rumo à capital. A fase mais recente da guerra civil afegã - que já dura duas décadas - tem início em 1992, quando uma aliança de movimentos guerrilheiros derruba o regime pró-comunista de Mohammad Najibullah. As negociações para a formação de um governo de coalizão degeneram em confrontos, e, em 1996, o Talibã (milícia sunita de etnia patane, a mais numerosa do país) assume o poder e implanta um regime fundamentalista islâmico. Cerca de 1 milhão de pessoas morrem na guerra. Outros 2,5 milhões estão refugiados em países vizinhos. Lutas subsequentes entre as várias facções mujahidin, permitiram que os fundamentalistas do Talibã pudessem se apropriar da maioria do país. Além da rivalidade civil continuada, o país sofre de enorme pobreza, de uma infraestrutura devastada, e da exaustão de recursos naturais. Nos últimos dois anos, o país sofre com a seca. Estas circunstâncias conduziram três a quatro milhões de afegãos a sofrerem de inanição. O Talibã começou a bombardear Cabul, no início de 1995, mas foram derrotados pelas forças do governo do Estado Islâmico sob Ahmad Shah Massoud. Em 26 de setembro de 1996, o Talibã com apoio militar por parte do Paquistão e o apoio financeiro da Arábia Saudita preparou para uma outra grande ofensiva contra Massoud que ordenou uma retirada completa de Cabul. Os talibãs tomaram Cabul em 27 de setembro de 1996, derrubaram e colocaram em fuga o presidente Burhanuddin Rabbani, e estabeleceram o Emirado Islâmico do Afeganistão. Na verdade, torna-se presidente Mulá Mohammed Omar, com o Talibã controlando 75% do território afegão. Os adversários foram executados e Najibullah foi capturado, quando se encontrava refugiado na representação da ONU. Ele e seu irmão foram castrados, enforcados e, após, trucidados em praça pública. Desde então, o Talibã estabelece um regime teocrático com base em uma interpretação fundamentalista da sharia, revogando todo conselho eleito (começando pelo Parlamento); ordenou-se a destruição de bibliotecas, de televisores e vídeos, além de obrigar os homens a usar barbas e padronizar o corte de cabelo e o vestuário masculino e feminino, o novo regime instituiu também regras que restringiram severamente a liberdade das mulheres (como a exigência de usar a burca). Estas medidas de controle chegaram a tal ponto que as janelas das casas deveriam estar preparadas para que ninguém possa ver as mulheres da casa de fora. Eram obrigadas a usar sapatos silenciosos e não podiam falar livremente. Durante os anos do regime talibã, as mulheres eram proibidas de trabalhar ou sair sem estarem acompanhadas por um membro da família do sexo masculino. As mulheres com carreiras como médicas ou advogadas, perderam seus empregos e permaneceram confinadas em suas casas. O resultado direto é que as famílias em que não havia ninguém para fornecer renda eram obrigados a mendigar ou a morrer de fome. Além disso, os hospitais e os cuidados de saúde para as mulheres eram escassos, pois os médicos do sexo masculino não poderiam atendê-las. Casos de depressão aumentaram a um ritmo alarmante entre as mulheres, bem como o número de suicídios. Muitas mulheres escolheram o suicídio em vez de viver sob a opressão e a injustiça. Após a queda de Cabul, Ahmad Shah Massoud e Abdul Rashid Dostum, anteriormente arquiinimigos, criaram a Frente Unida (Aliança do Norte) contra os talibãs que estavam preparando ofensivas contra as demais áreas no âmbito do controle de Massoud e aquelas sob o controle de Dostum. A Frente Unida, incluído ao lado das forças de Massoud dominantemente tadjiques e as forças uzbeques de Dostum, facções hazaras e forças pashtuns sob a liderança dos comandantes, como Abdul Haq, Haji Abdul Qadir, Qari Baba ou o diplomata Abdul Rahim Ghafoorzai. Desde a conquista do Talibã em 1996 até novembro de 2001, a Frente Unida controlou cerca de 30% da população do Afeganistão, em províncias como Badaquistão, Capisa, Takhar e partes de Parwan, Kunar, Nuristão, Laghman, Samangan, Kunduz, Ghor e Bamiã. De acordo com um relatório de 55 páginas pelas Nações Unidas, o Talibã, enquanto tenta consolidar o controle sobre o Afeganistão do norte e oeste, cometeram massacres sistemáticos contra civis. O Talibã tinha como alvo especialmente as populações de de religião xiita ou etnia hazara. Entre mortos em Mazar-i-Sharif foram vários diplomatas iranianos. Outros foram seqüestrados pelo Talibã, desencadeando uma crise de reféns que praticamente escalou para uma guerra em grande escala, com 150 mil soldados iranianos se concentrando na fronteira com o Afeganistão ao mesmo tempo. Foi mais tarde admitido que os diplomatas foram mortos pelo Talibã, e seus corpos foram levados para o Irã. Os documentos também revelam o papel das tropas de apoio árabes e paquistanesas nestas mortes. O presidente paquistanês, Pervez Musharraf - então como chefe do Exército - foi responsável pelo envio de milhares de paquistaneses para lutar ao lado do Talibã e Bin Laden contra as forças de Massoud. No total, foram creditados a 28 mil paquistaneses combatendo no Afeganistão. Bin Laden enviou recrutas árabes para se unir à luta contra a Aliança do Norte. Fracassam, em meados de 1999, as negociações de paz - patrocinadas pela Arábia Saudita - entre o governo fundamentalista islâmico do Talibã e a Frente Islâmica Unida de Salvação do Afeganistão, agrupamento de facções étnicas e tribais de oposição sob a liderança do ex-ministro da Defesa Ahmed Shah Massud. Sob o governo do Talibã, o país corre o risco de transformar-se no epicentro de conflitos regionais. O Irã ameaçou deslocar tropas em defesa da minoria xiita afegane. O governo indiano acusa o Talibã de apoiar os separatistas muçulmanos na Caxemira. E a Federação Russa denuncia o envolvimento do Afeganistão com os separatistas muçulmanos da Chechênia e do Daguestão. Os Estados Unidos, que armaram os guerrilheiros islâmicos durante a invasão soviética do Afeganistão (1979-1989), agora pressionam o Talibã para que extradite o milionário saudita Osama Bin Laden, responsabilizado pelos ataques terroristas a suas embaixadas na África (no Quênia e na Tanzânia). Como resultado deste atentado, em agosto de 1998, os Estados Unidos bombardearam campos afegãos da Al-Qaeda, em retaliação. A ONU impõe sanções econômicas ao país em novembro de 1999 até que Bin Laden seja entregue a um tribunal internacional. Em janeiro de 2000, a ONU ampliou as sanções, decretando um embargo de armas, o fechamento dos escritórios internacionais da Ariana, a linha aérea afegã, e o congelamento dos bens do regime no exterior. A 10 de setembro, a oposição armada Frente Unida anuncia que o líder Ahmed Shah Massud sofreu o atentado no dia anterior por 2 falsos jornalistas árabes da Argélia; suspeita-se que o atentado foi ordenado pelo Bin Laden. Dois dias depois do assassinato de Massoud, 3 000 pessoas morreram em solo dos Estados Unidos nos ataques de 11 de setembro de 2001. O atentado às Torres Gêmeas, cometido em Nova Iorque quando eram 17h e 15m no Afeganistão, não é noticiado nesse país, tornando-se o único a não falar do assunto. Na madrugada do dia 12 de setembro, um bombardeio atribuído por forças da Frente Unida às 1h e 45m, ataca o Aeroporto de Cabul, sendo transmitido pela CNN, que chegou ser atribuído por Estados unidos, que negaram o ataque. Os atentados de 11 de setembro são atribuídos a Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, protegido pelo Talibã. Os Estados Unidos pedem ao Talibã sua extradição para as autoridades dos Estados Unidos e a dissolução das bases da Al-Qaeda no Afeganistão, o que são recusados. Assim, as forças aéreas britânicas e estadunidenses começam a bombardear os alvos do Talibã e da Al-Qaeda no Afeganistão durante a Operação Liberdade Duradoura. No terreno, os Estados Unidos, forças aliadas e o grupo resistente afegão da Aliança do Norte lançaram uma campanha militar a 7 de outubro de 2001, às 20h e 57m do Afeganistão. Estes ataques levaram à queda de Mazar-i-Sharif e Cabul em novembro de 2001, com os talibãs e a Al-Qaida se retirando para a fronteira montanhosa com o Paquistão, a Linha Durand. Sob o bombardeio americano no Afeganistão foram mortos cerca de 14 000 pessoas (3 800 civis e mais de 10 mil combatentes do Talibã); mais de 20 000 morrerão da doença e pela fome causadas pela guerra. Sob os auspícios da ONU, em 5 de dezembro de 2001, reuniu-se as facções afegãs em Bonn e são eleitos 30 membros do governo provisório, liderado por Hamid Karzai, antigo ministro da Defesa e ex-assessor da companhia petrolífera americana Unocal, e em estreitos contatos com a CIA. Após seis meses de governo, o antigo rei Zahir Shah convocou uma Loya Jirga, que elegeu Karzai como presidente e deu-lhe a autoridade para governar por mais dois anos. Em dezembro de 2001, depois que o governo talibã foi deposto e o novo governo afegão de Hamid Karzai se formou, a Força Internacional de Assistência para Segurança foi criado pelo Conselho de Segurança da ONU para ajudar a ajudar o governo de Karzai e oferecer a segurança básica ao povo afegão. De 2002 em diante, os talibãs começaram a reagrupar enquanto mais tropas da coalizão entraram na guerra escalada norte-americana com os insurgentes. Enquanto isso, a OTAN assumiu o controle da ISAF em 2003 e a reconstrução do Afeganistão começou, sendo financiada pela comunidade internacional, especialmente pela USAID e outras agências dos Estados Unidos. A União Europeia, Canadá e Índia também desempenham um papel importante na reconstrução. Em 9 de outubro de 2004, Karzai é confirmado chefe de Estado na primeira eleição presidencial direta na história do Afeganistão. Entretanto, o poder de Karzai não vai além dos limites da capital, isso porque o resto do país continua nas mãos dos senhores da guerra sólidamentes ligados a movimentos mujahidin e ao comércio de ópio. Os poderosos líderes derrubados (como o Mulá Omar) pelos Estados Unidos se refugiam no Paquistão, entre 2002 e 2004, e passam a fazer incursões no sul do país, causando a morte de quase 5 000 pessoas, incluindo 200 soldados americanos. Em 2005, os talibãs avançam em sua força e agora se estendem a todas as províncias do sul e do centro do país. Isso foi possível graças ao comércio de ópio que nunca se cessou e ao financiamento secreto paquistanês. Assim que os Estados Unidos começaram a bombardear posições militares do país, passaram a caçar e prender terroristas no Afeganistão e envia-los para a base militar na Baía de Guantánamo em Cuba. O governo Bush afirmou que se tratava de combatentes ilegais, e que portanto eles não teriam direito ao tratamento de prisioneiros de guerra, que é regido pelas Convenções de Genebra e reconhece certos direitos básicos, que estariam sendo negados aos presos. Como Guantánamo, apesar de ser uma base norte-americana instalada em território de Cuba contra a vontade desse país, tecnicamente não é território dos Estados Unidos, arrasta-se na Corte Suprema dos Estados Unidos a discussão se os presos têm direito a advogado, a ver familiares e a serem submetidos a um julgamento justo, ou se podem ser sentenciados à morte por uma corte militar sem que a evidência utilizada seja submetida a um debate contraditório. Inicialmente, a operação norte-americana no Afeganistão teve mais sucesso que no Iraque, desmantelando boa parte do grupo terrorista Al Qaeda que estava sediado no país. Contudo, não devolveu a paz que a nação perdeu desde a invasão soviética. As províncias continuam dominadas pelos senhores da guerra, o Talibã reagrupa-se nas escolas islâmicas do outro lado da fronteira com o Paquistão e a administração local está longe de ser eficiente e honesta. Assim, o Afeganistão continua sendo um dos países mais pobres do mundo, devido aos resultados de 30 anos de guerra, a corrupção entre os políticos de alto nível e a crescente insurgência do Talibã apoiados pelo Paquistão. Os oficiais dos Estados Unidos também acusam o Irã de fornecer suporte limitado para os talibãs, mas afirmaram que é "a um nível pequeno", pois "não é do seu interesse ver o Talibã, um elemento extremista sunita ultraconservador, voltar a assumir o controle do Afeganistão". O Irã tem sido historicamente um inimigo do regime talibã. A OTAN e as tropas afegãs nos últimos anos realizaram muitas ofensivas contra o Talibã, mas estas provaram serem incapazes de desalojar completamente a sua presença. Em 2010, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama implantou um adicional de 30 000 soldados ao longo de um período de seis meses e propôs que começará a retirada de tropas até 2012. Em 12 de Agosto de 2010, documentos vazados no site Wikileaks revelam diversas falsificações de informações oficiais que indicam que a oposição no Afeganistão está muito mais forte que o esperado. Em 7 de Outubro de 2010, membros do Talibã soltam nota afirmando controlar 75% do país, bem como todas as principais estradas no País. Em dezembro de 2014, após treze anos, os Estados Unidos e a OTAN oficialmente encerraram suas operações militares no Afeganistão. O novo governo local, liderado pelo presidente Ashraf Ghani ainda enfrenta divisões internas e uma insurgência cada vez mais ativa. Desde 2016, o Talibã lentamente começou a se reconstruir, ao ponto que em 2020, eles já estavam mais fortes do que qualquer período na década anterior. Em 2020, os Estados Unidos começou sua retirada do Afeganistão, que aumentou consideravelmente em 2021. Aproveitando-se da situação incerta, o Talibã iniciou uma grande ofensiva contra o governo central afegão, tomando grandes porções do país. Em 15 de agosto de 2021, a capital Cabul foi tomada pelos talibãs, o Presidente Ashraf Ghani fugiu do país e o governo afegão entrou em colapso, com o Talibã assumindo como o novo governo.
Argentina, oficialmente República Argentina, é o segundo maior país da América do Sul em território e o terceiro em termos de população, constituída como uma federação de 23 províncias e uma cidade autônoma, Buenos Aires, capital do país. É o oitavo maior país do mundo em área territorial e o maior entre as nações de língua espanhola, embora México, Colômbia e Espanha, que possuem menor território, sejam mais populosos. A área continental da Argentina está entre a cordilheira dos Andes a oeste e o oceano Atlântico, a leste. Faz fronteira com o Paraguai e Bolívia ao norte, com o Brasil e Uruguai a nordeste e com o Chile a oeste e sul. A Argentina reivindica uma parte da Antártida, sobrepondo as reivindicações do Chile e do Reino Unido no continente antártico, mesmo após todas as reivindicações terem sido suspensas pelo Tratado da Antártida de 1961. O país reivindica ainda as Ilhas Malvinas e Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, que são administradas pelo Reino Unido como territórios britânicos ultramarinos. O mais antigo registro de presença humana na área atualmente conhecida como Argentina é datado do período paleolítico. A colonização espanhola iniciou-se em 1512. A Argentina emergiu como o Estado sucessor do Vice-Reino do Rio da Prata, uma colônia espanhola fundada em 1776. A declaração e a luta pela independência (1810–1818) foi seguida por uma longa guerra civil, que durou até 1861 e terminou com a reorganização do país em uma federação de províncias, com a cidade de Buenos Aires como capital. Durante a segunda metade do século XX, a Argentina enfrentou vários golpes militares e períodos de instabilidade política, juntamente com crises econômicas periódicas que contiveram seu pleno desenvolvimento econômico e social. Uma potência média reconhecida, a Argentina é uma das maiores economias da América do Sul, com uma classificação muito alta no Índice de Desenvolvimento Humano. Na América Latina, a Argentina possui o quinto maior PIB per capita (nominal) e o maior PIB per capita em paridade do poder de compra. Analistas argumentam que o país tem "uma forte base para o crescimento futuro devido ao tamanho do seu mercado, aos níveis de investimento direto estrangeiro e ao percentual de exportações de alta tecnologia como parte do total de bens manufaturados" e é classificado pelos investidores como uma economia emergente. A Argentina é um membro fundador da Organização das Nações Unidas, do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas e da Organização Mundial do Comércio e continua sendo um dos G20. O primeiro gentílico aplicado pelos europeus ao povo habitante da atual Argentina foi o termo castelhano "rioplatense". O nome foi dado por um equívoco feito por Sebastião Caboto em 1526, quando passou pelo estuário do Rio Uruguai e o chamou de Rio de La Plata ("Rio da Prata"), enganado pelo metal precioso que encontrou nas mãos de alguns indígenas, sem saber que eles o haviam tomado dos marinheiros da expedição portuguesa dirigida por Aleixo Garcia. Embora o equívoco tenha se esclarecido pouco depois, o nome manteve-se e logo o gentílico "rioplatense" aplicou-se em espanhol para designar os habitantes de ambas as margens do Rio da Prata, o qual os índios chamavam de Paraná-Guazú (termo que, traduzido da língua guarani, significa "mar gigante"). No entanto, grandes áreas do interior eram aparentemente despovoadas durante um extenso período de secas entre 4000 e 2000 a.C.. Até o período da colonização europeia, a Argentina era relativamente pouco povoada por um grande número de culturas diversas com organizações sociais diferentes, que podem ser divididas em três grupos principais. O primeiro grupo são caçadores e coletores de alimentos sem desenvolvimento de cerâmica, como os povos selknam e yaghan. O segundo grupo são os caçadores avançados e os coletores de alimento que incluem os puelche, querandí e serranos no centro-leste; e os tehuelche no sul — todos eles conquistados pelos mapuches que se espalham do Chile — e o kom e wichi no norte. O último grupo são os agricultores com cerâmica, como os charruas, minuanos e guaranis no nordeste, com práticas de queimadas e existência semissedentária; a avançada cultura diaguita comercializava no noroeste, que foi conquistado pelo Império Inca em torno de 1480; os toconotés e comechingones vivam no centro do país e os huarpes, uma cultura que criava lhamas e foi fortemente influenciada pelos incas, no centro-oeste. Os europeus chegaram pela primeira vez à região com a viagem de 1502 de Américo Vespúcio. Os navegadores espanhóis Juan Díaz de Solís e Sebastian Cabot visitaram o território que hoje é a Argentina em 1516 e 1526, respectivamente. Em 1536 Pedro de Mendoza fundou o pequeno povoado de Buenos Aires, que foi abandonado em 1541. Outros esforços de colonização vieram do Paraguai — estabelecendo o Governo do Rio da Prata — Peru e Chile. Francisco de Aguirre fundou Santiago del Estero em 1553. Londres foi fundada em 1558; Mendoza, em 1561; San Juan, em 1562; San Miguel de Tucumán, em 1565. Juan de Garay fundou Santa Fé em 1573 e no mesmo ano Jerónimo Luis de Cabrera criou Córdoba. Garay foi mais para o sul para refundar Buenos Aires em 1580. San Luis foi estabelecida em 1596. Nos séculos XVI e XVII, a economia argentina foi baseada na exploração de prata, com o uso da mão de obra dos indígenas. Ocorre a miscigenação entre colonos espanhóis e os ameríndios. No século XVII, jesuítas espanhóis criam missões na Bacia do Prata, com o objetivo de catequizar os indígenas e proteger os nativos de caçadores de escravos. Além disso, nesse período intensifica-se o contrabando e a pirataria, sobretudo na região do Rio da Prata. Em 1776, foi criado o Vice-Reino do Rio da Prata, desmembrado do Vice-Reino do Peru. Buenos Aires é escolhida capital do novo vice-reino e começa a concentrar poder, desestabilizando a política local. Buenos Aires repeliu duas invasões britânicas malfadadas em 1806 e 1807. As ideias do Iluminismo e o exemplo das primeiras Revoluções Atlânticas geraram críticas à monarquia absolutista que governava o país. Como no resto da América espanhola, a queda de Fernando VII durante a Guerra Peninsular criou grande preocupação. Ao iniciar o processo de emersão da Argentina como o Estado sucessor ao Vice-Reino do Rio da Prata, a Revolução de Maio de 1810 substituiu o vice-rei Baltasar Hidalgo de Cisneros pela Primeira Junta, um novo governo em Buenos Aires composto por habitantes locais. Nos primeiros confrontos da Guerra da Independência, a Junta esmagou uma contrarrevolução em Córdoba, mas não conseguiu superar as da Banda Oriental, do Alto Peru e do Paraguai, que mais tarde se tornaram Estados independentes. Os revolucionários se dividiram em dois grupos antagonistas: os centralistas e os federalistas — uma medida que definiria as primeiras décadas de independência da Argentina. A Assembleia do ano XIII nomeou Gervasio Antonio de Posadas como primeiro Diretor Supremo das Províncias Unidas do Rio da Prata. Em 1816 o Congresso de Tucumán formalizou a Declaração de Independência. Um ano depois, o general Martín Miguel de Güemes parou os defensores da coroa espanhola no norte e o general José de San Martín tomou um exército através dos Andes e garantiu a independência do Chile; então conduziu a luta à fortaleza espanhola de Lima e proclamou a independência do Peru. Em 1819, Buenos Aires decretou uma constituição centralista que fosse substituída pela federalista. A Batalha de Cepeda de 1820, travada entre os centralistas e os federalistas, resultou no fim do governo do Diretor Supremo. Em 1826, Buenos Aires promulgou outra constituição centralista, com Bernardino Rivadavia sendo nomeado como o primeiro presidente do país. Entretanto, as províncias do interior se opuseram a ele, forçaram sua renúncia e rejeitaram a constituição. Centralistas e Federalistas retomaram a guerra civil; este último grupo prevaleceu e formou a Confederação Argentina em 1831, liderada por Juan Manuel de Rosas. Durante seu regime ele enfrentou um bloqueio naval francês (1838–1840), a Guerra da Confederação (1836–1839) e um bloqueio anglo-francês (1845–1850), mas manteve-se invicto e impediu a perda de território nacional. Suas políticas de restrição ao comércio, porém, irritaram as províncias do interior e, em 1852, Justo José de Urquiza, outro caudilho poderoso, o tirou do poder. Como novo presidente da Confederação, Urquiza promulgou a Constituição liberal e federal de 1853. Buenos Aires se separou, mas foi forçada a voltar para a Confederação depois de ser derrotada na Batalha de Cepeda de 1859. Ao superar Urquiza na Batalha de Pavón em 1861, Bartolomé Mitre garantiu a predominância de Buenos Aires e foi eleito como o primeiro presidente do país reunificado. Foi seguido por Domingo Faustino Sarmiento e Nicolás Avellaneda; estas três presidências estabeleceram as bases do moderno Estado argentino. Entre 1878 e 1885, sob a liderança do General Julio Argentino Roca, Ministro de Guerra de Avellaneda e posteriormente Presidente da República, a Argentina expande seu território para o sul, conquistando a Patagônia, na chamada "Campanha do Deserto". Esse processo resultou no extermínio de grande parte dos indígenas patagônios e fueguinos. Começando com Julio Argentino Roca em 1880, dez governos federais consecutivos enfatizaram políticas econômicas liberais. A onda maciça de imigração europeia que se seguiu — menor apenas que a dos Estados Unidos — levou a uma quase reinvenção da sociedade e da economia argentinas que, em 1908, haviam colocado o país como a sétima nação mais próspera do mundo. Impulsionada por esta onda de imigração e mortalidade decrescente, a população argentina cresceu cinco vezes e a economia 15 vezes: de 1870 a 1910 as exportações argentinas de trigo passaram de 100 000 para 2 500 000 toneladas por ano, enquanto as exportações de carne congelada aumentaram de 25 000 para 365 000 t por ano, colocando a Argentina como um dos cinco maiores exportadores mundiais. Sua rede ferroviária aumentou de 503 km para 31 104 km. Aprimorada por um novo sistema de ensino público, obrigatório, livre e secular, a alfabetização disparou de 22% para 65%, um nível mais alto do que a maioria das nações latino-americanas atingiria até 50 anos mais tarde. Além disso, o PIB nominal do país cresceu tão rápido que, apesar do enorme influxo de imigração, a renda per capita entre 1862 e 1920 passou de 67% da dos países desenvolvidos para 100%. Em 1865, a Argentina já era uma das 25 nações mais ricas e, em 1908, ultrapassou a Dinamarca, o Canadá e os Países Baixos para chegar ao 7º lugar, atrás da Suíça, Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos, Reino Unido e Bélgica. O rendimento per capita da Argentina era 70% superior ao da Itália, 90% superior ao da Espanha, 180% superior ao do Japão e 400% superior ao do Brasil. Apesar dessas realizações singulares, o país demorou a cumprir seus objetivos originais de industrialização: depois do forte desenvolvimento de indústrias locais na década de 1920, uma parte significativa do setor manufatureiro continuou a ser intensiva em mão de obra na década de 1930. Em 1912, o presidente Roque Sáenz Peña promulgou o sufrágio universal masculino e secreto, o que permitiu que Hipólito Yrigoyen, líder da União Cívica Radical (ou UCR), ganhasse a eleição de 1916. Ele promulgou reformas sociais e econômicas e ampliou a assistência aos agricultores familiares e às pequenas empresas. A Argentina permaneceu neutra durante a Primeira Guerra Mundial. A segunda administração de Yrigoyen enfrentou uma crise econômica, influenciada pela Grande Depressão. Em 1930, Yrigoyen foi expulso do poder pelos militares liderados por José Félix Uriburu. Embora a Argentina tenha permanecido entre os 15 países mais ricos até meados do século, este golpe de Estado marca o início de um declínio econômico e social constante que empurrou o país de volta ao subdesenvolvimento. Uriburu governou por dois anos; então Agustín Pedro Justo foi eleito em uma eleição fraudulenta e assinou um tratado controverso com o Reino Unido. A Argentina permaneceu neutra durante a Segunda Guerra Mundial, uma decisão que teve pleno apoio britânico, mas foi rejeitada pelos Estados Unidos após o ataque a Pearl Harbor. Um novo golpe militar derrubou o governo e a Argentina declarou guerra às Potências do Eixo um mês antes do final da Segunda Guerra Mundial na Europa. O ministro do bem-estar, Juan Domingo Perón, foi despedido e preso por causa de sua alta popularidade entre os trabalhadores. Sua libertação foi forçada por uma demonstração popular maciça, o que o levou a ganhar a eleição de 1946. Perón criou um movimento político conhecido como peronismo. Ele nacionalizou indústrias e serviços estratégicos, melhorou os salários e as condições de trabalho, pagou toda a dívida externa e conseguiu quase o pleno emprego. A economia, no entanto, começou a declinar em 1950, por causa do excesso de despesas. Sua esposa altamente popular, Eva Perón, tinha um papel político central. Ela incentivou o congresso a decretar o sufrágio universal das mulheres em 1947 e desenvolveu uma assistência social sem precedentes aos setores mais vulneráveis da sociedade. No entanto, devido ao seu estado de saúde, não pôde concorrer à vice-presidência em 1951, ocasião em que Perón foi reeleito com uma votação maior do que em 1946, e ela morreu de câncer no ano seguinte, enfraquecendo o governo. Em 1955, a Marinha Argentina bombardeou a Praça de Maio numa tentativa de matar o Presidente. Poucos meses depois, durante o autochamado golpe da Revolução Libertadora, ele renunciou e entrou em exílio na Espanha. O novo chefe de Estado, Pedro Eugenio Aramburu, proscreveu o peronismo e proibiu todas as suas manifestações; no entanto, os peronistas se mantiveram subterrâneos. Arturo Frondizi, da UCR, ganhou as eleições seguintes, em 1958. Ele incentivou o investimento para alcançar a autossuficiência energética e industrial, reverteu um déficit comercial crônico e acabou com a proibição ao peronismo; contudo, seus esforços em manter boas relações com peronistas e militares lhe trouxe rejeição de ambos os grupos e um novo golpe de Estado o tirou do poder em 1962, mas o chefe do Senado, José María Guido, reagiu rapidamente e aplicou a legislação contra o vácuo contra o poder, tornando-se presidente; as eleições foram revogadas e o peronismo proscrito novamente. Arturo Illia foi eleito em 1963 e levou a um aumento geral da prosperidade; no entanto suas tentativas de legalizar o peronismo resultaram em sua deposição em 1966, por meio de um golpe de Estado liderado por Juan Carlos Onganía, conhecido como "Revolução Argentina", que estabeleceu um novo governo militar que procurou governar indefinidamente. A administração de Videla foi marcada por violações sistemáticas aos direitos humanos, com constantes perseguições, torturas e execuções de presos políticos, além de conflitos fronteiriços com o Chile, que estiveram próximas de um conflito armado — matéria diplomaticamente mediada por João Paulo II. Três presidentes seguiram em rápida sucessão, durante duas semanas, até o peronista de centro-esquerda Eduardo Duhalde ser escolhido presidente interino pelo Congresso Argentino em 2 de janeiro de 2002. A Argentina decreta moratória de sua dívida externa e a paridade peso-dólar é abandonada, causando uma maior desvalorização do peso e um aumento da inflação. Duhalde também teve que lidar com uma crise financeira e socioeconômica, com uma taxa de desemprego de 25% no fim de 2002 e com o menor salário real em sessenta anos. A crise acentuou a desconfiança do povo nos políticos e nas instituições. Depois de um ano abalado por protestos, a economia começou a se estabilizar no final de 2002, e o corralito foi suspenso em dezembro. Beneficiando-se de uma taxa de câmbio desvalorizada, o governo implementou novas políticas com base em reindustrialização e substituição de importações, e as exportações aumentaram e começaram a ter consistentes superávits comerciais e fiscais. O governador da província de Santa Cruz, Néstor Kirchner, um peronista social-democrata, foi eleito Presidente em maio de 2003. Durante a gestão de Kirchner (2003–2007), a Argentina reestruturou sua dívida em falta com um grande desconto na maioria dos títulos, pagou a dívida com o FMI, renegociou contratos com concessionárias e nacionalizou algumas empresas anteriormente privatizadas. Kirchner e seus economistas, nomeadamente Roberto Lavagna, também prosseguiram com uma política de rendimentos e vigoroso investimento em obras públicas. A economia volta a crescer. Em 2007, a esposa de Néstor, Cristina Kirchner, é eleita e toma posse, se tornando a primeira mulher escolhida democraticamente para a Presidência e, em resultado polêmico, Fabiana Ríos, uma candidata de centro-esquerda na Província de Tierra del Fuego, tornou-se a primeira mulher na história argentina a ser eleita governadora. A presidente Kirchner, apesar de ter grande maioria no Congresso, viu um controverso plano para o aumento dos impostos às exportações agrícolas derrotado pelo surpreendente voto do vice-presidente Julio Cobos, após grandes protestos e bloqueios agrários de março a julho de 2008. A crise financeira global iniciada em 2008 fez com que Cristina intensificasse a política de seu marido de intervenção estatal em setores conturbados da economia. A pausa no crescimento econômico e erros políticos fizeram com que o kirchnerismo (filosofia política de esquerda do casal Kirchner) e seus aliados perdessem a maioria absoluta no Congresso nas eleições de 2009. Cristina Kirchner foi reeleita em 2011, com mais de 53% dos votos, o melhor desempenho de um candidato desde a redemocratização argentina, sendo a primeira mulher reeleita presidente na América Latina. Em 22 de novembro de 2015, após um empate no primeiro turno das eleições presidenciais de 25 de outubro, o candidato da coalizão de centro-direita, Mauricio Macri, venceu ao derrotar o candidato da Frente para a Vitória, Daniel Scioli, e tornou-se presidente eleito. Macri foi o primeiro presidente não peronista democraticamente eleito desde 1916 que conseguiu completar o seu mandato sem ser deposto. Tomou posse em 10 de dezembro de 2015 e herdou uma economia com uma elevada taxa de inflação e em má situação. Em abril de 2016, o governo Macri introduziu medidas de austeridade neoliberais destinadas a combater a inflação e os défices públicos exagerados. Sob a administração de Macri, a recuperação econômica permaneceu ilusória, com o PIB a encolher 3,4%, a inflação a totalizar 240%, milhares de milhões de dólares emitidos em dívida soberana e a pobreza em massa a aumentar no final do seu mandato. Ele concorreu à reeleição em 2019, mas perdeu por quase oito pontos percentuais para Alberto Fernández, o candidato do Partido Justicialista. Fernández e a vice-presidente Cristina Kirchner tomaram posse em dezembro de 2019, poucos meses antes de a pandemia de COVID-19 atingir a Argentina e entre acusações de corrupção, suborno e uso indevido de fundos públicos durante as presidências de Néstor e Cristina Kirchner. Em 14 de novembro de 2021, a coalizão de centro-esquerda do partido peronista no poder da Argentina, Frente de Todos, perdeu a maioria no Congresso, pela primeira vez em quase 40 anos, nas eleições legislativas intermediárias. A vitória eleitoral da coligação de centro-direita, Juntos por el Cambio, limitou o poder de Fernandez durante os seus últimos dois anos de mandato. A perda do controle do Senado dificultou-lhe a realização de nomeações importantes, inclusive para o judiciário. Também o forçou a negociar com a oposição todas as iniciativas que envia à legislatura. Em abril de 2023, Fernández anunciou que não disputaria as próximas eleições presidenciais. O segundo turno eleitoral de 19 de novembro de 2023 terminou com uma vitória de Javier Milei, candidato antissistema e anarcocapitalista, com cerca de 56% dos votos contra 44% do candidato da coalizão no poder, Sergio Massa. Em 10 de dezembro de 2023, Milei foi empossado como o novo presidente da Argentina. A Argentina está situada no sul da América do Sul, com a Cordilheira dos Andes a oeste e o Oceano Atlântico ao sul e a leste. O país tem uma área total (excluindo a alegação da Antártida e as áreas controladas pelo Reino Unido) de, sendo que, ou 1,57%, é composto por água. O território argentino é dividido em seis principais regiões. Os Pampas são as planícies férteis localizadas no centro e no leste. A Mesopotâmia é uma planície delimitada pelos rios Paraná e Uruguai e o Gran Chaco localiza-se entre a Mesopotâmia e os Andes. O Cuyo está no lado leste dos Andes, e o noroeste argentino fica no norte. A Patagônia é um grande planalto localizado ao sul do país. O ponto mais alto acima do nível do mar é o Monte Aconcágua, na província de Mendoza, com metros de altitude, sendo considerado também o ponto mais alto do hemisfério sul e do mundo ocidental. O ponto mais baixo é a Laguna del Carbón, na província de Santa Cruz, com 105 metros abaixo do nível do mar. O ponto continental mais oriental fica a nordeste de Bernardo de Irigoyen, em Misiones, e o mais ocidental é o Parque Nacional Perito Moreno, província de Santa Cruz. O ponto mais setentrional está na confluência dos rios San Juan e Mojinete na província de Jujuy, e o mais ao sul é o Cabo San Pío, Terra do Fogo. Os principais rios são Paraná (o maior), Pilcomayo, Paraguai, Bermejo, Colorado, Negro, Salado e Uruguai. O Paraná e o Uruguai se juntam para formar o Estuário do Rio da Prata, antes de chegar ao Atlântico. Os rios regionalmente importantes são o Atuel e Mendoza, ambos na província de Mendoza; o Chubut, na Patagônia; Rio Grand, em Jujuy e San Francisco, em Salta. Plantas subtropicais dominam o Gran Chaco, no norte, com o gênero de árvores Dalbergia; também é predominantes árvores algarrobo (prosopis alba e prosopis nigra). Áreas de savana existem nas regiões mais secas próximas aos Andes. No centro do país, pampas úmidos são um verdadeiro ecossistema de pradarias de grama alta. A área original dos pampas praticamente não tinha árvores, sendo que a única planta de grande porte nativa da região é o ombu. O pampa é uma das regiões mais produtivas e férteis para a agricultura na Terra, no entanto, este fator também é responsável por dizimar grande parte do ecossistema original, para abrir caminho para a agricultura comercial. Os pampas ocidentais receber menos chuvas, o que forma uma planície de gramíneas curtas ou de estepes. O governo nacional mantém quatro monumentos naturais e 33 parques nacionais. Ficheiro:Salta Los Colorados.jpg|Quebrada das Conchas, em Salta Ficheiro:Camino a las Sierras de Córdoba 2009-11.jpg|Pampas, próximo a Córdoba Ficheiro:Pncardones.jpg|Parque Nacional Los Cardones, Salta Ficheiro:Ushuaia - panoramio .jpg|Ushuaia, a cidade mais austral do mundo Ficheiro:View from the Golf course at Llao Llao.jpg|Lago Nahuel Huapi O clima temperado geralmente varia de subtropical no norte até subpolar no extremo sul. O norte é caracterizado por verões quentes e úmidos, com invernos secos leves, e está sujeito a secas periódicas. O centro da Argentina tem verões quentes com trovoadas (oeste da Argentina produz alguns dos maiores granizos do mundo) e invernos frios. Nas regiões do sul, os verões são mornos e invernos frios com fortes nevoadas, especialmente nas zonas montanhosas. As altitudes mais elevadas em todas as latitudes tornam as condições climáticas mais frias. Entre as principais correntes de vento incluem o frio vento pampero, que sopra sobre as planícies da Patagônia e dos Pampas, seguindo a frente fria, sopra correntes quentes do norte no inverno médio e tardio, criando condições brandas. O Zonda, um vento quente e seco, afeta o centro-oeste da Argentina. Espremido de umidade durante os 6 000 m de descida dos Andes, o vento Zonda pode soprar por horas, com rajadas até 120 km/h, alimentando incêndios, causando danos, quando sopra o Zonda (junho-novembro), tempestades de neve e nevascas (viento blanco). As condições geralmente afetam altitudes mais elevadas. O Sudestada poderia ser considerado semelhante ao Nor'easter, apesar de a queda de neve ser rara, mas não sem precedentes. Ambos estão associados a um profundo sistema de baixa pressão baixa no inverno. O sudestada geralmente tem moderadas temperaturas baixas, mas traz chuvas muito fortes, mar agitado e inundações costeiras. É mais comum no final do outono e inverno ao longo da costa central e no estuário do Río de la Plata. A Argentina é o terceiro país mais populoso da América do Sul e 33º do mundo. A densidade populacional é de 15 hab./km2 de área de terra, bem abaixo da média mundial de 50 pessoas. A taxa de crescimento da população em 2010 foi estimada em 1,03% ao ano, com uma taxa de natalidade de 17,7 nascimentos por 1 000 habitantes e uma taxa de mortalidade de 7,4 mortes por 1000 habitantes. O saldo migratório argentino variou de zero a quatro imigrantes por mil habitantes. A proporção de pessoas com menos de 15 anos é de 25,6% da população, um pouco abaixo da média mundial de 28%, e a proporção de pessoas com 65 anos ou mais é relativamente alta, em 10,8%. Na América Latina, esta taxa só é menor que a do Uruguai e está bem acima da média mundial, que atualmente é de 7%. O país tem uma das taxas mais baixas de crescimento populacional da América Latina, cerca de 1% ao ano, bem como uma taxa de mortalidade infantil relativamente baixa. Sua taxa de natalidade de 2,3 filhos por mulher ainda é quase duas vezes maior do que a da Espanha ou Itália, países comparáveis por suas semelhantes práticas religiosas e proporções populacionais. A idade média dos argentinos é de aproximadamente 30 anos e a expectativa de vida ao nascer é 77,14 anos. As dez maiores áreas metropolitanas abrigam metade da população e menos de uma em cada dez pessoas vivem em áreas rurais. Cerca de 3 milhões de pessoas vivem na cidade de Buenos Aires e a área metropolitana da Grande Buenos Aires compreende uma população de 13 milhões de habitantes, o que a torna uma das maiores áreas urbanas do mundo. As áreas metropolitanas de Córdoba e Rosário têm cerca de 1,3 milhões de habitantes cada, enquanto Mendoza, Tucumán, La Plata, Mar del Plata, Salta e Santa Fé têm pelo menos meio milhão de pessoas cada uma. A Constituição garante a liberdade de religião, mas também afirma em seu artigo 2 que "o Governo Federal apoia a religião Católica Apostólica Romana". Não é estipulada uma religião oficial do Estado, nem uma separação entre igreja e Estado. Isso faz da Argentina um país ambíguo em relação à laicidade ou confessionalidade do Estado. Até 1994, o presidente deveria ser católico romano, embora não houvesse restrições em relação a outros funcionários do governo. Na verdade, desde 1945, inúmeros judeus ocuparam cargos de destaque. A política católica, no entanto, continua influente no governo e ainda ajuda a moldar a legislação. Em um estudo de avaliação dos níveis das nações de regulação e perseguição religiosa com pontuação de 0–10, onde 0 representava os baixos níveis de regulação ou perseguição, a Argentina recebeu uma pontuação de 1,4 no Regulamento do Governo da Religião, 6,0 em Regulação Social da Religião, e 6,9 em Governo Favoritismo de Religião e 6 de perseguição religiosa. Na Argentina, há uma ampla liberdade religiosa, garantida pelo 14º artigo da Constituição, embora o estado reconheça o caráter proeminente da Igreja Católica, que tem um estatuto jurídico diferente em relação ao resto das igrejas e denominações: nos termos do segundo artigo da constituição, o governo nacional deve sustentá-la e, segundo o Código Civil, é juridicamente equivalente a uma entidade de direito público e não estatal. Trata-se de um sistema diferenciado que não realiza o seu estatuto de oficialidade como a religião da república. O Vaticano e a Argentina assinaram um acordo que rege as relações entre o estado e a Igreja Católica. Segundo o World Christian Database, em 2009 os argentinos eram 92,1% cristãos (onde destes quase 75% eram católicos, embora esse percentual viesse caindo), 3,1% agnósticos, 1,9% muçulmanos, 1,3% judeus e ateus e budistas representavam 0,9% cada segmento. Igrejas evangélicas têm vindo a conquistar uma posição de destaque desde a década de 1980 e contam de aproximadamente 9% da população total entre seus seguidores. Igrejas pentecostais e tradicionais estão presentes na maioria das comunidades. Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias possuem mais de 373 mil seguidores no país, sendo a sétima maior congregação cristã no país. Há também crenças religiosas populares que são difundidas, como o culto à Defunta Correa, à Madre Maria, para Pancho Sierra, a Gauchito Gil, ou a Zeferino Namuncurá. O último foi beatificado pela Igreja Católica em 2007. A língua oficial e de facto da Argentina é o espanhol, normalmente chamado castelhano pelos argentinos. O país é a maior sociedade de língua espanhola que emprega universalmente o voseo (o uso do pronome vos em vez de tú, o que também ocasiona o uso de formas verbais alternativas). O dialeto mais prevalente é o rioplatense, cujos falantes estão localizados principalmente na bacia do Rio da Prata. Italianos e outros imigrantes europeus influenciaram o lunfardo, uma gíria falada na região, permeando o vocabulário vernáculo de outras regiões também. De acordo com o Ethnologue existem cerca de 1,5 milhões de falantes de italiano (tornando-se a segunda língua mais falada no país) e 1 milhão de falantes de árabe levantino (falado na Síria, Líbano e Chipre) no país. O alemão padrão é falado por 400 000 a 500 000 argentinos de ascendência alemã, o que a torna a quarta língua mais falada. Algumas comunidades indígenas mantiveram as suas línguas originais. O guarani é falado por alguns no nordeste, especialmente em Corrientes (onde possui estatuto oficial) e Misiones. O quíchua é falado por alguns no noroeste e tem uma variante local em Santiago del Estero. O aymara é falado por membros da comunidade de imigrantes bolivianos. Na Patagônia há comunidades de língua galesa, sendo que cerca de 25 000 habitantes a usam como segunda língua. Imigrantes recentes trouxeram idiomas como o chinês e o coreano (principalmente a Buenos Aires). O inglês, o português brasileiro e o francês também são idiomas com alguma influência no país. A maioria dos argentinos são descendentes de colonos da era colonial e de imigrantes europeus do século XIX e XX. A Argentina perdia apenas para os Estados Unidos em número de imigrantes europeus recebidos e, nessa época, sua população dobrava a cada duas décadas. A maioria destes imigrantes europeus vieram da Itália e Espanha. Segundo uma pesquisa, 86,4% da população da Argentina se autoidentifica como sendo de ascendência europeia. Estima-se que 8% da população é mestiça e 4% são de ascendência árabe ou asiática. Ademais, o cientista Licanzo Fernández estimou que a composição étnica da Argentina é 85% branca, 14% mestiça e 1% indígena O recente fluxo de imigração ilegal tem sido proveniente de países como Bolívia e Paraguai, com números menores do Peru, Equador e Romênia. O governo argentino estima que 750 000 habitantes não têm documentos oficiais e lançou um programa chamado "Patria Grande", para incentivar imigrantes ilegais a declarar seu estatuto, em troca de vistos de residência de dois anos — até agora mais de 670 000 pedidos foram processados no âmbito do programa. Na Argentina, a herança europeia é a predominante, mas com significativa herança indígena, e presença de contribuição africana também. Um estudo genético realizado em 2009, revelou que a composição da Argentina é 78,50% europeia, 17,30% indígena e 4,20% africana. De acordo com um estudo genético de 2021 a composição da Argentina é a seguinte: 77,8% europeia, 17,9% indígena e 4,1% africana (Contribuição do Norte de África incluída). Segundo outro estudo científico de 2023 sobre a composição genética dos três países Brasil, Uruguai e Argentina, que afirma que seus dados provêm de “200 mil amostras analisadas”, a média argentina é de apenas 12,5% de indígenas e 1,1% de africanos, o que indica que a média argentina é de aproximadamente 85% europeia e outra caucasiana. Na linhagem materna (DNA mitocondrial), de acordo com um estudo genético de 2004, 56% da população da Argentina possui DNA mitocondrial ameríndio. No entanto, vários estudos mais recentes indicam que menos da metade dos argentinos tem ascendência nativa. Segundo uma estimativa, o percentual seria de 27% de argentinos. A Argentina é uma república constitucional e uma democracia representativa. O governo é regulado por um sistema de três poderes independentes definido pela Constituição da Argentina, que serve como a legislação máxima do país. A sede do governo é a cidade de Buenos Aires. O sufrágio é universal, igualitário, secreto e obrigatório. O governo nacional é composto por três ramos:, O poder executivo reside no presidente e no Conselho de Ministros. O presidente e o vice-presidente são eleitos diretamente para mandatos de quatro anos e são limitados a dois mandatos seguidos. Ministros são nomeados pelo presidente e não estão sujeitos a ratificação legislativa. A Argentina é dividida em 23 províncias e uma Cidade Autônoma. A província de Buenos Aires é dividida em 134 partidos, enquanto as restantes províncias estão divididas em 376 departamentos. Departamentos e Partidos estão subdivididos em municípios ou distritos. Com exceção da província de Buenos Aires, as províncias do país optaram nos últimos anos a entrar em acordos com outras províncias, formando quatro regiões federadas destinadas a promover a integração econômica e desenvolvimento: Região Central, Região Patagônica, Região do Novo Cuyo e a Região do Grande Norte Argentino. O país é uma das principais economias G15 e G20 do mundo e um membro fundador da ONU, Banco Mundial, OMC e OEA. Em 2012, a Argentina foi eleita para um cargo não permanente de dois anos no Conselho de Segurança das Nações Unidas e participa de grandes operações de manutenção da paz no Haiti, Chipre, Saara Ocidental e Oriente Médio. Uma proeminente potência regional da América Latina e do Cone Sul, a Argentina cofundou o OEI, CELAC e UNASUL, do qual o ex-presidente Néstor Kirchner foi primeiro Secretário-Geral. É também membro fundador do bloco do Mercosul, tendo como parceiros o Brasil (ver Relações entre Argentina e Brasil), o Paraguai, o Uruguai e a Venezuela. Desde 2002, o país enfatizou seu papel fundamental na integração latino-americana e o bloco — que tem algumas funções legislativas supranacionais — é sua prioridade internacional. A Argentina reivindica na Antártida, onde o país mantém a presença contínua mais antiga do mundo, desde 1904. No entanto, esta reivindicação se sobrepõe a reivindicações do Chile e do Reino Unido, embora todas essas reivindicações sejam abrangidas pelas disposições do Tratado Antártico de 1961, das quais a Argentina é um membro fundador e permanente de consultoria, com a Secretaria do Tratado Antártico com sede em Buenos Aires. A Argentina contesta a soberania sobre as Ilhas Malvinas e das Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, que são administradas pelo Reino Unido como territórios ultramarinos. O Sistema de Defesa Nacional, uma responsabilidade exclusiva do governo federal, coordenado pelo Ministério da Defesa e que compreende o Exército, a Marinha e a Força Aérea. Governado e monitorado pelo Congresso através dos Comitês de Defesa das Casas, está organizado sobre o princípio essencial da legítima autodefesa: a repulsa de qualquer agressão militar externa para garantir a liberdade do povo, a soberania nacional e a integridade territorial. A defesa da Argentina tem sido historicamente uma das mais bem equipadas da região, inclusive gerenciando suas próprias instalações de pesquisa de armas, estaleiros, aeronaves, fábricas de tanques e aviões. No entanto, as despesas militares reais diminuíram de forma constante após 1981 e o orçamento de defesa em 2011 foi de aproximadamente 0,74% do PIB, um mínimo histórico, abaixo da média latino-americana. O Sistema de Segurança Interior, administrado conjuntamente pelos governos provinciais federais e subscritores. A nível provincial, é coordenado pelos respectivos ministérios de segurança interna e executado pelas agências policiais locais. A Argentina tem vários símbolos nacionais, alguns dos quais são amplamente definidos por lei. A Bandeira Nacional é constituída por três listras horizontais de mesma largura, coloridas em azul, branco e azul claro, com o Sol de Maio no centro da lista branca. A bandeira foi desenhada por Manuel Belgrano em 1812 e foi adotada como símbolo nacional em 20 de julho de 1816. O brasão de armas da Argentina, que representa a união das províncias, entrou em uso em 1813 como um selo para documentos oficiais. O Hino Nacional Argentino, adotado em 1813, foi escrito por Vicente López y Planes com música de Blas Parera. Ele foi posteriormente reduzido para apenas três pontos, após ataques omitindo as letras contra o ex-metrópole Espanha. O Laço da Argentina foi usado pela primeira vez durante a Revolução de Maio de 1810 e foi oficializado dois anos depois. O Hornero, habitante de praticamente todo o território nacional, foi designado por unanimidade como o animal nacional do país em 1927. O Ceibo é designado como a flor/árvore nacional do país, A Schinopsis balansae foi declarado "árvore de floresta nacional" em 1956. A rodocrosita é a pedra nacional. e locro, e o vinho é a bebida nacional. A Virgem de Luján é a santa padroeira do país. A Argentina é uma república representativa federal desde a Constituição argentina de 1853. A economia da Argentina é a terceira maior da América Latina, com uma alta qualidade de vida e um PIB per capita elevado, além de ser considerada uma economia de renda média-alta. O país possui recursos naturais como o gás natural (onde é o maior produtor da América Latina) e a extração de lítio, prata e ouro, uma população altamente alfabetizada, um setor agrícola orientado para a exportação e uma base industrial diversificada. Historicamente, no entanto, o desempenho econômico da Argentina tem sido muito desigual, onde o crescimento econômico elevado alternou-se com períodos de graves recessões, especialmente durante o final do século XX, além de problemas como uma má distribuição de renda e o aumento da pobreza. Em 1896, a Argentina apresentou o maior valor de PIB per capta do planeta. Entre o final do século XIX e o início do século XX, a Argentina era um dos países mais ricos do mundo e um dos mais prósperos do hemisfério sul, embora atualmente seja uma nação de renda média-alta. A Argentina é considerada um mercado emergente pelo FTSE Global Equity Index e é uma das economias do G20. No entanto, os altos índices de inflação tem sido uma fraqueza constante da economia do país durante décadas. Oficialmente oscilando em torno de 9% desde 2006, a inflação do país é estimada em mais de 30% por fontes independentes, o que gera críticas de que o governo tem manipulado as estatísticas oficiais de inflação. A taxa de pobreza urbana caiu abaixo dos índices da crise econômica de 2001. A distribuição de renda melhorou desde 2002, mas ainda é consideravelmente desigual. A Argentina começou um período de austeridade fiscal em 2012, devido a um processo de desaceleração econômica. O país foi classificado na 102ª posição entre as 178 nações avaliadas no Índice de Percepção de Corrupção de 2012, realizado pela Transparência Internacional. Entre os problemas apontados, estão a corrupção do governo, a falta de independência judicial, impostos e tarifas enormes e interferência regulatória, o que prejudica a eficiência e o aumento da produtividade do país. A administração Kirchner respondeu à crise financeira global de 2008 com um grande programa de obras públicas, novos cortes de impostos e subsídios, além da transferência de pensões privadas para o sistema de segurança social. Planos de previdência privada, que exigiam subsídios crescentes para serem cobertos, foram nacionalizados para financiar os altos gastos do governo e as obrigações de dívida argentina. A Argentina tem o segundo maior Índice de Desenvolvimento Humano e PIB per capita (em paridade do poder de compra — PPC) da América Latina, atrás somente do Chile. Além de ser uma das economias do G20, o país tem o 19º maior PIB do mundo em PPC. Na pecuária, a Argentina foi, em 2019, o 4.º maior produtor de carne bovina do mundo, com uma produção de 3 milhões de toneladas (atrás apenas dos Estados Unidos, Brasil e China), o 4º maior produtor mundial de mel, o décimo maior produtor mundial de lã, além de estar entre os vinte maiores produtores do mundo de carne de frango, leite de vaca e ovo de galinha. O país baseia sua economia na exportação de carne, mel e lã (além de produtos agrícolas) desde o século XIX. A exportação de gado é a que desempenha papel mais importante no comércio internacional. A indústria é o maior setor único na economia do país (19% do PIB) e está bem integrado à agricultura argentina, sendo que metade das exportações industriais do país são de natureza agrícola. Tendo como base o processamento de alimentos e de produtos têxteis durante o seu desenvolvimento inicial na primeira metade do século XX, a produção industrial argentina tornou-se consideravelmente diversificada, porém, sem um volume expressivo a nível mundial. Em 2019, a Argentina tinha a 31ª indústria mais valiosa do mundo (US$ 57,7 bilhões), de acordo com o Banco Mundial. Os principais setores em termos de valor de produção são: processamento de alimentos e bebidas, veículos automóveis e autopeças, produtos de refinaria, biodiesel, produtos químicos e farmacêuticos, aço e alumínio, máquinas agrícolas e industriais, e aparelhos eletrônicos. Estes últimos incluem mais de três milhões de itens, bem como uma variedade de produtos eletrônicos, eletrodomésticos e de telefones celulares, entre outros. Em 2019, a Argentina era o 31º produtor mundial de aço (4,6 milhões de toneladas), o 28º produtor de veículos (314 mil unidades), o 22º produtor mundial de cerveja (1,91 bilhão de litros), o 4º produtor mundial de óleo de soja (7,24 milhões de toneladas) e o 3º produtor mundial de óleo de girassol (1,3 milhões de toneladas), entre outros produtos industriais. As bebidas são outro setor importante e a Argentina é atualmente um dos cinco maiores produtores de vinho do mundo. A produção de cerveja ultrapassou a de vinho em 2000. Quase metade das indústrias argentinas estão sediadas na área da Grande Buenos Aires, apesar de cidades como Córdoba, Rosário e Ushuaia também serem importantes centros industriais, sendo esta última o principal centro de produção de eletrônicos do país desde a década de 1980. A produção de computadores, notebooks e servidores cresceu 160% em 2011, para quase 3,4 milhões de unidades e cobriu dois terços da demanda local. Outro importante setor historicamente dominado pelas importações — máquinas agrícolas — também terá fabricação principalmente nacional até 2014. Licenças de construção cobriam quase 19 milhões de m² pelo país em 2008. As contas do setor de construção civil respondem por mais de 5% do PIB e dois terços do setor foi voltado para edifícios residenciais. Na última década, dobrou a participação da indústria no PIB, registrando um aumento de 105%, com um forte aumento da produtividade do trabalho. Ele também obteve um crescimento diversificado, especialmente em sectores de alto valor acrescentado: o setor automotivo cresceu neste período, de 409%, os minerais não metálicos 177%, 175% metalúrgicas, têxteis, de 158%, ou de 102% de borracha e plástico, 95% substâncias e produtos químicos. A Argentina é o país mais visitado da América do Sul e o quarto mais visitada da América. Segundo dados oficiais da Organização Mundial de Turismo, o país recebeu mais de 5,3 milhões de turistas estrangeiros em 2010, o que representou cerca de 4 930 milhões de dólares de renda. Os turistas estrangeiros vêm principalmente de Brasil, Chile, Peru, Colômbia, México, Bolívia, Equador, Uruguai, Venezuela, Paraguai e de países europeus, como Espanha, Itália, França, Alemanha, Reino Unido e Suíça. O vasto território da Argentina é dotado de grande interesse turístico. A valorização da moeda local, após a desvalorização ocorrida em 2002, favoreceu a chegada de um grande número de turistas estrangeiros, tornando o país mais acessível comercialmente no início de 1990. Com o aumento dos custos para viajar ao exterior, muitos argentinos também se voltaram para o turismo interno. Em 2006, o setor respondeu por 7,41% do PIB do país, embora note-se que a saída de residentes argentinos com fins turísticos supere as entradas e equivalha a 12% do PIB. Os estrangeiros veem a Argentina como uma área sem conflitos armados, terrorismo e crises sanitárias. Buenos Aires destaca-se como o principal centro para os turistas estrangeiros e domésticos (5,25 milhões em 2007). Eles são atraídos por uma cidade populosa, cosmopolita e com ampla infraestrutura. Entre outras características, o tango é uma das principais razões para a visita à capital argentina. Saúde na Argentina é provida através da combinação de planos patrocinados por sindicatos de trabalhadores e empregados ("Obras Sociales"), planos de seguro do governo, hospitais e clínicas públicas, e através de planos de saúde privados. Esforços governamentais para melhorar a saúde pública na Argentina podem ser traçados até o primeiro tribunal médico de 1780 do Vice-rei da Espanha Juan José de Vértiz. Logo após a independência, o estabelecimento da Escola de Medicina da Universidade de Buenos Aires em 1822 foi complementada pela da Universidade Nacional de Córdoba em 1877. O treinamento de médicos e enfermeiras nestas e noutras escolas permitiu um rápido desenvolvimento das cooperativas de tratamento de saúde, durante a Administração de Pres. A disponibilidade de tratamento de saúde ajudou a reduzir a mortalidade infantil na Argentina de 89 a cada nascimentos em 1948 para 12,9 em 2006 e aumentou a expectativa de vida ao nascer de 60 anos para 76. A infraestrutura de transportes da Argentina é relativamente avançada. Existem mais de 230 000 km de estradas (não incluindo as estradas privadas rurais), dos quais 72 000 km são pavimentados. Em 2021, o país tinha cerca de km de rodovias duplicadas, a maioria saindo da capital Buenos Aires, ligando-a com cidades como Rosário e Córdoba, Santa Fé, Mar del Plata e Paso de los Libres (na fronteira com o Brasil), também havendo rodovias duplicadas saindo de Mendoza em direção à capital, e entre Córdoba e Santa Fé, entre outras localidades. Muitas das rodovias duplicadas são privatizadas. Vias expressas são, no entanto, atualmente insuficientes para lidar com o tráfego local, com 9,5 milhões de veículos a motor registados no território nacional em 2009 (240 para cada 1 000 habitantes). A rede ferroviária tem um comprimento total de 34 059 km. Depois de décadas em declínio e manutenção inadequada, a maioria dos serviços de passageiros interurbanos foram encerrados em 1992, quando a companhia ferroviária foi privatizada e milhares de quilômetros de pista (excluindo o total acima) entraram em desuso. Os serviços de transporte ferroviário metropolitano em torno de Buenos Aires permaneceram com grande demanda, devido em parte ao seu fácil acesso para o metrô de Buenos Aires. Os serviços ferroviários interurbanos estão sendo reativados em várias linhas. Inaugurado em 1913, o Metrô de Buenos Aires foi o primeiro sistema de metrô construído na América Latina e no hemisfério sul. Já não é a mais extensa rede de metrô da América do Sul, mas, com 52,3 km, transporta cerca de um milhão de passageiros por dia. A Aerolineas Argentinas é a principal companhia aérea do país, fornecendo serviços nacionais e internacionais. A Austral Líneas Aéreas é uma subsidiária da Aerolineas Argentinas, com um sistema de rotas que cobre quase todo o país. A Líneas Aéreas del Estado é uma companhia aérea de gerência militar que realiza voos domésticos. Depois da independência, a Argentina construiu um sistema nacional de educação pública se espelhando nas outras nações, colocando o país em uma boa colocação no ranking global de alfabetização. Atualmente o país tem um índice de alfabetização de 97% e três em cada oito adultos acima de 20 anos completaram os estudos da escola secundária ou superior. A ida para a escola é obrigatória dos 5 aos 17 anos. O sistema escolar da Argentina consiste em um nível primário que dura de seis a sete anos, e um secundário que dura de cinco a seis anos. Na década de 1990 o sistema foi dividido em diferentes tipos de instituições de ensino secundário, chamadas "Educacion Secundaria" e a "Polimodal". Algumas províncias adotaram o "Polimodal" enquanto outras não. Um projeto no Executivo para acabar com essa medida e retornar ao sistema mais tradicional de educação de nível secundário foi aprovado em 2006. A educação pública na Argentina é gratuita do primário até a universidade. Apesar da alfabetização ser quase universal no início de 1947, Consequentemente, a educação pública está largamente em falta e em declínio, e isso ajudou a educação privada a crescer, apesar disso ter causado uma clara diferença entre aqueles que podem pagar por ela (normalmente a classe média e alta) e o resto da sociedade, já que as escolas privadas normalmente não têm sistemas de bolsa. Aproximadamente um em cada quatro estudantes do primário e secundário, e um em cada seis estudantes universitários vão para instituições privadas. e o Howard Hughes Medical Institute. Fontes oficiais relataram cerca de 1,5 milhão de estudantes universitários no âmbito do Sistema Universitário Argentino, o que representa a maior taxa de estudantes universitários em relação à sua população total da América Latina e maior que a de muitos países desenvolvidos. A Argentina tem três ganhadores do Prêmio Nobel em ciências (e dois ganhadores do Nobel da Paz). A pesquisa realizada no país conduziu ao tratamento de doenças cardíacas e várias formas de câncer. Domingo Liotta projetou e desenvolveu o primeiro coração artificial implantado com sucesso em um ser humano, em 1969. René Favaloro desenvolveu as técnicas e realizou a primeira cirurgia de ponte de safena do mundo. Bernardo Houssay, o primeiro latino-americano premiado com um Prêmio Nobel em Ciências, descobriu o papel dos hormônios da hipófise na regulação da glicose em animais; César Milstein fez uma extensa pesquisa sobre anticorpos; Luis Leloir descobriu como os organismos armazenam energia convertendo glicose em glicogênio e em compostos que são fundamentais no metabolismo de carboidratos. Uma equipe liderada por Alberto Taquini e Eduardo Braun-Menéndez descobriu a angiotensina em 1939 e foi o primeiro a descrever a natureza enzimática do sistema renina-angiotensina e seu papel na hipertensão. O Instituto Leloir de biotecnologia é um dos mais prestigiados em seu campo na América Latina. Dr. Luis Agote criou o primeiro método seguro de transfusão de sangue, Enrique Finochietto projetou ferramentas de mesa de operação, tais como as tesouras cirúrgicas que levam seu nome ("tesoura Finochietto"). O programa nuclear argentino é altamente avançado, tendo resultado na fabricação de um reator de pesquisas em 1957 e do primeiro reator comercial da América Latina, em 1974. O país desenvolveu seu programa nuclear sem ser excessivamente dependente de tecnologia estrangeira. Instalações nucleares com tecnologia argentina foram construídas em países como Peru, Argélia, Austrália e Egito. Em 1983, o país admitiu ter a capacidade de produzir urânio com potência bélica, um passo necessário para montar armas nucleares; desde então, no entanto, a Argentina se comprometeu a usar a energia nuclear apenas para fins pacíficos. Como um membro do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica, o país tem sido uma voz forte em apoio aos esforços de não proliferação nuclear e é altamente comprometido com a segurança nuclear global. Outros projetos estão se concentrando em áreas como TI, nanotecnologia, biotecnologia, helicópteros, máquinas agrícolas e sistemas defensivos militares. A pesquisa espacial também se tornou cada vez mais ativa na Argentina. Fundada em 1991, a Comissão Nacional de Atividades Espaciais lançou dois satélites com sucesso e, em junho de 2009, garantiu um acordo com a Agência Espacial Europeia para a instalação de uma antena com 25 metros de diâmetro e de sua estrutura de apoio na missão do Observatório Pierre Auger. A instalação vai contribuir com várias sondas espaciais da ESA e da CONAE, além de projetos de pesquisa nacionais. Escolhido entre vinte potenciais locais e um dos três únicos com tais instalações da ESA em todo o mundo, a nova antena vai criar uma triangulação que permitirá à ESA garantir a cobertura de missões em tempo real. A Argentina produz, de acordo com dados de 2005, cerca de cerca de 101 176 GWh de eletricidade. As principais fontes de energia utilizadas pelo país para a geração de eletricidade são a hidrelétrica (34 041 GWh por ano) e térmica (56 385 GWh por ano), juntamente com a produção de energia nuclear (6 873 GWh por ano). A energia é distribuída por dois sistemas principais: o Sistema Interconectado Nacional e o Sistema Interconectado Patagônico, além de alguns pequenos sistemas isolados de ambos. O setor de energia elétrica argentino é o terceiro maior mercado latino-americano de energia. Depende principalmente na geração térmica (~ 57% da capacidade instalada) e hidrelétrica . As novas tecnologias de energia renovável ainda são muito pouco utilizadas. O país ainda tem um grande potencial hidrelétrico inexplorado. No entanto, a geração térmica predominante por combustão de gás natural está em risco devido à incerteza sobre a oferta futura desse recurso natural. A produção de petróleo e de gás natural atingiu 38 323 000 metros cúbicos e 48 738 000 metros cúbicos anuais, respectivamente. As reservas de petróleo são estimadas em 346 634 000 metros cúbicos, enquanto as de gás natural totalizaram 455 625 000 metros cúbicos. Em 2021, a Argentina tinha, em energia elétrica renovável instalada, em energia hidroelétrica (21º maior do mundo), em energia eólica (26º maior do mundo), em energia solar (43º maior do mundo), e em biomassa. O potencial eólico da região da Patagônia é considerado gigantesco, havendo estimativas de que a área poderia fornecer eletricidade suficiente para sustentar sozinha o consumo de um país como o Brasil. Porém, a Argentina tem deficiências infraestruturais para realizar a transmissão da eletricidade das áreas desabitadas com muito vento para os grandes centros do país. Já os problemas financeiros e políticos atrapalham a exploração do gás natural, a maior base energética do país. Em 2017, a Argentina foi o 18º maior produtor do mundo (e o maior produtor da América Latina) de gás, e o país possui o campo de Vaca Muerta, que tem perto de 16 bilhões de barris de óleo de xisto tecnicamente recuperável, o segundo maior depósito de gás natural de xisto do mundo. Porém, falta ao país capacidade para explorar a jazida: são necessários capital, tecnologia e conhecimentos que só podem vir de empresas de energia offshore, que veem a Argentina e suas políticas econômicas erráticas com considerável suspeita, não querendo investir no país. A cultura argentina tem importantes influências europeias. Buenos Aires, sua capital cultural, é amplamente caracterizada pela prevalência de pessoas de ascendência europeia e da imitação consciente dos estilos europeus na arquitetura. Outra influência importante foram os gaúchos e seu estilo de vida tradicional autossuficiente. Finalmente, tradições indígenas americanas (como infusões de erva-mate) foram absorvidas pelo ambiente cultural geral. A Argentina tem uma rica história literária, bem como uma das indústrias de publicação mais ativas da região. Os escritores argentinos têm um lugar proeminente na literatura latino-americana desde que se tornaram uma entidade totalmente unida em 1850. A luta entre os Federalistas (que defendiam uma confederação de províncias com base no conservadorismo rural) e os Unitários (pró-liberalismo e defensores de um governo central forte, que incentivaria a imigração europeia), deu o tom para a literatura argentina da época. O abismo ideológico entre o gaúcho épico Martín Fierro de José Hernández, e o Facundo de Domingo Faustino Sarmiento, é um grande exemplo. Hernández, um federalista, opunha-se às tendências centralizadoras, modernização e europeização. Sarmiento escrevia em apoio à imigração como o único caminho para salvar a Argentina de tornar-se sujeita à regra de um pequeno número de famílias de caudilhos ditatoriais, argumentando que esses imigrantes fariam a Argentina mais moderna e aberta a influências europeias ocidentais e portanto, uma sociedade mais próspera. A literatura argentina do período foi ferozmente nacionalista. Foi seguido pelo movimento modernista, que surgiu na França no final do século XIX e, neste período, por sua vez foi seguido pelo vanguardismo, com Ricardo Güiraldes como uma importante referência. Jorge Luis Borges, o escritor mais aclamado, encontrou novas maneiras de olhar o mundo moderno de forma metafórica e filosófica e sua influência estendeu-se a escritores de todo o mundo. Borges é mais conhecido por seus trabalhos em contos como Ficciones e El Aleph. Outros escritores, poetas e intelectuais notáveis do país incluem: Juan Bautista Alberdi, Roberto Arlt, Enrique Banchs, Adolfo Bioy Casares, Silvina Bullrich, Eugenio Cambaceres, Julio Cortázar, Esteban Echeverría, Leopoldo Lugones, Eduardo Mallea, Ezequiel Martínez Estrada, Tomás Eloy Martínez, Victoria Ocampo, Manuel Puig, Ernesto Sábato, Osvaldo Soriano, Alfonsina Storni e María Elena Walsh. A indústria cinematográfica argentina cria cerca de 80 filmes de longa-metragem anualmente. O número per capita de filmes é uma das maiores da América Latina. Desde 1980, o cinema argentino alcançou reconhecimento mundial, como A História Oficial (Oscar de melhor filme estrangeiro em 1986), Hombre mirando al sudeste, Un lugar en el mundo, Nove Rainhas, El hijo de la novia, Diários de Motocicleta, Iluminados por el fuego e O Segredo dos Seus Olhos, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009. Uma nova geração de diretores argentinos chamou a atenção dos críticos em todo o mundo. Os compositores argentinos Luis Bacalov e Gustavo Santaolalla foram honrados com o Oscar de melhor trilha sonora. Lalo Schifrin recebeu vários Grammys e é mais conhecido pelo tema da '. Buenos Aires é uma das grandes capitais do teatro. O Teatro General San Martin é um dos mais prestigiados da Argentina e o Teatro Nacional Cervantes também é muito importante. Copi, Celia Alcántara, Enrique Santos Discépolo e Tulio Carella são alguns exemplos de grande dramaturgos da Argentina. Julio Bocca, Jorge Donn e Marianela Nuñez são alguns dos grandes bailarinos da era moderna. A indústria de mídia de impressão é altamente desenvolvida na Argentina, com mais de duzentos jornais. Os principais são o Clarín (centrista, o mais vendido da América Latina e o segundo mais difundido no mundo de língua espanhola), o La Nación (centro-direita, publicado desde 1870), o Página/12 (esquerdista, fundada em 1987), o Buenos Aires Herald (o jornal de língua inglesa mais prestigioso da América Latina, liberal, datando de 1876), o La Voz del Interior (centro, fundado em 1904) e o Argentinisches Tageblatt (semanário alemão, liberal, publicado desde 1878). A Argentina começou a primeira transmissão de rádio regular do mundo em 27 de agosto de 1920, quando Parsifal de Richard Wagner foi transmitida por uma equipe de estudantes de medicina liderada por Enrique Telémaco Susini no Teatro Coliseo de Buenos Aires. Em 2002, havia 260 estações de rádio AM e 1150 de rádio FM registradas no país. A indústria da televisão argentina é grande, diversificada e popular em toda a América Latina, com muitas produções e formatos de TV sendo exportados para o exterior. Desde 1999, os argentinos gozam da maior disponibilidade de televisão por cabo e por satélite na América Latina, sendo que em 2014 totalizava 87,4% dos domicílios do país, taxa semelhante à dos Estados Unidos, Canadá e Europa. Até 2011, a Argentina também tinha a maior cobertura de telecomunicações em rede entre as potências latino-americanas: cerca de 67% da população tinha acesso à internet e 137,2%, assinaturas de telefones celulares. O tango, a música e a letra (geralmente cantadas em uma forma de gíria chamada "lunfardo"), é o símbolo musical da Argentina. A idade de ouro do tango (1930 a meados dos anos 1950) inspirou-se no jazz e no swing nos Estados Unidos, com grandes grupos orquestrais também, como as bandas de Osvaldo Pugliese, Aníbal Troilo, Francisco Canaro, Julio de Caro e Juan D'Arienzo. Incorporando a música acústica e depois os sintetizadores no gênero em 1955, o virtuoso bandoneonista Astor Piazzolla popularizou o "novo tango" criando uma tendência mais sutil e intelectual. Hoje, o tango goza de popularidade em todo o mundo; em constante evolução, o neo-tango é um fenômeno global com grupos de renome como Tanghetto, Bajofondo e Gotan Project. O rock argentino desenvolveu um estilo musical distinto em meados da década de 1960, quando Buenos Aires e Rosário tornaram-se berço de grupos de garagem e vários músicos aspirantes. Hoje ele é considerado a forma mais prolífica e bem-sucedida do rock em espanhol. Bandas como Soda Stereo, Sumo, Virus, Abuelos de la nada, Enanitos verdes, Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota, GIT e compositores como Charly García, Luis Alberto Spinetta, Andrés Calamaro e Fito Páez são referências da cultura nacional. A banda Serú Girán fez a entrada nos anos 1980, quando as bandas argentinas tornaram-se populares em toda a América Latina e em outros lugares. A música clássica europeia está bem representada na Argentina. Buenos Aires é o lar do mundialmente famoso Teatro Colón. Músicos e intérpretes como Martha Argerich, Eduardo Alonso-Crespo, Daniel Barenboim, Eduardo Delgado e Alberto Lysy, e compositores clássicos, como Juan José Castro e Alberto Ginastera, são internacionalmente aclamados. Algumas cidades têm eventos anuais e importantes festivais de música clássica, como a Semana Musical Llao Llao, em San Carlos de Bariloche e o Amadeus em Buenos Aires. Além das dezenas de danças regionais, estilo folclórico nacional argentino surgiu na década de 1930. A Argentina de Perón daria origem a Nueva canción, como os artistas começaram a expressar em sua música objeções a temas políticos. O estilo passou a influenciar a totalidade da música latino-americana. Além de muitos pratos de massas, salsichas e sobremesas comuns à Europa continental, os argentinos desfrutam de uma grande variedade de criações indígenas e crioulas, incluindo empanadas, uma mistura de milho, feijão, carne, bacon, cebola e cabaça), humita e mate. O país tem o maior consumo de carne vermelha do mundo, tradicionalmente preparado como asado, o churrasco argentino. Ele é feito com vários tipos de carnes, muitas vezes incluindo chouriço, pão doce, chitterlings e linguiça. As sobremesas comuns incluem facturas, bolos e panquecas cheias de doce de leite, alfajores e sopaipillas. O vinho argentino, um dos melhores do mundo, é parte integrante do menu local. Malbec, Torrontés, Cabernet Sauvignon, Syrah e Chardonnay são algumas das variedades mais procuradas. O esporte nacional oficial da Argentina é o pato, jogado a cavalo, mas o esporte mais popular é o futebol. Dentre os grandes títulos internacionais da seleção nacional de futebol, estão três Copas do Mundo da FIFA (1978, 1986 e 2022), duas medalhas olímpicas de ouro (2004 e 2008) e dezesseis Copas América, sendo a seleção que mais conquistou títulos no torneio, a última em 2024. Mais de mil jogadores argentinos jogam no exterior, a maioria deles em campeonatos do futebol europeu. Seus maiores rivais são o Brasil, a maior rivalidade do mundo entre seleções nacionais; a Alemanha, com quem disputou três finais de Copas do Mundo (1986, 1990 e 2014) e o Uruguai, todas entre os dez maiores clássicos do mundo. A Associação de Futebol Argentino foi formada em 1893 e é a oitava mais antiga associação de futebol nacional do mundo. Com mais de 3 500 clubes de futebol, Nos últimos 20 anos, o futsal e o futebol de praia estão cada vez mais populares. A seleção argentina de futebol de praia foi uma das quatro concorrentes no primeiro campeonato internacional para o esporte, em Miami, em 1993. O basquetebol é um esporte muito popular. A Seleção Argentina de Basquetebol Masculino é a única na zona FIBA Américas que conquistou a coroa quíntupla: Campeonato Mundial, Medalha de Ouro Olímpica, Bola de Diamante, Campeonato das Américas e Medalha de Ouro Pan-Americana. Também conquistou 13 campeonatos sul-americanos e muitos outros torneios. Emanuel Ginóbili, Luis Scola, Andrés Nocioni, Fabricio Oberto, Pablo Prigioni, Carlos Delfino e Juan Ignacio Sánchez são alguns dos jogadores mais aclamados do país, todos eles parte da NBA. A Argentina foi sede do Campeonato Mundial de Basquetebol Masculino em 1950 e 1990. A Argentina tem produzido alguns dos campeões mais formidáveis para o boxe, como Carlos Monzón, o melhor peso médio da história; Pascual Pérez, um dos boxeadores peso leve mais decorados de todos os tempos; Víctor Galíndez, detentor do recorde de 2009 para as defesas consecutivas do título mundial de peso-pesado; e Nicolino Locche, apelidado de "O Intocável" por sua defesa magistral; eles são todos incluídos no International Boxing Hall of Fame. O país tem uma importante seleção de rugby, conhecida como "Los Pumas", com muitos dos seus jogadores jogando na Europa. O país bateu a nação anfitriã França duas vezes durante a Copa do Mundo de Rugby de 2007, ficando em terceiro lugar na competição. Os Pumas estão atualmente em oitavo lugar no ranking mundial oficial. O tênis tem sido bastante popular entre as pessoas de todas as idades. Guillermo Vilas é o maior jogador latino-americano da história do esporte, enquanto Gabriela Sabatini é a mais talentosa jogadora argentina de todos os tempos — tendo alcançado o terceiro lugar no Ranking WTA, são ambos inscritos no International Tennis Hall of Fame. A Argentina reina absoluta no polo, tendo conquistado mais campeonatos internacionais do que qualquer outro país, sendo raramente vencida desde os anos 1930. O Campeonato Argentino de Polo é o troféu internacional mais importante do esporte. O país é o lar da maioria dos melhores jogadores do mundo, entre eles Adolfo Cambiaso, o melhor da história. Historicamente, a Argentina teve uma forte exibição dentro de corridas de automóveis. Juan Manuel Fangio foi cinco vezes campeão mundial de Fórmula 1 em quatro equipes diferentes, vencendo 102 de suas 184 corridas internacionais e é amplamente classificado como o maior piloto de todos os tempos. Outros corredores distinguidos foram Oscar Alfredo Gálvez, Juan Gálvez, José Froilán González e Carlos Reutemann.
Em matemática e ciência da computação, um algoritmo é uma sequência finita de ações executáveis que visam obter uma solução para um determinado tipo de problema. Segundo Dasgupta, Papadimitriou e Vazirani; "Algoritmos são procedimentos precisos, não ambíguos, padronizados, eficientes e corretos.". As suas características são: finitas, o algoritmo deve eventualmente resolver o problema; bem definidas: os passos devem ser definidos de modo a serem entendidos; efetivas, deve sempre resolver o que tem para solucionar, antecipando falhas. O conceito de algoritmo existe há séculos e o uso do conceito pode ser atribuído a matemáticos russos, por exemplo a Peneira de Eratóstenes e o algoritmo de Euclides. O conceito de algoritmo é frequentemente ilustrado pelo exemplo de uma receita culinária, embora muitos algoritmos sejam mais complexos. Eles podem repetir passos (fazer iterações) ou necessitar de decisões (tais como comparações ou lógica) até que a tarefa seja completada. Um algoritmo corretamente executado não irá resolver um problema se estiver implementado incorretamente ou se não for apropriado ao problema. Um algoritmo não representa, necessariamente, um programa de computador, e sim os passos necessários para realizar uma tarefa. Sua implementação pode ser feita por um computador, por outro tipo de autômato ou mesmo por um ser humano. Diferentes algoritmos podem realizar a mesma tarefa usando um conjunto diferenciado de instruções em mais ou menos tempo, espaço ou esforço do que outros. Tal diferença pode ser reflexo da complexidade computacional aplicada, que depende de estruturas de dados adequadas ao algoritmo. Por exemplo, um algoritmo para se vestir pode especificar que você vista primeiro as meias e os sapatos antes de vestir a calça enquanto outro algoritmo especifica que você deve primeiro vestir a calça e depois as meias e os sapatos. Fica claro que o primeiro algoritmo é mais difícil de executar que o segundo apesar de ambos levarem ao mesmo resultado. O conceito de um algoritmo foi formalizado em 1936 pela Máquina de Turing de Alan Turing e pelo cálculo lambda de Alonzo Church, que formaram as primeiras fundações da Ciência da computação. Os historiadores da palavra algoritmo encontraram a origem no sobrenome, Al-Khwarizmi, do matemático persa do século IX Mohamed ben Musa, cujas obras foram traduzidas no ocidente cristão no século XII, tendo uma delas recebido o nome Algorithmi de numero indorum, sobre os algoritmos usando o sistema de numeração decimal (indiano). Outros autores, entretanto, defendem a origem da palavra em Al-goreten (raiz - conceito que se pode aplicar aos cálculos). "Álgebra" e "algorismo" também formam formas corrompidas da palavra, pois as pessoas esqueciam as derivações originais. O dicionário "Vollständiges Mathematisches Lexicon" (Leipzig, 1747) refere a palavra "Algorithmus"; nesta designação estão combinadas as noções de quatro cálculos aritméticos, nomeadamente a adição, multiplicação, subtração e divisão. A frase "algorithmus infinitesimalis" foi na altura utilizada para significar; "maneiras de calcular com quantidades infinitésimas" (pequenas), uma invenção de Leibnitz. Também é conhecido no meio financeiro, como "algos". Um programa de computador é essencialmente um algoritmo que diz ao computador os passos específicos e em que ordem eles devem ser executados, como por exemplo, os passos a serem tomados para calcular as notas que serão impressas nos boletins dos alunos de uma escola. Logo, o algoritmo pode ser considerado uma sequência de operações que podem ser simuladas por uma máquina de Turing completa. Quando os procedimentos de um algoritmo envolvem o processamento de dados, a informação é lida de uma fonte de entrada, processada e retornada sob novo valor após processamento, o que geralmente é realizado com o auxílio de uma ou mais estrutura de dados. Para qualquer processo computacional, o algoritmo precisa estar rigorosamente definido, especificando a maneira que ele se comportará em todas as circunstâncias. A corretividade do algoritmo pode ser provada matematicamente, bem como a quantidade assintótica de tempo e espaço (complexidade) necessários para a sua execução. Estes aspectos dos algoritmos são alvo da análise de algoritmos. A maneira mais simples de se pensar um algoritmo é por uma lista de procedimentos bem definida, na qual as instruções são executadas passo a passo a partir do começo da lista, uma ideia que pode ser facilmente visualizada através de um fluxograma. Tal formalização adota as premissas da programação imperativa, que é uma forma mecânica para visualizar e desenvolver um algoritmo. Concepções alternativas para algoritmos variam em programação funcional e programação lógica. Alguns autores restringem a definição de algoritmo para procedimentos que eventualmente terminam. Marvin Minsky constatou que se o tamanho de um procedimento não é conhecido de antemão, tentar descobri-lo é um problema indecidível, já que o procedimento pode ser executado infinitamente, de forma que nunca se terá a resposta. Alan Turing provou em 1936 que não existe máquina de Turing para realizar tal análise para todos os casos, logo não há algoritmo para realizar tal tarefa para todos os casos. Tal condição é conhecida atualmente como problema da parada. Para algoritmos intermináveis o sucesso não pode ser determinado pela interpretação da resposta e sim por condições impostas pelo próprio desenvolvedor do algoritmo durante sua execução. Alguns exemplos genéricos de algoritmos são: uma coreografia, um manual de instruções, uma receita culinária, Técnicas para resolver problemas matemáticos, uma pesquisa na internet, dentre outros. Um clássico problema que trabalha o desenvolvimento da lógica e do raciocínio matemático é a torre de Hanói, inventado pelo matemático francês Édouard Lucas em 1883. O quebra-cabeça é composto por três hastes e vários discos de tamanhos diferentes, que podem deslizar para qualquer haste. O quebra-cabeça começa com os discos em uma pilha organizada em ordem crescente de tamanho em uma haste, a menor no topo, fazendo assim uma forma cônica. Neste exemplo, toma-se o seguinte problema: tem-se três hastes. Umas das hastes serve de suporte para três discos. Deseja-se mover todos os discos para outra haste, porém deve-se movimentar um disco de cada vez e um disco maior nunca pode ser colocado sobre um disco de menor tamanho. Nomeiam-se as hastes como A, B e C e os discos como Vermelho, Verde e Azul. Considera-se que inicialmente os discos estão na haste A. Segue uma sequência de passos para a resolução do quebra-cabeça: # move-se o disco Vermelho para a haste C; # move-se o disco Verde para a haste B; # move-se o disco Vermelho para a haste B; # move-se o disco Azul para a haste C; # move-se o disco Vermelho para a haste A; # move-se o disco Verde para a haste C; # move-se o disco Vermelho para a haste C. Podemos também representar a solução em forma gráfica, desenhando as hastes e a posição dos discos a cada movimento (ou passo). Com 3 discos, o quebra-cabeça pode ser resolvido em 7 movimentos. O número mínimo de movimentos necessários para resolver um quebra-cabeça da Torre de Hanói é 2^n - 1, onde n é o número de discos. Essa sequência, ou descrição, finita de passos ou tarefas é a quem chamamos de algoritmos. A análise de algoritmos é um ramo da ciência da computação que estuda as técnicas de projeto de algoritmos e os algoritmos de forma abstrata, sem estarem implementados em uma linguagem de programação em particular ou implementadas de algum outro modo. Ela preocupa-se com os recursos necessários para a execução do algoritmo tais como o tempo de execução e o espaço de armazenamento de dados. Deve-se perceber que para um dado algoritmo pode-se ter diferentes quantidades de recursos alocados de acordo com os parâmetros passados na entrada. Por exemplo, se definirmos que o fatorial de um número natural é igual ao fatorial de seu antecessor multiplicado pelo próprio número, fica claro que a execução de fatorial consome mais tempo que a execução de fatorial. Um meio de exibir um algoritmo a fim de analisá-lo é através da implementação por pseudocódigo em português estruturado, também conhecido no Brasil como Portugol. Este código pode ser digitado dentro de algum editor de textos como o Bloco de Notas, anotado num caderno ou ainda poder digitado diretamente dentro de um programa interpretador de algoritmos, como é caso do Visualg, que é um editor, interpretador e executor dos algoritmos. Pode-se classificar algoritmos pela maneira pelo qual foram implementados:, Recursivo ou iterativo - um algoritmo recursivo possui a característica de invocar a si mesmo repetidamente até que certa condição seja satisfeita e ele é terminado, que é um método comum em programação funcional. Algoritmos iterativos usam estruturas de repetição tais como laços, ou ainda estruturas de dados adicionais tais como pilhas, para resolver problemas. Cada algoritmo recursivo possui um algoritmo iterativo equivalente e vice-versa, mas que pode ter mais ou menos complexidade em sua construção;, Lógico - um algoritmo pode ser visto como uma dedução lógica controlada. O componente lógico expressa os axiomas usados na computação e o componente de controle determina a maneira como a dedução é aplicada aos axiomas. Tal conceito é base para a programação lógica;, Serial ou paralelo - algoritmos são geralmente assumidos por serem executados instrução a instrução individualmente, como uma lista de execução, o que constitui um algoritmo serial. Tal conceito é base para a programação imperativa. Por outro lado existem algoritmos executados paralelamente, que levam em conta as arquiteturas de computadores com mais de um processador para executar mais de uma instrução ao mesmo tempo. Tais algoritmos dividem os problemas em subproblemas e o delegam a quantos processadores estiverem disponíveis, agrupando no final o resultado dos subproblemas em um resultado final ao algoritmo. Tal conceito é base para a programação paralela. De forma geral, algoritmos iterativos são paralelizáveis; por outro lado existem algoritmos que não são paralelizáveis, chamados então problemas inerentemente seriais;, Determinístico ou não-determinístico - algoritmos determinísticos resolvem o problema com uma decisão exata a cada passo enquanto algoritmos não-determinísticos resolvem o problema ao deduzir os melhores passos através de estimativas sob forma de heurísticas;, Exato ou aproximado - enquanto alguns algoritmos encontram uma resposta exata, algoritmos de aproximação procuram uma resposta próxima a verdadeira solução, seja através de estratégia determinística ou aleatória. Possuem aplicações práticas sobretudo para problemas muito complexos, do qual uma resposta correta é inviável devido à sua complexidade computacional. Pode-se classificar algoritmos pela metodologia ou paradigma de seu desenvolvimento, tais como:, Divisão e conquista - algoritmos de divisão e conquista reduzem repetidamente o problema em sub-problemas, geralmente de forma recursiva, até que o sub-problema é pequeno o suficiente para ser resolvido. Um exemplo prático é o algoritmo de ordenação merge sort. Uma variante dessa metodologia é o decremento e conquista, que resolve um sub-problema e utiliza a solução para resolver um problema maior. Um exemplo prático é o algoritmo para pesquisa binária;, Programação dinâmica - pode-se utilizar a programação dinâmica para evitar o re-cálculo de soluções já resolvidas anteriormente;, Algoritmo ganancioso - um algoritmo ganancioso é similar à programação dinâmica, mas difere na medida em que as soluções dos sub-problemas não precisam ser conhecidas a cada passo, uma escolha gananciosa pode ser feita a cada momento com o que até então parece ser mais adequado;, Programação linear - A resolução de um problema através de programação linear envolve a maximização / minimização das entradas de um conjunto de desigualdades lineares;, Redução - a redução resolve o problema ao transformá-lo em outro problema. É chamado também transformação e conquista;, Busca e enumeração - vários problemas podem ser modelados através de grafos. Um algoritmo de exploração de grafo pode ser usado para caminhar pela estrutura e retornam informações úteis para a resolução do problema. Esta categoria inclui algoritmos de busca e backtracking;, Paradigma heurístico e probabilístico - algoritmos probabilísticos realizam escolhas aleatoriamente. Algoritmos genéticos tentam encontrar a solução através de ciclos de mutações evolucionárias entre gerações de passos, tendendo para a solução exata do problema. Algoritmos heurísticos encontram uma solução aproximada para o problema. Cada campo da ciência possui seus próprios problemas e respectivos algoritmos adequados para resolvê-los. Exemplos clássicos são algoritmos de busca, de ordenação, de análise numérica, de teoria de grafos, de manipulação de cadeias de texto, de geometria computacional, de análise combinatória, de aprendizagem de máquina, de criptografia, de compressão de dados e de interpretação de texto. Alguns algoritmos são executados em tempo linear, de acordo com a entrada, enquanto outros são executados em tempo exponencial ou até mesmo nunca terminam de serem executados. Alguns ditos problemas tem múltiplos algoritmos enquanto outros não possuem algoritmos para resolução. Algoritmos podem ser implementados em circuitos elétricos ou até mesmo em dispositivos mecânicos (autômatos). Mania dos inventores do século XIX, os autômatos eram máquinas totalmente mecânicas, construídas com a capacidade de serem programadas para realizar um conjunto de atividades autônomas. Em 2011, o filme A Invenção de Hugo Cabret (tradução brasileira) do cineasta Martin Scorsese traz a história do ilusionista Georges Méliès precursor do cinema e um colecionador de autômatos, sendo uma de suas máquinas o fio condutor desta história. O autômato específico era capaz de desenhar a cena emblemática do seu filme "Viagem à Lua". Entretanto, a maioria dos algoritmos são desenvolvidos para programas de computador, para isto, existe uma grande variedade de linguagens de programação, cada uma com características específicas que podem facilitar a implementação de determinados algoritmos ou atender a propósitos mais gerais.
(Ananas comosus) é uma infrutescência tropical produzida pela planta de mesmo nome, caracterizada como uma planta monocotiledônea da família das bromeliáceas da subfamília Bromelioideae. É um símbolo das regiões tropicais e subtropicais. Os abacaxizeiros cultivados pertencem à espécie Ananas comosus, que compreende muitas variedades frutíferas. Há também várias espécies selvagens, pertencentes ao mesmo gênero. O fruto, quando maduro, tem folhas que se soltam facilmente ao puxar, o sabor bastante ácido e, muitas vezes, adocicado. Apesar do que dita o senso comum, o abacaxi não é uma fruta cítrica. De acordo com o escritor e linguista Clóvis Chiaradia, o termo "abacaxi" (em português brasileiro) apresenta duas possíveis etimologias, ambas provenientes da família Tupi-Guarani, elas são: a) da junção dos termos "I'bá" e "cati" ou "caxi" (cheiroso), ou seja, "fruto que recende"; b) da junção dos termos "I'bá", "caá" e "ti" ou "xi" (fruto de ponta aguda). Maroneze nota, no entanto, que essa etimologia popular não possui embasamento fonético nem histórico. Além da mudança não explicada de em de "I'bá", todas as menções à palavra "abacaxi" até meados do século XVIII são em referência ao Rio Abacaxis e ao povo indígena hoje extinto que habitava o interior da Amazônia, região que historicamente não possuía falantes de tupi antigo — registros do uso daquela palavra para a fruta só surgiriam no século seguinte, não parecendo correto supor que a etimologia final seja "fruto que recende". Ademais, essa hipótese etimológica é levantada pela primeira vez somente em 1889, no dicionário de Antônio Joaquim de Macedo Soares, que não cita nenhuma fonte para essa informação. O termo "ananás" (em português europeu e espanhol) é do guarani e tupi antigo naná, e documentado em português na primeira metade do século XVI e em espanhol na segunda, sendo empréstimo do português do Brasil ou da sua língua geral. O abacaxi é um fruto-símbolo de regiões tropicais e subtropicais, de grande aceitação em todo o mundo, quer ao natural, quer industrializado: agrada aos olhos, ao paladar e ao olfato. Por essas razões e por ter uma "coroa", cabe-lhe, por vezes, o cognome de "rei dos frutos", que lhe foi dado, logo após seu descobrimento, pelos portugueses. Em Portugal, o termo "abacaxi" é usado para distinguir a fruta importada da América do Sul e Central da fruta cultivada localmente, normeadamente nos Açores. Na linguagem corrente do Brasil, tal como em Angola, costuma-se designar por "ananás" os frutos de plantas não cultivadas, de variedades menos conhecidas ou de qualidade inferior. Por sua vez, a palavra "abacaxi" costuma ser empregada não apenas para designar o fruto de melhor qualidade, mas a própria planta que o produz. Na gíria brasileira, "abacaxi" significa "algo que não dá bom resultado, coisa embrulhada ou que não presta". Este fato provavelmente se deve a seu visual espinhoso e ressequido, bem como à dificuldade para descascá-lo sem se ferir com suas farpas, presentes tanto na "coroa" quanto na própria casca. "Descascar o abacaxi", uma extensão da mesma gíria, significa "resolver um problema difícil". O abacaxi já era cultivado pelos indígenas em extensas regiões do Novo Mundo antes da sua descoberta pelos europeus. Origina-se da América tropical e subtropical (da região centro-sul do Brasil, nordeste da Argentina e Paraguai). Acredita-se que os nativos do sul do Brasil e Paraguai disseminaram o abacaxi na América do Sul e eventualmente, acabou por alcançar o Caribe, a América Central e o México. Sendo que em 4 de novembro de 1493, Colombo e seus marinheiros descobriram o abacaxizeiro em Guadalupe, nas Pequenas Antilhas, promovendo, a partir deste momento, sua disseminação pelo mundo e tornando-o uma das infrutescências mais apreciadas no globo. Os espanhóis introduziram a planta nas Filipinas, Havaí, Zimbabwe e Guam. Os portugueses introduziram a fruta na India em 1550. A planta foi levada para Europa pelos Holandeses, sendo que o primeiro europeu a conseguir plantá-la no continente utilizando estufas foi Pieter de la Court em Meerburg em 1658. Dado as dificuldades de importação na época, e os proibitivos custos de equipamento e mão de obra necessários para plantar o abacaxi em climas temperados, a fruta virou um símbolo de ostentação. Eles chegaram a ser usados em jantares apenas como enfeites, e reutilizados continuamente, até apodrecer. O abacaxizeiro é planta semiperene que alcança um metro de altura. Primeiramente, produz um único fruto, situado no ápice; depois, com a ramificação lateral do talo, aparecem outros frutos, de modo que a fase produtiva pode prolongar-se por vários anos. Quando adulto, é constituído de raízes, talo, folhas, frutos e mudas. O sistema radicular, do tipo fasciculado, é superficial, pois a maior parte das raízes fica nos primeiros 15 cm de solo. O talo apresenta o formato de uma clava, relativamente curta e grossa. As folhas têm forma de calha, com espinhos e estão inseridas no talo, formando uma densa espiral dextrogira e levogira. A inflorescência é uma espiga, formada de flores completas, cada uma localizada na axila de uma bráctea. O fruto é composto, do tipo sorose, e resulta da coalescência de um grande número de frutos simples (100 a 200), do tipo baga, denominados frutilhos, os quais estão inseridos num eixo central, coração ou miolo, em disposição espiralada e intimamente soldados uns aos outros. No ápice do fruto existe um tufo de folhas – a coroa – resultante do tecido meristemático apical que a planta possui desde a sua origem. A conexão do fruto com o talo da planta é feita através de um pedúnculo. A casca do abacaxi é formada pela reunião das brácteas e sépalas das flores. Logo abaixo da casca, inseridos na periferia de depressões em forma de taça, podem ser encontrados restos de pétalas e de estames, enquanto de cada uma dessas depressões aparece um vestígio de estilete. Na superfície de um fruto descascado de um modo pouco profundo, os restos de estiletes dão ideia de espinhos. Por outro lado, quando o descascamento é feito de modo mais profundo, a superfície mostra-se toda perfurada, por ficarem expostas as lojas ou lóculos dos ovários dos frutilhos. Dentro de tais lojas, em se tratando de fruto de variedade cultivada, geralmente são encontrados apenas óvulos abortados, pois a formação de sementes é rara, por serem as flores autoincompatíveis. Todavia, por meio de polinização manual com pólen de outra variedade, não é rara a produção de duas mil a três mil sementes por fruto. # Coroa – muda do ápice do fruto; # Filhote – muda do pedúnculo; # Filhote-rebentão – muda da região de inserção do pedúnculo com o talo da planta; # Rebentão – muda do talo da planta. O abacaxizeiro é uma planta muito sensível ao frio, mas resiste bem às secas. Embora seja planta tropical, nos dias de sol muito intenso, os frutos podem sofrer queimaduras, quando não são protegidos. Pode ser cultivado em qualquer tipo de solo, desde que seja permeável, isto é, não sujeito ao encharcamento; prefere, porém, solos leves, ricos em elementos nutritivos e com pH entre 4,5 e 5,5, ainda que tolere aqueles de pH mais baixo. É bastante exigente em nutrientes. Geralmente, o florescimento natural do abacaxizeiro ocorre no inverno, por ser planta de dias curtos, ou seja, com a diminuição do fotoperíodo e ou redução da temperatura, a gema apical é induzida a produzir uma inflorescência ao invés de emitir folhas. O comprimento do ciclo natural pode variar de 10 a 36 meses, pois, além de condições climáticas, depende da época de plantio, do tipo e do peso das mudas utilizadas, e também das práticas culturais adotadas. A principal variedade cultivada no mundo até a década de 1990 é a Cayenne (ou Smooth Cayenne). Dá fruto de polpa amarelo-pálida ou amarela, rica em ácidos e açúcares, e a planta tem folhas com poucos espinhos, que se localizam apenas na base e no ápice. No Brasil, a variedade mais plantada é a Pérola (conhecida no exterior como do grupo Pernambuco), que produz fruto de polpa amarelo-pálida, quase branca, de sabor bastante doce e de baixa acidez; as folhas têm as margens armadas de espinhos. Quanto a doenças, a mais grave e de de ocorrência generalizada é a fusariose ou gomose, causada pelo fungo Fusarium subglutinans" f. sp. "ananas e que pode provocar grandes prejuízos. Entre outras doenças importantes citam-se a murcha, causado pelo vírus PMWaV (Pineapple Mealybug Wilt-associated Virus) e a podridão-do-olho, causado pelo fungo Phytophthora nicotianae var. parasitica. O abacaxi pode ser consumido in natura ou industrializado, sob a forma de fatias ou pedaços em calda, pedaços cristalizados, passa, picles, suco, xarope, geleia, licor, bebida fermentada, vinagre e aguardente. Todavia, os principais produtos são as fatias ou pedaços em calda e o suco. Com o suco do abacaxi, podem ser preparados refrescos, sorvetes, cremes, balas e bolos. Como subprodutos da industrialização do abacaxi, obtêm-se álcool, ácido cítrico (citrato), ácido málico, ácido ascórbico (vitamina C), bromelina (enzima proteolítica que entra na composição de diversos medicamentos) e rações para animais; do restante da planta, são aproveitados, industrialmente, as fibras e o amido. O suco do abacaxi contém cerca de 12 por cento de açúcar e 1 por cento de ácidos orgânicos (principalmente ácido cítrico); é considerado boa fonte de vitaminas A e B1, bem como razoável fonte de vitamina C. |} Os principais países produtores de abacaxi, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, são a Costa Rica, as Filipinas, o Brasil, a Tailândia, a Indonésia, a Índia e a Nigéria. Por sua vez, a sua industrialização é feita, principalmente, no Havaí; mas Formosa, Malásia, África do Sul, Austrália e Costa do Marfim também se sobressaem. Os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão, o Reino Unido, o Canadá e a França são grandes consumidores do fruto industrializado. Em 2018, o Brasil produziu 2,6 milhões de toneladas de abacaxi, sendo o 3º maior produtor do mundo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os principais Estados brasileiros produtores de abacaxi são o Pará, com 311 947 mil frutos; a Paraíba, com 307 116 mil frutos; Minas Gerais, com 179 287 mil frutos; o Rio de Janeiro, com 116 109 mil frutos; Tocantins, com 85 634 mil frutos; e São Paulo, com 82 536 mil frutos. O Brasil exporta tanto o fruto (onde os principais compradores são Argentina e Uruguai), quanto o suco concentrado de abacaxi (onde os maiores compradores são Chile, Argentina e Holanda, e o maior estado exportador é o Pará, onde a cidade de Floresta do Araguaia é sede da maior indústria de suco concentrado da fruta do Brasil). Em 2019, foram comercializadas 104.462,17 toneladas de abacaxi na CEAGESP, sendo 90,79% de abacaxi pérola e 9,21% de abacaxi havaí. No entreposto da capital paulista, o abacate é o 9º produto mais comercializado, tendo como principais cidades produtoras: São Francisco de Sales (50,47%) e Itapagipe (12,97%). O nível tecnológico empregado nos plantios brasileiros de abacaxi é bastante heterogêneo, com áreas que empregam toda a tecnologia disponível (análise de solo, correção da acidez, adubação no plantio e de cobertura, tratamento de indução floral, pulverizações contra pragas e doenças), enquanto em outras regiões as práticas ainda são bastante rudimentares, com baixa produtividade. Outro fato típico de cultura do abacaxi brasileira é o deslocamento constante das áreas de produção, devido ao aparecimento de problemas fitossanitários. A grande maioria dos abacaxis produzidos no Brasil é destinada ao consumo interno, como fruta fresca. São Paulo e os estados do Sul absorvem grande parte das produções de abacaxi da Paraíba, Minas Gerais e Tocantins. Próximo do gênero Ananas, há Pseudananas, que contém uma única espécie, P. sagenarius, vulgarmente designado por "gravatá-de-rede" ou "pseudo-ananás", cujos frutos não possuem coroa. São peculiares do gênero Pseudananas a presença de estolhos ligados à base da planta e a ausência de mudas ligadas diretamente ao talo da planta ou ao pedúnculo do fruto. Outras características, não exclusivas desse gênero, são os espinhos bastante agressivos da porção inferior da folha, voltados para baixo, e os dois apêndices na face superior das pétalas, com forma de prega, os quais, no gênero Ananas, têm forma de funil. As espécies selvagens de abacaxis e suas variedades principais são: Ananas ananassoides, var. nanus (ananaí-da-amazônia) e var. typicus (ananás-do-campo); A. bracteatus, var. albus (ananás-branco-do-mato), var. rudis (ananás-vermelho-do-mato), e var. tricolor; A. fritzmuelleri e A. lucidus (curauá-da-amazônia). Todos têm as margens das folhas armadas de espinhos, exceto a última, nas quais, praticamente, só existe um acúleo terminal. O ananás-do-campo constitui padrão de terra seca e pobre; suas folhas produzem fibras tão boas como as do caroá; o fruto apresenta uns 10 centímetros de comprimento e considerável número de sementes. As fibras das folhas do curauá também são de excelente qualidade; o fruto tem apenas uns 6 centímetros de comprimento; é planta que se adapta muito bem ao clima úmido. O fruto do ananaí-da-amazônia atinge apenas 3 a 4 centímetros. A. fritzmuelleri tem por ambiente natural o litoral sul do Brasil e produz fruto de uns 20 centímetros de comprimento, enquanto a do ananás-do-mato é ligeiramente maior. O ananás-de-agulha, ananás-de-cerca e ananás-de-raposa são outras variedades também encontradas no Brasil. ; Outros tipos de abacaxis, Havaí, Jupí, Pérola, [ Página da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical], [ Página do Núcleo de Estudo em Fruticultura no Cerrado - UFU], [ Toda Fruta], [ Brazilian Fruit], [ IAC-SP],,
Angola, oficialmente República de Angola, é um país da costa ocidental da África Austral, cujo território tem uma área total de 1 246 700 km², sendo o sétimo maior país de África e o vigésimo segundo do mundo, com uma população estimada em 36,6 milhões de pessoas em 2024. A capital e maior cidade é Luanda, centro económico e político do país. Banhada pelo Oceano Atlântico a oeste, Angola tem um litoral de 1 650 km, sendo o territórial principal limitado a norte e a nordeste pela República Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia e a sul pela Namíbia. O país inclui também o exclave de Cabinda, através do qual faz fronteira com a República do Congo. O território angolano tem sido habitado desde tempos pré-históricos, inicialmente por povos Khoisan. A partir do século IX, a migração bantu terá alcançado a região, com os povos bantus dominando gradualmente o território. Entre estes, destacaram-se os Ambundos, os Congos (que estabeleceram o poderoso Reino do Congo), os Lunda-Chokwe, os Ovimbundos, e os Herero. A presença portuguesa iniciou-se no, com a chegada de Diogo Cão em 1482, e intensificou-se com Paulo Dias de Novais em 1575, que fundou a cidade de São Paulo de Luanda. Durante mais de quatro séculos, Angola foi uma colónia portuguesa, embora o controlo efectivo do interior só tenha ocorrido no, após a Conferência de Berlim. A independência do domínio português foi alcançada em 1975, depois de uma guerra de independência, tendo sido o Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência do país. Após a independência, Angola foi palco de uma longa e devastadora guerra civil, de 1975 a 2002, sobretudo entre o MPLA e a UNITA. Apesar do conflito interno, áreas como a Baixa de Cassanje mantiveram sistemas monárquicos regionais. No ano de 2000 foi assinado um acordo de paz com a Frente para a Libertação do Enclave de Cabinda, organização de guerrilha que luta pela secessão de Cabinda e que ainda se encontra ativa. É da região de Cabinda que sai aproximadamente 65% do petróleo de Angola. O país tem vastos recursos naturais, como grande reservas de minerais e de petróleo e, desde o fim da guerra civil, sua economia tem apresentado taxas de crescimento que estão entre as maiores de África. No entanto, os padrões de vida angolanos continuam baixos, e cerca de 40% da população vivia com menos de três dólares por dia em 2018, enquanto as taxas de expectativa de vida e mortalidade infantil no país continuam entre as piores do mundo, além da presença proeminente da desigualdade económica, visto que a maioria da riqueza do país está concentrada numa parte desproporcionalmente pequena da população. Angola consta ainda na lista da Organização das Nações Unidas dos países menos desenvolvidos do planeta e é considerado um dos mais corruptos do mundo pela Transparência Internacional. É atualmente membro da Organização das Nações Unidas, da União Africana, da Zona de Comércio Livre Continental Africana, da Comunidade Econômica dos Estados da África Central e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa . O nome Angola é uma derivação portuguesa do termo banto n’gola, título dos reis do Reino do Dongo existente na altura em que os portugueses se estabeleceram em Luanda, no . O termo tem raízes no termo ngolo que significa "força" em quimbundo e em quicongo, línguas dos povos ambundos e congos respectivamente. Quando os portugueses chegaram à região da província de Luanda, observaram que o monarca local, Angola Quiluanje era assim denominado, passando a chamar o Reino Angola-Dongo com este título. Os habitantes originais de Angola foram caçadores-colectores coissã, dispersos e pouco numerosos. A expansão dos povos bantos, chegando do norte a partir do segundo milénio, forçou os coissã (quando não eram absorvidos) a recuar para o sul onde grupos residuais existem até hoje, em Angola, na Namíbia e no Botsuana. Os bantos eram agricultores e caçadores. A sua expansão, a partir da África Centro-Ocidental, se deu em grupos menores, que se relocalizaram de acordo com as circunstâncias político-económicas e ecológicas. Entre os séculos XIV e XVII, uma série de reinos foi estabelecida, sendo o principal o Reino do Congo, que abrangia o atual noroeste da Angola e uma faixa adjacente da hoje República Democrática do Congo, da República do Congo e do Gabão. A sua capital situava-se em Mabanza Congo e o seu apogeu se deu durante os séculos XIII e XIV. Esse processo tem que ser visto contra o pano de fundo de um sistemático tráfego de escravos a partir de Luanda. Os holandeses ocuparam Angola entre 1641 e 1648, procurando estabelecer alianças com os estados africanos da região. Em 1648, Portugal retomou Luanda e iniciou um processo de conquista militar dos estados do Congo e Dongo que terminou com a vitória dos portugueses em 1671, redundando num controle sobre aqueles reinos. No entanto, Portugal tinha começado a estender a sua presença no litoral em direcção ao Sul. Em 1657 estabeleceu uma povoação perto da actual cidade de Porto Amboim, transferida em 1617 para a actual Benguela que se tornou numa segunda feitoria, independente da de Luanda. Benguela assumiu aos poucos o controle sobre um pequeno território a norte e leste, e iniciou por sua vez um tráfego de escravos, com a ajuda de intermediários africanos radicados no Planalto Central da Angola de hoje. Estes avanços eram em parte militares, visando o estabelecimento de um domínio duradouro sobre determinadas regiões, e tiveram geralmente que vencer, pelas armas, uma resistência maior ou menor das respectivas populações. Em outros casos tratou-se, no entanto, apenas de criar postos avançados destinados a facilitar a extensão de redes comerciais. Formas particulares de penetração económica foram desenvolvidas no Sul, a partir de Moçâmedes (hoje Namibe). Finalmente, houve naquele século a implantação das primeiras missões católicas para lá dos perímetros controlados por Luanda e Benguela. No momento em que se realizou em 1884/85 a Conferência de Berlim, destinada a acertar a distribuição de África entre as potências coloniais, Portugal pôde fazer valer uma presença secular em dois pontos do litoral, e uma presença mais recente (administrativa/militar, comercial, missionária) numa série de pontos do interior, mas estava muito longe de uma "ocupação efectiva" do território hoje abrangido por Angola. Perante a ameaça das outras potências coloniais, de se apropriarem de partes do território reclamada por Portugal, este país iniciou finalmente, na sequência da Conferência de Berlim, um esforço que visava a ocupação de todo o território da Angola actual. Dados os seus recursos limitados, os progressos neste sentido foram, no entanto, lentos: ainda em 1906, apenas 5% a 6% dos territórios podiam, com alguma razão, ser considerados "efectivamente ocupados". Só depois do advento da República em Portugal, em 1910, a expansão do Estado colonial avançou de forma mais consequente. Em meados dos anos 1920 estava alcançado um domínio integral do território, muito embora houvesse ainda em 1941 um breve surto de "resistência primária", da parte da etnia vacuval. Embora lento, este esforço de ocupação não deixou, porém, de provocar novas dinâmicas sociais, económicas e políticas. Alcançada a desejada "ocupação efectiva", Portugal — melhor dito: o regime ditatorial, entretanto instaurado naquele país por António de Oliveira Salazar — concentrou-se em Angola na consolidação do Estado colonial. Esta meta foi atingida com alguma eficácia. Num lapso de tempo relativamente curto foi edificada uma máquina administrativa dotada de uma capacidade não sem falhas, mas sem dúvida significativa de controle e de gestão. Esta garantiu o funcionamento de uma economia assente em dois pilares: o de uma imigração portuguesa que, em poucas décadas, fez subir a população europeia para mais de, com uma forte componente empresarial, e o de uma população africana sem direito à cidadania, na sua maioria — ou seja, com a excepção dos povos pastores do Sul — remetida para uma pequena agricultura orientada para os produtos exigidos pelo colonizador (café, milho, sisal), pagando impostos e taxas de vária ordem, e muitas vezes obrigada, por circunstâncias económicas e/ou pressão administrativa, a aceitar trabalhos assalariados geralmente mal pagos. Entre 1939 e 1943, o exército português realizou operações contra os nómadas Mucubal, acusados de rebelião, que levaram à morte de metade de sua população. Os sobreviventes foram encarcerados em campos de trabalho forçado, onde a grande maioria deles pereceu devido à brutalidade do sistema de trabalho, subnutrição e execuções. Nos anos 1950 começou a articular-se uma resistência multifacetada contra a dominação colonial, impulsionada pela descolonização que se havia iniciado no continente africano, depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Esta resistência, que visava a transformação da colónia de Angola em país independente, desembocou a partir de 1961 num combate armado contra Portugal que teve três principais protagonistas:, o Movimento Popular de Libertação de Angola, cuja principal base social eram os ambundos e a população mestiça, bem como partes da inteligência branca, e que tinha laços com partidos comunistas em Portugal e países pertencentes ao então Pacto de Varsóvia;, a Frente Nacional de Libertação de Angola, com fortes raízes sociais entre os congos e vínculos com o governo dos Estados Unidos e ao regime de Mobutu Sese Seko no Zaire, entre outros;, a União Nacional para a Independência Total de Angola, socialmente enraizada entre os ovimbundos e beneficiária de algum apoio por parte da China. Logo depois do início do conflito armado, uma "ala liberal" no seio da política portuguesa impôs uma reorientação incisiva da política colonial. Revogando já em 1962 o Estatuto do Indigenato e outras disposições discriminatórias, Portugal concedeu direitos de cidadão a todos os habitantes de Angola que de "colónia" passou a "província" e mais tarde a "Estado de Angola". Ao mesmo tempo, expandiu enormemente o sistema de ensino, dando assim à população negra possibilidades inteiramente novas de mobilidade social — pela escolarização e a seguir por empregos na função pública e na economia privada. A finalidade desta reorientação foi a de ganhar "mentes e corações" das populações angolanas para o modelo de uma Angola multi-racial que continuasse a fazer parte de Portugal, ou ficar estreitamente ligado à "Metrópole". Essa opção foi, no entanto, rejeitada pelos três movimentos de libertação que continuaram a sua luta. Nesta começaram, porém, a registar-se mais retrocessos do que progressos, e nos primeiros anos 1970 as hipóteses de conseguir a independência pelas armas tornaram-se muito fracas. Na maior parte do território a vida continuou com a normalidade colonial. É certo que houve uma série de medidas de segurança, das quais algumas — como controles de circulação, ou o estabelecimento de "aldeias concentradas" em zonas como o Planalto Central, no Cuanza Norte e no Cuanza Sul. — afectaram a população em grau maior ou menor. A situação alterou-se completamente quando em abril de 1974 aconteceu em Portugal a Revolução dos Cravos, um golpe militar que pôs fim à ditadura em Portugal. Os novos detentores do poder proclamaram de imediato a sua intenção de permitir sem demora o acesso das colónias portuguesas à independência. A perspectiva da independência provocada pela Revolução dos Cravos em Portugal, em abril de 1974, e a cessação imediata dos combates por parte das forças militares portuguesas em Angola, levou a uma acirrada luta armada pelo poder entre os três movimentos e os seus aliados. A FNLA entrou em Angola com um exército regular, treinado e equipado pelas Forças Armadas Zairenses, com o apoio dos EUA; o MPLA conseguiu mobilizar rapidamente a intervenção de milhares de soldados cubanos, com o apoio logístico da União Soviética; e a UNITA obteve o apoio das forças armadas do regime de apartheid então vigente na África do Sul. Esforços do novo regime português para que se constituísse um governo de unidade nacional não tiveram êxito. Entretanto, a luta da liderança do MPLA pelo poder, antes e depois da declaração da independência, causou inúmeras vítimas. O conflito armado levou à saída — com destino a Portugal, mas também à África do Sul e ao Brasil — da maior parte dos cerca de 350 000 portugueses que na altura estavam radicados em Angola. Em consequência da política colonial, estes constituíam a maior parte dos quadros do território, o que levou a que a administração pública, a indústria, a agricultura e o comércio caíssem em colapso. Por outro lado, os ovimbundos que tinham sido recrutados pela administração colonial para trabalhar nas plantações de café e tabaco e nas minas de diamantes do Norte, também decidiram voltar às suas terras de origem no planalto central. A outrora próspera economia angolana caiu assim em decadência. No dia 11 de novembro de 1975 foi proclamada a independência de Angola, pelo MPLA em Luanda, e pela FNLA e UNITA, em conjunto no Huambo. As forças armadas Portuguesas que ainda permaneciam no território regressaram a Portugal. Com a independência de Angola começaram dois processos que se condicionaram mutuamente. Por um lado, o MPLA — que em 1977 adoptou o marxismo-leninismo como doutrina — estabeleceu um regime político e económico inspirado pelo modelo então em vigor nos países do "bloco socialista", portanto monopartidário e baseado numa economia estatal, de planificação central. Enquanto a componente política deste regime chegou a funcionar dentro dos moldes postulados, embora com um rigor algo menor do que em certos países "socialistas" da Europa. A componente económica foi fortemente prejudicada pela luta armada e, no fundo, só se sustentou graças ao petróleo cuja exploração o regime confiou a companhias petrolíferas americanas. Por outro lado, iniciou-se logo depois da declaração da independência a Guerra Civil Angolana entre os três movimentos, uma vez que a FNLA e, sobretudo, a UNITA não se conformaram nem com a sua derrota militar, nem com a sua exclusão do sistema político. Esta guerra durou até 2002 e terminou com a morte, em combate, do líder histórico da UNITA, Jonas Savimbi. Assumindo raramente o carácter de uma guerra "regular", ela consistiu no essencial numa guerra de guerrilha que nos anos 1990 envolveu praticamente o país inteiro. Ela custou milhares de mortos e feridos e destruições de vulto em aldeias, cidades e infraestruturas (estradas, caminhos de ferro, pontes). Uma parte considerável da população rural, especialmente a do Planalto Central e de algumas regiões do Leste, fugiu para as cidades ou para outras regiões, inclusive países vizinhos. No fim dos anos 1990, o MPLA decidiu abandonar a doutrina marxista-leninista e mudar o regime para um sistema de democracia multipartidária e uma economia de mercado. UNITA e FNLA aceitaram participar no regime novo e concorreram às primeiras eleições realizadas em Angola, em 1992, das quais o MPLA saiu como vencedor. Não aceitando os resultados destas eleições, a UNITA retomou de imediato a guerra, mas participou ao mesmo tempo no sistema político. Logo a seguir a morte do seu líder histórico, a UNITA abandonou as armas e seu braço armado — as Forças Armadas de Libertação de Angola — foi desmobilizado ou integrado nas Forças Armadas Angolanas. Tal como a FNLA, passou a concentrar-se na participação, como partido, no parlamento e outras instâncias políticas. Na situação de paz, depois de quatro décadas de conflito armado, começou a reconstrução do país e, graças a um notável crescimento da economia, um desenvolvimento globalmente bastante acentuado, mas por enquanto com fortes disparidades regionais e desigualdades sociais. A paz está também a favorecer a consolidação de uma identidade social abrangente, "nacional", que começou a formar-se paulatinamente a partir dos anos 1950. Politicamente, continua a ter um forte predomínio do MPLA, que obteve claras maiorias parlamentares nas eleições realizadas em 1992, 2008 e 2012, garantindo a permanência nas funções de Presidente do Estado, entre 1979 e 2017, de José Eduardo dos Santos. Enquanto a FNLA desapareceu praticamente da cena, a UNITA consolidou, nas eleições de 2012, a sua posição como principal partido de oposição. A nível económico, Angola registou por um lado um forte crescimento, enfrentando, por outro lado, dificuldades que a obrigaram a solicitar o apoio do Fundo Monetário Internacional, não conseguindo travar o surgimento de desigualdades económicas e sociais muito acentuadas. Angola situa-se na costa atlântica Sul da África Ocidental, entre a Namíbia e a República do Congo. Também faz fronteira com a República Democrática do Congo e a Zâmbia, a oriente. O país está dividido entre uma faixa costeira árida, que se estende desde a Namíbia, chegando praticamente até Luanda, um planalto interior húmido, uma savana seca no interior sul e sudeste, e floresta tropical no norte e em Cabinda. O rio Zambeze e vários afluentes do rio Congo têm as suas nascentes em Angola. A faixa costeira é temperada pela corrente fria de Benguela, originando um clima semelhante ao da costa do Peru ou da Baixa Califórnia. Existe uma estação das chuvas curta, que vai de fevereiro a abril. Os Verões são quentes e secos, os Invernos são temperados. Angola, apesar de se localizar numa zona tropical, tem um clima que não é caracterizado para essa região, devido à confluência de três factores: a Corrente de Benguela, fria, ao longo da parte sul da costa; o relevo no interior; e a influência do Deserto do Namibe, a sudoeste. Em consequência, o clima de Angola é caracterizado por duas estações: a das chuvas, de outubro a abril e a seca, conhecida por Cacimbo, de maio a agosto, mais seca, como o nome indica e com temperaturas mais baixas. Por outro lado, enquanto a orla costeira apresenta elevados índices de pluviosidade, que vão decrescendo de Norte para Sul e dos 800 mm para os 50 mm, com temperaturas médias anuais acima dos 23 °C, a zona do interior pode ser dividida em três áreas: Norte, com grande pluviosidade e temperaturas altas; Planalto Central, com uma estação seca e temperaturas médias da ordem dos 19 °C; e Sul com amplitudes térmicas bastante acentuadas devido à proximidade do Deserto do Calaari e à influência de massas de ar tropical. A população de Angola em 2014, depois do primeiro censo pós-independência e dos resultados definitivos do Recenseamento Geral da População e Habitação 2014, é de 25 789 024 habitantes, sendo 52% do sexo feminino. A população do país deverá crescer para mais de 47 milhões de pessoas em 2060, quase duplicando o censo de 24,3 milhões em 2014. O último censo oficial foi realizado em 1970 e mostrou que a população total era de 5,6 milhões habitantes. Em 2024 a população era composta por 29,1% de ovimbundos (língua umbundo), 27% de ambundos (língua quimbundo), 14,4% de congos (língua congo), 8,9% de chócues (língua chócue) e 20,6% de outros grupos étnicos (como os ovambos, os vambundas, os hereros, os nhaneca-humbes e os xindongas). Em 2008, estimou-se que tinha aproximadamente 400 000 trabalhadores migrantes da RDC, ao menos 30 000 portugueses e cerca de 259 000 chineses vivendo em Angola. Desde 2003, mais de 400 000 imigrantes congoleses foram expulsos de Angola. Antes da independência, em 1975, Angola tinha uma comunidade lusitana de cerca de 350 000 pessoas; em 2013 existiam cerca de 200 000 portugueses registados com os consulados. A população chinesa é de pessoas, em sua maioria composta por migrantes temporários. A taxa de fecundidade total do país é de 5,54 filhos por mulher (estimativas de 2012), a 11ª maior do mundo. O português é a língua oficial de Angola. Dentre as línguas africanas faladas no país, algumas têm o estatuto de língua nacional. Essas, assim como as outras línguas africanas, são faladas pelas respectivas etnias e têm dialectos correspondentes aos subgrupos étnicos. A língua étnica com mais falantes em Angola é o umbundo, falado pelos ovimbundos na região centro-sul de Angola e em muitos meios urbanos. É língua materna de cerca de um terço dos angolanos. O quimbundo (ou kimbundo) é a segunda língua étnica mais falada — por cerca da quarta parte da população, Embora as línguas étnicas sejam as habitualmente faladas pela maioria da população, o português é a primeira língua de 40% Seis línguas étnicas têm o estatuto oficial de "língua nacional": por ordem de importância numérica são o umbundo, o quimbundo, o quicongo, o chócue, o ganguela e o cuanhama. Essas línguas ocupam um certo (limitado) espaço na comunicação social, em documentos (p.ex. avisos) exarados por entidades oficiais e na educação. Em Angola existem actualmente cerca de 1000 religiões organizadas em igrejas ou formas análogas. Dados fiáveis quanto aos números dos fiéis não existem, mas a grande maioria dos angolanos adere a uma religião cristã ou inspirada pelo cristianismo. Cerca de 41% da população está ligada à Igreja Católica e cerca de 38% a uma das igrejas protestantes: as baptistas (Convenção Batista de Angola e Igreja Baptista Evangélica em Angola), enraizadas principalmente entre os congos, as metodistas, concentradas na área dos ambundos, e as congregacionais, implantadas entre os ovimbundos, para além de comunidades mais reduzidas de protestantes reformados e luteranos. A estes há de acrescentar os adventistas, os neo-apostólicos e um grande número de igrejas pentecostais, algumas das quais com forte influência brasileira. Há, finalmente, duas igrejas do tipo sincrético, os quimbanguistas com origem no Congo-Quinxassa, e os tocoistas que se constituíram em Angola, ambas com comunidades de dimensão bastante limitada. É significativa, mas não passível de quantificação, a proporção de pessoas sem religião. Os praticantes de religiões tradicionais africanas constituem uma pequena minoria, de carácter residual, mas entre os cristãos encontram-se, com alguma frequência, crenças e costumes herdados daquelas religiões. Há apenas 1 a 2% de muçulmanos, quase todos imigrados de outros países (p.ex. da África Ocidental), cuja diversidade não permite que constituam uma comunidade, apesar de serem todos sunitas Uma parte crescente da população urbana não tem ou não pratica qualquer religião, o que se deve menos à influência do Marxismo-Leninismo oficialmente professado na primeira fase pós-colonial, e mais à tendência internacional no sentido de uma secularização. Em contrapartida, a experiência com a Guerra Civil Angolana e com a pobreza acentuada levaram muitas pessoas a uma maior intensidade da sua fé e prática religiosa, ou então a uma adesão a igrejas novas onde o fervor religioso é maior. A Igreja Católica, as igrejas protestantes tradicionais e uma ou outra das igrejas pentecostais têm obras sociais de alguma importância, destinadas a colmatar deficiências quer da sociedade, quer do Estado. Tanto a Igreja Católica como as igrejas protestantes tradicionais pronunciam-se ocasionalmente sobre problemas de ordem política. O seu papel nas guerras anticolonial e civil tem dado margem a controvérsias. O regime político vigente em Angola é o presidencialismo, em que o Presidente da República é igualmente chefe do Governo, que tem ainda poderes legislativos. O ramo executivo do governo é composto pelo presidente João Lourenço, pela vice-presidente Esperança da Costa e pelo Conselho de Ministros. Os governadores das 21 províncias são nomeados pelo presidente e executam as suas directivas. A Lei Constitucional de 1992 estabelecia as linhas gerais da estrutura do governo e enquadra os direitos e deveres dos cidadãos. O sistema legal baseia-se no português e direito consuetudinário, mas é fraco e fragmentado. Existem tribunais só em 12 dos mais de 140 municípios do país. Entre os aspectos que merecem uma atenção especial estão os decorrentes das políticas chamadas de descentralização e desconcentração, adoptadas nos últimos anos, e que remetem para a necessidade de analisar a realidade política a nível regional (sobe tudo provincial) e local. Por outro lado, começa a fazer sentir-se um certo peso internacional de Angola, particularmente a nível regional, devido à sua força económica e ao seu poderia militar. O que estes mecanismos significam na prática só pode ser compreendido contra o pano de fundo do peso esmagador, em termos de resultados eleitorais e de detenção e exercício do poder, do partido que se impôs no processo de descolonização e na guerra civil que se lhe seguiu, o MPLA. Com efeito, o regime acima descrito situa-se na categoria de sistema de partido dominante que tudo faz para perpetuar-se. Em 2014, Angola subiu dois lugares no ranking mundial de governo eletrônico, de acordo com o relatório do Índice de Desenvolvimento de e-Government publicado pela ONU, que analisa o uso da tecnologia de informação e comunicação por parte dos governos na divulgação de informações e serviços públicos na Internet. A média no Índice de Desenvolvimento de E-Government em África é de 0,27. Angola encontra-se acima da média africana com um índice de desenvolvimento de 0,3. Um Supremo Tribunal serve como tribunal de apelação. O Tribunal Constitucional é o órgão supremo da jurisdição constitucional, teve a sua Lei Orgânica aprovada pela Lei n.° 2/08, de 17 de junho, e a sua primeira tarefa foi a validação das candidaturas dos partidos políticos às eleições legislativas de 5 de setembro de 2008. Está previsto entrar em vigor um novo Código Penal angolano ainda em 2014, resultado da revisão, já concluída, da legislação em vigor. Segundo o juiz conselheiro do Tribunal Constitucional angolano, Tomás Miguel, que coordena a Comissão de Reforma da Justiça e do Direito, a tipificação do crime de branqueamento de capitais é uma das novidades previstas na nova legislação. Em 5 e 6 de setembro de 2008 foram realizadas eleições legislativas, as primeiras eleições desde 1992. As eleições decorreram sem sobressaltos e foram consideradas válidas pela comunidade internacional, não sem antes diversas ONG e observadores internacionais terem denunciado algumas irregularidades. O MPLA obteve mais de 80% dos votos, a UNITA cerca de 10%, sendo os restantes votos distribuídos por uma série de pequenos partidos, dos quais apenas um (PRS, regional da Lunda) conseguiu eleger um deputado. O MPLA pôde, portanto, neste momento governar com uma esmagadora maioria De acordo com a nova Constituição, aprovada em janeiro de 2010, passam a não se realizar eleições presidenciais, sendo o Presidente e o Vice-presidente os cabeças-de-lista do partido que tiver a maioria nas eleições legislativas. A nova constituição tem sido criticada por não consolidar a democracia e usar os símbolos do MPLA como símbolos nacionais. O regime angolano realizou as primeiras Eleições Gerais a, um modelo constitucional novo, que surge na sequência da junção das eleições legislativas com as presidenciais, respeitando pela primeira vez o prazo constitucional de 4 anos entre eleições. Para além dos 5 partidos com assento na Assembleia Nacional — MPLA, UNITA, PRS (Partido da Renovação Social), FNLA, ND (Nova Democracia) — existiam mais 67 partidos em princípio habilitados para concorrer. José Eduardo dos Santos anunciou em dado momento a sua intenção de não ser novamente candidato, mas acabou por encabeçar a lista do seu partido. Como o MPLA ganhou novamente as eleições, com cerca de 71% (175 deputados), ele foi automaticamente eleito Presidente, em conformidade com as regras constitucionais em vigor. A UNITA aumentou a sua cota para cerca de 18% (32 deputados), e a Convergência Ampla para a Salvação de Angola, recentemente fundada por Abel Epalanga Chivukuvuku, obteve 6% (8 deputados). Para além destes três partidos, conseguiram ainda entrar no parlamento, com votações ligeiramente inferiores a 2%, o Partido da Renovação Social (PRS, 3 deputados) e a FNLA (2 deputados). São muito significativas as disparidades entre regiões, especialmente quanto aos resultados dos partidos da oposição: nas províncias de Cabinda e de Luanda, a oposição obteve p.ex. cerca de 40% dos votos, e a parte da UNITA foi de cerca de 30% no Huambo e em Luanda, e de 36% no Bié. A taxa de abstenção foi a mais alta verificada desde o início das eleições multipartidárias: 37,2%, contra 12,5% em 2008. A 16 de outubro de 2014, Angola foi eleita pela segunda vez membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com 190 votos favoráveis de um total de 193. O mandato teve início a 1 de janeiro de 2015 e uma duração de dois anos. Desde janeiro de 2014, a República de Angola ocupa a presidência da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos . Em 2015, o secretário executivo da CIRGL, Ntumba Luaba, afirmou que Angola é o exemplo a ser seguido pelos membros da organização, devido aos avanços significativos registados ao longo dos 12 anos de paz, nomeadamente ao nível da estabilidade sócio-económica e político-militar. Entretanto, a guerra civil de 27 anos causou grandes danos às instituições políticas e sociais do país. As Nações Unidas estimam em 1,8 milhão o número de pessoas internamente deslocadas, enquanto que o número mais aceite entre as pessoas afectadas pela guerra atinge os 4 milhões. As condições de vida quotidiana em todo o país e especialmente em Luanda (que tem uma população de cerca de 4 milhões, embora algumas estimativas não oficiais apontem para um número muito superior) espelham o colapso das infraestruturas administrativas, bem como de muitas instituições sociais. A grave situação económica do país inviabiliza um apoio governamental efectivo a muitas instituições sociais. Existem hospitais sem medicamentos ou equipamentos básicos, há escolas que não têm livros e é frequente que os funcionários públicos não tenham à disposição aquilo de que necessitam para o seu trabalho. Além disso, o país foi classificado como "não livre" pela Freedom House no seu relatório Freedom in the World de 2013, onde a organização também observa que as eleições parlamentares de agosto 2012, em que o Movimento Popular de Libertação de Angola ganhou mais de 70% dos votos, teve graves falhas, como listas de eleitores desatualizadas e imprecisas. O país também é classificado como um "regime autoritário" e como uma das nações menos democráticas do mundo, ao ficar na 133.ª posição entre os 167 países analisados pelo Índice de Democracia de 2011, calculado pela Economist Intelligence Unit. Angola também ficou numa má posição no Índice Ibrahim de Governança Africana de 2013, quando foi classificada na 39.ª posição entre os 52 países da África Subsaariana, com uma avaliação particularmente má em áreas como "Participação e Direitos Humanos", "Oportunidade Económica Sustentável" e "Desenvolvimento Humano". O Índice Ibrahim utiliza uma série de variáveis diferentes para compilar a sua classificação, que reflete o estado dos governos na África. Angola também é considerada um dos mais corruptos do mundo pela Transparência Internacional. Uma nova manifestação, visando em particular a pessoa do Presidente, teve lugar em inícios de setembro de 2011. Em 2019, a homossexualidade foi descriminalizada e o governo também proibiu a discriminação com base na orientação sexual. A votação foi esmagadora: 155 a favor, 1 contra, 7 abstenções. A economia de Angola caracterizava-se, até à década de 1970, por ser predominantemente agrícola, sendo o café a sua principal cultura. Seguiam-se-lhe cana-de-açúcar, sisal, milho, óleo de coco e amendoim. Entre as culturas comerciais, destacavam-se o algodão, o tabaco e a borracha. A produção de batata, arroz, cacau e banana era relativamente importante. Os maiores rebanhos eram de gado bovino, caprino e suíno. Angola é rica em minerais, especialmente diamantes, petróleo e minério de ferro; possui também jazidas de cobre, manganês, fosfatos, sal, mica, chumbo, estanho, ouro, prata e platina. As minas de diamante estão localizadas perto de Dundo, no distrito de Luanda. Importantes jazidas de petróleo foram descobertas em 1966, ao largo de Cabinda, e mais tarde ao largo da costa até Luanda, tornando Angola num dos importantes países produtores de petróleo (sendo, atualmente, o segundo maior produtor da África subsaariana), com um desenvolvimento económico possibilitado e dominado por esta actividade. Em 2006, Angola entrou para a OPEP, no entanto, o país optou por deixar a organização ao final do ano de 2023. O principal motivo alegado para a saída foi o desacordo sobre as metas de produtividade que a organização deseja impor ao país (a OPEP, buscando controlar os preços, pedia a Angola a redução da produção para 1,11 milhão de barris por dia, enquanto que o país insistia em manter sua produção na casa dos 1,18 milhão de barris por dia). Alguns analistas apontam que a oposição (e consequente saída) do governo angolano frente a OPEP faria parte da estratégia do presidente João Lourenço para promover e fortalecer uma maior aproximação com os Estados Unidos. Em 1975 foram localizados depósitos de urânio perto da fronteira com a Namíbia. As principais indústrias do território são as de beneficiamento de oleaginosas, cereais, carnes, algodão e tabaco. Merece destaque, também, a produção de açúcar, cerveja, cimento e madeira, além do refino de petróleo. Entre as indústrias destacam-se as de pneus, fertilizantes, celulose, vidro e aço. O parque fabril é alimentado por cinco usinas hidroeléctricas, que dispõem de um potencial energético superior ao consumo. O sistema ferroviário de Angola compõe-se de cinco linhas que ligam o litoral ao interior. A mais importante delas é a estrada de ferro de Benguela, que faz a conexão com as linhas de Catanga, na fronteira com o Zaire. A rede rodoviária, na sua maioria constituída de estradas de segunda classe, liga as principais cidades. Os portos mais movimentados são os de Luanda, Lobito, Soyo, Namibe e Cabinda. O aeroporto de Luanda é o centro de linhas aéreas que põem o país em contacto com outras cidades africanas, europeias e americanas. Um problema estrutural sério da economia angolana é a desigualdade muito marcada entre as diferentes regiões, em parte causadas pela guerra civil prolongada. O dado mais eloquente é a concentração de cerca de um terço da actividade económica em Luanda e na província contígua do Bengo, enquanto em várias áreas do interior se verificam até processos de regressão. Uma característica cada vez mais saliente da economia angolana é a de uma parte substancial dos investimentos privados, tornados possíveis graças a uma acumulação exorbitante na mão de uma pequena franja da sociedade (ver em baixo), é canalizada para fora do país. Por agora, Portugal é o alvo preferencial destes investimentos, que se verifica na banca, energia, telecomunicações e comunicação social, mas também na vinicultura e fruticultura, em imóveis, bem como em empreendimentos turísticos. Angola tem feito diversos investimentos e apostas na formação de novos empreendedores e na criação de novos negócios e subsequentes empregos, bem como na formulação de parcerias com outros países, liderando a Conferência Empresarial dos PALOPs, mantendo sempre uma relação mutuamente benéfica com Portugal — cujas exportações de Angola para este totalizaram 1,127 000 milhões de euros, nos primeiros quatro meses de 2013. Os investimentos em Angola estão também em ascensão por parte de países fora da área da lusofonia: segundo a ANIP (Associação Nacional de Investimento Privado) o investimento em Angola tem sido crescente e muito acentuado. Os benefícios do crescimento económico de Angola chegam de maneira bastante desigual à população. É visível o rápido enriquecimento de um segmento social ligado aos detentores do poder político, administrativo e militar. Um leque de "classes médias" encontra-se em formação nas cidades onde se concentram mais de 50% da população. No país, grande parte da população vive em condições de pobreza relativa, com grandes diferenças entre as cidades e o campo: um inquérito realizado em 2008 pelo Instituto Nacional de Estatística indica que 37% da população angolana vive abaixo da linha de pobreza, especialmente no meio rural (o índice de pobreza é de 58,3%, enquanto o do meio urbano é de 19%). Nas cidades grande parte das famílias, além dos classificados como pobres, está remetida para estratégias de sobrevivência. Nas áreas urbanas, também as desigualdades sociais são mais evidentes, especialmente em Luanda. O advento da paz militar, em 2002, permitiu um balanço diferenciado dos problemas económicos e sociais extremamente complexos que se colocavam ao país, mas também do leque de possibilidades que se abriam. Os indicadores disponíveis até à data indicam que a lógica da economia política, seguida desde os anos 1980 e de maneira mais manifesta na década dos anos 2000, levou a um crescimento económico notável, em termos globais, mas, ao mesmo tempo, manteve e acentuou distorções graves, em termos sociais e também económicos. Convém referir que, nas listas do Índice de Desenvolvimento Humano elaboradas pela ONU, Angola ocupa sempre um lugar entre os países mais mal colocados. Em junho de 2014, o Brasil anunciou que apoia a candidatura de Angola a membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU. De acordo com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, "Angola poderá oferecer um olhar atento e alternativas equilibradas aos actuais desafios da paz e segurança internacionais". Com um stock de activos correspondentes a 70 000 milhões US$, (6,8 biliões Kz), Angola é hoje o terceiro maior mercado financeiro da África subsaariana, superada apenas pela Nigéria e África do Sul. De acordo com o Ministro da Economia angolano, Abraão Gourgel, o mercado financeiro do país cresceu modestamente a partir de 2002 e hoje situa-se em terceiro lugar a nível da África Subsaariana. Em 2013 Angola foi o país africano que mais investimentos realizou no estrangeiro, especialmente em Portugal, revelou um relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento. O facto de Angola se ter assumido como emissor de investimento directo estrangeiro é particularmente surpreendente, tendo em conta o grande volume de investimentos que o país recebeu nos últimos anos, principalmente ao nível da exploração petrolífera e do gás natural, bem como de infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias. Globalmente os países da África Subsaariana têm vindo a conseguir melhorias significativas ao nível do bem-estar das populações, de acordo com um relatório da Tony Blair Africa Governance Initiative em conjunto com o The Boston Consulting Group. Angola tem investido em melhorar infra-estruturas em estado crítico, num investimento possível graças aos fundos de desenvolvimento provenientes do petróleo. Segundo o mesmo relatório, apenas 10 anos depois da Guerra Civil, os padrões de vida em Angola melhoraram surpreendentemente. A esperança média de vida aumentou de 46 anos em 2002 para 51 em 2011. As taxas de mortalidade infantis diminuíram de 25% em 2001 para 19% em 2010 e o número de alunos em escolas primárias triplicou desde 2001. No entanto, as desigualdades económicas e sociais que têm vindo a ser uma característica do país não diminuíram, mas em muitos aspectos até acentuarem-se. O FMI prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto real venha a atingir em 2014 os 3,9%. O Fundo afasta assim a possibilidade de a curto prazo conceder novos empréstimos à economia angolana, pelo facto de essa reflectir “melhorias significativas” no ambiente macroeconómico e na gestão e transparência das contas nacionais. Em agosto de 2014, a agência de notação financeira Moody's divulgou uma nota aos mercados na qual previa um crescimento da economia de Angola de 7,8% em 2014. No dia 19 de dezembro de 2014 foi lançada a operadora de mercado de capitais angolanos, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA). A operadora recebeu inicialmente o mercado secundário de dívida pública, com o arranque do mercado de dívida corporativa em 2018 e o mercado acionista em 2022. Uma pesquisa em 2007 concluiu que ter uma quantidade pequena ou deficiente de Niacina era comum em Angola. Angola está localizada na zona endémicas de febre-amarela. A partir de 2004, a relação dos médicos por população foi estimada em 7,7 por 100 000 pessoas. Em 2005, a expectativa de vida foi estimada em apenas 38,43 anos, uma das mais baixas do mundo. A mortalidade infantil em 2005 foi estimada em 187,49 por nascidos vivos, as mais altas do mundo. A incidência de tuberculose em 1999 foi 271 por 100 000 pessoas. Taxas de imunização de crianças de um ano de idade em 1999 foram estimadas em 22% de tétano, difteria e tosse convulsa e 46% para sarampo. A desnutrição tem afetado cerca de 53% das crianças abaixo de cinco anos de idade a partir de 1999. Desde 1975 e 1992, houve 300 000 mortes relacionadas com a guerra civil. A taxa global de morte foi estimada em 24 por em 2002. Embora se mantenha entre os países com as taxas de expectativa de vida mais baixas e de mortalidade infantil mais altas do mundo, A prevalência de HIV/SIDA foi 3,90 por 100 adultos em 2003. Em 2004, havia aproximadamente 240 000 pessoas que vivem com HIV/SIDA no país. Estima-se que houve mortes de SIDA em 2003. Em 2000, 38% da população tiveram acesso à água potável e 44% tinham saneamento adequado. Em setembro de 2014 foi criado por decreto presidencial o Instituto Angolano de Controlo de Câncer, que vai integrar o Serviço Nacional Saúde de Angola. Um instituto oncológico que vai assumir-se como instituição de referência nas regiões central e austral de África. O objectivo deste novo centro é assegurar a assistência médica e medicamentosa em oncologia, a implementação de políticas, programas e planos nacionais de prevenção, bem como o tratamento especializado. Em 2014, Angola lançou uma campanha nacional de vacinação contra o sarampo, alargada a todas as crianças com menos de 10 anos e que pretende percorrer todas as 18 províncias do País. A medida faz parte do Plano Estratégico de Eliminação do Sarampo 2014–2020 elaborado pelo Ministério da Saúde angolano e que prevê o reforço da vacinação de rotina e manuseamento correto dos casos de sarampo, campanhas nacionais, a introdução da segunda dose de vacinação contra a doença no calendário nacional de vacinação de rotina e vigilância epidemiológica activa do sarampo. Essa campanha decorreu em paralelo com uma acção de vacinação contra a poliomielite e a administração de vitamina A. Logo depois da independência do país, uma das prioridades foi a de expandir o ensino e de incutir-lhe um novo espírito. Neste sentido, mobilizaram-se não apenas os recursos humanos e materiais existentes em Angola, mas concluiu-se um acordo com Cuba que previu uma intensa colaboração deste país no sector da educação (como, por sinal, também no da saúde). Essa colaboração, de uma notável eficácia, durou 15 anos, e possibilitou avanços significativos em termos não apenas de uma cobertura do território como também de um aperfeiçoamento da qualidade dos professores e do seu ensino. Apesar desses avanços, a situação continua até hoje pouco satisfatória. Enquanto na lei, o ensino em Angola é compulsório e gratuito até aos oito anos de idade, o governo reporta que uma percentagem significativa de crianças não está matriculada em escolas por causa da falta de estabelecimentos escolares e de professores. Os estudantes são normalmente responsáveis por pagar despesas adicionais relacionadas com a escola, incluindo livros e alimentação. pública, herdeira da embrionária "Universidade de Luanda" dos tempos coloniais, chegou a ter cerca de 40 faculdades espalhadas por todo o país; em 2009 foi desmembrada, continuando a existir como tal apenas em Luanda e na Província do Bengo, enquanto se constituíram, a partir das faculdades existentes, seis universidades autónomas, cada uma vocacionada para cobrir determinadas províncias, inclusive pelo sistema dos pólos noutras cidades: em Benguela a Universidade Katyavala Bwila, em Cabinda a Universidade 11 de Novembro, no Huambo a Universidade José Eduardo dos Santos, no Lubango a Universidade Mandume ya Ndemufayo, em Malanje (com Saurimo e Luena) a Universidade Lueji A'Nkonde. Além disto existe desde a independência a Universidade Católica de Angola, em Luanda. A partir dos anos 1990, fundaram-se toda uma série de universidades privadas, algumas ligadas a universidades portuguesas como a Universidade Jean Piaget de Angola, a Universidade Lusófona de Angola, a Universidade Lusíada de Angola, e a Angola Business School (todas em Luanda), outras resultantes de iniciativas angolanas: a Universidade Privada de Angola com campus em Luanda e no Lubango, e em Luanda ainda a Universidade Metodista de Angola e a Universidade Técnica de Angola, a Universidade Independente de Angola, a Universidade Metropolitana de Angola, a Universidade Oscar Ribas, a Universidade Gregório Semedo a Universidade de Belas bem como o Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais. Todos estes estabelecimentos lutam, em grau maior e menor, com problemas de qualidade, e em Luanda alguns começam a ter problemas de procura. Em setembro de 2014, o Ministério da Educação angolano anunciou que iria fazer um investimento de 16 milhões de euros na informatização de mais de 300 salas de aula em todo o país. O projecto inclui ainda a formação de professores a nível nacional, "visando a introdução e utilização das novas tecnologias de informação nas escolas primárias, reflectindo a melhoria da qualidade do ensino". As estradas deterioram-se devido ao conflito armado. A rede ferroviária em Angola é constituída por três linhas no sentido leste-oeste. A principal rede é a do centro do país que faz ligação entre o porto do Lobito e a fronteira do Congo, onde se liga com a rede deste país. As outras linhas são as de Moçâmedes e de Luanda. O país tem uma rede ferroviária de km. Luanda dispõe de um aeroporto internacional, que é a principal porta de entrado do tráfego internacional. Angola mantém várias ligações áreas com países de África, América e Europa. A rede de voos domésticos mantém várias ligações entre si e existem mais de 176 aeroportos em Angola, sendo 31 com pistas pavimentadas. Dez companhias aéreas operam no país e transportam cerca de 1,2 milhão de pessoas todos os anos. Em outubro de 2014 foi anunciada a construção do primeiro cabo submarino de fibra óptica do Hemisfério Sul. O projecto visa conectar as cidades de Luanda (Angola) e Fortaleza (Brasil), permitindo uma ligação mais directa entre os 2 continentes. Essa iniciativa tem como objectivo tornar Angola num hub do continente, melhorando a qualidade das ligações de Internet a nível nacional e internacional. O primeiro satélite artificial angolano denominado AngoSat-1, foi lançado a 26 de dezembro de 2017 por volta das 20h WAT, com a previsão de entrar em órbita oito horas depois, isto é, por volta das 4h00 WAT do dia 27 de dezembro de 2017, e permitirá assegurar telecomunicações em todo o território nacional e mais além. De acordo com Aristides Safeca, secretário de Estado das Telecomunicações, o satélite vai disponibilizar serviços de telecomunicações, televisão, internet e governo eletrónico, devendo permanecer em órbita “na melhor das hipóteses” durante 18 anos. A gestão do domínio '.ao', relativo a páginas de Internet, passou de Portugal para Angola em 2015, na sequência da aprovação de uma nova legislação pelo Governo angolano. O despacho conjunto do ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, e da ministra da Ciência e Tecnologia, Maria Cândida Pereira Teixeira, refere que “no âmbito da massificação” daquele domínio angolano “estão criadas as condições para a transferência da raiz do domínio '.ao' de Portugal para Angola”. A cultura angolana é por um lado tributária das etnias que se constituíram no país há séculos, principalmente os ovimbundos, ambundos, congos, chócues e ovambo. Por outro lado, Portugal esteve presente na região de Luanda e mais tarde também em Benguela a partir do século XVI, ocupando o território correspondente à Angola de hoje durante o e mantendo o controlo da região até 1975. Essa presença redundou em fortes influências culturais, a começar pela introdução da língua língua portuguesa e do cristianismo. Essa influência nota-se particularmente nas cidades onde hoje vive mais de metade da população. No lento processo de formação uma sociedade abrangente e coesa em Angola, que continua até hoje, registam-se por tudo isto "ingredientes" culturais muito diversos, em constelações que variam de região para região. A literatura de Angola nasceu antes da Independência de Angola em 1975, mas o projecto de uma ficção que conferisse ao homem africano o estatuto de soberania surge por volta de 1950 gerando o movimento Novos Intelectuais de Angola. No país, a dança distingue diversos géneros, significados, formas e contextos, equilibrando a vertente recreativa com a sua condição de veículo de comunicação religiosa, curativa, ritual e mesmo de intervenção social. Não se restringindo ao âmbito tradicional e popular, manifesta-se igualmente através de linguagens académicas e contemporâneas. A presença constante da dança no quotidiano, é produto de um contexto cultural apelativo para a interiorização de estruturas rítmicas desde cedo. Iniciando-se pelo estreito contacto da criança com os movimentos da mãe (às costas da qual é transportada), esta ligação é fortalecida através da participação dos jovens nas diferentes celebrações sociais (os jovens são os que mais se envolvem), onde a dança se revela determinante enquanto factor de integração e preservação da identidade e do sentimento comunitário. Depois de vários séculos de colonização portuguesa, Angola acabou por também sofrer misturas com outras culturas actualmente presentes no Brasil, Moçambique e Cabo Verde. Com isto, Angola hoje se destaca pelos mais diversos estilos musicais, tendo como principais: o Semba, o Kuduro, a Kizomba e a Rebita. Em 2014 foi inaugurada na província de Luanda, a Casa da Música de Talatona, um espaço de promoção e divulgação da música angolana, privilegiando o semba como forma de contribuir para a sua preservação, divulgação e perpetuação. O basquete é o desporto mais popular em Angola. A sua seleção nacional venceu o Afrobasket 11 vezes e detém o recorde de maior número de títulos. Como uma equipa de ponta na África, é um concorrente regular nos Jogos Olímpicos de Verão e na Copa do Mundo da FIBA. No futebol, Angola sediou o Campeonato Africano das Nações de 2010. A seleção nacional qualificou-se para o Campeonato do Mundo FIFA de 2006, na sua primeira aparição na fase final de um Mundial de Futebol. Eles foram eliminados após uma derrota e dois empates na fase de grupos. Ganharam três Taças COSAFA e foram para a final da Campeonato das Nações Africanas de 2011. O país também apareceu nos Jogos Olímpicos de Verão durante sete anos e ambos competem regularmente e uma vez já sediou a Copa do Mundo de Hóquei em Patins FIRS, onde o melhor resultado é o sexto. Acredita-se também que Angola tenha raízes históricas na arte marcial "Capoeira Angola" e "Batuque", praticada por angolanos africanos escravizados transportados como parte do comércio atlântico de escravos. Algumas das festas típicas de Angola são:, Festas do Mar: Estas festas tradicionais designadas por Festas do Mar, têm lugar na cidade do Namibe. Estas festas provêm de antiga tradição com carácter cultural, recreativo e desportivo. Habitualmente realizam-se na época de verão e é habitual terem exposições de produtos relacionados com a agricultura, pescas, construção civil, petróleos e agro-pecuária;, Carnaval: O desfile principal realiza-se na avenida da marginal de Luanda. Vários corsos carnavalescos, corsos alegóricos desfilam numa das principais avenidas de Luanda e de Benguela; O início da produção cinematográfica em Angola tem como base a atracção pelo "exotismo" das paisagens, povos, costumes e culturas locais, bem como o registo do crescimento e desenvolvimento do império colonial português em África. Em 2025, Angola estreou o seu primeiro filme musical, "As Aventuras de Angosat". O N'golo ou Engolo, é uma arte marcial de origem angolana, praticada em África durante séculos. Suas principais características são os chutes. Acredita-se que o N'golo seja considerada a precursora da capoeira, devido a sua grande semelhança, e por ser uma das artes angolanas a serem introduzidas no Brasil por escravos. No Brasil, o N'golo foi mencionado pela primeira vez no Rio de Janeiro, porém foi desenvolvida principalmente na Bahia, até adquirir características próprias e virar a capoeira moderna.
Aves são uma classe de seres vivos vertebrados endotérmicos caracterizada pela presença de penas, um bico sem dentes, oviparidade de casca rígida, elevado metabolismo, um coração com quatro câmaras e um esqueleto pneumático resistente e leve. As aves estão presentes em todas as regiões do mundo e variam significativamente de tamanho, desde os 5 cm do colibri até aos 2,75 m da avestruz. São a classe de tetrápodes com o maior número de espécies vivas, aproximadamente dez mil, das quais mais de metade são passeriformes. As aves apresentam asas, que são mais ou menos desenvolvidas dependendo da espécie. Os únicos grupos conhecidos sem asas são as moas e as aves-elefante, ambos extintos. As asas, que evoluíram a partir dos membros anteriores, oferecem às aves a capacidade de voar, embora a especiação tenha produzido aves não voadoras, como as avestruzes, pinguins e diversas aves endémicas insulares. Os sistemas digestivo e respiratório das aves estão adaptados ao voo. Algumas espécies de aves que habitam em ecossistemas aquáticos, como os pinguins e a família dos patos, desenvolveram a capacidade de nadar. Algumas aves, especialmente os corvos e os papagaios, estão entre os animais mais inteligentes do planeta. Algumas espécies constroem e usam ferramentas e passam o conhecimento entre gerações. Muitas espécies realizam migrações ao longo de grandes distâncias. A maioria das aves são animais sociais que comunicam entre si com sinais visuais, chamamentos e cantos, e realizam atividades comunitárias como procriação e caça cooperativa, voo em bando e grupos de defesa contra predadores. A grande maioria das espécies de aves são monogâmicas, geralmente durante uma época de acasalamento e por vezes durante vários anos, mas raramente durante toda a vida. Outras espécies são polígamas ou, mais raramente, poliândricas. As aves reproduzem-se através de ovos, que são fertilizados por reprodução sexual e geralmente colocados num ninho onde são incubados pelos progenitores. A maior parte das aves apresenta um período prolongado de cuidados parentais após a incubação. Algumas aves, como as galinhas, põem ovos mesmo que não sejam fertilizados, embora esses ovos não produzam descendência. As aves, e em particular os fringilídeos de Darwin, tiveram um papel importante no desenvolvimento da teoria da evolução por seleção natural de Darwin. O registo fóssil indica que as aves são os últimos sobreviventes dos dinossauros, tendo evoluído a partir de dinossauros emplumados dentro do grupo terópode dos saurísquios. As primeiras aves apareceram durante o período cretácico, há cerca de 100 milhões de anos, e estima-se que o último ancestral comum tenha vivido há 95 milhões de anos. As evidências de ADN indicam que as aves se desenvolveram extensivamente durante a extinção do Cretáceo-Paleogeno que matou os dinossauros não avianos. As aves na América do Sul sobreviveram a este evento, tendo depois migrado para as várias partes do mundo através de várias passagens terrestres, ao mesmo tempo que se diversificavam em espécies durante os períodos de arrefecimento global. Algumas aves primitivas dentro do grupo Avialae datam do período Jurássico. Muitas espécies de aves têm importância económica. As aves domesticadas (de capoeira) e não domesticadas (de caça) são fontes importantes de ovos, carne e penas. As aves canoras e os papagaios são animais de estimação populares. O guano é usado como fertilizante. As aves são um elemento de destaque na cultura. No entanto, desde o que cerca de 120 a 130 espécies foram extintas devido à ação humana e várias centenas foram extintas nos séculos anteriores. Atualmente existem espécies de aves ameaçadas de extinção, embora haja esforços no sentido de as conservar. A observação de aves é uma atividade importante no setor do ecoturismo. A capacidade de voar proporcionou às aves uma diversificação extraordinária, pelo que hoje em dia vivem e reproduzem-se em praticamente todos os habitats terrestres e em todos os sete continentes. A maior biodiversidade de aves tem lugar nas regiões tropicais. Anteriormente, pensava-se que esta maior diversidade era o resultado de uma maior velocidade de especiação nos trópicos. No entanto, estudos mais recentes verificaram que a especiação é superior nas latitudes mais elevadas, embora a velocidade de extinção seja também superior à dos trópicos. Várias famílias de aves evoluíram para se adaptar à vida nos oceanos. Algumas espécies de aves marinhas regressam à costa apenas para nidificar e alguns pinguins são capazes de mergulhar até 300 metros de profundidade. Regra geral, o número de espécies que se reproduz em determinada área é diretamente proporcional ao tamanho dessa área e à diversidade de habitats disponíveis. O número total de espécies está também relacionado com factores como a posição dessa área em relação às rotas de migração e ao número de espécies que aí passam o inverno. Na Europa a oeste dos montes Urais, incluindo grande parte da Turquia, vivem cerca de 540 espécies de aves. Na Ásia vivem espécies, o que corresponde a 25% da avifauna mundial, e só na Rússia vivem cerca de 700. Em África vivem cerca de espécies. Em todo o continente americano vivem cerca de espécies, embora em alguns países da América Central e do Sul haja mais de mil espécies. A Costa Rica é a região com maior número de espécies em relação ao tamanho, com cerca de 800 conhecidas numa área de apenas km2. Outras introduções foram acidentais, como o periquito-monge, que atualmente está presente em várias cidades norte-americanas como consequência de fugas de cativeiro. Algumas espécies, como a garça-boieira, o gavião-carrapateiro e a cacatua-galah, expandiram-se muito para além do seu território inicial de forma natural, à medida que a agricultura foi criando novos habitats. Em comparação com outros vertebrados, as aves apresentam um corpo com diversas adaptações invulgares e únicas que lhes permitem voar, mesmo que sejam apenas estruturas vestigiais ou que sejam usadas para deslocação terrestre ou aquática. Embora haja várias particularidades ósseas e anatómicas exclusivas das aves, a presença de penas é a mais proeminente e distintiva característica das aves. As aves possuem também um órgão único entre os animais, a siringe, que lhes permite produzir os cantos e chamamentos. A pele das aves é praticamente ausente de quaisquer glândulas, à exceção da glândula uropigial que produz um óleo que protege e impermeabiliza as penas. A incapacidade de voo ocorre muitas vezes em ilhas isoladas, provavelmente devido aos recursos limitados e à ausência de predadores terrestres. Embora incapazes de voar ou de percorrer grandes distâncias, algumas aves usam a mesma musculatura e movimentos para nadar na água, como é o caso dos pinguins, tordas ou os melros-d'água. As aves possuem diversas adaptações evolutivas destinadas ao voo, entre as quais ossos pneumáticos e leves, dois grandes músculos de voo (os peitorais – que correspondem a 15% do peso da ave – e o supracoracoide) e um membro anterior modificado que atua simultaneamente como aerofólio (que sustenta a ave no ar) e como elemento de impulso. Muitas aves alternam entre o voo impulsionado pelo bater de asas e o voo planado e usam a cauda para direcionar o voo. e sexo. A cor das penas tem origem em pigmentos ou na estrutura. Os castanhos e os pretos são causados por melaninas sintetizadas pela ave e depositados em grânulos, enquanto os amarelos, laranjas e vermelhos são causados por carotenoides com origem na dieta e difundidos pela pele e penas. As cores azuis são estruturais e têm origem numa camada fina e porosa de queratina. Os verdes resultam do acréscimo de pigmento amarelo ao azul estrutural. As cores iridescentes têm origem na estrutura laminada das bárbulas e são realçadas pelos depósitos de melanina. As maiores aves de rapina podem mudar de plumagem apenas uma vez em vários anos. As características da muda variam entre espécies. Em passeriformes, as penas de voo são substituídas uma de cada vez, sendo as primárias da face inferior substituídas primeiro. Após a substituição da quinta ou sexta primária, começam a cair as terciárias exteriores, seguidas pelas secundárias e pelas outras penas. As grandes coberturas primárias são substituídas ao mesmo tempo das primárias que cobrem. Este processo denomina-se muda centrífuga. Por outro lado, um pequeno número de espécies, entre as quais os patos e os gansos, perdem todas as penas de voo de uma única vez, ficando temporariamente incapazes de voar. Regra geral, a muda das penas da cauda segue o mesmo padrão da das asas, do interior para o exterior. enquanto que na cauda dos pica-paus e das trepadeiras a muda começa no segundo par mais interior e acaba no par central de penas, de modo a que a ave possa continuar a trepar. As escamas das aves encontram-se principalmente nos dedos e no metatarso, embora em algumas aves estejam presentes acima do tornozelo. À semelhança dos bicos, garras e espigões, são constituídas por queratina. A maior parte das escamas não se sobrepõe de forma significativa, exceto nos casos do guarda-rios e do pica-pau. Pensa-se que as escamas das aves sejam homólogas às dos répteis e dos mamíferos. Embora o tamanho e a forma do bico das aves varie significativamente de espécie para espécie, a sua estrutura é idêntica. Todos os bicos são constituídos por duas mandíbulas, superior e inferior. A mandíbula superior está apoiada num osso denominado intermaxilar, cujas ligações permitem que a mandíbula seja flexível e se mova para cima e para baixo. A mandíbula inferior está apoiada num osso denominado osso maxilar inferior. A superfície exterior do bico é constituída por uma camada fina de queratina, denominada ranfoteca. A ranfoteca forma-se nas células na base de cada mandíbula e cresce continuamente na maior parte das aves, enquanto em algumas espécies muda de cor conforme a estação. As bordas cortantes do bico são denominadas tomia. Na maior parte das espécies, as bordas variam entre arredondadas e ligeiramente afiadas, embora algumas espécies tenham desenvolvido modificações estruturais que lhes permitem manusear melhor a sua fonte de alimentação. Por exemplo, as aves granívoras têm bordas serrilhadas que lhes permitem quebrar a casca de sementes. A maior parte dos falcões e alguns papagaios omnívoros apresentam uma projeção na mandíbula superior, de modo a atingir mortalmente as vértebras das presas ou a dilacerar insetos. Algumas espécies que se alimentam de peixe, como os mergansos, têm bicos serrilhados que mantêm preso o peixe escorregadio. Cerca de 30 famílias de aves insetívoras apresentam cerdas muito curtas em toda a mandíbula que aumentam a fricção e lhes permitem segurar insetos de carapaça dura. A visão das aves é geralmente bastante desenvolvida. As aves marinhas apresentam lentes flexíveis, o que lhes permite ver claramente tanto no ar como dentro de água. Muitas aves exibem padrões de plumagem refletora ultravioleta que são invisíveis ao olho humano. Algumas aves cujos sexos aparentam ser iguais apresentam, na realidade, padrões diferenciados. Os machos do chapim-azul, por exemplo, têm uma coroa refletora ultravioleta que é exposta durante a corte ao levantar as penas da nuca. A luz ultravioleta é também usada na procura de comida. Alguns falcões procuram presas através da deteção dos rastos de urina dos roedores, que refletem a luz ultravioleta. As pálpebras das aves não são usadas para pestanejar. Em vez disso, o olho é lubrificado por uma terceira pálpebra que se desloca horizontalmente, denominada membrana nictitante. Esta membrana também cobre o olho e funciona como uma lente de contacto em muitas aves marinhas. As aves com olhos nas partes laterais da cabeça têm um grande campo visual, enquanto que as aves com olhos na parte da frente da cabeça têm visão binocular e são capazes de estimar a profundidade. O alcance auditivo das aves é limitado. O ouvido não apresenta pavilhão auditivo externo, embora o orifício seja revestido por penas. Em algumas aves de rapina, como as corujas, mochos ou bufos, estas penas formam tufos que se assemelham a orelhas. O ouvido interno apresenta uma cóclea, mas não em espiral como nos mamíferos. As aves têm um dos mais complexos e eficientes sistemas respiratórios de todos os animais. Embora as paredes dos sacos aéreos não façam trocas gasosas, têm a função de atuar como foles para fazer circular o ar pelo sistema respiratório. No momento da inalação, apenas 25% do ar inalado vai diretamente para os pulmões; os restantes 75% atravessam os pulmões e passam diretamente para um saco de ar posterior que se estende a partir dos pulmões e está ligado às cavidades de ar nos ossos, as quais preenche com ar. Quando a ave expira, o ar usado sai dos pulmões e o ar fresco do saco de ar posterior é forçado a passar para os pulmões. Desta forma, os pulmões são constantemente fornecidos de ar fresco, quer durante a inalação quer durante a expiração. Os sons das aves são produzidos na siringe, uma câmara muscular constituída por várias membranas timpânicas que diverge da extremidade inferior da traqueia. Em algumas espécies, a traqueia é alongada, o que aumenta o volume das vocalizações e a perceção do tamanho da ave. A maior parte das aves tem olfato pouco apurado, embora os quivis, os abutres do Novo Mundo e os procelariformes sejam exceções notáveis. A maior parte das aves apresenta duas narinas externas situadas no bico, geralmente com forma circular, oval ou em corte e ligadas à cavidade nasal no interior do crânio. As espécies da ordem dos procelariformes, como os albatrozes, apresentam narinas encerradas em dois tubos na mandíbula superior. No entanto, outras espécies, como os gansos-patola, não têm narinas externas e respiram pela boca. Embora na maior parte das aves as narinas estejam descobertas, em algumas espécies encontram-se cobertas por penas, como nos corvos e nos pica-paus. O sistema ósseo das aves é constituído por ossos extremamente leves com cavidades de ar ligadas ao sistema respiratório (ossos pneumáticos). Nos adultos, os ossos do crânio estão fundidos entre si e não apresentam suturas cranianas. As órbitas são de grande dimensão e separadas por um septo nasal. A coluna vertebral divide-se nas vértebras cervicais, torácicas, lombares e caudais. As vértebras cervicais (do pescoço), cujo número varia significativamente entre espécies, são particularmente flexíveis. No entanto, o movimento nas vértebras torácicas é limitado e completamente ausente nas vértebras posteriores. As últimas vértebras encontram-se fundidas com a pelve, formando o sinsacro. As costelas são achatadas. O esterno apresenta uma quilha que sustenta os músculos peitorais envolvidos no voo, embora esteja ausente das aves não voadoras. Os membros anteriores encontram-se modificados na forma de asas. O sistema digestivo das aves é constituído por um papo, onde é armazenado o conteúdo digestivo, e uma moela que contém pedras, que as aves engolem para moer os alimentos como forma de compensar a falta de dentes. A maior parte das aves apresenta uma digestão bastante rápida, de modo a não interferir com o voo. Algumas aves migratórias adaptaram-se de modo a usar proteínas de várias partes do corpo como fonte de energia adicional durante a migração. Muitas aves regurgitam egregófitos. Algumas aves do deserto conseguem satisfazer a necessidade de água exclusivamente a partir da água contida nos alimentos e são tolerantes ao aumento da temperatura corporal, o que lhes permite evitar despender vapor de água em arrefecimento. As aves marinhas estão adaptadas para beber água salgada do mar, possuindo glândulas de sal na cabeça que eliminam o excesso de sal através das narinas. A maior parte das aves não consegue realizar movimento de sucção da água, pelo que recolhe a água no bico e inclina a cabeça de modo a permitir que a água escorra pela garganta. No entanto, algumas espécies, principalmente de regiões áridas, conseguem beber água sem necessidade de inclinar a cabeça, como é o caso das famílias dos pombos, estrilídeos, coliiformes, toirões e abetardas. Algumas aves do deserto dependem da presença de fontes de água, como os cortiçois, que se agregam à volta de poços de água durante o dia. Algumas espécies levam água às crias humedecendo as penas, enquanto outras a transportam no papo ou a regurgitam juntamente com a comida. As famílias dos pombos, dos flamingos e dos pinguins produzem para as crias um líquido nutritivo denominado leite de papo. Tal como os répteis, as aves são seres uricotélicos; isto é, os seus rins filtram os resíduos nitrogenados da corrente sanguínea e excretam-nos na forma de ácido úrico (em vez de ureia ou amoníaco) ao longo dos uréteres até ao intestino. As aves não têm bexiga nem uretra exterior, pelo que (à exceção das avestruzes) o ácido úrico é expelido em conjunto com as fezes em dejetos semissólidos. No entanto, algumas aves, como o colibri, podem ser amoniotélicos, excretando a maior parte dos resíduos nitrogenados na forma de amoníaco. Também excretam creatina, em vez de creatinina como os mamíferos. A cloaca é um orifício com diversas finalidades. Não só é por aí que são expulsos os dejetos, como a maior parte das aves acasalam juntando as cloacas e é também por aí que as fêmeas depositam os ovos. Os machos possuem dois testículos internos que durante a época de acasalamento aumentam de tamanho centenas de vezes para produzir esperma. As fêmeas da maior parte das famílias possuem um único ovário funcional (o esquerdo), ligado a um oviduto, embora as de algumas espécies tenham dois ovários funcionais. Os machos dos Palaeognathae (à exceção dos quivis), dos Anseriformes (à exceção dos Anhimidae) e, de forma rudimentar, dos Galliformes (mas totalmente desenvolvido nos Cracidae) possuem um pénis, o qual não se observa nas Neoaves. Pensa-se que o comprimento esteja relacionado com a competição espermática. Fora do momento da cópula, encontra-se oculto no interior do proctodeu, um compartimento no interior da cloaca. O sistema circulatório das aves é impulsionado por um coração miogénico de quatro câmaras protegido por um pericárdio fibroso. O pericárdio encontra-se preenchido com fluido seroso que o lubrifica. O coração em si está dividido em duas metades, direita e esquerda, cada uma constituída por uma aurícula e um ventrículo. As aurículas e ventrículos de cada lado estão separados entre si por válvulas cardíacas que impedem que o sangue passe de uma câmara para a outra durante a contração. Sendo miogénico, o ritmo cardíaco é mantido pelas células marca-passo do nó sinusal situado na aurícula direita. O coração das aves também apresenta arcos musculares, constituídos por camadas espessas de músculo. De forma semelhante ao coração dos mamíferos, o coração das aves é constituído pelas camadas do endocárdio, miocárdio e pericárdio. As principais artérias que transportam o sangue do coração têm origem no arco aórtico direito, ao contrário dos mamíferos, em que é o arco aórtico esquerdo que forma esta parte da aorta. As aves têm um sistema bastante eficiente de distribuição de oxigénio pelo corpo, uma vez que têm uma superfície de trocas gasosas dez vezes maior do que os mamíferos. Isto faz com que as aves tenham nos vasos capilares mais sangue por unidade de volume dos pulmões do que um mamífero. Algumas espécies são capazes de usar defesas químicas contra predadores. Alguns Procellariiformes projetam um óleo estomacal desagradável contra agressores, enquanto algumas espécies de pitohuis da Nova Guiné têm a pele e penas revestidas por uma poderosa neurotoxina. A plumagem de algumas espécies envia sinais intimidatórios a potenciais predadores, como o pavão-do-pará, cujas penas criam a ilusão de um grande predador de modo a afugentar falcões e proteger as crias. Ocasionalmente, os combates entre espécies resultam em ferimentos ou morte. Os anhimídeos, algumas jaçanãs, o pato-ferrão, o pato-das-torrentes e nove espécies de abibes apresentam um espigão afiado na asa que usam como arma. Os patos-vapor, os cisnes e gansos, as pombas do ártico, os motum e os alcaravões apresentam uma protuberância óssea na álula para esmurrar os oponentes. A socialização entre indivíduos varia imenso de espécie para espécie. Muitas aves de rapina são solitárias, enquanto outras espécies são vincadamente gregárias, atingindo comunidades de milhares de indivíduos. Durante a época de reprodução, muitas espécies defendem um território. Muitos comportamentos das aves são universais e ocorrem invariavelmente em praticamente todas as espécies de aves, como é o caso dos cuidados com as penas, os movimentos de distensão das pernas, asas ou caudas, os banhos de água e poeira, ou o movimento que sacode o corpo. Os quivís e as aves limícolas têm bicos longos que lhes permitem vasculhar o terreno à procura de pequenos invertebrados. Os diferentes comprimentos do bico e diferentes métodos de procura fazem com que as espécies limícolas se encontrem muitas vezes em nichos ecológicos distintos. Algumas espécies, como as mobelhas, os zarros, os pinguins ou as tordas, perseguem a presa debaixo de água, usando as asas e as patas como meio de propulsão. Algumas espécies, como as fragatas, gaivotas ou os moleiros praticam cleptoparasitismo, roubando comida de outras aves. No entanto, pensa-se que o cleptoparasitismo seja apenas um complemento à comida obtida através da caça, e não a principal fonte de alimentação. Outras espécies são necrófagas. Entre estas, algumas, como os abutres, são especializadas no consumo de carcaças, enquanto outras, como as gaivotas, corvídeos ou determinadas aves de rapina, são oportunistas. As penas exigem manutenção constante. Para além do desgaste físico, as penas são atacadas por fungos, parasitas e piolhos. As aves conservam as penas com a limpeza, aplicação de secreções protetoras e banhos de água ou pó. Enquanto algumas aves apenas se banham em água rasa, como bebedouros ou fontes, outras mergulham em águas profundas e algumas espécies arbustivas aproveitam a água da chuva que se acumula nas folhas. As aves de regiões áridas usam o solo para tomar banhos de poeira. Algumas espécies encorajam formigas a percorrer as penas, reduzindo o número de ectoparasitas. Muitas espécies abrem frequentemente as asas expondo-as à luz direta do sol, o que diminui o número de parasitas e previne o aparecimento de fungos. Algumas aves esfregam as formigas nas penas, o que faz com que libertem ácido fórmico que mata alguns parasitas. As aves limpam, alisam e tratam das penas todos os dias, despendendo neste processo cerca de 9% das horas de atividade. O bico é usado para escovar partículas estranhas e para aplicar secreções de uma substância oleosa produzida pela glândula uropigial que mantém as penas flexíveis e atua como agente antimicrobiótico que impede o crescimento de bactérias que degradam as penas. Muitas espécies de aves migram de forma a tirar partido das diferenças sazonais de temperatura que influenciam a disponibilidade de fontes alimentares e dos habitats de reprodução. Estas migrações variam significativamente entre diferentes grupos. Muitas aves terrestres, aves limícolas e aves marinhas realizam migrações anuais ao longo de grandes distâncias, geralmente iniciadas com a mudança do tempo ou da quantidade das horas de luz. Estas aves geralmente alternam entre uma época de reprodução passada nas regiões de clima temperado ou polar e outra época não reprodutiva passada em regiões tropicais ou no hemisfério oposto. Antes da migração, as aves aumentam substancialmente as reservas de gordura corporal e diminuem o tamanho de alguns dos seus órgãos. A migração exige uma elevada quantidade de energia, sobretudo quando as aves atravessam desertos e oceanos sem se poder reabastecer. As aves terrestres têm um alcance de voo de cerca de e as aves costeiras até, embora o fuselo seja capaz de voar sem paragens. Algumas aves marinhas realizam também grandes migrações, a mais longa das quais é realizada pela pardela-preta, que nidifica na Nova Zelândia e no Chile e durante o verão se alimenta no Pacífico norte ao largo do Japão, do Alasca e da Califórnia, viajando por ano . Outras aves marinhas dispersam-se após a reprodução, viajando significativamente sem uma rota de migração fixa. Por exemplo, os albatrozes que nidificam no Oceano Austral realizam viagens circumpolares entre as épocas de acasalamento. Outras espécies realizam migrações mais curtas, viajando apenas o que for necessário para evitar o mau tempo ou obter comida. As espécies irruptivas, como os fringilídeos boreais, são um desses grupos, sendo possível que num ano permaneçam em determinado local e no seguinte não. Este tipo de migração está normalmente associado à disponibilidade de comida. Algumas espécies podem também viajar apenas dentro da sua área de distribuição, neste caso migrando os indivíduos de maiores latitudes para os locais da sua espécie a menores latitudes. Outras ainda realizam apenas migrações parciais, em que migra apenas uma parte da população, geralmente as fêmeas e os machos subdominantes. Em algumas regiões, as migrações parciais podem representar uma parte significativa dos movimentos migratórios. Na Austrália, por exemplo, 44% dos não passeriformes e 32% dos passeriformes realizam apenas migrações parciais. A migração altitudinal é uma forma de migração de curta distância em que as aves passam a época de reprodução nas altitudes mais elevadas e em condições menos favoráveis migram para zonas mais baixas. Este tipo de migração é desencadeado por alterações na temperatura e quando o território normal se torna inóspito devido à falta de comida. Outras espécies são nómadas, não tendo um território definido e deslocando-se de acordo com o tempo e a disponibilidade de comida. As aves têm a capacidade de regressar exatamente à mesma localização de onde partiram, mesmo após percorrerem grandes distâncias. Durante a migração, as aves navegam através de diversos métodos. Os migrantes diurnos orientam-se pelo Sol durante o dia e pelas estrelas durante a noite. As que usam o sol compensam a deslocação do astro usando um relógio interno, Para além disto, algumas espécies têm a capacidade de sentir o geomagnetismo terrestre através de fotorrecetores especiais. As aves comunicam principalmente através de sinais visuais e auditivos. Muitas espécies usam a plumagem para procurar ou reafirmar o estatuo social, para mostrar que se encontram na época de acasalamento ou para enviar sinais intimidatórios aos predadores. O êxito do macho em acasalar pode depender da qualidade destes rituais. Os cantos e chamamentos são o principal meio de comunicação sonoro das aves e podem ser bastante complexos. Os sons são produzidos na siringe. Algumas espécies conseguem usar os dois lados da siringe de forma independente, o que lhes permite produzir dois sons diferentes em simultâneo. a criação de laços afetivos, a reivindicação e manutenção territorial e aviso às outras aves de potenciais predadores, por vezes com informação específica sobre a natureza da ameaça. Algumas espécies também usam sons mecânicos para comunicar. As narcejas neo-zelandesas produzem sons fazendo o ar circular por entre as penas, os pica-paus tamboreiam de forma territorial Enquanto algumas aves são essencialmente territoriais ou vivem em pequenos grupos familiares, outras aves formam bandos de grande dimensão. Os principais benefícios dos bandos são a segurança pelo número e a maior eficácia na procura de comida. No entanto, o agrupamento em bando também potência o assédio, a dominância de algumas aves em relação a outras e, em alguns casos, uma diminuição na eficácia da procura por comida. As aves por vezes também formam associações com espécies não aviárias. Algumas aves marinhas que caçam por mergulho associam-se a golfinhos e atuns que empurram os cardumes de peixe em direção à superfície. Os calaus têm uma relação mutualista com os mangustos-anão, na qual caçam em conjunto e avisam-se entre si em relação a aves de rapina e outros predadores. O elevado metabolismo das aves durante a parte ativa do dia é compensado pelo repouso no restante tempo. Ao dormir, as aves incorrem num tipo de sono denominado "sono de vigília", em que os períodos de descanso são intercalados com rápidas "espreitadelas" de olhos abertos, o que lhes permite aperceber de eventuais distúrbios e rapidamente escapar de ameaças. Tem sido sugerido que possa haver determinados tipos de sono que são possíveis até mesmo durante o voo. Por exemplo, acredita-se que os andorinhões sejam capazes de dormir em pleno voo, e as observações de radar sugerem que se orientam na direção do vento durante o sono. Algumas aves têm também demonstrado a capacidade de ter de forma alternada apenas um dos hemisférios cerebrais em sono profundo, o que permite ao olho oposto ao hemisfério que está a dormir continuar vigilante. As aves tendem a exercer esta capacidade quando estão nas orlas dos bandos. O empoleiramento comunitário é comum, uma vez que diminui a perda de calor corporal e diminui os riscos associados com os predadores. Os locais de poleiro são geralmente escolhidos tendo em conta a segurança e regulação de calor. Durante o sono, muitas aves dobram a cabeça e o pescoço sobre as costas e enfiam o bico nas penas do dorso, enquanto outras o fazem nas penas do peito. Muitas aves descansam apoiadas apenas numa perna, enquanto algumas puxam as pernas para baixo das penas, especialmente no inverno. Os pássaros apresentam um mecanismo que bloqueia o tendão que os ajuda a manterem-se no poleiro enquanto dormem. Muitas aves que vivem junto ao solo, como as codornizes e os faisões, empoleiram-se nas árvores. Alguns papagaios do género Loriculus empoleiram-se de cabeça para baixo. Mais de uma centena de espécies, como o colibri ou noitibó, descansam num estado de torpor acompanhado de uma diminuição do metabolismo. Uma espécie, o noitibó-de-nuttall, chega a entrar num estado de hibernação. As aves têm dois sexos: macho e fêmea. O sexo das aves é determinado pelos cromossomas Z e W, em vez dos cromossomas X e Y presentes nos mamíferos. Os machos têm dois cromossomas Z e as fêmeas um cromossoma W e um Z . O acasalamento da maior parte das espécies envolve alguma forma de corte sexual, geralmente por parte do macho. A maior parte dos rituais de acasalamento são bastante simples e envolvem apenas algum tipo de canto. No entanto, alguns são coreografias bastante complexas e, dependendo da espécie, podem incluir dança, bater de asas ou cauda, voos aéreos ou lek comunitário. A cauda do pavão é provavelmente o exemplo mais conhecido de um ornamento sexual em aves. Os dimorfismos sexuais, como a diferença de tamanho e de cor, são bastante comuns entre as aves e um indicador de forte competição reprodutiva. Noventa e cinco por cento das espécies de aves são socialmente monógamas. Os casais destas espécies estão juntos pelo menos durante uma época de reprodução ou, em alguns casos, durante vários anos ou até à morte de um dos parceiros. A monogamia permite que o pai também cuide das crias, o que é fundamental nas espécies em que as fêmeas necessitam da assistência dos machos durante a incubação. No entanto, entre as muitas espécies monógamas a infidelidade é comum. Este comportamento verifica-se geralmente entre os machos dominantes e as fêmeas de machos subordinados, embora possa também ser o resultado de cópula forçada em patos e outros anatídeos. As fêmeas das aves têm mecanismos de armazenamento de esperma que permitem que o esperma do macho se mantenha viável durante bastante tempo depois da cópula, chegando a 100 dias em algumas espécies, e que haja competição entre o esperma de vários machos. Para as fêmeas, entre os possíveis benefícios da cópula entrapar está a possibilidade de melhores genes para a prole e garantia contra uma eventual infertilidade do parceiro. Os machos das espécies que praticam cópula extra-par vigiam de perto a companheira de modo a garantir a paternidade da prole que criam. Nos restantes 5% de espécies verificam-se vários sistemas de acasalamento, incluindo poliginia, poliandria, poligamia, poliginandria e promiscuidade. O acasalamento polígamo ocorre quando as fêmeas são capazes de criar a prole sem a ajuda dos machos. Durante a época de reprodução, muitas aves defendem ativamente um território de outros indivíduos da mesma espécie, assegurando assim fontes de comida para as suas crias. As espécies que não são territoriais, como as aves marinhas ou os andorinhões, geralmente reproduzem-se em colónias que oferecem proteção contra predadores. As aves coloniais defendem apenas o ninho, embora a competição pelos melhores locais para construir o ninho possa ser intensa. As aves geralmente põem os ovos num ninho. A maior parte das espécies constrói ninhos bastante elaborados, que podem ser em forma de chávena, de prato, em montículo ou dentro de uma toca. No entanto, alguns ninhos são extremamente primitivos. O ninho do albatroz, por exemplo, pouco mais é do que alguma terra e ramos secos no chão. A maior parte das aves constrói ninhos em locais abrigados ou escondidos para evitar predadores, embora as aves coloniais ou de grande dimensão, que têm maior capacidade de defesa, possam construir ninhos abertos. Os materiais de construção do ninho variam imenso, incluindo pequenas pedras, lama, ervas, galhos, folhas, algas e fibras de plantas, sendo usados tanto isoladamente como em conjunto. Algumas aves procuram também materiais de origem animal, como penas, pelo de cavalos ou pele de cobras. Os materiais podem ser entrançados, cosidos ou unidos com lama. e penas, que oferecem isolamento térmico. Todas as aves põem ovos amnióticos de casca dura, constituída principalmente por carbonato de cálcio. Antes da nidificação, as fêmeas de muitas espécies desenvolvem uma placa de incubação, perdendo penas no abdómen. A pele desta região é bastante irrigada com vasos sanguíneos, o que ajuda a ave durante a Incubação. A incubação dos ovos tem início após a postura do último ovo e tem como finalidade normalizar a temperatura de desenvolvimento da cria. No entanto, os megápodes aquecem os ovos com energia do sol, da decomposição orgânica ou aproveitando a energia geotérmica. Os períodos de incubação variam entre os 10 dias (nos pica-paus, cucos e passeriformes) e os 80 dias (em albatrozes e quivís). A natureza e duração dos cuidados parentais variam significativamente entre as diferentes ordens e espécies. Num dos extremos, os cuidados parentais nos megápodes terminam no momento da eclosão. As crias saem do ovo e escavam sozinhas o caminho para fora do montículo que serve de ninho, começando imediatamente a alimentar-se por si mesmas. No outro extremo, muitas aves marinhas prestam cuidados parentais ao longo de um grande período de tempo. O mais longo é o da fragata-grande, cujas crias levam seis meses até estarem prontas a voar e são alimentadas pelos progenitores ainda por mais 14 meses. O período de guarda é o período imediatamente a seguir à eclosão, em que um dos adultos está permanentemente presente no ninho. O propósito principal deste período é ajudar as crias a regular a temperatura e protegê-las dos predadores. Em muitas espécies, são ambos os progenitores que cuidam das crias. Noutras, os cuidados são da responsabilidade de apenas um dos sexos. Em algumas espécies, outros membros da mesma espécie ajudam a criar a prole, geralmente parentes próximos do casal, como um descendente de uma ninhada anterior. Este comportamento é particularmente comum entre os corvídeos, embora tenha também sido observado em espécies tão diversas como a carriça-da-nova-zelândia ou o milhafre-real. Embora na maioria dos animais sejam raros os cuidados parentais por parte do macho, nas aves são bastante comuns e mais do que em qualquer outra classe de vertebrados. O momento em que as penas e os músculos das crias estão suficientemente desenvolvidos para permitir voar varia de forma muito significativa. As crias das tordas abandonam o ninho na noite imediatamente a seguir à eclosão dos ovos, seguindo os progenitores em direção ao mar, onde são criados fora do alcance de predadores terrestres. Mas na maior parte das espécies as crias abandonam o ninho imediatamente antes ou pouco depois de serem capazes de voar. O período de cuidados parentais após as crias conseguirem voar varia. Por exemplo, enquanto as crias de albatroz abandonam o ninho por elas próprias e não recebem mais ajuda, outras espécies continuam a alimentar as crias. As crias de algumas espécies migratórias seguem os pais ao longo da sua primeira migração. O parasitismo de ninhada, ou nidoparasitismo, descreve o comportamento de algumas espécies que põem os ovos nas ninhadas de outras espécies. Este comportamento é mais comum entre aves em comparação com outros animais. Após a ave parasita ter posto os ovos no ninho de outra ave, esses ovos são muitas vezes aceites e cuidados pelo hospedeiro e com prejuízo para a sua própria ninhada. Os nidoparasitas dividem-se entre os que o fazem por necessidade, uma vez que são incapazes de criar as suas próprias crias, e os ocasionais, que apesar de serem capazes de criar a prole põem ovos em ninhos de espécies coespecíficas para aumentar a sua capacidade reprodutora. Entre os parasitas ocasionais estão mais de cem espécies de aves, incluindo espécies das famílias Indicatoridae, Icteridae e o pato-de-cabeça-preta, embora o exemplo mais conhecido sejam os cucos. As aves ocupam uma ampla variedade de posições ecológicas. Alguns nectarívoros são polinizadores importantes e muitos frugívoros são essenciais para a dispersão de sementes. As plantas e as aves polinizadoras muitas vezes coevoluem, e, em alguns casos, o principal polinizador de determinada flor é a única espécie de ave capaz de alcançar o seu néctar. As aves são particularmente importantes para a ecologia das ilhas. Tendo sido capazes de migrar para ilhas às quais os mamíferos não conseguiram chegar, as aves podem desempenhar papéis ecológicos que nos continentes são geralmente realizados por animais de maior porte. Por exemplo, as extintas moas tiveram de tal forma impacto no ecossistema da Nova Zelândia, assim como têm o kereru ou o kokako na atualidade, Durante a nidação, as aves marinhas também afetam significativamente a ecologia das ilhas e do mar envolvente, principalmente devido à concentração de grandes quantidades de guano que enriquece o solo da região. Algumas aves têm bastante visibilidade e são animais comuns com os quais o ser humano tem uma estreita relação desde o início da Humanidade. Em alguns casos, estas relações são mutualistas, como na recolha de mel conjunta entre os Indicatoridae e alguns povos africanos, como os Boranas. Noutros casos, as relações podem ser comensais, como o benefício que o pardal-doméstico tira das atividades humanas. No entanto, as aves podem também ser vetores que propagam ao longo de grandes distâncias doenças como a ornitose, salmonelose, campilobacteriose, micobacteriose (tuberculose aviária), gripe das aves, giardiose ou criptosporidíase. Algumas destas são doenças zoonóticas que podem também ser transmitidas para os seres humanos. As aves de criação são a principal fonte de proteínas animais consumida pelo ser humano. Em 2003, foram consumidos 76 milhões de toneladas de aves de criação e produzidas 61 milhões de toneladas de ovos em todo o mundo. Os frangos representam a maior parte do consumo de aves, embora o peru, o pato e os gansos domesticados sejam também comuns. Muitas espécies de aves são também caçadas para comida. A caça de aves é essencialmente uma atividade recreativa, exceto em regiões bastante subdesenvolvidas. As aves de caça mais comuns são os patos selvagens, faisões, perus selvagens, perdizes, pombos, tetrazes, maçaricos e galinholas. Embora alguma caça possa ser sustentável, a caça no geral tem provocado a extinção ou colocado em risco dezenas de espécies. Entre os outros produtos avícolas com valor comercial estão as penas, especialmente as dos gansos e patos, que são usadas como isolamento em casacos e na roupa de cama, e o guano (fezes de aves marinhas), que é uma fonte valiosa de fósforo e nitrogénio. A Guerra do Pacífico foi travada devido em parte ao controlo dos depósitos de guano. As espécies que se alimentam de pragas são muitas vezes usadas em programas de controlo biológico. Por outro lado, algumas espécies tornaram-se elas próprias pragas agrícolas de elevado custo económico, enquanto outras constituem riscos para a aviação. As aves são domesticadas pelo ser humano, não só como animais de estimação mas também para efeitos utilitários. Muitas aves com cores exóticas, como os papagaios ou as araras, são criadas em cativeiro ou vendidas como animais de companhia. No entanto, isto também tem feito crescer o tráfico ilegal de várias espécies ameaçadas. A falcoaria e a pesca com a assistência de corvos marinhos são tradições milenares. Os pombos-correio, usados pelo menos desde o, foram essenciais nas comunicações até à II Guerra Mundial, No entanto, hoje em dia estas atividades são mais comuns como passatempo ou atração turística. Existem milhões de entusiastas amadores que apreciam a observação de aves, ou birdwatching, uma vertente significativa do ecoturismo. Muitos proprietários constroem alimentadores de pássaros perto de casa para atrair várias espécies. As aves têm um papel de relevo no folclore, na religião e na cultura popular e vários dos seus atributos, reais ou imaginários, são usados de forma simbólica na arte e na literatura. Desde as gravuras rupestres da época pré-histórica que são um motivo frequente de representação artística e, o longo dos séculos, foram usadas como motivo nas mais diversas formas de arte sacra ou simbólica, como por exemplo o Trono do Pavão dos imperadores mogois e persas. As Fábulas de Esopo contêm várias personificações de aves. Os fisiólogos e os bestiários medievais contêm lições de moral que usam as aves como símbolos para transmitir ideias. Algumas metáforas na linguagem têm origem no comportamento das aves, como a associação de investidores ou fundos predatórios aos abutres necrófagos. As aves são também um tema importante na poesia. Homero escreveu sobre os rouxinóis na Odisseia, enquanto Cátulo usou um pardal como símbolo erótico nos seus poemas. Na religião, as aves são muitas vezes associadas a mensageiros, sacerdotes ou líderes de determinada divindade. No Cristianismo, as aves simbolizam a transcendência da alma e, na iconografia medieval, uma ave envolta em folhas simbolizava a alma envolvida pelo materialismo do mundo secular. As aves podem também servir como símbolos religiosos, como no caso de Jonas (hebraico: יוֹנָה, pomba), que simbolizava o medo, passividade, pesar e beleza tradicionalmente associados às pombas. As próprias aves são muitas vezes deificadas, como no caso do pavão-comum, que os Dravidianos vêm como a Terra-Mãe. Algumas aves são também vistas como monstros, incluindo o mitológico Roc e o lendário Poukai, uma ave gigante que para os Maoris é capaz de raptar seres humanos. Os maias e os Astecas veneravam o quetzal-resplandecente, que hoje em dia dá nome à moeda da Guatemala e é um motivo popular na arte, tecidos e joalharia. As águias são símbolo de poder e prestígio em muitas partes do mundo, incluindo na Europa, onde são frequentemente motivos heráldicos. Os povos nativos norte-americanos usavam frequentemente penas de águia em rituais religiosos, como ornamento pessoal e eram oferecidas aos convidados como símbolo de paz e amizade. Os povos indígenas dos Andes contam lendas de pássaros que atravessam mundos metafísicos. Em imagens religiosas dos impérios Inca e Tiwanaku, as aves são representadas a transgredir a fronteira entre o reino terrestre e o reino espiritual subterrâneo. As percepções culturais sobre diversas espécies de aves são muitas vezes diferentes de cultura para cultura. Por exemplo, enquanto em África e na mitologia norte-americana as corujas são associadas a má sorte, bruxaria e morte, na Europa são vistas como sábias. As poupas, consideradas sagradas no Antigo Egito e símbolo de virtude na Pérsia, são no entanto vistas como ladras em grande parte da Europa e como presságio de guerra na Escandinávia. Embora a presença humana tenha facilitado a expansão de algumas espécies, como a andorinha-das-chaminés ou o estorninho-comum, foi também a causa da extinção ou diminuição da população de muitas outras espécies. Embora em tempos históricos tenham sido extintas mais de cem espécies de aves, a mais dramática das extinções de aves causadas pelo ser humano, que erradicou entre 750 e espécies, ocorreu durante a colonização humana das ilhas da Melanésia, Polinésia e Micronésia. Muitas populações de aves em todo o mundo encontram-se em declínio, com espécies listadas como ameaçadas pela BirdLife International e pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais em 2015. A ameaça humana às aves mais comum é a destruição dos habitats. Entre as outras ameaças estão a caça em excesso, mortalidade acidental devido a colisões aéreas ou captura acessória na pesca, poluição (incluindo marés negras e uso de pesticidas), e competição e predação de espécies invasoras. Os governos e os conservacionistas trabalham em conjunto para proteger as aves, criando legislação que promova a conservação ou o restauro dos habitats ou criando populações de cativeiro para futura reintrodução nos habitats. Um estudo estimou que o esforço de conservação salvou da extinção 16 espécies de aves entre 1994 e 2004, como o condor-da-califórnia ou o periquito-de-Norfolk. A primeira classificação taxonómica das aves foi publicada por Francis Willughby e John Ray em 1676 no volume Ornithologiae. Em 1758, Carolus Linnaeus modificou essa classificação para o sistema de classificação taxonómica em uso na atualidade. No Sistema de Linné, as aves estão categorizadas na classe homónima das Aves. A classificação filogenética coloca as aves no clado dos dinossauros terópodes. As Aves, bem como o grupo relacionado do clado Crocodilia, são os únicos representantes vivos do clado réptil dos Archosauria. Em termos filogenéticos, as Aves são geralmente definidas como todos os descendentes do ancestral comum mais recente das aves modernas e do Archaeopteryx lithographica. Segundo esta definição, a ave mais antiga que se conhece é o Archaeopteryx, que viveu na idade do Kimmeridgiano do Jurássico Superior, há 155-150 milhões de anos. Segundo esta definição, o Archaeopteryx é um membro dos Avialae, e não das Aves. As propostas de Gauthier têm sido adotadas por muitos investigadores no campo da paleontologia e evolução das aves, embora as definições aplicadas não tenham sido consistentes. O clado Avialae, inicialmente proposto para substituir o conteúdo fóssil do grupo das Aves, é muitas vezes usado por estes investigadores como sinónimo do termo vernacular "ave". Com base em evidências fósseis e biológicas, a maior parte dos cientistas aceita que as aves são um subgrupo especializado dos dinossauros terópodes e, mais especificamente, que são membros dos Maniraptora, um grupo de terópodes que inclui os dromeossaurídeos e os oviraptorídeos, entre outros. À medida que os cientistas foram descobrindo mais terópodes estreitamente relacionados com as aves, a distinção anteriormente clara entre aves e não aves foi se esbatendo. As descobertas recentes na província chinesa de Liaoning de vários dinossauros emplumados terópodes de pequena dimensão vieram contribuir para esta ambiguidade. O consenso na paleontologia contemporânea é de que os terópodes voadores, ou Avialae, são os parentes mais próximos dos deinonicossauros, grupo que inclui os dromeossaurídeos e os troodontídeos. Em conjunto, estes formam um grupo designado Paraves. Alguns membros basais deste grupo, como o Microraptor, apresentam características que lhes podem ter permitido planar ou voar. A maior parte dos deinocossauros basais eram muito pequenos. Estas evidências aumentam a possibilidade de que o ancestral de todos os paraves possa ter sido arborícola, ter sido capaz de planar, ou ambos. Ao contrário do Archaeopteryx e dos dinossauros emplumados não avianos, que comiam principalmente carne, os estudos mais recentes sugerem que os primeiros avianos eram omnívoros. O Archaeopteryx, que viveu no Jurássico Superior, foi um dos primeiros fósseis de transição descobertos, tendo sido uma das bases para a teoria da evolução em finais do . O Archaeopteryx foi o primeiro fóssil a exibir não só características claramente de réptil, como os dentes, garras e uma cauda comprida semelhante a um lagarto, mas também asas com penas adaptadas ao voo semelhantes às das aves modernas. No entanto, não é considerado um ancestral direto das aves, embora esteja possivelmente relacionado com o verdadeiro ancestral. Os mais antigos fósseis avianos conhecidos são provenientes da Formação de Tiaojishan, na China, e estão datados do estágio Oxfordiano do período Jurássico Superior, há cerca de 160 milhões de anos. Durante o Cretácico, os avianos diversificaram-se numa ampla variedade de formas. Muitos grupos mantiveram as características primitivas, como as asas com garras e os dentes. Estes últimos acabaram por se perder em vários grupos avianos, incluindo as aves modernas, embora de forma independente entre si. Enquanto os avianos mais antigos, como o Archaeopteryx e o Shenzhouraptor sinensis, mantiveram as caudas ósseas dos seus ancestrais, A primeira grande e diversificada linhagem de avianos de cauda curta a evoluir foram os enantiornithes, ou "opostos às aves", assim designados porque a construção dos ossos dos ombros se apresenta invertida em relação às aves modernas. Os enantiornithes ocupavam um vasto conjunto de nichos ecológicos, desde os que vasculhavam as areias nas zonas costeiras, passando pelos que se alimentavam de peixe, até aos que viviam nas árvores e se alimentavam de sementes. Embora tenham sido o grupo dominante dentro dos avianos durante o período Cretácico, os enantiornithes extinguiram-se no fim do Mesozoico, a par de muitos outros grupos de dinossauros. O grupo dos euornithes também inclui os primeiros avianos a desenvolver um verdadeiro pigóstilo e um conjunto completo de penas de cauda, o qual pode ter substituído as asas posteriores como principal meio de manobrabilidade e desaceleração em voo. Dependendo do ponto de vista taxonómico, o número de espécies de aves vivas conhecidas varia entre e . Devido em grande parte à descoberta do Vegavis, um membro neognato da linhagem dos patos, sabe-se que o grupo Aves se dividiu em várias linhagens modernas por volta do fim da era do Mesozoico. Alguns estudos estimaram que a origem efetiva das aves modernas terá provavelmente ocorrido mais cedo do que os fósseis conhecidos mais antigos, provavelmente a meio do período Cretácico. Há um consenso de que as Aves se desenvolveram durante o Cretácico e que a divisão dos Galloanseri dos outros neognatos ocorreu antes da extinção do Cretáceo-Paleogeno, embora haja diferentes opiniões sobre se a radiação evolutiva dos restantes neognatos ocorreu antes ou depois da extinção dos restantes dinossauros. Esta discordância deve-se em parte a uma divergência nas evidências. Os dados moleculares sugerem uma radiação durante o Cretácico, enquanto as evidências fósseis sugerem uma radiação durante o Cenozoico. As tentativas para reconciliar as evidências moleculares e fósseis têm-se revelado controversas, embora resultados recentes mostrem que todos os grupos existentes de aves tenham tido origem num pequeno grupo de espécies que sobreviveu à extinção do Cretáceo-Paleogeno. Cladograma das relações entre aves modernas com base em Jarvis, E.D. et al. com alguns nomes de clados segundo Yury, T. et al. . A classificação das aves é um tema controverso. A publicação Phylogeny and Classification of Birds, da autoria de Charles Sibley e Jon Ahlquist, é uma das principais obras de referência na classificação das aves, embora seja frequentementemente discutida e continuamente revista. A maior parte das evidências sugere que a distribuição das ordens é correta, embora os cientistas discordem entre si quanto às relações entre as ordens. Apesar de a discussão contar com evidências da anatomia das aves modernas, ADN e registos fósseis, ainda não há um consenso determinante. Recentemente, a descoberta de novos fósseis e a obtenção de evidências moleculares está a contribuir para uma panorâmica cada vez mais clara da evolução das ordens de aves modernas. A investigação mais recente tem-se focado na sequenciação de genomas completos de 48 espécies representativas.
Arara, Arara, uma ave, Arara (Paraíba), município ;Araras, Araras (São Paulo), município em São Paulo, Brasil, Araras (Petrópolis), bairro *Araras (Chapecó), bairro chapecoense, Arara Shawãdawa, povo indígena brasileiro, Araras do Aripuanã, povo indígena brasileiro, Araras do Pará, povo indígena brasileiro, Araras de rondônia, povo indígena brasileiro ;Língua arara, Língua arara do Rio Branco, uma língua isolada, Língua arara do Rio Guariba, uma língua tupi, Língua caro, uma língua tupi ;Arará, Parque Arará, no Rio de Janeiro, Arará, os exemplares alados dos cupins Isoptera, quando abandonam o ninho para o voo nupcial ;Ararás, Ararás, grupo humano no Caribe, Língua arara
A arara-azul-de-lear ou arara-azul-pequena (nome científico: Anodorhynchus leari) é uma espécie de arara da família Psittacidae e gênero Anodorhynchus. É endêmica do Raso da Catarina, nordeste do estado da Bahia, Brasil. Após 150 anos de incertezas, sua área de ocorrência foi descoberta em 1978 pelo ornitólogo Helmut Sick. É uma espécie ameaçada devido ao tráfico de animais e à destruição de seu habitat, além de possuir uma população pequena, estimada em torno de 2273 indivíduos A arara-azul-de-lear é classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais como "em perigo", até 2008 era considerada como "em perigo crítico", mas o aumento da população devido as medidas de conservação fizeram com a classificação fosse revista em 2009. Na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção aparece no "Appendix I", e pelo Ministério do Meio Ambiente como "em perigo crítico" desde 2003. Em 1980 iniciaram-se os esforços de pesquisa e conservação das áreas de nidificação e dormitório, sendo 1983 criada a Estação Ecológica do Raso da Catarina. Em 1993, a Fundação Biodiversitas adquire uma porção de 130 hectares da área de Toca Velha, no município de Canudos e cria a Estação Biológica de Canudos, ampliada em 1 500 hectares em 2007, e passando a incluir todos os paredões utilizados pelas aves. Em 2001 é criado o "Programa de Conservação da arara-azul-de-lear" no município de Jeremoabo. ICMBio,,
A arara-azul-grande (nome científico: Anodorhynchus hyacinthinus), também conhecida popularmente como arara-preta, araraúna, arara-hiacinta, arara-jacinto, araruna ou somente arara-azul, O médico, ornitólogo e artista inglês John Latham descreveu pela primeira vez a arara-azul-grande em 1790 sob o nome binomial Psittacus hyacinthinus. Ao longo da distribuição da arara-azul-grande, o habitat está sendo perdido ou alterado devido à introdução da pecuária e da agricultura mecanizada e ao desenvolvimento de projetos hidrelétricos. Incêndios anuais de capim feitos por fazendeiros podem destruir os ninhos das árvores, e as regiões anteriormente habitadas por essa arara agora são inadequadas também devido à agricultura e plantações. Localmente, tem sido caçada para alimentação, e os indígenas caiapós gorotirés, no centro-sul do Brasil, usam suas penas para fazer cocares e outros enfeites. Embora em geral bastante reduzido em número, permanece localmente comum no Pantanal, onde muitos proprietários de fazendas agora protegem as araras em suas terras. As araras como um todo, sendo da família dos psitacídeos, são algumas das aves mais ameaçadas do mundo. Esta família tem as espécies mais ameaçadas de todas as famílias de aves, especialmente nos neotrópicos, lar natural da arara-azul, onde 46 das 145 espécies correm sério risco de extinção global. Esta espécie se qualifica como vulnerável na Lista Vermelha da UICN, pois a população sofreu reduções rápidas com as ameaças remanescentes de captura ilegal para o comércio de aves em gaiolas e perda de habitat. Algumas ameaças sérias à sobrevivência da espécie no Pantanal incluem atividades humanas, principalmente aquelas que resultam na perda de habitat, queima de terras para manutenção de pastagens e captura ilegal duas espécies de palmeiras em cada parte de sua distribuição. A natureza excepcionalmente barulhenta, destemida, curiosa, sedentária e previsível desta espécie, juntamente com sua especialização em apenas uma ou duas espécies de palmeira em cada parte de sua distribuição, torna-as especialmente vulneráveis à captura, tiro e destruição do habitat. Como esta espécie depende exclusivamente dos frutos produzidos por duas espécies de palmeiras, se essas espécies sofressem devido a doenças ou destruição de habitat, isso colocaria em risco a arara-azul-grande. Esta espécie requer especificamente buracos previamente ocupados dentro das árvores manduvi para nidificar, portanto a disponibilidade de nidificação pode ser escassa. Além disso, o crescimento antigo dessas árvores, a mais jovem com 60 anos, é necessário para que a espécie produza buracos grandes o suficiente para nidificar. Isso limita o futuro potencial de reprodução se essas árvores forem destruídas ou a competição com outras espécies por espaço aumentar. Embora a espécie tenha baixa variabilidade genética, isso não representa necessariamente uma ameaça à sua sobrevivência. Essa estrutura genética acentua a necessidade de proteção das araras-azuis de diferentes regiões para manter sua diversidade genética. Se as populações e a diversidade genética continuarem a diminuir, isso pode se tornar um grande problema de conservação no futuro. Uma população menor de araras azuis aumentará a influência da deriva genética e, portanto, aumentará o risco de extinção. Uma variação genética menor pode enviar as populações para um vórtice de extinção. No entanto, os fatores mais importantes que afetam negativamente a população selvagem são a destruição do habitat e a caça furtiva de ninhos. No Pantanal, a perda de habitat ocorre à criação de pastagens para o gado, enquanto em muitas outras regiões é o resultado do desmatamento para colonização. Da mesma forma, grandes áreas de habitat na Amazônia foram perdidas à criação de gado e projetos de energia hidrelétrica nos rios Tocantins e Xingu. Muitas árvores jovens de manduvi estão sendo usadas como pasto pelo gado ou queimadas pelo fogo, e o Gerias está sendo rapidamente convertido em terras para agricultura mecanizada, criação de gado e plantações de árvores exóticas. Incêndios anuais causados por fazendeiros destroem vários ninhos de árvores, e o surgimento da agricultura e das plantações tornou os habitats anteriormente habitados pelas araras impróprios para manter seus meios de subsistência. Além disso, o aumento da demanda comercial de arte plumária pelos indígenas ameaça a espécie, já que são necessárias até 10 araras para fazer um único cocar. No caso das araras serem retiradas de seu ambiente natural, diversos fatores alteram sua saúde, como condições inadequadas de higiene, alimentação e superpopulação durante a prática ilegal do comércio de animais de estimação. Uma vez que as aves são capturadas e trazidas para o cativeiro, suas taxas de mortalidade podem se tornar muito altas. Os registros revelam que um traficante paraguaio recebeu 300 jovens sem penas em 1972, com apenas três sobreviventes. Devido às baixas taxas de sobrevivência dos jovens, os caçadores concentram-se mais fortemente nas aves adultas, o que esgota a população em um ritmo acelerado. De acordo com o artigo 111 da Lei Ambiental Boliviana N.º 1333, todas as pessoas envolvidas no comércio, captura e transporte sem autorização de animais silvestres sofrerão pena de prisão de dois anos, além de multa equivalente a 100% do valor do animal. Embora muitos rastreadores tenham sido presos, o comércio ilegal de animais de estimação continua em grande parte em Santa Cruz, na Bolívia. Infelizmente, o tráfico de animais não é necessariamente visto como prioridade na cidade, deixando os governos nacionais e municipais relutantes em interromper o comércio nos centros das cidades, e a polícia local relutante em se envolver. Essa ideologia, por sua vez, resultou na falta de fiscalização em relação ao comércio de espécies restritas pela CITES e espécies ameaçadas, com pouca ou nenhuma restrição em relação ao tratamento humano dos animais, controle de doenças ou higiene adequada. Nos centros comerciais, a arara-azul exigia o preço mais alto de mil dólares, provando ser uma ave muito cobiçada e valorizada na indústria de comércio de animais de estimação. Em 1989, o Programa Europeu de Espécies Ameaçadas de Extinção à arara-azul-grande foi fundado como resultado de preocupações sobre a situação da população selvagem e a falta de reprodução bem-sucedida em cativeiro. A reprodução em cativeiro ainda é difícil, sendo que os filhotes criados à mão têm demonstrado taxas de mortalidade mais altas, principalmente no primeiro mês de vida. Além disso, têm maior incidência de estase aguda do papo do que outras espécies de araras devido, em parte, às suas necessidades dietéticas específicas. A arara-azul é protegida por lei no Brasil e na Bolívia, e o comércio internacional é proibido por sua inclusão no anexo um da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção . O anexo um proibiu a exportação da ave em todos os países de origem, e vários estudos e iniciativas de conservação foram realizados. O Projeto Arara Azul no Refúgio Ecológico Caiman, localizado no Pantanal, tem utilizado ninhos artificiais e técnicas de manejo de filhotes, além de efetiva conscientização dos pecuaristas. Muitos proprietários de fazendas no Pantanal e em Gerais, para proteger as aves, não permitem mais a presença de caçadores em suas propriedades. Várias ações de conservação foram propostas, incluindo o estudo da distribuição atual, situação da população e extensão do comércio em diferentes partes de sua distribuição. Além disso, foram feitas propostas para avaliar a eficácia dos ninhos artificiais, impor medidas legais que impedem o comércio e experimentar o ecoturismo num ou dois locais para incentivar doadores. Além disso, o Projeto Arara Azul em Mato Grosso do Sul realizou importantes pesquisas anilhando aves individuais e criou vários ninhos artificiais para compensar o pequeno número de locais disponíveis na região. Propostas para listar as espécies como Ameaçadas de acordo com a Lei de Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos foram feitas para aumentar as medidas de proteção nos Estados Unidos e para criar autoridades bolivianas e paraguaias de gestão comercial sob controle presidencial. Cada uma das três populações principais deve ser manejada como entidade biológica separada para evitar que os números caiam abaixo de 500. Embora as aves possam estar em declínio na natureza, populações notavelmente maiores de araras cativas estão sendo mantidas em zoológicos e coleções particulares. Se houver sucesso no manejo e replantio das árvores alimentícias das araras e na construção de poedouros como um experimento no Pantanal, a espécie poderá sobreviver. As taxas de sobrevivência também poderiam ser aumentadas se os proprietários de fazendas deixassem todas as árvores de ninho grandes e potenciais em pé e eliminassem todas as armadilhas em suas propriedades. Em última análise, se esses fatores funcionarem em conjunto com a construção de ninhos, cercando certas mudas e o plantio de outras, as perspectivas de longo prazo das espécies de araras-azuis seriam muito melhores. A arara-azul-grande às vezes é mantida como papagaio de companhia. Não recomendado para criadores de pássaros iniciantes, requer muito espaço, exercícios regulares e uma gaiola de aço inoxidável personalizada, pois seu bico poderoso pode destruir facilmente a maioria das gaiolas de papagaios disponíveis comercialmente. Para se manter saudável, a espécie requer interação social regular e brincadeiras com humanos ou outras aves. Esta grande arara, como a maioria dos papagaios, tem inclinação natural para mastigar objetos e devido ao seu tamanho físico e força, pode causar danos consideráveis. Recomenda-se que um cômodo inteiro da casa do dono seja reservado para uso da ave, que deve estar provida de muitos objetos de madeira e couro seguros e destrutíveis para mantê-la entretida. É também um animal de estimação muito caro: 10 mil dólares não é um preço incomum para uma jovem arara-azul. O World Parrot Trust recomenda que a arara-azul não seja mantida permanentemente dentro de casa e que ela tenha acesso a um recinto de pelo menos 15 metros (50 pés) durante parte do ano. Este pássaro é frequentemente descrito como "gentil". Geralmente não é um pássaro agressivo e parece gostar de interagir de forma divertida com os humanos. No entanto, pode causar lesões por mordedura simplesmente por "bocanhar" seu dono de brincadeira, e esse comportamento deve ser desencorajado com o treinamento iniciado quando o pássaro é jovem. A arara-azul-grande pode aprender a falar, mas não é tão talentosa nessa área quanto algumas outras espécies. No entanto, é um pássaro inteligente que pode aprender a usar palavras e frases no contexto correto. Pode viver por mais de 50 anos em cativeiro.
A ararinha-azul (nome científico: Cyanopsitta spixii, do grego: kuanos "azul-piscina; ciano" + do latim: psitta, "papagaio"; e spixii, em homenagem a Johann Baptist von Spix) Habitava matas de galeria dominadas por caraibeiras associadas a riachos sazonais no extremo norte do estado da Bahia, ao sul do rio São Francisco. Todos os registros históricos para a espécie estão localizados nos municípios de Juazeiro e Curaçá na Bahia. Há relatos não confirmados da presença da ave nos estados de Pernambuco e Piauí. C. spixii mede cerca de 57 centímetros de comprimento e possui uma plumagem azul, variando de tons pálidos a vividos ao longo do corpo. Pouco se conhece sobre sua ecologia e comportamento na natureza. Sua dieta consistia principalmente de sementes de pinhão-bravo e faveleira. A nidificação era feita em caraibeiras, em ocos naturais ou feitos por pica-paus. O período de reprodução estava associado a época das chuvas. Em decorrência do corte indiscriminado de árvores da caatinga e do tráfico ilegal, a população se reduziu até restar um único indivíduo, que desapareceu em 2000-2001. Está seriamente ameaçada de extinção, existindo somente 240 indivíduos em cativeiro (em janeiro de 2022), tendo sido declarada extinta na natureza pelo governo brasileiro e na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais . A primeira descrição da espécie foi feita por Johann Baptist von Spix em 1824 com o nome de Arara hyacinthinus. A espécie ocorria principalmente na margem sul do rio São Francisco em matas de galerias dominadas por caraibeiras (Tabebuia aurea). A área de registro histórico está situada na região do submédio São Francisco no noroeste da Bahia entre as cidades de Juazeiro e Abaré. Os pássaros resultam de um trabalho de pesquisadores para aumentar a população desses animais na natureza. Em agosto de 2018, 146 das cerca de 160 ararinhas-azuis que existem no mundo viviam na Associação para a Conservação de Papagaios Ameaçados, em Rüdersdorf, na Alemanha. 120 delas vieram do Catar, transferidas em razão da morte do mantenedor da Instituição Preservação da Vida Selvagem Al Wabra, o xeque Saud bin Mohammed al-Than, em 2014, bem como pelo embargo econômico imposto ao Catar por Arábia Saudita, Emirados Árabes, Egito e Bahrein, em 2017. A meta do criatório é produzir cerca de 20 ararinhas por ano. Em maio de 2024, o ICMBio reconhecia a existência de 315 ararinhas-azuis no mundo, vivendo nos zoológicos privados Pairi Daiza, na Bélgica, e Greens Zoological, Rescue and Rehabilitation Centre, na Índia, no Zoológico de São Paulo, que concedido à iniciativa privada em 2021, num criadouro mantido pela ACTP e ICMBio no município baiano de Curaçá e na própria ACTP, em Rüdersdorf. Em outubro de 2014, o Brasil registrou o nascimento de duas Ararinhas-azul em um centro de conservação do interior de São Paulo, após 14 anos sem registros de nascimentos no país, de acordo com o Instituto Chico Mendes (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente. De acordo com o governo brasileiro existiam em 2015, dos exemplares em cativeiro, apenas 11 no Brasil. Segundo nota do ICMbio, em 2015, foi registrado o nascimento de dois filhotes da espécie em um centro de pesquisa no interior de São Paulo. Em junho de 2018, existiam cerca de 158 indivíduos. No mesmo ano, um acordo assinado entre o Ministério do Meio Ambiente e organizações conservacionistas da Bélgica (Pairi Daiza Foundation) e da Alemanha (Association for the Conservation of Threatened Parrots), estabeleceu a "repatriação" de 50 ararinhas-azuis de volta ao Brasil, com previsão de que os animais estivessem em território nacional no primeiro trimestre de 2019. Com esses indivíduos, esperava-se que até 2022 a ararinha-azul fosse reintroduzida na natureza. O projeto de reintrodução da ararinha-azul no Brasil incluiu a criação de duas unidades de conservação na Bahia: o Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-azul, em Curaçá, e a Área de Proteção Ambiental da Ararinha-azul, em Juazeiro, além de um trabalho de conscientização feito junto à população local e a construção de um centro de reprodução e readaptação. No dia 11 de junho de 2022, oito ararinhas-azuis, que estavam em reabilitação no Refúgio da Vida Silvestre da Ararinha-azul, foram soltas na natureza, no município de Curaçá. Em 10 de dezembro do mesmo ano, mais 12 indivíduos foram soltos na mesma localidade. Após 37 anos, em outubro de 2023, dois filhotes de ararinha-azul nasceram no município de Curaçá, a partir de um casal formado por aves que foram soltas no ano anterior. A reprodução ocorreu em um dos ninhos artificiais que foram fixados no alto de uma caraibeira, uma das árvores preferidas das ararinhas. Em maio de 2024, metade das ararinhas-azuis havia morrido, principalmente por predação de aves de rapina, ou desapareceram.Em maio de 2025, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informação que não iria renovar o acordo com a Association for the Conservation of Threatened Parrots, após a venda de 26 ararinhas-azuis para um zoológico na Índia. A organização também vendeu aves para criadores privados na Europa, sem consulta ao governo brasileiro. Em novembro de 2025, as últimas 11 ararinhas-azuis restantes foram capturadas por determinação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A decisão foi tomada para evitar a disseminação na região da doença provocada pelo circovírus, após o vírus ter sido identificado em um filhote no mês de abril. A soltura de um novo grupo de aves no mês de julho foi suspensa em razão do registro do circovírus. O vírus é letal para os psitacídeos e não tem cura e até o momento ainda tinha registro de sua ocorrência em animais de vida livre no Brasil. Todas as 11 ararinhas testaram positivo para o vírus, nove delas foram reintroduzidas na Caatinga em 2022 e duas nasceram em liberdade. O Criadouro Ararinha-azul, conhecido anteriormente como Blue Sky. que gerencia criadouro em Curaçá e é parceiro da organização alemã Associação para a Conservação de Papagaios Ameaçados, foi multado no valor aproximado de R$ 1,8 milhão, após várias vistorias técnicas do ICMBio em parceria com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e a Polícia Federal, tendo sido constatado que os protocolos de biossegurança não estavam sendo seguidos, como a limpeza e a desinfecção diária das instalações e dos utensílios. O local abriga cerca de 90 ararinhas-azuis em novembro de 2025. O filme teve uma continuação em 2014, Rio 2, que vê o protagonista Blu e sua família encontrando uma tribo de ararinhas na floresta amazônica - mesmo que na realidade elas venham da caatinga.
Alfred Jules Ayer (Londres, 29 de outubro de 1910 – Londres, 27 de junho de 1989) foi um educador e filósofo britânico, proponente do positivismo lógico. Filho de pai suíço e mãe belga, Ayer estudou no Reino Unido, em Eton e Oxford. Foi professor na Universidade de Londres entre 1946 e 1959, onde teve a cátedra de Filosofia da Mente e Lógica. Depois de se formar em Oxford, em 1932, estudou em Viena durante um ano, antes de regressar a Oxford e divulgar em Inglaterra a obra e a filosofia do Círculo de Viena. O seu trabalho principal foi "Language, Truth and Logic", editado em 1936, constituiu a apresentação do positivismo a um público mais vasto de língua inglesa. Seguiu-se-lhe "The Fundations of Empirical Knowledge", em 1940. Em 1956 publicou "The Problem of Knowledge", uma introdução à epistemologia que exerceu uma grande influência. Nos últimos anos, Ayer voltou-se cada vez mais para a história da filosofia, escrevendo livros sobre Moore e Russel, o pragmatismo, Hume e Voltaire. Ayer teve também um papel proeminente na visa política da Grã-Bretanha, escrevendo para o público em geral, e abraçou uma quantidade de causas liberais. Ayer, A. J. - Linguagem, Verdade e Lógica. Lisboa. Editorial. Presença.1991, Ayer, A. J. - O Problema do Conhecimento. Lisboa. Editora Ulisseia. s/d. Ayer, A. J. - As Questões Centrais da Filosofia. Rio de Janeiro.Zahar.1975, Ayer, A. J. - Hume. Lisboa. Pub. D. Quixote. Ayer, A. J. - As Ideias de Bertrand Russel. São Paulo. Cultrix. 1984 *Ernest Gellner *Positivismo [ Graham Macdonald, 2010. Alfred Jules Ayer. Stanfordd Encyclopedia of Philosophy]
Antropologia (do grego: + é o estudo científico da humanidade, que tem como objeto de estudo o comportamento humano, biologia humana e a evolução, bem como a análise da culturas, sociedades e da linguística, tanto no presente quanto no passado. Existem várias áreas em antropologia, sendo as mais frequentes a antropologia biológica ou física, que estuda o desenvolvimento biológico dos seres humanos, a antropologia social, que estuda padrões de comportamento, a antropologia cultural, que estuda a cultura, sendo a aglutinação antropologia sociocultural comumente usada. É considerado um ramo da antropologia na América do Norte e na Ásia, enquanto na Europa a arqueologia é vista como uma disciplina independente ou agrupada sob outras disciplinas relacionadas, como história e paleontologia. O nome antropologia advém de : ser humano; e : razão, pensamento, discurso. A divisão clássica da antropologia distingue a antropologia cultural da antropologia física (ou biológica), já a divisão norte-americana, conhecida como Four Fields ("quatro campos"), divide a antropologia em arqueologia, linguística, antropologia física e antropologia cultural. Cada uma destas, em sua construção, abrigou diversas correntes de pensamento. Primeiramente, foi considerada como a história natural e física do ser humano e do seu processo evolutivo, no espaço e no tempo. Se por um lado essa concepção vinha satisfazer o significado literal da palavra, por outro restringia o seu campo de estudo às características físicas do ser humano. Essa postura marcou e limitou os estudos antropológicos por largo tempo, privilegiando a antropometria, ciência que trata das mensurações das propriedades físicas do ser humano. A antropologia, sendo a ciência da humanidade e da cultura, tem um campo de investigação extremamente vasto: abrange, no espaço, toda a terra habitada; no tempo, pelo menos dois milhões de anos e todas as populações socialmente e devidamente organizadas. Divide-se em duas grandes áreas de estudo, com objetivos definidos e interesses teóricos próprios: a antropologia física (ou biológica) e a antropologia cultural, para alguns autores sinônimo de antropologia social, que focaliza, talvez, o principal conceito desta ciência, a cultura. Segundo o Museu de Antropologia Cultural da Universidade de Minnesota, a antropologia cultural abrange três tópicos gerais que por sua vez subdivide-se e constituem-se como especialidades: etnografia / etnologia, linguística aplicada à antropologia e arqueologia. A cultura e a mitologia correspondem ao desejo do ser humano de conhecer a sua origem, ou produzem um modo de autoconhecimento que é a identidade, diferenciando os grupos em função de suas idiossincrasias e adaptação em ambientes distintos. Para pensar as sociedades humanas, a antropologia preocupa-se em detalhar, tanto quanto possível, os seres humanos que as compõem e com elas se relacionam, seja nos seus aspectos físicos, na sua relação com a natureza, seja na sua especificidade cultural. Para o saber antropológico o conceito de cultura abarca diversas dimensões: o universo psíquico, os mitos, os costumes e rituais, suas histórias peculiares, a linguagem, valores, crenças, leis, relações de parentesco, política, economia, arte, entre outros tópicos. Embora o estudo das sociedades humanas remonte à Antiguidade Clássica, a antropologia nasceu, como ciência, efetivamente, da grande revolução cultural iniciada com o iluminismo. Embora a grande maioria dos autores concorde que a antropologia se tenha definido enquanto disciplina só depois da revolução iluminista, a partir de um debate mais claro acerca de objeto e método, as origens do saber antropológico remontam à Antiguidade Clássica, atravessando séculos. Enquanto o ser humano pensou sobre si mesmo e sobre sua relação com o "outro", pensou antropologicamente. A Antropologia é o estudo do ser humano como ser biológico, social e cultural. Sendo cada uma destas dimensões por si só muito ampla, o conhecimento antropológico geralmente é organizado em áreas que indicam uma escolha prévia de certos aspectos a serem privilegiados como a “antropologia física ou biológica” (aspectos genéticos e biológicos do ser humano), “antropologia social” (organização social e política, parentesco, instituições sociais), “antropologia cultural” (sistemas simbólicos, religião, comportamento) e “arqueologia” (condições de existência dos grupos humanos desaparecidos). Além disso podemos utilizar termos como antropologia, etnologia e etnografia para distinguir diferentes níveis de análise ou tradições acadêmicas. Para o antropólogo Claude Lévi-Strauss, a etnografia corresponde “aos primeiros estágios da pesquisa: observação e descrição, trabalho de campo”. A etnologia, com relação à etnografia, seria “um primeiro passo em direção à síntese” e a antropologia, “uma segunda e última etapa da síntese, tomando por base as conclusões da etnografia e da etnologia”. Qualquer que seja a definição adotada, é possível entender a antropologia como uma forma de conhecimento sobre a diversidade cultural, isto é, a busca de respostas para entendermos o que somos a partir do espelho fornecido pelo “outro”; uma maneira de se situar na fronteira de vários mundos sociais e culturais, abrindo janelas entre eles, através das quais podemos alargar nossas possibilidades de sentir, agir e refletir sobre o que, afinal de contas, nos torna seres singulares, humanos. Homero, Hesíodo e os filósofos pré-socráticos já se questionavam a respeito do impacto das relações sociais sobre o comportamento humano; ou vendo este impacto como consequência dos caprichos dos deuses, como enumera a Odisseia de Homero e a Teogonia de Hesíodo, ou como construções racionais, valorizando muito mais a apreensão da realidade no dia a dia da experiência humana, como preferiam os filósofos pré-socráticos. Foi, sem dúvida, na Antiguidade Clássica que a "medida Humana" se evidenciou como centro da discussão acerca do mundo. Os gregos deixaram inúmeros registros e relatos acerca de culturas diferentes das suas, assim como os chineses e os romanos. Nestes textos nascia, por assim dizer, a antropologia, e no século V a.C. um exemplo disto se revela na obra de Heródoto, que descreveu minuciosamente as culturas com as quais seu povo se relacionava. Da contribuição grega fazem parte também as obras de Aristóteles (acerca das cidades gregas) e as de Xenofonte (a respeito da Índia). Entre os romanos merece destaque o poeta Lucrécio, que tentou investigar as origens da religião, das artes e se ocupou da discurso. Outro romano, Tácito analisou a vida das tribos germânicas, baseando-se nos relatos dos soldados e viajantes. Salienta o vigor dos germanos em contraste com os romanos da sua época. Agostinho de Hipona, um dos pilares teológicos do catolicismo, descreveu as civilizações greco-romanas "pagãs", vistas como moralmente inferiores às sociedades cristianizadas. Em sua obra já discutia, de maneira pouco elaborada, a possibilidade do "tabu do incesto" funcionar como norma social, garantia da coesão da sociedade. É importante salientar que Agostinho, no entanto, privilegiou explicações sobrenaturais para a vida sociocultural. Embora não existisse como disciplina específica, o saber antropológico participou das discussões da filosofia, ao longo dos séculos. Durante a Idade Média muitos escritos contribuíram para a formação de um pensamento racional, aplicado ao estudo da experiência humana, como fez o teórico político e jurista francês Jean Bodin, estudioso dos costumes dos povos conquistados, que buscava, em sua análise, explicações para as dificuldades que os franceses tinham em administrar esses povos. Com o advento do movimento iluminista, este saber foi estruturado em dois núcleos analíticos: a antropologia física (ou biológica), de modo geral considerada ciência natural, e a antropologia cultural, classificada como ciência social. Até o século XVIII, o saber antropológico esteve presente na contribuição dos cronistas, viajantes, soldados, missionários e comerciantes que discutiam, em relação aos povos que conheciam, a maneira como estes viviam a sua condição humana, cultivavam seus hábitos, normas, características, interpretavam os seus mitos, os seus rituais, a sua linguagem. Só no século XVIII, a Antropologia adquire a categoria de ciência, partindo das classificações de Carlos Lineu e tendo como objeto a análise das "raças humanas". O legado desta época foram os textos que descreviam as terras (a fauna, a flora, a topografia) e os povos "descobertos" (hábitos e crenças). Algumas obras que falavam dos indígenas brasileiros, por exemplo, foram: a carta de Pero Vaz de Caminha ("Carta do Descobrimento do Brasil"), os relatos de Hans Staden, "Duas Viagens ao Brasil", os registros de Jean de Léry, a "Viagem a Terra do Brasil", e a obra de Jean-Baptiste Debret, a "Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Além destas, outras obras falavam ainda das terras recém-descobertas, como a carta de Cristóvão Colombo aos Reis Católicos. Toda esta produção escrita levantou uma grande polémica acerca dos indígenas. A contribuição dos missionários jesuítas na América (como Bartolomeu de las Casas e José de Acosta) ajudaram a desenvolver a denominada "teoria do bom selvagem", que via os índios como detentores de uma natureza moral pura, modelo que devia ser assimilado pelos ocidentais. Esta teoria defendia a ideia de que cultura mais próxima do estado "natural" serviria de remédio aos males da civilização. No século XIX, por volta de 1840, Boucher de Perthes utiliza o termo humano pré-histórico para discutir como seria sua vida cotidiana, a partir de achados arqueológicos, como utensílios de pedra, cuja idade se estimava bastante remota. Posteriormente, em 1865, John Lubbock reavaliou numerosos dados acerca da Cultura da Idade da Pedra e compilou uma classificação em que enumerava as diferenças culturais entre o Paleolítico e Neolítico. Com a publicação de dois livros, A Origem das Espécies, em 1859, e A descendência do homem, em 1871, Charles Darwin principia a sistematização da teoria evolucionista. Partindo da discussão trazida à tona por estes pesquisadores, nascia a antropologia física ou biológica. Marcada pela discussão evolucionista, a antropologia do século XIX privilegiou o darwinismo social, que considerava a sociedade europeia da época como o apogeu de um processo evolucionário, em que as sociedades aborígines eram tidas como exemplares "mais primitivos". Esta visão usava o conceito de "civilização" para classificar, julgar e, posteriormente, justificar o domínio de outros povos. O método concentrava-se numa incansável comparação de dados, retirados das sociedades e de seus contextos sociais, classificados de acordo com o tipo (religioso, de parentesco, etc.), determinado pelo pesquisador, dados que lhe serviriam para comparar as sociedades entre si, fixando-as num estágio específico, inscrevendo estas experiências numa abordagem linear, diacrônica, de modo a que todo costume representasse uma etapa numa escala evolutiva, como se o próprio costume tivesse a finalidade de auxiliar esta evolução. Entendiam os evolucionistas que os costumes se demarcavam como substância, como finalidade, origem, individualidade e não como um elemento do tecido social, interdependente de seu contexto. Vale ressaltar que apesar da maior parte dos evolucionistas terem trabalhado em gabinetes, tais como Edward Tylor e James Frazer um dos mais conhecidos pensadores dessa corrente, Lewis Henry Morgan, tinha contato com diversas tribos do norte dos Estados Unidos. O grupo de Durkheim visava constituir uma ciência propriamente social. O debate francês se inspira sobre a tradicional questão de saber como ocorre o processo de diferenciação social nas sociedades industriais no contexto de organização das sociedades nacionais e das instituições republicanas, questão que recebeu inúmeros desdobramentos nas obras de Marcel Mauss — que publica com Henri Hubert, em 1903, a obra Esboço de uma teoria geral da magia, na qual forja o conceito de mana — Denise Paulme, Germaine Tillion, Germaine Dieterlen, Lucien Lévy-Bruhl, Marcel Griaule, Maurice Leenhardt e Michel Leiris. Já nos Estados Unidos, Franz Boas desenvolve a ideia de que cada cultura tem uma história particular e considerava que a difusão de traços culturais acontecia em toda parte, em várias direções. A antropologia estende a investigação ao trabalho de campo, por meio da qual estuda-se a cultura em seus próprios termos. Surgia o culturalismo, também conhecido como "particularismo histórico", rejeitando, de maneira marcante, o evolucionismo que dominou a Antropologia na segunda metade do século XIX. Consolida-se o conceito de relativismo cultural (ver também Alfred Louis Kroeber, C. Wissler e Robert Lowie). Deste movimento surgiria posteriormente a escola antropológica da Cultura e Personalidade. Criada por discípulos de Boas, influenciadas pela Psicanálise e pela obra de Nietzsche, esta vertente teórica concebe a cultura como detentora de uma "Personalidade de base", partilhada por todos os membros. Busca-se, assim, estabelecer uma tipologia cultural, como, por exemplo, classificando as culturas como dionisíacas (centradas no êxtase) e apolíneas (estruturadas no desejo de moderação), ou ainda como pré-figurativas, pós-figurativas, cofigurativas. Destacam-se as obras de Ruth Benedict, Margaret Mead, Gregory Bateson e Ralph Linton. Paralelamente a estes movimentos, na Inglaterra nascia com Bronislaw Malinowski o funcionalismo, que enfatizava o trabalho de campo (observação participante) — base para a etnografia, que envolve a elaboração desta produção intelectual — e postulava que o conhecimento acerca de uma cultura exige apreendê-la na sua totalidade. As instituições sociais ocupam o centro do debate, a partir das funções que exercem na manutenção da totalidade cultural. Sob inspiração na obra de Durkheim, advogava-se um estreito paralelismo entre as sociedades humanas e os organismos biológicos (na forma de evolução e conservação) porque, em ambos os casos, a harmonia dependeria da interdependência funcional das partes. Alfred Radcliffe Brown, por sua vez, retoma os conceitos de estrutura e de função sob novo prisma, de modo a analisar as obrigações, as relações sociais. A ideia de que a função sustentaria a estrutura social, permitindo a coesão, fundamental dentro de um sistema de relações sociais, ganhou diversos desdobramentos e críticas nos trabalhos de Audrey Richards, Edmund Leach, Evans-Pritchard, Hilda Kuper, Lucy Mair, Max Glukman, Meyer Fortes, Raymond Firth e Victor Turner. Uma inflexão no debate antropológico ocorreu especialmente na década de 1940, com Claude Lévi-Strauss, que passa a centrar o debate na ideia de que existem regras estruturantes das culturas na mente humana, e assume que estas regras constroem pares de oposição para organizar o sentido. Para fundamentar o debate teórico, Lévi-Strauss recorre a duas fontes principais: a corrente psicológica criada por Wilhelm Wundt e o trabalho realizado no campo da linguística, por Ferdinand de Saussure, denominado estruturalismo. Influenciaram-no, ainda, Durkheim, Jakobson (teoria linguística), Kant (idealismo) e Marcel Mauss. Para a Antropologia estrutural, as culturas definem-se como sistemas de signos partilhados e estruturados por princípios que estabelecem o funcionamento do intelecto. Em 1949, Lévi-Strauss publica Les Structures élémentaires de la parenté, obra em que analisa os aborígines australianos e, em particular, os seus sistemas de matrimônio e parentesco. Nesta análise, Lévi-Strauss demonstra que as alianças são mais importantes para a estrutura social que os laços de sangue. Termos como exogamia, endogamia, aliança, consanguinidade passam a fazer parte das preocupações etnográficas. Pode-se observar o desdobramento das reflexões estruturalistas nas obras de diversos antropólogos, como Françoise Héritier, Louis Dumont, Marshall Sahlins, Pierre Bourdieu, Pierre Clastres e Philipe Descola. Clifford Geertz é provavelmente, depois de Lévi-Strauss, o antropólogo cujas ideias causaram maior impacto na segunda metade do século XX, não apenas no que se refere à própria teoria e à prática antropológica, mas também fora de sua área, em disciplinas como a psicologia, a história e a teoria literária. Considerado o fundador de uma das vertentes da antropologia contemporânea — a chamada antropologia interpretativa — defende o estudo de "quem as pessoas de determinada formação cultural acham que são, o que elas fazem e por que razões elas crêem que fazem o que fazem". Nesta vertente teórica, a cultura é analisada como hierarquia de significados e a etnografia envolve a elaboração de uma descrição densa, de interpretação escrita, cuja análise é possível por meio de uma inspiração hermenêutica. É crucial a leitura da leitura que os "nativos" fazem de sua própria cultura. Uma das metáforas preferidas de Geertz, para definir o que fará a antropologia interpretativa, é a leitura das sociedades enquanto textos ou como análogas a textos. A interpretação ocorre em todos os momentos do estudo, da leitura do "texto", pleno de significado, que é a sociedade na escrita do texto/ensaio do antropólogo, por sua vez interpretado por aqueles que não passaram pelas experiências do autor do texto escrito. Todos os elementos da cultura analisada devem portanto ser entendidos à luz desta textualidade, imanente à realidade cultural. Na década de 1980, o debate teórico na Antropologia ganhou novas dimensões. Muitas críticas a todas as vertentes surgiram, questionando o método e as concepções antropológicas. No geral, este debate privilegiou algumas ideias: a primeira delas é que a realidade é sempre interpretada, ou seja, vista sob uma perspectiva subjetiva do autor, portanto a antropologia seria uma interpretação de interpretações. Da crítica das retóricas de autoridade clássicas, fortemente influenciada pelos estudos de Michel Foucault, surgem metaetnografias, ou seja, a análise antropológica da própria produção etnográfica. Contribuiu muito para esta discussão a formação de antropólogos nos países que então eram analisados apenas pelos grandes centros antropológicos. A Antropologia pós-moderna privilegia a discussão acerca do discurso antropológico, mediado pelos recursos retóricos presentes no modelo das etnografias. Politiza a relação observador-observado na pesquisa antropológica, questionando a utilização do "poder" do etnógrafo sobre o "nativo", e crítica os paradigmas teóricos e da "autoridade etnográfica" do antropólogo. A pergunta essencial é: quem realmente fala na etnografia? O nativo? Ou o nativo visto pelo prisma do etnógrafo? A etnografia passa a ser desenvolvida como uma representação polifónica da polissemia cultural – e nela deveriam estar claramente presentes as vozes dos vários informantes. Denis Tedlock, George Marcus, James Clifford, Michel Fischer, Paul Rabinow, Renato Rosaldo e Vincent Crapanzano são alguns dos expoentes deste debate. Outros movimentos significativos, na história do século XX, para a teoria antropológica foram as escolas Cognitiva, Simbólica e Marxista, além das críticas feministas, pós-coloniais e decoloniais. São inúmeras as colaborações, dentre as quais destacam-se os trabalhos de: Arturo Escobar, Bruno Latour, Donna Haraway, Frantz Fanon, Jean Comaroff, Johannes Fabian, John Comaroff, Marshall Sahlins, Marilyn Strathern, Michael Taussig, Sherry Ortner, Talal Asad e Tim Ingold. Um dos problemas centrais da antropologia da arte diz respeito à universalidade da arte como fenômeno cultural. Vários antropólogos notaram que as categorias ocidentais de pintura, escultura ou literatura, concebidas como atividades artísticas independentes, não existem, ou existem de uma forma significativamente diferente, na maioria dos contextos não ocidentais. Os antropólogos da arte se concentraram em características formais em objetos que, sem serem exclusivamente "artísticos", têm certas qualidades "estéticas" evidentes. Arte primitiva de Boas, A via das máscaras, de Claude Lévi-Strauss ou "'Arte como sistema cultural" de Geertz são alguns exemplos de trabalhos neste campo. A antropologia da mídia (também conhecida como antropologia da mídia ou mídia de massa) enfatiza os estudos etnográficos como um meio de compreender produtores, públicos e outros aspectos culturais e sociais da mídia de massa. Os tipos de contextos etnográficos explorados variam de contextos de produção de mídia (por exemplo, etnografias de redações em jornais, jornalistas da área, produção de filmes) a contextos de recepção da mídia, acompanhando o público em suas respostas diárias à mídia. Outros tipos incluem a ciberantropologia. Etnomusicologia é um campo acadêmico que abrange várias abordagens para o estudo da música (amplamente definido), que enfatizam suas dimensões ou contextos culturais, sociais, materiais, cognitivos, biológicos e outros, em vez de ou além de seu componente sonoro isolado ou qualquer repertório particular. Embora as origens da etnomusicologia datem dos séculos XVIII e XIX, ela foi formalmente introduzida como "etnomusicologia" pelo estudioso holandês Jaap Kunst por volta de 1950. Mais tarde, a influência do estudo nesta área gerou a criação do periódico Etnomusicologia e da Sociedade de Etnomusicologia. A antropologia visual preocupa-se, em parte, com o estudo e a produção da fotografia etnográfica, do cinema e, desde meados dos anos 1990, dos novos meios de comunicação. Embora o termo às vezes seja usado como sinônimo de filme etnográfico, a antropologia visual também abrange o estudo antropológico da representação visual, incluindo áreas como performance, museus, arte e produção e recepção de mídia de massa. Representações visuais de todas as culturas, como pinturas de areia, tatuagens, esculturas e relevos, pinturas rupestres, joias, hieróglifos, pinturas e fotografias estão incluídas no foco da antropologia visual. A antropologia econômica tenta explicar o comportamento econômico humano em seu mais amplo escopo histórico, geográfico e cultural. Tem uma relação complexa com a disciplina de economia, da qual é altamente crítica. Suas origens como um subcampo da antropologia começam com Bronisław Malinowski e Marcel Mauss, sobre a natureza da troca de presentes (ou reciprocidade) como uma alternativa à troca de mercado. A Antropologia Econômica permanece, em grande parte, focada na troca. A escola de pensamento derivada de Marx e conhecida como Economia Política concentra-se na produção, em contraste. Os antropólogos econômicos abandonaram o nicho primitivista ao qual foram relegados pelos economistas e se voltaram para examinar corporações, bancos e o sistema financeiro global de uma perspectiva antropológica. A economia política na antropologia é a aplicação das teorias e métodos do materialismo histórico às preocupações tradicionais da antropologia, incluindo, mas não se limitando a, sociedades não capitalistas. A economia política introduziu questões de história e colonialismo às teorias antropológicas a-históricas da estrutura social e da cultura. Três áreas principais de interesse desenvolveram-se rapidamente. A primeira dessas áreas preocupava-se com as sociedades pré-capitalistas sujeitas aos estereótipos tribais evolucionários. O trabalho de Sahlins sobre os caçadores-coletores como a "sociedade afluente original" contribuiu muito para dissipar essa imagem. A segunda área preocupava-se com a vasta maioria da população mundial da época, o campesinato, muitos dos quais estavam envolvidos em guerras revolucionárias complexas, como no Vietnã. A terceira área era sobre colonialismo, imperialismo e a criação do sistema mundial capitalista. Mais recentemente, esses economistas políticos abordaram mais diretamente as questões do capitalismo industrial (e pós-industrial) em todo o mundo. A antropologia do desenvolvimento tende a ver o desenvolvimento de uma perspectiva crítica. O tipo de questões abordadas e as implicações para a abordagem envolvem simplesmente ponderar por que, se um objetivo-chave de desenvolvimento é o alívio da pobreza, a pobreza está aumentando? Por que existe essa lacuna entre planos e resultados? Por que aqueles que trabalham no desenvolvimento estão tão dispostos a ignorar a história e as lições que ela pode oferecer? Por que o desenvolvimento é tão impulsionado externamente em vez de ter uma base interna? Em suma, por que tanto desenvolvimento planejado falha? O parentesco pode se referir tanto ao estudo dos padrões de relações sociais em uma ou mais culturas humanas, quanto aos próprios padrões de relações sociais. Ao longo de sua história, a antropologia desenvolveu uma série de conceitos e termos relacionados, como "descendência", "grupos de descendência", "linhagens", "afins", "cognatos" e até mesmo "parentesco fictício". De modo geral, os padrões de parentesco podem ser considerados como incluindo pessoas relacionadas tanto por descendência (relações sociais durante o desenvolvimento), e também parentes por casamento. No parentesco, você tem duas famílias diferentes. As pessoas têm suas famílias biológicas e são as pessoas com as quais compartilham DNA. Isso é chamado de relações consanguíneas ou "laços de sangue". As pessoas também podem ter uma família escolhida, na qual escolheram quem querem que faça parte de sua família. A antropologia médica é um campo interdisciplinar que estuda saúde e doença humana, sistemas de saúde e adaptação biocultural. Ele se concentra nos seguintes seis campos básicos: 1) o desenvolvimento de sistemas de conhecimento médico e assistência médica; 2) a relação médico-paciente; 3) a integração de sistemas médicos alternativos em ambientes culturalmente diversos; 4) a interação de fatores sociais, ambientais e biológicos que influenciam a saúde e a doença tanto do indivíduo quanto da comunidade como um todo; 5) a análise crítica da interação entre os serviços psiquiátricos e as populações migrantes ("etnopsiquiatria crítica"); 6) o impacto da biomedicina e tecnologias biomédicas em ambientes não ocidentais. Outros assuntos que se tornaram centrais para a antropologia médica em todo o mundo são a violência e o sofrimento social, bem como outras questões que envolvem danos físicos e psicológicos e sofrimento que não são resultado de uma doença. Por outro lado, existem campos que se cruzam com a antropologia médica em termos de metodologia de pesquisa e produção teórica, como a psiquiatria cultural e a psiquiatria transcultural ou etnopsiquiatria. A antropologia nutricional é um conceito sintético que trata da interação entre os sistemas econômicos, o estado nutricional e a segurança alimentar e como as mudanças nos primeiros afetam os segundos. Se as mudanças econômicas e ambientais em uma comunidade afetam o acesso à alimentação, segurança alimentar e saúde alimentar, então essa interação entre cultura e biologia está, por sua vez, conectada a tendências históricas e econômicas mais amplas associadas à globalização. O estado nutricional afeta o estado geral de saúde, o potencial de desempenho no trabalho e o potencial geral de desenvolvimento econômico (seja em termos de desenvolvimento humano ou modelos ocidentais tradicionais) para qualquer grupo de pessoas. A antropologia psicológica é um subcampo interdisciplinar da antropologia que estuda a interação dos processos culturais e mentais. Este subcampo tende a se concentrar nas maneiras pelas quais o desenvolvimento e a inculturação dos humanos dentro de um determinado grupo cultural — com sua própria história, linguagem, práticas e categorias conceituais — moldam os processos de cognição, emoção, percepção, motivação e saúde mental humanas. Também examina como a compreensão da cognição, emoção, motivação e processos psicológicos semelhantes informam ou restringem nossos modelos de processos culturais e sociais. A antropologia cognitiva busca explicar os padrões de conhecimento compartilhado, inovação cultural e transmissão ao longo do tempo e do espaço usando os métodos e teorias das ciências cognitivas (especialmente psicologia experimental e biologia evolutiva), muitas vezes por meio de estreita colaboração com historiadores, etnógrafos, arqueólogos, linguistas, musicólogos e outros especialistas envolvidos na descrição e interpretação de formas culturais. A antropologia cognitiva está preocupada com o que as pessoas de diferentes grupos sabem e como esse conhecimento implícito muda a maneira como as pessoas percebem e se relacionam com o mundo ao seu redor. A antropologia política diz respeito à estrutura dos sistemas políticos, vistos a partir da estrutura das sociedades. A antropologia política se desenvolveu como uma disciplina preocupada principalmente com a política em sociedades sem Estado, um novo desenvolvimento começou na década de 1960 e ainda está se desenvolvendo: os antropólogos começaram a estudar cada vez mais configurações sociais mais "complexas" em que a presença de Estados, burocracias e mercados compunham relatos etnográficos e análise de fenômenos locais. A virada para as sociedades complexas significou que os temas políticos foram tratados em dois níveis principais. Em primeiro lugar, os antropólogos continuaram a estudar a organização política e os fenômenos políticos que estavam fora da esfera regulada pelo Estado (como nas relações patrono-cliente ou na organização política tribal). Em segundo lugar, os antropólogos começaram lentamente a desenvolver uma preocupação disciplinar com os Estados e suas instituições (e sobre a relação entre as instituições políticas formais e informais). Uma antropologia do estado se desenvolveu, e é um campo muito próspero hoje. O trabalho comparativo de Geertz sobre Negara, o estado balinês, é um exemplo antigo e famoso. A antropologia jurídica ou antropologia do direito é especializada no estudo transcultural da ordem social. Pesquisas antropológicas jurídicas anteriores frequentemente focavam mais especificamente em gestão de conflitos, crime, sanções ou regulamentação formal. As aplicações mais recentes incluem questões como direitos humanos, pluralismo jurídico e levante político. A antropologia forense é a aplicação da ciência da antropologia física e da osteologia humana em um ambiente jurídico, mais frequentemente em casos criminais em que os restos mortais da vítima estão em estágios avançados de decomposição. Um antropólogo forense pode auxiliar na identificação de indivíduos falecidos cujos restos mortais estão decompostos, queimados, mutilados ou irreconhecíveis. O adjetivo "forense" refere-se à aplicação desse subcampo da ciência a um tribunal. Como a antropologia e, mais especificamente, a etnologia sempre estudaram suas sociedades nativas como um todo interdependente, afirma Bruno Latour, urge fazer o mesmo entre os modernos. Ao invés de se concentrar nas margens dos grandes centros da modernidade, a antropologia deveria proceder do mesmo modo que fazia com povos não-modernos, ou seja, indo direto ao centro da sociedade em questão. Entre os modernos, ele declara, este centro é a ciência e a tecnologia. Uma parte fundamental dos estudos CTS, a antropologia da ciência e da tecnologia ressalta o caráter etnográfico da teoria ator-rede, produzindo etnografias que retratam a sociedade "moderna" a partir daquilo que ela mesma considera como sua pedra angular: o conhecimento "científico". Surge, assim, a etnografia de laboratório. O exemplo talvez mais famoso deste tipo de literatura é A Vida de Laboratório de Bruno Latour e Steve Woolgar. A antropologia ciborgue se originou como um subgrupo de enfoque dentro da reunião anual da American Anthropological Association em 1993. O subgrupo era intimamente relacionado ao STS e à Sociedade para os Estudos Sociais da Ciência. O Manifesto Cyborg de Donna Haraway de 1985 pode ser considerado o documento fundador da antropologia ciborgue, primeiro explorando as ramificações filosóficas e sociológicas do termo. A antropologia ciborgue estuda a humanidade e suas relações com os sistemas tecnológicos que ela construiu, especificamente os sistemas tecnológicos modernos que moldaram reflexivamente noções do que significa ser humano. A antropologia digital é o estudo da relação entre os humanos e a tecnologia da era digital e se estende a várias áreas onde a antropologia e a tecnologia se cruzam. Às vezes é agrupado com a antropologia sociocultural e às vezes considerado parte da cultura material. O campo é novo e, portanto, tem uma variedade de nomes com diversas ênfases. Isso inclui a tecnoantropologia, etnografia digital, ciberantropologia e antropologia virtual. A antropologia ecológica é definida como o estudo das adaptações culturais aos ambientes. O subcampo também é definido como o estudo das relações entre uma população de humanos e seu ambiente biofísico. O foco de sua pesquisa diz respeito a como as crenças e práticas culturais ajudaram as populações humanas a se adaptarem a seus ambientes, e como seus ambientes mudam ao longo do espaço e do tempo. Muitos caracterizam essa nova perspectiva como mais informada sobre cultura, política e poder, globalização, questões localizadas, antropologia do século e muito mais. O foco e a interpretação dos dados são muitas vezes usado para argumentos a favor/contra ou criação de políticas e para prevenir a exploração corporativa e danos à terra. Frequentemente, o observador se tornou uma parte ativa da luta, seja direta (organização, participação) ou indiretamente (artigos, documentários, livros, etnografias). Etnohistória é o estudo de culturas etnográficas e costumes indígenas por meio do exame de registros históricos. É também o estudo da história de vários grupos étnicos que podem ou não existir hoje. Etnohistória usa dados históricos e etnográficos como sua base. Seus métodos e materiais históricos vão além do uso padrão de documentos e manuscritos. Os praticantes reconhecem a utilidade de materiais como mapas, música, pinturas, fotografia, folclore, tradição oral, exploração de locais, materiais arqueológicos, coleções de museus, costumes duradouros, linguagem e nomes de lugares. A antropologia da religião envolve o estudo das instituições religiosas em relação a outras instituições sociais e a comparação das crenças e práticas religiosas entre as culturas. A antropologia moderna pressupõe que toda religião é um produto cultural, criado pela comunidade humana. Também contemplam estudos sobre a noção de magia, símbolos religiosos, laicidade e a atuação religiosa na esfera pública. A antropologia da criança tem uma compreensão de como as crianças devem ser entendidas como atores sociais relevantes, já que não apenas são submetidas aos ensinamentos, mas criam sentidos e atuam sobre o que vivenciam. Diante desse contexto, temos uma relação com a ideia trazida por Clarice Cohn que é:"Ao contrário de seres incompletos, treinando para a vida adulta, encenando papéis sociais enquanto são socializados ou adquirindo competências e formando sua personalidade social, passam a ter um papel ativo na definição de sua própria condição. Seres sociais plenos ganham legitimidade como sujeito nos estudos que são feitos sobre eles. Vejamos como essas mudanças afetam os estudos antropológicos em três aspectos: a criança como ator social, a criança como produtor de cultura, e a definição da condição social da criança".Para essa autora é importante estudar as crianças, pois, assim, é possível compreender a experiência cultural dos adultos, uma vez que esses naturalizaram seus espaços, poderes e relações pessoais. Diferentemente, as crianças veem as relações de outro ponto de vista, com novas ideias, valores e relações. Ainda segundo Cohn, a criança passa a ter um papel efetivo diante à sociedade, além de conseguir perceber a autoridade dos adultos, as regras do seu mundo e as culturas infantis. A antropologia urbana se preocupa com questões de urbanização, pobreza e neoliberalismo. Vários processos sociais no mundo ocidental, bem como no Terceiro Mundo (este último sendo o foco usual de atenção dos antropólogos) trouxeram a atenção de "especialistas em 'outras culturas'" para mais perto de suas casas. Existem duas abordagens principais para a antropologia urbana: examinar os tipos de cidades ou examinar as questões sociais dentro das cidades. Esses dois métodos são sobrepostos e dependentes um do outro. Ao definir diferentes tipos de cidades, seriam usados fatores sociais, bem como fatores econômicos e políticos para categorizar as cidades. Olhando diretamente para as diferentes questões sociais, também estaria estudando como elas afetam a dinâmica da cidade. A antropologia da educação é um sub-campo da antropologia e está amplamente associada ao trabalho pioneiro de Margaret Mead. Como o nome sugere, o foco recai sobre a educação, incluindo a observação etnográfica de processos informais e formais de ensino e aprendizagem. Problematiza-se a relação entre educação e multiculturalismo, o pluralismo educacional, a pedagogia culturalmente relevante e os métodos nativos de aprendizagem e socialização.
Arqueologia (do grego, composto pelas palavras, "antigo" e, "fala" ou "estudo") é a ciência que estuda as culturas e os modos de vida das diferentes sociedades humanas do passado a partir da análise de objetos materiais. É uma ciência social que estuda as sociedades através das materialidades produzidas pelos seres humanos sem limites de caráter cronológico, sejam estes móveis — como por exemplo um objeto de arte — ou objetos imóveis — como é o caso das estruturas arquitectónicas. Incluem-se também no seu campo de estudos as intervenções feitas pelos seres humanos no meio ambiente. Ela compreende as diferentes partes da arte dos antigos, os géneros e espécies de arquitetura, a escultura, que compreende a estatuária, os baixo relevos e os ornamentos, o desenho e a pintura em madeira, tela, pedra, marfim, mosaicos, a gravura de camafeus, em talha, cobre, aço, medalhas, moedas, etc. A arqueologia emprega-se também na indagação das inscrições e escrituras antigas. Há diferença notável entre o arqueólogo e o antiquário, porque este indaga e recolhe os monumentos, e tem mais gosto e habito de os adquirir do que erudição e estudos próprios para os descrever e avaliar. Grévio, Gronovio, Muratori, d'Agencourt, Quatremère, Visconti, e outros, cultivaram esta ciência; Winkelmann compôs a historia da arte entre os antigos, e Cicognara continuou-a até 1823. A maioria dos primeiros arqueólogos, que aplicaram sua disciplina aos estudos das antiguidades, definiram a arqueologia como o estudo sistemático dos restos materiais da vida humana já desaparecida. Outros arqueólogos enfatizaram aspectos psicológico-comportamentais e definiram a arqueologia como a reconstrução da vida dos povos antigos. A ciência arqueológica pode envolver trabalhos de prospecção e escavação, ou somente prospecção, em ambos os casos são realizadas análises das materialidades encontradas, para assim traçar os comportamentos da sociedade que as produziu. Em muitos casos, a arqueologia se utiliza de investigações de outras áreas científicas, como a antropologia, história, história da arte, geografia, geologia, linguística, física, as ciências da informação, química, estatística, paleontologia (paleozoologia, paleobotânica e paleoecologia), medicina e literatura. Em alguns países a arqueologia é considerada como uma disciplina pertencente à antropologia enquanto que em países, como em Portugal, esta foi considerada uma disciplina pertencente ao ramo científico da História e dependente deste. No Brasil, a Arqueologia é tida como uma ciência autônoma, com cursos de graduação espalhados por todo o país. A arqueologia dedica-se ao estudo das manifestações culturais e materiais desde o surgimento do ser humano (transição do australopitecos para o homo habilis) até ao presente. Deste modo, enquanto as antigas gerações de arqueólogos estudavam um antigo instrumento de cerâmica como um elemento cronológico que ajudaria a pôr uma data à cultura que era objeto de estudo, ou simplesmente como um objeto com um verdadeiro valor estético, os arqueólogos dos dias de hoje veriam o mesmo objeto como um instrumento que lhes serve para compreender o pensamento, os valores e a própria sociedade a que pertenceram. O mesmo se aplica às materialidades contemporâneas. Os arqueólogos podem ter de actuar em situações de emergência, como quando existem obras que põem a descoberto vestígios arqueológicos até então desconhecidos, sendo, nestes casos, criados e enviados para o local piquetes de emergência. Deste modo, procuram desenvolver medidas para minimizar o impacto negativo que essas obras possam ter no património arqueológico, podendo ser feitas alterações pontuais no projecto inicial. Só em casos excepcionais os achados arqueológicos são suficientemente importantes para justificar a anulação de obras de grande envergadura (ex.: barragem de Foz Côa). Em certos casos, a destruição parcial ou total dos vestígios arqueológicos poderá ser inevitável, nomeadamente por motivo de obras de superior interesse público, o que exige um registo prévio o mais exaustivo possível. A fim de se minimizarem os riscos de destruição do património arqueológico devido a obras públicas ou privadas de grande amplitude, tem-se procurado, nos últimos anos, integrar arqueólogos nas equipas que elaboram os estudos de viabilidade e de impacto ambiental. A tendência actual é para substituir uma arqueologia de salvamento por uma arqueologia preventiva. A investigação arqueológica dedicou-se fundamentalmente à pré-história e às civilizações da antiguidade; no entanto, ao longo do último século, a metodologia arqueológica aplicou-se a etapas mais recentes, como a Idade Média ou o período Moderno. Na atualidade, os arqueólogos dedicam-se cada vez mais a fases tardias da evolução humana, e a disciplinas transversais como a arqueologia industrial e a arqueologia subaquática. A arqueologia se destaca como um interesse popular principalmente devido à propaganda feita por franquias como a de Indiana Jones, em que o herói, representado por Harrison Ford, era um professor de arqueologia. Este tipo de associação da ciência com a aventura glamorizadas pelo personagem criado por Steven Spielberg e George Lucas pode ter sido uma catapulta para a criação de imaginário público com ideal romantizado do que é a investigação arqueológica. Essa fama também costuma ser associada à questão dos dinossauros e é uma ligação criticada por alguns grupos de pesquisadores da área de Arqueologia. Este tipo de investigação faz uso dos conhecimentos e metodologias de vários outros ramos científicos (ciências naturais e sociais), assim como do conhecimento empírico da população que nos rodeia, pois a fonte oral é muitas vezes o ponto de início para o desenvolvimento de algum estudo. Costuma-se dizer que "cada velho que morre é uma biblioteca que arde", pois é informação que se perde. Uma investigação arqueológica começa pela investigação bibliográfica ou, em alguns casos, pela prospecção, que faz parte do levantamento arqueológico. Há uma grande diferença entre prospecção e sondagem, a primeira é para o levantamento e consiste em metodologias não intrusivas enquanto a segunda requer já a alteração do local em estudo e padece assim não só de metodologia extremamente rigorosa mas também de autorizações próprias. No levantamento, é sempre importante se observar as especificidades de um local: a abrupta mudança de coloração do solo (camadas estratigráficas), a presença de plantas não nativas, a presença de animais e outros aspectos. A arqueologia é amostral, porque dedica-se ao estudo dos vestígios arqueológicos mas também trabalha com a totalidade da história do local onde usa como motor outras ciências auxiliares como a geologia, história, arquitetura, história de arte, entre outras ciências e áreas de conhecimento.
Alexandre Rodrigues Ferreira (Cidade da Bahia, 27 de abril de 1756 — Lisboa, 23 de abril de 1815) foi um naturalista brasileiro que se notabilizou pela realização de uma extensa viagem que percorreu o interior da Amazônia até ao Mato Grosso, entre 1783 e 1792. Durante a viagem, descreveu a agricultura, a fauna, a flora e os habitantes das regiões visitadas. Ao lado de nomes como Manuel Arruda Câmara, é considerado um dos maiores naturalistas luso-brasileiros. Filho do comerciante Manuel Rodrigues Ferreira, iniciou os seus estudos no Convento das Mercês, na Bahia, que lhe concedeu as suas primeiras ordens em 1768. Na Universidade de Coimbra, onde se matriculou no Curso de Leis e depois no de Filosofia Natural e Matemática, bacharelou-se aos 22 anos. Prosseguindo os seus estudos na instituição, onde chegou a exercer a função de Preparador de História Natural, obteve, em 1779, o título de Doutor. Trabalhou, em seguida, no Real Museu da Ajuda. A 22 de Maio de 1780 foi admitido como membro correspondente na Real Academia das Ciências de Lisboa. Por esse tempo as rendas coloniais do Brasil se encontravam em decadência, exauridas as jazidas de ouro aluvional do Mato Grosso, de Goiás e, sobretudo, de Minas Gerais. Por essa razão, a rainha D. Maria I, desejando conhecer melhor o Centro-Norte da colônia, até então praticamente inexplorado, a fim de ali implementar medidas desenvolvimentistas, ordenou a Alexandre Rodrigues Ferreira, na qualidade de naturalista, que empreendesse uma Viagem Filosófica pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. A ideia era dinamizar a exploração econômica e a posse das conquistas em áreas de litígio. Em 1783 o naturalista deixou o seu cargo no Museu da Ajuda e, em setembro partiu para o Brasil, para descrever, recolher, aprontar e remeter para o Real Museu de Lisboa amostras de utensílios empregados pela população local, bem como de minerais, plantas e animais. Ficou também encarregado de tecer comentários filosóficos e políticos sobre o que visse nos lugares por onde passasse. Esse pragmatismo será o que leva a expedição a ser distinta de suas congêneres, mais científicas, comandadas por outros naturalistas que vieram explorar a América. Com recursos precários, contava com dois desenhistas ou 'riscadores', José Codina, do qual pouco se sabe, e José Joaquim Freire (que tivera importante papel na Casa do Risco do Museu da Ajuda, frequentara aulas de desenho na Fundição do Real Arsenal do Exército) além de um jardineiro botânico, Agostinho do Cabo. Tinha a Viagem os auspícios da Academia das Ciências de Lisboa, Ministério dos Negócios e Domínios Ultramarinos e era planejada pelo naturalista italiano Domenico Vandelli. Programada para ter quatro naturalistas, veio apenas um, sem contar os drásticos cortes financeiros e materiais... Ficaram sobre os ombros de Alexandre Rodrigues Ferreira e poucos auxiliares as tarefas de coleta de espécies, classificação e preparação para o embarque rumo a Lisboa, sem contar os estudos sobre agricultura, cartografia e a confecção dos mapas populacionais. Em outubro de 1783 aportou em Belém do Pará na charrua (embarcação) Águia e Coração de Jesus. Os nove anos seguintes foram dedicados a percorrer o centro-norte do Brasil, a partir das ilhas de Marajó, Cametá, Baião, Pederneiras e Alcobaça. Subiu o rio Amazonas e o rio Negro até à fronteira com as terras espanholas, navegou pelo rio Branco até à serra de Cananauaru. Subiu o rio Madeira e o rio Guaporé até Vila Bela da Santíssima Trindade, então capital do Mato Grosso. Seguiu para a vila de Cuiabá, transpondo-se da bacia amazônica para os domínios do Pantanal Mato-grossense, já na bacia do rio da Prata. Navegou pelos rio Cuiabá, pelo rio São Lourenço e pelo rio Paraguai. Voltou a Belém do Pará em janeiro de 1792. Tinha, como se vê, percorrido as capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá de 1783 a 1792. Inventariara a natureza, as comunidades indígenas e seus costumes, avaliou as potencialidades econômicas e o desempenho dos núcleos populacionais. Foi a mais importante viagem durante o período colonial. Diz a Brasiliana abaixo citada, p. 51: "Nos diários de sua Viagem Filosófica, traçou um amplo quadro das lavouras, procurando subsídios para o declínio da produção, sobretudo após a expulsão dos jesuítas. As culturas estavam prejudicadas pelo desprezo do português pelo trabalho, indolência dos nativos, falta de braços e redução do número de escravos negros. Seus planos não se concentravam apenas na multiplicação das áreas agrícolas, mas na qualidade e na diversificação dos produtos. A economia somente avançaria caso houvesse uma racionalização das culturas e introdução de técnicas adequadas à lavoura e ao solo. Para avaliar o empreendimento, construiu tabelas pormenorizadas, destinadas a fornecer um panorama sobre povoados e lavouras. Em cada comunidade, os mapas populacionais dimensionavam as potencialidades da mão-de-obra, destacando a existência de trabalhadores ativos e inativos, o número de brancos, índios, negros escravos, mulheres, crianças e velhos. Deste modo, compunha um quadro sobre a viabilidade econômica dos lugarejos visitados."A produção agrícola tornou-se, igualmente, um dado fundamental para compor um diagnóstico da economia da Amazônia. O naturalista, então, mensurava as colheitas de farinha, arroz, milho, cacau, café e tabaco, compondo balanços da produção." O seu "Diário da Viagem Filosófica" foi publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro entre 1885 e 1888. A Divisão de Manuscritos da Fundação Biblioteca Nacional conserva na Coleção Alexandre Rodrigues Ferreira centenas de documentos da Viagem Filosófica, além de papéis referentes à Amazônia no século XVIII. Em 2010, durante um levantamento das colecções pertencentes à Universidade de Coimbra, foram encontrados vários exemplares de peixes do Brasil conservados “em herbário”, em perfeitas condições. Os exemplares do século XVIII de peixes do Brasil, oriundos das colecções do Real Museu da Ajuda, representam diferentes espécies, conservados sobre cartão, com a designação científica no sistema de Lineu. O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra atribuiu esses elementos às recolhas efectuadas por Alexandre Rodrigues Ferreira para a coroa portuguesa, na bacia do Amazonas, entre 1783 e 1792. Esquecidos durante muitos anos numa zona de difícil acesso do departamento de Zoologia da Universidade de Coimbra, parte dos exemplares é apresentada publicamente a 19 de janeiro de 2011, no Auditório do Laboratório Chimico. Durante todos os anos de sua entrada pelo sertão, havia ordenado o envio do material coletado para a Corte. Ao descobrir que todas as despesas haviam sido custeadas pelo capitão, gastando o dote de sua filha, disse-lhe "Isso não servirá de embaraço ao seu casamento; eu serei quem receba essa sua filha por mulher." E assim o fez: casou-se dia 16 de setembro de 1792 com Germana Pereira de Queiroz. Já em Lisboa, tendo regressado em janeiro de 1793, dedicou sua vida à administração metropolitana: foi nomeado Oficial da Secretaria do Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos. Em 1794 foi condecorado com a Ordem de Cristo e tomou posse como Diretor interino do Real Gabinete de História Natural e do Jardim Botânico. No ano seguinte foi nomeado, seguidamente, Vice Diretor da instituição, Administrador das Reais Quintas e Deputado da Real Junta do Comércio. O farto material proveniente da Viagem Filosófica permaneceu por mais de um século desconhecido e não foi estudado pelos sábios portugueses, nem mesmo por Ferreira. Este jamais retomaria os trabalhos com as espécies e amostras recolhidas no Brasil, não aperfeiçoou as memórias e estudos e boa parte desse material seria mais tarde levada para Paris como butim de guerra. Ainda há, entretanto, rico acervo, diários, mapas geográficos, populacionais e agrícolas, correspondência, mais de mil pranchas e memórias - que se encontram sobretudo na Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no Museu Bocage integrado no Museu Nacional de História Natural e da Ciência em Lisboa e no Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa. *Expedições filosóficas portuguesas, AREIA, M. L. Rodrigues; MIRANDA, M. A.; HARTMANN, T. Memória da Amazónia. Alexandre Rodrigues Ferreira e a Viagem Philosophica pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuyabá. 1783-1792. Coimbra: Museu e Laboratório Antropológico da Universidade, 1991. BATES, Henry Walter. O naturalista no rio Amazonas . São Paulo: Editora Nacional, 1944. BDLB - Biblioteca Digital Luso Brasileira. Manuscritos de Alexandre Rodrigues Ferreira (1756-1815). [ link], BN - Biblioteca Nacional. Biblioteca Nacional Digital: Manuscritos de Alexandre Rodrigues Ferreira. [ link]. CARVALHO, J. C. M. Viagem filosófica pelas capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá (1783-1793): uma síntese no seu bicentenário. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 1983. CIFEFIL - Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos. Documentos manuscritos e impressos de Alexandre Rodrigues Ferreira da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. s.d. [ CORREIA FILHO, V. Alexandre Rodrigues Ferreira. Vida e obra do grande naturalista brasileiro. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1939. CUNHA, O. R. O naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira. Uma análise comparativa de sua viagem filosófica (1783-1793). Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 1991. DOMINGUES, A. Formas de intervenção no espaço amazónico em finais do século XVIII: política e aventura. Dissertação de mestrado. Lisboa: FCSH da UNL, 1988. DOMINGUES, A. “Viagens científicas de exploração à Amazónia de finais do século XVIII”. Ler História. 19105-125. DOMINGUES, A. Viagens de exploração geográfica na Amazónia em finais do século XVIII: Política, Ciência e Aventura. Lisboa: Secretaria Regional do Turismo, Cultura e Emigração (Madeira)/Centro de Estudos de História do Atlântico, 1991. DOMINGUES, A. “Os índios da Amazónia para um Naturalista do século XVIII”. Ler História. 233-10. FALCÃO, Edgard de Cerqueira. Breve notícia sobre a "Viagem Filosófica" de Alexandre Rodrigues Ferreira. Revista de História, São Paulo, v. 40, n. 81, p. 185-195, 1970. [ link]. FERREIRA, A. R. Desenhos de Gentios, Animaes quadrupedes, Aves, Amphibios, Peixes e Insectos [...] da Expedição Philosophica do Pará, Rio Negro, Matto-Grosso e Cuyabá. Copiados no R. Jardim Botanico. Manuscrito do Museu Nacional, Rio de Janeiro, s.d. *, Vol. I, Desenhos de gentios, animaes quadrupedes, aves, amphibios, peixes e insectos, [ link]. *, Vol. II, Prospectos de cidades, villas, povoações, edifícios, rios e cachoeiras, [ link]. *, Vol. III, Plantas, pt. 1, [ link]; pt. 2, [ link]; pt. 3, [ link];, FERREIRA, A. R. Diário da viagem filosófica pela capitania de São José do Rio Negro com a informação do estado presente. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 48: 1-234, 1885, [ link]; 49: 123-288, 1886 [ link]; 50: 11-141, 1887, [ link]; 51: 5-166, 1888, [ link]. FERREIRA, A. R. Viagem filosófica às Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. Desenhos originais coligidos pelo Prof. Dr. Edgard de Cerqueira Falcão. São Paulo: Gráfica Brunner, 1970. FERREIRA, A. R. Viagem Filosófica: pelas Capitanias do Grão Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá: 1783-1792: Iconografia; v.1: Geografia e antropologia; v.2: Zoologia. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura, 1971. FERREIRA, A. R. Viagem Filosófica...: Memórias; v.1. Zoologia e botânica, 1972; v. 2. Antropologia, 1974. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura, 1972-1974. il. FERREIRA, A. R. Viagem Filosófica...: Memórias: I. Antropologia. 2a. ed. Manaus: Valer, 2008. GOELDI, Emílio. Ensaio sobre o Dr. Alexandre R. Ferreira. Pará: Alfredo Silva, 1895. [ link]. [2a. ed. Brasília: UNB, 1982.], MACEDO, Joaquim Manuel de, Anno biographico brazileiro, Typographia e litographia do imperial instituto artístico, Rio de Janeiro, 1876. PEREIRA, Paulo Roberto, org. Brasiliana da Biblioteca Nacional: guia de fontes sobre o Brasil. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, Nova Fronteira, 2001. *[ A ilustração em Portugal e no Brasil: Cientistas & Viajantes] *[ Alexandre Rodrigues Ferreira]
Aldous Leonard Huxley (Godalming, 26 de julho de 1894 – Los Angeles, 22 de novembro de 1963) foi um escritor inglês e um dos mais proeminentes membros da família Huxley. Mais conhecido pelos seus romances, como Admirável Mundo Novo e diversos ensaios, Huxley também editou a revista Oxford Poetry e publicou contos, poesias, literatura de viagem e guiões de filmes. Passou a última parte de sua vida nos Estados Unidos, vivendo em Los Angeles de 1937 até sua morte, em 1963. No final de sua vida, Huxley foi amplamente reconhecido como um dos principais intelectuais de sua época. Ele foi nomeado para o Prêmio Nobel de Literatura sete vezes e foi eleito Companheiro de Literatura pela Royal Society of Literature em 1962. Huxley era humanista e pacifista. Ele cresceu interessado no misticismo filosófico e universalismo, abordando esses temas com obras como A Filosofia Perene - que ilustra semelhanças entre misticismo ocidental e oriental - e As Portas da Percepção - que interpreta sua própria experiência psicodélica com mescalina. Em seu romance mais famoso Admirável Mundo Novo e seu último romance A Ilha, ele apresentou sua visão de distopia e utopia, respectivamente. Faziam parte da sua família os mais distintos membros da classe dominante inglesa; uma vasta elite intelectual. O seu avô era Thomas Henry Huxley, um grande biólogo defensor da teoria evolucionista de Charles Darwin, tendo desenvolvido o conceito agnóstico. A sua mãe era irmã da romancista Humphrey Ward; a sobrinha de Matthew Arnold, o poeta; e a neta de Thomas Arnold, um famoso professor e diretor da Rugby School que acabou por se tornar numa personagem do romance "Tom Brown's Schooldays". No ano de 1937 Aldous Huxley mudou-se para Los Angeles com sua esposa Maria, o filho Matthew Huxley e seu amigo Gerald Heard, e em 1938, no auge da sua carreira, chegou a Hollywood, como um de seus mais bem remunerados guionistas. Nessa fase, escreveu romances como Também o Cisne Morre, O Tempo Pode Parar, O Macaco e a Essência . Huxley também se tornou um vedantista no círculo do hindu Swami Prabhavananda, e introduziu Christopher Isherwood nesse círculo. Pouco tempo depois, Huxley escreveu seu livro sobre valores e ideias espirituais amplamente difundidos, A Filosofia Perene, que discutia os ensinamentos de renomados místicos do mundo. O livro de Huxley afirmou uma sensibilidade que insiste que existem realidades além dos "cinco sentidos" geralmente aceitos e que há um significado genuíno para os seres humanos além das satisfações e sentimentalismos sensuais. Em março de 1938, a amiga de Huxley, Anita Loos, romancista e roteirista, colocou-o em contato com a Metro-Goldwyn-Mayer, que o contratou para Madame Curie, estrelando Greta Garbo e sendo dirigido por George Cukor. (Eventualmente, o filme foi completado pela MGM em 1943 com um diretor e elenco diferentes.) Huxley recebeu crédito de tela por Orgulho e Preconceito e foi pago por seu trabalho em vários outros filmes, incluindo Jane Eyre . Ele foi contratado por Walt Disney em 1945 para escrever um roteiro baseado em Alice no País das Maravilhas e na biografia do autor da história, Lewis Carroll. O roteiro não foi usado, no entanto. O cinema para Huxley foi uma aventura tão fascinante quanto as suas descobertas e experiências com a mescalina, iniciadas em 1953 em correspondência com o psiquiatra Humphry Osmond e narradas em "As portas da percepção" (The Doors of Perception), de 1954, livro que exerceu certa influência sobre a cultura hippie que florescia, dando nome por exemplo à banda The Doors, embora o título seja oriundo de um verso de Blake. Os Beatles escolheram seu rosto entre algumas dezenas de grandes personalidades que figuram na capa do mais marcante álbum do quarteto, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, com faixas polêmicas cujas letras evidenciavam afinidade com estados alterados de percepção. Mais tarde, ele fez experimentos com LSD. Huxley, muito embora, possuía preferências culturais e hábitos muitíssimo diversos do movimento hippie como um todo, abordava o universo dos psicoativos voltado à antropologia e à filosofia. Dois anos depois, viúvo, casou-se novamente e publicou "Entre o céu e o inferno". Em 1956, Huxley se casou com Laura Archera (1911–2007), escritora, violinista e psicoterapeuta. Ela escreveu This Timeless Moment, uma biografia de Huxley. Em 1960, Huxley foi diagnosticado com câncer de laringe e, nos anos seguintes, embora a doença se agravasse, escreveu o romance A Ilha e lecionou sobre as potencialidades humanas no Centro Médico São Francisco da Universidade da Califórnia e no Instituto Esalen. Huxley era amigo íntimo de Jiddu Krishnamurti e de Rosalind Rajagopal e esteve envolvido na criação do Happy Valley School (agora Besant Hill School of Happy Valley) em Ojai, Califórnia. É possível encontrá-los também na biblioteca da Universidade de Stanford. Em 9 de abril de 1962, Huxley foi informado de que ele havia ganho o título de "Companion of Literature" pela Royal Society of Literature. Nos últimos dias de luta contra o câncer, já impossibilitado de falar, Huxley entregou um bilhete a Laura Huxley, sua esposa, no qual escreveu: "LSD, 100 µg, intramuscular" (100 microgramas de LSD, aplicação intramuscular), como uma tentativa de reviver a experiência psicodélica antes da morte. Ele faleceu às 17h21 do dia 22 de novembro de 1963, aos 69 anos. As cinzas de Huxley foram enterradas no jazigo da família, *1939 James Tait Black Memorial Prize (por Também o Cisne Morre) *1959 American Academy of Arts and Letters Award of Merit (por Admirável Mundo Novo). *1962 Companion of Literature *1968 Point Counter Point (minissérie BBC adaptada por Simon Raven) *1971 The Devils (Os demônios de Loudun adaptado por Ken Russell) *1980 Admirável Mundo Novo (adaptação na TV americana) *1998 Admirável Mundo Novo (adaptação na TV americana),
Anatomia (do grego anatemnō "cortar em partes") é um ramo da biologia que estuda a organização estrutural dos seres vivos, incluindo os sistemas, órgãos e tecidos que os constituem, a aparência e posição das várias partes, as substâncias de que são feitos, a sua localização e a sua relação com outras partes do corpo. O termo anatomia é geralmente usado como sinónimo de anatomia humana. No entanto, as mesmas estruturas e tecidos podem ser observadas em praticamente todo o reino animal, pelo que o termo também se refere à anatomia dos outros animais, sendo neste caso por vezes usado o termo zootomia. Por outro lado, a estrutura e tecidos das plantas são de natureza diferente e são estudados pela anatomia vegetal. A disciplina da anatomia pode ser dividida em vários ramos, incluindo anatomia macroscópica e microscópica. A anatomia macroscópica é o estudo de estruturas anatómicas suficientemente grandes para poderem ser observadas a olho nu e engloba a anatomia de superfície. A anatomia microscópica é o estudo das estruturas a uma escala microscópica e engloba a histologia (o estudo dos tecidos) e a embriologia (o estudo de um organismo ainda imaturo). anatomia é o estudo científico da estrutura dos organismos, incluindo seus sistemas, órgãos e tecidos. Inclui a aparência e a posição das várias partes, os materiais de que são compostas e suas relações com outras partes. A anatomia é bastante distinta da fisiologia e da bioquímica, que tratam, respectivamente, das funções dessas partes e dos processos químicos envolvidos. Por exemplo, um anatomista se preocupa com a forma, tamanho, posição, estrutura, suprimento sanguíneo e inervação de um órgão como o fígado; enquanto um fisiologista está interessado na produção de bile, o papel do fígado na nutrição e na regulação das funções corporais. A disciplina de anatomia pode ser subdividida em vários ramos, incluindo anatomia macroscópica e macroscópica e anatomia microscópica. Anatomia macroscópica é o estudo de estruturas grandes o suficiente para serem vistas a olho nu, e também inclui anatomia superficial ou anatomia de superfície, o estudo pela visão das características externas do corpo. A anatomia microscópica é o estudo das estruturas em escala microscópica, juntamente com a histologia (o estudo dos tecidos) e a embriologia (o estudo de um organismo em sua condição imatura). Anatomia regional é o estudo das inter-relações de todas as estruturas em uma região específica do corpo, como o abdome. Em contraste, a anatomia sistêmica é o estudo das estruturas que compõem um sistema corporal distinto, ou seja, um grupo de estruturas que trabalham juntas para realizar uma função corporal única, como o sistema digestivo. A anatomia pode ser estudada por métodos invasivos e não invasivos com o objetivo de obter informações sobre a estrutura e organização de órgãos e sistemas. O termo "anatomia" é comumente usado para se referir à anatomia humana . No entanto, estruturas e tecidos substancialmente semelhantes são encontrados em todo o resto do reino animal, e o termo também inclui a anatomia de outros animais. O termo zootomia também é usado às vezes para se referir especificamente a animais não humanos. A estrutura e os tecidos das plantas são de natureza diferente e são estudados na anatomia vegetal. Ao contrário das células vegetais, as células animais não têm parede celular nem cloroplastos. Quando estão presentes, os vacúolos nas células animais são em maior número e muito mais pequenos do que nas plantas. Os tecidos animais podem ser agrupados em quatro tipos básicos: conjuntivo, epitelial, muscular e nervoso: O tecido conjuntivo é fibrosos e constituído por células dispersas ao longo de uma substância inorgânica denominada matriz extracelular. É o tecido conjuntivo que forma os órgãos e que os mantém no lugar. Os principais tipos de tecido conjuntivo são o tecido conjuntivo frouxo, tecido adiposo, tecido conjuntivo fibroso, cartilagem e osso. A matriz extracelular contém proteínas, das quais a principal e mais abundante é o colagénio. A função do colagénio é organizar e manter os tecidos. A matriz pode formar um esqueleto, que suporta e protege o organismo. Em alguns animais este esqueleto é externo, denominado exosqueleto, Nos animais mais desenvolvidos e em alguns dos menos desenvolvidos, este esqueleto é interno e denominado endosqueleto. Nos animais mais simples, o esqueleto é geralmente externo e denominado exosqueleto. O exosqueleto é uma cutícula rígida e espessa, endurecida através de mineralização, como no caso dos crustáceos, ou de ligação cruzada entre proteínas, como no caso dos insetos. Existem vários tipos diferentes de tecido epitelial, o qual se encontra modificado de modo a corresponder a uma função em particular. No trato respiratório encontra-se um tipo de revestimento epitelial ciliado. No revestimento epitelial do intestino delgado existem microvilos, enquanto no do intestino grosso existem vilosidades intestinais. A pele que reveste o corpo dos vertebrados é constituída por uma camada exterior de epitélio escamoso estratificado e queratinizado, enquanto 95% das células da epiderme são queratinócitos. As células epiteliais na superfície exterior do corpo geralmente segregam matriz extracelular na forma de uma cutícula. Em animais mais simples isto pode ser apenas um revestimento de glicoproteínas. O tecido ativo e contráctil do corpo é formado por miócitos, ou células musculares. A função do tecido muscular é produzir força e movimento, tanto o movimento de locomoção como movimentos dos órgãos internos. O músculo é formado por miofibrilhas contractéis e divide-se em três tipos principais: músculo liso, músculo esquelético e músculo cardíaco. O músculo liso não apresenta estrias quando observado ao microscópio. Contrai-se lentamente, mas é capaz de manter a contração ao longo de uma grande extensão. Pode ser observado em órgãos como os tentáculos das anémonas e na parede do corpo dos pepinos-do-mar. O tecido nervoso é constituído por várias células nervosas que transmitem informação denominadas neurónios. Em alguns animais marinhos de locomoção lenta e radialmente simétricos, como os ctenóforos e os cnidários, os nervos formam uma rede nervosa. No entanto, na maior parte dos animais estão organizados em grupos longitudinais. Em animais mais simples, são os neurónios recetores na parede do corpo que reagem diretamente aos estímulos. Em animais mais complexos existem células recetoras especializadas, como os quimiorrecetores ou os fotorreceptores, que formam grupos e enviam mensagens ao longo de redes neurais para outras partes do organismo. Os neurónios podem estar ligados entre si em gânglios nervosos. Nos animais mais evoluídos, os recetores especializados constituem a base dos órgãos dos sentidos. Estes animais possuem um sistema nervoso central (cérebro e espinal medula) e um sistema nervoso periférico. Este último consiste em nervos sensoriais que transmitem informação a partir dos órgãos dos sentidos e nervos motores que influenciam os órgãos de destino. O sistema nervoso periférico divide-se no sistema nervoso somático, que transmite as sensações e controla os músculos voluntários, e o sistema nervoso autónomo ,que controla de forma involuntária o músculo liso, algumas glândulas e os órgãos internos. Os seres humanos são animais membros da ordem dos mamíferos, subfilo dos vertebrados e do filo dos cordados. À semelhança de todos os cordados, o corpo humano apresenta em determinado momento do desenvolvimento simetria bilateral, corda dorsal, fendas branquiais e e um tubo neural. Nos seres humanos, as duas primeiras características estão presentes apenas durante a fase embrionária. À medida que o embrião se desenvolve, a corda dorsal dá lugar à coluna vertebral característica dos vertebrados, as fendas branquiais desaparecem completamente e o tubo neural dá lugar à espinal medula. À semelhança dos restantes mamíferos, o corpo humano apresenta como características proeminentes a presença de pelos, glândulas mamárias e sistema sensorial bastante desenvolvido. No entanto, apresenta também algumas diferenças significativas. É o único mamífero com postura bípede, o que modificou o plano corporal, e o cérebro é de longe o mais desenvolvido em todo o reino animal. A coluna vertebral é formada pelo desenvolvimento do conjunto de vértebras segmentadas. Na maior parte dos vertebrados a corda dorsal embrionária transforma-se no núcleo pulposo dos discos intervertebrais. No entanto, alguns vertebrados mantêm a corda dorsal em adultos, como é o caso do esturjão. Os vertebrados com mandíbulas apresentam pares de apêndices, barbatanas ou pernas que podem ser vestigiais. O tecido nervoso dos vertebrados tem origem na ectoderme, o tecido conjuntivo na mesoderme e o tubo digestivo na endoderme. Na extremidade posterior encontra-se uma cauda que prolonga a medula espinal e as vértebras, mas não o tubo digestivo. A boca encontra-se na extremidade anterior do animal e o ânus na base da cauda. Os anfíbios são uma classe de animais que engloba os sapos, salamandras e cecílias. Embora sejam tetrápodes, as cecílias e algumas espécies de salamandras não possuem membros ou os seus membros são de tamanho muito reduzido. Os principais ossos dos anfíbios são ocos, leves e totalmente ossificados. As vértebras são articuladas entre si e apresentam processos articulares. As costelas são geralmente curtas e podem-se apresentar fundidas com as vértebras. O crânio é geralmente largo e curto e apresenta frequentemente ossificação incompleta. A pele contém pouca queratina e não é revestida por escamas, sendo revestida por várias glândulas mucosas e, em algumas espécies, glândulas venenosas. Esta respiração é complementada com trocas gasosas através da pele, que necessita de estar constantemente humedecida. Nos sapos, a bacia é robusta e as pernas posteriores são muito mais fortes e compridas em relação às anteriores. Os pés possuem quatro ou cinco dígitos e os dedos e muitas vezes apresentam membranas interdigitais para nadar ou ventosas para trepar. Os sapos possuem olhos grandes e não têm cauda. A aparência das salamandras assemelha-se à dos lagartos; as pernas curtas projetam-se para os lados, o ventre está em contacto ou muito próximo do solo e têm uma cauda longa. A aparência das cecílias assemelha-se à das minhocas e não possuem membros. Escavam através de zonas de contração muscular que se movem ao longo do corpo e nadam fazendo ondular lateralmente o corpo. Embora as aves sejam tetrápodes e os membros posteriores sejam usados para caminhar ou saltar, os membros anteriores são asas cobertas por penas e adaptadas ao voo. As aves são animais endotérmicos, têm um elevado metabolismo, um esqueleto pneumático e músculos fortes. Os ossos são delgados, ocos e muito leves, sendo o interior de alguns preenchidos por sacos aéreos ligados aos pulmões. O esterno é bastante largo e geralmente tem uma quilha adjacente. As vértebras caudais encontram-se fundidas. As aves não possuem dentes e as mandíbulas, estreitas, evoluíram para um bico. Os olhos são relativamente grandes, sobretudo em espécies noturnas como as corujas. Em espécies predadoras os olhos estão orientados para a frente, enquanto outras espécies possuem visão lateral. As penas são desenvolvimentos epidérmicos e situam-se em regiões específicas da pele. As grandes penas de voo encontram-se nas asas e na cauda. A única glândula cutânea é a glândula uropigial perto da base da cauda, que produz uma secreção oleosa as aves usam para impermeabilizar as penas. As pernas, patas, dedos e garras são cobertos por escamas. Os mamíferos são amniotas e a maior parte são vivíparos, dando à luz crias vivas. As únicas exceções que põem ovos, são os monotremados, os ornitorrincos e as equidnas da Austrália. Os restantes animais desenvolvem fetos no interior de uma placenta que os alimenta. Nos marsupiais, em que a fase fetal é relativamente curta, a cria nasce ainda imatura e desloca-se para o marsúpio da progenitora, onde se alimenta de um mamilo e conclui o desenvolvimento. Os olhos estão adaptados à visão submarina e têm pouco alcance. Possuem um ouvido interno, mas sem pavilhão auditivo externo. Os peixes são capazes de detetar vibrações de baixa frequência através de um sistema de órgãos sensoriais ao longo de todo o comprimento da linha lateral, que lhes permitem aperceber-se de movimentos e alterações na pressão da água nas imediações. Os peixes ósseos apresentam maior número de traços anatómicos derivados, muitas vezes com significativas alterações evolucionárias em relação aos peixes antigos. Possuem esqueleto ósseo, são geralmente achatados lateralmente, apresentam cinco pares de guelras protegidas por um opérculo e uma boca na ponta ou perto do focinho. A derme encontra-se coberta por escamas sobrepostas. Os peixes ósseos possuem uma bexiga natatória que os ajuda a manter uma profundidade constante, mas não uma cloaca. Geralmente desovam na água uma grande quantidade de pequenos ovos pouco vitelinos. Os répteis são uma classe de classe de animais que engloba as tartarugas, tuataras, lagartos, serpentes e crocodilos. Embora sejam tetrápodes, as serpentes e algumas espécies de lagartos não possuem membros ou os membros são de tamanho muito reduzido. Os ossos dos répteis são mais ossificados e o esqueleto é mais resistente em relação ao dos anfíbios. Os dentes são cónicos e de tamanho uniforme. As células superficiais da epiderme encontram-se modificadas em pequenas escamas que criam uma camada impermeável. Os répteis não são capazes de usar a pele para respirar, como os anfíbios, mas têm um sistema respiratório mais eficiente que aspira ar para os pulmões expandindo as paredes do peito. O coração assemelha-se ao dos anfíbios, mas possui também um septo interventricular que separa de forma mais eficiente as correntes sanguíneas oxigenada e desoxigenada. O sistema reprodutor está preparado para fecundação interna e a maior parte das espécies possui um órgão copulatório. Os ovos são envolvidos por uma membrana amniótica que impede que sequem e são postos em terra, embora em algumas espécies se desenvolvam internamente. A bexiga é pequena, uma vez que os resíduos nitrogenados são expelidos na forma de ácido úrico. As tartarugas apresentam uma característica carapaça rígida que protege o tronco, inflexível, formada por placas ósseas embutidas na derme, por sua vez revestidas por placas córneas e parcialmente fundidas com as costelas e a coluna. O pescoço é longo e flexível e a cabeça e as pernas podem ser recolhidas para o interior da carapaça. As tartarugas são herbívoras, pelo que os dentes característicos dos outros répteis foram substituídos por placas córneas afiadas. Nas espécies aquáticas, as pernas da frente evoluíram para barbatanas. Os lagartos apresentam crânios com apenas uma fenestra de cada lado, tendo perdido o osso por baixo da segunda fenestra. Isto faz com que a ligação entre as mandíbulas seja menos rígida, o que lhes permite abrir mais a boca. Os lagartos são essencialmente quadrúpedes. O tronco levanta-se ligeiramente do chão, apoiado em quatro pernas projetadas para os lados, embora algumas espécies não possuam membros e se assemelhem a serpentes. Os lagartos possuem pálpebras móveis, tímpanos e algumas espécies possuem olho parietal central. Os crocodilianos são répteis aquáticos de baixa estatura e grande dimensão, de focinho comprido e grande número de dentes. A cabeça e o tronco são achatados ao longo do ventre. A cauda é comprimida lateralmente e ao nadar ondula para impulsionar o animal. As escamas duras e queratinizadas, algumas inclusivamente fundidas no crânio, proporcionam aos crocodilos uma armadura corporal. As narinas, olhos e ouvidos são salientes em relação à cabeça achatada, o que permite que se mantenham à superfície quando o animal flutua. Quando submerge, as narinas e ouvidos são selados por válvulas. Ao contrário de outros répteis, os crocodilianos possuem um coração de quatro câmaras, o que lhes permite separar completamente a circulação de sangue oxigenado e desoxigenado. Pelo exterior, as tuataras assemelham-se aos lagartos, embora a linhagem se tenha dividido durante o período Triássico. Existe apenas uma espécie viva, Sphenodon punctatus. O crânio tem duas fenestras em cada lado. A ligação da mandíbula ao crânio é rígida. Apresentam uma fileira de dentes na mandíbula inferior, que encaixa entre as duas fileiras da mandíbula superior. Os dentes são apenas projeções de material ósseo da mandíbula que se vai desgastando. O cérebro e o coração são mais primitivos do que em outros répteis. Os pulmões apresentam uma única câmara e não possuem brônquios e a cabeça possui um olho parietal bem desenvolvido. Os restantes invertebrados podem não apresentar estruturas rígidas, embora a epiderme possa segregar diversos revestimentos superficiais, como é o caso da pinacoderme das esponjas, da cutícula gelatinosa dos cnidários (pólipos, anémonas, alforrecas) ou da cutícula colaginosa dos anelídeos. Esta camada externa pode incluir células de diversos tipos, incluindo células sensoriais, glândulas e células venenosas. Podem ainda existir saliências como microvilos, cílios, espinhos ou tubérculos. Os protozoários são organismos unicelulares. Embora as suas células apresentem a mesma estrutura básica dos animais multicelulares, algumas partes da célula especializaram-se e têm função equivalente aos tecidos e órgãos. A locomoção é muitas vezes feita por cílios, flagelos ou pseudópodes. Os nutrientes podem ser obtidos por fagocitose, as necessidades energéticas podem ser satisfeitas por fotossíntese e a célula pode ser suportada por um endosqueleto ou exoesqueleto. Alguns protozoários podem formar colónias multicelulares. Os artrópodes são o maior filo no reino animal. A este grupo pertencem um milhão de espécies, o que corresponde a 84% de todas as espécies de animais conhecidas, incluindo insetos, aracnídeos, carrapatos, camarões, caranguejos e lagostas. Os insetos possuem corpos segmentados suportados por um exosqueleto rígido, constituído principalmente por quitina. Os segmentos do corpo dividem-se em três partes distintas: uma cabeça, um tórax e um abdómen. A cabeça geralmente contém um par de antenas sensoriais, um par de olhos compostos, um a três ocelos e três conjuntos de apêndices modificados que formam as peças bucais. O tórax apresenta três pares de pernas, uma para cada um dos três segmentos do tórax, e dois pares de asas. O abdómen é constituído por onze segmentos, alguns dos quais podem ser unidos, e protege os sistemas digestivo, respiratório, excretório e reprodutor. As diferentes espécies apresentam variações significativas entre si e inúmeras adaptações das diferentes partes do corpo, especialmente das asas, pernas, antenas e partes bucais. As aranhas, uma classe dos aracnídeos, apresentam quatro pares de pernas e um corpo com dois segmentos (cefalotórax e abdómen), não possuindo asas ou antenas. As partes bucais, denominadas quelíceras, estão muitas vezes ligadas a glândulas venenosas, uma vez que a maior parte das aranhas são venenosas. Possuem ainda um segundo par de apêndices ligados ao cefalotórax, denominados pedipalpos, com segmentação semelhante às pernas e que atuam como órgãos do paladar e do olfato. Na extremidade de cada pedipalpo dos machos encontra-se o órgão copulatório. O corpo dos crustáceos é composto por segmentos agrupados em três regiões: cabeça, tórax e abdómen. Em algumas espécies, a cabeça e o tórax encontram-se unidas formando um cefalotórax, que pode ser coberto por uma carapaça única. O corpo dos crustáceos é protegido por um exosqueleto rígido, que necessita de ser mudado para que o animal possa crescer. Cada segmento, ou somito, pode apresentar um par de apêndices. Nos segmentos da cabeça, estes apêndices incluem dois pares de antenas, mandíbulas e maxilas. A principal cavidade corporal é um sistema circulatório aberto, em que o sangue é bombeado para o hemocélio por um coração situado no dorso. Os moluscos são um filo de invertebrados extremamente diversificado que inclui os cefalópodes, como os polvos, lulas e chocos; e os gastrópodes, como os caracóis e lesmas. As três características universais que definem os moluscos modernos são um manto com uma cavidade significativa, a presença de uma rádula e a estrutura do sistema nervoso. Fora destas características comuns, os moluscos apresentam uma grande diversidade anatómica, pelo que vários manuais descrevem a anatomia dos moluscos através de um "molusco genérico hipotético" que representa as características mais comuns do filo. Este molusco generalizado reproduz-se por fissão binária, de forma semelhante às estrelas-do-mar, apresenta simetria bilateral e uma concha no topo. O lado inferior consiste num único pé muscular. A região mole e não muscular do molusco que contém os órgãos denomina-se massa visceral. É na cavidade do manto que se situam os nefrídeos (órgãos excretores), gónadas órgãos reprodutores, as guelras, o ânus e um par de osfrádios (órgãos sensoriais). A concha é constituída principalmente por quitina e conchiolina e endurecida com carbonato de cálcio (exceto na camada superficial). A parte inferior dos moluscos é constituída por um pé muscular, que tem diferentes finalidades conforme a classe. Os moluscos possuem sistema circulatório aberto. A anatomia humana, a fisiologia e a bioquímica são ciências médicas básicas complementares, que são geralmente ensinadas aos estudantes no primeiro ano das faculdades de medicina. As profissões médicas exigem conhecimentos aprofundados de anatomia, sobretudo no caso dos cirurgiões e em especialidades de diagnóstico, como na histopatologia e na radiologia. A anatomia humana pode ser estudada de forma regional ou sistémica. A anatomia regional estuda as regiões do corpo, como a cabeça ou o tórax, enquanto que a anatomia sistémica estuda sistemas específicos, como os sistemas nervoso ou respiratório. Um anatomista estuda a forma, tamanho, posição, estrutura, irrigação sanguínea e nervosa de um órgão como o fígado, enquanto um fisiologista estuda a produção de bílis, o papel do fígado na nutrição e na regulação das funções corporais. A anatomia pode ser estudada usando métodos tanto invasivos como não invasivos, que permitem obter dados sobre a estrutura e organização dos órgãos e dos sistemas. Os termos anatómicos são compostos por uma raiz à qual acrescem prefixos e sufixos. A raiz geralmente indica determinado órgão, tecido ou condição. Quando os anatomistas mencionam o lado esquerdo ou o lado direito do corpo, referem-se à esquerda e direita do indivíduo, e não do observador. Ao observar um corpo na posição anatómica de referência, o lado esquerdo do corpo é o lado direito do observador e vice-versa. Os termos padronizados evitam confusão. Entre os termos mais usados estão: O Corpus Hippocraticum, um compêndio de textos de medicina da Antiga Grécia de autores anónimos, descrevia a anatomia dos músculos e do esqueleto. Aristóteles descreveu a anatomia dos vertebrados com base em dissecações de animais. Praxágoras identificou a diferença entre artérias e veias. No a.C. Herófilo e Erasístrato foram autores de descrições anatómicas mais precisas, obtidas através da vivissecção de criminosos em Alexandria durante a Dinastia Ptolemaica. No d.C. o médico, cirurgião e filósofo romano Cláudio Galeno, escreveu o mais influente tratado de anatomia da antiguidade e dos séculos seguintes. Influente também na Idade de Ouro Islâmica, seria redescoberto durante o Renascimento a partir de traduções do grego feitas durante o . A obra de Mondino Anatomia, publicada em 1316, foi o primeiro manual publicado durante a redescoberta medieval da anatomia humana. Descreve o corpo conforme a ordem seguida por Mondino durante as dissecações, começando pelo abdómen, depois o tórax, a cabeça e por fim os membros. A publicação tornou-se o manual de anatomia padrão ao longo do século seguinte. Proveniente do Ducado de Brabante, Vesalius foi o autor do influente livro De humani corporis fabrica ("A Estrutura do Corpo Humano"), um livro de grande formato publicado em sete volumes em 1543. Pensa-se que as ilustrações, muito precisas e detalhadas e muitas vezes em poses alegóricas com fundos de paisagens italianas, tenham sido da autoria do artista Jan van Calcar, discípulo de Ticiano. O artista italiano Leonardo da Vinci foi aprendiz de anatomia de Andrea del Verrocchio, conhecimento que se manifestou ao longo da sua obra em inúmeros desenhos de estruturas ósseas, músculos e órgãos de seres humanos e outros animais que dissecava. Em Inglaterra a anatomia foi o tópico das primeiras conferências públicas sobre ciência, organizadas no pela Companhia de Barbeiros-Cirurgiões e pelo Royal College of Physicians. No começaram a ser fundadas as primeiras escolas de medicina contemporânea. Como as aulas de anatomia necessitavam de um fornecimento constante de cadáveres para dissecação e estes eram difíceis de obter, o tráfico de cadáveres aumentou significativamente, uma atividade criminosa que consistia em dessecar sepulturas para furtar os cadáveres recém-sepultados. A prática obrigou à proteção dos cemitérios e à criação de leis que permitiram a doação de cadáveres para fins científicos. Antes da época dos procedimentos médicos modernos, os principais meios para o estudo da estrutura do corpo eram a palpação e a dissecação. Foi o aparecimento da microscopia que permitiu compreender os constituintes básicos dos tecidos vivos. A introdução das lentes acromáticas aumentou o poder de resolução do microscópio, o que permitiu a Matthias Jakob Schleiden e Theodor Schwann descobrir, em 1839, que as células são a unidade fundamental de organização de todos os organismos vivos. Dado que a investigação microscópica envolve a passagem de luz pelos objetos a ser estudados, a invenção do micrótomo veio permitir a realização de cortes extremamente finos. Foram também desenvolvidas técnicas de coloração com corantes artificiais que vieram permitir distinguir com maior facilidade os vários tipos de células e que, no fim do, deram origem aos campos da citologia e histologia. A invenção do microscópio eletrónico em 1931 permitiu aumentar drasticamente o poder de resolução, o que veio permitir observar a ultraestrutura das células e das organelas e outras estruturas no seu interior. Na década de 1950, a introdução da cristalografia de raios X para o estudo das estruturas proteicas, ácidos nucleicos e outras moléculas biológicas deu origem ao novo campo da anatomia molecular. *Anatomia da cabeça e pescoço *Anatomia de superfície *[ E-anatomy] *[ Um dicionário online de anatomia (em inglês)] *[ Atlas de Anatomia Humana, de Charles Mayo Gray (em inglês)] *[ Atlas de Anatomia] *[ Atlas de Anatomia Humana do Anatomy Atlases] *[ Vídeo-aulas sobre Anatomia - Universidade Federal Fluminense ]
Alfons — prenome *Afonso Henriques *Afonso II de Portugal — cognominado o Gordo, filho de e sucessor de *Afonso III de Portugal — cognominado o Bolonhês, filho de e sucessor de *Afonso IV de Portugal — cognominado o Bravo, filho e sucessor de D. Dinis *Afonso V de Portugal — cognominado o Africano, filho e sucessor de D. Duarte *Afonso VI de Portugal — cognominado o Vitorioso, filho e sucessor de *Afonso I das Astúrias — cognominado o Católico, filho de Pedro, duque da Cantábria e sucessor de Fávila *Afonso II das Astúrias — cognominado o Casto, filho de Fruela I e sucessor de Silo *Afonso III das Astúrias — cognominado o Magno, filho e sucessor de Ordonho I *Afonso IV de Leão — cognominado o Monge, filho de Ordonho II e sucessor de Afonso Froilaz *Afonso V de Leão — cognominado o Nobre ou o dos Bons Forais, filho e sucessor de Bermudo II *Afonso VI de Leão — cognominado o Bravo, filho e sucessor de Fernando I em Leão e de Sancho II em Castela, a partir de 1072 *Afonso VII de Leão —também conhecido como o Imperador, filho de e sucessor de Urraca I *Afonso VIII de Castela — cognominado o Nobre ou o das Navas, filho e sucessor de Sancho III *Afonso IX de Leão — cognominado o Galego, filho e sucessor de Fernando II *Afonso X de Castela — cognominado o Sábio, filho e sucessor de Fernando III *Afonso XI de Castela — cognominado o Justiceiro, filho e sucessor de Fernando IV *Afonso XII de Espanha — cognominado o Pacificador, filho de Isabel II e sucessor de Amadeu I após a restauração da monarquia *Afonso XIII de Espanha — cognominado o Africano, filho e sucessor de Afonso XII *Afonso I de Aragão — cognominado o Batalhador, filho Sancho I e sucessor de Pedro I *Afonso II de Aragão — cognominado o Casto ou o Trovador, filho e sucessor de Petronila *Afonso III de Aragão — cognominado o Liberal ou o Franco, filho e sucessor de Pedro III em Aragão e de Jaime II em Maiorca *Afonso IV de Aragão — cognominado o Benigno, filho e sucessor de Jaime II *Afonso V de Aragão — cognominado o Magnânimo ou o Sábio, filho e sucessor de Fernando I em Aragão e de Renato I em Nápoles ;Príncipes *Afonso de Portugal, Grão-mestre do Hospital — também conhecido como Fernando Afonso, filho de D. Afonso Henriques *Afonso, Príncipe de Portugal (1475–1491) — filho de D. João II *Afonso de Portugal (1509–1540) — filho de *Afonso de Bragança, Duque do Porto — filho de D. Luís, último vice-rei da Índia Portuguesa ;Outros *Afonso I, Duque de Bragança — primeiro Duque de Bragança, filho ilegítimo de *Afonso de Bragança, Marquês de Valença — e Conde de Ourém, filho de Afonso I, Duque de Bragança *Afonso, Conde de Faro — filho de Fernando I, Duque de Bragança *Afonso, Conde de Chester — filho e herdeiro de Eduardo I da Inglaterra *Afonso Henriques, conde de Gijón e Noronha — filho de Henrique II de Castela *Afonso, Conde de Caserta — chefe da Casa de Bourbon-Duas Sicílias entre 1894 e 1934 *Afonso, Duque de Galliera — príncipe da Casa de Orléans, infante da Espanha e aviador *Afonso, Duque da Calábria — pretendente a chefe da Casa de Bourbon-Duas Sicílias *Afonso, Príncipe das Astúrias (1907–1938) — filho e herdeiro aparente do rei Afonso XIII de Espanha *Afonso, Duque de Anjou e Cádis — neto de Afonso XIII da Espanha e pretendente ao trono francês extinto
coimperador com o seu pai João VII Paleólogo, Andrónico Ângelo, general, Andrónico Contostefano, general e almirante, Andrônico Calisto (c. 1476), teólogo bizantino,, Andrónico de Cirro, astrónomo grego, Andrónico de Rodes, filósofo grego, Andrônico da Panônia, um dos primeiros cristãos seguidores de Jesus, Andrônico de Constantinopla, oficial romano, Titus Andronicus, uma tragédia de William Shakespeare
A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. A Carta da Terra foi debatida durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1992, mas não foi aprovada pois faltava consenso entre os governos. Ela foi ratificada e assumida pela Unesco somente em 2000 no Palácio da Paz em Haia, Holanda, com a adesão de mais de 4.500 organizações do mundo, incluindo o Brasil. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada, voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação. Oferece um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável. Ela reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico equitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis. O documento é resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. O projeto começou como uma iniciativa das Nações Unidas, mas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil. Em 2000 a Comissão da Carta da Terra, uma entidade internacional independente, concluiu e divulgou o documento como a carta dos povos. A redação da Carta da Terra envolveu o mais inclusivo e participativo processo associado à criação de uma declaração internacional. Esse processo é a fonte básica de sua legitimidade como um marco de guia ético. A legitimidade do documento foi fortalecida pela adesão de mais de 4.500 organizações, incluindo vários organismos governamentais e organizações internacionais. Para se atingir uma visão compartilhada de valores básicos que proporcione um fundamento ético à comunidade mundial emergente, a Carta da Terra está estruturada em quatro grandes princípios. Estes princípios são interdependentes e visam a um modo de vida sustentável como padrão comum. Espera-se que através deles a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais seja dirigida e avaliada adequadamente. Respeitar e cuidar da comunidade de vida, Integridade ecológica, Justiça social e econômica, Democracia, não violência e paz A Carta é um documento relativamente breve e conciso, escrito com linguagem inspiradora. É a articulação de uma visão que reflete valores universais e uma declaração de princípios fundamentais com significado perdurável e que pode ser compartilhada amplamente pelos povos de todas as raças, culturas e religiões. É uma chamada para a acção, que agrega novas dimensões significativas de valores às que já se encontram expressas em outros documentos relevantes e, ainda, uma Carta dos povos que deve servir como um código universal de conduta para pessoas, para instituições e para Estados. Uma Declaração Universal dos Deveres Humanos, uma vez que o Homem é o grande agente modificador dos ecossistemas da Terra.
Aleksandr Ivanovich Oparin (Uglitch, 2 de março (18 de fevereiro juliano) de 1894 — Moscou, 21 de abril de 1980) foi um biólogo e bioquímico russo considerado um dos precursores dos estudos sobre a origem da vida. Oparin se formou na Universidade de Moscou em 1917. Em 1924 publicou um opúsculo com a primeira versão de sua teoria para explicar o surgimento da vida na Terra, a partir da evolução química gradual de moléculas baseadas em carbono. A segunda versão, de 1938, alcançaria sucesso internacional que resultou na conhecida versão em inglês, de 1953. Em 1946, foi admitido na Academia Soviética das Ciências. Em 1970, foi eleito presidente da "Sociedade Internacional para o Estudo da Origem da Vida". Faleceu aos 86 anos, em 21 de abril de 1980, e foi sepultado no Cemitério Novodevichy em Moscou. Sua teoria tem um forte embasamento darwiniano: através de competição e seleção natural, determinadas formas de organização molecular tornaram-se dominantes e caracterizam as moléculas vivas de hoje. Segundo ele, não existe diferença fundamental entre os organismos vivos e matéria sem vida. Em princípio havia soluções simples de substâncias orgânicas, cujo comportamento era governado pelas propriedades de seus átomos e pelo arranjo destes átomos em uma estrutura molecular. Gradualmente, entretanto, como resultado do crescimento em complexidade, novas propriedades surgiram em consequência do arranjo espacial e relacionamento mútuo das moléculas. Portanto, a complexa combinação de propriedades que caracteriza a vida surgiu a partir do processo de evolução da matéria. Levando em conta a então recente descoberta de metano na atmosfera de Júpiter e outros planetas gigantes, Oparin postulou que a Terra primitiva também possuía uma atmosfera fortemente redutora, contendo metano, amônia, hidrogênio e água. Em sua opinião, esses foram os elementos essenciais para a evolução da vida. Nessa época a Terra estava passando por um processo de resfriamento, que permitiu o acúmulo de água nas depressões da sua crosta, formando os mares primitivos. As tempestades com raios eram freqüentes e ainda não havia na atmosfera o escudo de ozônio contra radiações. As descargas elétricas e as radiações que atingiam nosso planeta teriam fornecido energia para que algumas moléculas presentes na atmosfera se unissem, dando origem a moléculas maiores e mais complexas: as primeiras moléculas orgânicas. Estas eram arrastadas pelas águas das chuvas e passavam a se acumular nos mares primitivos, que eram quentes e rasos. O processo, repetindo-se ao longo de vários anos, teria transformado os mares primitivos em "sopas primitivas", ricas em matéria orgânica. Baseado no trabalho de Bungenberg de Jong em coacervados, certas moléculas orgânicas (especialmente as proteínas) podem espontaneamente formar agregados e camadas, quando estão na água. Oparin sugeriu que diferentes tipos de coacervados podem ter se formado nas "sopas primitivas" dos oceanos. Esses coacervados não eram seres vivos, mas sim uma primitiva organização das substâncias orgânicas, principalmente proteínas, em um sistema isolado. Apesar de isolados os coacervados podiam trocar substâncias com o meio externo, sendo que em seu interior houve possibilidade de ocorrerem inúmeras reações químicas. Subseqüentemente, sujeitos ao processo de seleção natural, esses coacervados cresceram em complexidade, adquirindo por fim características de organismos vivos. Oparin teve sua carreira marcada pela íntima colaboração com a ideologia comunista e com o estado soviético. Suas ideias se coadunavam com o materialismo dialético e eram promovidas no país e no exterior, enquanto Oparin era mitificado como "Darwin do século XX". É notória sua associação com Trophim Lysenko e Olga Lepeshinsakya, pseudocientistas que dominaram o establishment científico soviético no período estalinista. Um aspecto de sua hipótese, a ideia da atmosfera redutora, interessou muito ao químico estadunidense Harold Urey. Urey, que se notabilizara pela descoberta do deutério, encarregou seu aluno Stanley Miller de investigar experimentalmente as proposições de Oparin. O experimento realizado demonstrou que as condições atmosféricas imaginadas por Oparin permitiriam a síntese abiótica de alguns aminoácidos, fato que teve ampla repercussão na imprensa internacional. Embora as concepções de Oparin sobre a atmosfera primitiva tenham perdido o apoio quase unânime de que desfrutavam, alguns pesquisadores, como Freeman Dyson e Doron Lancet, químico do Instituto Weizmann da Ciência de Israel tem investigado mais recentemente a formação de coacervados, outro aspecto original das ideias de Oparin. Oparin, A. I. Proiskhozhdenie zhizni. Moscow: Izd. Moskovskii Rabochii, 1924. *, Traduções em inglês: **, Oparin, A. I. "The origin of life", translation by Ann Synge. In: Bernal, J. D. The origin of life, Weidenfeld & Nicolson, London, 1967, p. 199–234. [ Google], [ Valencia University]. **, Oparin, A. I. The Origin and Development of Life (NASA TTF-488). Washington: D.C.L GPO, 1968. Oparin, A. I. Vozniknovenie zhizni na zemle. Moscow: Izd. Akad. Nauk SSSR, 1936. *, English translations: **, Oparin, A. I. The Origin of Life, 1st ed. Nova York: Macmillan, 1938. **, Oparin, A. I. The Origin of Life, 2nd ed. Nova York: Dover, 1953, reimpresso em 2003, [ Google]. **, Oparin, A. I. The Origin of Life on the Earth, 3rd ed. Nova York: Academic Press, 1957, [ BHL], Oparin, A. Fesenkov, V. Life in the Universe. Moscow: USSR Academy of Sciences publisher, 3a. Edição, 1956. *, Tradução para o inglês: Oparin, A. e V. Fesenkov. Life in the Universe. New York: Twayne Publishers . "The External Factors in Enzyme Interactions Within a Plant Cell", "Life, Its Nature, Origin and Evolution", "The History of the Theory of Genesis and Evolution of Life"
Acre (Israel) — cidade no norte de Israel, antiga fortaleza dos cruzados, Acre — estado brasileiro, CT Acre — navio de guerra brasileiro, Acre (canhoneira fluvial) — navio de guerra brasileiro, Acre (unidade) — unidade de medida de área, Boca do Acre — município do estado do Amazonas, Brasil, República do Acre — república que existiu no fim do século XIX, Rio Acre — rio com nascente no Peru que cruza a capital do Acre, Rio Branco *
Amapá (a noroeste. O Amapá foi desmembrado do estado do Pará em 1943, quando foi criado o Território Federal do Amapá . Permaneceu nesta condição até 1988, quando a atual Constituição Federal o elevou a estado da Federação. Na bandeira do Brasil, o Amapá é representado pela estrela β de Cão Maior. Macapá, que era a capital do extinto Território Federal do Amapá desde 1944, é a atual capital e maior cidade do estado, sendo sede da Região Metropolitana de Macapá, formada por Macapá, Santana e Mazagão. Outras importantes cidades são Laranjal do Jari, Oiapoque, Pedra Branca do Amapari e Porto Grande. De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sua população era de habitantes em 2021. Quanto aos indicadores sociais, o Amapá possui a 12ª maior incidência de pobreza, a 15ª menor taxa de analfabetismo e o 19º menor PIB per capita do país. O estado apresentou, em 2010, a terceira maior taxa de mortalidade infantil e, em 2022, a maior taxa de homicídios entre os estados brasileiros. Os tupinambás inicialmente habitavam a região, estes consideravam-se filhos do grande ancestral e herói "Maíra", assim o topônimo "Mairi", utilizado para representar o território tupinambá (atuais estados brasileiros do Amapá, Pará e, Maranhão), com origem no nheengatu, inicialmente significaria o "território de Maíra" ou "terra dos filhos de Maíra". Mas esta divindade foi associada aos "homens brancos" e, em especial, aos navegadores franceses, passando a serem chamados de "Maíras" ou “Mair”, e assim a região de "Mairi" passou a representar o "lugar dos franceses". e se referiria ao amapazeiro (Hancornia amapa), uma árvore típica da região pertencente à família das Apocináceas. O amapazeiro produz um fruto roxo, saboroso, em formato de maçã; de onde é extraído o "leite de amapá" usado na medicina popular como fortificante, estimulante do apetite e também no tratamento de doenças respiratórias e gastrite. A espécie encontra-se ameaçada, dada a sua exploração predatória para extração da seiva. Ainda segundo o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro, "Amapá" deriva de amapá, termo da língua geral setentrional que designa uma espécie de árvore apocinácea. O Dicionário Aurélio chama de "amapá" a espécie Parahancornia amapa, da família das apocináceas. Os primeiros habitantes do atual Amapá eram indígenas das etnias waiãpi, palikur, maracá-cunani e tucuju, incluídos nos troncos linguísticos aruaque e caribe. Vestígios da ocupação humana pré-colombiana podem ser verificados nos sítios arqueológicos de cerâmicas maracá-cunani e no Parque Arqueológico do Solstício, apelidada "Stonehenge do Amapá", em Calçoene, que arqueologistas estimam que a idade do mesmo esteja entre 500 e . O primeiro europeu a avistar a costa do atual Amapá foi o espanhol Vicente Yáñez Pinzón. Em 1499, com quatro caravelas, foi o primeiro navegador europeu a subir o Rio Amazonas. Maravilhado com a vastidão de seu leito, deu-lhe o nome de "Santa Maria de la Mar Dulce" (Santa Maria do Mar Doce). Posteriormente, chegou à boca de outro grande curso d'água que ficou conhecido como Rio Vicente Pinzón, hoje identificado como o Rio Oiapoque. Todo o litoral atlântico ao norte da desembocadura do Rio Amazonas fora posto sob domínio castelhano pelo Tratado de Tordesilhas, assinado por Portugal e Espanha em 1494. No entanto, ambos os países somente explorariam a região do Amapá, entre 1580 e 1640, época em que os reis da Espanha governaram Portugal. Também franceses, ingleses e neerlandeses tiveram interesse pelo território, chamado na época de Costa do Cabo Norte. Dele foram extraídos madeira, resinas, frutos corantes (como o urucum), e óleos vegetais, bem como os produtos de pesca, como o peixe-boi, guarabá ou manati, que eram temperados com sal e vendidos para a Europa. O atual estado brasileiro do Amapá foi ocasionalmente chamado de Guiana Portuguesa, e, posteriormente de Guiana Brasileira, até meados do século XX. Entre 1580 e 1610, ingleses tentaram implantar canaviais na costa de Macapá para fabricação de açúcar e rum, com base em mão de obra de africanos escravizados. O empreendimento falhou e os ingleses deixaram a região, levando consigo os referidos escravizados. A indefinição das reais fronteiras entre as colônias e a fraca ocupação do Cabo Norte fez da região rota de fuga e localização perfeita para africanos escravizados no Pará, Maranhão e Guiana Francesa constituírem mocambos (quilombos), de tal forma que as coroas francesa e portuguesa assinaram tratados de devolução mútua de escravizados em 1732, 1752 e 1762. Foram anulados pelo manifesto do príncipe regente e pelo artigo adicional n.º 3 ao Tratado de Paris . O Tratado de Amiens, celebrado por França, Espanha, Reino Unido e Países Baixos, reconheceu, igualmente, a fronteira no Rio Araguari. Não teve, contudo, a adesão de Portugal. A ocupação portuguesa da região onde hoje é o estado do Amapá, de fato, começou apenas na segunda metade do século XVIII. À época, a Coroa Portuguesa, na figura de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, iniciou uma série de medidas modernizadoras para assegurar a posse e as fronteiras portuguesas na região amazônica, que não estavam bem definidas na ocasião. Dentre essas medidas, destacam-se: a fundação de cidades e vilas e sua povoação com colonos portugueses; a construção de fortificações militares em regiões estratégicas; a tentativa de introdução de monoculturas de exportação; a expulsão da Companhia de Jesus e a conversão das antigas missões vilas; a abolição da escravidão dos indígenas e a submissão dos nativos ao trabalho compulsório assalariado, regulamentado pelo Diretório dos Índios; e a criação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão para, em especial, estimular a entrada de escravos negros trazidos da África. Foi nesse contexto geopolítico que houve a fundação dos primeiros núcleos de colonização europeia na região: Vila de São José de Macapá, Vila Vistosa da Madre de Deus e Vila de Nova Mazagão . A Vila de São José de Macapá, fundada em 4 de fevereiro de 1758 na margem esquerda do Rio Amazonas, já abrigava uma comunidade de colonos portugueses de origem açoriana, instalada na região em 1752. A vila foi escolhida também para abrigar a Fortaleza de São José de Macapá, a maior fortificação portuguesa na região. A construção da fortaleza já constava nos planos do Governador Mendonça Furtado desde a criação da povoação de Macapá, em 1751. Integrava, assim, os planos de ampliação e defesa da colônia, especialmente dos franceses instalados na Guiana. A construção do forte foi iniciada em 1764. Inicialmente, foi erguido o Baluarte de São Pedro. Seu traço e sua construção ficaram sob a responsabilidade de um engenheiro integrante da Comissão Demarcadora de Limites, Henrique Antônio Galúcio. Suas obras se estenderam por dezoito anos, marcados por períodos de forte atividade e por momentos de estagnação. A fortificação foi oficialmente inaugurada em 19 de março de 1782, no dia de São José, orago da fortaleza e padroeiro da cidade de Macapá. Naquela ocasião, a questão da demarcação das terras com a Espanha, praticamente, fora superada. O Tratado de Santo Ildefonso, que legitimou a posse do território pretendido pelos portugueses, demonstrou o acerto da política adotada. Nos dezoito anos de construção (1764-1782), o erguimento da fortaleza consumiu a mão de obra de cerca de 2 300 negros africanos escravizados (entre escravos permanentes, residentes na vila; e temporários, alugados em outras vilas e então trazidos à Macapá) e 2 500 índios submetidos ao trabalho compulsório assalariado previsto no Diretório dos Índios (oriundos de várias antigas missões de catequese espalhadas pela região amazônica), além da mão de obra especializada portuguesa. Em 1788, Macapá contava com população fixa de 1 757 habitantes (sem contar indígenas e negros trazidos de forma temporária para a construção da fortaleza): 1153 livres e 604 negros escravizados. Por sua vez, a Vila Nova Mazagão foi fundada em 23 de janeiro de 1770, às margens do Rio Mutuacá (ao sul de Macapá), para abrigar 350 famílias portuguesas (cerca de 2 mil pessoas) evadidas às pressas da Praça Forte de Mazagão (atual El-Jadida), antiga possessão lusa no norte do Marrocos abandonada em 1769. A partir dessa data, todos os habitantes da povoação africana foram transferidos de navio para Lisboa; e de Lisboa para Belém, onde chegaram em 1770. Enquanto realizavam a travessia atlântica, a vila de destino já estava sendo construída por cerca de cem indígenas submetidos ao trabalho compulsório assalariado. De Belém, os mazaganenses foram aos poucos enviados de canoa para Nova Mazagão, onde foram instalados entre 1770 e 1776. Junto com eles, foram levados escravos africanos fornecidos pela coroa. Os africanos deveriam ser direcionados ao cultivo da terra, enquanto os indígenas permaneceriam com os trabalhos de construção e os serviços domésticos da vila.Em 1778, Vila de Nova Mazagão (atual distrito de Mazagão Velho) contava com 1.775 habitantes, dos quais 1.365 eram livres (cerca de 1.200 brancos mazaganenses e 100 indígenas) e 410 eram pessoas negras escravizadas. A fundação das três vilas coloniais e a construção da Fortaleza de São José de Macapá impulsionaram o tráfico negreiro para a região, já conhecida por abrigar mocambos. Em 1770, cerca de 2.000 mazaganenses aportam em Belém com 70 pessoas escravizadas; no mesmo ano chegam dois navios negreiros que trazem 419 negros da Guiné-Bissau, os quais são distribuídos entre os mazaganenses e posteriormente assentados na Vila Nova Mazagão entre 1770 e 1776. No início do século XIX, as vilas de Macapá e Mazagão foram assoladas por epidemias de cólera e de malária. Em 1808, as atividades econômicas da Vila de São José de Macapá concentravam-se na lavoura do arroz, do algodão, da maniva, do milho e do feijão e na exploração de mão de obra escravizada negra. Havia também número significativo de militares (soldados, sargentos, cabos, capitães, tenentes, anspeçadas, alferes), sapateiros, costureiras, negociantes, tecedeiras, carpinteiros, ferreiros, ajudantes de cirurgia, parteira, fiandeiras, ourives e feitores, além de 706 pessoas negras escravizadas em diversas ocupações (394 homens e 312 mulheres, dentre africanos, crioulos e mestiços). Em praticamente todos os 297 domicílios havia escravizados dedicados à lavoura ou dedicados à fiação de tecidos. Em 1808, como represália à ocupação de Portugal por Junot, os portugueses invadiram a Guiana Francesa, que foi governada durante oito anos pelo desembargador João Severiano Maciel da Costa, futuro Marquês de Queluz. O Tratado de Paris ordenou a restituição da Guiana à França com as fronteiras de 1792, isto é, no Rio Carapapóris. Portugal não ratificou essa decisão. O ato final do Congresso de Viena reconheceu a antiga fronteira estabelecida pelo Tratado de Utrecht. Por uma convenção celebrada em Paris, Portugal comprometeu-se a efetuar a devolução em três meses, o que foi feito. Concordou também em que se formasse uma comissão mista para demarcar a fronteira. Tal comissão, porém, jamais se reuniu e a disputa fronteiriça permaneceria durante todo o século XIX. Em decadência econômica, parte dos portugueses de origem mazaganense abandona a Vila Nova Mazagão e se instala em Macapá ou Belém. Em 1833, com a reforma administrativa do Governador Bernardo Lobo de Souza, Mazagão perde o status de vila e é anexado a Macapá, sob o novo nome de "Regeneração". Mazagão somente recobrou seu nome original e sua autonomia administrativa em 1841. Durante a Cabanagem (1835-1840) na então província do Grão-Pará, as vilas de Macapá e Mazagão se aliaram às forças legalistas contra o exército cabano, sofrendo depredações e seus rebanhos dizimados. Em 1879, chegou a Macapá o primeiro grupo de judeus sefaraditas marroquinos: a Família Zagury. No final do século XIX, muitos judeus marroquinos migraram para a Amazônia, a maioria fugindo da crise e da perseguição religiosa ocorrida no Marrocos e atraídos pela exploração da borracha na região. Nas décadas seguintes, aportaram-se na cidade famílias como os Bemerguy, os Alcolumbre, os Peres, os Benoliel, os Barcessat e os Amar, alguns antes mesmo da criação do Território Federal do Amapá. Na década de 1940, chegaram os Pecher (judeus asquenaze de origem ucraniana) e os Houat (sírio-libaneses). Essa população se destacou em diversas profissões no espaço urbano, especialmente nos chamados “regatões” (comércio ambulante de produtos por meio de pequenos barcos que transportavam bens e notícias das cidades às comunidades ribeirinhas da região). Os judeus não foram tão hostilizados quanto aconteceu ao longo de milhares de anos: mesmo historicamente discriminados, devido à cor da pele eram mais aceitos na sociedade amazônica, pois na visão preconceituosa da sociedade da época estavam ligeiramente à frente da maioria da população macapaense, formada por mestiços, negros e caboclos. Em 1888, ano da abolição da escravatura, ainda havia 211 pessoas negras escravizadas em Macapá. Em 1840, foi criada a Colônia Militar Pedro II na margem direita do Rio Araguari, no território da então Vila de São José de Macapá, hoje município de Ferreira Gomes. Era de conhecimento das autoridades brasileiras que a região atraía desde os tempos coloniais inúmeros indígenas, negros escravizados fugitivos, soldados desertores e de outros “transgressores", além do antigo interesse francês nas terras localizadas entre o Rio Oiapoque e o Rio Araguari. Nesse sentido, a Colônia Militar Pedro II, além da função de proteger o território contestado contra invasões francesas, buscava impedir a fuga de negros escravizados do Grão-Pará tanto para o território contestado (onde não poderiam ser recapturados) ou para a Guiana Francesa (onde, a partir de 1848, conquistariam automaticamente a sua liberdade em razão da segunda abolição da escravatura nas colônias francesas). No mesmo ano chegaram à colônia os primeiros 25 soldados-colonos acompanhados de suas famílias, totalizando 74 pessoas. No ano seguinte, boa parte dos soldados já havia abandonado a região, que continuou parcamente habitada durante praticamente o resto do século XIX. Somente no final da década de 1890 o Brasil resolveu reorganizar a Colônia Pedro II, enviando um engenheiro militar, um médico, um fotógrafo e um destacamento de 50 soldados. A intenção era apresentar a colônia como uma prova (histórica) da presença brasileira no contestado.Em 1841, França e Brasil concordaram em neutralizar o vasto território entre o Rio Oiapoque e o Rio Araguari e ficaram de nomear seus comissários para tratar da demarcação. Pelo acordo, ambos os países aceitavam a neutralidade do território, doravante designado de Contestado Franco-Brasileiro, no qual nenhum dos dois países poderia execer soberania até uma solução jurídica definitiva. Com a Proclamação da República a situação na região fronteiriça ficou caótica. Seus habitantes elegeram, então, um triunvirato governativo : Francisco Xavier da Veiga Cabral ("Cabralzinho"), Cônego Domingos Maltês e Desidério Antônio Coelho. Os franceses nomearam capitão-governador do Amapá o quilombola paraense Trajano Benitez, cuja prisão provocou a intervenção militar da Guiana. A canhoneira Bengali, sob o comando do capitão Lunier, desembarcou um contingente de 300 homens e houve luta. Lunier foi morto com 33 dos seus. Em 1897, França e Brasil assinaram um tratado de arbitragem: a questão seria decidida pela Suíça. Em 1898, o Barão do Rio Branco, vitorioso dois anos antes na questão de limites com a Argentina, foi encarregado de defender a posição brasileira perante o conselho federal suíço, escolhido como tribunal arbitral. Em 5 de abril de 1899, Rio Branco entregou sua Memória Apresentada pelos Estados Unidos do Brasil à Confederação Suíça, e em 6 de dezembro do mesmo ano uma segunda memória, em resposta aos argumentos franceses. Como anexo, apresentou o trabalho de Joaquim Caetano da Silva, O Oiapoque e o Amazonas, de 1861, em que se louvara e que constituía valioso subsídio ao estudo da matéria. Reunidos, os documentos formavam cinco volumes e incluíam um atlas com 86 mapas. A sentença, de 1º de dezembro de 1900, redigida pelo conselheiro federal coronel Eduard Müller, deu a vitória ao Brasil, que incorporou a seu território cerca de 260 mil km². Resolvido o Contestado Franco-Brasileiro, em 1900, a região norte do então Estado do Pará sofreu com o isolamento político e com a pobreza econômica. A economia da região ainda se baseava no extrativismo (borracha, castanha, pau-rosa e madeiras); pela exploração clandestina de ouro e, principalmente, por atividades agropastoris de subsistência. Em 1940, Macapá, Mazagão e Amapá somavam apenas 30 mil pessoas. Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o governo federal autorizou que o exército americano construísse de uma base militar nos arredores de Amapá, próximo ao litoral atlântico, para servir de apoio à força aérea aliada. A Base Aérea do Amapá era utilizada principalmente para o atracamento de dirigíveis que eram utilizados no patrulhamento do litoral na caça de submarinos nazistas e para o comboio dos navios mercantes. No litoral amapaense foram afundados dois submarinos inimigos. Após o término da guerra, a base foi devolvida aos brasileiros e caiu em desuso. Diante do subdesenvolvimento econômico, da diminuta população, da posição estratégica em área fronteiriça e da ocorrência da Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas decidiu desmembrar do Pará uma área de cerca de 142 mil km² para constituir uma nova unidade federativa. Em 27 de dezembro de 1943, Getúlio Vargas designou o capitão Janary Gentil Nunes para assumir o posto de primeiro governador do território. Imediatamente, Janary Nunes visitou os principais núcleos populacionais do Território do Amapá. Naquele momento, imaginou-se como capital do território o município de Amapá, porém, o isolamento geográfico fez com que Janary Nunes decidisse pela instalação da capital em Macapá, mais acessível por via fluvial e com estruturas urbanas mais promissoras. Desse modo, Janary Nunes instalou o primeiro governo territorial na cidade de Macapá em 25 de janeiro de 1944. Em 1945, o desmembramento de parte do município de Amapá passou a constituir o município do Oiapoque. Em 1957, o município de Amapá foi novamente desmembrado para constituir o município de Calçoene. Os primeiros relatórios governamentais expressavam as condições críticas em que o recém-criado Território Federal do Amapá se encontrava: insuficiente e precário estado das habitações que sequer dispunham de condições de saneamento e higiene; ausência de serviços de água encanada, energia elétrica ou esgotos; a necessidade de olaria ou serraria no território para realização de toda e qualquer construção; a dificuldade de desembarque que ainda afetava o miserável comércio; a carência de mercadorias; ausência de prédios adequados à acomodação dos órgãos públicos e falta de pessoas para a realização de todos os serviços. Desse modo, os primeiros anos da administração territorial, nas décadas de 1940 e 1950, foram marcados por grandes obras e incentivos públicos de ocupação do território e desenvolvimento econômico, dentre elas: a construção de escolas públicas nas sedes municipais e em algumas vilas, a urbanização da capital, a construção dos edifícios da Administração Pública Territorial e a criação de polos agrícolas. O processo de urbanização de Macapá implicou na controversa remoção da população negra do centro histórico para uma região periférica onde hoje são os bairros Laguinho e Santa Rita (antigo Bairro da Favela), fato que ainda é relembrado e causa ressentimento entre aqueles que foram removidos e seus descendentes. Embora Julião Ramos (1876-1958), um dos líderes negros da época, e seus familiares apoiassem a política de remoção, Josefa Lino da Silva (Tia Zefa, centenária brincante de marabaixo) relembra que "a maioria dos negros não gostou, mas ninguém nada falava". Maria Felícia Cardoso Ramos, outra idosa brincante do marabaixo, diz "os negros saíam das casas, mas com aquela mágoa. Nós saímos com mágoa". Em 1987, a antiga Vila Amazonas, então pertencente ao Município de Macapá, foi emancipada e se tornou o Município de Santana. Em 1992, a Vila Serra do Navio foi emancipada do Município de Ferreira Gomes e se tornou o Município de Serra do Navio. Na década de 1990, o esgotamento das jazidas de manganês acarretou na interrupção permanente das atividades. Atualmente, grande parte da infraestrutura deixada pela ICOMI pereceu e está inutilizada, principalmente em Serra do Navio. Desde 2012, o espetáculo teatral “Novo Amapá” relembra o episódio e reforça os cuidados para evitar perigos no transporte fluvial na Amazônia. A peça é baseada no texto "Triste Janeiro", do ator e dramaturgo Joca Monteiro. Um filme e um livro também começaram a ser produzidos sobre o episódio. Localizado no Platô das Guianas (que se estende de leste a oeste desde o Amapá até a Venezuela), o estado do Amapá apresenta basicamente três modalidades de relevo: Planície Litorânea, caracterizada por ambientes propícios a inundações, pois a superfície é muito plana e dificulta a drenagem das águas; Baixo Planalto Terciário, refere-se a planaltos levemente elevados e planície litorânea; Planalto Cristalino, originário do período Pré-Cambriano, concentra diversas serras, colinas e morros. O relevo do estado é predominantemente plano com baixas altitudes. Se faz presente nas proximidades da foz do Rio Amazonas, no litoral e na bacia do Rio Oiapoque. Na porção centro-oeste e noroeste apresentam maiores elevações, podendo atingir 500 metros acima do nível do mar, destacando-se a Serra do Tumucumaque, a Serra do Navio e a Serra Lombarda. Aproximadamente 15% do estado são cobertos por solos B latossólicos. Outros 20% são B textual não hidromórficos (comumente ácidos e de baixa fertilidade natural, um dos motivos pelo excesso de alumínio). Embora a estrutura física desses dois tipos de solo seja favorável à agricultura, a pobreza de nutrientes exige rotações de ciclos curtos, ou adições constantes de adubos. Solos hidromórficos pouco desenvolvidos cobrem 8% do território do Amapá (esses solos são afetados por erosões frequentes). Cerca de 3% dos solos do estado são concrecionários, adversos à agricultura. Como o clima do estado é equatorial (quente e úmido), a cobertura vegetal é bastante diversificada. Apresenta ampla cobertura florestal tropical (Floresta Amazônica), classificadas em floresta de várzea e floresta de terra firme. Possui ainda pântanos, campos e cerrados na sua porção central. Nas áreas próximas ao litoral, a vegetação encontrada é o mangue. Aproximadamente 73% da área estadual é coberta pela Floresta Amazônica e cerca de 72% do território do estado são destinados a unidades de conservação (unidades de conservação, terras indígenas e comunidades remanescentes de quilombo). O estado do Amapá, em sua totalidade, é influenciado pelo clima equatorial (Af, em Köppen) e pelo clima de monção, isso significa que ocorre uma grande quantidade de calor e umidade que favorece a propagação da biodiversidade. As temperaturas médias que ocorrem no estado variam de 36 °C a 20 °C, a primeira ocorre principalmente no fim da tarde e o segundo acontece no alvorecer. O clima local apresenta duas estações bem definidas, denominadas de verão e inverno. Os índices pluviométricos ocorrem anualmente em média superior a mm. Cerca de 39% da bacia hidrográfica do estado faz parte da bacia do Amazonas. A rede hidrográfica do Amapá é formada por rios que desempenham um grande papel econômico na região desde a atividade pesqueira até o transporte hidroviário. A maioria dos rios do Amapá deságuam no Rio Amazonas ou diretamente no oceano Atlântico. Dessa forma, os principais rios são: Rio Amapá Grande; Rio Amapari; Rio Amazonas; Rio Apurema; Rio Araguari; Rio Caciporé; Rio Calçoene; Rio Flexal; Rio Gurijuba; Rio Jari; Rio Matapi; Rio Maracá; Rio Maracapi; Rio Mutuacá; Rio Oiapoque; Rio Pedreira; Rio Tartarugal Grande; Rio Tartarugalzinho e Rio Vila Nova. Dos 14,3 milhões de hectares de superfície, 72% (10,5 milhões de hectares) são destinados a unidades de conservação, terras indígenas e comunidades remanescentes de quilombo, tornando-o o único estado da federação a destinar um percentual tão significativo de suas terras à preservação. O Amapá abriga o Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque, o maior do país e um dos maiores do mundo, com cerca de 3,9 milhões de hectares. Localizado ao noroeste do território estadual, é de extrema relevância por apresentar um elevado número de espécies endêmicas e abrigar em seu entorno diferentes grupos tradicionais, como indígenas, ribeirinhos e castanheiros. O estado possui dezenove áreas protegidas por lei que visam a conservação da mata nativa, duas municipais, cinco estaduais e doze federais. As primeiras unidades de conservação criadas foram o Parque Nacional do Cabo Orange e a Reserva Biológica do Lago Piratuba, em 1980. Após estas, vieram a Estação Ecológica Maracá-Jipióca, em 1981; e a Estação Ecológica do Jari, em 1982. De acordo com estimativas de 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do estado é 782 295 habitantes, sendo o vigésimo sexto estado mais populoso do Brasil, o penúltimo da Região Norte. Macapá concentra sozinha quase 60% da população estadual. Em 2007, a taxa de urbanização do estado era de 89,7%. A densidade demográfica do estado no ano de 2010, era 4,68 habitantes por km². O estado do Amapá tem apresentado um grande crescimento populacional. Em meados de 1950 sua população somava 37 477 habitantes. Passados trinta anos, essa população chegava a 175 257. Na década de 1990, as pessoas que residiam no estado somavam 289 397. Em pesquisas realizadas no ano de 2010, constatou-se que 74,5% dos habitantes do estado nasceram nele e 25,5% são naturais de outras regiões. 8,8% dos habitantes do Amapá nasceram no estado, mas não moram na sua cidade natal. Há no estado alguns imigrantes vindo da Guiana Francesa (a maioria no município de Oiapoque) e vários outros oriundos de todas as regiões do país, dentre os quais se destacam os mineiros, goianos, paraenses, paranaenses, cearenses e maranhenses. O fluxo migratório tem aumentado nos últimos anos em razão do desenvolvimento dos setores econômicos do estado. O índice de imigração do estado foi de 0,2870 no ano de 2009, de acordo com dados do IBGE. Segundo dados referentes à cor/raça obtidos pelo IBGE no Censo de 2022, cerca de 65,3% dos amapaenses são pardos, 21,4% são brancos, 11,8% são pretos e 1,4% são indígenas. Os 0,1% restantes são amarelos. Em 2019 realizou-se um estudo que buscou determinar a contribuição genética de ancestralidade materna do estado, sendo feito em 81 pessoas de dois municípios (55 em Macapá, e 26 em Oiapoque), e estimou origem 62% ameríndia, 20% africana, 15% europeia e 3% asiática. Segundo dados obtidos pelo IBGE no Censo de 2022, o Estado do Amapá abriga 10.340 pessoas que se declararam como indígenas (1,4% da população estadual). O Amapá possui 49 aldeias distribuídas em 5 terras indígenas demarcadas: Uaçá (a mais populosa, com 4 881 habitantes), Waiãpi, Galibi, Juminá e Parque Indígena do Tumucumaque (nenhum habitante do lado amapaense). 99,77% dos indígenas amapaenses vivem em terras indígenas. Os municípios com as maiores populações indígenas são Oiapoque, com 8.088 pessoas (29,4% da população do município), Pedra Branca do Amapari (1.676 pessoas, 13% da população municipal) e a capital Macapá com 1.245 indígenas e cerca de 0,2% da população do município. Um estudo de 1999 realizado em duas comunidades amazônicas, das quais uma no Amapá (145 pessoas do Curiaú), comunidade de descendentes africanos, apontou ancestralidade 73% africana, 26% europeia e 0% indígena. Um estudo de 2007 realizado 5 comunidades amazônicas, das quais uma no Amapá (33 pessoas de Mazagão Velho), investigou a origem materna com base no DNA mitocondrial (transmitido apenas de mãe para filha). O resultado apontou origem materna (mitocondrial) 57% indígena, 36% africana e 3% europeia. Outro estudo realizado no Curiaú identificou, dentre a ancestralidade africana, origem 50% bantu, 33% Senegal e 17% Benin. Um estudo genético realizado em 2010, com base em amostras de 307 indivíduos aleatórios de Macapá, estimou a origem dos genes em 46% europeia, 35% indígena e 19% africana. Em 2011, uma pesquisa feita com base em amostras de 130 pessoas diferentes de Macapá, estimou origem 50% europeia, 29% africana e 21% indígena. Um estudo do mesmo ano realizado em nove comunidades, das quais três no Amapá (36 pessoas de Mazagão Novo, 24 pessoas de Mazagão Velho e 48 pessoas do Curiaú), investigou a origem paterna com base no cromossomo Y (presente apenas em homens). A ancestralidade masculina em Mazagão Novo foi estimada em 77% europeia, 14% africana e 8% indígena. Em Mazagão Velho, a estimativa de origem paterna é de 52% europeia, 44% africana e 2% indígena. No Curiaú, comunidade afro-descendente, os resultados apontaram origem 73% africana, 17% europeia e 9% indígena. Já uma pesquisa feita em 2013 com 46 amapaenses portadores de anemia falciforme (20 pretos, 18 pardos e 08 brancos) estimou a origem do gene causador da doença em 61% bantu, 26% Benin e 12% Senegal. A publicação também cita outro estudo similar realizado no Curiaú, o qual identificou, dentre a ancestralidade africana, origem 50% bantu, 33% Senegal e 17% Benin. A autora conclui que tais dados são compatíveis com os registros históricos do tráfico transatlântico de africanos escravizados para a Região Norte, os quais indicam predomínio de africanos bantu de Angola, Congo e Moçambique, além da presença bem maior de indivíduos originários do Senegâmbia (Senegal, Guiné-Bissau e Cabo Verde) se comparada com outras regiões do Brasil. Em números absolutos, a Igreja Católica Apostólica Romana possui 425 459 fiéis. A Diocese de Macapá é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no estado do Amapá, pertencente à Província Eclesiástica de Belém do Pará e ao Conselho Episcopal Regional Norte II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, sendo da Arquidiocese de Belém do Pará. A sé episcopal está na Catedral de São José, na cidade de Macapá, sendo a única diocese católica do estado do Amapá. Dentre as igrejas evangélicas, a Assembleia de Deus destaca-se por ser a mais antiga (foi fundada no estado em 1917) e por ter o maior número de fiéis (100 821 membros). Em seguida, possuem o maior número de fiéis a Igreja Universal do Reino de Deus (10 101 adeptos), Igreja Adventista do Sétimo Dia, Igreja Batista, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Pentecostal Deus É Amor e Igreja Presbiteriana . No Amapá, o Dia Estadual do Evangélico é comemorado anualmente em 30 de novembro. As comunidades religiosas minoritárias incluem a Igreja Católica Apostólica Brasileira, Testemunhas de Jeová, espíritas, religiões afro-brasileiras, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Igreja Ortodoxa, Judaísmo, Budismo e Islamismo . Macapá e Santana concentram a maioria dos praticantes de religiões de matriz africana: umbanda, tambor de Mina e candomblé (das nações africanas Queto, Efã e Angola), embora existam comunidades menores em Oiapoque e Mazagão. O Terreiro de Santa Bárbara (onde se pratica o tambor de Mina nagô) é o templo de religião de matriz africana mais antigo do estado, fundado em 1962 e dedicado ao orixá Iansã. O Dia Estadual dos Cultos Afro é comemorado anualmente em 08 de maio. O Amapá possui aproximadamente 16,2% da sua população habitando em invasões, baixadas, ressacas, favelas ou qualquer outro tipo de aglomerado subumano. Outros estudos realizados mostram que mais de dez mil moradias no estado não possuem serviços básicos, como: energia elétrica, rede de abastecimento de água, lixo coletado e rede coletora de esgoto. Numa visão geral, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio mostraram que existiam 126,32 mil moradias nas áreas urbanas do estado e apenas 9,04 mil nas zonas rurais, contabilizando 135,32 mil domicílios em todo o estado; déficit habitacional do Amapá é de 30 mil moradias. O Amapá é um estado da federação, sendo governado por três poderes, o executivo, representado pelo governador, o legislativo, representado pela Assembleia Legislativa do Amapá, e o Judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Amapá e outros tribunais e juízes. Também é permitida a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos. Atualmente, o governador do Amapá é Clécio Luís, que assumiu em 1º de janeiro de 2023, assumindo o cargo precedido por Waldez Góes. Macapá é o município com o maior número de eleitores, com 289 811 destes. Em seguida aparecem Santana, com 76 040 eleitores, Laranjal do Jari (28 621 eleitores), Oiapoque (19 013 eleitores) e Mazagão, Porto Grande e Vitória do Jari, com 14,8 mil, 13,3 mil e 9,7 mil eleitores, respectivamente. O município com menor número de eleitores é Pracuuba, com 3,2 mil. Tratando-se sobre partidos políticos, todos os 35 partidos políticos brasileiros possuem representação no estado. Conforme informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, com base em dados de abril de 2018, o partido político com maior número de filiados no Amapá é o Partido Socialismo e Liberdade, com 10 583 membros, seguido do Partido Democrático Trabalhista, com 10 204 membros e do Partido da Social Democracia Brasileira, com 7 589 filiados. Completando a lista dos cinco maiores partidos políticos no estado, por número de membros, estão o Partido dos Trabalhadores, com 7 045 membros; e o Democratas, com 6 547 membros. Ainda de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o Partido Novo e o Partido Pátria Livre são os partidos políticos com menor representatividade na unidade federativa, com 17 e 219 filiados, respectivamente. O Amapá é composto por 16 municípios, dentre eles a capital Macapá, juntamente com Santana, Mazagão, Pracuuba, Cutias, Tartarugalzinho, Porto Grande, Serra do Navio, Calçoene, Amapá, Pedra Branca do Amapari, Vitória do Jari, Laranjal do Jari, Ferreira Gomes, Oiapoque e Itaubal do Piririm. O Amapá é composto por 16 municípios, que estão distribuídos em quatro regiões geográficas imediatas, que por sua vez estão agrupadas em duas regiões geográficas intermediárias, segundo a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vigente desde 2017. As regiões geográficas intermediárias foram apresentadas em 2017, com a atualização da divisão regional do Brasil, e correspondem a uma revisão das antigas mesorregiões, que estavam em vigor desde a divisão de 1989. As regiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram as microrregiões. Na divisão vigente até 2017, os municípios do estado estavam distribuídos em quatro microrregiões e duas mesorregiões, segundo o IBGE. A Balança Comercial que representa a contabilidade de entrada e saída de bens tangíveis, no período de 2003 a 2009 apresentou um desempenho com um superávit de 74,4%. As exportações apresentaram um resultado de US$ 774 milhões e as importações US$ 198 milhões. Os produtos de origem mineral foram os que mais contribuíram com o crescimento das exportações e para as importações estiveram a entradas de bens de capital, tendo em vista a compra de bens de investimentos pelas empresas. A arrecadação do ICMS, principal componente da arrecadação própria estadual cujo comportamento se relaciona com o desempenho das atividades econômicas, obteve em 2009 um crescimento nominal de R$ 62,2 milhões, correspondendo um incremento de 17,7%, perfazendo uma média anual de 16,9%, nos últimos sete anos. O Amapá exportou, em 2012, cerca de US$ 447 000 000,00 (quatrocentos e quarenta e sete milhões de dólares), divididos principalmente entre minério de ferro (90,60%), lenha, outras frutas processadas e sucos de frutas . Na criação de bovinos, o estado conta com (aproximadamente) 114 773 cabeças de gado (95% destes são para consumo e 5% para a produção de leite e derivados), a maior parte dos bovinos do estado se concentra na capital e na cidade de Amapá (as duas cidades representam juntas 45% de todo o gado do Amapá). A criação de suínos soma 30 055 cabeças, a de bubalinos soma 214 271 cabeças, a de galos, frangas e frangos soma 47 348 cabeças, a de equinos passa dos 5 294 cabeças. A cidade de Amapá tem a maior fonte de pescado artesanal do estado, destaque para: gurijuba, pirarucu, uritinga, pirapema, tucunaré, apaiari e branquinha. Não há uma verdadeira economia industrial no estado, este setor representa apenas 10% de toda a economia do Amapá. Na cidade de Santana, há um distrito industrial com um número regular de empresas. Na capital e em alguns outros municípios, há serrarias, fábricas de tijolos e a extração mineral e vegetal. Nesta última, destaca-se o município de Amapá como a exploração de cassiterita e a tantalita, o município de Serra do Navio com o manganês e o município de Calçoene com a extração de ouro das minas subterrâneas. A extração de madeira também é forte no estado, porém muitas vezes mascara a extração ilegal. Este é considerado o setor de maior importância para o estado, por representar sozinho 86,8% de toda sua riqueza. O comércio é uma das maiores fontes de renda para o Amapá, representando quase metade deste setor, mas o serviço público, é a que mais cresce durante as últimas décadas e a que mais tem contribuído para o crescimento e desenvolvimento econômico do Amapá. As empresas privadas são responsáveis por, aproximadamente, 70% dos postos de trabalho, no ano de 2006 surgiram mais de mil empresas e o emprego no segmento industrial cresceu 33%, número superior à média nacional que é de 23%. O turismo também é de grande importância para a economia local, dentre os principais destinos turísticos do estado, podemos destacar: a capital, a cidade de Serra do Navio, Mazagão, Oiapoque, Amapá, Ferreira Gomes e Porto Grande. A taxa de analfabetismo dos residentes do estado do Amapá com idade de 10 a 14 anos é de 4,9%, já de pessoas com idade igual ou superior a 15 anos era de 8,4% (segundo o Censo demográfico de 2010). Neste mesmo ano, 74,2% das crianças entre 4 e 6 anos estavam na escola (uma média abaixo da nacional que era de 85%), entre as crianças de 7 a 14 anos, essa porcentagem era de 95,9% (acima da média regional) e as pessoas entre 15 e 17 anos que estavam na escola somavam 83,3% (igual a média brasileira). Em relação à conclusão do ensino fundamental: 57,3% dos jovens de idade igual ou inferior a 16 anos tinham terminado o 1º grau; uma queda no índice que em 2008 marcava 58,7%. A conclusão do ensino médio dos jovens com idade acima de 19 anos era de 55,6% no ano de 2008 e obteve uma queda drástica para 38,4%. No ano de 2009, foram registradas: 1 958 matrículas em creches, 20 488 na pré-escola, 142 552 no ensino fundamental e 35 648 no ensino médio. Já o tempo médio de permanência no sistema é de 8,4 anos no ensino fundamental e de 3,4 anos no EM, resultando numa média de 10,2, média acima da nacional que é de 9,7 anos. O IDEB amapaense é 3,1 no ensino médio, de 4,1 nos anos iniciais do ensino fundamental e de 3,7 nos anos finais do ensino fundamental; em nenhum desses índices a média ficou acima da nacional. A taxa de aprovação no estado durante o EM é de 73,6% e a de reprovação é de 11,1%. O estado conta com duas instituições de ensino superior públicas, a Universidade Federal do Amapá e a Universidade Estadual do Amapá, ambas com sede em Macapá. Há também o Instituto Federal do Amapá, que foi fundado em 29 de dezembro de 2008. A UNIFAP tem campus nos municípios de Laranjal do Jari, Oiapoque, Santana e Tartarugalzinho, além da capital. Existem várias faculdades particulares, a maioria na capital, são as principais: Centro de Ensino Superior do Amapá, Faculdade SEAMA, Universidade Paulista, IMMES, Universidade Estácio de Sá, IESAP e outras. A situação em que a saúde no estado encontra-se é de insuficiência para atender toda a população. Alguns dos indicadores da saúde encontram-se abaixo ou na média nacional, é o caso da média da mortalidade infantil, que foi de 22,5 por 1 000 nascidos (igual a média brasileira). Tal índice pode ser comparado ao de países como Tunísia e Belize. Os dados de 2009, mostram que o estado conta com 288 estabelecimentos públicos de saúde, foram contabilizados 852 leitos nos hospitais públicos. A maternidade da capital é a Maternidade Mãe Luzia, criada em 13 de setembro de 1953 e que atende aos pacientes de todo o estado e de municípios do Pará, tais como: Afuá, Almerim, Anajás, Chaves, Breves e Gurupá. Na maternidade, estão disponíveis 180 leitos. Em relação a expectativa de vida do povo amapaense, ela é de 67,2 anos entre os homens e de 75,0 anos entre as mulheres. No levantamento realizado pelo Ministério da Justiça no ano de 2008, foi mostrado que a região norte do Brasil representa 8,9% de todos os homicídios dolosos do país. Em 2022, Amapá é o estado mais violento do país, tendo 50,6 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. A Polícia Militar do Estado do Amapá tem por função primordial o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública. Seus integrantes são denominados militares estaduais, assim como os membros do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amapá, e ambos estão subordinados ao governador do estado, sendo considerados força auxiliares e reserva do Exército Brasileiro. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amapá é uma Corporação cuja principal missão consiste na execução de atividades de Defesa Civil, Prevenção e Combate a Incêndios, Buscas, Salvamentos e Socorros Públicos em todo o estado. À Polícia Civil do Estado do Amapá cabe as funções de investigação criminal e de polícia judiciária, por meio da repressão ao crime, após a ocorrência de ilícitos, bem como o auxílio ao Poder Judiciário no cumprimento de mandados de prisão. O estado possui duas rodovias federais: a BR-156 e a BR-210. A BR-156 possui 822,9 km de extensão, passando por Santa Clara, Camaipi, Porto Grande, Tartarugalzinho, Beiradão, Igarapé e Água Branca. Esta estrada faz parte do projeto da Transguianense, isto é, uma estrada de 2.346 quilômetros que vai ligar as capitais dos Estados do Amapá e Roraima, passando pela Guiana Francesa e dois países vizinhos, Suriname e Guiana. A rodovia termina na Ponte da Amizade entre Brasil e Guiana Francesa, a cinco quilômetros de Oiapoque. A BR-210 é a segunda rodovia federal no estado, ela também recebe o nome de Perimetral Norte e é menor em relação a BR-156, tendo um pouco mais de 471 quilômetros de extensão. A estrada passa pelas cidades de Macapá, Porto Grande, Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio, terminando na divisa do estado com o Pará. Foi projetada durante o regime militar para "cortar" a Amazônia (desde o Amazonas até o Amapá). A obra tem inúmeros trechos que passam por dentro de terras indígenas. Já as rodovias estaduais são quatro: AP-010, AP-020, AP-030 e a AP-070. As duas primeiras (AP-010 e AP-020) ligam a capital do estado a Santana, a segunda cidade mais populosa. A terceira (AP-030) interliga Macapá ao município de Mazagão, passando pela ponte sobre o Rio Vila Nova e a quarta (AP-070) abrange Curiaú, São Francisco da Casa Grande, Abacate da Pedreira, Santo Antônio da Pedreira, Inajá, Corre Água, São Joaquim do Pacuí, Santa Luzia, Gurupora e Cutias do Araguary. Foi construída uma ponte binacional sobre o Rio Oiapoque, que liga o estado do Amapá à Guiana Francesa. Localizada a 5 km da cidade de Oiapoque (600 km de Macapá), as obras tiveram início em 13 de julho de 2009 e terminaram no final de 2011 - a um custo aproximado de 71 milhões de reais. A ponte foi finalmente inaugurada e liberada para o tráfego no dia 18 de Março 2017. Também foi construída a ponte sobre o Rio Vila Nova, com 420 metros de comprimento, ligando Macapá (a capital do estado), Santana (município vizinho) a Mazagão, a obra começou no mês de maio de 2009 e terminou no segundo semestre de 2010. O investimento da ponte girou em torno de R$ 30 milhões; um acidente ocorrido em março de 2010, e que deixou cinco mortos, atrasou as obras. Uma segunda ponte, sobre o Rio Matapi, começou a ser construída em dezembro de 2013 ligando por definitivo Macapá a Mazagão. Com um custo de R$ 90 milhões, a edificação foi projetada com 612 metros de comprimento. O estado possui uma ferrovia: a Estrada de Ferro Amapá, que possui 194 km de extensão e bitola standard de 1,435 m, ligando os municípios de Santana e Serra do Navio e atravessando municípios como Pedra Branca do Amapari e Porto Grande. A ferrovia foi inaugurada em 1957 pela mineradora ICOMI para o transporte de manganeses provenientes das minas de Serra do Navio e de cargas gerais para fins de exportação, bem como para o transporte de passageiros, onde foram construídas estações e paradas para atender aos mesmos nas cidades atravessadas pela linha férrea, muitas vezes carregando a pequena produção agrícola familiar. Após a paralisação das atividades da ICOMI em 1997, a ferrovia foi entregue ao Governo do Amapá, que em 2006, a concedeu para a MMX Mineração. Na primeira metade da década de 2010, o controle foi repassado à mineradora inglesa Anglo American e posteriormente à indiana Zamin, que após o desabamento do Porto de Santana em 2013 e sucessivas crises financeiras internas, teve sua licitação extinta em 2015. Desde então, o transporte ferroviário no Amapá encontra-se com suas operações paralisadas, tanto para cargas como para passageiros. Pela ferrovia, os trens de passageiros realizavam três viagens semanais entre Santana e Serra do Navio, às segundas, quartas e sextas-feiras. Segundo a média realizada em 1997, costumavam transportar cerca de 84 mil passageiros, enquanto os cargueiros transportavam cerca de 1 milhão de toneladas de mercadorias (manganês, ferro-silício, dormentes, areia, explosivos, cromo e etc.), equivalente a 194 milhões de TKU. Já em 2011, 56.624 passageiros circulavam pela EFA, sendo que 6.435 viajavam gratuitamente. O estado tem geração de energia elétrica em quatro usinas hidrelétricasː Cachoeira Caldeirão, Coaracy Nunes e Ferreira Gomes, no rio Araguari; e Santo Antônio do Jari, no rio Jari. A geração de energia é complementada com usinas termelétricas. Os pratos típicos amapaenses compõem a culinária amazônica e possuem similaridade com a culinária de outras regiões do Brasil, em especial, do estado do Pará. O mais representativo prato típico do estado é o açaí acompanhado de farinha de mandioca e alguma proteína, como peixes, camarão regional, frango ou carne vermelha. A farinha pode ser artesanal (vindas das comunidades ribeirinhas e quilombolas do interior) ou processada, fina ou grossa. Outras combinações populares são o açaí com açúcar, com farinha de tapioca ou mesmo o açaí puro. Um litro de açaí custa de oito a vinte reais, a depender da época do ano e da qualidade. A bacaba, parente do açaí, é tão popular quanto e também é bastante consumida. Outro prato popular é o camarão no bafo. O camarão é cozido no vapor e temperado apenas com sal, limão, tucupi e pimenta e servido com açaí e uma porção de farofa. Além do açaí e suas diversas combinações, os amapaenses compartilham com os paraenses pratos como a maniçoba, o pato no tucupi (tradicionais durante as festividades do Círio de Nazaré, em outubro), o tacacá e a pupunha com café. Talvez pela secular migração nordestina para a região amazônica, receitas como o vatapá e o caruru são comuns no estado e considerados pratos típicos. É especialmente representativa da cultura amapaense, a gengibirra, bebida alcoólica feita com gengibre, cachaça, água e açúcar, consumida durante as rodas de marabaixo (dança folclórica afro-amapaense), juntamente com o caldo de carne servido durante a festa. A Festa de São Tiago é um evento tradicional no município de Mazagão, na área conhecida como Mazagão Velho. Realizada anualmente na segunda quinzena do mês de julho desde 1777, o festejo relembra as batalhas travadas entre mouros e cristãos na então colônia portuguesa de Mazagão Africana, hoje El Jadida, no Marrocos. Segundo a tradição, um soldado anônimo que se acredita ser São Tiago apareceu e conduziu os cristãos à vitória. A tradição chegou na região em com as 163 famílias de colonos portugueses se mudaram para esta área em 1770, fundando a Mazagão Amazônica, a atual vila de Mazagão Velho. A festa de São Tiago inclui missas, novenas, ladainhas, procissões, marabaixo e batuque, mas o ponto alto da festa são as cavalhadas e as encenações teatrais, realizadas pelos próprios moradores, dos eventos ocorridos há trezentos anos na África. Desde 12 de Junho de 2012, o dia 25 de julho é feriado estadual. A história do Círio de Nazaré na cidade de Macapá se inicia em no ano de 1934. A então primeira dama da capital, Ester Benoniel Levy, comandou um grupo de senhoras religiosas, que faziam parte da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, na realização do evento. O número de fiéis que compareceu ao evento ultrapassou o número de fiéis que compareceu a festa do padroeiro da cidade, São José. Assim como no estado do Pará, o evento é realizado no segundo domingo do mês de Outubro e segundo os últimos levantamentos da Polícia Militar, mais de 300 mil pessoas participam todo ano da passeata. Atualmente, a saída é da Igreja Nossa Senhora de Fátima com destino à Igreja de São José de Macapá, na rua São José. ) que praticam a dança do marabaixo no interior do estado. Existem competições de kitesurfe, dentre elas a Travessia do Rio Amazonas, uma corrida de enduro em que os competidores atravessam o Rio Amazonas num percurso de mais de 25 km.
Amazonas é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Norte, sendo o maior estado do país em extensão territorial, com uma área de, Seria o décimo sexto maior país do mundo em área territorial, pouco superior à Mongólia. É maior que a região Nordeste, e maior que as regiões Sul e Sudeste juntas, e equivale a 2,25 vezes a área do estado norte-americano do Texas. A área média de seus 62 municípios é de, superior à área do estado brasileiro de Sergipe. O maior de seus municípios em extensão territorial é Barcelos, com e o menor é Iranduba, com . Localiza-se no território amazonense o Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil, com metros de altitude. Sua capital é o município de Manaus e seu atual governador é Wilson Lima. Com mais de 4,2 milhões de habitantes ou cerca de 2% da população brasileira, é o segundo estado mais populoso da Região Norte e o décimo terceiro mais populoso do Brasil. Itacoatiara com ; Manacapuru com ; Parintins, com e Coari com habitantes. O estado é ainda, subdividido em 4 regiões geográficas intermediárias e 11 regiões geográficas imediatas. Seus limites são com o estado do Pará ao leste; Mato Grosso ao sudeste; Rondônia e Acre ao sul e sudoeste; Roraima ao norte; além da Venezuela, Colômbia e Peru ao norte, noroeste e oeste, respectivamente. A Região Metropolitana de Manaus, com população superior aos 2,7 milhões de habitantes, é sua única região metropolitana. O estado possui um dos mais baixos índices de densidade demográfica no país, superior apenas ao do estado vizinho, Roraima. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2019, a densidade demográfica equivale a 2,63 habitantes por quilômetro quadrado. O Amazonas possui o segundo maior Índice de Desenvolvimento Humano e o 3.º maior PIB per capita entre todos os estados da região Norte do Brasil; entretanto, é o estado brasileiro com maior proporção de população residente em favelas e comunidades urbanas. O "descobrimento" da região hoje formada pelos atuais estados do Amazonas e Pará foi de responsabilidade do espanhol Francisco de Orelhana. A viagem foi descrita apontando as belezas e possíveis riquezas do local, com os fatos e atos mais prováveis de chamar a atenção da coroa espanhola. Durante essa expedição (ocorrida à época 1541-1542), os espanhóis teriam encontrado as mulheres amazonas guerreiras, chamadas de Icamiabas, sobre as quais há muita fantasia e mitos. Em 1755 foi criada a então Capitania de São José do Rio Negro (subordinada ao então Estado do Grão-Pará e Maranhão). Em 1850, no dia 5 de setembro, foi criada a Província do Amazonas, desmembrada da Província do Grão-Pará. Os motivos que levaram à criação da Província do Amazonas foram muitos, em especial, a grandíssima área territorial administrada pelo Grão-Pará, com capital em Belém, e as tentativas fracassadas do Peru em ampliar suas fronteiras com o Brasil, com o apoio dos Estados Unidos. O território do Amazonas é coberto em sua totalidade pela maior floresta tropical do mundo e conta com 98% de sua área preservada. Aliando seu potencial ecológico a uma política de negócios embasada na sustentabilidade, a capital amazonense tornou-se a sexta maior economia do Brasil em 2018. O Amazonas é o terceiro maior produtor de gás no país, por meio das operações da Petrobras no campo de Urucu, em Coari, conectado a Manaus por um gasoduto de 660 quilômetros cortando rios e floresta. A hidrografia do estado, entretanto, sofre grande influência de vários fatores como precipitação, vegetação e altitude. Em geral, os rios amazonenses são navegáveis e formam sua maior rede de transporte. supostamente as Icamiabas com a qual teria lutado e associando-as às amazonas da mitologia grega, deu-lhes o nome, "Río de las Amazonas". Pesquisas arqueológicas apontam ocupações pretéritas por grupos paleoindígenas de caçadores, coletores, onde foram datadas acerca de anos antes da data presente. O período de maior desenvolvimento humano nas terras baixas Amazônicas é conhecido como pré-colombiano tardio, que coincide com a invasão europeia, nos séculos XVI e XVII, e a desestruturação sociopolítica de sociedades complexas, chamados de cacicados complexos. O aumento demográfico das populações amazônicas na época da pré-história tardia, combinado a outros fatores, suscitou grandes transformações entre as sociedades indígenas da Amazônia. Segundo arqueólogos, as sociedades que habitavam regiões da bacia amazônica passaram a se organizar de forma cada vez mais elaborada entre o ano e o ano . Os arqueólogos definem estas sociedades como “cacicados complexos”. Essas sociedades tornaram-se cada vez mais hierarquizadas (provavelmente contendo nobres, "plebeus" e servos cativos), constituíram chefias centralizadas na figura do cacique, e adotaram posturas belicosas e expansionistas. O cacique, além de dominar amplos territórios, organizava continuamente seus guerreiros visando conquistar novos territórios. A cerâmica dessas sociedades era altamente elaborada, demonstrando um domínio de técnicas complexas de produção. Havia urnas funerárias elaboradas (associadas ao culto dos chefes mortos), comércio e os indícios arqueológicos apontam uma densidade demográfica de escala urbana nessas civilizações. Acredita-se que a monocultura era praticada, além da caça e da pesca intensivas, a produção intensiva de raízes e o armazenamento de alimentos. O Amazonas era (e ainda é) habitado por povos de diferentes família linguísticas, como os povos Panos, povos Aruaques, povos Tucanos, povos Caribes, povos Tupi-guaranis e outros grupos étnicos menores. A Amazônia serviu como moradia e sustentação destas sociedades por cerca de 2000 anos, tendo havido retrocesso com a chegada dos europeus. A população originária dos cacicados aos poucos foi sendo exterminada, com numerosas guerras e conflitos travados com os portugueses e espanhóis. A foz do rio Amazonas só foi descoberta por Vicente Yáñez Pinzón, um navegador espanhol que a alcançou em fevereiro de 1500, seguido por seu primo Diego de Lepe, em abril do mesmo ano. Em 1541, outros espanhóis, Gonzalo Pizarro e Francisco de Orellana, partindo de Quito, no atual Equador, atravessaram a cordilheira dos Andes e exploraram o curso do rio até ao Oceano Atlântico. A viagem, que durou de 1540 a 1542, foi relatada pelo dominicano frei Gaspar de Carvajal, que afirmou que os espanhóis lutaram com mulheres guerreiras, nas margens do rio Marañón, disparavam-lhes flechas e dardos de zarabatanas. O mito de mulheres guerreiras às margens do rio difundiu-se nos relatos e livros, sem escopo popular algum, mesmo assim fazendo com que aquelas regiões viessem a receber o nome das guerreiras da mitologia grega, as amazonas - entre eles o maior rio da região, que passou a ser conhecido como rio das Amazonas. Ainda no, os espanhóis realizaram outra expedição similar à de Orellana. Pedro de Ursua, vindo do Peru, também navegou o Amazonas, em busca do lendário Eldorado (1559-1561). Ursua foi assassinado a meio caminho, e a expedição prosseguiu comandada por Lopo de Aguirre, que chegou ao oceano em 1561. Como resultado dessa jornada os espanhóis decidiram, cientes das dificuldades de conquistar tão vasto espaço, adiar a tarefa de colonizá-lo. Quase de imediato os ingleses e os holandeses, que disputavam o domínio da América aos ibéricos, entregaram-se à exploração do Amazonas, lançando aí as primeiras bases de implantações coloniais, através do levantamento de feitorias e pequenos fortes, em 1596, chamadas de "drogas do sertão". Ainda assim, a região não possuía uma ocupação efetiva. Até o segundo decênio do, quando os portugueses começaram a ultrapassar a divisória de Tordesilhas, as companhias de Londres e Flessingen promoviam um ativo comércio de madeiras e pescado, iniciando mesmo plantios de cana, algodão e tabaco. Os próprios governos passaram a estimular abertamente a empresa. Robert Harcourt obteve carta-patente de Jaime I da Inglaterra para explorar o território do Amazonas com seus sócios . Somente durante a Dinastia Filipina (1580-1640) a Coroa hispano-portuguesa se interessou pela região, com a fundação de Santa Maria das Graças de Belém do Grão-Pará (atual Belém em 1616), sendo dignas de registro a expedição do Capitão-mor da Capitania do Grão-Pará e Cabo, Pedro Teixeira, que percorreu o grande rio do Oceano Atlântico até Quito, com setenta soldados e 1 200 indígenas, em quarenta e sete canoas grandes (1637-1639), e logo em seguida a de Antônio Raposo Tavares, cuja bandeira, saindo da capitania de São Vicente, atingiu os Andes, retornando pelo rio Amazonas até Belém, percorrendo um total de cerca de 12 000 quilômetros, entre 1648 e 1651. Na virada do século XVII, balizava-se na Amazônia o domínio português, devido ao posto avançado de Franciscana, a oeste, e por fortificações em Guaporé, ao norte da região. Os franceses, instalados em Caiena, tinham como objetivo descer o litoral para alcançar o Amazonas, instigando surtidas constantes de sacerdotes, pescadores e predadores de índios. Assim, as expedições lusas de reconhecimento enfrentavam grandes dificuldades na atual região do Amazonas: no rio Negro, os manaós, tidos como índios valentes e resistentes, coligaram-se com tribos vizinhas, e os torás, na bacia do Madeira, entregavam-se a guerra de morte contra sertanistas e coletores de especiarias. Na zona do rio Solimões, a penetração portuguesa acabou por se defrontar com missões castelhanas, dirigidas pelo jesuíta Samuel Fritz. Por ordens vindas de Lisboa, as forças militares invadiram o território das missões espanholas, expulsando os padres e soldados que as amparavam. Como efeito, entre 1691 e 1697, Inácio Correia de Oliveira, Antônio de Miranda e José Antunes da Fonseca apossaram-se do Solimões, enquanto Francisco de Melo Palheta garantia o domínio lusitano no alto Madeira e Belchior Mendes de Morais invadia a bacia do Napo. O imenso espaço conquistado tornou-se produtivo. A coroa portuguesa, necessitando assim consolidar sua posição, solicitou o trabalho missionário na área. Foram os carmelitas, juntamente com os inacianos e mercedários, que mais aprofundaram a colonização nos antigos domínios espanhóis, ocupando a área atual do estado do Amazonas. Espalhava-se as missões jesuíticas pelo vale contíguo do Tapajós e, mais a oeste, pelo Madeira, enquanto os mercedários se estabeleceram próximo à divisa com o Pará, nos cursos do Urubu e do Uatumã. Os carmelitas disseminaram seus aldeamentos ao longo do Solimões, do Negro e, ao norte, do Branco, no atual estado de Roraima. Dentro do projeto de ocupação do sertão amazônico, constituiu-se a Capitania Real de São José do Rio Negro pela Carta régia de 3 de março de 1755, com sede na aldeia de Mariuá, elevada a vila de Barcelos em 1790. No início do, a sede do governo da Capitania foi transferida para a povoação da barra do Rio Negro, elevada a Vila da Barra do Rio Negro para esse fim, em 29 de março de 1808. À época da Independência do Brasil em 1822, os moradores da vila proclamaram-se independentes, estabelecendo um governo provisório. A região foi incorporada ao Império do Brasil, na Província do Pará, como Comarca do Alto Amazonas em 1824. Ganhou a condição de Província do Amazonas pela Lei n° 582, de 5 de setembro de 1850, sendo a Vila da Barra do Rio Negro elevada a cidade com o nome de Manaus pela Lei Provincial de 24 de outubro de 1848 e capital em 5 de janeiro de 1851. O Estado do Maranhão virou "Grão-Pará e Maranhão" em 1737 e sua sede foi transferida de São Luís para Belém do Pará. O Tratado de Madri de 1750 confirmou a posse portuguesa sobre a área. Para estudar e demarcar os limites, o governador do Estado, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, instituiu uma comissão com base em Mariuá em 1754. Em 1755 foi criada a então Capitania de São José do Rio Negro (1755 – 1821), no atual Amazonas, subordinada ao Grão-Pará. As fronteiras, então, eram bem diferentes das linhas retas atuais: o Amazonas incluía Roraima, parte do Acre e se expandia para sul com parte do que hoje é Mato Grosso. O governo colonial concedeu privilégios e liberdades para quem se dispusesse a emigrar para a região, como isenção de impostos por 16 anos seguidos. No mesmo ano, foi criada a Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão para estimular a economia local. Em 1757 tomou posse o primeiro governador da capitania, Joaquim de Mello e Póvoas, e recebeu do Marquês de Pombal a determinação de expulsar à força todos os jesuítas (acusados de voltar os índios contra a metrópole e não lhes ensinar a língua portuguesa). Durante o período da revolução, os cabanos da Comarca do Alto Amazonas desbravaram todo o espaço do estado onde houvesse um povoado, para assim conseguir um número maior de adeptos ao movimento, ocorrendo com isso uma integração das populações circunvizinhas e formando assim o estado. Em 5 de setembro de 1850, foi criada a Província do Amazonas pela Lei Imperial nº 582. (ver Gabinete Monte Alegre) Em 10 de julho de 1884, o Amazonas tornou-se a segunda província no império brasileiro a abolir a escravatura, após a Província do Ceará, e quatro anos antes do país conceder liberdade aos escravos, com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel do Brasil. A lei foi assinada pelo presidente da província, Teodureto Souto. Na ocasião, cerca de 1,5 mil escravos foram libertados na província. Tida como uma referência, Manaus tornou-se símbolo de prosperidade e civilização, sendo palco de importantes acontecimentos artísticos e culturais. Floresceu então, o comércio de produtos luxuosos e supérfluos, com homens e mulheres de todo o mundo desfilando por suas ruas e avenidas, na sede da compra do "Ouro Negro", como era chamada a borracha natural, para revender com grandes lucros nas principais capitais da Europa e nos Estados Unidos. A partir de 1910, tempos difíceis iniciam-se para a cidade, devido à forte concorrência da borracha natural plantada nos seringais da Malásia, que chega aos mercados europeu e americano com vantagens superiores, o que acaba por decretar a falência da economia amazonense. foi um projeto de desenvolvimento sócio-econômico implantado através da lei nº de 6 de junho de 1957, que reformulava, ampliava e estabelecia incentivos fiscais para implantação de um polo industrial, comercial e agropecuário numa área física de 10 mil km², tendo como sede a cidade de Manaus. Apesar da aprovação em 1957, tal projeto só foi de fato, implantado, pelo Decreto-Lei Nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, durante o regime militar brasileiro. A criação da Zona Franca de Manaus visava promover a ocupação populacional dessa região e elevar o nível de segurança para manutenção da sua integridade, além de refrear o desmatamento na região e garantir a preservação e sustentabilidade da biodiversidade presente. Em mais de cinco décadas de existência, a história do modelo da Zona Franca de Manaus é dividida em quatro fases: A primeira, de 1967 a 1975, caracterizava a política industrial de referência no país pelo estímulo à substituição de importações de bens finais e formação de mercado interno; a segunda, de 1975 a 1990, caracterizou-se pela adoção de medidas que fomentassem a indústria nacional de insumos, sobretudo no estado de São Paulo; a terceira, de 1991 e 1996, entrou em vigor a Nova Política Industrial e de Comércio Exterior, marcada pela abertura da economia brasileira, redução do Imposto de Importação para o restante do país e ênfase na qualidade e produtividade, com a implantação do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade e Programa de Competitividade Industrial; e a quarta e última, de 1996 a 2002, marca sua adaptação aos cenários de uma economia globalizada e pelos ajustes demandados pelos efeitos do Plano Real, como o movimento de privatizações e desregulamentação. Em relação à história recente no fator econômico, o estado integra o chamado "grupo intermediário", que fica entre o "grupo com maior participação" e o "grupo com menor participação", na economia do país, respondendo por 1,6% desta. Nos anos de 2005 e 2010 o estado foi afetado por uma forte estiagem, sobretudo na região sudoeste, na divisa com o Acre. A estiagem caracterizou-se por possuir o menor índice pluviométrico dos últimos 40 anos, ultrapassando períodos como as secas de 1925-1926, 1968-1969 e 1997-1998, até então consideradas as mais intensas. Neste período, o transporte hidroviário foi dificultado, populações ribeirinhas foram isoladas e houve um surto de cólera, vitimando cerca de 159 pessoas, além de prejuízos econômicos. Em abril de 2008, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística elaborou a nova delimitação da fronteira do Amazonas com o Acre. Assim, o território amazonense reduziu-se em 11 583,87 km². A área perdida corresponde a mais da metade de todo o território do estado de Sergipe, cerca de 7,5% do território do Acre e pouco mais de 0,7% da área do Amazonas. Com a mudança, sete municípios amazonenses - Atalaia do Norte, Boca do Acre, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna e Pauini - perderam território e parte da população para municípios do Acre. Atualmente, o Amazonas divide-se em 62 municípios. O atual governador é Wilson Miranda Lima, que exerce o cargo desde 4 de outubro de 2017. O estado do Amazonas caracteriza-se por ser a mais extensa das unidades federativas do Brasil, com uma superfície atual de . Grande parte dele é ocupado pela Floresta Amazônica e pelos rios. O acesso à região é feito principalmente por via fluvial ou aérea. Apenas o inverno e o verão são bem definidos e a umidade relativa do ar fica em torno de, tendo em vista que a região é cortada pela linha do equador, ao norte. Faz parte da Região Norte do Brasil, fazendo fronteira com os estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre ao sul; Pará a leste e Roraima ao norte, além das repúblicas do Peru, Colômbia e Venezuela ao sudoeste, oeste e norte, respectivamente. A maior parte de seu território está no fuso UTC-4 (com quatro horas a menos que o horário de Greenwich, e uma hora a menos em relação ao horário de Brasília), incluindo Manaus. Treze municípios no sudoeste do estado estão no horário UTC-5: Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Boca do Acre, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Itamarati, Jutaí, Lábrea, Pauini, São Paulo de Olivença e Tabatinga. Comparado a outros estados do Brasil, o Amazonas apresenta um relevo relativamente baixo, já que 85% de sua superfície estão abaixo dos cem metros de altitude. A maior parte do território amazonense está situado sobre uma ampla depressão, com cerca de 600 km de extensão no sentido sudeste-noroeste, orlado a leste por uma estreita planície de aproximadamente 40 km de largura média. O planalto desce suavemente para o interior e se divide em três seções: o planalto, a depressão interior e o planalto ocidental, que formam, ao lado da planície, as cinco unidades morfológicas do estado. e situados no município de Santa Isabel do Rio Negro. Em 30 de maio de 2006 foi lançado o primeiro Mapa Geológico do Amazonas, que teve por finalidade principal estudar as potencialidades do solo do estado. De acordo com esse estudo, de um modo geral, os solos amazonenses são relativamente pobres. Entretanto se verifica, principalmente no interior do estado, uma região propícia a exploração de minerais, como o nióbio, caulim e silvanita. Ainda de acordo com o estudo, no estado encontra-se as três grandes reservas minerais inexploradas do mundo. O solo amazonense detém mais de 450 milhões de toneladas de silvanita, principal minério existente no estado, o que faz do Amazonas o maior produtor nacional. Outras riquezas minerais apontadas pelo estudo são a cassiterita, com uma reserva superior a 400 mil toneladas — nos municípios de Presidente Figueiredo e Urucará; a bauxita, com aproximadamente 1 milhão de toneladas; e o nióbio, estimada em mais de 700 mil toneladas em São Gabriel da Cachoeira. O potencial do gás natural de Coari, estimado em mais de 62 bilhões de metros cúbicos, também é estudado no mapa geológico. No Brasil, país caracteristicamente tropical, o Amazonas é dominado pelo clima equatorial, predominante também na Amazônia. As estações do ano apresentam-se bastante diferenciadas e o clima é caracterizado por elevadas temperaturas e altos índices pluviométricos, decorrente principalmente pela proximidade do estado com a Linha do Equador. Isso também se deve às altas temperaturas, que acabam por provocar uma grande evaporação, transformando-as em chuvas. A temperatura média no estado é elevada, atingindo 31,4 °C. Em alguns pontos da porção oeste a temperatura média é entre 25 °C e 27 °C e em outros pontos da porção leste essa média de 26 °C. A menor temperatura já registrada foi de 7,0 °C, em Boca do Acre, em 1975. A umidade relativa do ar varia de 80% a 90% anualmente, uma das maiores registradas no Brasil. O rio Amazonas - que dá nome ao estado - é o principal de seus rios, com 7 025 quilômetros de extensão desde sua Nascente, na Cordilheira dos Andes, no Peru, até a sua foz no Oceano Atlântico. O rio Negro é o principal afluente do rio Amazonas. Nasce na Colômbia, banha três países da América do Sul e percorre cerca de 1 700 quilômetros. Entra em território brasileiro através do Norte do Amazonas e forma um estuário de cerca de seis quilômetros de largura no encontro com o rio Solimões, sendo chamado de rio Amazonas a partir daí. Apresenta um elevado grau de acidez, com pH 3,8 a 4,9 devido à grande quantidade de ácidos orgânicos provenientes da decomposição da vegetação. Por conta disso, a água mostra-se numa coloração escura. Há ainda éspécies como a castanha-do-pará, as palmeiras e o cacauareiro, que também são encontradas em solos de terra firme. Os solos de terra firme são vermelhos, por se tratar de uma região úmida e de alta temperatura, e seus elementos químicos principais são hidróxido de alumínio e ferro, propícios à formação de bauxita e, portanto, pobres para agricultura. Até a década de 1970, acreditava-se que os solos da região eram os mais Iixiviados, ácidos e pobres do planeta. A cor avermelhada ou amarelada encontrada nos solos era um indicativo de óxidos de ferro, o que passou a ser referência da evidência de que os solos da Amazônia se tornariam laterita, uma substância vista como pedregosa, com o desmatamento e alteração da vegetação. Individualmente, as Unidades de Uso de Proteção Integral representavam 7,8% da área territorial amazonense, e as Unidades de Uso Sustentável representavam 15,8% desse total. Comparando a extensão de Unidades de Conservação no Brasil, o estado possui a segunda maior extensão, superado apenas pelo Pará, com seus 403.155 km². A maior parte delas era administrada pelo governo estadual. A criação de Unidades de Conservação nos estados da Amazônia deu-se a partir da década de 2000. Até então, a criação e demarcação de tais locais dava-se apenas em áreas remotas dos estados. Grande parte destes foram criados com o intuito de auxiliar a regularização fundiária e desincentivar o avanço do desmatamento em áreas de grande concentração populacional. Das Unidades de Conservação criadas a partir de 2003 no estado, 58% delas eram de uso sustentável e 33% foram criadas em regiões de grande avanço populacional. ;Parques nacionais Ao menos três dos principais parques nacionais brasileiros estão no Amazonas. Também são notáveis os parques da Amazônia e do Pico da Neblina. O Parque Nacional da Amazônia foi criado pelo decreto-lei nº em 19 de fevereiro de 1974 e está situado entre o Amazonas e Pará. A criação do Parque Nacional do Pico da Neblina ocorreu em 1979 pelo decreto-lei nº . Sua área é de de hectares e está situado no município de São Gabriel da Cachoeira. Abriga o ponto mais alto do Brasil, o Pico da Neblina, com metros. ; Parques estaduais A Área de Proteção Ambiental Nhamundá foi o primeiro parque de caráter estadual no estado, instituído pelo decreto-lei nº em 1990, com uma área de mil hectares . Situa-se no município de Nhamundá e possui ecossistemas de várzea e campos naturais, além de florestas de terra firme, com planícies e serras. Seu acesso é feito por via fluvial. Por meio da lei estadual n°, de 9 de maio de 2011, foi recategorizado de parque estadual para área de proteção ambiental. Três dos principais parques no Amazonas são:, Parque Estadual Serra do Aracá, criado em 1990, através do decreto-lei nº, situado em Barcelos e ocupando uma área de de hectares — 15% da área do município;, Parque Estadual Rio Negro Setor Norte, localizado em Novo Airão e com área de Foi estabelecido pelo decreto-lei nº de 2 de abril de 1995 e engloba 5% da área do município. Abriga as ruínas da cidade fantasma de Velho Airão e sítios arqueológicos;, Parque Estadual Rio Negro Setor Sul, situado entre Manaus e Novo Airão e criado através do mesmo decreto-lei do parque anterior. Ocupa uma área de ocupando cerca de 4% da área do município de Manaus. É usado para o ecoturismo e habitado por comunidades tradicionais, como caboclos e ribeirinhos. Destacam-se ainda os parques de Sumaúma, a única unidade de conservação estadual em área urbana no Amazonas, situada em Manaus, no bairro Cidade Nova e instituída em 2003; Sucunduri, com criada em 2005 em Apuí; Cuieiras, com Guariba, possuindo e criado em 2005 em Manicoré, no sul do estado; e Matupiti, nas bacias dos rios Matupiri e Autaz Mirim, em Borba e Manicoré, também no sul do estado. Quase todos os parques estaduais são administrados pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas . O Amazonas experimentou um considerável crescimento populacional no início do, devido ao período da áurea da borracha, e após a instalação do Polo Industrial de Manaus, na década de 1960. Na década de 1950, a taxa de crescimento anual era de 3,6% ao ano e, ainda que tenha descrecido para 2,7% ao ano entre 1991 e 2020 e 2,16% ao ano nos anos 2000, o Amazonas ainda cresce acima da média nacional. A capital, Manaus, é a maior cidade da região Norte, com 2,1 milhões de habitantes. A composição da população amazonense por sexo mostra que para cada 100 mulheres residentes no estado existem 96 homens; esse pequeno desequilíbrio entre os dois sexos ocorre porque as mulheres possuem uma expectativa de vida oito anos mais elevada que a dos homens. Porém, o fluxo migratório para o estado é de maioria masculina. Na questão de alfabetização, habitantes do estado com mais de cinco anos de idade alfabetizados totalizavam pessoas. Pelo menos habitantes afirmaram serem portadores de algum tipo de deficiência permanente, destacando-se a deficiência motora, com deficientes declarados. Destacando a questão do estado civil, havia pessoas com mais de 10 anos de idade solteiras, pessoas com mais de 10 anos de idade casadas, pessoas viúvas, divorciadas e pessoas desquitadas ou separadas judicialmente. Há de se destacar que pessoas declararam viver em união consensual. Ainda de acordo com o censo de 2010, habitantes declararam possuir algum tipo de deficiência. A deficiência mental ou intelectual apresentou-se em habitantes, enquanto outros habitantes declararam possuir alguma deficiência motora. habitantes declararam possuir algum tipo de deficiência auditiva, enquanto outros habitantes possuem deficiência visual. Os habitantes que declararam não possuir nenhum tipo de deficiência somam-se habitantes. Durante cem anos, de 1810 a 1910, um relevante número de migrantes e imigrantes espalharam-se por diversas cidades e povoados da Amazônia, principalmente entre Belém e Manaus. Eram em grande parte, atraídos pelo ciclo da borracha. Entre os migrantes, destacou-se principalmente os nordestinos, e entre os imigrantes, os árabes e japoneses. Os japoneses entretanto, chegaram ao Amazonas somente a partir de 1923. Com o fim do ciclo da borracha, o Governo do Amazonas cedeu 1,030 milhão de hectares a serem divididos entre os imigrantes japoneses que desejassem fazer cultivo do solo da região, como forma de movimentar a economia do estado em crise. Os primeiros imigrantes dirigiram-se a cidades como Maués, Parintins, Itacoatiara, Presidente Figueiredo e Manaus. Até então, Maués era a cidade com o maior fluxo de imigração japonesa e onde eles iniciaram o cultivo do guaraná. Porém, em 1941, houve uma epidemia de malária que vitimou várias famílias. No censo de 2010, habitantes não eram naturais da unidade federativa, a maior parte oriundos de outros estados da própria Região Norte brasileira, em especial Pará e Rondônia. e japoneses. Os portugueses que chegaram ao estado destinaram-se sobretudo a Manaus, e passaram a dedicar-se ao comércio. O município de São Gabriel da Cachoeira, no extremo noroeste do estado, é o município com maior população indígena no país. Em 2010, o percentual de população indígena do município foi de 76,31%. Além deste, Boa Vista do Ramos registra o maior percentual de população parda no estado e o terceiro do país, com 92,40% autodeclarados pardos no censo de 2010. Manaquiri também destaca-se por ser o quinto município brasileiro com maior população amarela, 6,26% do total de sua população. Segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais do Censo demográfico de 2010, promovido pelo IBGE, a população do estado dividi-se da seguinte forma, na questão étnica: Pardos, brancos, pretos e amarelos ou indígenas . Nenhum outro estado no Brasil tem maior população indígena do que o Amazonas, divididos em 65 etnias. Além disso, o estado figura com o maior percentual de população parda no Brasil. Entre os que se autodeclaram pardos, o mais característico é o caboclo. Inicialmente nascido da mestiçagem entre indígenas e europeus, a partir do, também miscigenou-se com nordestinos. Os imigrantes sulistas, predominantemente brancos, que chegaram ao estado no final do, têm sido também mestiçados com a população cabocla. O Dia do Mestiço (27 de junho) e o Dia do Caboclo (24 de junho) são datas oficiais no estado. Em 29 de dezembro de 2011, o município amazonense de Autazes estabeleceu o dia 27 de junho como feriado municipal, em reconhecimento à identidade mestiça. Em 28 de agosto de 2012, outro município do estado, Careiro da Várzea, também decretou feriado municipal o dia 27 de junho pelo Dia do Mestiço. Os dois municípios são os únicos no Brasil a homologar em forma de feriado a ênfase da população parda. São Gabriel da Cachoeira, na microrregião de Rio Negro, é um dos três únicos municípios brasileiros a possuir mais de um idioma oficial: Além do português, as línguas tucano, nhengatu e baníua são reconhecidas como idiomas oficiais do município, desde 2002. No dia 20 de julho de 2023, por ocasião da promulgação da primeira tradução da Constituição Federal Brasileira em Nheengatu, o Amazonas formalizou o reconhecimento de 16 línguas indígenas como oficiais do estado. Fora o português, as línguas oficializadas na solenidade são: Apurinã, Baniwa, Desano, Kanamari, Marubo, Matis, Matses, Mawe, Mura, Nheengatu, Tariana, Tikuna, Tukano, Waiwai, Waimiri e Yanomami. Tal qual a variedade cultural verificável no Amazonas, são diversas as manifestações religiosas presentes no estado. Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, tanto devido à colonização quanto à imigração - e ainda hoje a maioria dos amazonenses se declara católica - é possível encontrar atualmente no estado dezenas de denominações protestantes diferentes. A Igreja Católica no Amazonas está organizada em várias dioceses e prelazias que cobrem extensas áreas da floresta e dos rios, refletindo a complexidade geográfica e cultural da região. A Arquidiocese de Manaus, a principal do estado, coordena pastoralmente outras dioceses como as de Parintins, Itacoatiara, Alto Solimões, Borba, Coari e São Gabriel da Cachoeira, e as prelazias de Itacoatiara e Tefé. Além de seu papel espiritual e social, a Igreja Católica também está profundamente ligada à cultura local por meio das festas religiosas. Celebrações como a Festa de Santo Antônio de Borba e a tradicional Festa de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins, atraem milhares de fiéis e são marcadas por manifestações culturais que misturam fé e tradição amazônica. O estado possui os mais diversos credos protestantes ou reformados, como a Igreja Presbiteriana, Igreja Batista, Igreja Luterana, Igreja Adventista, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Mundial do Poder de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja Assembleia de Deus, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Metodista, Igreja Adventista do Sétimo Dia e Igreja Episcopal Anglicana. Além dessas, grande parte declara-se seguidores de outras religiões, tais como os Santos dos Últimos Dias ou mórmons; as Testemunhas de Jeová; os messiânicos; os judeus; os esotéricos; os muçulmanos e os espiritualistas. No estado há um templo mórmon, o Templo de Manaus, sendo o sexto operado no Brasil. De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do Amazonas está composta por: católicos, protestantes, pessoas sem religião, espíritas e outras religiões . e a Polícia Civil do Estado do Amazonas, exercendo a função de polícia judiciária e sendo subordinada ao governo do estado. A Polícia Militar do Estado do Amazonas é uma das mais antigas do Brasil, tendo sido criada em 4 de abril de 1837, primeiramente para combater os revoltosos da Cabanagem, com um efetivo de apenas militares. Após este feito, a PMAM também envolveu-se nas Guerra do Paraguai e de Canudos, além da Revolução do Acre. A Região Metropolitana de Manaus concentra a maior taxa, enquanto os municípios do interior do estado apresentam apenas uma taxa de 11,1. Em 2010, os cinco municípios que registraram as maiores taxas de homicídio, por 100 mil habitantes, foram: Manaus Iranduba, Uarini, Tabatinga e Presidente Figueiredo, com 29,4. Em contrapartida, os cinco municípios que registraram as menores taxas de homicídio foram: São Paulo de Olivença, Nova Olinda do Norte, Santo Antônio do Içá, Tapauá e São Gabriel da Cachoeira, com 5,3. É notável o fato de 12 municípios não haverem registrado taxas de homicídios ou não terem sido divulgadas. Em âmbito nacional, o estado está entre os quinze mais violentos. Em âmbito regional, é o quarto mais violento da região Norte, sendo superado pelo Pará, Amapá e Rondônia . Em 2010 foram identificados domicílios no estado, dos quais deles eram ocupados e não eram ocupados. Os bens duráveis populares (geladeira, rádio, televisão e máquina de lavar) estavam presentes em domicílios. Microcomputadores com acesso à internet existiam em destes domicílios e possuíam o uso de telefones fixo ou celular. Manaus é o município com o maior número de eleitores, com 1,214 milhão destes. Em seguida aparecem Parintins, com 63,7 mil eleitores, Itacoatiara (61,7 mil eleitores), Manacapuru (61,1 mil eleitores) e Coari, Tefé e Tabatinga, com 47,5 mil, 38,9 mil e 29,6 mil eleitores, respectivamente. O município com menor número de eleitores é Japurá, com 4,2 mil. Tratando-se sobre partidos políticos, todos os 35 partidos políticos brasileiros possuem representação no estado. Conforme informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, com base em dados de abril de 2016, o partido político com maior número de filiados no Amazonas é o Partido Comunista do Brasil, com membros, seguido do Partido Social Cristão, com membros e do Partido dos Trabalhadores, com filiados. Completando a lista dos cinco maiores partidos políticos no estado, por número de membros, estão o Partido do Movimento Democrático Brasileiro, com membros; e o Partido Progressista, com membros. Ainda de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o Partido Novo e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado são os partidos políticos com menor representatividade na unidade federativa, com 4 e 134 filiados, respectivamente. Região geográfica intermediária é, no Brasil, um agrupamento de regiões geográficas imediatas que são articuladas através da influência de uma ou mais metrópoles, capitais regionais e/ou centros urbanos representativos dentro do conjunto, mediante a análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . As regiões geográficas intermediárias foram apresentadas em 2017, com a atualização da divisão regional do Brasil, e correspondem a uma revisão das antigas mesorregiões, que estavam em vigor desde a divisão de 1989. As regiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram as microrregiões. A divisão de 2017 teve o objetivo de abranger as transformações relativas à rede urbana e sua hierarquia ocorridas desde as divisões passadas, devendo ser usada para ações de planejamento e gestão de políticas públicas e para a divulgação de estatísticas e estudos do IBGE. As regiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram as microrregiões. O Amazonas é dividido oficialmente em onze regiões imediatas: Manaus, São Gabriel da Cachoeira, Coari, Manacapuru, Tefé, Tabatinga, Eirunepé, Lábrea, Manicoré, Parintins e Itacoatiara. É formado pela união de sessenta e dois municípios, desde a última alteração feita em 1988, criando o município de Alvarães. O Produto Interno Bruto do Amazonas é o 15.º maior do país, destacando-se o setor terciário. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2019, o PIB amazonense era de, enquanto o PIB per capita era de . Pará e Amazonas respondem juntos por aproximadamente 70% da economia da Região Norte do Brasil. Em termos de infraestrutura para investimentos em novos empreendimentos, o estado alcançou o segundo melhor desempenho do país nos últimos anos, sendo superado apenas pelo Distrito Federal, e sendo um dos que mais crescem economicamente. Ao lado do Pará, é o estado que mais influencia na economia do Norte brasileiro. Em 2010, a economia do Amazonas passou a representar 1,8% da economia brasileira, um aumento de 0,1 pontos percentuais comparado a 2009. De todos, o setor primário é o menos relevante para a economia estadual. Representava em 2018 apenas 5,5 % da economia do Amazonas. Segundo o IBGE, o estado possuía em 2011 um rebanho bovino de cabeças, além de equinos, bubalinos, 671 asininos, 947 muares, suínos, caprinos, ovinos, codornas, coelhos e aves. Entre as aves, eram galinhas e galos, frangos e pintinhos. No mesmo ano, o estado produziu litros de leite de vacas. Foram produzidos dúzias de ovos de galinha e quilos de mel-de-abelha. O Amazonas é o maior produtor de fibras do Brasil, com participação de 87% da produção nacional (IBGE -PAM/2014). Os maiores produtores da fibra no Amazonas são da região das calhas dos rios Negro e Solimões, como Manacapuru, Anamã, Autazes, Careiro, Careiro da Várzea, Vila Rica de Caviana, Caapiranga, Iranduba, Manaquiri, Novo Airão, Rio Preto da Eva, Manaus, Beruri, Coari, Codajás e Anori. A produção total desses municípios anualmente varia de 20 a 200 toneladas de juta, e de malva gira em torno de 100 a 744 toneladas. Manacapuru e Beruri se destacam com a produção média de 70 a 100 toneladas de juta. O estado detinha 3% da produção de leite de vacas e 7% do valor da produção do mesmo, entre os estados da Região Norte do Brasil. Além deste, a produção de ovos de galinha no estado representava 57% da produção entre os estados da Região Norte, e 53% do valor da produção entre os mesmos estados. Sobre o mel de abelha, a produção do estado representava 5% entre os estados de sua região e 11% no valor da produção. É notável também que o estado produziu 354 mil dúzias de ovos de codorna em 2011, representando 29% da produção da Região Norte e o valor da produção de ovos de codorna ficou em 26%. Já na lavoura permanente produzem-se abacate, banana, borracha natural, cacau, café, coco, dendê, goiaba, guaraná, laranja, limão, mamão, manga, maracujá, palmito, pimenta-do-reino, tangerina e urucum. Os maiores valores de produção na lavoura permanente foram de banana (80.899 mil reais), laranja (64.729 mil reais) e mamão (30.191 mil reais). A agropecuária registrou, em 2008, um aumento de 23,7% na composição do PIB do estado, o terceiro maior desempenho entre os estados do país naquele ano. Em relação à indústria madeireira, produzem-se carvão vegetal, lenha e madeira em tora. Na silvicultura, o estado produz produtos alimentícios como o açaí, castanha-do-pará (também chamada castanha-do-brasil ou castanha-da-amazônia) e umbu, além de látex coagulado e produtos oleaginosos. Há também produção de fibras, como o buriti e piaçava. O estado caracteriza-se com a segunda maior produção de açaí, sendo superado apenas pelo Pará. Responsável por 28,9% do PIB do Amazonas, de acordo com dados IBGE de 2018, o setor secundário destaca-se na Grande Manaus pelo fato da região concentrar a maioria das indústrias presentes no estado. O Polo Industrial de Manaus consolidou-se como o terceiro maior centro industrial do Brasil. Em Coari, a Província Petrolífera de Urucu, descoberta em 1986, é a maior reserva terrestre de petróleo e gás natural do Brasil. Outros municípios com notáveis indústrias no estado são Itacoatiara, Iranduba, Manacapuru e Tabatinga, onde originam-se unidades madeireiras e de materiais de construção. O órgão responsável pelas indústrias amazonenses ou sediadas no estado é a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas . A Zona Franca de Manaus, também conhecida como Polo Industrial de Manaus, é o principal centro industrial da região Norte e um dos maiores do Brasil. Foi implantado pelo regime militar brasileiro com o objetivo de viabilizar uma base econômica na Amazônia Ocidental, promovendo melhor integração produtiva e social dessa região ao país e garantindo a soberania nacional sobre suas fronteiras É considerado um dos mais modernos da América Latina e tem como abrangência os estados da Amazônia Ocidental (Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima) além de dois municípios do estado do Amapá (Macapá e Santana). Segundo dados da SUFRAMA, o faturamento total do Polo Industrial obtido em 2016 foi de R$ 74,7 bilhões. Suas indústrias são voltadas, em geral, para a produção de produtos eletroeletrônicos, plásticos, madeireiros e polo de duas rodas. Seus principais polos industriais são:, Região Metropolitana de Manaus; maior polo de riqueza estadual, concentra a maioria indústrias no Amazonas, onde a capital do estado detém o oitavo maior PIB municipal do Brasil. O faturamento desse polo é em média cerca de US$ 20 bilhões por ano, com exportações superiores a US$ 2,2 bilhões. São mais de 700 fábricas de grande, médio e pequeno porte que fabricam uma grande quantidade da produção brasileira de motocicletas, televisores, monitores para computadores, cinescópios, telefones celulares, aparelhos de som, DVDs players, relógios de pulso, aparelhos de refrigeração, bicicletas, produtos químicos, madeiras, tijolos, bebidas e materiais de construção. Coari; a segunda maior economia do estado, apresenta concentrações de indústrias alimentícias, madeireira, petrolífera e tijolos. Aproximadamente habitantes exerciam a função de empregados no setor público ou privado, revelado pelo censo de 2010. Destes, empregados exerciam atividades profissionais com carteira de trabalho assinada e profissionais não possuíam carteira de trabalho assinada. O nível de ocupação de pessoas empregadas com mais de 10 anos no estado, foi registrado em 48,5 estando abaixo da média nacional, de 53,3. Conforme dados de 2009, existiam, no estado, estabelecimentos hospitalares, com leitos. Destes estabelecimentos hospitalares, 786 eram públicos, sendo 609 de caráter municipais, 117 de caráter estadual e 60 de caráter federal. Uma pesquisa promovida pelo IBGE em 2008 revelou que 81,6% da população do estado avalia sua saúde como boa ou muito boa; 58,9% da população realiza consulta médica periodicamente; 37,4% dos habitantes consultam o dentista regularmente e 6,0% da população esteve internado em leito hospitalar nos últimos doze meses. Ainda conforme dados da pesquisa, 24,6% dos habitantes declararam ter alguma doença crônica e apenas 12,9% possuíam plano de saúde. Tratando sobre os domicílios particulares no estado que são cadastrados no programa Unidade de Saúde da Família, 52% destes possuem o cadastro. Na questão da saúde feminina, 28,5% das mulheres com mais de 40 anos fizeram exame clínico das mamas nos últimos doze meses; 45,9% das mulheres entre 50 e 69 anos fizeram exame de mamografia nos últimos dois anos; e 73,3% das mulheres entre 25 e 59 anos fizeram exame preventivo para câncer do colo do útero nos últimos três anos. Quando se trata sobre o analfabetismo, a lista de estados brasileiros por taxa de alfabetização, mostra o Amazonas com a décima quarta maior taxa, com 90,40% de sua população considerada alfabetizada. O estado superou-se significativamente nesse ranking na última década. Em 2001, aparecia em décimo quinto lugar, com 15,5% de sua população tida como analfabeta. O estado possui a maior porcentagem, entre os estados brasileiros, de pessoas entre 7 e 14 anos de idade que não frequentam unidades escolares. De acordo com dados do censo de 2010, 8,2% dos habitantes do Amazonas nesta faixa etária encontram-se nesta situação. Entre a população na faixa etária de 15 a 17 anos de idade, 19,6% destes não frequentam unidades de ensino, de acordo com o censo de 2010, colocando o estado na 23ª posição nacional, no ranking que abrangeu todas as 27 divisões administrativas do Brasil. Apenas os estados de Rondônia, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Acre estão em situação semelhante ou pior. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, em 2015, o Amazonas obteve nota 5,0 nos anos íniciais do ensino fundamental, 4,2 nos anos finais do ensino fundamental, e 3,7 no 3º ano do ensino médio. Os municípios do estado que atingiram as melhores colocações na rede pública de ensino, nos anos iniciais do ensino fundamental foram: Boca do Acre ; Manaus ; Parintins ; Beruri e Nhamundá . Nos anos finais do ensino fundamental, na rede pública de ensino, os municípios que alcançaram as melhores posições foram: Parintins ; Boca do Acre ; Envira ; Itacoatiara, Manacapuru, Nhamundá e Novo Airão . A Escola Estadual Indígena Cacique Manuel Florentino Mecuracu, no município de Benjamim Constant, foi identificada pelo Ministério da Educação como a terceira pior escola pública do país. No ano seguinte, 2009, a educação do estado foi identificada novamente como uma das piores no Brasil. A Escola Estadual Indígena Dom Pedro I, em Santo Antônio do Içá, foi identificada como a pior escola pública no país, com 249,25 pontos no Enem, muito abaixo da média nacional de 500 pontos definida pelo Inep. Neste mesmo ano, das 20 melhores escolas do estado, 16 eram particulares e 4 federais, com destaque para o Centro Educacional Lato Sensu e Fundação Nokia, em Manaus, e o Colégio Nossa Senhora do Rosário e Instituto Adventista Agro Industrial, em Itacoatiara e Rio Preto da Eva, respectivamente. Em números absolutos, o estado possuía pessoas com nível superior completo em 2010, um percentual de 5,32%. Há demasiadas instituições de ensino superior no estado. Três delas são de caráter público: Universidade Federal do Amazonas, Universidade do Estado do Amazonas e Instituto Federal do Amazonas . Entre as principais instituições de ensino superior de caráter privado, no Amazonas, destacam-se o Centro Universitário do Norte (Uninorte), Universidade Nilton Lins, Universidade Paulista, Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO), Centro Integrado de Ensino Superior do Amazonas, Universidade Luterana do Brasil, Fundação Getúlio Vargas, Faculdades Martha Falcão e Faculdade Batista Ida Nelson. O transporte hidroviário é o mais comum, sendo também o de maior relevância. O estado possui cinco terminais hidroviários, todos localizados na Hidrovia do Solimões-Amazonas: Terminal de Boca do Acre, Terminal de Itacoatiara, Porto de Manaus, Porto de Parintins e Terminal de Humaitá. Todos são administrados pelo Ministério dos Transportes, com exceção do Porto de Manaus. Todos os municípios possuem pistas para operações de aeronaves, sendo que a maioria é servida por aeroportos, havendo em Manaus e Tabatinga os únicos aeroportos internacionais no Amazonas. Existem também aeroportos regionais, porém em poucos municípios, sendo o Aeroporto Regional de Parintins e o Aeroporto Regional de Coari os mais importantes, além dos aeroportos de Eirunepé, Lábrea e Tefé. Manaus conta com o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, nos moldes dos construídos na década de 1980. É o maior aeroporto da região Norte e o terceiro em movimentação de cargas do Brasil (atrás apenas de Guarulhos e Viracopos). Poucas rodovias são encontradas no estado, e em sua maioria estão situadas nos arredores da capital. A principal destas é a BR-174, principal acesso de Manaus a Boa Vista, capital de Roraima, e também principal via de ligação do Brasil à Venezuela e aos países do Caribe. Outras rodovias de destaque são a BR-319, que se inicia em Manaus e destina-se a Porto Velho, encontrando-se quase que intransitável em muitos de seus trechos devido aos impasses governamentais; BR-230 (Rodovia Transamazônica), iniciando em Cabedelo, no estado da Paraíba, e finalizando em Lábrea; AM-010, de Manaus a Rio Preto da Eva e Itacoatiara; e AM-258, de Manaus a Novo Airão. Há ainda a BR-317, no sul do estado, principal acesso ao Acre e ao Oceano Pacífico, AM-070, AM-174 e AM-254. Grande parte das rodovias situadas no território estadual estão em condições inadequadas de uso. O Amazonas conta com outros serviços básicos. Na capital do estado, Manaus, a empresa responsável pelo abastecimento de água é a Águas de Manaus, que atua na cidade desde junho de 2018 e faz parte do Aegea Saneamento. Outros municípios tem seus próprios Serviços Autônomos de Águas e Esgotos, enquanto outros catorze municípios são atendidos pela Companhia de Saneamento do Amazonas (COSAMA) que, por sua vez, faz parte da administração direta do Governo estadual. Conforme dados de 2009, 83,05% da população estadual tinha acesso à água potável, no referido ano, e 58% tinha acesso à rede de esgoto sanitário. A primeira publicação jornalística no estado do Amazonas surgiu em 1850, ano de sua emancipação política, e chamava-se A Província do Amazonas. O jornal teve pouco tempo de duração, encerrando suas atividades em 1852. Apesar deste ter sido o primeiro periódico a circular na então província, a primeira publicação a ser impressa no estado foi o jornal Cinco de Setembro, que iniciou suas atividades em maio de 1851 e dedicava-se a publicar atos governamentais, tais como anúncios sobre escravos fugitivos e as realizações do Império brasileiro. Em 1854, o jornal renomeou-se para Estrella do Amazonas. A Secretaria de Estado da Cultura é o órgão vinculado ao Governo do Estado do Amazonas responsável por atuar no setor de cultura do estado. Tem como secretário Robério Braga. O estado é sede de importantes monumentos e entidades culturais, como a Academia Amazonense de Letras, fundada em 1918, e a Academia de Ciências e Artes do Amazonas. Manaus e Parintins possuem traços da imigração japonesa em sua cultura. O Festival Folclórico de Parintins também é um destaque na cultura amazonense, sendo uma grandiosa referência nacional. O estado conta com vários teatros. Na capital, destacam-se vários teatros, como o Teatro Amazonas, principal espaço de teatro e patrimônio cultural arquitetônico da região. Sua construção deu-se em 1882, sendo mandado construir pelo governador Eduardo Ribeiro, e foi inaugurado em 1896. É um exemplo da opulência existente no apogeu do ciclo da borracha. O Teatro Amazonas foi tombado como Patrimônio histórico em 28 de novembro de 1966, Outros espaços teatrais são o Teatro Américo Alvarez, Teatro Gebes Medeiros, Teatro Jorge Bonates e Teatro Luiz Cabral. Há registros de diversos festivais nos municípios do estado. Muitos dos festivais mostram a influência do folclore da região. O Carnaval de Manaus é realizado todos os anos na cidade, entre os principais eventos estão o desfile de escolas de samba, o tradicional desfile de fantasias, que acontece no Teatro Amazonas, a Banda do Galo, blocos de rua, etc. Há um grande desfile de escolas de samba em uma passarela construída especialmente para o evento, o Centro de Convenções de Manaus, conhecido popularmente como Sambódromo. O primeiro desfile oficial de escolas de samba em Manaus ocorreu em 1947, sendo que a escola de samba Mixta da Praça 14 de Janeiro foi a campeã. Até 1979 os desfiles eram realizados na Avenida Eduardo Ribeiro. De 1980 a 1990 passou à Avenida Djalma Batista, na Zona Centro Sul, e a partir de 1992 no Sambódromo, que possui a maior capacidade de público do Brasil (mais de 100 mil pessoas), superando os sambódromos do Anhembi, em São Paulo (30 mil), e a Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro (72 mil). Em fevereiro de 1994, sem verba para transmitir os carnavais do Rio de Janeiro e São Paulo, a TV Manchete opta transmitir na íntegra o desfile das escolas de samba do Grupo Especial de Manaus para todo o Brasil. A pista do sambódromo possui 400 metros de extensão e 12 metros de largura, sendo os desfiles das escolas de samba são quinta (Grupo de Acesso C), sexta (Grupos de Acesso A e B) e sábado (Grupo Especial). Outro festival de destaque nacional é o Festival Folclórico de Parintins, que se realiza no município de mesmo nome no fim do mês de junho e tem como atração principal a modalidade competitiva entre o Boi Caprichoso, boi preto com a estrela azul na testa, cujas cores são o preto e o azul, e o Boi Garantido, boi branco com o coração vermelho na testa, cujas cores emblemáticas são o vermelho e o branco. O Festival Folclórico de Parintins é tido como o segundo maior evento folclórico e popular do Brasil, perdendo somente para o Carnaval. o Festival da Canção de Itacoatiara, um festival de música realizado desde 1985 em Itacoatiara; a Festa do Guaraná, uma manifestação folclórica que apresenta lendas e mitos indígenas do Amazonas, em Maués; o Festival do Mestiço, realizado nas cidades de Autazes, Careiro da Várzea e Manaus e a Festa da Melancia, realizada em Manicoré. O Amazonas recebeu o prêmio de melhor destino verde da América Latina, prêmio este concedido em votação feita pelo mercado mundial de turismo, durante a World Travel Market, ocorrido em Londres em 2009. Em pesquisa realizada em 2018 e 2019, a taxa de satisfação dos turistas de navios cruzeiros que passaram pelo Amazonas alcançou o percentual de 77,38%. Os turistas entrevistados em um estudo realizado pela Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) responderam a um questionário contendo 16 itens, entre comidas regionais, internet, opções de lazer, informações turísticas, bares e restaurantes. Entre os pontos melhores avaliados pelos visitantes, em passagem pelo estado, estão: comida típica (98,34%); opções de lazer (96,22%); informações turísticas (95,85%); internet (91,47%); Centro de Atendimento ao Turista (89,15%); bares e restaurantes (88,25%) e segurança pública (87,23%). Manaus, capital estadual, é tida como o 7.º melhor destino turístico no Brasil, conforme pesquisa do TripAdvisor, anunciada durante a 5ª edição do Travelers Choice Destinations em 21 de maio de 2013. De acordo com a pesquisa, os maiores atrativos são os hotéis de selva, museus e atrativos naturais, como reservas florestais. Há espaços dedicados à comercialização do artesanato, assim como a divulgação deste como parte de cultura. Um destes espaços permanentes são a Central de Artesanato Branco e Silva, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, o Centro Cultural Povos da Amazônia, a Praça Tenreiro Aranha e a Praia da Ponta Negra. Também realiza-se no Amazonas, anualmente, a Feira de Artesanato de Parintins e a Feira de Artesanato Mundial. A culinária amazonense preservou as origens ameríndias, tendo sofrido pouca influência europeia e africana. Os principais ingredientes usados na composição dos pratos típicos do Amazonas são os peixes de água doce, a farinha de mandioca (também chamada de farinha do Uarini), jambu, chicória e frutas regionais. Por estar situado na maior bácia hidrográfica do planeta, o Amazonas possui mais de duas mil espécies de peixes. O pescado é usado na maior parte da culinária típica da região, hábito este influenciado pelos costumes ameríndios e europeus. Além do pescado, a mandioca também é muito usada nos pratos típicos amazonenses, sendo uma influência indígena com técnicas de plantio e cultivo. Entre os pratos tradicionais do estado, estão o Pirão, Tacacá, Caldeirada, Tucupi, X caboquinho, Chibé, Pirarucu à casaca, Leite de castanha, Paxicá e Tucunaré de Forno. O Amazonas, assim como a Amazônia, apresenta mais de uma centena de espécies comestíveis, as denominadas frutas regionais, e em muitas vezes apresentando um exótico sabor para as suas sobremesas. Concentra a maior diversidade de frutas do mundo. O açaí, fruto oriundo de uma palmeira amazônica, é o mais conhecido no mundo, em grande parte devido ao suco feito com a polpa do fruto, conhecido como "vinho de açaí" e comercializado em lojas no Brasil e exterior. O Araçá-boi é outro fruto nativo do Amazonas e da Amazônia Legal que tornou-se bastante apreciado pelo mercado internacional. O cupuaçu, fruto amazônico também muito conhecido, pertence à família das esterculiáceas e acredita-se ser parente do cacau. O fruto é comumente usado para a fabricação de balas, bolos e tortas, além de refrescos, sorvetes e cremes. Outros frutos de origem amazônica são o guaraná, o bacuri e o buriti. O guaraná é um arbusto cultivado principalmente em Maués, pertencente à família Sapindaceae. O fruto possui grande quantidade de cafeína e estimulantes, sendo usado na fabricação de xaropes, pós e refrigerantes. Há outros frutos, tais como o tucumã, pupunha, graviola, Bacaba, patauá, marimari e Camu-camu. Desde 1914, o estado realiza o Campeonato Amazonense de Futebol, sob responsabilidade da Federação Amazonense de Futebol, existente desde 26 de setembro de 1962. O evento teve caráter amador até 1963, e passou a ter caráter profissional a partir de 1964. Antes da criação da Federação Amazonense de Futebol, os campeonatos e demais eventos esportivos no estado eram administrados por ligas. A primeira delas, Liga amazonense de Foot-ball, foi fundada em 15 de janeiro de 1914 e em 1916 passou a chamar-se Liga Amazonense de Sport Athléticos, tendo durado até 1917. Entre estes clubes, o detentor do maior número de títulos no Campeonato Amazonense de Futebol é o Nacional Futebol Clube, seguido por Atlético Rio Negro, São Raimundo, Fast Clube e Sul América. Nesse mesmo espaço também ocorreram outras atividades esportivas, como corrida de cavalos. e conhecido também como Coliseu do Norte, Tartarugão e Vivaldão. O estádio foi remodelado em 1995 e demolido em 2010, para a construção da Arena da Amazônia, que sediou partidas da Copa do Mundo de 2014. O estado é o único no Brasil a realizar a Copa Indígena, evento esportivo que tem como alvo os Povos Indígenas do Amazonas. O evento foi iniciado a partir de 2009. A Copa Indígena consiste na disputa de clubes de futebol formado apenas por etnias indígenas que disputam entre si. torneio de futsal, torneio de voleibol, entre outros. Nos últimos anos, o atletismo, o judô e o tênis de mesa, regulamentados pela Federação Amazonense de Atletismo, Federação Amazonense de Judô (Fejama) e Federação de Tênis de mesa do Amazonas, respectivamente, ganharam bastante espaço entre os esportes no Amazonas. Outras modalidades esportivas que também ganharam espaço nos últimos anos são as Artes marciais mistas, em especial o Jiu-jitsu, taekwondo, boxe e Muay thai. O Muay thai é regulamentado pela Federação Amazonense de Boxe Tailandês-Muay Thai e reconhecido no estado desde 1987. O lutador José Aldo, um dos maiores lutadores brasileiros na modalidade, é natural do estado. O Amazonas já sediou eventos esportivos internacionais, como a Copa América masculina de Vôlei em 2007, o Pan-Americano Cadete de Luta Olímpica em 2010 e o Ultimate Fighting Championship em 2012. A capital do Estado também possui um complexo olímpico de esportes, a Vila Olímpica Danilo Duarte de Mattos Areosa, gerida pelo Governo do Estado. Manaus foi uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. No estado do Amazonas, há dois feriados estaduais: o dia 5 de setembro, em homenagem à Elevação do Amazonas à categoria de província, ocorrida em 1850, e o dia 8 de dezembro, em homenagem à Nossa Senhora da Conceição, padroeira do estado. Sales, Daniel; É Tempo de Sambar - História do Carnaval de Manaus; Manaus: Nortemania, 2008,
Alagoas é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado no leste da região Nordeste e tem como limites Pernambuco (N e NO), Sergipe, Bahia e o Oceano Atlântico . Seu território é dividido em 102 municípios numa área de km², sendo ligeiramente menor que a Albânia. Sua capital é a cidade de Maceió e a sede administrativa é o Palácio República dos Palmares. O atual governador é Paulo Dantas . Inicialmente, o território alagoano constituía a parte sul da Capitania de Pernambuco, só vindo a conquistar sua autonomia em 1817, como punição imposta por D. João VI aos pernambucanos pela chamada "Revolução Pernambucana", movimento separatista. Sua ocupação decorreu da expansão para o sul da lavoura de cana-de-açúcar da Capitania de Pernambuco, que necessitava de novas áreas de cultivo. Surgiram, assim, Porto Calvo, Alagoas (atual Marechal Deodoro) e Penedo, núcleos que orientaram, por muito tempo, a colonização e a vida econômica e social da região. A invasão holandesa em Pernambuco estendeu-se a Alagoas em 1631. Os invasores foram expulsos em 1645, depois de intensos combates em Porto Calvo, deixando a economia local totalmente desorganizada. A fuga de escravos negros durante a invasão holandesa criou um sério problema de falta de mão de obra nas plantações de cana. Agrupados em aldeamentos denominados quilombos, os negros só foram dominados completamente no final do, com a destruição do quilombo mais importante, o de Palmares. Durante o Império, a Confederação do Equador movimento separatista e republicano, recebeu o apoio de destacadas figuras alagoanas. Na década de 1840, a vida política local foi marcada pelo conflito entre os lisos, conservadores, e os cabeludos, liberais. No início do, o sertão alagoano viveu a experiência pioneira de Delmiro Gouveia, empresário cearense que instalou, em Pedra (atualmente, Delmiro Gouveia), a fábrica de linhas Estrela, que chegou a produzir 200 mil carretéis diários. Delmiro Gouveia foi assassinado em outubro de 1917 em circunstâncias até hoje não esclarecidas, depois de ser pressionado, segundo consta, a vender sua fábrica a firmas concorrentes estrangeiras. Depois de sua morte, suas máquinas teriam sido destruídas e atiradas na cachoeira de Paulo Afonso. Penúltimo estado brasileiro em área (mais extenso apenas que Sergipe) e 16º em população, é um dos maiores produtores de cana-de-açúcar e coco-da-baía do país e tem na agropecuária a base de sua economia. Terra do sururu, marisco das lagoas que serve de alimento à população do litoral, e da água de coco, Alagoas possui também um dos folclores mais ricos do país. O estado possui um dos menores índice de desenvolvimento humano e índice de alfabetização do país, embora tenha se destacando cada vez mais para melhoramento dos índices, como é o caso da mortalidade infantil no estado, saindo do último lugar para o décimo sexto em todo o país, devido a políticas voltadas a saúde dos recém-nascidos no interior de Alagoas. O latim lacus, "tanque, lago" é a fonte, no acervo vocabular primitivo, do português, espanhol e italiano lago um seu derivado, o latim lacuna, "fojo, buraco", "falta, carência, omissão", explica o espanhol e italiano laguna. O português "lagoa", documentada já em 938 num documento de Valencia, sob a grafia lacona, e noutro de 1094, de Sahagún, sob a grafia lagona. A forma "alagoa" aparece nos nomes concorrentes das lagoas Manguaba e Mundaú (aquela, "alagoa do sul", e esta, "alagoa do norte") já no, quando se fundam, perto, os núcleos de povoamento de Alagoa do Norte e Alagoa do Sul, chamados "as Alagoas", com inclusão dos demais núcleos de povoamento da área. O sufixo do gentílico é o característico da área gentílica de -ano do Brasil (paraibano, pernambucano, alagoano, sergipano, baiano, goiano, a que viria juntar-se acriano). Embora não haja referência àquele porto, excelente para a acolhida de navios, como a expedição vinha do norte para o sul, cabe crer que tenha ocorrido ali o primeiro contato com a terra alagoana. A 29 de setembro, Vespúcio assinalou um rio a que chamou São Miguel, no território percorrido; a 4 de outubro denominou São Francisco o rio então descoberto, hoje limite de Alagoas com Sergipe. Sem sombra de dúvida, nas décadas seguintes, os franceses andaram pela costa alagoana, no tráfico do pau-brasil com os nativos dos arredores. Até hoje, o porto do Francês documenta a presença, ali, daquele povo. Duarte Coelho, primeiro donatário da capitania de Pernambuco, Em 1556, voltava da Bahia para Portugal o bispo dom Pero Fernandes Sardinha, quando seu navio naufragou defronte da enseada do hoje pontal do Coruripe. Sardinha foi morto e devorado pelos caetés, uma das numerosas tribos indígenas então existentes na região. Perdura a crença popular de que a ira divina secou e esterilizou todo o chão manchado pelo sangue do religioso. Para vingá-lo, Jerônimo de Albuquerque comandou uma expedição guerreira contra os caetés, destruindo-os quase completamente. Em 1570, uma segunda bandeira enviada por Duarte Coelho, comandada por Cristóvão Lins, explorou o norte de Alagoas, onde fundou Porto Calvo e cinco engenhos, dos quais subsistem dois, o Buenos Aires e o Escurial. Neste último, repousou, em 1601, o corsário inglês Anthony Knivet, que viajara por terra após fugir da Bahia, onde estivera prisioneiro dos portugueses. admitindo-se que tais títulos lhes tivessem sido conferidos ainda no século anterior. Foram vilas, porém, em 1636. teve povoados, igrejas e engenhos incendiados e saqueados. Grande conhecedor do terreno, orientou os holandeses em uma nova expedição a Alagoas. Após encarniçada peleja, os holandeses recuaram e retornaram a Recife. Mas, caindo em seu poder o arraial do Bom Jesus, entre Recife e Olinda, obtiveram várias vitórias. Acompanhou o marido, o índio Filipe Camarão, em quase todos os lances e arregimentou outras mulheres, tomando-lhes a frente. João Maurício de Nassau pensou em repovoá-la, prossegue a população em sua luta contra eles, já agora, todavia, em território pernambucano. Frustradas as primeiras tentativas de Domingos Jorge Velho, sobretudo em 1692, dois anos depois o quilombo é derrotado, com o ataque simultâneo de três colunas: uma, dos paulistas de Domingos Jorge; outra, de pernambucanos, sob o comando de Bernardo Vieira de Melo; e a terceira, de alagoanos, comandados por Sebastião Dias. Um dos maiores redutos de escravos foragidos do Brasil colonial, Palmares ocupava, inicialmente, a vasta área que se estendia, coberta de palmeiras, do cabo de Santo Agostinho ao rio São Francisco. A superfície do quilombo, progressivamente reduzida com o passar do tempo, concentrar-se-ia, em fins do, na ainda extensa região delimitada pelas vilas de Una e Serinhaém, em Pernambuco, e Porto Calvo, Alagoas e São Francisco (Penedo), em Alagoas. Os escravos haviam organizado no reduto um verdadeiro estado, segundo os moldes africanos, com o quilombo constituído de povoações diversas (mocambos), pelo menos 11, governadas por oligarcas, sob a chefia suprema do rei Ganga-Zumba. A partir de 1667, amiudaram-se as entradas contra os negros, a princípio com a finalidade de recapturá-los, em seguida com a de conquistar as terras de que se haviam apoderado. seriam desastrosas para os quilombolas, obrigados a aceitar a paz em condições desfavoráveis. Apesar desse revés, a luta prosseguiria, liderada por Zumbi, sobrinho de Ganga Zumba, contra cujas hostes aguerridas, em seguida a uma primeira expedição punitiva, em 1679, Nos primeiros meses de 1694, aliado a destacamentos alagoanos e pernambucanos, sob o comando, respetivamente, de Sebastião Dias e Bernardo Vieira de Melo, Velho liquidaria a derradeira resistência do quilombo. Zumbi lograria escapar, arregimentando novos combatentes, mas, traído, ver-se-ia envolvido por forças inimigas, com cerca de vinte de seus homens, perecendo em luta, a 20 de novembro de 1695. Desaparecia, após mais de sessenta anos, o quilombo dos Palmares, "o maior protesto ao despotismo que uma raça infeliz traçou à face do mundo", no dizer de Craveiro Costa. Já então apresentavam as Alagoas indícios de prosperidade e desenvolvimento, quer do ponto de vista econômico, quer do cultural. Sua principal riqueza era o açúcar, sendo além disso produzidos, embora em menor escala, mandioca, fumo e milho; couros, peles e pau-brasil eram exportados. As matas abundantes forneciam madeira para a construção de naus. Nos conventos de Penedo e das Alagoas os franciscanos mantinham cursos e publicavam sermões e poesias. que somente se instalou em 1711. Daí em diante, a organização judiciária restringia o arbítrio feudal dos senhores, e até o dos representantes da metrópole. A comarca desenvolvia-se. Ao lado do açúcar, incrementou-se a cultura do algodão. Seu cultivo foi introduzido na década de 1770; em 1778, já se exportavam para Lisboa amostras de algodão tecido nas Alagoas. A população crescia, distribuindo-se em várias atividades. Um cômputo demográfico mandado realizar em 1816 pelo ouvidor Antônio Ferreira Batalha registrava uma população de 89 589 pessoas. A repercussão da Revolução Pernambucana desse ano contribuiu para facilitar o processo de emancipação. O ouvidor Batalha foi o principal mentor da gente alagoana. Aproveitando-se da situação e infringindo as próprias leis régias, desmembrou a comarca da jurisdição de Pernambuco e nela constituiu um governo provisório. Esses atos foram suficientes para abrir caminhos que levaram D. João a sancionar o desmembramento. Acentuou-se, a partir de então, o surto de prosperidade de Alagoas. É certo que os primeiros anos de independência não foram fáceis. Uma sequência de movimentos abalou a vida provincial: em 1824, a Confederação do Equador; em 1832-1835, a Cabanada; em 1844, a rebelião conhecida como Lisos e Cabeludos; em 1849, a repercussão da revolução praieira. Perturbados e incertos decorreram os primeiros dez anos de vida republicana, na província. Governos se sucediam, nomeados pelo poder central ou eleitos pelo povo, mas quase sempre substituídos ou depostos. Constituíram-se várias juntas governativas, numa ou noutra oportunidade. Entre papéis de orações, de panos com símbolos desenhados de Ogum, de Ifá, de Exu, foram encontrados retratos dos chefes democratas da oposição. O grupo que apoiava o governador era chamado de Leba, por alusão a uma das figuras do orixá dos xangôs. O que valeu de tudo isso é que o acervo apreendido pela polícia se preservou — peças, objetos, insígnias e símbolos do culto, conservados no museu do Instituto Histórico como uma das coleções mais preciosas do culto afro-brasileiro. o incremento das atividades econômicas, sobretudo com a diversificação da produção agrícola e a implantação da indústria leiteira em Jacaré dos Homens, constituindo-se a cooperativa de laticínios para a produção de leite, manteiga e queijo; o incremento do ensino rural e a ampliação do cooperativismo. Tal desenvolvimento possibilitou que, no período da segunda guerra mundial, Alagoas contribuísse, de maneira efetiva, para o abastecimento de estados vizinhos, sem prejuízo de sua colaboração para o esforço de guerra. Constituiu-se, com a criação da usina Caeté, a primeira cooperativa de plantadores de cana. e a formação de centros literários de jovens como a Academia dos Dez Unidos, o Cenáculo Alagoano de Letras e o Grêmio Literário Guimarães Passos. e em 1954 a Faculdade de Ciências Econômicas. Depois essas duas faculdades, e mais as de odontologia, medicina, engenharia e serviço social uniram-se para formar a Universidade Federal de Alagoas. Em 1988, um acordo entre Collor, já então governador, e as usinas de açúcar e álcool, principais contribuintes do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços no estado, permitiu que estas reduzissem sua carga tributária. Cerca de 86% do território alagoano se encontra abaixo de 300 m de altitude, Apenas um por cento fica acima de 600 m. a baixada litorânea uma faixa de colinas e morros argilosos, com solos ricos, o Traipu, O relevo alagoano sofreu ao longo do tempo variações de suas interpretações, algumas foram feitas com base em estudos de campo (visita as áreas retratadas), outra com base em instrumentos modernos (fotografia, imagem de satélite). Considerado nos traços gerais, este relevo tem aspectos particulares no conjunto de suas formas variadas, podendo ser dividido em: planalto, planície (baixada litorânea e tabuleiros costeiros) e depressões (nelas ocorrem formações mamelonares). O Litoral (Planície Litorânea) é formado por uma extensa baixada. A paisagem apresenta dunas e mangues na foz dos rios e riachos. Nessa faixa de terra encontram-se também as lagoas costeiras. A região dos Tabuleiros é muito ondulada, pouco elevada, e se estende para o interior. A cidade de Maceió encontra-se na base desses tabuleiros. Enquanto a região litorânea é cortada por pequenos rios que deságuam no mar ou no rio São Francisco, o interior do estado apresenta áreas mais elevadas, onde se destaca o planalto do Borborema, que se estende do Agreste até o Sertão. As pessoas na faixa etária de 0 a 14 anos representam 40,3% do total da população; os habitantes na faixa etária de 15 a 59 anos respondem por 53,3% do total e aqueles de 60 anos ou mais representam apenas 6,4% da população. Um total de 58,3% da população vive nas zonas urbanas, enquanto 41,7% encontram-se na zona rural. A população de mulheres corresponde a 51,2% do total de habitantes e os homens somam 48,8%. O índice de mortalidade do Estado é de 6,2 por mil habitantes e a taxa de mortalidade infantil em 2017 foi de 13,40 para cada mil crianças nascidas vivas. Alagoas apresenta o IDH de 0,683 em relação ao ano de 2017. As cidades litorâneas e Zona da Mata do estado apresentam em geral IDH maior que as localizadas no Agreste e no Sertão Alagoano. A capital Maceió possui o maior IDH, enquanto o menor é de Inhapi, no Alto Sertão. De acordo com dados obtidos por meio de autodeclaração pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 36% da população alagoana é formada por brancos, 59% por pardos e 3% por negros. A população branca do estado é descendente em sua grande parte de portugueses. Os pardos são compostos da mistura entre negros, índios e brancos. Os autodeclarados negros perfazem o menor grupo étnico alagoano. De acordo com um estudo genético de 2013, a composição genética da população de Alagoas é 54,7% europeia, 26,6% africana e 18,7% ameríndia. Os índios não apareceram na pesquisa, embora haja presença indígena no interior do estado. Os principais povos indígenas do estado são: aconã, carapotó, kariri-xocó, caruazu, catokinn, jeripancó, kalankó, koiupanká, tingui-botó, uassu-cocal e xukuru-kariri Além disso, o Estado possui 13.454 Testemunhas de Jeová no Estado, 0,43% da população. Fonte: IBGE, Censo 2010. O poder executivo é sediado no Palácio República dos Palmares e exercido pelo governador de Alagoas. O atual governador é Paulo Dantas que foi reeleito governador nas eleições gerais de 2022,. O poder legislativo é exercido pela Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, que é composta por 27 deputados estaduais. Região geográfica intermediária é, no Brasil, um agrupamento de regiões geográficas imediatas que são articuladas através da influência de uma ou mais metrópoles, capitais regionais e/ou centros urbanos representativos dentro do conjunto, mediante a análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . As regiões geográficas intermediárias foram apresentadas em 2017, com a atualização da divisão regional do Brasil, e correspondem a uma revisão das antigas mesorregiões, que estavam em vigor desde a divisão de 1989. As regiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram as microrregiões. A divisão de 2017 teve o objetivo de abranger as transformações relativas à rede urbana e sua hierarquia ocorridas desde as divisões passadas, devendo ser usada para ações de planejamento e gestão de políticas públicas e para a divulgação de estatísticas e estudos do IBGE. A atividade industrial tem, como subsetores predominantes, o químico, a produção de açúcar e álcool, de cimento, e o processamento de alimentos. Ultimamente tem crescido bastante a instalação de novas indústrias em Alagoas (em apenas 1 ano chegaram 12). Atualmente, as empresas que se instalam em Alagoas estão em um franco desenvolvimento, caracterizando um estado sólido para investimento na região Nordeste. Em Alagoas é possível observar um aumento da diversividade industrial, embarcações, PVC, etanol de segunda geração, alimentícia, Borracha, plástico e entre outros são responsáveis pelo crescimento industrial alagoano. A participação da indústria da cultura canavieira na economia do estado atinge 45 por cento. As outras atividades que possuem contribuição significativa são o turismo, com 23%, a indústria alimentícia, com 20% e a de química e mineração, com 12%. Nos últimos anos, Alagoas se destaca por ser um dos estados mais procurados no Brasil pelos turistas, inclusive estrangeiros vindos sobretudo da Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e Argentina. O turismo tem crescido nas praias do estado com a chegada de brasileiros e também de estrangeiros, graças a melhorias no aeroporto de Maceió e na infraestrutura hoteleira. O litoral norte, especialmente Maragogi e Japaratinga tem recebido nos últimos anos grandes empreendimentos de resorts. Segundo a maior companhia de viagens da América Latina CVC, Maceió é a terceira capital mais procurada do Brasil. O estado de Alagoas tem uma pauta de exportação bastante concentrada tendo, em 2012, negociado com o exterior, principalmente açúcar in natura (91,45%) e álcool etílico . Segundo os dados de 2018, Alagoas ocupa a oitava posição no ranking dos estados mais violentos do país, já tendo sido o primeiro colocado desse ranking no ano de 2011. O estado de Alagoas possui de linhas de telefonia móvel ativas e de linhas de telefones fixos. Todas as linhas do estado possuem apenas um código de área que é o 82. O Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares está localizado na Região Metropolitana de Maceió, entre a capital e a cidade de Rio Largo e é um dos maiores (tamanho do terminal de passageiros) aeroportos do Nordeste. Foi o desenvolvimento econômico e comercial do Porto de Jaraguá, próximo às margens da lagoa Mundaú, chamada maçaio, que fez surgir uma grande povoação que recebeu o nome de Maceió. O Porto de Jaraguá é considerado um "porto natural" que facilita o atracamento de embarcações, por onde os produtos mais exportados na época da colonização foram açúcar, fumo, coco e especiarias. E, hoje, o porto de Maceió é o 3º principal porto do nordeste, e o 8º do Brasil. Planos do Governo federal pretendem ampliar o espaço para navios cargueiros e os cruzeiros que sempre atracam na cidade. Números divulgados em 2022 pelo IBGE revelaram que, em média, o estado de Alagoas possuí automóveis, de um total de de veículos no Nordeste. A Usina Hidrelétrica de Xingó está localizada entre os estados de Alagoas e Sergipe, situando-se a 12 quilômetros do município de Piranhas e a 6 quilômetros do município de Canindé de São Francisco. A Usina de Xingó está instalada no São Francisco, principal rio da região nordestina, com área de drenagem de km², bacia hidrográfica da ordem de 630 mil km², com extensão de 3,2 mil km, desde sua nascente, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até sua foz, em Piaçabuçu/AL e Brejo Grande/SE. A posição da usina, com relação ao São Francisco, é de cerca de 65 km à jusante do Complexo de Paulo Afonso, constituindo-se o seu reservatório, face as condições naturais de localização, num canyon, uma fonte de turismo na região, através da navegação no trecho entre Paulo Afonso e Xingó, além de prestar-se ao desenvolvimento de projetos de irrigação e ao abastecimento d’água para a cidade de Canindé/SE. Os destinos mais procurados atualmente são: Maceió, Maragogi, Japaratinga, Barra de São Miguel, Piaçabuçu, Marechal Deodoro, Piranhas e Penedo esse último tem um grande potencial turístico e histórico. Além dos festejos de Bom Jesus dos Navegantes que começam de 8 a 15 janeiro com balsas que atravessam desde Alagoas até Sergipe e voltam a Penedo, depois em terra começam os fogos sinalizando a chegada das embarcações e assim as festas com os shows de bandas musicais. Outros pontos visados pelos turistas são as praias do estado. Dentre as mais procuradas estão: Praia de Pajuçara, Praia de Ipioca, Praia da Sereia e Praia de Cruz das Almas, todas em Maceió. Além disso, um dos destinos mais procurados na cidade são: Mercado do Artesanato, Museu Pierre Chalita, Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore e Museu do Esporte. Outros locais procurados pelos turistas incluem: Passeio às Galés, em Maragogi, Igreja de Nossa Senhora do Livramento, Ecopark, Foz do Rio São Francisco, Mirante da Praia do Gunga, Museu da Imagem e do Som, Catedral Metropolitana, Teatro Deodoro e Mirante, ambos em Maceió. Outras cidades que recebem intensa movimentação turística são: Cajueiro, Quebrangulo, Santana do Ipanema, Santana do Mundaú, São Miguel dos Campos, Satuba, Taquarana, União dos Palmares, Viçosa, Paripueira, Boca da Mata, Barra de Santo Antônio, Branquinha, Capela, Lagoa da Canoa, Delmiro Gouveia, Olivença, Olho d'Água das Flores, Murici, Maravilha e Coruripe. Todas elas atraem turistas de várias partes do mundo e fazendo sua economia alavancar, sendo esse setor o que mais emprega e gera renda para diversas cidades do estado. Maragogi é uma das cidades mas conhecidas de Alagoas, distante 131 km de Maceió, com uma população de 25 mil habitantes, é o segundo destino mais procurado de Alagoas. Devido ao rio que banha o local, Maragogi que significa "rio livre" deu nome ao povoado em 1892. A excelente infraestrutura turística, vários hotéis, pousadas, hotéis fazenda, restaurantes, centros de artesanato e várias opções de lazer agregam a qualidade dos serviços do município. Cenários como vilas de pescadores, fazendas com reservas e trilhas de mata atlântica, abundância de coqueirais, praias belíssimas de águas cristalinas, como as praias de São Bento, Peroba, Burgalhau, Barra Grande, além das galés formadas por recifes de corais a 6 km da costa, são algumas das riquezas naturais do município. Maragogi tem um dos ecossistemas mais importantes do Brasil, a diversificada fauna e flora de espécies marinhas são locais ideais para mergulhos. Navegar pelos rios onde se encontra os preservados manguezais, praias, praticar esportes, tomar banhos de bicas, cachoeiras, todas essas cidades tem um contato com a natureza. Alagoas é conhecida por paraíso das águas justamente devido os ricos aquíferos no estado, bem como cachoeiras, rios, mar, lagoas. Algumas praias são geralmente comparadas às do Caribe.
Astrofísica é o ramo da física e da astronomia responsável por estudar o universo através da aplicação de leis e conceitos da física, tais como luminosidade, densidade, temperatura e composição química, a objetos astronômicos como estrelas, galáxias e o meio interestelar. Na prática, pesquisas astronômicas modernas envolvem uma quantia substancial de trabalho em física teórica e observacional. Algumas áreas de estudo para astrofísicos incluem suas tentativas para determinar as propriedades de matéria escura, energia escura, e buracos negros; bem como se a viagem no tempo para o passado é possível, a formação de buracos de minhocas, ou a existência do multiverso; e a origem e o destino final do universo. Tópicos também estudados por astrofísicos teóricos incluem a formação e evolução do Sistema Solar; dinâmica e evolução estelar; formação e evolução galáctica; magnetoidrodinâmica; a macroestrutura da matéria no universo; a origem de raios cósmicos; relatividade geral e cosmologia física, incluindo cosmologia de cordas e astrofísica de partículas. A astrofísica não deve ser confundida com a cosmologia, pois esta ocupa-se da estrutura geral do universo e das leis que o regem em um sentido mais amplo. Embora ambas muitas vezes sigam caminhos paralelos, frequentemente considerado como redundante, há diferenças quanto ao objeto de estudo. Na Mesopotâmia, região situada entre os rios Tigre e Eufrates (atual Iraque), surgiram e se desenvolveram vários povos em meados do século XXXV a.C.. Como os primeiros habitantes da região, os sumérios estão entre os primeiros a cultivar a prática da observação astronômica. Inicialmente, suas observações dos astros possuíam um caráter puramente místico, isto é, astrológico, em que há o entendimento de que os astros regem as relações humanas tanto como regem os ciclos naturais das estações. Por volta do primeiro milênio antes de Cristo, no entanto, iniciou-se a prática de observação do céu como um fim próprio, caracterizando as raízes da astronomia enquanto ciência. Isso acarretou as primeiras aplicações de métodos matemáticos para exprimir as variações observadas nos movimentos da Lua e dos planetas. Com a introdução da matemática, a astronomia babilônica realizou observações sistemáticas dos movimentos dos planetas e, especialmente, do Sol e da Lua: determinou-se o período da lunação ou mês sinódico, o período do movimento do Sol ou ano trópico, e a inclinação da trajetória anual do Sol pela eclíptica. Além disso, era conhecido o fato de que a velocidade da Lua em seu movimento ao redor da Terra era variável. Os sumérios eram ainda capazes de prever eclipses e também verificaram que os planetas são encontrados sempre em uma mesma região do céu. Nomearam várias constelações, sendo que a maioria delas representava figuras de animais. Daí surgiu o Zodíaco, cujo significado é círculo de animais. Fundador da escola, Tales de Mileto propôs que o céu era uma abóbada e sugeriu que o Sol e as estrelas não eram deuses, mas sim bolas de fogo Ademais, postulou a existência de um número infinito de mundos, todos acomodados em camadas esféricas; Usando geometria e trigonometria, Eratóstenes chegou no século III a.C. a uma estimativa de 40 000 km para o perímetro da circunferência terrestre, assumindo-a constante. A astrometria, ramo relacionado à medida precisa da posição e do movimento dos astros, surge com os primeiros catálogos de estrelas. A partir dos dados coletados em seu observatório na ilha de Rodes, o astrônomo Hiparco de Niceia catalogou a posição de 850 estrelas, classificando-as quanto ao seu brilho em seis grupos distintos de 1 a 6, em que 1 é a estrela visível mais brilhante e 6 a menos brilhante. As três leis enunciam propriedades das órbitas planetárias: a primeira afirma que tais órbitas são elípticas e contidas em um plano, com o Sol em um dos focos da elipse; a segunda propõe que áreas descritas na elipse pela trajetórias dos planetas, se iguais, serão percorridas em tempos iguais; e a terceira impõe o vínculo de que o quadrado do período de translação T de um planeta ao redor do Sol é proporcional ao cubo da distância média R do planeta ao Sol. Isto é: :T^2 \propto R^3. Ao analisar os dados empíricos de Brahe, Kepler corrige com sua primeira lei a idealização feita por Copérnico, isto é, afirma que as órbitas dos planetas não são círculos perfeitos, concêntricos ao Sol. Dessa forma, rompeu-se com a tradição do idealismo cosmológico, favorecendo um entendimento científico baseado na experiência. Formulada pelo físico inglês Isaac Newton e publicada em Philosophiae naturalis principia mathematica em 1687, a lei da gravitação universal explica teoricamente as três leis empiricamente constatadas por Kepler no escopo da mecânica clássica e do cálculo diferencial, também formulados por Newton. Newton percebeu que sua segunda lei do movimento era suficiente para explicar as três leis de Kepler, contanto que a força gravitacional de atração entre dois corpos fosse proporcional ao produto de suas massas, M e m, e inversamente proporcional ao quadrado da distância r entre eles, resultando na seguinte expressão: :\vec = -\frac , Na expressão acima, G é a constante da gravitação universal, determinada entre 1797 e 1798 por Henry Cavendish em sua famosa experiência. Após formular a teoria da relatividade restrita, o físico alemão Albert Einstein publicou, em 1915, sua teoria da relatividade geral. Essa nova teoria foi construída para expandir os conceitos de relatividade restrita a referenciais não inerciais e propôr uma explicação teórica para o fenômeno da gravidade, anteriormente ausente na lei da gravitação de Newton. Em 1912, o astrônomo norte-americano Vesto Slipher mediu o espectro eletromagnético da galáxia de Andrômeda - à época identificada como "nebulosa espiral" - percebendo um deslocamento das linhas espectrais para comprimentos de onda menores, isto é, deslocada para o azul (blueshift). Pelo efeito Doppler relativístico, previsto pela relatividade restrita de Einstein, Slipher concluiu que Andrômeda está se aproximando da Terra. Analisando o comportamento de estrelas Cefeidas, cuja luminosidade varia em um período bem definido, por meio de imagens capturadas pelo telescópio de Monte Wilson, Edwin Hubble e Milton Homason estimaram a distância às outras galáxias. Ao comparar as distâncias entre as galáxias e suas velocidades de afastamento, eles perceberam que galáxias mais distantes afastavam-se com maior velocidade. O objetivo da mecânica celeste, similarmente à astrometria, é o de determinar as posições dos astros e como elas variam com o tempo. Porém, diferentemente da astrometria, a mecânica celeste também é embasada teoricamente pela mecânica clássica. Evolução estelar, Formação e evolução de galáxias, Astrofísica de partículas, Planetologia, Remanescentes estelares, Cosmologia, Matéria escura, Energia escura Analogamente ao efeito Doppler clássico, o efeito Doppler relativístico refere-se à mudança da frequência percebida por um observador em movimento relativo à fonte de emissão da onda. No entanto, a versão relativística ocorre em uma onda eletromagnética, desviando a luz para frequências mais baixas (em direção ao vermelho) se a fonte afasta-se relativamente ao observador; e desviando a luz para frequências mais altas (em direção ao azul) caso a fonte esteja se aproximando. Esse fenômeno é resultado da relatividade restrita, embasada matematicamente pelas transformações de Lorentz. No início do século XX, em torno de 1910-1912, começou o estudo espectral das galáxias. Em torno de 1917 o astrônomo holandês Willem de Sitter demonstrou teoricamente através da relatividade geral que o Universo se expandia, faltando apenas a comprovação "prática". Na mesma época foi constatado que em sua imensa maioria, as galáxias têm um desvio para o vermelho que aumenta progressiva e proporcionalmente à distância. Fazendo-se uma análise espectrográfica através do espectrofotômetro de absorção atômica temos como verificar se um astro está se movendo, em que direção e velocidade. Podemos saber se existe um desvio da luz causado pela gravidade de algum corpo próximo, a composição das estrelas e dos gases que estão dispersos, entre estas e o instrumento que faz a medição. Sempre quando verificamos o espectro de uma estrela, observamos que suas linhas espectrais desviam para o vermelho. Isto se dá, porque ela está se afastando, ao contrário, se estiver se aproximando, o desvio será para o azul. As falhas devido à absorção atômica indicam sua composição. A distância entre linhas espectrais indica vários parâmetros, inclusive a presença de gases e poeira entre a estrela e a Terra. Outros exemplos de instrumentos usados em astrofísica são os aceleradores de partículas, entre outros equipamentos, estes podem determinar a composição inicial de nosso universo e o comportamento das partículas elementares ao nível de microcosmo. O telescópio óptico, o radiotelescópio, entre outros, também são exemplos do uso de instrumentação física experimental para a análise e dedução de parâmetros de corpos estelares.
Azulona (nome científico: Tinamus tao) é uma espécie de ave cinegética encontrada na Amazônia brasileira e na bacia do Alto Paraguai, exclusivamente em áreas da mata de terra firme. Sua coloração é de tom cinza-ardósia. Mede 52 cm e pesa cerca de 2,5 kg ou mais. Em observações de campo conduzidas pelo ornitólogo José Carlos Reis de Magalhães, encontrou-se a relação de sexos de dois machos para cada fêmea, que a postura era, sempre, de três ovos e as fêmeas acasalavam duas vezes na estação, com dois machos diferentes e consecutivos. A estratégia reprodutiva da azulona indica que a espécie tem estado sujeita a fortes pressões predatórias, tendo assim caminhado, evolutivamente, para a solução de reduzir a postura para três ovos e fazer duas posturas por ano, reduzindo riscos. Uma peculiaridade sobre os ovos da azulona está no fato de serem quase perfeitamente esféricos, em nada oblongos, como os de Tinamus solitarius, porém idênticos na coloração verde-azulada. As estreitas afinidades entre o macuco e a azulona sempre foram objeto das cogitações dos sistematas que os estudaram. As diferenças entre eles estão, praticamente, no colorido, já que, morfologicamente, são idênticos. Apenas no peso, os dados acusam pequena vantagem para a azulona. É provável que macuco e azulona venham de um ancestral comum e que, por razões climáticas, foram separados pela ocorrência de soluções de continuidade entre as áreas florestadas da Amazônia e do Sudeste (Mata Atlântica). Mantiveram muita coisa em comum, como a voz, igualmente eficiente para ambas, nos biótopos semelhantes em que remanesceram. A azulona apresenta subespécies ou raças geográficas, ao longo de suas áreas de ocorrência, onde divide o hábitat com outros representantes do gênero Tinamus, como o inambu-galinha (Tinamus guttatus) e o inambu-serra (Tinamus major), este encontrado na mata de várzea. O nome vernáculo técnico para a espécie em português brasileiro, outorgado pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos, é azulona. Tinamus tao tao Temminck, 1815 - ocorre no centro e norte do Brasil até a fronteira do leste do Peru e Bolívia;, Tinamus tao septentrionalis Brabourne & Chubb, 1913 - ocorre no nordeste da Venezuela e no noroeste da Guiana;, Tinamus tao larensis Phelps & Phelps, 1949 - ocorre nas florestas Montane do centro da Colômbia e no noroeste da Venezuela;, Tinamus tao kleei (Tschudi, 1843) - ocorre do centro-sul da Colômbia até o leste do Equador, leste do Peru, leste da Bolívia e no oeste do Brasil. A União Internacional para a Conservação da Natureza classifica a espécie no status Vulnerável, devido à perda de habitat e à pressão de caça.
Aristóteles (Estagira, – Atenas, ) foi um filósofo e polímata da Grécia Antiga. Ao lado de Platão, de quem foi discípulo na Academia, foi um dos pensadores mais influentes da história da civilização ocidental. Aristóteles abordou quase todos os campos do conhecimento de sua época: biologia, física, metafísica, lógica, poética, política, retórica, ética e, de forma mais marginal, a economia. A filosofia, definida como "amor à sabedoria", passou a ser compreendida por Aristóteles em sentido mais amplo, buscando se tornar uma ciência das ciências. Embora o estagira tenha escrito muitos tratados e diálogos formatados para a publicação, apenas cerca de um terço de sua produção original sobreviveu, nenhuma delas destinada à publicação. Na concepção aristotélica, a ciência compreende três áreas principais: teórica, prática (práxis) e aplicada ou (poiética). Segundo o autor, a ciência teórica é o melhor uso que o homem pode fazer de seu tempo livre e é composta pela "filosofia primeira" (ou metafísica), matemática e física (também chamada de filosofia natural). A ciência prática, orientada para a ação, é o reino da política e da ética. Por fim, a ciência aplicada consiste no campo da técnica, ou seja, do que pode ser produzido pelo ser humano, tais como a prática da agricultura e da poesia. A lógica, por outro lado, não é considerada por Aristóteles como uma ciência, mas sim um instrumento que permite o progresso científico. Segundo Aristóteles todos os seres vivos têm alma, ainda que com características distintas. As plantas teriam apenas uma alma animada por uma função vegetativa, ao passo que a alma dos animais teria uma função vegetativa e sensorial. Já a alma dos humanos possuiria cinco disposições por meio das quais poderia afirmar ou negar a verdade: a arte (téchne), o discernimento (phrónesis), a ciência (epistéme), a sabedoria (sophía) e o intelecto . A natureza (Physis) ocupa um lugar importante no pensamento aristotélico. A matéria possuiria em si um princípio de movimento (en telos echeïn). Consequentemente, a física se dedica ao estudo dos movimentos naturais causados pelos princípios próprios da matéria. Em sua metafísica, Aristóteles define o Deus dos filósofos como o primeiro motor imóvel, aquele que põe o mundo em movimento sem ele próprio ser movido. Segundo o autor, o primeiro motor imóvel e os corpos celestes seriam formados por um elemento incorruptível, o éter, distinguindo-se dos corpos físicos do mundo sublunar. Após sua morte, seu pensamento foi praticamente esquecido pelo ocidente até o fim da Antiguidade. Durante o Califado Abássida, as obras de Aristóteles foram traduzidas em árabe, influenciando o mundo muçulmano. A partir do fim do Império Romano o ocidente teve acesso limitado a seus ensinamentos até o Século XII. Após a redescoberta de seus escritos, o pensamento aristotélico também passou a exercer influência sobre a filosofia e a teologia ocidental durante os cinco séculos seguintes, criando tensões com o pensamento platônico de Agostinho de Hipona que vigorava à época. Foi durante o Século XII, contudo, que o aristotelismo marcou profundamente a escolástica e, por intermédio da obra de Tomás de Aquino, o cristianismo católico. No Século XVII, o avanço da astronomia científica de Galileu e Newton desacreditou o geocentrismo admitido por Aristóteles. A partir de então, seguiu-se um profundo recuo do pensamento aristotélico no que se refere à ciência. Sua lógica também foi criticada na mesma época por Francis Bacon e Blaise Pascal. No, George Boole deu à lógica de Aristóteles uma base matemática com um sistema de lógica algébrica, e já no, Gottlob Frege criticou e retrabalhou em profundidade a silogística. A filosofia aristotélica, por sua vez, experimentou um ressurgimento de interesse. No Século XX foi estudado e comentado por Heidegger, que foi seguido por Leo Strauss, Hannah Arendt e contemporaneamente por autores como Alasdair MacIntyre, John McDowell e Philippa Foot. Mais de 2 300 anos após sua morte, seu pensamento ainda inspira especialistas de áreas variadas e é objeto de pesquisa de diversas disciplinas. Aristóteles nasceu em Estagira, na Trácia, filho de Nicômaco. Seu pai era amigo e médico pessoal do rei macedônio Amintas III, rei conhecido por ser pai de Filipe II e avô de Alexandre. Existem algumas controvérsias entre os estudiosos a respeito da influência da atividade médica da família de Aristóteles em seu interesse pela biologia e fisiologia. No entanto, é sabido que o pai de Aristóteles, Nicômaco, era médico, e que a medicina era uma atividade importante em sua família. Segundo a compilação bizantina Suda, Aristóteles era descendente de Nicômaco, filho de Macaão, filho de Esculápio. Com cerca de 16 ou 17 anos partiu para a cidade de Atenas, maior centro intelectual e artístico da Grécia Antiga. Como muitos outros jovens da época, foi para lá prosseguir os estudos. Duas grandes instituições disputavam a preferência dos jovens: a escola de Isócrates, que visava preparar o aluno para a vida política, e Platão e sua Academia, com preferência à ciência (episteme) como fundamento da realidade. Apesar do aviso de que, quem não conhecesse geometria ali não deveria entrar, Aristóteles decidiu-se pela academia platônica e nela permaneceu vinte anos, até a morte de Platão, no primeiro ano da 108a olimpíada . Aristóteles provavelmente participou dos Mistérios de Eleusis. Em 347 a.C. com a morte de Platão, a direção da Academia passa a Espeusipo assim Aristóteles deixa Atenas e se dirige, provavelmente, primeiro a Atarneu convidado pelo tirano Hérmias e em seguida a Assos, cidade que fora doada pelo tirano aos platônicos Erasto e Corisco, pelas boas leis que lhe haviam preparado e que obtiveram grande sucesso. Durante 347 a.C. e 345 a.C. dirige uma escola em Assos, junto com Xenócrates, Erasto e Corisco e depois em conhece Teofrasto e com sua colaboração dirige uma escola em Mitilene, na ilha de Lesbos e lá se casa com Pítias, neta de Hérmias, com quem teve uma filha, também chamada Pítias. por intercessão de Hérmias. Em 335 a.C. Aristóteles funda sua própria escola em Atenas, em uma área de exercício público dedicado ao deus Apolo Lykeios, daí o nome Liceu. Os filiados da escola de Aristóteles mais tarde foram chamados de peripatéticos. Os membros do Liceu realizavam pesquisas em uma ampla gama de assuntos, os quais eram de interesse do próprio Aristóteles: botânica, biologia, lógica, música, matemática, astronomia, medicina, cosmologia, física, metafísica, história da filosofia, psicologia, ética, teologia, retórica, história política, teoria política e arte. Em todas essas áreas, o Liceu coletou manuscritos e assim, de acordo com alguns relatos antigos, se criou a primeira grande biblioteca da antiguidade. Enquanto em Atenas, Pítias morreu, e segundo relato de Diógenes Laércio, especula-se que ele ainda teria tido com sua concubina, Herpílis ou Herpília, um filho ilegítimo, Nicômaco (a quem seu livro de Ética é dedicado). Em 323 a.C, morre Alexandre e em Atenas começa uma forte reação antimacedônica, em por causa de sua ligação com a família real, Aristóteles foge de Atenas e se dirige a Cálcides, onde sua mãe tinha uma casa, explicando, "Eu não vou permitir que os atenienses pequem duas vezes contra a filosofia" uma referência ao julgamento de Sócrates em Atenas. Ele morreu em Cálcis, na ilha Eubeia de causas naturais naquele ano. Aristóteles nomeou como chefe executivo seu aluno Antípatro e deixou um testamento em que pediu para ser enterrado ao lado de sua esposa. A filosofia de Aristóteles dominou verdadeiramente o pensamento europeu a partir do . A revolução científica iniciou-se no e somente onde a filosofia aristotélica foi dominante é que sobreveio uma revolução científica. Apesar do alcance abrangente que as obras de Aristóteles gozaram tradicionalmente, acadêmicos modernos questionam a autenticidade de uma parte considerável do Corpus aristotelicum. Parte das afirmações a respeito da Física e da Química de Aristóteles foram impugnadas ao longo dos séculos, e a principal razão disso é que nos séculos XVI e XVII os cientistas aplicaram métodos quantitativos ao estudo da natureza inanimada, assim algumas observações de Aristóteles são irremediavelmente inadequadas em comparação com os trabalhos dos novos cientistas. Aristóteles sistematizou a lógica, definindo as formas de interferência que eram válidas e as que não eram — em outras palavras, aquilo que realmente decorre de algo e aquilo que só aparentemente decorre; e deu nomes a todas essas diferentes formas de interferências. Por dois mil anos, estudar lógica, significou estudar a lógica de Aristóteles. A lógica, como disciplina intelectual, foi criada no por Aristóteles. Aristóteles não reconhecia a ideia de inércia, ele imaginou que as leis que regiam os movimentos celestes eram muito diferentes daquelas que regiam os movimentos na superfície da Terra, além de ver o movimento vertical como natural, enquanto o movimento horizontal requereria uma força de sustentação. Ainda sobre movimento e inércia, Aristóteles afirmou que o movimento é uma mudança de lugar e exige sempre uma causa, o repouso e o movimento são dois fenômenos físicos totalmente distintos, o primeiro sendo irredutível a um caso particular do segundo. Aristóteles fez objeções à teoria de Empédocles e ao modelo de Platão que considerava que a visão era produzida por raios que se originavam no olho e que colidiam com os objetos então sendo visualizados. Ao refutar as teorias então conhecidas, ele formulou e fundamentou uma nova teoria, a teoria da transparência: a luz era essencialmente a qualidade acidental dos corpos transparentes, revelada pelo fogo. Aristóteles sugeria que a óptica contempla uma teoria matemático-quantitativa da cor, que corresponde a uma teoria da medição da luz, assim ele afirma que a luz não era uma coisa material mas a qualidade que caracterizava a condição ou o estado de transparência: "Uma coisa se diz invisível porque não tem cor alguma, ou a tem somente em grau fraco". Enquanto Platão, seu mestre, acreditava na existência de átomos dotados de formas geométricas diversas, Aristóteles negava a existência das partículas e considerava que o espaço estava cheio de continuum, um material divisível ao infinito. A fundação da Alquimia se baseou nos ensinamentos de Aristóteles, curiosamente ele afirmou que as rochas e minerais cresciam no interior da Terra e, assim como os humanos, os minerais tentavam alcançar um estado de perfeição através do processo de crescimento, a perfeição do mineral seria quando ele se tornasse ouro. Considerado o fundador das ciências como uma disciplina, Aristóteles deixou obras naturalistas como História dos Animais, As partes dos animais e A geração dos animais, opúsculos como Marcha dos animais, Movimentos dos animais e Pequeno tratado de história natural e muitas outras obras sobre anatomia e botânica que se perderam e tratavam sobre o estudo de cerca de 400 animais que buscou classificar, tendo dissecado cerca de 50 deles. Também realizou observações anatômicas, embriológicas e etológicas detalhadas de animais terrestres e aquáticos (moluscos e peixes), fez observações sobre cetáceos e morcegos. Embora suas conclusões sejam, muitas vezes, equivocadas, sua obra não deixa de ser notável. Seus escritos de biologia e zoologia correspondem a mais de uma quinta parte de sua obra. Neles, trabalha sobre a noção de animal, a reprodução, a fisiologia e a classificação científica. Segundo alguns cientistas da atualidade, Aristóteles teria "descoberto" o DNA, por ele identificar a forma, isto é, o eidos preexistente no pai, que é reproduzido na prole. Aristóteles foi quem iniciou os estudos científicos documentados sobre peixes, sendo o precursor da ictiologia (a ciência que estuda os peixes). Catalogou mais de cem espécies de peixes marinhos e descreveu seu comportamento. É considerado como elemento histórico da evolução da piscicultura e da aquariofilia, separou mamíferos aquáticos de peixes e sabia que tubarões e raias faziam parte de grupo que chamou de Selachē (Chondrichthyes). Em sua obra De Moto Animalium (traduzido do latim, Do Movimento dos Animais), Aristóteles discorre especificamente sobre os princípios físicos que regem o movimento dos animais em geral, assim como as suas causas. No livro, Aristóteles postula que, para que houvesse o movimento de algum membro do animal, era necessária a existência de uma parte imóvel, a qual Aristóteles atribuía ser a origem do movimento. Para que o animal inteiro se desloque, no entanto, Aristóteles acreditava que era necessário algo em repouso absoluto em relação ao animal, e, apoiando-se neste ente imóvel, o animal desencadearia o deslocamento. Sobre a origem primordial do movimento em seres vivos, Aristóteles atribuía a mente e o desejo como causas primárias do movimento nos animais. Do ponto de vista biológico, Aristóteles pensava que o corpo feminino, sendo adequado para a reprodução, implica que ele tenha uma temperatura corporal diferente da do corpo masculino. Em sua teoria da herança, Aristóteles considerava a mãe como um elemento material passivo para a criança, enquanto o pai fornecia um elemento ativo e animador com a forma da espécie humana. Em sua Política, Aristóteles via as mulheres como superiores aos escravos; mas acreditava que o marido deveria exercer domínio político sobre a esposa. Entre as diferenças entre as mulheres e os homens estava o fato de serem, em sua opinião, mais impulsivas, mais compassivas, mais queixosas e mais enganosas. Por este motivo, Aristóteles foi visto como difusor de ideias misóginas e sexistas. No entanto, Aristóteles deu igual peso à felicidade das mulheres e à felicidade dos homens e comentou, em sua obra A Retórica, que uma sociedade não pode ser feliz a menos que as mulheres também estejam felizes. Sobre as mulheres, ainda disse que eram totalmente incapazes de serem amigas, e ele com certeza não esperava que a esposa se relacionasse com o marido em nível de igualdade. Aristóteles não escreveu extensivamente sobre questões sexuais, pois estava menos preocupado com os apetites sexuais do que Platão. Em um fragmento sobre amor físico em sua obra "Problemas", embora referindo-se ao tema com indulgência, parece ter feito distinção entre a homossexualidade congênita e adquirida. Em sua abordagem, permitiu que a mudança ocorresse de acordo com a natureza e, portanto, a maneira como a lei natural é incorporada poderia mudar com o tempo, uma ideia que Tomás de Aquino mais tarde incorporou à sua própria teoria da lei natural. O termo Metafísica não é aristotélico; o que hoje chamamos de metafísica era chamado por Aristóteles de "filosofia primeira", sendo por isso identificada com a teologia (theologikê), distinguindo-a da matemática e das ciências naturais (física) como filosofia contemplativa (teoretikú) que estuda o divino. A palavra "metafísica" parece ter sido cunhada pelo editor do primeiro século d.C. que reuniu várias pequenas seleções das obras de Aristóteles no tratado que conhecemos com o nome de Metafísica. Seu pensamento influenciou toda a filosofia medieval posterior na teologia das religiões abraâmicas, mas principalmente nas ciências, pela chamada filosofia natural. Aristóteles examina os conceitos de substância e essência (a ti enfat einai, "o quid que deveria ser") em sua Metafísica (Livro VII), e conclui que uma substância específica é uma combinação de matéria e forma, uma teoria filosófica chamada hilemorfismo. No livro VIII, ele distingue a matéria da substância como substrato, ou o material de que é composta. Para ele, a matéria propriamente dita é chamada prima materia, sem qualidades, que receberá as formas. Por exemplo, a matéria de uma casa são os tijolos, as pedras, as madeiras etc. ou o que quer que constitua a casa em potencial, enquanto a forma da substância é a casa real, ou seja, "abrangendo corpos e bens imóveis" ou qualquer outra diferença que permita nós definirmos algo como uma casa. A fórmula que fornece os componentes é o relato da matéria, e a fórmula que fornece a diferenciação é o relato da forma. Como seu professor Platão, a filosofia de Aristóteles visa o universal. A ontologia de Aristóteles enfatizava o universal (katholou) nos particulares (kath 'hekaston), coisas no mundo. Platão enfocava no universal enquanto forma existente separadamente, o qual as coisas reais imitam. Para Aristóteles, a "forma" ainda é a base dos fenômenos, mas é "instanciada" em uma substância específica. Sua sustentação da metafísica com pés firmes no empirismo postulou que os fenômenos devem ser observados para se definir quais são suas causas, por exemplo o movimento eterno dos astros na esfera celeste, e avançou defesas pela experiência, em continuidade ao que já aparecia nos pré-socráticos e às propostas socráticas nos diálogos platônicos, de que se deveria proceder induzindo para a verificação dos universais. Segundo Lambertus Marie de Rijk: "Ele toma seu ponto de partida da ousia sensível. Sua expressão desse objetivo é acompanhada de uma elaboração da ideia mencionada anteriormente (1029a32) de que, embora as condições ônticas primárias ou os primeiros princípios das coisas não sejam o que é familiar imediatamente, todo aprendizado deve proceder por indução daquilo que nos é familiar e daquilo que é inteligível em si." Esse projeto aristotélico foi traduzido em relatos antigos até a ciência da modernidade com a asserção de se "resgatar as aparências" (em grego, σῴζειν τὰ φαινόμενα, sôzein ta phainomena; "salvar os fenômenos") — fenômenos sendo os dados da sensopercepção psíquica que aparecem na mente, qualias como som, cor, sentido de palavras etc. observados e inteligíveis, em um estado de conhecimento pré-demonstrativo, que podem ser coligidos em faculdades cognitivas tais como endoxa (formação de opinião) e empeiria (experiência). Platão argumentou que todas as coisas têm uma forma universal, que pode ser uma propriedade ou uma relação com outras coisas. Quando olhamos para algo de cor vermelha, por exemplo, vemos um vermelho e também podemos analisar a forma do vermelho. Nesta distinção, há um vermelho específico e uma forma universal do vermelho (da qual todas as outras coisas vermelhas também participam). Além disso, podemos colocar uma coisa vermelha ao lado de um objeto azul, de modo que possamos falar de vermelho e azul como próximos um do outro. Platão argumentou que há uma distinção que separa o ser de uma coisa particular da verdadeira essência ôntica da Forma Ideal, transcendente — um vermelho imanente em uma instância não é o Vermelho real em si. Por conta dessa separação, Platão argumentou que existem algumas formas universais que podem não estar fazendo parte de coisas particulares. Por exemplo, é possível que não exista um bem particular, mas a Ideia do Bem ainda assim é uma forma universal adequada. Aristóteles discordou de Platão neste ponto, argumentando que todos os universais são instanciados em algum período de tempo. Além disso, Aristóteles discordou de Platão sobre a localização dos universais. Onde Platão falava do Mundo das Ideias transcendente, um lugar em que todas as formas universais subsistem, Aristóteles sustentava que os universais existem dentro de uma coisa subsistente (hypokeimenon) que contém as formas, expressando-as enquanto causa formal. Para ele, nada do que é universal é uma entidade subsistente. Portanto, de acordo com Aristóteles, a forma do vermelho existe dentro dos compostos forma-matéria com capacidade de serem coisas vermelhas."Segue-se claramente que nada universalmente atribuível existe além dos particulares. Mas aqueles que acreditam nas Formas, embora tenham razão em separá-las — desde que sejam entidades subsistentes — assumem erroneamente que o 'um sobre muitos' é uma forma. A causa do seu erro é a sua incapacidade de nos dizer quais são as ousiai (substâncias) desse tipo, aquelas ousiai imperecíveis que existem sobre e além dos sensíveis particulares. Eles os tornam, então, iguais em espécie aos sensíveis, pois esse tipo de ousia é familiar para nós, acrescentando o epíteto 'em si', como em 'Homem-em-si' e 'Cavalo-em-si'"–Metafísica 1040bApesar dessa reformulação crítica do que seria propriamente uma forma e a análise da substância e suas categorias visíveis, alguns estudiosos consideram que Aristóteles não abandonou em absoluto a teoria das Ideias transcendentes de Platão, pois ao longo de suas obras descreveu características que não estão manifestas em um objeto atual, por exemplo em sua teleologia ou implícito na sua teoria de Deus como um intelecto pensante. No que diz respeito à mudança (kinesis) e suas causas agora, como ele define em Física e Da Geração e da Corrupção 319b–320a, ele distingue o vir-a-ser de: # crescimento e diminuição, que é mudança de quantidade; # locomoção, que é mudança no espaço; e # alteração, que é a mudança na qualidade. O vir a ser é uma mudança em que nada persiste, do qual o resultante é uma propriedade. Nessa mudança em particular, ele introduz o conceito de potencialidade (dynamis) e atualidade (entelecheia) em associação com a matéria e a forma. Referindo-se à potencialidade, é aquilo que uma coisa é capaz de fazer, ser ou receber atuação sobre, se as condições forem corretas e não for impedido por outra coisa. Por exemplo, a semente de uma planta no solo é potencialmente (dynamei) planta e, se não for impedida por algo, tornar-se-á uma planta. Potencialmente, os seres podem ou "agir" (poiein) ou "sofrerem atuação sobre" (paschein), o que pode ser ou inato ou aprendido. Por exemplo, os olhos possuem a potencialidade da visão (ação inata), enquanto a capacidade de tocar flauta pode ser possuída pelo aprendizado (exercício — ação). Atualidade é a realização do fim da potencialidade. Como o fim é o princípio de toda mudança, e em prol do fim existe potencialidade, portanto a atualidade é a finalidade. Referindo-se então ao nosso exemplo anterior, poderíamos dizer que uma atualidade é quando uma planta realiza uma das atividades que a planta realiza. A palavra psychê (de que deriva nosso termo psicologia) costuma ser traduzida como "alma", e sob a rubrica psyche Aristóteles de fato inclui as características dos animais superiores que pensadores posteriores tendem a associar com a alma. Muitas das hipóteses de Aristóteles sobre a natureza da lembrança e dos esquecimentos deram origem a grande número de experimentos na área da aprendizagem. Sua doutrina da associação afirmava que a memória é facilitada quer pela semelhança e dessemelhança de um fato atual e um passado, quer por sua estreita relação no tempo e espaço. Aristóteles formulou teorias sobre desejos, apetites, dor e prazer, reações e sentimentos. Sua doutrina da catarse ensinava, por exemplo que os temores podem ser transferidos ao herói da tragédia — ideia que muito mais tarde veio formar uma das teses da psicanálise e da terapia do jogo. Alguns veem Aristóteles como o fundador da Ética, o que se justifica desde que consideremos a Ética como uma disciplina específica e distinta no corpo das ciências. Em suas aulas, Aristóteles fez uma análise do agir humano que marcou decisivamente o modo de pensar ocidental. O filósofo ensinava que todo o conhecimento e todo o trabalho visam a algum bem. O bem é a finalidade de toda a ação. A busca do bem é o que difere a ação humana da de todos os outros animais. Para Aristóteles, estudamos a ética, a fim de melhorar nossas vidas e, portanto, sua preocupação principal é a natureza do bem-estar humano. Aristóteles segue Sócrates e Platão ao dispor as virtudes no centro de uma vida bem vivida. Como Platão, ele considera as virtudes éticas (justiça, coragem, temperança etc.), como habilidades complexas racionais, emocionais e sociais, mas rejeita a ideia de Platão de que a formação em ciências e metafísica é um pré-requisito necessário para um entendimento completo de bem. Segundo ele, o que precisamos, a fim de viver bem, é uma apreciação adequada da maneira em que os bens tais como a amizade, o prazer, a virtude, a honra e a riqueza se encaixam como um todo. Para aplicar esse entendimento geral para casos particulares, devemos adquirir, através de educação adequada e hábitos, a capacidade de ver, em cada ocasião, qual curso de ação é mais bem fundamentada. Portanto, a sabedoria prática, como ele a concebe, não pode ser adquirida apenas ao aprender regras gerais, também deve ser adquirida através da prática. E essas habilidades deliberativas, emocionais e sociais é que nos permitem colocar nossa compreensão geral de bem-estar em prática em formas que são adequados para cada ocasião. Aristóteles propõe que a vida contemplativa (intelectual) traria uma felicidade maior e mais constante ao ser humano, quando comparada à vida política (procura da honra) e da vida baseada em prazeres sensoriais. A retórica de Aristóteles teve uma enorme influência sobre o desenvolvimento da arte da retórica. Não apenas sobre os autores que escrevem na tradição peripatética, mas também os famosos professores romanas de retórica, como Cícero e Quintiliano, frequentemente usaram elementos decorrentes aristotélicos. É na obra Retórica de Aristóteles que se assentam os primeiros dados cuja articulação passa a definir a Retórica como a "faculdade de descobrir especulativamente sobre todo dado o persuasivo". No proêmio do Livro I de sua Arte Retórica, ele se refere à possibilidade se ter uma técnica da retórica, de um método rigoroso não diferente do que seguem as ciências lógicas, políticas e naturais. É evidente a diferença entre as concepções de Aristóteles sobre a arte da oratória entre o Livro I e o Livro II, enquanto neste último destaca o estudo das paixões, desfazendo a caracterização da retórica como puramente dialética, no Livro I Aristóteles valoriza a função da sedução da alma. A retórica deve ser, portanto, demonstrativa e emocional. Aristóteles concedia às artes uma importância valiosa, na medida em que poderiam reparar as deficiências da natureza humana, contribuindo na formação moral dos indivíduos. Em Política, Aristóteles questiona a participação da música na educação, pois sua associação imediata com o prazer faz com que o autor oponha a música a qualquer atividade, pois esta parece se adequar melhor ao desfrute no tempo livre. No decorrer do texto, ele enfatiza que o ensino da música deve ter ênfase na escuta e não à prática instrumental, já que a execução de instrumentos se relaciona aos trabalhos manuais, atividade imprópria para a educação de um homem livre. Aristóteles foi o primeiro filósofo a consagrar todo um tratado, ainda que incompleto, ao exame do fenômeno poético, a Arte Poética. Ele propunha-se a refletir acerca do objeto estético, ou antes, acerca da criação do objeto estético. Em Arte Poética, o filósofo trata da arte poética a partir de duas perspectivas, a definição da poética como imitação e a apresentação da estrutura da poesia de acordo com suas diferentes espécies. No primeiro caso, reduz a essência da poética à imitação — que crê ser congênita no homem. A sua importância, contudo, deriva do fato de que a mimese é capaz de fornecer, ao ser humano, dois elementos essenciais: prazer e conhecimento. Aristóteles era um apurado colecionador sistemático de enigmas, folclores e provérbios, ele e sua escola tinham um interesse especial nos enigmas da Pítia e estudaram também as fábulas de Esopo. A política aristotélica é essencialmente unida à moral, porque o fim último do estado é a virtude, isto é, a formação moral dos cidadãos e o conjunto dos meios necessários para isso. O estado é um organismo moral, condição e complemento da atividade moral individual, e fundamento primeiro da suprema atividade contemplativa. A política, contudo, é distinta da moral, porquanto esta tem como objetivo o indivíduo, aquela a coletividade. A ética é a doutrina moral individual, a política é a doutrina moral social. Desta ciência trata Aristóteles precisamente na Política, de que acima se falou. Em Ética a Nicômaco Aristóteles descreve o assunto como ciência política, que ele caracteriza como a ciência mais confiável. Ela prescreve quais as ciências são estudadas na cidade-estado, e os outros — como a ciência militar, gestão doméstica e retórica — caem sob a sua autoridade. Desde que rege as outras ciências práticas, suas extremidades servem como meios para o seu fim, que é nada mais nada menos do que o bem humano. Aristóteles defendia que uma das causas da escravidão era a dívida, o que ele classificava como uma "má escravidão". De acordo com a distinção que se origina com o próprio Aristóteles, seus escritos são divididos em dois grupos: os "exotéricos" e os "esotéricos". É difícil para muitos leitores modernos aceitar que alguém pudesse tão seriamente admirar o estilo daquelas obras atualmente disponíveis para nós. No entanto, alguns estudiosos modernos têm advertido que não podemos saber ao certo se o elogio de Cícero foi dirigido especificamente para as obras exotéricas. Alguns estudiosos modernos têm realmente admirado o estilo de escrita concisa encontrado nas obras existentes de Aristóteles. As obras de Aristóteles que sobreviveram desde a antiguidade através da transmissão de manuscrito medieval são coletados no Corpus Aristotelicum. Esses textos, ao contrário de obras perdidas de Aristóteles, são tratados filosóficos técnicos de dentro da escola de Aristóteles. A referência a eles é feita de acordo com a organização da edição da obra de August Immanuel Bekker (Aristotelis Opera edidit Academia Regia Borussica, Berlin, 1831–1870) pela Academia Real da Prússia, que por sua vez é baseado em classificações antigas dessas obras. Acredita-se que a maior parte de sua obra tenha sido perdida, e apenas um terço de seus trabalhos tenham sobrevivido. Mais de 2300 anos depois de sua morte, Aristóteles continua sendo uma das pessoas mais influentes que já viveram. Ele contribuiu para quase todos os campos do conhecimento humano e foi o fundador de muitas áreas novas. De acordo com o filósofo Bryan Magee, "é duvidoso que qualquer ser humano saiba o tanto quanto ele sabia". Entre inúmeras outras realizações, Aristóteles foi o fundador da lógica formal e pioneiro no estudo da zoologia, deixando cada futuro cientista e filósofo em débito para com ele por suas contribuições para o método científico. O aluno e sucessor de Aristóteles, Teofrasto, escreveu a obra Historia Plantarum, uma obra pioneira em botânica. Alguns de seus termos técnicos permanecem em uso, como carpelo. Teofrasto preocupou-se muito menos com as causas formais do que Aristóteles, descrevendo pragmaticamente como as plantas funcionavam. A influência da obra de Aristóteles foi sentida quando o Liceu se transformou na Escola peripatética. Entre os estudantes notáveis de Aristóteles estão Aristóxenes, Dicearco, Eudemo de Rodes, Demétrio de Faleros, Hárpalo, Heféstion, Mênon, Mnason de Fócis, Nicômaco e Teofrasto. O primeiro professor de medicina de Alexandria, Herófilo de Calcedônia, corrigiu Aristóteles, colocando a inteligência no cérebro e conectando o sistema nervoso ao movimento e à sensação. Herófilo também distinguiu entre veias e artérias, observando que as últimas pulsam enquanto as primeiras não. Embora alguns atomistas antigos, como Lucrécio, tenham desafiado o ponto de vista teleológico das ideias aristotélicas sobre a vida, a teleologia (e após o surgimento do cristianismo, a teologia natural) permaneceria central para o pensamento biológico essencialmente até os séculos XVIII e XIX. Ernst Mayr afirma que não houve "nada de real consequência na biologia depois de Lucrécio e Galeno até o Renascimento". Os escribas cristãos gregos desempenharam um papel crucial na preservação das obras de Aristóteles, copiando todos os manuscritos gregos existentes do "corpus". Os primeiros cristãos gregos que muito comentaram sobre Aristóteles foram João Filopono, Elias e David, no, e Estéfano de Alexandria no início do . Aristóteles foi um dos pensadores ocidentais mais reverenciados no início da teologia islâmica. A maioria das obras ainda existentes de Aristóteles, bem como vários comentários gregos originais, foram traduzidas para o árabe e estudadas por filósofos, cientistas e estudiosos muçulmanos. Averroes, Avicena e Alpharabius, que escreveram sobre Aristóteles em grande profundidade, também influenciaram Tomás de Aquino e outros filósofos escolásticos cristãos ocidentais. Estudiosos muçulmanos medievais descreviam regularmente Aristóteles como o "Primeiro Mestre". O título foi posteriormente usado por filósofos ocidentais (como no famoso poema de Dante) que foram influenciados pela tradição da filosofia islâmica. Com a perda do estudo do grego antigo no início da Idade Média Ocidental Latina, Aristóteles ficou praticamente desconhecido de c. 600 DC a c. 1100, com exceção da tradução latina do Organon feita por Boécio. Maimônides (considerado a principal figura intelectual do judaísmo medieval) adotou o aristotelismo dos estudiosos islâmicos que se tornou fundamento para seu Guia dos Perplexos, base de toda a filosofia escolástica judaica. Maimônides também considerou Aristóteles o maior filósofo que já existiu e o denominou como o "chefe dos filósofos". Além disso, em sua carta a Samuel ibn Tibbon, Maimonides observa que não há necessidade de Samuel estudar os escritos de filósofos que precederam Aristóteles porque as obras deste último são "suficientes por si mesmas e [superiores] a tudo o que foi escrito antes deles. Seu intelecto, o de Aristóteles, é o limite extremo do intelecto humano, além daquele sobre quem a emanação divina fluiu a tal ponto que atingem o nível da profecia, não havendo nível superior". No início do período moderno, cientistas como William Harvey na Inglaterra e Galileu Galilei na Itália reagiram contra as teorias de Aristóteles e as de outros pensadores da era clássica como Galeno, estabelecendo novas teorias baseadas até certo ponto na observação e na experiência. Harvey demonstrou a circulação do sangue, estabelecendo que o coração funcionava como uma bomba, em vez de ser a sede da alma e o controlador do calor do corpo, como pensava Aristóteles. ​​Galileu propôs que todos os corpos caem na mesma velocidade, independentemente de seu peso. Apesar dessas realizações, a influência dos erros de Aristóteles é considerada por alguns como tendo sido de grande empecilho para o desenvolvimento da ciência. Bertrand Russell observa que "quase todo o avanço intelectual sério teve de começar com um ataque a alguma doutrina aristotélica". Russell também se refere à ética de Aristóteles anacronicamente como "repulsiva", e sobre sua lógica disse ser "definitivamente antiquada como a astronomia ptolomaica". Russell observa que esses erros tornam difícil fazer uma justiça histórica a Aristóteles, até o momento em que lembramo-nos de quão grande foi o avanço que ele fez em cima de todos os seus predecessores. Karl Marx, influenciado pela distinção entre valor de troca e valor de uso de Aristóteles, considerava Aristóteles o "maior pensador da antiguidade" e o chamava de "pensador gigante" e um "gênio". Charles Darwin considerou Aristóteles como o mais importante contribuinte para o assunto da biologia. Em uma carta de 1882, ele escreveu que "Linnaeus e Cuvier foram meus dois deuses, embora de maneiras muito diferentes, mas eram meros alunos do velho Aristóteles". Além disso, em edições posteriores do livro " A Origem das Espécies ", Darwin traçou ideias evolutivas até Aristóteles; o texto que ele cita é um resumo de Aristóteles das ideias dos primeiros Filósofo grego Empédocles. Aristotle, The Complete Works of Aristotle (ed. J. Barnes), Princeton: Princeton University Press. *. [ Nova Escola — Reportagem — Aristóteles], [ Artigo introdutório sobre Aristóteles], [ Obras de Aristóteles na Biblioteca Nacional de Portugal] ; Escritos de Aristóteles (coleções), [ Obras completas pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa] ; em inglês, (inglês e alemão), ; em francês,
Esta lista de aves do Brasil inclui as espécies de aves com registros confirmados no Brasil. De acordo com a Lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos, até 2015 haviam sido identificadas 1919 espécies de aves no Brasil. Na atualização de 2021 a lista reconhecia a ocorrência de 1971 espécies no país. Observações:, A lista segue a última versão do CBRO, de julho de 2021. Um único nome popular tem caráter meramente instrumental e de restrição do tamanho do anexo, não devendo ser levado como tentativa de normatização;, Para outros nomes populares, sinônimos, subespécies e comentários taxonômicos, vide o artigo de cada espécie em particular. Legenda:, E = Endêmica, I = Introduzida, VA = Vagante, V = Visitante, D = Desconhecido, Ex = Extinto, ExN = Extinto na natureza, PO = Possível ocorrência Espécies não marcadas constituem R, ou seja, são residentes no território nacional. Família Rheidae, Rhea americana - Ema Família Tinamidae, Tinamus tao - Azulona, Tinamus solitarius - Macuco, Tinamus major - Inhambu-serra, Tinamus guttatus - Inhambu-galinha, Crypturellus cinereus - Inhambu-pixuna, Crypturellus soui - Tururim, Crypturellus obsoletus - Inhambuguaçu, Crypturellus undulatus - Jaó, Crypturellus strigulosus - Inhambu-relógio, Crypturellus duidae - Inhambu-de-pé-cinza, Crypturellus erythropus - Inhambu-de-perna-vermelha, Crypturellus zabele - Zabelê E, Crypturellus noctivagus - Jaó-do-sul E, Crypturellus atrocapillus - Inhambu-de-coroa-preta, Crypturellus variegatus - Inhambu-anhangá, Crypturellus brevirostris - Inhambu-carijó, Crypturellus bartletti - Inhambu-anhangaí, Crypturellus parvirostris - Inhambu-chororó, Crypturellus tataupa - Inhambu-chintã, Rhynchotus rufescens - Perdiz, Nothura boraquira Codorna-do-nordeste, Nothura minor - Codorna-mineira E, Nothura maculosa - Codorna-amarela, Taoniscus nanus - Codorna-carapé Família Anhimidae, Anhima cornuta - Anhuma, Chauna torquata - Tachã Família Anatidae Subfamília Dendrocygninae, Dendrocygna bicolor - Marreca-caneleira, Dendrocygna viduata - Irerê, Dendrocygna autumnalis - Marreca-cabocla Subfamília Anserinae, Cygnus melancoryphus - Cisne-de-pescoço-preto, Coscoroba coscoroba - Capororoca Subfamília Anatinae, Neochen jubata - Pato-corredor *Chloephaga picta - Ganso-de-magalhães VA, Cairina moschata - Pato-do-mato, Sarkidiornis sylvicola - Pato-de-crista, Callonetta leucophrys - Marreca-de-coleira, Amazonetta brasiliensis - Marreca-ananaí, Spatula versicolor - Marreca-cricri, Spatula platalea - Marreca-colhereira, Spatula discors - Marreca-de-asa-azul VA, Spatula cyanoptera - Marreca-colorada VA, Mareca sibilatrix - Marreca-oveira V, Anas bahamensis - Marreca-toicinho, Anas acuta - Arrabio VA, Anas georgica - Marreca-parda, Anas flavirostris Marreca-pardinha, Netta erythrophthalma - Paturi-preta, Netta peposaca - Marrecão V, Mergus octosetaceus - Pato-mergulhão, Heteronetta atricapilla - Marreca-de-cabeça-preta, Nomonyx dominicus - Marreca-caucau, Oxyura vittata - Marreca-rabo-de-espinho V Família Cracidae, Penelope marail - Jacumirim, Penelope superciliaris - Jacupemba, Penelope jacquacu - Jacu-de-spix, Penelope obscura - Jacuguaçu, Penelope pileata - Jacupiranga E, Penelope ochrogaster - Jacu-de-barriga-castanha E, Penelope jacucaca - Jacucaca E, Aburria cumanensis - Jacutinga-de-garganta-azul, Aburria cujubi - Cujubi, Aburria jacutinga - Jacutinga, Ortalis canicollis - Aracuã-do-pantanal, Ortalis guttata - Aracuã-pintado *Ortalis remota - Aracuã-guarda-faca E, Ortalis araucuan - Aracuã-de-barriga-branca E, Ortalis squamata - Aracuã-escamoso, Ortalis motmot - Aracuã-pequeno *Ortalis ruficeps - Aracuãzinho, Ortalis superciliaris - Aracuã-de-sobrancelhas E, Nothocrax urumutum - Urumutum, Crax alector - Mutum-poranga, Crax globulosa - Mutum-de-fava, Crax fasciolata - Mutum-de-penacho, Crax blumenbachii - Mutum-de-bico-vermelho E, Pauxi tomentosa Mutum-do-norte, Pauxi tuberosa Mutum-cavalo, Pauxi mitu Mutum-do-nordeste ExN E Família Odontophoridae, Colinus cristatus - Uru-do-campo, Odontophorus gujanensis - Uru-corcovado, Odontophorus capueira - Uru, Odontophorus stellatus - Uru-de-topete Família Phoenicopteridae, Phoenicopterus chilensis - Flamingo-chileno S, Phoenicopterus ruber - Flamingo, Phoenicoparrus andinus – Flamingo-dos-andes VA, Phoenicoparrus jamesi - Flamingo-da-puna VA Família Podicipedidae, Rollandia rolland - Mergulhão-de-orelha-branca, Tachybaptus dominicus - Mergulhão-pequeno, Podilymbus podiceps - Mergulhão-caçador, Podicephorus major - Mergulhão-grande, Podiceps occipitalis - Mergulhão-de-orelha-amarela VA Família Eurypygidae, Eurypyga helias - Pavãozinho-do-pará Família Phaethontidae, Phaethon aethereus - Rabo-de-palha-de-bico-vermelho, Phaethon rubricauda - Rabo-de-palha-de-cauda-vermelha VA, Phaethon lepturus - Rabo-de-palha-de-bico-laranja Família Spheniscidae, Aptenodytes patagonicus - Pinguim-rei VA, Spheniscus magellanicus - Pinguim-de-magalhães V, Eudyptes chrysolophus - Pinguim-macaroni VA, Eudyptes chrysocome - Pinguim-de-penacho-amarelo VA Família Diomedeidae, Diomedea epomophora - Albatroz-real V, Diomedea sanfordi - Albatroz-real-do-norte VA, Diomedea exulans - Albatroz-errante V, Diomedea dabbenena - Albatroz-de-tristão V, Phoebetria fusca - Piau-preto VA, Phoebetria palpebrata - Piau-de-costas-claras VA, Thalassarche chlororhynchos - Albatroz-de-nariz-amarelo V, Thalassarche melanophris - Albatroz-de-sobrancelha V, Thalassarche chrysostoma - Albatroz-de-cabeça-cinza VA, Thalassarche cauta - Albatroz-de-coroa-branca VA Família Oceanitidae, Fregetta grallaria - Painho-de-barriga-branca V, Fregetta tropica - Painho-de-barriga-preta VA, Oceanites oceanicus - Alma-de-mestre V, Pelagodroma marina - Calcamar VA Família Hydrobatidae, Hydrobates leucorhous - Painho-de-cauda-furcada V Família Procellariidae, Macronectes giganteus - Petrel-grande V, Macronectes halli - Petrel-grande-do-norte V, Fulmarus glacialoides - Pardelão-prateado V, Daption capense - Pomba-do-cabo V, Lugensa brevirostris - Grazina-de-bico-curto VA, Pterodroma madeira - Grazina-da-madeira PO, Pterodroma deserta - Grazina-de-desertas PO, Pterodroma mollis - Grazina-delicada V, Pterodroma incerta - Grazina-de-barriga-branca V, Pterodroma lessonii - Grazina-de-cabeça-branca VA, Pterodroma macroptera - Fura-bucho-de-cara-cinza VA, Pterodroma arminjoniana - Grazina-de-trindade, Halobaena caerulea - Petrel-azul V, Pachyptila vittata - Faigão-de-bico-largo VA, Pachyptila desolata - Faigão-rola V, Pachyptila belcheri - Faigão-de-bico-fino V, Bulweria bulwerii - Alma-negra V, Procellaria cinerea - Pardela-cinza VA, Procellaria aequinoctialis - Pardela-preta V, Procellaria conspicillata - Pardela-de-óculos V, Calonectris diomedea - Cagarra-do-mediterrâneo VA, Calonectris borealis - Cagarra-grande V, Calonectris edwardsii - Cagarra-de-cabo-verde V, Ardenna tenuirostris - Pardela-de-cauda-curta VA, Ardenna grisea - Pardela-escura V, Ardenna gravis - Pardela-de-barrete V, Puffinus puffinus - Pardela-sombria V, Puffinus boydi - Pardela-de-cabo-verde V, Puffinus lherminieri - Pardela-de-asa-larga Família Pelecanoididae, Pelecanoides magellani - Petrel-mergulhador VA Família Ciconiidae, Ciconia maguari - Maguari, Jabiru mycteria - Tuiuiú, Mycteria americana - Cabeça-seca Família Fregatidae, Fregata trinitatis - Fragata-pequena, Fregata aquila - Fragata-de-ascensão, Fregata magnificens - Fragata, Fregata minor - Fragata-grande Família Sulidae, Morus bassanus - Atobá-boreal VA, Morus capensis - Atobá-do-cabo VA, Morus serrator - Atobá-australiano VA, Sula dactylatra - Atobá-grande, Sula sula - Atobá-de-pé-vermelho, Sula leucogaster - Atobá-pardo Família Anhingidae, Anhinga anhinga - Biguatinga Família Phalacrocoracidae, Nannopterum brasilianum - Biguá Família Pelecanidae, Pelecanus occidentalis - Pelicano VA Família Ardeidae, Tigrisoma lineatum - Socó-boi, Tigrisoma fasciatum - Socó-jararaca, Agamia agami - Garça-da-mata, Cochlearius cochlearius - Arapapá, Zebrilus undulatus - Socoí-zigue-zague, Botaurus pinnatus - Socó-boi-baio, Ixobrychus exilis - Socoí-vermelho, Ixobrychus involucris – Socoí-amarelo, Nycticorax nycticorax - Socó-dorminhoco, Nyctanassa violacea - Savacu-de-coroa, Butorides striata – Socozinho, Ardeola ralloides - Garça-caranguejeira VA, Bubulcus ibis - Garça-vaqueira, Ardea cinerea - Garça-moura-europeia VA, Ardea herodias - Garça-azul-grande PO, Ardea cocoi - Garça-moura, Ardea purpurea - Garça-roxa VA, Ardea alba - Garça-branca-grande, Syrigma sibilatrix - Maria-faceira, Pilherodius pileatus - Garça-real, Egretta tricolor - Garça-tricolor, Egretta gularis – Garça-negra VA, Egretta garzetta - Garça-pequena-europeia VA, Egretta thula Garça-branca-pequena, Egretta caerulea Garça-azul Família Threskiornithidae, Eudocimus ruber - Guará, Plegadis chihi - Caraúna, Cercibis oxycerca - Trombeteiro, Mesembrinibis cayennensis - Coró-coró, Phimosus infuscatus - Tapicuru, Theristicus caerulescens - Curicaca-real, Theristicus caudatus - Curicaca, Platalea leucorodia - Colhereiro-europeu VA, Platalea ajaja - Colhereiro Família Cathartidae, Sarcoramphus papa - Urubu-rei, Coragyps atratus - Urubu-preto, Cathartes aura - Urubu-de-cabeça-vermelha, Cathartes burrovianus - Urubu-de-cabeça-amarela, Cathartes melambrotus - Urubu-da-mata Família Pandionidae, Pandion haliaetus - Águia-pescadora V Família Accipitridae, Gampsonyx swainsonii - Gaviãozinho, Elanus leucurus - Gavião-peneira, Chondrohierax uncinatus - Gavião-caracoleiro, Leptodon cayanensis - Gavião-gato, Leptodon forbesi – Gavião-gato-do-nordeste D E, Elanoides forficatus - Gavião-tesoura, Morphnus guianensis - Uiraçu, Harpia harpyja - Gavião-real, Spizaetus tyrannus - Gavião-pega-macaco, Spizaetus melanoleucus - Gavião-pato, Spizaetus ornatus - Gavião-de-penacho, Busarellus nigricollis - Gavião-belo, Rostrhamus sociabilis - Gavião-caramujeiro, Helicolestes hamatus - Gavião-do-igapó, Harpagus bidentatus - Gavião-ripina, Harpagus diodon - Gavião-bombachinha, Ictinia mississippiensis - Sovi-do-norte V, Ictinia plumbea - Sovi, Circus cinereus - Gavião-cinza, Circus buffoni - Gavião-do-banhado, Hieraspiza superciliosa - Tauató-passarinho, Accipiter poliogaster - Tauató-pintado, Accipiter striatus - Tauató-miúdo, Accipiter bicolor - Gavião-bombachinha-grande, Milvus migrans - Milhafre-preto VA, Geranospiza caerulescens - Gavião-pernilongo, Buteogallus schistaceus - Gavião-azul, Buteogallus aequinoctialis - Gavião-caranguejeiro, Heterospizias meridionalis - Gavião-caboclo, Amadonastur lacernulatus - Gavião-pombo-pequeno E, Urubitinga urubitinga - Gavião-preto, Urubitinga solitaria - Águia-solitária, Urubitinga coronata - Águia-cinzenta, Rupornis magnirostris – Gavião-carijó, Parabuteo unicinctus - Gavião-asa-de-telha, Parabuteo leucorrhous - Gavião-de-sobre-branco, Geranoaetus albicaudatus - Gavião-de-rabo-branco, Geranoaetus melanoleucus - Águia-serrana, Pseudastur albicollis - Gavião-branco, Pseudastur polionotus - Gavião-pombo-grande, Leucopternis melanops - Gavião-de-cara-preta, Leucopternis kuhli - Gavião-vaqueiro, Buteo nitidus - Gavião-pedrês, Buteo platypterus - Gavião-de-asa-larga V, Buteo brachyurus - Gavião-de-cauda-curta, Buteo swainsoni - Gavião-papa-gafanhoto V, Buteo albonotatus - Gavião-urubu Família Aramidae, Aramus guarauna – Carão Família Psophiidae, Psophia napensis - Jacamim-do-napo, Psophia crepitans - Jacamim-de-costas-cinzentas, Psophia ochroptera - Jacamim-de-costas-amarelas E, Psophia leucoptera - Jacamim-de-costas-brancas, Psophia viridis - Jacamim-de-costas-verdes E, Psophia dextralis - Jacamim-de-costas-marrons E, Psophia interjecta - Jacamim-do-xingu E, Psophia obscura - Jacamim-de-costas-escuras E Família Rallidae, Crex crex - Codornizão VA, Rallus longirostris - Saracura-matraca, Porphyrio martinica - Frango-d'água-azul, Porphyrio alleni - Frango-d'água-africano, Porphyrio flavirostris - Frango-d'água-pequeno, Anurolimnas castaneiceps - Sanã-de-cabeça-castanha, Rufirallus viridis - Sanã-castanha, Laterallus fasciatus - Sanã-zebrada, Laterallus flaviventer Sanã-amarela, Laterallus melanophaius - Sanã-parda, Laterallus exilis - Sanã-do-capim, Laterallus jamaicensis - Sanã-preta VA, Laterallus spilopterus - Sanã-cinza, Laterallus leucopyrrhus - Sanã-vermelha, Laterallus xenopterus - Sanã-de-cara-ruiva D, Coturnicops notatus - Pinto-d'água-carijó, Micropygia schomburgkii - Maxalalagá, Mustelirallus albicollis - Sanã-carijó, Neocrex erythrops - Turu-turu, Pardirallus maculatus - Saracura-carijó, Pardirallus nigricans - Saracura-sanã, Pardirallus sanguinolentus – Saracura-do-banhado, Amaurolimnas concolor - Saracura-lisa, Aramides ypecaha - Saracuruçu, Aramides mangle - Saracura-do-mangue, Aramides cajaneus - Saracura-três-potes, Aramides calopterus - Saracura-de-asa-vermelha, Aramides saracura - Saracura-do-mato, Porphyriops melanops - Galinha-d'água-carijó, Porzana carolina - Sora VA, Paragallinula angulata - Galinha-d'água-pequena VA, Gallinula galeata – Galinha-d'água, Fulica rufifrons - Carqueja-de-escudo-vermelho, Fulica armillata - Carqueja-de-bico-manchado, Fulica leucoptera - Carqueja-de-bico-amarelo Família Heliornithidae, Heliornis fulica - Picaparra Família Charadriidae, Pluvialis dominica - Batuiruçu V, Pluvialis squatarola - Batuiruçu-de-axila-preta V, Oreopholus ruficollis - Batuíra-de-papo-ferrugíneo V, Vanellus cayanus - Mexeriqueira, Vanellus chilensis – Quero-quero, Charadrius sp. - Batuíra-mascarada V, Alcântara, A. Fauna e Flora Brasileiras São Paulo: BEI. 2008. 160p. Branco, J. O. Aves Marinhas e Insulares Brasileiras: Bioecologia e Conservação Itajaí: Univali. 2004. 266p. Noveli, R. Aves Marinhas Costeiras Do Brasil (Identificação e Biologia). Porto Alegre: Cinco Continentes Editora. 1997. 92p. Sick, H. Ornitologia Brasileira. 4ª reimpressão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004. 912 p. Souza, D. Todas as Aves do Brasil - Guia de Campo para identificação. 2ª ed. Londrina: Dall, 2004. 256 p.
A Albânia, oficialmente República da Albânia, é um pequeno país montanhoso da península Balcânica, no sudeste da Europa. Tem uma área total de 28,748 km² e uma população de quase 3 milhões de habitantes. Situada na borda ocidental da península Balcânica, limita-se ao norte com o Montenegro, a nordeste com o Kosovo, a leste com Macedônia do Norte e Grécia e ao sul e oeste com o Mar Adriático, do outro lado do qual se encontra a Itália. A língua oficial é o albanês. Segundo dados de 2011, cerca de 53% da população da Albânia vive em zonas urbanas (dos quais cerca de 25% vivem na capital Tirana), e 47% em zonas rurais. Em 2012, existiam na Albânia aproximadamente 120 000 automóveis. A Albânia foi uma nação socialista da Segunda Guerra Mundial até 1992. Todavia, rompeu relações com a ex-União Soviética em 1961, e aliou-se à China. O rompimento com a União Soviética separou a Albânia dos contatos com a maioria dos outros países. Conquistou sua independência em 1912. Seu nome em albanês é Shqipëria, que significa A Terra da Águia. O nome oficial da Albânia é Republika e Shqipërisë (República da Albânia). Tirana, com cerca de 454 000 habitantes, é a capital e maior cidade do país. O reino de Epiro, com capital em Janina, distinguira-se dos demais e conheceu sob Pirro (c. 295–) da dinastia dos molossos uma era de esplendor. Pirro fez guerra aos romanos e bateu-os, sofrendo perdas consideráveis, em Heracleia e Ásculo . Daí a expressão "vitória de Pirro". Ocupou depois, por algum tempo, a Sicília. Derrotado em Benevento por Cúrio Dentato abandonou suas pretensões na península Itálica pela conquista do Peloponeso e morreu em Argos. O país permaneceu, todavia, sob domínio bizantino até o . Foi conquistado, então (c. 870), pelos búlgaros. Em 1018, foi reconquistado pelos bizantinos . Nos séculos XI e XII, amiudaram-se as invasões normandas, encabeçadas por Roberto Guiscardo e por seu filho Boemundo. Roberto tomou Dirráquio em 1082, vencendo a resistência do imperador Aleixo I Comneno. O nome Albânia reaparece então no relato que fez sua filha, Ana Comnena, sobre o episódio. A oportunidade para a sublevação nacional foi a guerra turco-húngara de 1443. Murade II, de quem Skanderbeg fora ironicamente o favorito, enviou contra ele o seu melhor general. Batidos na fronteira, os turcos acabaram por firmar uma trégua . Teve curta duração. Em 1466 e 1467, os turcos voltaram e por duas vezes puseram sítio a Croia . Da primeira, o próprio sultão, já a essa altura, comandou o ataque, com 200 000 homens. A praça resistiu. Em 1830 houve o massacre de Monastir; em 1831, a tomada de Shkodér, que fora sede, até 1796, do paxá Karamahmut; em 1839, as reformas chamadas de Tanzimat, que instalaram um novo modelo de administração; em 1847, a revolta geral dos albaneses contra os turcos. O movimento nativista procurou, então, outros caminhos. Fundaram-se escolas para a difusão da língua, editaram-se livros, e veio a lume o primeiro jornal, Drita. Mas a liga de Prizren teve de ser dissolvida. A revolução dos jovens Turcos deu novo ânimo aos patriotas, que passaram a reclamar uma Albânia autônoma no seio do império. As potências indicaram Guilherme de Wied, príncipe renano, como rei da Albânia. Não conseguiu governar. Os gregos tomaram Gjirokaster os montenegrinos Scutári e uma revolta de inspiração turca rebentou em Tirana. O soberano, que assumira em março de 1914, retirou-se em 3 de setembro. Na Conferência de Paris, o presidente Wilson impediu a partilha do seu território entre os vizinhos, mas só na Conferência dos Embaixadores foram reconhecidas como válidas as suas fronteiras de 1913. Desde 1920, tinha formado governo próprio, sob Suleiman Delvina, escolhera Tirana para capital e entrara para a Sociedade das Nações. As forças de ocupação deixaram, então, o país: primeiro os aliados, franceses e italianos, por fim os iugoslavos. Não foram fáceis os primeiros anos do pós-guerra. A única figura notável é a de Ahmed Zogu, jovem senhor feudal do Mati, chefe do clã dos Zogoli, que se fez ministro do Interior de 1920 a 1922 e primeiro-ministro de 1922 a 1924. Uma revolução liberal derrubou-o em junho, mas em dezembro voltava ao país, com recursos e homens reunidos na Iugoslávia. Aliou a Albânia à Itália por dois tratados (1926–1927) e, um ano mais tarde, passava de presidente da república a rei, como Zog I. Sua carreira se confunde, até 1939, com a história da Albânia. Ditador, restabeleceu a ordem, mas governou apoiado na gendarmaria e nos latifundiários. A Itália, que investira grandes capitais no país, fundara e financiara o Banco da Albânia ; financiou também a ditadura com empréstimos sucessivos, por motivos políticos. Ao fim, Mussolini resolveu intervir. Depois de apresentar uma lista de exigências extremas, como a união aduaneira e o estacionamento de forças armadas, invadiu o país na sexta-feira da Paixão de 1939. Zog fugiu e uma assembleia fantoche deu a coroa da Albânia a Vítor Emanuel III. A ocupação italiana durou de 1939 a 1944. O país, foi colonizado e adaptado ao modelo fascista. Em 1940, serviu de base à conquista italiana da Grécia. Em 1941, ao ataque alemão. Deu-se nesse ano o atentado de Vasil Laci contra o Vítor Emanuel III, em visita oficial. À rendição italiana, seguiu-se a proclamação pela Alemanha da independência da Grande Albânia étnica e a luta pela hegemonia entre os diversos movimentos da resistência. os remanescentes alemães enquanto o comitê se transformava em governo provisório e obtinha reconhecimento internacional. Em 1945, as eleições gerais para a assembleia constituinte deram maioria maciça a Hoxha, e o partido comunista assumiu o poder. A Albânia voltara às fronteiras de 1913. A reconstrução foi penosa e a repressão interna sem quartel. A Constituição de 1946 criou a República Popular da Albânia. Sua política moldou-se de início à da ex-União Soviética, a ponto de romper com a Iugoslávia em 1948. Mas já em 1961, ao tempo de Khrushchev, rompia com a ex-União Soviética. A partir daí, a Albânia seguiu a linha chinesa. Em 1968, o país retirou-se do Pacto de Varsóvia, ao qual aderira em 1955. A hostilidade contra a Iugoslávia permaneceu aguda. Em dezembro de 1976 entrou em vigor uma nova constituição que declarava a Albânia uma República Socialista Popular e reafirmava a política de autossuficiência. O governo albanês foi o único a recusar a destalinização em 1956. A Albânia era a ditadura mais severa da Europa. O governo implementou reformas destinadas à modernização económica e alcançou resultados significativos na industrialização, desenvolvimento agrícola, educação, artes e cultura, o que contribuiu para um aumento geral do nível de vida. Em 1978, a Albânia rompeu relações com a China, pondo fim a um longo processo de cooperação que se iniciara em 1963 com uma visita a Tirana do primeiro-ministro Chu En-Lai. O rompimento com a China acentuou o isolamento internacional da Albânia, que só voltaria a normalizar suas relações internacionais no final dos anos 1980. e se estende pelos mares Adriático e Jônico. Cerca de setenta por cento do país é montanhoso ou de colinas e normalmente inacessível do exterior. A maior montanha é o Monte Korab, situado no distrito de Dibër, na fronteira com a Macedônia do Norte, atingindo 2 753 m. O clima na costa é tipicamente mediterrânico, com invernos úmidos e verões quentes, ensolarados e secos. As condições dependem muito da altitude. As áreas acima de 1 500 m são frias, com ocorrência de neve no inverno, podendo esta permanecer até a primavera. Além da capital, Tirana, que tem 800 000 habitantes, as cidades principais são Durrës, Korçë, Elbasan, Shkodër, Gjirokastër, Vlorë e Kukës. Na gramática albanesa, uma palavra pode ter formas definidas e indefinidas e isso também se aplica aos nomes das cidades: tanto Tiranë e Tirana, Shkodër e Shkodra são usados. Os três maiores e mais profundos lagos tectônicos da Península Balcânica estão parcialmente localizados na Albânia. O Lago Escútare no nordeste do país tem uma superfície que varia entre 370 e 530 km2, dos quais um terço pertence a Albânia e o resto a Montenegro. O Lago de Ocrida, situado no sudeste do país, é compartilhado entre a Albânia e a Macedônia do Norte. Possui uma profundidade máxima de 289 m e uma variedade única de flora e fauna, incluindo "fósseis vivos" e outras espécies endêmicas. Por causa do seu valor natural e histórica, o Lago Acrida está sob proteção da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Há também o Lago Butrinti, que é um pequeno lago tectônico localizado no Parque Nacional de Butrinte. A Albânia faz parte do sistema de Montanhas Dináricas, formado durante o Terciário e que se estende de noroeste para sudoeste, influenciando fortemente a orografia. De um modo geral, o relevo do país assemelha-se a um anfiteatro de elevadas montanhas e de platôs recortados, bordejando as terras baixas do litoral. Na região setentrional encontram-se os Alpes Albaneses do Norte, série de elevadas montanhas e platôs que tem como ponto culminante o Maja Jezercit (2 695 m), A sudoeste da região alpina localizam-se os Planaltos de Cukali, cujas altitudes variam entre 900 e 1 500 m. A Zona da Serpentina estende-se desde o sudoeste dos Alpes até próximo à fronteira com a Grécia. Paralelos a essa zona erguem-se os Planaltos Centrais, que têm como limites naturais as Planícies Costeiras e os Planaltos do Sudoeste. Há ainda a região dos Planaltos Orientais e dos Lagos Macedônios, onde, ao lado das depressões lacustres, observam-se as altas montanhas do Mal' i Thate, Morava e Gramos. Os principais rios albaneses, como o Drin, o Shkumbin e o Vijose, atravessam o país e desembocam na planície litorânea. Alguns lagos parcialmente albaneses, como o Scutari, a noroeste, e os lagos macedônios Acrida e Prespa, entre outros, complementam o quadro hidrográfico. O clima da planície albanesa é tipicamente mediterrâneo, com invernos brandos (com média de 5 °C até 10 °C) e os verões na planície albanesa são tipicamente quentes (com média em 26 °C ou mais, com máximos de 40 °C) e secos. O clima nas montanhas é continental, com grandes amplitudes térmicas. No verão as temperaturas médias andam por volta dos 23 °C, mas no inverno descem à faixa entre 0 °C e 2 °C, com extremos que chegam até -25 °C. Podem ocorrer tempestades de neve e vento; não é raro também descer para a planície o bora, vento frio e ressecante. O relevo acidentado da Albânia e a área ciclonal do Adriático causam altas precipitações (média de 1 350 mm anuais e máxima de 3 000 mm), que são das mais elevadas da Europa. Exceto nas regiões lacustres, nos pântanos litorâneos e nas altas montanhas, a vegetação natural é constituída de florestas. Próximo da costa predomina o maqui, sendo típicas espécies de zimbros, carvalhos, mirtos e amoreiras. No interior são comuns as florestas de carvalhos. Existem florestas de faias nas vertentes mais altas das montanhas, enquanto a vegetação característica das rochas serpentinas são os pinheiros. A fauna é tipicamente mediterrânea, destacando-se, entre os mamíferos, o chacal, a cabra selvagem e o porco-espinho e, entre as aves, o grande cuco e a toutinegra. Existem várias espécies de répteis e insetos, e a fauna ictiológica dos lagos e rios inclui a carpa e o salmão pequeno. A Albânia tem uma das piores taxas de perda de biodiversidade da Europa, de acordo com a comunidade científica. Isto deve-se a um modelo económico baseado no turismo de massas, artificialização da terra, caça ilegal e pesca predatória, corrupção e falta de política para proteger os ecossistemas. A população é composta de albaneses e de uma minoria grega de 3%. A língua oficial é o albanês. De acordo com o censo populacional de 2011, 98,767% da população declarou o albanês como sua língua materna. A língua padrão escrita e falada é proveniente de dois dialetos: Gheg e Tosk, embora tenha maior base no segundo. O divisor entre os dois dialetos é o rio Shkumbin. O grego é língua materna de 0,5% da população. Outras minorias étnicas que somam 0,6% falam línguas como arromeno, sérvio, macedônio, bósnio, búlgaro, gorani, romani e croata. Existe ainda uma minoria de Judeus estimada em menos de 0,1%. A Albânia foi o único país europeu onde houve crescimento no número de judeus durante o Holocausto, tendo esse número diminuído após a fundação do Estado de Israel. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e as Testemunhas de Jeová também têm seguidores no país. O chefe de estado é o presidente, que é eleito pelo Kuvendi Popullor, ou Assembleia do Povo. A maior parte dos 155 membros da Assembleia do Povo é eleita pelos albaneses em eleições realizadas de 5 anos em 5 anos. O presidente é ajudado por um conselho de ministros, que é nomeado por ele mesmo. A bandeira nacional da Albânia é uma bandeira vermelha com uma águia bicéfala negra. Deriva do brasão, de desenho similar, de Gjergj Kastriot Skanderbeg, um líder albanês do que esteve à frente da revolta contra o Império Otomano que resultou num breve período de independência da Albânia, entre 1443 e 1478. Seu desenho foi inspirado na águia bizantina, símbolo comum em toda Europa oriental. Com o comunismo, sua interpretação foi alterada para enaltecer a segurança e união do país, com uma cabeça voltada para o norte e outra para o sul. A bandeira atual foi oficialmente adoptada a 7 de abril de 1992, mas anteriores estados albaneses, como o Reino da Albânia e o estado comunista do pós-guerra usaram uma bandeira basicamente igual, com o primeiro a incluir o "Capacete de Skanderbeg" sobre a águia e o segundo uma estrela vermelha orlada a amarelo na mesma posição. O emblema da Albânia é uma adaptação da bandeira da Albânia. O emblema acima da cabeça das duas-cabeças de águia é o capacete de Skanderbeg, encimada com cornos de cabra. O emblema tem dimensões de 1:1.5. Em alguns países, a cor sable é considerada uma pele, enquanto que na heráldica inglesa e francesa é considerada uma cor. Hymni i Flamurit é o hino nacional da Albânia. A letra foi escrita pelo poeta albanês Aleksander Stavre Drenova, tendo sido publicada originalmente como um poema na Liri e Shqipërisë (Liberdade da Albânia), um jornal albanês de Sófia, na Bulgária. A música do hino foi composta pelo compositor romeno Ciprian Porumbescu. A responsabilidade da aplicação da lei no país é, primeiramente, da Polícia de Estado da Albânia. O país também possui uma unidade antiterrorista, chamada RENEA (Reparti i Neutralizimit të Elementit të Armatosur, em português: "Departamento de Neutralização de Elementos Armados"). Em uma lista com 43 países europeus segundo o índice de criminalidade, a Albânia foi classificada em 4° lugar, atrás de Rússia, França e Moldávia, respectivamente. É um país com forte presença de corrupção, tráfico de pessoas e crime organizado. Muitos cidadãos também veem a Justiça albanesa como corrupta ou inefetiva. É um código de leis consuetudinárias que o povo albanês traz desde a Era do Bronze. Voltou a "vigorar" em áreas mais remotas do país desde o colapso do Comunismo. Graças a isso, homicídios são um problema no país, especialmente as "vinganças de sangue" (gjakmarrja) em áreas rurais do norte, além de crimes domésticos. Em 2014 cerca de 3 000 famílias estimadas estavam envolvidas em vinganças de sangue, que desde a queda do Comunismo levaram 10 000 pessoas à morte, justamente pela falta de Estado. A Albânia está dividida em 12 prefeituras, às vezes designadas regiões. As prefeituras estão por sua vez divididas em 36 distritos, às vezes traduzidos como subprefeituras. Apesar de terem sido dissolvidos em 2000, os distritos continuam mantendo papel administrativo. Os distritos estão subdivididos em 309 comunas e 65 municipalidades . A municipalidade de Tirana, onde se localiza a capital, tem um estatuto especial. A Albânia é um dos países mais pobres da Europa, com metade da população economicamente ativa acoplada ainda à agricultura e com um quinto trabalhando no exterior. O país tem que tratar de uma taxa de desemprego elevada, de corrupção no governo e do crime organizado. A Albânia é ajudada financeiramente pela Itália e Grécia, das quais também importa muito, além de exportar pouco. O dinheiro vem de empréstimos e de refugiados que trabalham no exterior. Uma percentagem importante da renda nacional da Albânia vem do turismo, representando 10% de seu PIB, e este número deverá aumentar na próxima década. A Albânia acolheu cerca de 4,2 milhões de visitantes em 2012, principalmente de países vizinhos e da União Europeia. Em 2011, a Albânia foi listado como o destino turístico top a nível mundial, pelo Lonely Planet. A maior parte da indústria do turismo está concentrada ao longo do Adriático e na costa do Mar Jônico. Este último tem as mais belas e intocadas praias e é muitas vezes chamado de a Riviera Albanesa. O aumento no número de visitantes estrangeiros é significativa, a Albânia tinha apenas 500 000 visitantes em 2005, enquanto em 2012 teve um número estimado de 4,2 milhões de turistas. Um aumento de 840% em apenas sete anos. A maioria dos turistas internacionais que vão para a Albânia são de Cosovo, Macedônia do Norte, Montenegro, Grécia e Itália. O governo do primeiro-ministro Edi Rama, no poder desde 2013, adoptou um roteiro económico neoliberal. Está a reduzir a despesa pública e a promover parcerias público-privadas, uma fonte de rápido enriquecimento para um círculo de empresários próximos do governo, na maioria dos sectores (turismo, ensino superior, saúde, obras públicas, cultura, etc.). O Fundo Monetário Internacional, tradicionalmente favorável a estas políticas, considerou, no entanto, que o governo albanês estava a avançar demasiado depressa para privatizar e expor o país a "riscos fiscais significativos". O tráfico de droga cresceu consideravelmente nos últimos anos, sendo responsável por quase um terço do PIB em 2017. Segundo estimativas aduaneiras italianas, 753 000 plantas de cannabis foram destruídas em 2016, em comparação com 46 000 em 2014. Esta destruição teria afectado apenas 10% da área cultivada. Políticos e homens de negócios de primeiro plano estão envolvidos neste tráfico. Em 2008 a taxa de alfabetismo na Albânia era de 98,7%, sendo a taxa para os homens de 99,2% e para as mulheres de 98,3%. Desde os mais largos êxodos rurais na década de 1990, a educação se moveu também, com milhares de professores se mudando para as áreas urbanas acompanhando seus estudantes. Quando Hoxha chegou ao poder da Albânia os serviços se tornaram nacionalizados e gratuitos, foram estendidos até os vilarejos mais remotos, houve uma queda da mortalidade e a expectativa de vida aumentou drasticamente, aspectos que o país herda até hoje. A maioria dos hospitais se localizam em Tirana e Durrës. A Faculdade de Medicina da Universidade de Tirana (Universiteti i Tiranës) é a principal instituição na área de saúde mas há também escolas de enfermagem em várias outras cidades. As doenças relacionadas ao sistema circulatório são a principal causa de morte, sendo a segunda causa as doenças de Neoplasia. Atualmente, há três rodovias principais de quatro pistas na Albânia: a rodovia que conecta Durrës com Tirana; Durrës com Lushnjë e a rodovia Albânia-Kosovo. Duas rodovias adicionais serão construídas na Albânia em um futuro próximo: o 8º Corredor, que ligará a Albânia com a Macedônia do Norte e a Bulgária, e a rodovia norte-sul, que é proporcional ao lado albanês da rodovia Adriático-Jônica, uma rodovia regional maior, que liga a Croácia à Grécia ao longo das costas do Adriático e do Jônio. Quando todos os três corredores forem concluídos, a Albânia terá cerca de 759 km de rodovias conectando-a com todos os seus países vizinhos: Kosovo, Macedônia do Norte, Montenegro e Grécia. Enquanto o Festival Albanês da Canção, organizado pela Radiotelevisão Albanesa determina o representante da Albânia no Festival Eurovisão da Canção, o Festival Nacional do Povo Albanês, de música tradicional e que ocorre quinquenalmente em Gjirokastër, é referido como o evento cultural mais importante da Albânia. No século XXI, cantoras de música pop contemporânea de etnia albanesa como Rita Ora, Bebe Rexha, Era Istrefi, Ava Max, Bleona Qereti, Elvana Gjata e Dua Lipa alcançaram sucesso no cenário internacional. A culinária da Albânia consiste de pratos locais das várias regiões da Albânia. Muitos destes pratos são típicos dos Balcãs e do Mediterrâneo, mas alguns são especialidades locais. A refeição principal dos albaneses é o arroz e feijão, que é em geral acompanhado por uma salada de vegetais frescos, tais como tomates, pepinos, pimentos, azeitonas, azeite, vinagre e sal. O boza é uma bebida fermentada feita de farinha de trigo, farinha de milho, açúcar e água, tradicional em todos os países que fizeram parte do Império Otomano.
Alemanha, oficialmente República Federal da Alemanha (internacionais em todo o mundo. A região chamada Germânia, habitada por vários povos germânicos, foi conhecida e documentada pelos romanos antes do ano 100. A partir do, os territórios alemães formaram a parte central do Sacro Império Romano-Germânico, que durou até 1806. Durante o, o norte da Alemanha tornou-se o centro da Reforma Protestante. Como um moderno Estado-nação, o país foi unificado pela primeira vez, em consequência da Guerra Franco-Prussiana, em 1871. Em 1949, após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida em dois estados, a Alemanha Ocidental, oficialmente "República Federal da Alemanha", e a "Alemanha Oriental", oficialmente República Democrática Alemã, ao longo das linhas de ocupação aliadas. A Alemanha foi reunificada em 1990. A Alemanha Ocidental foi um dos membros fundadores da Comunidade Europeia, em 1957, que, posteriormente, se tornou na União Europeia, em 1993. O país é parte do espaço Schengen e passou a adotar a moeda europeia, o euro, desde quando foi instituído, em 1999. A Alemanha é uma república parlamentar federal de dezesseis estados (em alemão Länder). A capital e maior cidade do país é Berlim, localizada no nordeste do território alemão. O país é membro das Nações Unidas, da OTAN, G7, G20, da OCDE e da OMC. É uma grande potência com a quarta maior economia do mundo por PIB nominal e a quinta maior em paridade do poder de compra. É o segundo maior exportador e o segundo maior importador de mercadorias. Em termos absolutos, a Alemanha atribui o segundo maior orçamento anual de ajudas ao desenvolvimento no mundo, enquanto está em sexto lugar em despesas militares. O país tem desenvolvido um alto padrão de vida e estabeleceu um sistema global de segurança social. A Alemanha ocupa uma posição-chave nos assuntos europeus e mantém uma série de parcerias estreitas em um nível global. O país também é reconhecido como líder científico e tecnológico em vários domínios. O termo "Alemanha" deriva do francês Allemagne — terra dos alamanos — em referência ao povo germânico de mesmo nome que vivia na atual região fronteiriça entre a França e a Alemanha e que durante o cruzou o rio Reno e invadiu a Gália Romana. O país também é conhecido por Germânia, que deriva do latim Germania — terra dos germanos. Presume-se que a etnogênese dos povos germânicos ocorreu durante a Idade do Bronze nórdica ou, ao mais tardar, durante a Idade do Ferro pré-romana. A partir do sul da Escandinávia e do norte da atual Alemanha, as "tribos" começaram, no, a se expandir para o sul, leste e oeste e entraram em contato com os povos celtas da Gália, e também com povos iranianos, bálticos e eslavos. Pouco se sabe sobre a história germânica antes disso, exceto através das suas interações com o Império Romano, de pesquisas etimológicas e de achados arqueológicos. Por ordens do imperador Augusto, o general romano Varus começou a invadir a Germânia (um termo usado pelos romanos para definir um território que começava no rio Reno e ia até os Urais), e foi nesse período que as tribos germânicas se tornaram familiarizadas com as táticas de guerra romanas. Em, três legiões romanas lideradas por Varus foram derrotadas pelo líder querusco Armínio na Batalha da Floresta de Teutoburgo. A quase totalidade do território da atual Alemanha, assim como os vales dos rios Reno e Danúbio, permaneceram fora do Império Romano. Em 100, na época do livro Germânia de Tácito, as tribos germânicas assentadas ao longo do Reno e do Danúbio (a Fronteira da Germânia) ocupavam a maior parte da área da atual Alemanha. O viu o surgimento de um grande número de tribos germânicas ocidentais: alamanos, francos, saxões, frísios, anglos, suevos, vândalos, godos (ostrogodos e visigodos), lombardos, e turíngios. Por volta de 260, os povos germânicos romperam as suas fronteiras do Danúbio e expandiram-se às terras romanas. A partir do ano de 723, o território da Germânia Central foi objeto da pregação do missionário inglês Vinfrido, que adotou o nome latino Bonifácio, com o qual foi canonizado. Ele fundou um célebre mosteiro em Fulda, que se tornou um núcleo de evangelização de vários povos germânicos no país. foi oficialmente chamado de "Sacro Império Romano da Nação Alemã" (Sacro Romanum Imperium Nationis Germanicæ em latim) a partir de 1448, para ajustar o nome ao seu território de então. Sob o reinado dos imperadores sálios, o Sacro Império Romano absorveu o norte da Itália e a Borgonha, embora o imperador tenha perdido parte do poder através da Questão das investiduras com a Igreja Católica. Sob os imperadores Hohenstaufen, os príncipes alemães aumentaram a sua influência para o sul e para o leste (Ostsiedlung), territórios habitados por povos eslavos, bálticos e estonianos antes da ocupação alemã na região. Com o colapso do poder imperial em 1250, devido à constante briga com a Igreja de Roma, fez-se necessário a criação de um novo sistema de escolha do imperador. Criou-se, com a edição da Bula Dourada, o conselho dos sete príncipes-eleitores, que tinham o poder de escolher o comandante do Sacro Império. Durante esse período conturbado, as cidades comerciais se uniram para proteger seus interesses comuns; O monge Martinho Lutero publicou suas 95 Teses em 1517, desafiando as práticas da Igreja Católica e dando início à Reforma Protestante. O luteranismo tornou-se a religião oficial de muitos estados alemães após 1530, o que levou a conflitos religiosos resultantes da divisão religiosa no império, que, por sua vez, geraram a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), que devastou os territórios alemães. A população dos estados alemães foi reduzida em cerca de 30%. A Paz de Vestfália acabou com a guerra religiosa entre os estados alemães, mas o império estava de facto dividido em numerosos principados independentes. De 1740 em diante, o dualismo entre a Monarquia Habsburgo e o Reino da Prússia dominou a história alemã. Em 1806, o Imperium foi dissolvido como resultado das Guerras Napoleônicas. Depois da queda de Napoleão Bonaparte, o Congresso de Viena reuniu-se em 1814, e sua resolução fundou a Confederação Germânica (Deutscher Bund em alemão), a união de 39 estados soberanos. Desentendimentos com a restauração política proposta pelo Congresso de Viena levaram, em parte, ao surgimento de movimentos liberais, exigindo unidade e liberdade. Estes, porém, foram reprimidos com novas medidas por parte do estadista austríaco Metternich. O Zollverein, uma união tarifária, buscava uma profunda unidade econômica dos estados alemães. Em função da série de movimentos revolucionários na Europa, que estabeleceram com êxito uma república na França, intelectuais e burgueses começaram a Revolução de 1848 nos Estados alemães. Os monarcas inicialmente aceitaram as exigências dos revolucionários liberais para conter a movimentação popular. Ao rei Frederico Guilherme IV da Prússia foi oferecido o título de imperador, mas sem poder absoluto. O conflito entre o rei Guilherme I da Prússia e o parlamento cada vez mais liberal foi rompido durante a reforma militar em 1862, quando o rei nomeou Otto von Bismarck o novo Primeiro-ministro da Prússia. Bismarck travou com sucesso uma guerra com a Dinamarca, em 1864. A vitória prussiana na Guerra Austro-Prussiana de 1866 permitiu criar a Confederação Norte-Germânica (Norddeutscher Bund), que excluía a Áustria, ex-líder dos estados alemães, dos assuntos dos estados alemães restantes. Durante esse período, a Alemanha experimentou um grande crescimento econômico, com uma forte industrialização, especialmente das indústrias de mineração, metalúrgica e derivadas das engenharias elétrica, mecânica e química. Mas o imperador Guilherme II, no entanto, como outras potências europeias, tomou um curso imperialista devido ao atrito com os países vizinhos. A maior parte das alianças que a Alemanha fizera não foram renovadas, e as novas alianças das demais potências excluíam o país. Especificamente, a França estabeleceu novas relações com a assinatura da entente cordiale com o Reino Unido e garantiu os laços com o Império Russo. E embora ainda mantivesse seus contatos com a Áustria-Hungria, a Alemanha tornou-se cada vez mais isolada. Teve início o período armamentista, chamado de Paz Armada. A sua negociação, ao contrário da tradicional diplomacia de pós-guerra, excluiu os derrotados dos Poderes Centrais. O tratado foi encarado na Alemanha como uma humilhante continuação da guerra por outros meios, e sua dureza é frequentemente citada como tendo mais tarde facilitado a ascensão do nazismo no país. A Constituição de Weimar entrou em vigor com a sua assinatura pelo Presidente Friedrich Ebert em 11 de agosto de 1919. O Partido Comunista Alemão foi criado por Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht em 1918, e o Partido dos Trabalhadores Alemães, mais tarde conhecido como Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães ou Partido Nazista, foi fundado em janeiro de 1919. A centralização totalitária estadual foi criada por uma série de jogadas e de decretos políticos, tornando a Alemanha um Estado de partido único. Houve queima de livros de autores considerados contra a nação e perseguição a artistas e cientistas, sendo que muitos deles emigraram, principalmente para os Estados Unidos. A indústria foi fortemente regulamentada com cotas e requisitos, a fim de mudar a economia para uma base produtiva de guerra. Para evitar uma guerra de duas frentes, Hitler firmou o Pacto Molotov-Ribbentrop com a União Soviética, um pacto que ele mesmo romperia mais tarde em 1941. Em 1939, as crescentes tensões de nacionalismo, militarismo e questões territoriais levaram os alemães ao lançamento da Blitzkrieg ("guerra relâmpago") em 1 de setembro contra a Polônia, seguido dois dias depois pelas declarações de guerra da Grã-Bretanha e da França, marcando o início da Segunda Guerra Mundial. A Alemanha rapidamente ganhou controle direto ou indireto da maioria da Europa. Em 22 de junho de 1941, Hitler quebrou o pacto com a União Soviética, abrindo a Frente Oriental e invadindo a União Soviética. Pouco tempo depois, o Japão atacou a base americana em Pearl Harbor, e a Alemanha declarou guerra aos Estados Unidos. Embora inicialmente o exército alemão tenha avançado de forma rápida sobre a União Soviética, a Batalha de Stalingrado marcou uma virada importante na guerra. Depois disso, o exército alemão começou a recuar a Frente Oriental. A Segunda Guerra Mundial e o genocídio feito pelos nazistas foram responsáveis por cerca de 35 milhões de mortos na Europa. A guerra resultou na morte de quase dez milhões de soldados e civis alemães; grandes perdas territoriais, a expulsão de cerca de 15 milhões de alemães dos antigos territórios orientais e de outros países e a destruição de várias grandes cidades. O restante do território nacional e Berlim foram divididos em quatro zonas de ocupação militar pelos Aliados. Os setores controlados pela França, pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos foram fundidos em 23 de maio de 1949 para formar a República Federal da Alemanha ; em 7 de Outubro de 1949, a Zona Soviética constituiu-se na República Democrática da Alemanha . As duas partes foram informalmente conhecidos como "Alemanha Ocidental" e "Alemanha Oriental", e as duas partes de Berlim como "Berlim Ocidental" e "Berlim Oriental". As partes oriental e ocidental optaram por Berlim Oriental e Bonn como suas respectivas capitais. No entanto, a Alemanha Ocidental declarou que o status de Bonn como sua capital era provisório, a fim de enfatizar a sua convicção de que a instituição de dois Estados alemães distintos foi uma solução artificial status quo que seria necessário superar. A Alemanha Ocidental, estabelecida como uma república federal parlamentar, com uma "economia social de mercado", tornou-se aliada dos Estados Unidos, Reino Unido e França. O país chegou a se beneficiar de um crescimento econômico prolongado a partir dos anos 1950 . Ingressou na OTAN em 1955 e foi membro fundador da Comunidade Econômica Europeia, em 1958. A Alemanha Oriental foi um estado do bloco oriental sob controle político e militar da URSS, através de suas forças de ocupação militar e do Pacto de Varsóvia. Enquanto dizia ser uma democracia, o poder político foi executado exclusivamente pelos principais membros (Politburo) do Partido Socialista Unificado da Alemanha, controlado pelos comunistas. Seu poder foi assegurado pelo Stasi, um serviço secreto de grande dimensão, e por uma variedade de sub-organizações do SED que controlava todos os aspetos da sociedade, tendo um grande número de informantes dentro da própria população. A economia planificada pró-soviética foi criada, e mais tarde a RDA passou a ser um estado do Comecon. Apesar da propaganda da Alemanha Oriental ter sido baseada nos benefícios dos programas sociais da RDA e na alegada ameaça constante de uma invasão por parte da Alemanha Ocidental, muitos dos seus cidadãos olhavam para o Ocidente em busca de liberdade política e de prosperidade econômica. O Muro de Berlim, construído em 1961 para impedir a fuga dos alemães do leste para a Alemanha Ocidental, tornou-se um símbolo da Guerra Fria. As tensões entre as Alemanha do Leste e do Oeste foram ligeiramente reduzidas no início dos anos 1970 pelo Chanceler Willy Brandt através da sua, que incluiu a aceitação de facto das perdas territoriais da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Em face de uma crescente migração de alemães do leste para a Alemanha Ocidental através da Hungria e de manifestações em massa durante o verão de 1989, as autoridades do Leste alemão inesperadamente facilitaram as restrições nas fronteiras em novembro, permitindo que cidadãos do leste alemão pudessem viajar para o ocidente. Originalmente concebida como uma válvula de pressão para manter a Alemanha Oriental como um Estado, a abertura da fronteira na realidade levou a uma aceleração do processo de reforma na Alemanha Oriental, que finalmente foi concluído com o Tratado Dois Mais Quatro um ano mais tarde, em 12 de setembro de 1990, resultando na reunificação alemã, ocorrida em 3 de outubro de 1990. Segundo os termos do tratado, as quatro potências ocupantes renunciavam aos seus direitos sob o Instrumento da Renúncia, e a Alemanha recuperava a plena soberania do seu território. Com base na Lei Bonn-Berlim, aprovada pelo parlamento em 10 de março de 1994, Berlim foi escolhida como capital do Estado unificado, enquanto Bonn obteve o status único de Bundesstadt (cidade federal) e reteve alguns ministérios federais. Desde a reunificação, a Alemanha assumiu um papel mais ativo na União Europeia, assinando o Tratado de Maastricht em 1992 e o Tratado de Lisboa em 2007 e cofundando a Zona Euro. A Alemanha enviou uma força de paz para garantir a estabilidade nos Bálcãs e enviou tropas alemãs para o Afeganistão como parte de um esforço da Organização do Tratado do Atlântico Norte para fornecer segurança naquele país após a derrubada do Talibã. Nas eleições de 2005, Angela Merkel se tornou a primeira mulher chanceler do país. Em 2009, o governo alemão aprovou um plano de estímulo de 50 bilhões de euros por conta da crise financeira de 2008. Entre os principais projetos políticos alemães do início do século XXI estão o avanço da integração europeia, a transição energética (Energiewende) para um abastecimento de energia sustentável, o "freio da dívida" para manter os orçamentos equilibrados, além de medidas para aumentar a taxa de fertilidade (pronatalismo) e estratégias de alta tecnologia para a transição econômica alemã, resumidas como indústria 4.0. A Alemanha foi afetada pela crise migratória na Europa em 2015: o país acolheu mais de um milhão de migrantes e desenvolveu um sistema de cotas que redistribuiu os migrantes em torno de seus estados federais. O território da Alemanha cobre 357 021 km², sendo 349 223 km² de terra e km² de água. É o sétimo maior país por área na Europa e o 63° maior no mundo. Os pontos extremos ficam nos Alpes ponto mais alto: o Zugspitze a m de altitude no sul e na costa do Mar do Norte (Nordsee) no noroeste e o mar Báltico (Ostsee) no nordeste. Por causa de sua localização central, a Alemanha compartilha fronteiras com mais países europeus que qualquer outro país no continente. Seus vizinhos são a Dinamarca no norte, Polônia e a Chéquia no leste, Áustria e Suíça no sul, França e Luxemburgo no sudoeste e Bélgica e os Países Baixos no noroeste. O país está comprometido com o Protocolo de Quioto e vários outros tratados para promover a biodiversidade, os baixos padrões de emissões, a utilização de energias renováveis e apoia o desenvolvimento sustentável a nível global. A taxa de reciclagem doméstica do país está entre as mais altas do mundo - em torno de 65%. O governo alemão deu início a uma ampla atividade de redução de emissões e as emissões globais do país estão caindo. No entanto, a Alemanha tem uma das mais elevadas taxas de emissões de dióxido de carbono per capita da UE, mas permanece significativamente menor em comparação com a Austrália, Canadá, Arábia Saudita ou Estados Unidos. Emissões a partir de produção de energia proveniente da queima de carvão e as indústrias contribuem para a poluição do ar. A chuva ácida, resultante das emissões de dióxido de enxofre é prejudicial às florestas. A poluição no Mar Báltico a partir de esgoto bruto e efluentes industriais nos rios na antiga Alemanha Oriental foram reduzidas. O governo do ex-chanceler Schröder anunciou a intenção de acabar com o uso da produção de eletricidade a partir de energia nuclear. A Alemanha está trabalhando para cumprir o compromisso da UE de identificar áreas de preservação natural de acordo com a diretiva de Flora, Fauna e Habitats da UE. Os perigos naturais são as enchentes fluviais na primavera e vento forte que ocorrem em todas as regiões. Grande parte da Alemanha tem um clima temperado no qual os ventos úmidos ocidentais predominam. O clima é moderado pela Corrente do Atlântico Norte, que é a extensão norte da Corrente do Golfo. As águas quentes trazidas por essa corrente afetam as áreas litorâneas do mar do Norte incluindo a península da Jutlândia e a área ao longo do Reno, que corre em direção ao Mar do Norte. Fitogeograficamente, a Alemanha é partilhada entre as províncias do Atlântico Europeu e Centro Europeu da Região Circumboreal dentro do Reino Boreal. Plantas e animais são aqueles geralmente comuns para a Europa central. Faias, carvalhos e outras árvores de folha caduca constituem um terço das florestas; coníferas estão aumentando como resultado do reflorestamento. Abetos e pinheiros predominam nas montanhas superiores, enquanto o pínus e larix são encontrados em solo arenoso. Há muitas espécies de samambaias, flores, fungos e musgos. Abundam peixes nos rios e no mar do Norte. Os animais selvagens incluem javalis, veados selvagens, muflão, a raposa, o texugo, a lebre, e um pequeno número de castores. Várias aves migratórias cruzam a Alemanha na primavera e no outono. Mais de 400 zoológicos e parques de animais registrados operam na Alemanha, que se acredita ser o maior número em qualquer país do mundo. O Zoologischer Garten Berlin é o mais antigo jardim zoológico na Alemanha e apresenta a mais completa coleção de espécies no mundo. Com uma população de 80,2 milhões de acordo com o censo de 2011, aumentando para 83,1 milhões em 2019, a Alemanha é o país mais populoso da União Europeia, o segundo país mais populoso da Europa, depois da Rússia, e décimo nono país mais populoso do mundo. Sua densidade populacional é de 227 habitantes por quilômetro quadrado. A expectativa geral de vida na Alemanha ao nascer é de 80,19 anos (77,93 anos para homens e 82,58 anos para mulheres). Brasil (5 milhões) e no Canadá (3 milhões). Quatro grupos consideráveis de pessoas são chamados de "minorias nacionais" porque seus ancestrais viveram em suas respectivas regiões durante séculos: Há uma minoria dinamarquesa no estado mais ao norte de Schleswig-Holstein; os sorábios, uma população de eslavos, estão na região de Lusácia da Saxônia e Brandemburgo; os ciganos e os sinti vivem em todo o país; e os frísios estão concentrados na costa oeste de Schleswig-Holstein e na parte noroeste da Baixa Saxônia. A homossexualidade na Alemanha é legal e socialmente aceita. Uniões civis têm sido permitidas desde 2002. Em 2017, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi legalizado no país, bem como a adoção de crianças. As duas maiores cidades alemãs, Berlim e Hamburgo, já elegeram prefeitos que eram abertamente gays. A Alemanha tem um grande número de cidades grandes, sendo as mais populosas Berlim, Hamburgo, Munique, Colônia, Frankfurt am Main e Estugarda (Stuttgart). De longe a maior conurbação é a Região do Reno-Ruhr, que inclui Dusseldórfia (Düsseldorf) e cidades como Colônia, Essen, Dortmund, Duisburgo, e Bochum. O maior grupo (2,3 milhões) vem da Turquia, e a maioria do resto vem de países europeus como Itália, Sérvia, Grécia, Polônia, Rússia, Ucrânia e Croácia. O Fundo das Nações Unidas para Atividades Populacionais lista a Alemanha como a casa do terceiro maior número de migrantes internacionais em todo mundo, 5% ou 10 milhões de todos os 191 milhões de migrantes, ou por volta de 12% da população da Alemanha. Como consequência de restrições formais da Alemanha do que leis irrestritas de asilo e imigração, o número de imigrantes procurando asilo e buscando cidadania alemã (a maioria da ex-União Soviética) tem decrescido constantemente desde 2000. Durante a última década do, a Alemanha transformou consideravelmente sua atitude quanto aos imigrantes. Até metade dos anos 1990, a opinião comum era de que a Alemanha não é um país de imigração, apesar de cerca de 10% da população serem de origem não germânica. Após o fim do influxo dos chamados Gastarbeiter (trabalhadores-convidados de colarinho azul), refugiados eram uma exceção tolerada a este ponto de vista. Hoje, o governo e a sociedade alemã estão percebendo que o conceito quanto ao controle de imigração é que deve ser permitida baseada na qualificação dos imigrantes. O alemão é a língua oficial e a predominantemente falada na Alemanha. Em todo o mundo o alemão é falado por aproximadamente 100 milhões de falantes nativos e mais 80 milhões de falantes não nativos. O alemão é a língua principal de aproximadamente 90 milhões de pessoas na UE. 67% dos cidadãos alemães dizem serem capazes de comunicar-se em pelo menos uma língua estrangeira, 27% em pelo menos duas línguas além da materna. O alemão padrão é uma língua germânica ocidental e é próxima e classificada no mesmo grupo do inglês, holandês e do frísio. Com menos confluência, é também relacionada às línguas germânicas setentrionais e às orientais (extintas). A maioria do vocabulário alemão é derivado do braço germânico da família das línguas indo-europeias. Minorias significativas de palavras derivam do latim, grego, e uma pequena quantidade do francês, e mais recentemente do inglês (conhecido como Denglisch). O alemão é escrito usando o alfabeto latino. Além das 26 letras padrão, o alemão tem três vogais com Umlaut, ä, ö e ü, assim com o Eszett ou scharfes S (s forte) que é escrito "ß" ou alternativamente "ss". Os dialetos alemães são distinguidos por algumas variações do alemão padrão. Os dialetos alemães são as variações locais tradicionais e derivam das diferentes tribos germânicas que hoje compõem a Alemanha. Muitas delas não são facilmente compreensíveis para alguns que apenas conhecem o alemão padrão, porque elas apresentam diferenças do alemão padrão no léxico, fonologia e sintaxe. Desenvolvida a partir do, a escrita gótica foi sendo substituída no Renascimento no restante da Europa; na Alemanha, contudo, a letra gótica continuou vigente, até ser finalmente abolida em 1945, após o fim da II Guerra — daí ser chamada, muitas vezes, de estilo gótico alemão. O Censo alemão de 2011 mostrou o cristianismo como a maior religião na Alemanha, com 66,8% se identificando como cristão, com 3,8% não sendo membros de uma igreja específica. 31,7% se declararam protestantes, incluindo membros da Igreja Evangélica na Alemanha (que engloba luteranos, calvinistas e uniões administrativas ou confessionais de ambas as tradições) e as igrejas livres ; 31,2% se declararam católicos romanos e os ortodoxos constituíam 1,3%. Segundo dados de 2016, a Igreja Católica e as igrejas protestantes reclamavam 28,5% e 27,5%, respectivamente, da população. O islã é a segunda maior religião do país. No censo de 2011, 1,9% da população do censo (1,52 milhão de pessoas) deu sua religião como islã, mas esse número não é considerado confiável porque um número desproporcional de adeptos dessa religião (e de outras religiões, como o judaísmo) provavelmente fez uso do seu direito de não responder à pergunta. A maioria dos muçulmanos são sunitas e alevitas da Turquia, mas há um pequeno número de xiitas, ahmadiyyas e outras denominações islâmicas. Outras religiões representam menos de um por cento da população da Alemanha. embora até um terço ainda possa se considerar religioso. A irreligião na Alemanha é mais forte no território da antiga Alemanha Oriental, que costumava ser predominantemente protestante antes da imposição do ateísmo estatal, e nas principais áreas metropolitanas de todo o país. Desde Martinho Lutero, e a Reforma Protestante, a Alemanha foi o palco de conflitos religiosos entre os seguidores de Lutero, posteriormente chamados de luteranos, geralmente mais numerosos no norte, e os católicos, regra geral mais fortes no sul. No entanto, a distribuição das religiões está longe de ser homogênea. Na Alemanha prevaleceu o princípio Cuius regio, eius religio. Zonas com uma população predominantemente católica são a Baviera e a zona da Renânia. O Papa Bento XVI nasceu na Baviera. Zonas com uma população predominantemente luterana são os estados do leste e do norte. No norte, ao longo da fronteira com os Países Baixos, há também a presença de calvinistas. Pessoas não religiosas, incluindo ateus e agnósticos, são crescentes em número e proporção, uma tendência constatada tanto na Alemanha quanto em outros países europeus. Na Alemanha eles se concentram principalmente na antiga Alemanha Oriental e nas áreas metropolitanas. Dados de 2010 mostram uma enorme diferença entre a Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental em termos religiosos, enquanto na parte ocidental os cristãos perfazem 80% da população, na parte oriental apenas 29% afirmaram seguir esta religião. Na Alemanha Ocidental apenas 13% da população não é religiosa e na Alemanha Oriental são 67% os não religiosos. Em 2004, o dobro de judeus das repúblicas ex-soviéticas se estabeleceram na Alemanha do que em Israel, trazendo o total de judeus a 200 000, comparado aos 30 000logo após à reunificação alemã. Grandes cidades com uma população judaica significante incluem Berlim, Frankfurt am Main e Munique. Aproximadamente 250 000 Budistas ativos vivem na Alemanha; 50% deles são de imigrantes asiáticos. A Alemanha é uma federação democrática e parlamentária, cujo sistema político é definido num documento constitucional (Grundgesetz, "lei fundamental") de 1949. Por chamar o documento de Grundgesetz, invés de Verfassung (constituição), os autores expressaram a intenção de que ela fosse trocada por uma constituição apropriada quando a Alemanha fosse reunida em um só estado. Emendas ao Grundgesetz geralmente requerem aprovação de dois terços dos parlamentares de ambas as câmaras do parlamento; os artigos garantem direitos fundamentais, a separação dos poderes, a estrutura federalizada, e o direito de resistir contra tentativas de sobrepor-se à constituição são perpétuos e não podem sofrer emendas. O Bundeskanzler ("Chanceler Federal") — atualmente Olaf Scholz — é o chefe de governo e exerce o poder executivo, similar ao Primeiro-Ministro em outras democracias parlamentares. O poder legislativo é comandado pelo parlamento consistido pelo Bundestag ("Dieta Federal") e o Bundesrat ("Conselho Federal"), que juntos formam um tipo excepcional de corpo legislativo. O Bundestag é eleito através de eleições diretas combinada com representação proporcional. Os membros do Bundesrat representam os governos dos 16 estados federais (Bundesländer). Os respectivos governadores dos estados têm o direito de apontar e exonerar seus enviados em qualquer momento. Ocasionalmente há conflitos entre o Bundestag e o Bundesrat, que criam dificuldades administrativas. O Bundespräsident ("Presidente Federal") — desde 19 de março de 2017, Frank-Walter Steinmeier — é o chefe de estado, cujos poderes se limitam, na maioria, a tarefas representativas e cerimoniais. Ele é eleito pelo Bundesversammlung ("Convenção Federal"), uma instituição composta por membros do Bundestag e pelo mesmo número de delegados estaduais. O segundo na ordem de importância do Estado Alemão é o Bundestagspräsident (Presidente do Bundestag), que é eleito pelo Bundestag e responsável por supervisionar as sessões diárias da câmara. O terceiro no comando é o chefe de governo, ou Chanceler, que é nomeado pelo Bundespräsident depois que é eleito pelo Bundestag. O Chanceler pode ser exonerado do cargo por uma moção de desconfiança construtiva pelo Bundestag, onde construtivo implica que o Bundestag simultaneamente eleja um sucessor. Em 2007, o deputado alemão Hans-Gert Pöttering foi eleito presidente do Parlamento Europeu. A presidência alemã do Conselho da União Europeia ocorreu durante o primeiro semestre de 2007, dentro do sistema de presidência rotativa da UE. Como Angela Merkel era a então Chanceler da Alemanha, o ministro das relações exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier foi o Presidente da União Europeia até junho de 2007. Desde que se iniciou o processo de presidência rotativa, foi a 12ª vez que a Alemanha assumiu a presidência da UE. O Poder judiciário da Alemanha é independente dos poderes executivo e legislativo. A Alemanha segue o sistema jurídico romano-germânico, que é baseado no Direito Romano, com algumas referências ao Direito Germânico. O Bundesverfassungsgericht ("Tribunal Constitucional Federal"), localizado em Karlsruhe, é o Supremo Tribunal alemão responsável pelos assuntos constitucionais, com os poderes de controle de constitucionalidade. Atua como a mais alta autoridade legal e garante que a prática legislativa e judicial esteja em conformidade com a Lei Fundamental da República Federal da Alemanha. Ela age de forma independente dos outros órgãos estatais, mas não pode agir por conta própria. A suprema corte alemã, denominada Oberste Gerichtshöfe des Bundes, é especializada. Para os casos civis e criminais, o supremo tribunal de recurso é o Tribunal de Justiça Federal, localizada em Karlsruhe e em Leipzig. O estilo do tribunal é inquisitorial. Outros Tribunais Federais são os Tribunal Federal do Trabalho em Erfurt, o Tribunal Social Federal em Kassel, o Tribunal Federal das Finanças em Munique e o Tribunal Administrativo Federal, em Leipzig. Para atingir este último, um criminoso condenado pode ser colocada em prisão preventiva (Sicherungsverwahrung) para além do período normal se ele for considerado uma ameaça para o público em geral. O Völkerstrafgesetzbuch regulamenta as consequências de crimes contra a humanidade, genocídio e guerra. Ele dá aos tribunais alemães jurisdição universal se a acusação por um tribunal do país onde o crime foi cometido, ou por um tribunal internacional, não for possível. Hoje existe um serviço voluntário civil (Bundesfreiwilligendienst) e o serviço militar é voluntário. Em 2006, as despesas militares constituíam cerca de 1,3% do PIB alemão. Em tempos de paz, a Bundeswehr é comandada pelo Ministro da Defesa, atualmente Annegret Kramp-Karrenbauer. Mas em tempos de guerra — que, de acordo com a constituição, é apenas permitida em caso de defesa — o Chanceler recebe o cargo de comandante real da Bundeswehr. Em outubro de 2006, as forças armadas alemãs tinham quase 9 mil soldados em território estrangeiro, como parte de várias forças de paz, incluindo uma tropa de soldados na Bósnia e Herzegovina; soldados alemães no Kosovo e soldados alemães pela Força ISAF da OTAN no Afeganistão. Em fevereiro de 2007, a Alemanha tinha cerca de tropas pela ISAF no Afeganistão, o terceiro maior contingente depois dos Estados Unidos (14 mil) e o Reino Unido . A Alemanha compartilha armas nucleares com a OTAN, sob a forma de bombas nucleares estadunidenses posicionadas na base aérea de Büchel. A Alemanha tem um papel de líder na União Europeia desde a sua concepção e tem mantido uma forte aliança com a França desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A aliança foi especialmente próxima no final da década de 1980 e início da década de 1990 sob a liderança do Democrata Cristão Helmut Kohl e do socialista François Mitterrand. A Alemanha está na frente dos estados europeus que procuram avanços na criação de uma política, defesa e aparato de segurança mais unida e capaz na Europa. Desde sua fundação em 23 de maio de 1949, a República Federal da Alemanha mantém uma notável discrição nas relações internacionais, devido à sua história recente e sua ocupação por potências estrangeiras. Durante a Guerra Fria, a divisão da Alemanha pela Cortina de Ferro fez dela um símbolo das tensões leste-oeste e da batalha política na Europa. No entanto, a Ostpolitik de Willy Brandt foi fator-chave na détente dos anos 1970. Em 1999 o governo do Chanceler Gerhard Schröder definiu uma nova base para a política externa alemã quando assumiu um papel imponente nas decisões da iminente guerra da OTAN contra a Iugoslávia e enviando soldados alemães para combate pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. A Alemanha e os Estados Unidos são aliados próximos. O Plano Marshall de 1948, o suporte dos E.U.A. durante o processo de reconstrução depois da Segunda Guerra Mundial, assim como a fraternização e o apoio de comida e fortes laços culturais designaram uma grande ligação entre os dois países, embora a oposição local de Schröder à Guerra do Iraque sugeriu o fim do Atlantismo e um relativo esfriamento nas relações Germano-americanas. Os dois países são também economicamente independentes; 8,8% das exportações alemãs são para os E.U.A. e 6,6% das importações provém dos Estados Unidos. No outro sentido, 8,8% das exportações dos E.U.A. vão para a Alemanha e 9,8% das importações vem da Alemanha. A Alemanha é uma república federal constituída de dezesseis unidades federadas, geralmente denominadas Land (no plural Länder). Uma vez que o termo alemão Land designa "país", o termo Bundesland ("estado da federação"; Bundesländer no plural) é comumente usado por ser mais específico. Três cidades (Berlim, Hamburgo e Bremen) possuem estatuto de estado, e são denominadas Stadtstaaten ("cidades-estado"). Os 13 estados restantes são designados Flächenländer ("estados territoriais"). A Alemanha é a maior economia da Europa, a quarta maior quando é considerado o PIB nominal e a quinta maior quando é considerada a Paridade do Poder de Compra. O crescimento de 2007 foi de 2,4%, Desde a revolução industrial o país tem sido criador, inovador e beneficiário de uma economia globalizada. A exportação de bens produzidos na Alemanha é um dos principais fatores da riqueza alemã. A Alemanha é maior exportador mundial com exportado em 2006 (países da Eurozona incluído) e gerou um superávit comercial de . O setor de serviços contribui com 70% do PIB, a indústria 29,1% e a agricultura 0,9%. A maioria dos produtos alemães são em engenharia, especialmente automóveis, máquinas, metais, e produtos químicos. Algumas das maiores feiras de negócios internacionais são realizadas todos os anos em cidades alemãs como Hanôver, Frankfurt am Main e Berlim. A Alemanha é uma forte advogada da integração política e econômica europeia, e suas políticas comerciais são crescentemente mais determinadas por acordos entre os membros da União Europeia e a legislação de mercado comum da UE. A Alemanha usa a moeda comum europeia, o euro, e sua política monetária é feita pelo Banco Central Europeu em Frankfurt am Main. Depois da reunificação alemã em 1990, o padrão de vida e a renda anual permaneceram maiores nos antigos estados da Alemanha Ocidental. A modernização e integração da Alemanha Oriental continua sendo um processo longo, com transferências anuais do oeste para o leste de . A taxa de desemprego tem caído desde 2005 e alcançou o menor nível em 15 anos em junho de 2008, com 7,5%. Dentre as maiores empresas negociadas na bolsa, em relação ao faturamento, o Fortune Global 500, 29 companhias estavam sediadas na Alemanha em 2019. As dez maiores são Daimler, Volkswagen, Allianz (a empresa mais lucrativa), Siemens, Deutsche Bank (2ª mais lucrativa), E.ON, Deutsche Post, Deutsche Telekom, Metro e BASF. As maiores empregadoras são a Deutsche Post, a Robert Bosch e a Edeka. Outras grandes empresas de capital alemão são Adidas, Puma AG, Audi, Bayer, BMW, Deutsche Bahn, Henkel, Lufthansa, MAN, Nivea, Porsche, SAP AG, Schering, ThyssenKrupp, Volkswagen, Wella, entre outras, que demonstram a força econômica alemã nos mais diversos segmentos de mercado. Duas décadas após a reunificação alemã, os padrões de vida e renda per capita permanecem significativamente mais elevados nos estados da antiga Alemanha Ocidental do que nos da Alemanha Oriental. Em 2009, a taxa de desemprego foi de 8% em toda a Alemanha; na antiga Alemanha Ocidental era a metade da taxa em relação ao leste. O PIB nominal da Alemanha contraiu-se no segundo e terceiro trimestres de 2008, colocando o país em uma recessão técnica depois de um ciclo de recessão mundial e europeia. Em janeiro de 2009, o governo alemão sob Angela Merkel aprovou um plano de estímulo econômico de para proteger vários setores de uma recessão e um subsequente aumento das taxas de desemprego. Desde as celebrações da Copa do Mundo FIFA de 2006, a percepção interna e externa da imagem nacional da Alemanha mudou. Em pesquisas mundiais conduzidas anualmente conhecidas como Nation Brands Index, a Alemanha tornou-se significativamente e repetitivamente mais bem colocada após a competição. Outra pesquisa de opinião global baseada em 13 575 respostas em 21 países feita pela BBC revelou que a Alemanha é reconhecida como a melhor influência positiva no mundo em 2009, liderando entre os 16 países investigados. Uma maioria de 61% possui uma visão positiva do país, enquanto 15% possuem uma visão negativa. Com um gasto de de euros em viagens internacionais em 2008, os alemães investem mais dinheiro em viagens do que qualquer outro país. Os destinos mais populares foram Espanha, Itália e Áustria. Desde os anos de 1930 iniciara-se na Alemanha a construção da primeira rede de autoestradas em grande escala. O país dispõe de km de autoestradas (Autobahn) e de km de estradas federais A Alemanha criou uma rede policêntrica de trens de alta velocidade. O InterCityExpress ou ICE é a categoria de serviços mais avançados da Deutsche Bahn e atende às principais cidades alemãs, bem como destinos em países vizinhos. A velocidade máxima do trem varia entre 160 km/h e . As conexões são oferecidas em cada intervalo de 30 minutos, a cada hora, ou duas horas. O transporte fluvial e marítimo também desempenham um papel importante na economia do país. Através dos portos de Hamburgo, Bremerhaven, Ludwigshafen, Lübeck e Rostock, assim como do Porto de Roterdã, nos Países Baixos, flui enorme parte das exportações e importações do país. 40% das demandas de energia do país são atendidas por fontes renováveis. A Alemanha está comprometida com o Acordo de Paris contra as mudanças climáticas e vários outros tratados que promovem a biodiversidade, padrões de baixa emissão de gases estufa e gestão de recursos hídricos. No entanto, as emissões totais de gases estufa do país foram as mais elevadas da UE em 2017. A transição energética alemã (Energiewende) é o movimento nacional para uma economia sustentável por meio da eficiência energética e das energias renováveis. A política governamental enfatiza a conservação e o desenvolvimento de fontes de energia renovável, como a solar, eólica, biomassa, hidráulica, e geotérmica. Como resultado das medidas de economia de energia, a eficiência energética (a quantidade de energia necessária para produzir uma unidade do produto interno bruto) vem melhorando desde o início das medidas nos anos 1970. O governo já definiu o objetivo de satisfazer metade da demanda energética do país a partir de fontes renováveis até 2050. Em 2000, o governo e a indústria nuclear alemã concordou em desativar gradualmente todos as usinas nucleares até 2021. Em 2019, o consumo energético alemão foi atendido pelas seguintes fontes: eólica ; carvão (24,3%, incluindo lignito); nuclear ; gás natural ; solar ; biomassa e hidroelétrica . Em 2021, a Alemanha tinha, em energia elétrica renovável instalada, em energia hidroelétrica (22º maior do mundo), em energia eólica (3º maior do mundo), em energia solar (4º maior do mundo), e em biomassa. A Alemanha tem o mais antigo sistema de saúde universal, que remonta à legislação social de Bismarck em 1883. Atualmente, a população alemã é coberta por um plano de saúde bastante abrangente fornecido por lei. Certos grupos de pessoas (pessoas autônomas, trabalhadores com renda alta, etc.) podem optar por sair do plano e mudar para um contrato de seguro privado. Anteriormente, esses grupos também podiam optar por ficar sem seguro, mas esta opção foi excluída em 2009. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, do total do orçamento do sistema de saúde alemão em 2005, 77% foi financiado pelo governo e 23% pelo setor privado. Em 2005, a Alemanha gastou 11% do seu PIB na área da saúde. O país é classificado no 20º lugar no mundo em expectativa de vida (77 anos para os homens e 82 anos para as mulheres) e tem uma taxa de mortalidade infantil muito baixa (4 mortes por nascimentos). Em 2008, cerca de 82 mil alemães tinham sido infectados com HIV/AIDS e 26 mil morreram por causa da doença (número cumulativo, desde 1982). De acordo com uma pesquisa de 2005, 27% dos alemães adultos são fumantes. Estima-se que mais de 99% dos alemães com quinze anos ou mais de idade e acima sejam capaz de ler e escrever. O jardim de infância é um nível educacional opcional oferecido para todas as crianças entre três e seis anos de idade, após o qual a frequência escolar é obrigatória por, pelo menos, nove anos. A educação primária normalmente dura de quatro a seis anos e as escolas públicas não são estratificados nesta fase. Em contraste, a educação secundária inclui três tipos tradicionais de escolas focados em diferentes níveis de habilidades acadêmicas: o Gymnasium matricula os filhos mais talentosos e prepara os alunos para os estudos universitários; a Realschule é para alunos de nível intermediário e dura seis anos; o Hauptschule prepara alunos para o ensino profissional. O exame geral exigido para se entrar na universidade é o Abitur, uma qualificação normalmente baseada em uma avaliação contínua durante os últimos anos na escola e nos exames finais, no entanto, há uma série de exceções e os requisitos específicos variam, dependendo do estado, da universidade e do assunto. As universidades alemãs são reconhecidas internacionalmente; na Classificação Acadêmica das Universidades Mundiais (ARWU — sigla em inglês) de 2008, seis das 100 melhores universidades do mundo estavam na Alemanha e 18 das primeiras 200 melhores classificadas. A maior parte das universidades do país são instituições públicas, que cobram uma contribuição de apenas cerca de 60 euros por semestre (e até 500 euros no estado de Niedersachsen) por cada aluno. Assim, a educação escolar está aberta para a grande maioria dos cidadãos e completar os estudos é algo cada vez mais comum no país. Embora o sistema dual de educação combine ensinos teóricos e práticos e não leve os alunos para níveis acadêmicos, esse é um modelo de ensino típico da Alemanha e reconhecido por outros países. A Alemanha tem sido o lar de alguns dos mais proeminentes pesquisadores em vários campos científicos. O Prêmio Nobel foi concedido a 107 laureados alemães. O trabalho de Albert Einstein e Max Planck foi crucial para a fundação da física moderna, que Werner Heisenberg e Max Born desenvolveram. Eles foram precedidos por físicos, tais como Hermann von Helmholtz, Joseph von Fraunhofer e Daniel Gabriel Fahrenheit. Wilhelm Conrad Röntgen descobriu os raios X, que são chamados Röntgenstrahlen (raios Röntgen) em alemão e em muitas outras línguas. Essa conquista fez dele o primeiro ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1901. O engenheiro aeroespacial Wernher von Braun desenvolveu o primeiro foguete espacial e, posteriormente, foi um proeminente membro da NASA e desenvolveu o foguete Saturno V, que abriu o caminho para o sucesso do programa Apollo dos Estados Unidos. O trabalho de Heinrich Rudolf Hertz no domínio da radiação eletromagnética foi fundamental para o desenvolvimento das telecomunicações modernas. Através de sua construção do primeiro laboratório na Universidade de Leipzig em 1879, Wilhelm Wundt é creditado pelo estabelecimento da psicologia como uma ciência empírica independente. O trabalho de Alexander von Humboldt como um cientista e explorador natural foi fundamental para a biogeografia. Inúmeros matemáticos importantes surgiram na Alemanha, incluindo Carl Friedrich Gauss, David Hilbert, Bernhard Riemann, Gottfried Wilhelm Leibniz, Carl Gustav Jakob Jacobi, Hermann Grassmann, Johann Peter Gustav Lejeune Dirichlet, Karl Weierstrass, Gotthold Eisenstein, Hermann Minkowski, Richard Dedekind, Felix Hausdorff, Emmy Noether, Felix Klein, Ernst Zermelo e Hermann Weyl. A Alemanha tem sido o lar de muitos famosos inventores e engenheiros, como Johannes Gutenberg, que é creditado pela invenção da prensa móvel para impressão na Europa; Hans Geiger, o criador do contador Geiger; e Konrad Zuse, que construiu o primeiro computador digital totalmente automático. Importantes instituições de pesquisa na Alemanha são a Sociedade Max Planck, a Helmholtz-Gemeinschaft e a Fraunhofer-Gesellschaft. Elas são independentes ou externamente ligadas ao sistema universitário e contribuem de forma considerável para a produção científica. O prestigiado Prêmio Gottfried Wilhelm Leibniz é concedido a dez cientistas e acadêmicos a cada ano. Com um máximo de 2,5 milhões de euros por prêmio é um dos maiores prêmios dotado de pesquisa do mundo. A Alemanha é historicamente chamada de Das Land der Dichter und Denker ("A terra dos poetas e pensadores"). Desde 2006, o país tem se autodenominado Terra das ideias. A cultura alemã tem seu início muito antes do surgimento da Alemanha como um estado-nação e abrange todo o mundo falante do alemão. De suas raízes, a cultura na Alemanha tem sido moldada pelas principais tendências intelectuais e populares da Europa, tanto religiosas quanto seculares. Como resultado, é difícil identificar uma tradição alemã específica separada de um contexto maior da alta cultura europeia. Na Alemanha, os estados federais são encarregados das instituições culturais. Existem 240 teatros subsidiados, centenas de orquestras sinfônicas, milhares de museus e mais de 25 mil bibliotecas espalhadas pelos 16 estados. Estas oportunidades culturais são aproveitadas por milhões de pessoas: os museus alemães recebem mais de 91 milhões de visitantes a cada ano; anualmente, 20 milhões assistem peças nos teatros e óperas; enquanto 3,6 milhões escutam às grandes orquestras sinfônicas. A Alemanha reivindica alguns dos compositores de música erudita mais renomados mundialmente, incluindo Georg Philipp Telemann, Johann Pachelbel, Johann Sebastian Bach, Ludwig van Beethoven, Johannes Brahms, Felix Mendelssohn, Robert Schumann, Clara Schumann, Richard Wagner, Richard Strauss, Paul Hindemith e Carl Orff. Desde 2006, a Alemanha é o quinto maior mercado de música no mundo e influenciou o pop e rock através de artistas como Kraftwerk, Scorpions, Rammstein e Tokio Hotel. Diversos pintores alemães obtiveram prestígio internacional através de seus trabalhos em vários estilos artísticos. Hans Holbein, o Jovem, Matthias Grünewald, e Albrecht Dürer foram artistas importantes do Renascimento, Caspar David Friedrich do Romantismo, e Max Ernst do Surrealismo. Contribuições arquitetônicas da Alemanha incluem os estilos carolíngio e otoniano, os quais foram precursores importantes do Românico. A região posteriormente tornou-se o local de trabalhos significantes em estilos tais quais o Gótico, Renascentista e Barroco. Alemanha foi particularmente importante no começo do movimento moderno, especialmente através do movimento Bauhaus fundado por Walter Gropius. Ludwig Mies van der Rohe, também da Alemanha, tornou-se um dos mais renomados arquitetos do mundo na segunda metade do . A fachada de vidro para arranha-céus foi sua ideia. A influência da Alemanha na filosofia é historicamente significante e muitos notáveis filósofos alemães ajudaram a moldar a filosofia ocidental desde a Idade Média. As contribuições de Gottfried Wilhelm Leibniz ao racionalismo; o estabelecimento do idealismo alemão clássico por Immanuel Kant, Georg Wilhelm Friedrich Hegel, Friedrich Wilhelm Joseph Schelling e Johann Gottlieb Fichte; a formulação da teoria comunista por Karl Marx e Friedrich Engels; a composição de pessimismo metafísico de Arthur Schopenhauer; o desenvolvimento do perspectivismo de Friedrich Nietzsche; a fenomenologia de Edmund Husserl; os trabalhos sobre o ser de Martin Heidegger; e as teorias sociais de Jürgen Habermas foram especialmente influentes. A literatura alemã pode ser remontada à Idade Média, aos trabalhos de escritores tais como Walther von der Vogelweide e Wolfram von Eschenbach. Diversos autores e poetas alemães obtiveram grande renome, incluindo Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich Schiller. As coleções de contos folclóricos publicadas pelos Irmãos Grimm popularizaram mundialmente o folclore alemão. O país foi, no, o "foco do romantismo". Autores influentes do incluem Erich Maria Remarque, Thomas Mann, Berthold Brecht, Hermann Hesse, Heinrich Böll, e Günter Grass. O cinema alemão remonta aos anos iniciais com o trabalho de Max Skladanowsky. Ele foi particularmente influente durante os anos da República de Weimar com expressionistas alemães, como Robert Wiene e Friedrich Wilhelm Murnau. O diretor austríaco Fritz Lang, que se tornou cidadão alemão em 1926 e cuja carreira floresceu no período pré-guerra da indústria cinematográfica alemã, é dito ter sido uma grande influência sobre o cinema de Hollywood. Seu filme mudo Metrópolis é referido como o nascimento dos filmes modernos de ficção científica. Em 1930, austro-americano Josef von Sternberg dirigiu O Anjo Azul, que foi o principal primeiro filme sonoro alemão e trouxe fama mundial com a atriz Marlene Dietrich. O documentário impressionista ', dirigido por Walter Ruttmann, é um exemplo proeminente do gênero cidade sinfonia. A era nazista produziu principalmente filmes de propaganda, embora a obra de Leni Riefenstahl ainda tenha introduzido nova estética aos filmes. Durante os anos 1970 e 1980, os diretores Novo Cinema Alemão, como Volker Schlöndorff, Werner Herzog, Wim Wenders, Rainer Werner Fassbinder colocaram o cinema da Alemanha Ocidental novamente no cenário internacional, com seus filmes muitas vezes provocantes. Mais recentemente, filmes como Good Bye Lenin!, Gegen die Wand, Der Untergang e Der Baader Meinhof Komplex obtiveram sucesso internacional. O Oscar de melhor filme estrangeiro foi para a produção alemã Die Blechtrommel (O Tambor), em 1979, para Nowhere in Africa, em 2002, e para Das Leben der Anderen (A Vida dos Outros), em 2007. O Festival de Berlim, realizado anualmente desde 1951, é um dos principais festivais de cinema do mundo. Um júri internacional coloca ênfase na representação de filmes de todo o mundo e prêmios aos vencedores com Ursos de Ouro e Prata. A cerimônia anual dos Prêmios do Cinema Europeu é realizada a cada dois anos na cidade de Berlim, onde a Academia de Cinema Europeu está localizada. Os estúdios Babelsberg, em Potsdam, são os mais antigos estúdios de cinema em grande escala no mundo e um centro de produção cinematográfica internacional. O mercado televisivo da Alemanha é o maior da Europa, com aproximadamente 34 milhões de casas com TV. As muitas redes de televisão públicas regionais e nacionais estão organizadas de acordo com a estrutura política federal. Cerca de 90% dos lares alemães possuem TV a cabo ou por satélite, e os espectadores podem escolher entre uma variedade de canais abertos públicos e comerciais. Serviços de TV paga não se tornaram populares ou bem sucedidos enquanto as redes de televisão públicas ZDF e ARD oferecem um alcance de canais exclusivamente digitais. O mercado literário alemão produz aproximadamente 60 mil novas publicações todo ano. Isso representa 18% de todos os livros publicados no mundo e coloca a Alemanha como o terceiro maior produtor de livros mundial. A Feira do Livro de Frankfurt é considerada a feira de livros mais importante no mundo para negócios e comércio internacional, e tem uma tradição que já dura mais de 500 anos. A cozinha alemã varia de região para região. As regiões do sul da Baviera e Suábia, por exemplo, compartilham uma cultura culinária com a Suíça e com a Áustria. A carne de porco, bovina e de aves são as principais variedades de carne consumida na Alemanha, sendo a carne de porco a mais popular. Em todas as regiões, a carne é muitas vezes comida em forma de salsicha. Mais de diferentes tipos de salsichas são produzidos na Alemanha. Alimentos orgânicos ganharam uma quota de mercado de cerca de 3,0%, e deverão aumentar ainda mais. Apesar de vinho estar se tornando mais popular em muitas partes da Alemanha, a bebida alcoólica nacional é a cerveja. O consumo de cerveja alemã por pessoa está em declínio, mas, em 116 litros por ano, ele ainda está entre os mais altos do mundo. As variedades de cerveja incluem Alt, Bock, Dunkel, Kölsch, Lager, Malzbier, Pils e Weizenbier. Entre os 18 países ocidentais pesquisados, a Alemanha foi classificada na 14ª posição na lista de consumo per capita de refrigerantes em geral, enquanto o país ocupa o terceiro lugar no consumo de sucos de frutas. Além disso, a água mineral gaseificada e Schorle (esse misturado com suco de frutas) são muito populares na Alemanha. Os desportos formam uma parte integral da vida alemã. Vinte e sete milhões de alemães são membros de um clube desportivo e um adicional de doze milhões praticam tal atividade individualmente. Futebol é o desporto mais popular. Com mais de 6,3 milhões de membros oficiais, a Federação Alemã de Futebol (Deutscher Fußball-Bund) é a maior organização desportiva de seu tipo no mundo. Construtores como BMW Sauber F1 Team e Mercedes Grand Prix estão entre as principais equipes no patrocínio de corridas. Porsche venceu as 24 Horas de Le Mans, uma corrida anual de prestígio que acontece na França, em 16 ocasiões. A Deutsche Tourenwagen Masters é uma série popular na Alemanha. Atualmente o grande nome da Alemanha na Formula 1 é o piloto Sebastian Vettel, campeão das temporadas 2010, 2011, 2012 e 2013 pela equipe Red Bull Racing. Historicamente, desportistas alemães têm sido alguns dos mais bem sucedidos participantes dos Jogos Olímpicos, classificado na terceira posição em um quadro de medalhas de todos os tempos dos Jogos Olímpicos, combinando as medalhas das Alemanhas Ocidental e Oriental. Nos Jogos Olímpicos de Verão de 2008, a Alemanha terminou em quinto no quadro de medalhas, enquanto nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2006, eles terminaram em primeiro. O país organizou os Jogos Olímpicos de Verão duas vezes, em Berlim em 1936 e em Munique em 1972. Os Jogos Olímpicos de Inverno aconteceram na Alemanha em uma ocasião, em 1936 quando eles foram sediados nas cidades-irmãs de Garmisch e Partenkirchen, na Baviera.
Andorra, oficialmente Principado de Andorra, e por vezes Principado dos Vales de Andorra, é um microestado soberano europeu, sem acesso ao mar, na Península Ibérica, nos Pirenéus orientais, limitado pela França ao norte e pela Espanha ao sul. Acredita-se que tenha sido criada por Carlos Magno, sendo governada pelo Conde de Urgel até 988, quando foi transferida para a Diocese de Urgel, com o principado atual sendo formado por um tratado denominado Paréage em 1278. É conhecido como um principado, pois é uma diarquia liderada por dois copríncipes: o arcebispo católico de Urgel na Espanha e o presidente da República da França. Os andorranos são um grupo étnico românico de ascendência originalmente catalã. Andorra é o 16.º menor país do mundo em terra e o 11.º menor país em população. Sua capital, Andorra-a-Velha, é a capital mais alta da Europa, a uma altitude de 1 023 m acima do nível do mar. A língua oficial do país é o catalão, embora espanhol e francês também sejam comumente falados. A economia andorrana é baseada no turismo, estima-se que cerca 10,2 milhões de turistas visitem o país anualmente. Não é membro da União Europeia, embora tenha adotado o euro como a sua moeda oficial. É membro das Nações Unidas desde 1993. A origem da palavra Andorra é desconhecida, embora várias hipóteses tenham sido formuladas. A derivação mais antiga da palavra Andorra é do historiador grego Políbio (As Histórias III, 35, 1) que descreve os Andosins, uma tribo ibérica pré-romana, como historicamente localizada nos vales de Andorra e enfrentando o exército cartaginense em sua passagem. através dos Pirenéus durante as Guerras Púnicas. A palavra Andosini ou Andosins (Ἀνδοσίνοι) pode derivar do handia basco cujo significado é "grande" ou "gigante". A toponímia andorrana mostra evidências da língua basca na área. Outra teoria sugere que a palavra Andorra pode derivar da antiga palavra Anorra que contém a palavra basca ur . Outra teoria sugere que Andorra pode derivar do árabe al-durra, que significa "A floresta" . Quando os mouros colonizaram a Península Ibérica, os vales dos Pirenéus eram cobertos por grandes extensões de floresta, e outras regiões e cidades, também administradas por muçulmanos, receberam essa designação. Outras teorias sugerem que o termo deriva do andrógino navarro-aragonês, que significa "terra coberta de arbustos" ou "cerrado". A etimologia popular sustenta que Carlos Magno havia nomeado a região como uma referência ao vale bíblico cananeu de Endor ou Andor (onde os midianitas haviam sido derrotados), um nome também concedido por seu herdeiro e filho Louis le Debonnaire após derrotar os mouros no " vales selvagens do inferno". La Balma de la Margineda, encontrada por arqueólogos em Sant Julia de Loria, foi estabelecida em 9 500 a.C. como um lugar de passagem entre os dois lados dos Pireneus. O acampamento sazonal estava perfeitamente localizado para caçar e pescar pelos grupos de caçadores-coletores de Ariège e Segre. Durante a Era Neolítica, um grupo de humanos mudou-se para o Vale do Madriu (atualmente Parque Natural localizado em Escaldes-Engordany, declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO) como um campo permanente em 6 640 a.C. A população do vale cultivava cereais, criava gado doméstico e desenvolvia comércio com pessoas do Segre e do Occitânia. Outros depósitos arqueológicos incluem os Túmulos de Segudet (Ordino) e Feixa del Moro (Sant Julia de Loria), ambos datados em 490–4300 aC, como um exemplo da cultura da urna em Andorra. Os habitantes dos vales eram tradicionalmente associados aos ibéricos e historicamente localizados em Andorra como a tribo ibérica Andosins ou Andosini (Ἀνδοσίνους) durante os séculos VII e II a.C. Influenciados pelas línguas aquitânica, basca e ibérica, os habitantes locais desenvolveram alguns topônimos atuais. Primeiros escritos e documentos relativos a esse grupo de pessoas remontam ao século II a.C. pelo escritor grego Políbio em suas histórias durante as Guerras Púnicas. Alguns dos restos mais significativos desta época são o Castelo do Roc d'Enclar (parte da antiga Marca Hispanica), l'Anxiu em Les Escaldes e Roc de L'Oral em Encamp. A presença da influência romana é registrada a partir do século II a.C. até o século V d.C. A tradição sustenta que Carlos Magno concedeu uma carta ao povo andorrano para um contingente de cinco mil soldados sob o comando de Marc Almugaver, em troca de lutar contra os mouros perto de Porté-Puymorens (Cerdanha). Andorra permaneceu parte da Marca Hispanica do Império Franco sendo parte do território governado pelo Conde de Urgel e, eventualmente, pelo bispo da Diocese de Urgel. Também a tradição sustenta que foi garantida pelo filho de Carlos Magno, Luís, o Piedoso, escrevendo a Carta de Poblament ou uma carta municipal local por volta de 805. Em 988, Borrell II, conde de Urgel, deu os vales andorranos à Diocese de Urgel em troca de terras em Cerdanha. Desde então, o Bispo de Urgel se tornou copríncipe de Andorra. O primeiro documento que menciona Andorra como um território é a "Acta de Consagração e Dotación da Catedral de Seu d'Urgell" (Escritura de Consagração e Dotação da Catedral de La Seu d'Urgell). O antigo documento datado de 839 retrata às seis antigas paróquias dos vales andorranos, portanto, a divisão administrativa do país. Antes de 1095, Andorra não tinha nenhum tipo de proteção militar e o bispo de Urgel, que sabia que o conde de Urgel queria recuperar os vales andorranos, Um segundo parágrafo foi assinado em 1288 após uma disputa quando o Conde de Foix ordenou a construção de um castelo em Roc d'Enclar. Em 1364, a organização política do país nomeou a figura do sindicato (agora porta-voz e presidente do parlamento) como representante dos andorranos para seus copríncipes, possibilitando a criação de departamentos locais (comuns, quarts e veïnats). Após ser ratificado pelo Bispo Francesc Tovia e pelo Conde Jean I, o Consell de la Terra ou Consell General de les Valls (Conselho Geral dos Vales) foi fundado em 1419, o segundo parlamento mais antigo da Europa. O sindicato Andreu d'Alàs e o Conselho Geral organizou a criação dos Tribunais de Justiça (La Cort de Justicia) em 1433 com os copríncipes e a cobrança de impostos como foc i lloc (literalmente fogo e local, um imposto nacional ativo desde então). Embora possamos encontrar restos de obras eclesiásticas que datam do século IX (Sant Vicenç d'Enclar ou Església de Santa Coloma), Andorra desenvolveu requintada arte românica durante os séculos IX e XIV, tanto na construção de igrejas, pontes, murais religiosos e estátuas da Virgem e do Menino (sendo a mais importante a Nossa Senhora de Meritxell). Hoje em dia, os edifícios românicos que fazem parte do património cultural de Andorra destacam-se de forma notável, com destaque para Església de Sant Esteve, Sant Joan de Caselles, Església de Sant Miquel d'Engolasters, Sant Martí da Cortinada e as pontes medievais de Margineda e Escalls entre muitos outros. Enquanto os Pirenéus catalães eram embrionários da língua catalã no final do século XI, Andorra foi influenciada pelo aparecimento daquela língua, onde foi adotada pela proximidade e influência, mesmo décadas antes de ser expandida pelo resto do Reino de Aragão. A população local baseou sua economia durante a Idade Média na pecuária e agricultura, bem como em peles e tecelãs. Mais tarde, no final do século XI, as primeiras fundições de ferro começaram a aparecer em paróquias do norte como Ordino, muito apreciadas pelos mestres artesãos que desenvolveram a arte das forjas, uma importante atividade econômica no país a partir do século XV. Em 1601, o Tribunal de Corts (Tribunal Superior de Justiça) foi criado como resultado de rebeliões huguenotes da França. Tribunais do Santo Ofício da Igreja Católica vieram da Espanha e a feitiçaria indígena foi vivenciada no país devido à Reforma e à Contrarreforma. Com o passar do tempo, o co-título para Andorra passou para os reis de Navarra. Depois que Henrique de Navarra se tornou o rei Henrique IV da França, ele emitiu um decreto em 1607, que estabeleceu o chefe do Estado francês e o bispo de Urgel como copríncipes de Andorra. Durante 1617 conselhos comunais formam o sometent (milícia popular ou exército) para lidar com a ascensão de bandolerisme (banditismo) e o Consell de la Terra foi definido e estruturado em termos de sua composição, organização e competências atuais. Andorra continuou com o mesmo sistema econômico que tinha durante os séculos XII a XIV, com uma grande produção de metalurgia (fargues, um sistema semelhante ao Farga catalana) e com a introdução do tabaco por volta de 1692 e comércio de importação. A feira de Andorra-a-Velha foi ratificada pelos copríncipes em 1371 e 1448, sendo o festival nacional anual mais importante comercial desde então. O país tinha uma aliança única e experiente de tecelões, a Confraria de Paraires i Teixidors, localizada em Escaldes-Engordany, fundada em 1604, aproveitando as águas termais da região. Naquela época, o país era caracterizado pelo sistema social de prohoms (sociedade rica) e casalers (resto da população com menor aquisição econômica), derivado da tradição da pubilla e do hereu. Três séculos depois de sua fundação, o Consell de la Terra localizou sua sede e o Tribunal de Corts na Casa de la Vall em 1702. A mansão construída em 1580 serviu como fortaleza nobre da família Busquets. No parlamento foi colocado o Armário das seis chaves (Armari de les sis claus) representativo de cada paróquia andorrana e onde a constituição andorrana, outros documentos e leis foram mantidos mais tarde. Durante a Guerra dos Segadores e a Guerra de Sucessão Espanhola, o povo andorrano (embora com a declaração de país neutro) apoiou os catalães que viram seus direitos reduzidos em 1716. A reação foi a promoção dos escritos catalães em Andorra, com obras culturais como o Livro dos Privilégios (Llibre de Privilegis de 1674), o Manual Digest de Antoni Fiter i Rossell ou o Polità andorrà de Antoni Puig. Depois da Revolução Francesa, em 1809, Napoleão I restabeleceu o Coprincipado e acabou com o dízimo medieval francês. No entanto, em 1812–13, o Primeiro Império Francês anexou a Catalunha durante a Guerra Peninsular (Guerra del francés). Foi dividido em quatro departamentos, com Andorra fazendo parte do distrito de Puigcerdà (departamento de Sègre). Em 1814, um decreto real restabeleceu a independência e economia de Andorra. Durante este período, as instituições medievais tardias de Andorra e a cultura rural permaneceram praticamente inalteradas. Em 1866, o sindicato Guillem d'Areny-Plandolit liderou o grupo reformista num Conselho Geral de 24 membros, eleito por sufrágio limitado a chefes de família, substituindo a oligarquia aristocrática que anteriormente governava o estado. A Nova Reforma (Nova Reforma ou Pla de Reforma) começou após ser ratificada por ambos os copríncipes e estabeleceu a base da constituição e símbolos (como a bandeira tricolor) de Andorra. Uma nova economia de serviços surgiu como uma demanda dos habitantes dos vales e começou a construir infra-estruturas como hotéis, resorts de spa, estradas e linhas de telégrafo. As autoridades dos copríncipes (veguer) baniram cassinos e casas de apostas em todo o país, estabelecendo um conflito econômico com a demanda do povo andorrano. O conflito levou à chamada Revolução de 1881, quando os revolucionários atacaram a casa do sindicato em 8 de dezembro de 1880 e estabeleceram o Conselho Revolucionário Provisório liderado por Joan Pla I Calvo e Pere Baró I, mas, que concedeu a construção de casinos e spas a empresas estrangeiras. Durante os dias 7 e 9 de junho de 1881, os leais a Canillo e Encamp reconquistaram as paróquias de Ordino e Massana estabelecendo contato com as forças revolucionárias em Escaldes-Engordany. Após um dia de combate, finalmente, o Tratado da Ponte de Escalls foi assinado em 10 de junho. O Conselho foi substituído e novas eleições foram realizadas. Mas a situação econômica piorou, pois, a sociedade estava dividida em relação ao Qüestió d'Andorra (a questão andorrana em relação à Questão Oriental). As lutas continuaram entre os pró-bispos, pró-franceses e nacionalistas que derivaram os problemas de Canillo em 1882 e 1885. Andorra participou do movimento cultural da catalã Renaixença. Entre 1882 e 1887 foram formadas as primeiras escolas acadêmicas onde o trilingüismo coexiste com o conhecimento da língua oficial, o catalão. Alguns autores românticos da França e da Espanha relataram o despertar da consciência nacional do país. Jacint Verdaguer viveu em Ordino durante a década de 1880, onde escreveu e compartilhou trabalhos relacionados à Renaixença com Joaquim de Riba, escritor e fotógrafo. Fromental Halévy, já havia estreado em 1848 a ópera Le Val d'Andorre de grande sucesso na Europa, onde a consciência nacional dos vales durante a Guerra Peninsular foi exposta no trabalho romântico. Andorra declarou guerra à Alemanha Imperial durante a Primeira Guerra Mundial, mas não participou diretamente dos combates. Sabe-se que alguns andorranos se ofereceram para participar do conflito como parte das legiões francesas. O país permaneceu em estado oficial de beligerância até 1958, como não foi incluído no Tratado de Versalhes. Em 1933, a França ocupou Andorra após a agitação social que ocorreu antes das eleições, devido à Revolução de 1933 e às greves da FHASA (Vagues de FHASA); a revolta liderada por Joves Andorrans (um sindicato trabalhista ligado à espanhola CNT e à FAI) pediu reformas políticas, o sufrágio universal de todos os andorranos e atuou em defesa dos direitos dos trabalhadores locais e estrangeiros durante a construção do poder hidrelétrico da FHASA. Em 5 de abril de 1933, Joves Andorrans tomou o Parlamient andorrano sob sua custódia em rebelião aos seus pedidos. Estas ações foram precedidas pela chegada do coronel René-Jules Baulard com 50 gendarmes e a mobilização de 200 milícias locais ou algumas lideradas pelo Síndic Francesc Cairat. Em 12 de julho de 1934, o aventureiro Boris Skossyreff emitiu uma proclamação em Urgel, declarando-se "Boris I, rei de Andorra", declarando simultaneamente a guerra contra o bispo de Urgel. Ele foi preso pelas autoridades espanholas em 20 de julho e, finalmente, expulso da Espanha. De 1936 a 1940, um destacamento militar francês foi guarnecido em Andorra para garantir o principado contra as perturbações da Guerra Civil Espanhola e da Espanha franquista. Tropas franquistas chegaram à fronteira andorrana nos últimos estágios da guerra. Durante a Segunda Guerra Mundial, Andorra permaneceu neutra e foi uma importante rota de contrabando entre a França de Vichy e a Espanha. Dado o seu relativo isolamento, Andorra existiu fora do mainstream da história da Europa, com poucos laços com outros países além da França, Espanha e Portugal. Nos últimos tempos, no entanto, sua próspera indústria turística, juntamente com a evolução dos transportes e das comunicações, retiraram o país de seu isolamento. Desde 1976, o país vê a necessidade de reformar as instituições andorranas devido aos anacronismos no campo da soberania, direitos humanos e equilíbrio de poderes, bem como a necessidade de adaptar a legislação às exigências modernas. Em 1982, uma primeira separação de poderes ocorreu ao instituir o Governador de Andorra, sob o nome de Conselho Executivo (Consell Executiu), presidido pelo primeiro-ministro Òscar Ribas Reig com a aprovação dos copríncipes. Em 1989, o Principado assinou um acordo com a Comunidade Económica Europeia para regularizar as relações comerciais. Seu sistema político foi modernizado em 1993, após um referendo, em que a constituição foi elaborada pelos copríncipes e pelo Conselho Geral e aprovada em 14 de março por 74,2% dos eleitores, com 76% de participação. As primeiras eleições sob a nova constituição foram realizadas no final do ano. No mesmo ano, Andorra tornou-se membro das Nações Unidas e do Conselho da Europa. Condizendo com a sua localização no leste da cordilheira dos Pirenéus, Andorra consiste predominantemente de montanhas escarpadas com uma altitude média de 1996 m e a mais elevada, Coma Pedrosa, a atingir 2 946 m. As montanhas são separadas por três vales estreitos em forma de Y, que se combinam num único, por onde o principal curso de água, o Rio Valira, sai do país e entra na Espanha, no ponto mais baixo de Andorra, aos 840 m de altitude. Com uma altitude média entre 1 900 e 2 000 m, Andorra é o segundo país mais alto da Europa, depois da Suíça. O território do Principado de Andorra está estruturado em sete divisões administrativas locais, sendo conhecidas como "paróquias". São elas: Canillo, Encamp, Andorra-a-Velha, Ordino, La Massana, Sant Julià de Lòria e Escaldes-Engordany. As paróquias são administradas pelos comuns, que representam os interesses locais, aprovam e executam o pressuposto comunal, e que fixam e elaboram as políticas de gestão e administração dos bens e das propriedades comunais. Dispõem de recursos próprios e recebem capital do Estado, com objetivo de garantir a autonomia financeira. O clima de Andorra é semelhante ao clima temperado dos vizinhos, mas a sua altitude mais elevada significa que há, em média, mais neve no inverno e que é um pouco mais fresco no verão. O principado tem uma fracção muito alta de dias ensolarados e o clima é seco. Três ou quatro nevadas fortes caem todos os anos. A média das mínimas anuais é de -2 °C e a das máximas é de 24 °C. Ao entardecer é quando há mais precipitações salvo no inverno que são, sobretudo, de neve. Este pequeno país é caracterizado por cimeiras de materiais paleozoicos, que se elevam através dos 2 600 m e culminam a 2 942 m próximo ao Pla de l'Estany nas fronteiras com a Espanha e a França. A atividade humana concentra-se no vale transversal nordeste-sudoeste, que a partir do Passo de Envalira (2 407 m) desce até os 840 m, quando o rio Valira finalmente chega a Espanha. Em Andorra a vegetação é predominantemente Mediterrânea. Os bosques ocupam dois quintos do território, seguindo três pisos de altitude: até os 1 200 m, azinheiras e carvalhos, até os 1 600–1 700 m predomina o Pinus sylvestris e até aos 2 200–2 300 m abunda o Pinus mugo, substituído nas cimeiras pelos prados alpinos. Existem três rios principais neste país, que fazem uma forma de Y. O Valira do Oriente nasce na parte mais oriental do país, com extensão de 23 km e passando pelas cidades de Canillo e Encamp. Este conflui com o rio Valira do Norte, que nasce nos lagos de Tristaina, com extensão de 14 km e passando pelas cidades de Ordino e La Massana. Ambos os rios confluem na cidade de Escaldes-Engordany e formam o rio principal, o Grande Valira, com uma extensão de 11,6 km e um fluxo anual médio de 13 m³/s. Este último, em sua descida ao sul, acaba desembocando no rio Segre que, por sua vez, desemboca no rio Ebro. Andorra possui mais de 60 lagos. Os mais representativos são: o lago de Juclar, cuja superfície é a mais extensa de todos os lagos do Principado com 21 ha, o lago de l'Illa com treze hectares, o lago (artificial) de Engolasters com sete hectares e os três lagos de Tristaina. O lago de Juclar, durante o período de seca do verão, pode ser visto como se fossem três lagos diferentes, porém são na realidade o mesmo. Os andorranos são minoria em seu próprio país; não mais do que 38% do total da população têm nacionalidade andorrana. O principal grupo de residentes estrangeiros são os espanhóis (32%, de língua castelhana principalmente, depois catalã e galega), juntamente com os portugueses e os franceses . Os 8% restantes pertencem a outras nacionalidades (na maioria britânicos). Em 2004, o crescimento da população andorrana foi de 6,30% em relação ao ano anterior. Esse crescimento se dá em parte à regularização e autorização de vistos de trabalho em vigor desde 1998. Estima-se que esse valor corresponda a cerca de 7 500 pessoas. Se tal crescimento for analisado por paróquia, ele é bem irregular, com um aumento de 13,97% em Canillo, de 9,23% em Encamp, de 10,81% em Ordino, de 9,76% em La Massana, de 3,85% em Andorra-a-Velha, de 6,88% em Sant Julià e de 3,15% em Escaldes-Engordany. No ano de 2006, a população era de habitantes. Eis alguns indicadores populacionais:, Índice de natalidade: 12,6 a cada 1 000 habitantes, Índice de mortalidade: 3,1 a cada 1 000 habitantes, Esperança de vida: homens: 80 anos, mulheres: 86 anos, População urbana: 89% A língua histórica e oficial é o catalão, uma língua românica, falada por 34% da população. Andorra é o único país do mundo a ter o catalão como idioma oficial. O governo andorrano incentiva o uso do catalão. Fundou uma Comissão para Toponímia Catalã em Andorra (em catalão: la Comissió de Toponímia d'Andorra) e oferece cursos gratuitos de catalão para ajudar os imigrantes. As estações de rádio e televisão andorranas usam o catalão. Devido à imigração, ligações históricas e proximidade geográfica, castelhano (falado por 35,4%), português e francês também são comumente falados. A população de Andorra é predominantemente católica. A santa padroeira do país é Nossa Senhora de Meritxell. Embora não seja uma religião oficial, a constituição reconhece uma relação especial com a Igreja Católica, oferecendo alguns privilégios especiais. A Igreja Católica é mencionada especificamente na Constituição e suas operações e papel tradicional em relação ao Estado está consagrada no artigo 11 da Constituição de Andorra. Outras denominações cristãs incluem a Igreja Anglicana, a Igreja da Unificação,a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Igreja Nova Apostólica e as Testemunhas de Jeová. A pequena comunidade muçulmana no país é composta principalmente de imigrantes norte-africanos. Existe uma pequena comunidade de hindus e bahá'ís, e aproximadamente 100 judeus vivem em Andorra. Esta situação, baseada em precedentes históricos, cria uma peculiaridade que torna Andorra a única diarquia do mundo, o único país onde os chefes de estado não são cidadãos do país, e o único país onde os seus dois chefes de estado são escolhidos por um país estrangeiro (o Copríncipe Francês e Presidente da França é eleito por cidadãos franceses, mas não é eleito por andorranos, visto que os andorranos não podem votar nas eleições presidenciais francesas, e o Copríncipe Episcopal e Bispo de Urgel é nomeado por um chefe de Estado estrangeiro, o papa). A política de Andorra tem lugar no quadro de uma democracia parlamentar representativa, em que o chefe de governo é o chefe do executivo e de um sistema multipartidário pluriforme. O actual Chefe de Governo é Xavier Espot Zamora do partido Democratas por Andorra . O poder executivo é exercido pelo governo. O poder legislativo é investido no governo e no parlamento. O Parlamento de Andorra é conhecido como o Conselho Geral. O Conselho Geral é unicameral e composto por 28 a 42 conselheiros. Os conselheiros servem por mandatos de quatro anos, e as eleições são realizadas entre 30 a 40 dias após a dissolução do Conselho anterior. Metade é eleita em número igual por cada uma das sete paróquias administrativas, e a outra metade dos Conselheiros é eleita em um único distrito nacional. devido ao tratado de defesa existente entre Andorra e estes dois países. Há também o Sometent, uma instituição catalã de caráter parapolicial, que entra em serviço apenas durante emergências nacionais ou em eventos oficiais, convocando todos os homens de Andorra com idade superior a 18 anos. Por essas razões que todos os andorranos, e especialmente o chefe de cada casa (geralmente o homem mais velho e saudável de uma casa) devem, por lei, manter um rifle, embora a lei também estabeleça que a polícia oferecerá uma arma de fogo em caso de necessidade. e possui um acordo especial com a União Europeia. Em 16 de outubro de 2020, Andorra tornou-se o 190º país membro do Fundo Monetário Internacional, durante a pandemia de COVID-19. A bandeira nacional de Andorra foi adoptada oficialmente em 1866. Consiste em um tricolor azul, amarelo e vermelho com o brasão de armas no meio. As cores azul e vermelho foram retiradas da bandeira da França, o vermelho e amarelo da bandeira da Espanha, O brasão de armas de Andorra existe há muito tempo, mas só se tornou o brasão nacional do principado em 1969 e aparece no centro da bandeira andorrana. A parte inferior do brasão inscreve o lema em latim Virtus Unita Fortior (Virtude Unida é mais forte). O brasão é um esquartelado, na qual o 1.º quartel, de vermelho, contém uma mitra e um báculo de bispo, que representa os bispos de Urgel. Os 2.º e o 3.º contém, respetivamente, 3 e 4 palas a vermelho que representam o condado de Foix, a Catalunha e o 4.º, em ouro, contém 2 bois a vermelho, que representa os viscondes de Béarn. O hino de Andorra (El Gran Carlemany) foi escrito por Juan Benlloch i Vivó, enquanto a música foi composta por Enric Marfany Bons. O hino foi adotado em 8 de setembro de 1921 e faz referência a vários aspectos da cultura e da história andorrana. O turismo, o esteio da minúscula economia de Andorra, representa cerca de 80% do PIB. Estima-se que 10,2 milhões de turistas visitam anualmente, O sector bancário, com o estatuto de paraíso fiscal, também contribui substancialmente para a economia (o sector financeiro e de seguros representa cerca de 19% do PIB). O sistema financeiro é composto por cinco grupos bancários, uma entidade de crédito especializada, oito entidades gestoras de empresas de investimento, três sociedades gestoras de activos e 29 seguradoras, dos quais 14 são sucursais de seguradoras estrangeiras autorizadas a operar no principado. Andorra tem tradicionalmente uma das taxas de desemprego mais baixas do mundo. Em 2009, ficou em 2,9%. Andorra há muito se beneficia de sua condição de paraíso fiscal, com receitas arrecadadas exclusivamente por tarifas de importação. Em 31 de maio de 2013, foi anunciado que Andorra pretendia legislar para a introdução de um imposto sobre o rendimento até ao final de junho, num contexto de crescente insatisfação com a existência de paraísos fiscais entre os membros da UE. O anúncio foi feito após uma reunião em Paris entre o chefe de governo Antoni Martí e o presidente francês e o então copríncipe de Andorra, François Hollande. Hollande acolheu o movimento como parte de um processo de Andorra "trazendo sua tributação de acordo com os padrões internacionais". Crianças entre 6 e 16 anos são obrigadas por lei a ter educação em tempo integral. A educação até o nível secundário é fornecida gratuitamente pelo governo. Existem três sistemas escolares: andorrana, francesa e espanhola, que usam as línguas catalã, francesa e espanhola, respectivamente, como a principal língua de instrução. Os pais podem escolher qual sistema seus filhos irão frequentar. Todas as escolas são construídas e mantidas pelas autoridades andorranas, mas os professores das escolas de francês e espanhol são financiados em grande parte pela França e pela Espanha. 39% das crianças andorranas frequentam escolas andorranas, 33% frequentam escolas francesas e 28% escolas espanholas. Andorra possui uma instituição de ensino superior pública, a Universidade de Andorra, a única universidade do país, fundada em 1997. A universidade oferece cursos de primeiro nível em enfermagem, ciência da computação, administração de empresas e ciências da educação, além de cursos superiores de educação profissional. Às duas únicas escolas de pós-graduação em Andorra são a Escola de Enfermagem e a Escola de Ciências da Computação, esta última tendo um programa de doutorado. De acordo com dados de 2016, Andorra é o único país no mundo onde a taxa de alfabetização atinge 100% dos cidadãos acima de 15 anos de idade. Cerca de 3,2% do Produto Interno Bruto do país é destinado às despesas e investimentos no setor de educação pública. O sistema de saúde em Andorra é prestado a todos os trabalhadores e suas famílias pelo sistema de segurança social gerido pelo governo: a Caixa Andorrana de Seguridade Social . Esse sistema é financiado pelas contribuições dos empregadores e empregados em relação aos salários. O custo dos cuidados de saúde é coberto pelo SASC as taxas de 75% para despesas de ambulatório, como medicamentos e visitas hospitalares, 90% para hospitalização e 100% para acidentes de trabalho. O restante dos custos pode ser coberto pelo seguro de saúde privado. Outros residentes e turistas precisam de seguro de saúde privado completo. O principal hospital, o Nostra Senyora de Meritxell, fica em Escaldes-Engordany. Há também 12 centros de atenção primária em vários locais ao redor do principado. Até o século XX, Andorra tinha ligações de transporte muito limitadas para o mundo exterior, e o desenvolvimento do país foi afetado pelo seu isolamento físico. Mesmo agora, os principais aeroportos mais próximos, em Toulouse e Barcelona, ficam há três horas de carro de Andorra. Andorra tem uma rede rodoviária de 279 km, dos quais 76 km não são pavimentados. As duas estradas principais de Andorra la Vella são a CG-1 até à fronteira espanhola e a CG-2 até à fronteira francesa através do túnel Envalira perto de El Pas de la Casa. Os serviços de ônibus cobrem todas as áreas metropolitanas e muitas comunidades rurais, com serviços na maioria das principais rotas funcionando a cada meia hora ou com mais frequência durante os horários de pico. Há frequentes serviços de ônibus de longa distância de Andorra para Barcelona e Toulouse, além de uma excursão diária da antiga cidade. Os serviços de ônibus são em sua maioria dirigidos por empresas privadas, mas alguns locais são operados pelo governo. Existem heliportos em La Massana (Heliporto de Camí), Arinsal e Escaldes-Engordany com serviços de helicópteros comerciais e um aeroporto localizado na comarca espanhola vizinha de Alto Urgel, 12 km a sul da fronteira andorrano-espanhola. Desde julho de 2015, o Aeroporto de Andorra-La Seu d'Urgell opera voos comerciais para Madri e Palma de Maiorca, e é o principal hub da Air Andorra e da Andorra Airlines. Os aeroportos nas proximidades localizados na Espanha e na França fornecem acesso a voos internacionais para o principado. Os aeroportos mais próximos são em Perpignan, na França (156 km de Andorra) e em Lleida, Espanha (160 km de Andorra). Os maiores aeroportos próximos são em Toulouse, França (165 km de Andorra) e Barcelona, Espanha (215 km ou 134 milhas de Andorra). Há serviços de ônibus de hora em hora dos aeroportos de Barcelona e Toulouse para Andorra. A estação ferroviária mais próxima é em L'Hospitalet-près-l'Andorre, a 10 km a leste de Andorra, que fica na linha de Latour-de-Carol a sudeste de Andorra, a Toulouse e a Paris pelos trens franceses de alta velocidade. Esta linha é operada pela SNCF. O Latour-de-Carol possui uma linha de metrô para Villefranche-de-Conflent, bem como a linha da SNCF conectada a Perpignan, além da linha da Renfe Operadora que liga Barcelona. Há também trens diretos Intercités à noite entre L'Hospitalet-près-l'Andorre e Paris em determinadas datas. Em Andorra, os serviços de telefonia móvel e fixa e de internet são operados exclusivamente pela empresa nacional de telecomunicações de Andorra, a Andorra Telecom. A empresa também administra a infraestrutura técnica para a transmissão nacional de televisão e rádio digitais. Até o final de 2010, foi planejado que todas as residências do país tivessem fibra a domicílio para acesso à Internet a uma velocidade mínima de 100 Mbit/s, e a disponibilidade estava completa em junho de 2012. Existe uma emissora de televisão de Andorra, a Rádio i Televisió d'Andorra . A Rádio Nacional d'Andorra opera duas estações de rádio, a Rádio Andorra e a Andorra Música. Há três jornais nacionais: Diari d'Andorra, El Periòdic d'Andorra e Bondia, além de vários jornais locais. Há também uma sociedade de radioamadores. Estações de rádio e televisão adicionais da Espanha e da França estão disponíveis via televisão digital terrestre e IPTV. A língua oficial e histórica é o catalão. Assim, a cultura é catalã, com especificidade própria. Andorra é o lar de danças folclóricas como os contrapàs e marratxa, que sobrevivem em Sant Julià de Lòria especialmente. A música folclórica andorrana tem semelhanças com a música de seus vizinhos, mas tem um caráter especialmente catalão, especialmente na presença de danças como a sardana. Outras danças folclóricas andorranas incluem contrapós em Andorra la Vella e a dança de Santa Ana em Escaldes-Engordany. O feriado nacional de Andorra é o dia de Nossa Senhora de Meritxell, 8 de setembro. e o Vale Madriu-Perafita-Claror foi incluído como Património Mundial pela UNESCO em 2004, sendo o único Património Mundial em Andorra. O evento mais importante na vida cultural de Andorra é o festival internacional de jazz de Escaldes-Engordany, celebrado durante o mês de julho, onde intérpretes como Miles Davis, Fats Domino e B. B. King já participaram. Na capital, durante as noites de verão de quintas-feiras, se realiza o Dijous de Rock, onde grupos locais e do estado espanhol oferecem concertos ao público. A Orquestra Nacional de Cambra d'Andorra, dirigida e fundada em 1993 pelo violinista Gerard Claret, celebra um encontro de canto com fama internacional, tendo feito concertos em Espanha, França e Bélgica e participado regularmente no Palau de la Música Catalana. Em 2004, Andorra participou do Eurovision pela primeira vez representada por Marta Roure. Este feito atraiu a atenção dos meios de comunicação da Catalunha, já que foi a primeira canção cantada na Língua catalã. A canção foi eliminada na semifinal, assim como as composições de 2005 (interpretada por Marian van de Wal), 2006 (interpretada por Jenny) e 2007 (interpretada por Anonymous). A literatura andorrana tem suas origens no século XVIII. Antoni Fiter i Rossell escreveu um livro sobre a história, o governo e os usos e costumes de Andorra chamado Digest manual de las valls neutras de Andorra em 1748. Essa obra também contém os documentos de Carlos Magno e Luís I, o Piedoso. Atualmente o original se conserva na casa Fiter-Riba, de Ordino, sendo que existe uma cópia no Armari de les Set Claus na Casa de la Vall e outra nos arquivos do bispado de La Seu d'Urgell. Posteriormente, em 1763, o pároco Antoni Puig escreveu o Politar andorrà, obra que descreve os privilégios do Principado e as atribuições das autoridades. Como autores da literatura contemporânea andorrana pode-se citar Antoni Morell i Mora, Albert Salvadó i Miras, Teresa Colom i Pich e Albert Villaró i Boix. Desde o ano passado, alguns desses autores participaram da Feira do Livro de Frankfurt. Assim mesmo, o Governo andorrano, junto com editoriais catalãs, convoca anualmente o Premi Carlemany e, desde 2007, o Premi Ramon Llull. Andorra é famosa pela prática de esportes de inverno. Os desportos populares praticados em Andorra incluem futebol, rugby, basquetebol e hóquei em patins. No hóquei em patins Andorra costuma jogar no Campeonato Europeu de Hóquei em Patins e no Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins. Em 2011, Andorra foi o país anfitrião da Final Eight da Liga Europeia de 2011. O país é representado no futebol pela seleção nacional de futebol de Andorra. No entanto, a equipe teve pouco sucesso internacionalmente devido à pequena população de Andorra. O futebol é administrado em Andorra pela Federação Andorrana de Futebol — fundada em 1994, organiza as competições nacionais de futebol (Primera Divisió, Copa Constitució e Supercopa) e futsal. Andorra foi admitido na UEFA e FIFA no mesmo ano. FC Andorra, um clube com sede em Andorra-a-Velha fundado em 1942, passou a competir no Campeonato Espanhol de Futebol. O rugby é um esporte tradicional em Andorra, influenciado principalmente pela popularidade no sul da França. A equipe do sindicato nacional de rúgbi de Andorra, apelidada de "Els Isards", impressionou no cenário internacional do rugby union e do rugby sevens. VPC Andorra XV é uma equipa de rugby baseada em Andorra-a-Velha que joga no campeonato francês. A popularidade do basquete aumentou no país desde a década de 1990, quando a equipe andorrana BC Andorra jogou no campeonato espanhol (Liga ACB). Após 18 anos, o clube retornou à liga principal em 2014. Outros esportes praticados em Andorra incluem ciclismo, vôlei, judô, futebol australiano, handebol, natação, ginástica, tênis e automobilismo. Em 2012, Andorra levantou sua primeira equipe nacional de críquete e disputou uma partida em casa contra a Federação Holandesa de Fairly Odd Places Cricket Club, a primeira partida disputada na história de Andorra, a uma altitude de 1 300 m. Andorra participou pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de 1976. O país também aparece em todos os Jogos Olímpicos de Inverno desde 1976. Andorra compete nos Jogos dos Pequenos Estados da Europa sendo país anfitrião duas vezes em 1991 e 2005. Existem 4 feriados oficiais em Andorra e mais outros 10 feriados e festas menores. O feriado principal de Andorra é o de Nossa Senhora de Meritxell, padroeira de Andorra, que é o dia nacional do país. Nesse dia realiza uma peregrinação com tochas e velas do monumento de Pareatges ao Santuário de Nossa Senhora de Meritxell, na paróquia de Canillo, onde depois ocorre uma missa.
Antoine-Henri Becquerel (Paris, — Le Croisic, ) foi um físico francês. Becquerel foi o responsável pelos estudos que levaram à descoberta do fenômeno da radioatividade. Era filho de Alexandre-Edmond Becquerel. Estudou na École Polytechnique e era "engenheiro de pontes e calçadas". Ensinou física na École Polytechnique e no Museu Nacional de História Natural. Continuou os trabalhos dos seus pai e avô, descobrindo em 1896 a radioactividade dos sais de urânio. Esta descoberta fundamental valeu-lhe a atribuição do Nobel de Física em 1903, juntamente com o casal Pierre Curie e Marie Curie. Foi membro da Academia das Ciências da França. Seu pai, Alexandre Becquerel estudou a luz e a fosforescência, inventando a fosforoscopia. Seu avô, Antoine César Becquerel, foi um dos fundadores da eletroquímica. Em 1895 descobriu acidentalmente uma nova propriedade da matéria que, posteriormente, denominou de radioatividade. Ao colocar sais de urânio sobre uma placa fotográfica em local escuro, verificou que a placa enegrecia. Os sais de urânio emitiam uma radiação capaz de atravessar papéis negros e outras substâncias opacas a luz. Estes raios foram denominados, a princípio, de Raios B em sua homenagem. Além disso realizou pesquisas sobre fosforescência, espectroscopia e absorção da luz. Entre suas obras destacam-se: *Investigação sobre a fosforescência (1882-1897); *Descobrimento da radiação invisível emitida pelo urânio (1896-1897). Os primeiros trabalhos de Becquerel foram realizados com base nos estudos de polarização de plano de luzes, com o fenômeno da fosforescência e com a absorção de luz por cristais e também o magnetismo terrestre. Após o descobrimento do raio X por Wilhelm Conrad Röntgen, Antoine foi levado a estudar o fenômeno com sais de urânio e a forma como eles são afetados pela luz. Por acidente, Henri descobriu que os raios urânicos emitidos eram capazes de penetrar e imprimir imagens em chapas fotográficas. Mais estudos mostraram que isso não vinha do recém-descoberto raio X e sim de uma outra radiação, tinha ele descoberto um novo fenômeno: a radioatividade natural ou espontânea, conhecida atualmente como Radiação gama . Henri fez diversos estudos para investigar se uma substância fluorescente poderia emitir raios X quando era submetida à luz do sol. Ele expôs ao sol uma chapa fotográfica coberta com papel opaco e pedras de sais de urânio, após um determinado tempo foi constatado que a chapa foi manchada pelos sais. Concluiu-se que a radiação não propagava pelo efeito da luz do Sol, mas por alguma propriedade dos sais utilizados no experimento, no caso, sais de Urânio. Becquerel interpretou esse fenômeno em termos de uma fosforescência invisível do Urânio. Graças a essa realização, Becquerel ganhou o Prêmio Nobel de Física em 1903, junto com Pierre Curie e Marie Curie, para o seu estudo da radiação. E hoje tem seu nome como unidade padrão do Sistema Internacional de Unidades para a Atividade de Radiação: o Becquerel, que representa um decaimento do núcleo por segundo. Mas suas descobertas resultaram muito além daquele momento, com ela foi-se capaz de desenvolver diversos estudos, que futuramente possibilitaram grandes avanços na área médica, pois assim tornou-se possível tratar e identificar com maior precisão lesões no corpo (uma vez que com tais tecnologias pode-se ver por dentro da pele e musculatura) e certas doenças através de imagens médicas e também variados tratamentos radioterápicos.
A (ou, Hayq), denominada oficialmente República da, é um país sem costa marítima, localizado numa região montanhosa na Eurásia, entre o mar Negro e o mar Cáspio, no sul do Cáucaso. Faz fronteira com a Turquia a oeste, Geórgia a norte, Azerbaijão a leste, e com o Irão e com o enclave de Naquichevão (pertencente ao Azerbaijão) ao sul. É considerado um país transcontinental, sendo que para as Nações Unidas a Arménia está localizada na Ásia Ocidental e esta classificação também é usada pela CIA no World Factbook, apesar do país ter extensas relações sociopolíticas, históricas e culturais com a Europa. Em área, era a menor república integrante da União Soviética. A Arménia configura-se num Estado unitário, multipartidário, democrático, com uma antiga herança histórica e cultural. Historicamente, foi a primeira nação a adotar o cristianismo como religião de Estado, em 301. O país é constitucionalmente um Estado laico, tendo a fé cristã uma grande identificação com o povo. A Fé Bahá’í está presente no país desde o final do século 19 apos a chegada dos primeiros pioneiros Cavalheiros de Bahá’u’lláh. O país é uma democracia emergente e por causa de sua posição estratégica, tenta conciliar alianças com a Rússia e com o Oriente Médio. Entre 1915 e 1923 sofreu o que muitos historiadores consideram o primeiro genocídio do, perpetrado pelo Império Otomano e negado até hoje pela República da Turquia. As mortes são estimadas em entre 600 mil e mais de 1 milhão de arménios, com a deportação atingindo milhões de outros, fazendo com que, ao final da Primeira Guerra, mais de 90% dos arménios do Império Otomano tenham desaparecido da região e muitos vestígios de sua antiga presença tenham sido eliminados. Como resultado, a Arménia tem hoje uma grande diáspora espalhada pelo mundo, composta por cerca de 7 milhões de pessoas, localizadas em mais de 100 países. A Arménia faz parte atualmente de mais de 40 organizações internacionais, incluindo a ONU, o Conselho da Europa, Banco Asiático de Desenvolvimento, CEI, Organização Mundial do Comércio e a Organização de Cooperação Económica do Mar Negro. Por laços históricos milenares com a França, a Arménia foi integrada a região europeia da francofonia, e também é observadora do Movimento Não Alinhado. O Comitê Olímpico Nacional é filiado aos Comitês Olímpicos Europeus, o que lhe dá direito a competir em competições continentais dos mais diversos desportos pela Europa. O nome nativo para o país é Haico. Na Idade Média foi aumentado para Hayastan, pela adição do sufixo -stan que significa terra. O nome é tradicionalmente derivado de Haico, o lendário patriarca dos arménios e trineto de Noé, que segundo Moisés de Corene foi quem defendeu seu povo do rei babilónio Bel e estabeleceu seu povo na região das montanhas do Ararate. Porém, a mais remota origem do nome é incerta. O exónimo Arménia aparece pela primeira vez em persa antigo na inscrição de Beistum como Armina . As duas aparições na mesma época atestam a que o nome era empregado realmente naquela época. Heródoto escreveu: "Os arménios eram equipados como colonos frígios" . Algumas décadas depois, Xenofonte, um general grego na guerra contra os persas, descreve muitos aspectos do cotidiano das vilas arménias e a sua hospitalidade. Ele relata que o povo fala uma língua que, para seus ouvidos, assemelhava-se ao persa. Tradicionalmente, os sobrenomes terminam com 'ian', significando que as pessoas faziam historicamente parte de tribos, sendo filhos de. A Arménia é povoada desde os tempos pré-históricos e segundo diversas lendas era lá onde se localizava Jardim do Éden bíblico. O país se localiza no planalto ao entorno do Monte Ararate. Segundo a tradição abraâmica, foi o local onde a Arca de Noé encalhou após o Dilúvio. Desde tempos remotos, arqueólogos continuam a descobrir novos indícios da existência de civilizações primitivas no planalto arménio, em locais que podem indicar registros do inicio da agricultura e da civilização. De a, ferramentas como lanças, machados e artefactos de cobre, bronze e ferro eram produzidos na Arménia e trocados nas terras vizinhas, onde esses metais eram menos abundantes. A Arménia é a principal herdeira do lendário Império Ararate, mencionado em diversas inscrições sumérias. Na Idade do Bronze, muitos Estados floresceram na área da Grande Arménia (ou "Arménia histórica"), incluindo o Império Hitita (o mais poderoso), Reino de Mitani (sudoeste da Grande Arménia) e Haiassa-Azi . Na época, o povo de Nairi e o Reino de Urartu estabeleceram sucessivamente as suas soberanias no planalto Arménio. Cada uma das tribos e nações supracitadas participaram da etnogénese do povo arménio. Erevã, a moderna capital da República da Arménia, foi fundada em pelo rei urartiano . Por volta do ano, o reino da Arménia estava estabelecido sob a Dinastia orôntida, a qual existiu sob diversas dinastias até ao ano de 428. O reino chegou em seu maior tamanho entre 95 e no reinado de Tigranes, o Grande, tornando-se um dos mais poderosos reinos da região. Ao longo da história, o reino da Arménia gozou de períodos de independência alternados com períodos de submissão aos impérios contemporâneos. A Arménia, por sua posição estratégica, localizada entre dois continentes, foi sujeita a invasões por diversos povos, incluindo assírios, gregos, romanos, bizantinos, árabes, mongóis, persas, turcos otomanos e russos. Em 301, a Arménia se tornou o primeiro país oficialmente cristão do mundo, tomando-o como religião oficial de Estado, quando um número de comunidades cristãs começaram a se estabelecer na região desde o ano 40. Havia várias comunidades pagãs antes do cristianismo, mas elas foram convertidas por influências de missionários cristãos. juntamente com Gregório, o Iluminador foram os primeiros reguladores oficiais do cristianismo ao povo, conduzindo a conversão oficial do país dez anos antes de Roma emitir sua tolerância aos cristãos por Galério e 36 anos antes de Constantino I ser batizado. Antes do declínio do reino arménio em 428, muitos arménios foram incorporados no período masdeísta ao império dos sassânidas (dinastia persa), regido pelo deus Aúra-Masda. Após uma rebelião arménia em 451 (Batalha de Avarair), os cristãos conseguiram manter a sua autonomia política e religiosa dentro de uma Arménia majoritariamente mazdeísta, enquanto o outro império era regido somente pelos persas. Os mazdeístas da Arménia duraram até 630, quando a Pérsia Sassânida foi destruída pelo califado árabe. Após o período masdeísta (428-636), a Arménia emergiu como Emirado da Arménia, com uma relativa autonomia junto ao Califado Omíada, reunindo terras arménias previamente tomadas pelo Império Bizantino como dele. A principal terra era regulada pelo príncipe da Arménia, reconhecido pelo califa e pelo imperador bizantino. O Emirado da Arménia (Armínia) incluía partes da atual Geórgia e da região histórica de Albânia e tinha como capital a cidade arménia de Dúbio . O Emirado da Arménia terminou em 884, quando os arménios conseguiram a independência do já enfraquecido Califado Abássida. O Reino da Arménia reemergiu sob a dinastia Bagratúnio ("Real Dinastia dos Bagratúnios"), até 1045. Neste tempo, diversas áreas da Arménia Bagrátida foram separadas como independentes reinos e principados, como o Reino de Vaspuracânia, regido pela família Arzerúnio, desde que reconhecendo a soberania e supremacia dos reis Bagratúnios. Em 1045, o Império Bizantino conquistou a Arménia Bagrátida. Logo, os demais Estados arménios também caíram sob o domínio bizantino. O domínio bizantino teve uma vida curta, pois em 1071, os turcos seljúcidas derrotaram os bizantinos e conquistaram a Arménia na batalha de Manzicerta, estabelecendo o Império Seljúcida. Para escapar da morte ou da escravidão nas mãos daqueles que assassinaram o rei, rei de Ani, um arménio de nome Ruben (depois Ruben I), foi com alguns conterrâneos em direção os Montes Tauro e fundaram Tarso, na Cilícia. O governador bizantino do palácio deu-lhes o abrigo onde o Reino Arménio da Cilícia foi então estabelecido. Este reino foi a salvação dos arménios, uma vez que a Grande Arménia fora devastada pelos invasores. O Império Seljúcida entrou em colapso. Nos anos 1100, os príncipes da nobre família arménia dos Zacáridas estabeleceram uma semi-independência dos principados arménios do norte e da Arménia oriental (agora chamada de Arménia Zacárida). A nobre família dos orbeliânida compartilhava o controle com os Zacáridas em várias partes do país, especialmente em Siunique e Vaiose Zor. Durante os anos de 1230, o Ilcanato mongol conquistou o principado dos Zacáridas, assim como o resto da Arménia. Os invasores mongóis vieram seguidos de outras tribos da Ásia Central, em um processo que durou dos anos 1200 até 1400. Após incessantes invasões, cada uma trazendo a destruição ao país, a Arménia ficou enfraquecida. Durante o, o Império Otomano e o Império Safávida dividiram a Arménia entre si. Mais tarde, o Império Russo incorporou parte ocidental do país (que consistia de Erevã e as terras do baixo Carabaque, na Pérsia) em 1813 e 1828. Sob o jugo otomano, os arménios tiveram relativa autonomia em seus próprios enclaves e viviam de forma pacífica com os demais grupos e tinham autonomia em relação aos outros constituintes do império (incluindo os turcos). Entretanto, os cristãos viviam em um sistema social muçulmano estrito. Os arménios enfrentaram a discriminação que persistia. Quando eles reivindicaram por maiores direitos, o sultão, em resposta, organizou o primeiro genocídio arménio realizado entre os anos de 1894 e 1896, resultando uma morte estimada de 300 mil arménios. Os massacres hamidianos, como ficaram conhecidos, deram a fama à Abdulamide II de "Sultão Vermelho" ou "Sultão Sangrento". Em 1908, o grupo dos Jovens Turcos assumiu o poder no Império Otomano. Os arménios, que viviam em toda a parte do Império Otomano, depositaram as suas esperanças no Comité União e Progresso, criado pelos Jovens Turcos, como caminho para o fim de mais um período de perseguições. Porém, o pacote de reformas para os arménios de 1914 apresentaria a solução definitiva para toda a questão arménia da pior forma possível. Com o advento da Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano e o Império Russo abriram uma frente de batalha conhecida como "Campanha Persa". Cansados das perseguições por parte de Constantinopla e do alistamento militar obrigatório, os arménios aliaram-se de forma voluntária aos russos, o que causou desconfiança aos turcos. Numa emboscada iniciada em 24 de abril de 1915, cerca de 600 intelectuais arménios foram presos e exterminados a mando de autoridades otomanas e, com a lei Tehcir de 29 de maio de 1915, uma grande parcela da população arménia que vivia na Anatólia começou a ser deportada e privada dos seus bens, num processo que levou à morte de cerca de 1,5 milhões de arménios. Diversos historiadores ocidentais consideram estes fatos como o início do genocídio arménio. Historicamente, existiam registos de uma gigantesca resistência arménia na região, desenvolvida contra a atividade otomana. Assim, a repressão aplicada pelo Estado no período de 1915 a 1923 é considerado pelos arménios e pela maioria dos historiadores ocidentais como um genocídio. Entretanto, a Turquia, o estado sucessor do Império Otomano, sempre negou a repressão aos arménios. Devido à sua localização estratégica e ao seu posicionamento geopolítico, a Turquia é um dos principais aliados do Ocidente na região da Ásia Menor e Oriente Médio.Todavia, mesmo com a negação histórica, alguns posicionamentos históricos dos Estados Unidos e do Reino Unido são lacónicos na categorização do massacre dos arménios como genocídio. As autoridades turcas afirmam que as mortes são provenientes de uma guerra civil, acompanhada das doenças e fome que assolaram o Império Otomano no início do, com baixas gigantescas nos dois lados. As estimativas de mortos variam entre 650 mil e 1,5 milhões, sendo este último número o mais aceite pelos historiadores ocidentais e mesmo por alguns intelectuais dissidentes turcos, como Orhan Pamuk, Nobel de Literatura em 2006 e Taner Akçam, professor da Universidade de Minnesota. A Arménia tem feito campanhas para o reconhecimento do genocídio no mundo desde há mais de trinta anos. Esses eventos são tradicionalmente realizados no dia 24 de abril, data que marca o início do genocídio arménio. Embora o exército russo tenha obtido mais ganhos do que o exército otomano durante a Primeira Guerra Mundial, esta vantagem fora perdida com o advento da Revolução Russa de 1917. Nesse momento, a Rússia controlava a Arménia oriental, Geórgia e Azerbaijão, criando uma ligação com a República Democrática da Transcaucásia em 28 de maio. Infelizmente, a curta vida da República Democrática da Arménia independente deveu-se aos perigos da guerra, disputas territoriais, um massivo fluxo de refugiados da Arménia Otomana, espalhando doenças e fome. A Tríplice Entente, alarmada pelos horrores do Império Otomano, procurou ajudar o recém-formado estado arménio a arrecadar fundos e outras formas de se sustentar. Com o fim da guerra, a Entente vitoriosa procurou dividir o Império Otomano. Assinado entre as potências aliadas e as autoridades otomanas em 10 de agosto de 1920 em Sèvres, o Tratado de Sèvres previa manter independente a República Democrática da Arménia e anexar os territórios da Arménia Ocidental. Pelas novas fronteiras terem sido desenhadas pelo presidente americano Woodrow Wilson, este território apontado pelo Tratado ficou conhecido como "Arménia Wilsoniana". Nesta época, foi considerada a possibilidade da Arménia se tornar um protetorado dos Estados Unidos. Porém, o tratado foi rejeitado pelo Movimento Nacional Turco e nunca entrou em vigor. O movimento, liderado por Mustafa Kemal Ataturk, usou o tratado como pretexto para se legitimar no poder da Turquia, derrubando a monarquia sediada em Istambul e instaurando a República da Turquia, com capital em Ancara. Em 1920, forças nacionalistas turcas invadiram a República da Arménia pelo leste e teve início a Guerra turco-arménia. Forças turcas sob o comando de Kazım Karabekir conquistaram os territórios arménios que a Rússia tinha anexado durante a Guerra russo-turca de 1877-1878 e ocuparam a antiga cidade de Alexandropol (atual Guiumri). O violento conflito foi encerrado com o Tratado de Alexandropol em 2 de dezembro de 1920. O tratado forçou os arménios desmilitarizarem-se, ceder mais de 50% de seu território de antes da guerra e abrir mão da Arménia Wilsoniana, garantida pelo Tratado de Sèvres. Simultaneamente, o, sob o comando de Grigoriy Ordzhonikidze, invadiu a Arménia por Karavansarai (atual Ijevan) em 29 de novembro. Em 4 de dezembro, as forças de Ordzhonikidze entraram em Erevã e teve fim a curta vida da República Democrática da Arménia. A Arménia foi anexada pela Rússia bolchevista e juntamente com Geórgia e Azerbaijão, foi incorporada na URSS como parte da República Federativa Socialista Soviética Transcaucasiana em 4 de março de 1922. Com essa anexação, o Tratado de Alexandropol foi suplantado pelo Tratado de Carse turco-soviético. No acordo, a Turquia permitiu à União Soviética assumir o controlo da região de Ajária e da cidade portuária de Batumi, com o retorno da soberania de cidades como Carse, Ardacane e Eder, que pertenciam à Arménia Russa. A RFSST existiu de 1922 até 1936, quando foi dividida em três repúblicas intituladas RSS da Arménia, RSS da Geórgia e RSS do Azerbaijão. Os arménios desfrutaram de um período de relativa estabilidade sob o jugo soviético. Recebiam medicamentos, comida, e outras provisões de Moscovo, e o governo soviético provou ser um "bálsamo calmante" em contraste com os últimos anos do Império Otomano. A situação era difícil para a Igreja, estrangulada pelas normas anticlericais soviéticas. Após a morte de Lenine, Stalin tomou as rédeas do poder e recomeçou o período de terror para os arménios. Como várias outras etnias minoritárias que viviam na URSS durante o período da Grande Purga de Stalin, dezenas de milhares de arménios foram executados ou deportados. O medo diminuiu quando Stalin morreu em 1953 e Nikita Khruschev assumiu o poder na União Soviética. A vida na Arménia Soviética teve então uma rápida melhoria. A Igreja, que sofria com as perseguições de Stalin, foi restaurada quando o católico assumiu as funções em 1955. Em 1967, um memorial às vítimas do genocídio arménio foi construído nas colinas de Tsitsernakaberd acima do desfiladeiro de Razdã, em Erevã. Isso aconteceu depois de uma grande manifestação na capital onde se exigiu que fossem tomadas medidas para recordar as vítimas do genocídio no seu 50.º aniversário. Durante a era Gorbachev, nos anos 1980, com as reformas da glasnost e da perestroika, os arménios começaram a exigir melhores cuidados ambientais para o seu país, opondo-se à poluição que as fábricas soviéticas produziam. Também se desenvolveram tensões entre o Azerbaijão Soviético e o distrito autónomo do Alto Carabaque, maioritariamente habitado por arménios e separado da Arménia por Stalin em 1923. Os arménios residentes em Carabaque reivindicaram a unificação com a Arménia Soviética. Protestos pacíficos em Erevã apoiavam os arménios de Carabaque que enfrentavam pogroms antiarménios na cidade azeri de Sumgait. Acrescendo os problemas da Arménia, um sismo devastador atingiu o país em 1988, com magnitude 7,2 na escala de Richter. A inabilidade de Mikhail Gorbachev de resolver os problemas da Arménia (especialmente no Alto Carabaque) criou desilusões entre os arménios e alimentou o desejo crescente de independência. Em maio de 1990, foi criado o Novo Exército Arménio, servindo como força de defesa separatista do Exército Vermelho soviético. Prontamente irromperam choques entre o NEA e as tropas da Força Soviética de Defesa do Interior, baseadas em Erevã, quando os arménios decidiram comemorar o estabelecimento da República Democrática da Arménia de 1918. A violência resultou na morte de cinco arménios baleados numa estação de comboios pela Força Soviética. Testemunhas acusaram a Força Soviética de uso de força excessiva e de instigação à violência. Atritos adicionais entre os milicianos arménios e as tropas soviéticas em Sovetashen, próxima da capital, resultaram na morte de 26 pessoas, a maioria civis arménios. Em 17 de março de 1991, a Arménia, conjuntamente com os Países Bálticos, Geórgia e Moldávia, boicotou um referendo onde 78% dos votos eram para a permanência na URSS, porém após uma reforma. Em 1991, a União Soviética fragmentou-se e a Arménia restabeleceu a sua independência. Declarando-se independente em 23 de agosto, tornou-se a primeira república não báltica a desassociar-se. No entanto, os primeiros anos pós-soviéticos foram assolados por dificuldades económicas, bem como pelo começo repentino, em grande escala, de um confronto armado entre arménios do Alto Carabaque e azeris. Os problemas económicos tiveram origem no início do conflito do Alto Carabaque, quando a Frente Popular do Azerbaijão conseguiu pressionar a RSS do Azerbaijão a impor um bloqueio ferroviário e aéreo contra a Arménia. Essa medida enfraqueceu efetivamente a economia do país, pois 85% de seus produtos e mercadorias chegavam através ferrovia. Em 1993, a Turquia aderiu ao bloqueio contra a Arménia numa demonstração de apoio ao Azerbaijão. A Guerra do Alto Carabaque findou após um cessar-fogo intermediado pela Rússia, estabelecido em 1994. A guerra foi bem-sucedida para as forças armadas de Carabaque que asseguraram 14% do território azerbaijano, este território conquistado atualmente faz parte da autoproclamada República de Artsaque. Desde então, Arménia e Azerbaijão têm participado de conversas de paz, mediadas pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa . O status de Carabaque está sendo ainda determinado. A economia de ambos os países têm sido afetadas na falta de uma resolução definitiva e as fronteiras azeri e turca permanecem fechadas para a Arménia. Ao entrar no, a Arménia enfrentou grandes dificuldades, especialmente no campo económico. Ainda com os altos índices de desemprego, o país conseguiu fazer implementar algumas melhorias económicas, entre as quais, uma plena mudança para uma economia de mercado que faz do país a 32.ª nação mais economicamente livre no mundo desde 2007. Suas relações com a Europa, o Oriente Médio e a Comunidade dos Estados Independentes têm permitido o aumento de seu comércio. Gás, petróleo e outros abastecimentos chegam por meio de duas rotas vitais: o Irão e a Geórgia, com os quais a Arménia mantém relações cordiais. Em 2018, o país enfrentou uma série de protestos antigovernamentais, protagonizados por vários grupos políticos e civis liderados por um membro do parlamento arménio — Nikol Pashinyan. As manifestações ficaram conhecidas como Revolução Arménia, com protestos e marchas ocorrendo inicialmente em resposta ao terceiro mandato consecutivo de Serzh Sargsyan como presidente do país e, mais tarde, contra o governo controlado pelo Partido Republicano em geral. No mesmo ano, o parlamento arménio elegeu Armen Sarksyan como o novo presidente da Arménia. Uma reforma constitucional visando reduzir o poder presidencial foi implementada, enquanto a autoridade do primeiro-ministro foi fortalecida. Como consequência direta da Revolução Arménia de 2018, Serzh Sargsyan deixou o cargo. Em maio daquele ano, o parlamento elegeu Nikol Pashinyan como o novo primeiro-ministro. A Arménia é um país sem costa marítima na Transcaucásia. Localizado entre os mares Cáspio e Negro, o país faz fronteiras a norte com a Geórgia, a leste com o Azerbaijão, ao sul com o Irão e a oeste com a Turquia. Desde os primórdios da humanidade, o povo arménio vive no planalto arménio, um vasto território com mais de, localizado na parte central e norte da Anatólia. O planalto arménio é cercado, ao norte, pelo encadeamento do Baixo Cáucaso e ao sul, pelo encadeamento do Tauro Arménio, enquanto declina-se ao oeste para o vale do rio Eufrates e ao leste para as terras baixas do mar Cáspio. Um enorme maciço vulcânico está localizado quase no centro desta região. Este maciço possui dois picos: o Grande Ararate, chamado pelos arménios de Massis (com de altitude acima do nível do mar), e o Pequeno Ararate, identificado pelos arménios pelo nome de Sis (com altitude de ). Existe ainda, um número considerável de planícies e vales férteis dentro do planalto do país, entre os quais, os mais conhecidos são os vales de Ararate, Muxe, Caberde, Erzinjane, e Siracena, destacando a vida económica do povo arménio. O vale de Ararate é o maior e mais fértil de todos estes, e transformou-se, com o passar dos tempos, no centro da vida económica, política e cultural da Arménia. Diversas capitais da Arménia histórica, como Armavir, Eruandaxata, Valarsapate e Dúbio estavam situadas nesta região geográfica, assim como ocorre hoje com a atual capital, Erevã. O relevo arménio é homogéneo. Constitui-se em sua maior parte por planaltos, sendo que estes são abundantes com rios. Localizam-se aí as nascentes dos rios Eufrates e Tigre, com seus afluentes, que se desembocam no Golfo Pérsico, bem como os rios Cura e Araxes, que desembocam no Mar Cáspio. O maior rio da Arménia é o Arax, sendo seus afluentes os rios Acuriã, Razdã, Cassal, Azate e outros. Os maiores lagos do planalto arménio são o Vã, o Úrmia e o Sevã, sendo que atualmente, o lago de Vã está em sua grande parte, dentro do território da Turquia. Este lago possui uma extensão de quilômetros quadrados e sua água é salgada. O lago Úrmia, que também está em sua maior parte em outro país, no Irão, era denominado antes de Kaputan, também possui água salgada e não possui espécies de peixes. Sua dimensão é de cinco mil quilômetros quadrados. O lago Sevã, antes chamado de Mar de Guelã, é um dos lagos mais altos do mundo, com aproximadamente km². Aproximadamente duas dúzias de pequenos rios desembocam no lago, e apenas alguns afluem dele. Sua água é doce. Durante os anos soviéticos, os azerbaijanos compunham a segunda maior população no país (aproximadamente 2,5% em 1989). Porém, devido às hostilidades com o vizinho Azerbaijão sobre a disputada região de Alto Carabaque, praticamente toda população azeri emigrou da Arménia. Por outro lado, a Arménia recebeu um grande afluxo de refugiados arménios do Azerbaijão, dando assim um caráter mais homogéneo à Arménia. A religião predominante na Arménia é o cristianismo, sendo esta crença partilhada por 98,7% da população de acordo com o site. Os santos padroeiros da Arménia são o primeiro católico de todos os arménios e o apóstolo Bartolomeu. As origens da Igreja Arménia remontam ao De acordo com a tradição, a Igreja Arménia foi fundada por dois dos doze apóstolos de Cristo, São Judas Tadeu e São Bartolomeu, que pregaram o cristianismo na Arménia entre os anos 40 e Por causa destes apóstolos fundadores, o nome oficial da Igreja Arménia é Igreja Apostólica Arménia. A Arménia foi a primeira nação a adotar o cristianismo como religião oficial de Estado, em 301. Mais de 93% dos cristãos arménios pertencem à Igreja Apostólica Arménia, uma forma de ortodoxia oriental (não calcedônia), que é uma igreja muito ritualística e conservadora, muitas vezes comparada às igrejas copta e síria. A Arménia possui também uma população de católicos, ambos romanos e arménios-mectaristas (juntos 180 mil), evangélicos protestantes e seguidores da religião tradicional arménia. Os curdos iázides, que vivem na parte ocidental do país, praticam o iazdanismo. A Igreja Católica Arménia é sediada em Bzoummar, Líbano. Os curdos não iázides praticam o islã sunita. A comunidade judaica na Arménia diminuiu para 750 pessoas desde a independência devido às dificuldades económicas, onde a maioria dos emigrantes foram para Israel. Existem atualmente duas sinagogas na Arménia, uma na capital, Erevã, e outra na cidade de Sevã localizada próxima ao lago Sevã. Casamentos com cristãos arménios são frequentes. Ainda assim, apesar destas dificuldades, existe muito entusiasmo para ajudar a comunidade a satisfazer suas necessidades. Os arménios têm o seu próprio alfabeto e a sua própria língua, que é constitucionalmente a língua oficial do Estado da Arménia. A invenção do alfabeto arménio é tradicionalmente atribuída ao monge São Mesrobes Mastósio, que em criou um alfabeto com 36 carateres (dois foram acrescentados mais tarde) baseado parcialmente em letras gregas; a direção da escrita (da esquerda para a direita) também seguia o modelo grego. Este novo alfabeto foi usado pela primeira vez para traduzir a Bíblia hebraica e o Novo Testamento cristão. De acordo com o censo arménio de 2011, enquanto apenas 0,8% dos cidadãos da Arménia falavam russo como primeira língua, 52,7% dos cidadãos da Arménia usavam-no como segunda língua. A Arménia possui uma diáspora relativamente grande (7 milhões segundo algumas estimativas, De 40 a 70 mil arménios ainda vivem na Turquia (a maioria perto de Istambul). Aproximadamente, mil arménios residem no bairro Arménio na cidade antiga de Jerusalém em Israel, remanescentes do que fora uma vez uma grande comunidade. Na Itália se encontra a San Lazzaro degli Armeni, uma ilha localizada na Lagoa de Veneza, que é completamente ocupada por um mosteiro dirigido pelos mekhitaristas, uma congregação católica arménia. Além disso, por volta de 130 mil arménios vivem na região de Alto Carabaque onde compõem a maioria da população. No Brasil se concentram principalmente na cidade de Osasco, no estado de São Paulo. A política da Arménia situa-se em um ambiente de democracia representativa de república presidencial. Conforme a Constituição da Arménia, o presidente é o líder do governo e do sistema multipartidário pluriforme. O parlamento unicameral (também chamado de Azgayin Jolov ou Assembleia Nacional) é controlado por uma coalizão de três partidos políticos: o conservador Partido Republicano, o Partido Arménia Próspera e a Federação Revolucionária Arménia. Os principais partidos de oposição incluem o partido do ex-presidente da Assembleia Nacional, Estado de Direito, e o partido do ex-primeiro-ministro Raffi Hovannisian, Herança, ambos são favoráveis a uma eventual adesão arménia à União Europeia e à Organização do Tratado do Atlântico Norte . O governo arménio declaradamente objetiva construir uma democracia parlamentar ao estilo ocidental e as bases para sua forma de governo. Contudo, observadores internacionais do Conselho da Europa e do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América têm questionado a clareza das eleições parlamentares e presidenciais da Arménia e o referendo constitucional desde 1995, citando divergência nas pesquisas, a falta de cooperação da Comissão Eleitoral e a escassa manutenção das listas eleitorais e os locais pesquisados. A Freedom House qualificou a Arménia como "praticamente livre" em seu relatório de 2007, apesar de não classificar o país como uma "democracia eleitoral", indicando uma relativa falta de liberdade e competitividade eleitoral. Há o sufrágio universal com idade superior a dezoito anos. A Arménia atualmente mantém boas relações com quase todos os países do mundo, com duas importantes exceções sendo seus vizinhos mais próximos, a Turquia e o Azerbaijão. Tensões foram elevadas entre arménios e azerbaijanos durante os últimos anos da União Soviética. A Guerra do Alto Carabaque dominou a política da região por todo os anos de 1990. As fronteiras entre os dois países rivais permanecem fechada nos dias de hoje, a solução para o conflito não foi alcançada apesar da mediação prestada por organizações como a OSCE. O ministro do exterior, Vardan Oskanyan, representa a Arménia nas negociações de paz. A Turquia também possui uma longa história de conturbadas relações com a Arménia por sua recusa em reconhecer o genocídio arménio de 1915. O conflito de Carabaque tornou-se uma desculpa para a Turquia fechar suas fronteiras com a Arménia em 1993. Não tem revogado o bloqueio, apesar da pressão do poderoso lobby empresarial turco interessado nos mercados arménios. Apesar disto, a Arménia também tem olhado para as estruturas euroatlânticas nos últimos anos. Mantém boas relações com os Estados Unidos especialmente por meio de sua diáspora. De acordo com o Censo americano de 2000, há arménios vivendo naquele país. A Arménia é também membro da Parceria para Paz da OTAN, bem como, do Conselho da Europa, mantendo relações amigáveis com a União Europeia, especialmente com seus Estados-membros tais como a França e a Grécia. Uma pesquisa realizada em 2005 mostrou que 64% da população arménia estaria a favor da adesão à União Europeia. Muitos oficiais arménios também têm expressado o desejo de seu país eventualmente tornar-se um Estado-membro da UE, outros preveem que será feito uma candidatura oficial em poucos anos. Alguns também tem olhada a favor de uma adesão à OTAN. O Exército Arménio, Força Aérea, Defesas Aéreas e a Guarda de Fronteira são os quatro braços que formam as Forças Armadas da República da Arménia. As Forças Armadas foram formadas após o colapso da URSS em 1991 e com o estabelecimento do Ministério da Defesa em 1992. O comandante em chefe das Forças Armadas é o Presidente da República Vahagn Khachaturyan. O Ministério da Defesa é um cargo de liderança política, atualmente ocupado por David Tonoyan, enquanto os comandos militares restantes estão nas mãos do Estado-Maior, liderado pelo Chefe do Estado, que atualmente é o major-general Edvard Asryan. As forças ativas têm perto de 50 mil homens, com um adicional de reservas de 32 mil e "reservas dos reservas" estimados em 210 mil soldados. A Guarda de Fronteira arménia tem condição de patrulhar as divisas com a Geórgia e Azerbaijão, enquanto tropas russas monitoram as fronteiras com a Turquia e Irão. Em caso de eventual ataque, a Arménia pode mobilizar todos os homens capazes de manejar uma arma entre 15 e 59 anos com treino militar. O Tratado das Forças Armadas Convencionais da Europa estabeleceu limites nas categorias-chaves de equipamentos militares, foi ratificado pelo Parlamento Arménio em julho de 1992. Em março de 1993, a Arménia assinou a multilateral Convenção de Armas Químicas, que clamava pela eventual eliminação das armas químicas. A Arménia aderiu também ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares como um país sem armas nucleares, em junho de 1993. O país é membro da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, juntamente com Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão. Participa dos programas desenvolvidos pela OTAN "Parceria pela Paz" e Conselho da Parceira Euro-Atlântico. A Arménia estava engajada em missões de paz no Kosovo como parte das tropas kosovares não OTAN, sob o comando grego. E no Iraque, o país possui 46 membros das Forças Armadas como parte da Força de Coalizão. A Arménia está organizada político-territorialmente em onze subdivisões. Destas onze, dez são chamadas marzer (em arménio: մարզեր) ou no singular marz, que é derivada da palavra persa marz, cujo significado é "fronteira", "limite". Erevã é tratada separadamente e recebe status especial de hamaynq (համայնք) por ser a capital do país. O líder do executivo em cada uma das 10 marzes é o marzpet (մարզպետ) ou governador da marz, apontado pelo governo da Arménia. Em Erevã, o líder do executivo é o prefeito, apontado pelo presidente. A república possui 953 vilarejos, 48 cidades e 932 comunidades, das quais 871 são rurais e 61 urbanas. A economia da Arménia sobrevive de pesados auxílios estrangeiros. Antes da independência, a economia arménia era principalmente de indústrias de base como indústrias químicas, eletrónica, maquinaria, alimentos, borracha sintética e têxtil, totalmente dependente de fontes externas. A agricultura contribuía com cerca de 20% na produção final e com 10% dos empregos antes da queda da URSS em 1991. A república desenvolveu um moderno setor industrial, abastecendo com máquinas, tecidos e outros produtos manufaturados para as suas "repúblicas irmãs" em troca de matéria-prima e energia. O país foi classificado como o 80º melhor IDH pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o mais alto das repúblicas transcaucasianas. Em 2007, no Índice de Liberdade Económica, a Arménia foi classificada como o 32º país, com um índice próximo a países como Portugal e Itália. No ano escolar de 1988 e 1989, cerca de 301 alunos por cada habitantes frequentavam o ensino secundário ou superior especializado, um número ligeiramente inferior à média soviética. Em 1989, aproximadamente 58% dos arménios com mais de quinze anos tinham concluído o ensino médio e 14% tinham um curso superior. No ano escolar de 1990/1991, estimava-se que existiam escolas primárias e secundárias, frequentadas por alunos. Outras 70 instituições secundárias especializadas tinham matrículas de alunos e outros alunos estavam matriculados em 10 instituições de ensino pós-secundárias, que incluíam universidades. Dados da mesma altura também indicam que 35% das crianças em idade escolar frequentavam o ensino pré-primário, número abaixo da média europeia. O ensino superior do país é gratuito, embora instituições privadas também possam oferecê-lo. Em 1992, a maior instituição de ensino superior da Arménia, a Universidade Estatal de Erevã, possuía dezoito departamentos, incluindo ciências sociais, ciências e direito. O seu corpo docente contava com cerca de professores e a sua população estudantil era de cerca de alunos. A, fundada em 1933, também é uma das principais do país. Desde a independência, a Arménia vem desenvolvendo sua rede interna de rodovias. O "Programa de Investimento no Corredor Rodoviário Norte-Sul" é um grande projeto de infraestrutura que visa conectar a fronteira sul da Arménia com o norte por meio de uma rodovia Melri-Erevã-Bavra de 556 km de extensão. É um grande projeto de infraestrutura de milhões de dólares, financiado pelo Banco Asiático de Desenvolvimento, Banco Europeu de Investimentos e Banco de Desenvolvimento da Eurásia. Quando concluída, a rodovia fornecerá acesso aos países europeus através do mar Negro. Ele também poderá eventualmente interconectar os portos do mar Negro da Geórgia com os principais portos do Irão, posicionando a Arménia num corredor de transporte estratégico entre a Europa e a Ásia. A Arménia está à procura de novos empréstimos da China, como parte da iniciativa Nova Rota da Seda, para concluir a rodovia norte-sul. O transporte aéreo é o meio mais conveniente e confortável para entrar no país. Em 2020, 11 aeroportos operavam na Arménia, no entanto, apenas o Aeroporto Internacional de Zvartnots, em Erevã, e o Aeroporto Internacional de Xiraque, em Guiumri, estavam em uso para a aviação comercial. Há muitas conexões aéreas entre Erevã e outras cidades regionais e europeias, bem como conexões diárias para a maioria das principais cidades da Comunidade dos Estados Independentes . As estatísticas mostram que o número de turistas que chegam ao país por transporte aéreo aumenta a cada ano. Em dezembro de 2019, o fluxo anual de passageiros ultrapassou 3 milhões de pessoas pela primeira vez na história da Arménia. A maioria das linhas ferroviárias transfronteiriças estão atualmente fechadas devido a problemas políticos. No entanto, há comboios diários de ida e volta que ligam Tiblíssi, na Geórgia, à capital arménia, Erevã. Partindo da estação ferroviária de Erevã, os comboios fazem conexão com Tiblíssi e Batumi. Da vizinha Geórgia, os comboios partem para Erevã da estação ferroviária de Tiblíssi. Novos comboios elétricos conectam passageiros de Erevã à segunda maior cidade do país, Guiumri. Os novos comboios funcionam quatro vezes por dia e a viagem leva aproximadamente duas horas. A capital também é servida por um sistema de metropolitano. Foi lançado em 1981 e, como a maioria dos antigos metros soviéticos, as suas estações são muito profundas (20 a 70 metros de profundidade) e primorosamente decoradas com motivos nacionais. O metro opera numa linha de 13,4 quilómetros e atualmente serve 10 estações ativas. Em 2017, o número de passageiros anual do metro era de 16,2 milhões. Após um declínio significativo nas décadas anteriores, as taxas brutas de natalidade no país permaneceram em quase constantes 13,0–14,2 por 1000 pessoas nos anos 1998–2015. No mesmo período, a taxa bruta de mortalidade foi de 8,6 para 9,3 por 1000 pessoas. Observe que as taxas brutas não são ajustadas por idade. A expectativa de vida ao nascer de 74,8 anos era a 4ª maior entre os países pós-URSS em 2014. Na época da independência, em 1991, já não havia vestígios das tradições de saúde pré-soviéticas. O sistema de saúde soviético era altamente centralizado e a toda a população era garantida assistência médica gratuita, independentemente da classe social, com acesso a uma ampla gama de cuidados secundários e terciários. Após a independência, no entanto, a Arménia não estava em posição de continuar a financiar o sistema de saúde. Os hospitais que antes prestavam contas à administração local e, em última análise, ao Ministério da Saúde são agora autônomos e cada vez mais responsáveis ​​por seus próprios orçamentos e gestão. Em 2009, mais de 50% do orçamento nacional de saúde foi gasto em hospitais. Ao nível da comunidade local, o sistema era fraco e frequentemente inexistente nas áreas rurais. Em 2015, os gastos correntes com saúde como porcentagem do PIB alcançaram 10,1%, enquanto 81,6% de todos os gastos com saúde foram pagos do próprio bolso, ambos os valores registram um pico desde que os dados foram disponibilizados no ano 2000. A Galeria Nacional de Arte de Erevã possui mais de 16 mil obras que datam desde a Idade Média. O Museu de Arte Moderna, a Galeria de Imagens Infantis e o Museu Martiros Saryan reúnem notáveis acervos. Contudo, muitas coleções particulares estão em operação, abertas o ano todo. Elas promovem exposições rotativas e vendas de obras de arte. A Orquestra Filarmônica da Arménia se apresenta na recondicionada Casa de Ópera de Erevã. Além disso, várias câmaras estão disponíveis para o aprendizado da música, como a Orquestra de Câmara Nacional da Arménia e a Orquestra Serenade. A música clássica pode ser ouvida em vários pequenos locais, incluindo o Conservatório Estadual de Música de Eerevã e o Hall da Orquestra de Câmara. O jazz é popular, especialmente no Verão, quando performances ao vivo acontecem frequentemente nos cafés e bares da cidade. Em Erevã um mercado de arte e artesanato fecha a Praça da República com um alvoroço de centenas de mercadores vendendo uma grande variedade de artesanatos aos finais de semana e às quartas-feiras, embora com o horário reduzido ao meio-dia. O mercado oferece antiguidades, rendas finas e tapetes feitos à mão que são a especialidade do Cáucaso. A obsidiana é achada facilmente e é matéria-prima para os artesãos do país fazerem chaveiros, crucifixos, placas, objetos ornamentais, bijuterias, etc. A ourivesaria arménia é muito tradicional e ocupa uma esquina no mercado, com itens de ouro para serem negociados. Relíquias soviéticas e souvenirs manufaturados da Rússia — bonecas, relógios, caixas esmaltes também estão disponíveis no mercado. Do outro lado da Opera House, um popular mercado de arte fecha o parque da cidade aos fins de semana. A longa história arménia, como no tempo das Cruzadas no mundo antigo, resultaram em paisagens com muitos sítios arqueológicos a serem explorados. Sítios da Idade Média, Idade do Ferro, Idade do Bronze e até a Idade da Pedra estão há poucas horas do centro da cidade. Porém, a mais espetacular experiência é poder visitar Igrejas e fortalezas como eram originalmente. Dada a geografia e a história do país, a culinária arménia é uma das representantes da mediterrânica e caucasiana, com fortes influências da Europa Oriental e do Oriente Médio e, em menor escala, dos Bálcãs. Os arménios têm influenciado as tradições culinárias de seus países vizinhos ou cidades, como Alepo. A culinária arménia caracteriza-se pelos recheios, purés e coberturas na preparação de um grande número de carnes, peixes e legumes. Na Arménia jogam-se vários tipos de desportos, entre os que se destacam estão a luta livre, o levantamento de peso, o judo, o futebol, o xadrez e o boxe. O relevo da Arménia é bastante montanhoso, o que facilita a prática de desportos como esqui e o alpinismo sejam praticados massivamente. Uma vez que é um país sem litoral, os desportos aquáticos somente podem ser praticados em lagos, especialmente no lago Sevã. Competitivamente, a Arménia tem tido êxito em halterofilia e luta livre. A Arménia é também participante activo na comunidade desportiva internacional com a plena pertencida à União das Federações Europeias de Futebol e a Federação Internacional de Hóquei no Gelo. A Arménia, sem embargo é uma autêntica potência mundial em xadrez. Na Olimpíada de Xadrez de 2006, celebrada em Turim, a equipe masculina foi campeã e a equipe feminina ficou em sétimo lugar. Levon Aronian é o principal jogador de xadrez da Arménia. O maior estádio do país é o Estádio Hrazdan localizado em Erevã.
Austrália, oficialmente Comunidade da Austrália, é um país do hemisfério sul, localizado na Oceania, que compreende a menor área continental do mundo ("continente australiano"), a ilha da Tasmânia e várias ilhas adjacentes nos oceanos Índico e Pacífico. O continente-ilha, como a Austrália por vezes é chamada, é banhado pelo oceano Índico, ao sul, e a oeste pelo mar de Timor, mar de Arafura e Estreito de Torres, a norte, e pelo mar de Coral e mar da Tasmânia, a leste. Através destes mares, tem fronteira marítima com a Indonésia, Timor-Leste e Papua-Nova Guiné, a norte, e com o território francês da Nova Caledónia, a leste, e a Nova Zelândia a sudeste. Durante cerca de 40 000 anos antes da colonização europeia iniciada no final do século XVIII, o continente australiano e a Tasmânia eram habitadas por cerca de 250 nações individuais de aborígenes. Após visitas esporádicas de pescadores do norte e pela descoberta europeia por parte de exploradores holandeses em 1606, a metade oriental da Austrália foi reivindicada pelos britânicos em 1770 e inicialmente colonizada por meio do transporte de presos para a colônia de Nova Gales do Sul, fundada em 26 de janeiro de 1788. Nas décadas seguintes, os britânicos exploraram e empreenderam a . A sua expansão levou ao conflito com os 300 000 a 1 milhão de australianos aborígenes, que tentaram resistir à sua despossessão. A população aumentou de forma constante nos anos seguintes, o continente foi explorado e, durante o século XIX, outros cinco grandes territórios autogovernados foram estabelecidos. Em 1 de janeiro de 1901, as seis colônias se tornaram uma federação e a Comunidade da Austrália foi formada. Desde a Federação, a Austrália tem mantido um sistema político democrático liberal estável e continua a ser um reino da Commonwealth. A população do país é de 23,4 milhões de habitantes, com cerca de 60% concentrados em torno das capitais continentais estaduais de Sydney, Melbourne, Brisbane, Perth e Adelaide. Sua capital é Camberra, localizada no Território da Capital Australiana. Tecnologicamente avançada e industrializada, a Austrália é um próspero país multicultural e tem excelentes resultados em muitas comparações internacionais de desempenhos nacionais, tais como saúde, esperança de vida, qualidade de vida, desenvolvimento humano, educação pública, liberdade econômica, bem como a proteção de liberdades civis e direitos políticos. As cidades australianas também rotineiramente situam-se entre as mais altas do mundo em termos de habitabilidade, oferta cultural e qualidade de vida. A Austrália é o país com o quinto maior índice de desenvolvimento humano do mundo . É membro da Organização das Nações Unidas, G20, Comunidade das Nações, ANZUS, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, bem como a Organização Mundial do Comércio . Pronunciado em inglês australiano como, o nome Austrália vem da palavra em latim australis, que significa "austral", ou seja, "do sul"; e sua origem data de lendas do século II sobre a "terra desconhecida do sul" (terra australis incognita). O país tem sido chamado coloquialmente como Oz desde o início do século XX. Aussie é um termo comum e coloquial para "australiano". Lendas de uma "terra desconhecida do sul" (terra australis incognita) remontam à época romana e eram comuns na geografia medieval, mas não eram baseadas em qualquer conhecimento documentado do continente. O primeiro uso da palavra na Australia em inglês foi em 1625, em "A note of Australia del Espíritu Santo, escrito por Master Hakluyt" e publicado por Samuel Purchas em Hakluytus Posthumus. A forma adjetiva holandesa Australische foi usada pelos holandeses funcionários da Companhia Britânica das Índias Orientais, em Batavia (atual Jacarta, na Indonésia) para se referir à terra recém-descoberta no sul em 1638. O termo Austrália foi utilizado em 1693 uma tradução de Les Aventures de Jacques Sadeur dans la Découverte et le Voyage de la Terre Australe, um romance francês de 1676 de Gabriel de Foigny, sob o pseudônimo de Jacques-Sadeur. Alexander Dalrymple utilizou o termo em An Historical Collection of Voyages and Discoveries in the South Pacific Ocean, referindo-se a toda a região Sul do Pacífico. Em 1793, George Shaw e Sir James Smith publicaram Zoology and Botany of New Holland, na qual escreveram sobre "a ilha grande, ou melhor, os continentes, da Austrália, Australásia ou Nova Holanda". A palavra também apareceu em um gráfico de 1799 de James Wilson. O nome Austrália foi popularizado por Matthew Flinders, que usou o nome que seria formalmente aprovado em 1804. Ao elaborar o seu manuscrito e as cartas para o seu A Voyage to Terra Australis de 1814, ele foi convencido por seu patrono, Sir Joseph Banks, a usar o termo Terra Australis pois este era o nome mais familiar ao público. Flinders fez isso, mas permitiu-se a uma nota de rodapé: Esta é a única ocorrência da palavra Austrália no texto; mas no Apêndice III de General remarks, geographical and systematical, on the botany of Terra Australis, de Robert Brown, o autor faz uso da forma adjetiva australiano, o primeiro uso dessa forma. Apesar da concepção popular, o livro não foi determinante na adoção do nome: o nome veio gradualmente a ser aceito nos dez anos seguintes. Lachlan Macquarie, um governador da Nova Gales do Sul, em seguida usou o termo em seus despachos para a Inglaterra, e em 12 de dezembro de 1817 recomendou ao Instituto Colonial que fosse formalmente adotado. Em 1824, o Almirantado concordou que o continente deveria ser conhecido oficialmente como Austrália. A habitação humana da Austrália teve seu início estimado entre e anos atrás, possivelmente com a migração de pessoas por pontes de terra e por cruzamentos pelo mar de curta distância, no que é atualmente o sudeste da Ásia. Estes primeiros habitantes podem ter sido antepassados dos modernos indígenas australianos. Na época da colonização europeia no final do século XVIII, a maioria dos indígenas australianos eram caçadores-coletores, com uma complexa cultura oral e valores espirituais com base em reverência à terra e uma crença no Tempo do Sonho. Embora exista a teoria da descoberta da Austrália pelos portugueses, há quem tenha como o primeiro avistamento europeu registrado do continente australiano e o primeiro desembarque europeu na sua costa foram atribuídos ao navegador holandês Willem Janszoon, que avistou a costa da Península do Cabo York em uma data desconhecida no começo de 1606: ele fez o desembarque em 26 de fevereiro no rio Pennefather na costa ocidental do Cabo York, perto da cidade moderna de Weipa. O holandês traçou todo o litoral oeste e norte da "Nova Holanda", durante o século XVII, mas não fez nenhuma tentativa de colonização. As descobertas de Cook prepararam o caminho para a criação de uma nova colônia penal. A colônia da Coroa Britânica de Nova Gales do Sul foi formada em 26 de janeiro de 1788, quando o Capitão Arthur Phillip levou a Primeira Frota à Port Jackson. Esta data tornou-se o Dia da Austrália, o principal feriado nacional do país. A Terra de Van Diemen, hoje conhecida como Tasmânia, foi colonizada em 1803 e tornou-se uma colônia separada em 1825. O Reino Unido reclamou a parte ocidental da Austrália em 1828. Colônias separadas foram esculpidas a partir de partes de Nova Gales do Sul: Austrália Meridional em 1836, Vitória em 1851, e Queensland em 1859. O Território do Norte foi fundado em 1911, quando ele foi retirado da Austrália Meridional. A Austrália Meridional foi fundada como uma "província livre", que nunca foi uma colônia penal. Vitória e Austrália Ocidental também foram fundadas como "livres", mas depois aceitaram transportar presos. Uma campanha de colonos da Nova Gales do Sul levou ao fim o transporte de condenados para a colônia; o último navio com condenados chegou em 1848. A população nativa, estimada em 350 000 na época da colonização europeia, diminuiu drasticamente 150 anos após a colonização, principalmente devido a doenças infecciosas. As "gerações roubadas" (remoção de crianças aborígenes de suas famílias), que historiadores como Henry Reynolds alegam que poderia ser considerado um genocídio, pode ter contribuído para o declínio da população indígena. Tais interpretações da história aborígenes são disputadas por comentaristas conservadores como o ex-primeiro-ministro John Howard como exageradas ou fabricadas por motivos políticos ou ideológicos. Este debate é conhecido na Austrália como as Guerras da História. O governo federal ganhou o poder de fazer leis com relação aos aborígines na sequência do referendo de 1967. A propriedade das terras tradicionais (chamadas native title) não era reconhecida até 1992, quando a Suprema Corte da Austrália, durante o Caso Mabo contra Queensland, derrubou a noção da Austrália como terra nullius ("terra pertencem a ninguém") antes da ocupação europeia. A corrida do ouro começou na Austrália no início da década de 1850 e a rebelião de Eureka Stockade contra as taxas de licença de mineração em 1854 foi uma expressão inicial de desobediência civil. Entre 1855 e 1890, as seis colônias individualmente adquiriram um governo responsável, gerindo a maioria dos seus próprios assuntos, enquanto parte restante do Império Britânico. O Instituto Colonial em Londres manteve o controle de alguns assuntos, nomeadamente dos negócios estrangeiros, defesa, e de transporte marítimo internacional. Em 1 de janeiro de 1901, a federação das colônias foi realizada após uma década de planejamento, consulta e votação. A Comunidade da Austrália foi criada e tornou-se um domínio do Império Britânico em 1907. O Território da Capital Federal (mais tarde rebatizado para Território da Capital da Austrália) foi formado em 1911 como a localização para a futura capital federal de Camberra. Melbourne foi a sede temporária do governo entre 1901 e 1927, enquanto Camberra era construída. O Território do Norte foi transferido do controle do governo da Austrália Meridional para o parlamento federal, em 1911. Em 1914, a Austrália foi aliada do Reino Unido durante a Primeira Guerra Mundial, com o apoio do Partido Liberal e do Partido Trabalhista. Os australianos participaram em muitas das grandes batalhas travadas na Frente Ocidental. Dos cerca de 416 000 soldados que serviram, cerca de 60 000 foram mortos e outros 152 000 ficaram feridos. Muitos australianos consideram a derrota da ANZAC (Forças Armadas da Austrália e Nova Zelândia) em Galípoli, atual Turquia, como o nascimento da nação, sua primeira grande ação militar. A Campanha do Trilho de Kokoda é considerada por muitos como um evento definidor análogo da nação na Segunda Guerra Mundial. O Estatuto de Westminster terminou formalmente com a maioria das ligações constitucionais entre a Austrália e o Reino Unido. A Austrália adotou o estatuto em 1942, mas com efeitos retroativos a 1939 para confirmar a validade da legislação aprovada pelo Parlamento australiano durante a Segunda Guerra Mundial. O choque da derrota da Inglaterra na Ásia em 1942 e a ameaça da invasão japonesa fez com que a Austrália olhasse para os Estados Unidos como um novo aliado e protetor. Desde 1951, a Austrália tem sido um aliado militar formal dos Estados Unidos, nos termos do tratado ANZUS. Após a Segunda Guerra Mundial, a Austrália encorajou a imigração da Europa. Desde os anos 1970 e após a abolição da política Austrália Branca, a imigração da Ásia e de outros lugares também foi promovida. Como resultado, a demografia, cultura e autoimagem da Austrália foram transformadas. Os laços constitucionais finais entre a Austrália e o Reino Unido foram cortados com a aprovação do Australia Act 1986, acabando com qualquer papel britânico no governo dos estados australianos e, fechando a possibilidade de recurso judicial para o Privy Council, em Londres. Em um referendo de 1999, 55% dos eleitores australianos e uma maioria em cada estado australiano rejeitou a proposta do país se tornar uma república com um presidente nomeado pelo voto de dois terços de ambas as Casas do Parlamento Australiano. Desde a eleição do Governo Whitlam em 1972, tem existido um foco crescente na política externa dos laços com outras nações do Pacífico, mantendo laços estreitos com os aliados tradicionais da Austrália e com parceiros comerciais. O território da Austrália tem km² e está sobre a placa indo-australiana. Rodeado pelos oceanos Pacífico e Índico, o continente é separado da Ásia pelos mares de Arafura e Timor. Apesar de ser considerado o "menor continente do mundo" É por vezes também considerada a "mais extensa ilha do mundo". Tem km de costa (excluindo todas as ilhas em alto-mar) e reivindica uma extensa Zona Econômica Exclusiva de 8 148 250 km². Esta zona econômica exclusiva não inclui o Território Antártico Australiano. A Grande Barreira de Corais, o maior recife de coral do mundo, encontra-se a uma curta distância da costa nordeste e estende-se por mais de 2 000 km. O Monte Augustus, reivindicado como o maior monólito do mundo, situa-se na Austrália Ocidental. Com 2 228 m, o Monte Kosciuszko, na Grande Cordilheira Divisória, é a montanha mais alta do continente australiano, apesar de o Pico Mawson, localizado no remoto território australiano da Ilha Heard, ser mais alto, com m de altura. O leste da Austrália é marcado pela Grande Cordilheira Divisória que corre paralela à costa de Queensland, Nova Gales do Sul e grande parte de Vitória — embora o nome não seja correto, visto que partes da cordilheira sejam constituídas por morros baixos e as terras mais altas geralmente não ultrapassem os 1 600 m de altura. O planalto costeiro e o cinturão de pastagens Brigalow situam-se entre a costa e as montanhas, enquanto no interior da cordilheira divisória são grandes áreas de pastagens. Estes incluem planícies do oeste de Nova Gales do Sul e do Planalto Einasleigh, Barkly e as terras Mulga do interior de Queensland. O ponto norte da costa leste é a tropical Península do Cabo York. As paisagens do norte do país, o Top End e o Golfo Country, atrás do Golfo de Carpentária, com seu clima tropical, são compostas por bosques, prados e o deserto. No noroeste do continente existem rochedos de arenito e gargantas The Kimberley e abaixo a região de Pilbara, enquanto que o sul e o interior destes lugares se encontram mais áreas de pastagem. O coração do país é constituído de desertos xéricos, enquanto as características proeminentes do centro e do sul incluem os desertos interiores de Simpson, Tirari-Sturt, Gibson, Great Sandy-Tanami e o Grande Deserto de Vitória com a famosa Planície de Nullarbor na costa sul. O clima da Austrália é significativamente influenciado pelas correntes oceânicas, incluindo o dipolo do Oceano Índico e o El Niño, que está correlacionado com a seca periódica e o sistema de baixa pressão tropical sazonal que produz ciclones no norte da Austrália. Estes fatores induzem consideravelmente a variação de precipitação de ano para ano. Grande parte do norte do país tem uma chuva de verão tropical predominantemente (monção) climática. com os solos mais antigos e menos férteis; o deserto ou terra semiárida conhecida como Outback compõe a maior parte de terra. É o continente habitado mais seco, tendo apenas as partes sudeste e sudoeste um clima temperado. Pouco menos de três quartos da Austrália encontra-se dentro de um deserto ou em zonas semiáridas. O sudoeste da Austrália Ocidental tem um clima mediterrâneo. Grande parte do sudeste (incluindo Tasmânia) é temperado. A Austrália tem o maior número de espécies répteis do mundo (755 espécies). As florestas australianas são maioritariamente constituídas por espécies perenes, particularmente árvores de eucalipto nas regiões mais áridas e acácias nas regiões mais secas e desérticas. Entre os membros mais conhecidos da fauna australiana estão os monotremados (ornitorrinco e equidna-de-focinho-curto), vários marsupiais (como o canguru, coala e os vombates) e aves (como o emu e a kookaburra). O dingo foi introduzido por povos austronésios que tiveram contato com os indígenas australianos por volta de 3000 a.C. Muitas plantas e espécies animais se extinguiram logo após o primeiro povoamento humano, incluindo a megafauna australiana, outros desapareceram com a colonização europeia, entre eles o tilacino. Muitas das ecorregiões australianas (e as espécies encontradas nessas regiões) estão ameaçadas pelas atividades humanas e por espécies vegetais e animais invasoras. O Environment Protection and Biodiversity Conservation Act 1999 é o marco legal para a proteção das espécies ameaçadas. Várias áreas protegidas foram criadas no âmbito da "Estratégia Nacional para a Conservação da Diversidade Biológica da Austrália" para proteger e preservar ecossistemas únicos: 65 zonas úmidas são listadas sob a Convenção de Ramsar e 15 Patrimônios Mundiais naturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) foram estabelecidos. A Austrália foi classificada em 51º lugar entre 163 países do mundo no Índice de Desempenho Ambiental de 2010. As mudanças climáticas tornaram-se uma preocupação crescente na Austrália nos últimos anos, com muitos australianos considerando a proteção ao ambiente como a questão mais importante que o país enfrenta. Os primeiros ministérios de Kevin Rudd iniciaram várias atividades de redução de emissões; O primeiro ato oficial de Rudd, em seu primeiro dia no cargo, foi assinar o instrumento de ratificação do Protocolo de Quioto. No entanto, as emissões de dióxido de carbono per capita da Austrália estão entre as mais altas do mundo, inferiores apenas às de algumas nações industrializadas. As chuvas na Austrália aumentaram ligeiramente ao longo do século passado a nível nacional, enquanto as temperaturas médias anuais aumentaram significativamente nas últimas décadas. As restrições do uso de água estão atualmente em vigor em muitas regiões e cidades da Austrália, em resposta à escassez crônica devido ao aumento da população urbana e às secas localizadas. A Austrália tem uma população total de mais de 27 milhões de pessoas, com quase 76% destes tendo ascendência europeia. Por gerações, a grande maioria dos imigrantes vinha das Ilhas Britânicas, e os povos da Austrália ainda são principalmente de origem étnica britânica ou irlandesa. No censo australiano de 2006, a ascendência mais indicada foi australiana (37,13%), seguida pela inglesa (31,65%), irlandesa, escocesa, italiana, alemã, chinesa e grega . As populações indígenas dos aborígines e dos habitantes das Ilhas do Estreito de Torres foi estimada em 984 000 pessoas (3,8% da população total do país) em 2021, um aumento significativo de 115 953 habitantes no censo de 1976. Um grande número de povos indígenas não são identificados no censo devido a contagem incompleta e casos em que a condição indígena não é registrada no formulário. Os indígenas australianos possuem taxas superiores à média de prisão e de desemprego, além de baixos níveis de escolaridade e expectativa de vida para homens e mulheres, que são de 11 a 17 anos inferiores aos índices dos australianos não indígenas. Em comum com muitos outros países desenvolvidos, a Austrália está passando por uma mudança demográfica para uma população mais velha, com mais aposentados e menos pessoas em idade ativa. Em 2004, a idade média da população civil era de 38,8 anos. Um grande número de australianos (759 849 para o período 2002–03) vive fora do seu país de origem. A população da Austrália quadruplicou desde o fim da Primeira Guerra Mundial, estimulada por um programa ambicioso de imigração. Após a Segunda Guerra Mundial e até 2000, quase 5,9 milhões do total da população estabelecida no país eram novos imigrantes, o que significa que quase dois em cada sete australianos nasceram no exterior. A maioria dos imigrantes são qualificados, mas a quota de imigração inclui categorias de membros da família e dos refugiados. Em 2001, 23,1% dos australianos haviam nascido no estrangeiro: os cinco maiores grupos de imigrantes eram os do Reino Unido, Nova Zelândia, Itália, Vietnã e República Popular da China. Após a abolição da política Austrália Branca em 1973, inúmeras iniciativas governamentais foram criadas para incentivar e promover a harmonia racial com base em uma política de multiculturalismo. A meta de migração para julho de 2006 foi de 144 000 pessoas. A quota de imigração total para setembro de 2008 foi de cerca de 300 mil, seu nível mais elevado desde que o Departamento de Imigração foi criado após a Segunda Guerra Mundial. A densidade populacional, de 2,8 hab,/km², está entre as mais baixas do mundo, embora uma grande parte da população esteja concentrada no litoral temperado do sudeste. A Austrália não tem uma religião oficial, embora a Igreja Anglicana seja reconhecida como a igreja nacional dos australianos britânicos e durante muito tempo foi a maior igreja cristã do país. O perfil religioso do país vem mudando nos últimos anos, com o aumento da secularização e da diversidade religiosa. Em 1991, 74% dos australianos identificavam-se como cristãos, percentagem que caiu para 52,1% em 2016. No mesmo período, a percentagem de pessoas sem religião cresceu de 12,9% para 30,1%. Seguidores de outras religiões, que somavam apenas 2,6% em 1991, cresceram para 8,2% em 2016. No censo de 2016, 52,1% dos australianos declararam-se cristãos, sendo 22,6% católicos, 13,3% anglicanos e 14,3% protestantes de outras denominações. O segundo maior segmento religioso na Austrália é o islamismo, seguido pelo budismo, o hinduísmo e o siquismo . O comparecimento semanal em cultos da igreja, em 2004, foi de cerca de 1,5 milhão: cerca de 7,5% da população. A religião não desempenha um papel central na vida de grande parte da população. Embora a Austrália não tenha uma língua oficial, o inglês é tão arraigado que se tornou a língua nacional de facto. O inglês australiano é uma variante da língua, com sotaque e léxico distintos. A gramática e a ortografia são semelhantes às do inglês britânico com algumas exceções notáveis. Segundo o censo de 2006, o inglês é a única língua falada em casa por cerca de 79% da população. As outras línguas mais comumente faladas em casa são o italiano, o grego e o cantonês ; uma proporção considerável de imigrantes de primeira e de segunda geração são bilíngues. Estima-se que existiam entre duzentas e trezentas línguas indígenas australianas na época do primeiro contato com os europeus, das quais apenas 70 sobreviveram até os dias atuais. Muitas destas são exclusivamente faladas por pessoas mais velhas, apenas 18 línguas indígenas ainda são faladas por todos os grupos etários. Na época do censo 2006, 52 000 indígenas australianos, o que representa 12% da população indígena, relataram que falavam alguma língua indígena em casa. A Austrália tem uma língua de sinais conhecida como Auslan, que é a língua principal de aproximadamente pessoas surdas. A Austrália é uma monarquia constitucional com uma divisão de poder federal. O país tem um sistema de governo parlamentarista com o rei Carlos III como monarca, um papel que é diferente da sua posição como rei nos outros reinos da Commonwealth. Como o rei reside no Reino Unido, os poderes executivos investidos nele pela Constituição são normalmente exercidos pelos seus representantes na Austrália (o Governador-Geral, em nível federal e os governadores, em nível estadual), por convenção sobre os conselhos dos ministros do Rei. O governo federal está dividido em três ramos: o Parlamento bicameral, composto pelo Rei (representado pelo Governador-Geral), o Senado e a Câmara dos Representantes; o Conselho Executivo Federal, na prática, o governador-geral como aconselhado pelo Primeiro-Ministro e os Ministros de Estado; A Câmara dos Representantes (câmara baixa) tem 150 membros eleitos de um único membro das divisões eleitorais, vulgarmente conhecido como "eleitorado", atribuído aos estados em função da população, com cada estado original garantido um mínimo de cinco lugares. Eleições para ambas as câmaras são normalmente realizadas a cada três anos, simultaneamente, os senadores têm sobreposição de mandatos de seis anos, exceto para aqueles representantes dos territórios, que só têm mandato de três anos, portanto, apenas 40 dos 76 lugares do Senado são colocados a cada eleição a menos que o ciclo seja interrompido por uma dissolução dupla. assim como é o registro (com exceção da Austrália Meridional). Há dois grandes grupos políticos que costumam formar governo federal e dos estados: o Partido Trabalhista Australiano e a Coalizão, que é um agrupamento formal do Partido Liberal da Austrália e seu sócio minoritário, o Partido Nacional da Austrália. Membros independentes e vários pequenos partidos, incluindo os Verdes e os Democratas Australianos, alcançaram representação no parlamento australiano, principalmente em casas superiores. Apesar de o Primeiro-Ministro ser nomeado pelo Governador-Geral, na prática, o partido com apoio da maioria na Câmara dos Representantes forma o governo e seu líder se torna o Primeiro-Ministro. Julia Gillard se tornou a primeira mulher primeira-ministra em junho de 2010. Anthony Albanese, do Partido Trabalhista, é o atual primeiro-ministro desde maio de 2022. Nas últimas décadas, as relações exteriores da Austrália têm sido motivadas por uma associação estreita com os Estados Unidos através do pacto ANZUS, e pelo desejo de desenvolver relações com a Ásia e com o Pacífico, nomeadamente através da Associação de Nações do Sudeste Asiático e do Fórum das Ilhas do Pacífico. Em 2005, a Austrália garantiu um lugar inaugural da Cúpula do Leste Asiático após a sua adesão ao Tratado de Amizade e Cooperação no Sudeste Asiático. A Austrália é um membro da Commonwealth of Nations. A Austrália tem prosseguido com a causa da liberalização do comércio internacional. Isto levou a formação do Grupo de Cairns e da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico. A Austrália é um membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e da Organização Mundial do Comércio e exerceu várias grandes acordos bilaterais de livre comércio, mais recentemente, o acordo de livre comércio Austrália — Estados Unidos e estreitamento das relações econômicas com a Nova Zelândia. Junto com a Nova Zelândia, o Reino Unido, a Malásia e Singapura, a Austrália é parte do Five Power Defence Arrangements, um acordo de defesa regional. Um país membro fundador das Nações Unidas, a Austrália é fortemente comprometida com o multilateralismo, e mantém um programa de ajuda internacional ao abrigo do qual cerca de 60 países recebem assistência. O orçamento para 2005–06 prevê 2,5 bilhões de dólares para ajuda ao desenvolvimento; como em percentagem do PIB, esse percentual é menor do que o recomendado nas Metas de desenvolvimento do milênio das Nações Unidas. A Austrália foi classificada em 2008 em sétimo lugar pelo Centro para o Desenvolvimento Global no Compromisso com o Índice de Desenvolvimento. As Forças Armadas da Austrália são compostas pela Marinha Real Australiana (Royal Australian Navy), a Força Aérea Real Australiana (Royal Australian Air Force) e o Exército Australiano (Australian Army), totalizando um contingente de 80 561 pessoas (incluindo 55 068 regulares e reservistas). O papel titular do comandante-em-chefe é atribuída ao governador-geral, que nomeia um chefe das Forças de Defesa de uma das Forças Armadas com base no parecer do governo. As operações diárias das forças armadas estão sob o comando do Chefe, enquanto a mais ampla administração e formulação da política de defesa é feita pelo Ministro do Departamento de Defesa. No orçamento de 2010–11, as despesas para defesa foram de 25,7 bilhões de dólares australianos, representando o 14º maior orçamento de defesa no mundo, mas representando apenas 1,2% dos gastos militares globais. A Austrália esteve envolvida missões de paz, socorro, e conflitos armados regionais e da ONU, que atualmente destacam cerca de 3 330 integrantes das forças armadas em diferentes capacidades em 12 operações no exterior em diversas áreas, incluindo Timor-Leste, Ilhas Salomão e Afeganistão. A Austrália é formada por seis estados — Nova Gales do Sul, Queensland, Austrália Meridional, Tasmânia, Vitória, Austrália Ocidental e dois territórios, o Território do Norte e Território da Capital Australiana . Na maioria dos aspectos, estes dois territórios funcionam como os estados, mas o Parlamento da Comunidade pode substituir toda a legislação dos respectivos parlamentos. Em contrapartida, a legislação federal apenas substitui a legislação do estado em determinadas áreas que são definidos no artigo 51º da Constituição da Austrália. Cada estado e território continental importante tem a sua própria legislação ou parlamento: unicameral no Território do Norte, no TCA e em Queensland e bicameral nos demais estados. Os Estados são soberanos, embora sujeitos a certas competências da Comunidade, tal como definido pela Constituição. A câmara baixa é conhecida como a Assembleia Legislativa (Casa da Assembleia na Austrália do Sul e Tasmânia) e a câmara alta é conhecida como Conselho Legislativo. O chefe do governo em cada estado é o Primeiro-Ministro e em cada território, o Ministro-Chefe. O governo federal administra diretamente os seguintes territórios: A economia da Austrália tem como maiores bases econômicas a mineração (o país é o 2º maior exportador mundial de carvão e o 10º maior exportador de gás natural, o maior produtor mundial de minério de ferro, bauxita e opala, e o 2º maior produtor mundial de ouro, manganês e chumbo, entre outros), a pecuária (o país era, em 2018, o maior produtor de lã do mundo e o 5º maior produtor de carne bovina), o turismo (foi o 7º maior do mundo em receitas turísticas em 2018) e a agricultura (o país é um dos 10 maiores produtores mundiais de trigo, cevada e cana-de-açúcar e também de vinho). A Austrália tem uma economia de livre mercado com elevado PIB per capita e baixa taxa de pobreza. O dólar australiano é a moeda oficial da nação e também da Ilha Christmas, Ilhas Cocos (Keeling) e Ilha Norfolk, bem como dos independentes Estados-ilhas do Pacífico Kiribati, Nauru e Tuvalu. Após a fusão de 2006 da Australian Stock Exchange e da Sydney Futures Exchange, a Australian Securities Exchange é agora a nona maior bolsa de valores do mundo. Durante quase um século (até as primeiras décadas do séc. XX), vigorou no país o free banking (sistema bancário sem regulamentações), quando era permitido aos bancos particulares, a emissão de moeda privada. Em terceiro lugar no Índice de Liberdade Econômica, a Austrália é a décima terceira maior economia do mundo e tem o décimo terceiro maior PIB per capita, maior que o do Reino Unido, Alemanha, França, Canadá e Japão, e em par com o dos Estados Unidos. O país foi classificado em segundo lugar no Índice de Desenvolvimento Humano de 2013 Todas as grandes cidades da Austrália estão em boa classificação de habitabilidade nas pesquisas comparativas mundiais; Melbourne atingiu o segundo lugar na lista "Cidades Mais Habitáveis do Mundo" de 2008 da revista The Economist, seguida de Perth, Adelaide e Sydney, em quarto, sétimo e nono lugar, respectivamente. A ênfase na exportação de commodities, em vez de bens manufaturados, apoiou um aumento significativo nos termos de troca da Austrália desde o início do século XX, devido ao aumento dos preços das commodities. A Austrália tem uma balança de pagamentos que é mais de 7% negativa e teve déficits persistentemente elevados em conta corrente por mais de 50 anos. A Austrália tem crescido a uma taxa média anual de 3,6% ao ano por mais de 15 anos, em comparação com a média anual da OCDE que é de 2,5%. O governo de John Howard seguiu com uma desregulamentação parcial do mercado de trabalho e um processo de privatização das empresas estatais, sobretudo no setor de telecomunicações. O sistema de imposto indireto foi substancialmente alterado em julho de 2000 com a introdução de um imposto sobre bens e serviços de 10%. No sistema fiscal australiano, o imposto de renda pessoal e de empresas é a principal fonte de receita do governo. Em janeiro de 2007, havia pessoas empregadas, com uma taxa de desemprego de 4,6% da população. Durante a última década, a inflação tem sido de 2–3% e a taxa básica de juros em 5–6%. O setor de serviços da economia, incluindo turismo, educação e serviços financeiros, respondeu por 71% do PIB em 2008. Embora a agricultura e recursos naturais representem apenas 3% e 5% do PIB, respectivamente, eles contribuem substancialmente para o desempenho da exportação. Os maiores mercados de exportação da Austrália são o Japão, a China, os Estados Unidos, a Coreia do Sul e a Nova Zelândia. O turismo é um importante setor da economia australiana. Em 2003/04, a indústria do turismo representou 3,9% do PIB da Austrália no valor de cerca de 32 bilhões de dólares australianos para a economia nacional. A participação do turismo no PIB do país tem vindo a decrescer ligeiramente nos últimos anos, representando 1,1% do total das exportações de bens e serviços. Os 10 países que mais enviam turistas para viagens de curta duração para a Austrália são Nova Zelândia, Reino Unido, Estados Unidos, China, Japão, Singapura, Malásia, Coreia do Sul, Hong Kong e Índia. A frequência escolar é obrigatória em toda a Austrália. Todas as crianças recebem 11 anos de escolaridade obrigatória, entre os 6 e 16 anos (Ano 1 a 10), antes que elas possam realizar mais dois anos de estudo (Anos 11 e 12), o que contribui para uma taxa de alfabetização de adultos estimada em 99%. O ano de preparação antes do primeiro ano de escolarização, embora não seja obrigatório, é quase universalmente realizado pela população. Cerca de 58% dos australianos com idade entre 25 e 64 anos têm qualificação profissional ou superior, A expectativa de vida na Austrália é relativamente elevada, sendo de 78,7 anos para os homens e de 83,5 anos para as mulheres nascidas em 2006. O país tem uma das maiores taxas de câncer de pele no mundo, enquanto que o tabagismo é a maior causa evitável de morte e doença entre a população. A Austrália tem uma das percentagens mais elevadas de obesidade entre os cidadãos das nações desenvolvidas; mas é um dos países mais bem sucedidos na gestão da propagação do HIV/AIDS. O governo australiano introduziu um sistema de saúde universal, conhecido como Medibank, em 1975. Reformulado por sucessivos governos, a sua versão atual, o Medicare, passou a existir em 1984. Agora é nominalmente financiado por uma sobretaxa do imposto de renda, conhecida como "imposto Medicare", atualmente fixada em 1,5%. Tradicionalmente, a gestão da saúde pública tem sido dividida entre os governos estadual e federal. Os estados gerenciam hospitais e serviços ambulatoriais registrados. O total de despesas com saúde (incluindo as despesas do setor privado) representa 9,8% do PIB australiano. A política energética da Austrália está sujeita à regulação e influência fiscal dos três níveis do governo do país, no entanto a política energética estadual e federal lidam com indústrias primárias, como o carvão. A política energética federal continua apoiando a indústria do carvão e do gás natural através de subsídios para o uso e exportação de combustíveis fósseis, uma vez que esta indústria de exportação contribui significativamente para as receitas do governo. A Austrália é um dos países mais dependentes do carvão no mundo. O carvão e o gás natural, juntamente com os produtos à base de petróleo, são a principal fonte de energia utilizada pelos australianos, apesar do fato de a indústria do carvão produzir aproximadamente 38% do total de emissões de gases da Austrália. A política federal está começando a mudar com a publicação de um relatório que prevê uma meta nacional de 20% de energia renovável para o consumo de energia elétrica na Austrália até o ano de 2020 e o início do comércio internacional de emissões em 2010. Devido à dependência da Austrália em relação ao carvão e ao gás para a geração de energia, em 2000 o país foi o maior emissor de gases que contribuem para o efeito estufa entre todos os países desenvolvidos, independente ou não de terem emissões de desmatamento inclusas. A Austrália é, ainda, um dos países que oferecem maior risco de um aumento nas mudanças climáticas, de acordo com o Relatório Stern. A comercialização de energia renovável no país é relativamente menor se comparada à de combustíveis fósseis. As indústrias de energia renovável australianas são diversas, abrangendo várias fontes de energia e as escalas de operação, que atualmente contribuem com cerca de 8% a 10% da oferta total de energia da Austrália. A principal área onde a energia renovável está crescendo é na geração de energia elétrica, seguindo as "Metas do Governo para a Geração de Energias Renováveis". Em 2021, a Austrália tinha, em energia elétrica renovável instalada, em energia hidroelétrica (25º maior do mundo), em energia eólica (13º maior do mundo), em energia solar (7º maior do mundo), e em biomassa. O país tem uma das maiores taxas de automóveis per capita do mundo (cerca de 695 veículos por 1 000 pessoas, de acordo com dados de 2010 do Banco Mundial). A Austrália tem de três a quatro vezes mais estradas per capita do que a Europa e sete a nove vezes mais do que a Ásia, totalizando uma rede de rodovias de km, sendo km de estradas pavimentadas. O país também possui a terceira maior taxa per capita de consumo de combustível do mundo. Perth, Adelaide e Brisbane são classificadas entre as cidades mais dependentes de automóveis no planeta, com Sydney e Melbourne logo atrás. Além disso, a distância percorrida por carros (ou veículo similar) na Austrália está entre as maiores do mundo, ultrapassando a dos Estados Unidos e Canadá. O crescente preço da gasolina e os congestionamentos cada vez maiores são apontados como fatores que contribuem para um renovado crescimento no uso dos transportes públicos urbanos. A Austrália também possui cerca de 2 000 km de hidrovias. Características distintas culturais também têm surgido a partir do ambiente natural da Austrália e de suas culturas nativas. Desde meados do século XX, a cultura popular estadunidense tem influenciado fortemente a cultura australiana, especialmente através da televisão e do cinema. Outras influências culturais vêm de países vizinhos da Ásia, e da imigração em grande escala das nações que não falam inglês. Acredita-se que as artes visuais australianas só tenham começado com pinturas em cavernas e em cascas de árvores de seus povos indígenas. As tradições dos indígenas australianos são amplamente transmitidas oralmente e estão vinculadas a cerimônias e histórias do Tempo do Sonho. Desde a época da colonização europeia, um dos principais temas da arte australiana tem sido o cenário natural do país, Arthur Streeton e outros associados com a Escola de Heidelberg A paisagem australiana continua a ser uma fonte de inspiração para os artistas modernistas do país, que tem sido descrito em trabalhos aclamados como os de Sidney Nolan, Fred Williams, Sydney Long e Clifton Pugh. Os artistas da Austrália são influenciados pelas artes estadunidense e europeia modernas e incluem a cubista Grace Crowley, o surrealista James Gleeson, o expressionista abstrato Brett Whiteley e o artista pop Martin Sharp. A arte contemporânea indígena da Austrália é o único movimento de arte do país com importância internacional para sair da Austrália e o "último grande movimento de arte do século XX", seus expoentes têm incluído Emily Kngwarreye. O crítico de arte Robert Hughes tem escrito vários livros influentes sobre a história da Austrália e da arte, e foi descrito como "o mais famoso crítico de arte do mundo" pelo The New York Times. A Galeria Nacional da Austrália e galerias estaduais mantêm coleções de arte nacionais e estrangeiras. Muitas das companhias de arte que atuam na Austrália recebem financiamento do Conselho Federal de Artes do governo federal. Há uma orquestra sinfônica em cada estado do país, e uma companhia de ópera nacional, a Opera Australia, bem conhecida pela sua famosa soprano Joan Sutherland. No início do século XX, Nellie Melba foi uma das principais cantoras de ópera do mundo. Balé e dança são representados pela The Australian Ballet e companhias de vários estados. Cada estado tem uma companhia de teatro financiada por fundos públicos. A indústria do cinema australiano começou com o lançamento do The Story of the Kelly Gang de 1906, considerado o primeiro longa-metragem do mundo, mas tanto a produção de filmes australianos quanto a distribuição de filmes britânicos diminuiu drasticamente após a Primeira Guerra Mundial, quando estúdios e distribuidores estadunidenses monopolizaram a indústria, e na década de 1930 cerca de 95% dos filmes exibidos na Austrália eram produzidos em Hollywood. No final dos anos 1950 a produção de filmes na Austrália efetivamente cessou e não houve produção de filmes completamente australianos na década entre 1959 e 1969. Graças aos governos de John Gorton e Gough Whitlam, a nova onda do cinema australiano da década de 1970 trouxe filmes provocantes e bem sucedidos, alguns explorando o passado da nação colonial, como Picnic at Hanging Rock e Breaker Morant, enquanto o chamado gênero "Ocker" produziu várias comédias urbanas de grande sucesso, incluindo The Adventures of Barry McKenzie e Alvin Purple. Mais tarde incluiu sucessos como Mad Max e Gallipoli. Mais recentes sucessos incluem os Shine e Rabbit-Proof Fence. Entre os notáveis atores australianos incluem-se Judith Anderson, Errol Flynn, Nicole Kidman, Hugh Jackman, Heath Ledger, Geoffrey Rush, Chris Hemsworth e a atual diretora-adjunta da Companhia de Teatro de Sydney, Cate Blanchett. A literatura australiana também foi influenciada pela paisagem do país, as obras de escritores como Banjo Paterson, Henry Lawson e Dorothea Mackellar captaram o bush australiano. O passado colonial da nação, representado pela literatura recente, é muito popular entre os australianos modernos. o primeiro australiano a ter conquistado esse feito. Entre os vencedores australianos do Prêmio Man Booker estão Peter Carey, Thomas Keneally e Iris Murdoch; David Williamson e David Malouf também são escritores de renome, e Les Murray é considerado "um dos principais poetas da sua geração". A Austrália tem dois canais públicos (a Australian Broadcasting Corporation e o multicultural Special Broadcasting Service), três redes de televisão comercial, vários serviços de TV paga, e várias estações de rádio e televisão públicas, sem fins lucrativos. Cada grande cidade do país tem pelo menos um jornal diário a maioria das mídia de impressão estão mais sob o controle da News Corporation e Fairfax Media. A comida dos australianos nativos era amplamente influenciada pela área em que viviam. A maioria dos grupos tribais subsistiu em uma dieta simples de caçador-coletor, como a caça, a pesca e a coleta de plantas nativas e frutíferas. O termo geral para as espécies da flora e da fauna nativas da Austrália e utilizadas como fonte de comida é bushfood. Os primeiros colonos introduziram a culinária britânica para o continente, O vinho australiano é produzido em 60 áreas de produção distintas, que totalizam cerca de 160 000 hectares, principalmente nas regiões ao sul, as partes mais frias do país. As regiões de vinho em cada um desses estados produzem castas e estilos diferentes que se aproveitam dos climas e tipos de solo locais. As variedades predominantes são shiraz, cabernet sauvignon, chardonnay, merlot, sémillon, pinot noir, riesling e sauvignon blanc. Em 1995, um vinho australiano vermelho, o Penfolds Grange, ganhou o prêmio Wine Spectator de "Vinho do Ano", sendo o primeiro vinho de fora da França ou da Califórnia a ter conseguido esta condecoração. Cerca de 24% dos australianos com idade superior a 15 anos participam regularmente de atividades esportivas organizadas na Austrália. Austrália também é forte no ciclismo de pista, remo e natação, tendo estado consistentemente entre os cinco melhores países nos Jogos Olímpicos ou em campeonatos mundiais desde 2000. A natação é o mais forte destes esportes; a Austrália é o segundo mais prolífico vencedor da medalha no esporte na história olímpica. Alguns dos atletas mais bem sucedidos da Austrália são os nadadores Dawn Fraser, Murray Rose, Shane Gould e Ian Thorpe; a sprinter Betty Cuthbert; os tenistas Rod Laver, Ken Rosewall, Evonne Goolagong, Lleyton Hewitt e Margaret Court; o cricketer Donald Bradman; o tricampeão mundial de Fórmula Um Jack Brabham; o pentacampeão mundial do MotoGP Mick Doohan; o golfista Karrie Webb; e o jogador de bilhar Wally Lindrum. A nível nacional, outros esportes populares incluem o futebol australiano, a corrida de cavalos, o surf, o futebol e o automobilismo. Dos esportes coletivos, cerca de metade da população do país, concentrada nos estados da Austrália Meridional, Austrália Ocidental, Tasmânia e Vitória, tem preferência maior pelo futebol australiano. A outra, concentrada na costa leste, nos estados de Queensland e Nova Gales do Sul, prefere mais o rugby, especialmente o rugby league (o duelo das seleções destes dois estados neste esporte é o evento esportivo mais esperado do país, o State of Origin), cujo campeonato nacional (a National Rugby League) é o mais forte do mundo. A seleção australiana de rugby league (os Kangaroos) é igualmente a mais poderosa, tendo sido campeã da Copa do Mundo nove vezes nas treze já realizadas. Já a seleção de rugby union (os Wallabies), o outro código de rugby, também é popular até 2015 (quando os neozelandeses, em final justamente contra os australianos, conseguiram um terceiro troféu, número este igualado pelos sul-africanos em 2019). Apenas no Território da Capital, porém, o rugby union, como na maior parte do mundo, é mais popular que o rugby league; Austrália e Papua-Nova Guiné são precisamente os únicos países em que o league é a variação de rugby preferida. e de todos os Jogos da Commonwealth. Austrália sediou os Jogos Olímpicos de Verão de 1956 em Melbourne e os Jogos Olímpicos de Verão de 2000 em Sydney, e foi classificada entre os seis primeiros países no ranking de medalhas desde 2000. A Austrália também sediou os Jogos da Commonwealth de 1938, 1962, 1982 e 2006. Outros grandes eventos internacionais realizados no país incluem o Aberto da Austrália, um torneio de tênis de grand slam, jogos internacionais de críquete e o Grande Prêmio da Austrália de Fórmula Um. Os eventos esportivos de maior audiência da televisão australiana incluem transmissões como as Olimpíadas, Copa do Mundo FIFA, a Rugby League State of Origin e as finais do National Rugby League e da Australian Football League. Os feriados na Austrália são definidos por cada estado, e não pelo governo federal. Quando o feriado cai no fim de semana o próximo dia útil é considerado feriado.
é uma gama diversificada de atividades humanas e seu produto resultante, que envolve talento criativo ou imaginativo, geralmente expresso em proficiência técnica, beleza, poder emocional ou ideias conceituais. É o processo ou produto de organizar deliberadamente elementos de forma a apelar aos sentidos e às emoções. Abrange uma vasta gama de atividades humanas, criações e formas de expressão, desde campos como música, fotografia, literatura, dança, cinema, escultura e pintura. O significado da arte é explorado dentro da estética, um ramo da filosofia. Acredita-se que para os primeiros seres humanos a arte tinha uma função ritualista, mágica, religiosa; Esta função, contudo, evoluiu, adquirindo uma componente estética e uma função social, pedagógica, mercantil ou simplesmente ornamental. Não existe uma definição geralmente aceita sobre o que constitui arte e a interpretação do conceito tem variado muito ao longo da história e entre culturas. Na tradição ocidental, os três ramos clássicos das artes visuais são a pintura, a escultura e a arquitetura. O teatro, a dança e outras artes performativas, bem como a literatura, a música, o cinema e outros meios de comunicação, como os meios interativos, estão incluídos numa definição mais ampla na numeração das artes. Até o século XVII, arte referia-se a qualquer habilidade ou domínio e não se diferenciava dos ofícios ou das ciências. No uso moderno após o século XVII, onde as considerações estéticas são primordiais, as artes plásticas são separadas e distinguidas das competências adquiridas em geral, como as artes decorativas ou aplicadas. Tradicionalmente, o conceito de arte era utilizado para se referir a qualquer habilidade ou maestria. Esta concepção alterou-se durante o período romântico, quando a arte passou a ser vista como "uma faculdade especial da mente humana a ser classificada juntamente com a religião e a ciência". A natureza da arte e conceitos relacionados, como criatividade e interpretação, são explorados num ramo da filosofia conhecido como estética. A arte é estudada em diversas disciplinas. A arte, entendida como manifestação da atividade humana, é suscetível de ser estudada e analisada a partir de uma perspetiva filosófica — por exemplo, como o raciocínio do ser humano interpreta os estímulos sensoriais que recebe —, psicológica — os diversos processos mentais e culturais que se encontram na sua génese —, ou sociológica — a arte como produto da sociedade humana e em analise dos diversos componentes sociais. A mais difundida, contudo, é a perspectiva histórica que é estudada a partir da crítica de arte e da história da arte. A natureza da arte foi descrita por Richard Wollheim como "um dos problemas tradicionais mais difíceis da cultura humana". Foi definida como um veículo para a expressão ou comunicação de emoções e ideias, um meio de explorar elementos formais e como a mimese ou representação. A teoria da arte como forma tem as suas raízes na filosofia de Immanuel Kant e foi desenvolvida durante o por Roger Eliot Fry e Clive Bell. Na perspectiva da história da arte, as obras artísticas existem há quase tanto tempo quanto a humanidade: desde a arte pré-histórica até a arte contemporânea; no entanto, alguns teóricos pensam que o conceito típico de “obras artísticas” não se enquadra bem fora das sociedades ocidentais modernas. Um dos primeiros sentidos da definição de arte está intimamente relacionado ao antigo significado latino, que se traduz aproximadamente como "habilidade" ou "ofício", associado a palavras como "artesão". Com o passar do tempo, filósofos como Platão, Aristóteles, Sócrates e Immanuel Kant, entre outros, questionaram o significado do conceito de arte. Vários diálogos em Platão abordam questões sobre arte, enquanto Sócrates diz que a poesia é inspirada nas musas e não é racional. Ele fala disto com aprovação e de outras formas de loucura divina (embriaguez, erotismo e sonhos) na obra Fedro (265a-c), enquanto na obra A República' quer proibir a grande arte poética de Homero e também o riso. Em Íon, Sócrates não dá nenhum indício da desaprovação de Homero que expressa na República. O diálogo Íon sugere que a Ilíada de Homero funcionou no mundo grego antigo como a Bíblia funciona hoje no mundo cristão moderno: como uma arte literária divinamente inspirada que pode fornecer orientação moral, desde que possa ser interpretada adequadamente. No que diz respeito à arte literária e às artes musicais, Aristóteles considerava a poesia épica, a tragédia, a comédia, a poesia ditirâmbica e a música como arte mimética ou imitativa, cada uma variando em imitação por meio, objeto e maneira. Por exemplo, a música imita com os meios de ritmo e harmonia, a dança imita apenas com o ritmo, enquanto a poesia imita com a linguagem. As formas também diferem no objeto de imitação. A comédia, por exemplo, é uma imitação dramática de homens piores que a média; enquanto a tragédia imita os homens um pouco melhor que a média. Por último, as formas diferem na sua forma de imitação – através da narrativa ou personagem, através da mudança ou não mudança, e através do drama ou não. Aristóteles acreditava que a imitação é natural para a humanidade e constitui uma das vantagens da humanidade sobre os outros animais. O sentido mais recente e específico da palavra arte como abreviatura de arte criativa ou belas artes surgiu no início do século XVII. Belas artes se referem a uma habilidade usada para expressar a criatividade do artista, ou para envolver as sensibilidades estéticas do público, ou para atrair o público para a consideração de obras de arte mais refinadas ou mais requintadas. Neste último sentido, a palavra arte pode referir-se a várias coisas: um estudo de uma habilidade criativa, um processo de utilização da habilidade criativa, um produto da habilidade criativa, ou o experiência do público com a habilidade criativa. As artes criativas (arte como disciplina) são um conjunto de disciplinas que produzem obras de arte (arte como objetos) que são compelidas por um impulso pessoal (arte como atividade) e transmitem uma mensagem, humor ou simbolismo para quem o percebe interpretar (arte como experiência). Arte é algo que estimula os pensamentos, emoções, crenças ou ideias de um indivíduo por meio dos sentidos. As obras de arte podem ser feitas explicitamente para esse fim ou interpretadas com base em imagens ou objetos. Para alguns estudiosos, como Kant, as ciências e as artes poderiam ser distinguidas tomando a ciência como representando o domínio do conhecimento e as artes como representando o domínio da liberdade de expressão artística. Frequentemente, se a habilidade estiver sendo usada de maneira comum ou prática, as pessoas a considerarão um ofício em vez de uma arte. Da mesma forma, se a habilidade estiver sendo usada de forma comercial ou industrial, pode ser considerada arte comercial em vez de arte. Por outro lado, o artesanato e o design são por vezes considerados arte aplicada. Alguns estudiosos da arte argumentam que a diferença entre belas-artes e artes aplicadas tem mais a ver com julgamentos de valor feitos sobre a arte do que com qualquer diferença clara de definição. No entanto, mesmo as belas-artes muitas vezes têm objetivos além da pura criatividade e autoexpressão. O objetivo das obras de arte pode ser comunicar ideias, como na arte com motivação política, espiritual ou filosófica; criar um senso de beleza (ver estética); explorar a natureza da percepção; por prazer; ou para gerar emoções fortes. O propósito também pode ser aparentemente inexistente. A natureza da arte foi descrita pelo filósofo Richard Wollheim como "um dos mais elusivos problemas tradicionais da cultura humana". A arte foi definida como um veículo de expressão ou comunicação de emoções e ideias, um meio de explorar e apreciar elementos formais por si só e como mimese ou representação. A arte como mimese tem raízes profundas na filosofia de Aristóteles. Leo Tolstoy identificou a arte como o uso de meios indiretos de comunicação de uma pessoa para outra. A teoria da arte como forma tem raízes na filosofia de Kant e foi desenvolvida no início do século XX por Roger Fry e Clive Bell. Mais recentemente, pensadores influenciados por Martin Heidegger interpretaram a arte como o meio pelo qual uma comunidade desenvolve para si um meio de autoexpressão e interpretação. O filósofo americano George Dickie ofereceu uma teoria institucional da arte que define uma obra de arte como qualquer artefato ao qual uma pessoa ou pessoas qualificadas agindo em nome da instituição social comumente referida como “o mundo da arte” conferiu “o status de candidato à apreciação”". Larry Shiner descreveu as belas-artes como "não uma essência ou um destino, mas algo que fizemos. A arte, como geralmente a entendemos, é uma invenção europeia com apenas duzentos anos". A arte pode ser caracterizada em termos de mimese (sua representação da realidade), narrativa (narrativa), expressão, comunicação de emoção ou outras qualidades. Durante o período romântico, a arte passou a ser vista como “uma faculdade especial da mente humana a ser classificada com a religião e a ciência”. Uma concha gravada pelo Homo erectus foi determinada como tendo entre 430 mil e 540 mil anos de idade. Um conjunto de oito garras de águia de cauda branca com 130 mil anos de idade apresenta marcas de corte e abrasão que indicam manipulação por neandertais, possivelmente para usá-las como joias. Uma série de minúsculas conchas de caracóis perfuradas com cerca de 75 mil anos de idade foram descobertas numa caverna sul-africana. Foram encontrados recipientes que podem ter sido usados para armazenar tintas que datam de 100 mil anos. A obra de arte mais antiga encontrada na Europa é o Riesenhirschknochen der Einhornhöhle, que remonta a 51 mil anos e foi feito pelos neandertais. Esculturas, pinturas rupestres e petróglifos do Paleolítico Superior datados de cerca de 40 mil anos atrás foram encontradas, mas o significado preciso de tal arte é frequentemente contestado porque muito pouco se sabe sobre as culturas que as produziram. As primeiras esculturas indiscutíveis e peças de arte semelhantes, como a Vênus de Hohle Fels, são os vários objetos encontrados nas Cavernas e na Arte Glacial no Jura nos Alpes Suávios, no sul da Alemanha, Patrimônio Mundial da UNESCO, onde foram encontradas as mais antigas obras de arte humana móveis já descobertas, na forma de estatuetas esculpidas de animais e humanóides, além dos instrumentos musicais mais antigos desenterrados até então, sendo os artefatos datados entre 43.000 e 35.000 a.C. sendo assim o primeiro centro de arte humana. Muitas grandes tradições na arte têm base na arte de uma das grandes civilizações antigas: Antigo Egito, Mesopotâmia, Pérsia, Índia, China, Grécia Antiga, Roma Antiga, bem como Inca, Maia e Olmeca. Cada um desses centros da civilização primitiva desenvolveu um estilo único e característico em sua arte. Devido ao tamanho e à duração destas civilizações, muitas das suas obras de arte sobreviveram e sua influência foi transmitida a outras culturas e a épocas posteriores. Alguns também forneceram os primeiros registros de como os artistas antigos trabalhavam. Por exemplo, este período da arte grega viu uma veneração da forma física humana e o desenvolvimento de habilidades equivalentes para mostrar musculatura, equilíbrio, beleza e proporções anatomicamente corretas. Na arte bizantina e medieval da Idade Média Ocidental grande parte da arte concentrava-se na expressão de temas sobre a cultura bíblica e religiosa e usava estilos que mostravam a maior glória de um mundo celestial como o uso de ouro no fundo das pinturas ou vidros em mosaicos ou janelas, que também apresentavam figuras em formas idealizadas e padronizadas (planas). No entanto, uma tradição realista clássica persistiu em pequenas obras bizantinas e o realismo cresceu continuamente na arte da Europa católica. A arte renascentista deu uma ênfase muito maior à representação realista do mundo material e ao lugar dos humanos nele, refletido na corporalidade do corpo humano, e ao desenvolvimento de um método sistemático de perspectiva gráfica para representar a recessão em um formato tridimensional. espaço de imagem. No Oriente, a rejeição da iconografia pela arte islâmica levou à ênfase em padrões geométricos, caligrafia e arquitetura. Mais a leste, a religião também dominava os estilos e formas artísticas. A Índia e o Tibete deram ênfase às esculturas pintadas e à dança, enquanto a pintura religiosa emprestou muitas convenções da escultura e tendeu a cores brilhantes e contrastantes com ênfase nos contornos. A China viu o florescimento de muitas formas de arte: escultura em jade, bronze, cerâmica (incluindo o impressionante exército de terracota do imperador Qin), poesia, caligrafia, música, pintura, drama, ficção, etc. Os estilos chineses variam muito de época para época e cada um é tradicionalmente nomeado em relação à dinastia governante no período. Assim, por exemplo, as pinturas da dinastia Tang são monocromáticas e esparsas, enfatizando paisagens idealizadas, enquanto as pinturas da dinastia Ming são ocupadas e coloridas e concentram-se em contar histórias através do cenário e da composição. O Japão também nomeia seus estilos em homenagem às dinastias imperiais e também viu muita interação entre os estilos de caligrafia e pintura. A impressão em xilogravura tornou-se importante no território japonês após o século XVII. A Era do Iluminismo no mundo ocidental no século XVIII viu representações artísticas de certezas físicas e racionais do universo mecânico, bem como visões politicamente revolucionárias de um mundo pós-monarquista, como a representação de Newton por Blake como um geômetra divino, ou as pinturas propagandísticas de David. Isto levou a rejeições românticas disto em favor de imagens do lado emocional e da individualidade dos humanos, exemplificadas nos romances de Goethe. O final do século XIX viu então uma série de movimentos artísticos, como o academicismo, o simbolismo, o impressionismo e o fauvismo entre outros. A história da arte do século XX é uma narrativa de possibilidades infinitas e de busca de novos padrões, cada um sendo derrubado sucessivamente pelo próximo. Assim, os parâmetros do impressionismo, expressionismo, fauvismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo, etc, não podem ser mantidos muito além do tempo de sua invenção. A crescente interação global durante este período viu uma influência equivalente de outras culturas na arte ocidental. Assim, as xilogravuras japonesas (elas próprias influenciadas pelo desenho da Renascença ocidental) tiveram uma influência imensa no impressionismo e no desenvolvimento subsequente. Mais tarde, as esculturas africanas foram retomadas por Picasso e, em certa medida, por Matisse. Da mesma forma, nos séculos XIX e XX, o Ocidente teve enormes impactos na arte oriental, com ideias originalmente ocidentais como o comunismo e o pós-modernismo exercendo uma influência poderosa. O modernismo, a busca idealista da verdade, deu lugar, na segunda metade do século XX, à constatação da sua inatingibilidade. Theodor W. Adorno disse em 1970: "Agora é dado como certo que nada que diz respeito à arte pode mais ser dado como certo: nem a arte em si, nem a arte em relação ao todo, nem mesmo o direito da arte de existir." O relativismo foi aceito como uma verdade inevitável, o que levou ao período da arte contemporânea e da crítica pós-moderna, onde as culturas do mundo e da história são vistas como formas mutáveis, que podem ser apreciadas e extraídas apenas com ceticismo e ironia. Além disso, a separação de culturas é cada vez mais tênue e alguns argumentam que é agora mais apropriado pensar em termos de uma cultura global, em vez de regional. A obra A Origem da Obra de Arte, de Martin Heidegger, filósofo e pensador seminal alemão, descreve a essência da arte em termos dos conceitos de ser e verdade. Ele argumenta que a arte não é apenas uma forma de expressar o elemento de verdade em uma cultura, mas o meio de criá-lo e fornecer um trampolim a partir do qual “aquilo que é” pode ser revelado. As obras de arte não são meramente representações da forma como as coisas são, mas, na verdade, produzem uma compreensão partilhada por uma comunidade. Cada vez que uma nova obra de arte é adicionada a qualquer cultura, o significado do que significa existir é inerentemente alterado. Historicamente, a arte e as competências e ideias artísticas têm sido frequentemente difundidas através do comércio. Um exemplo disso é a Rota da Seda, onde as influências helenísticas, iranianas, indianas e chinesas poderiam se misturar. A arte greco-budista é um dos exemplos mais vívidos dessa interação. O encontro de diferentes culturas e visões de mundo também influenciou a criação artística. Um exemplo disso é a metrópole portuária multicultural de Trieste, no início do século XX, onde James Joyce conheceu escritores da Europa Central e o desenvolvimento artístico da cidade de Nova Iorque como um caldeirão cultural. As artes criativas são frequentemente divididas em categorias mais específicas, normalmente ao longo de categorias perceptualmente distinguíveis, como mídia, gênero, estilos e forma. A forma de arte refere-se aos elementos artísticos que são independentes de sua interpretação ou significado. Abrange os métodos adotados pelo artista e a composição física da obra de arte, principalmente aspectos não semânticos da obra, como cor, contorno, dimensão, meio, melodia, espaço, textura e valor. A forma também pode incluir princípios de design, como arranjo, equilíbrio, contraste, ênfase, harmonia, proporção, proximidade e ritmo. Em geral, existem três escolas de filosofia em relação à arte, com foco respectivamente na forma, no conteúdo e no contexto. Infelizmente, há pouco consenso sobre a terminologia para essas propriedades informais. Alguns autores referem-se ao assunto e ao conteúdo — ou seja, denotações e conotações — enquanto outros preferem termos como significado e importância. Ela define o assunto como as pessoas ou ideias representadas e o conteúdo como a experiência do artista com esse assunto. Por exemplo, a composição da pintura Napoleão I em seu Trono Imperial, de Jean-Auguste-Dominique Ingres, é parcialmente emprestada da Estátua de Zeus em Olímpia. Como evidenciado pelo título, o assunto é Napoleão, e o conteúdo é a representação de Napoleão por Ingres como "Imperador-Deus além do tempo e do espaço". Semelhante ao formalismo, os filósofos normalmente rejeitam o intencionalismo, porque a arte pode ter múltiplos significados ambíguos e a intenção autoral pode ser desconhecida e, portanto, irrelevante. A sua interpretação restritiva é “socialmente insalubre, filosoficamente irreal e politicamente insensata”. O contexto cultural muitas vezes se reduz às técnicas e intenções do artista, caso em que a análise segue linhas semelhantes ao formalismo e ao intencionalismo. Entretanto, em outros casos, condições históricas e materiais podem predominar, como convicções religiosas e filosóficas, estruturas sociopolíticas e econômicas, ou mesmo clima e geografia. A crítica de arte continua a crescer e a desenvolver-se juntamente com a arte. A obra de Rembrandt, atualmente elogiada por suas virtudes efêmeras, foi mais admirada por seus contemporâneos por seu virtuosismo. Na virada do século XX, as performances hábeis de John Singer Sargent eram alternadamente admiradas e vistas com ceticismo por sua fluência manual, mas quase ao mesmo tempo o artista que se tornaria o iconoclasta mais reconhecido e itinerante da época, Pablo Picasso, estava completando um treinamento acadêmico tradicional no qual se destacou. Uma crítica contemporânea comum a algumas artes modernas ocorre no sentido de objetar à aparente falta de habilidade ou capacidade necessária na produção do objeto artístico. A arte conceitual Fonte, de Marcel Duchamp, está entre os primeiros exemplos de peças em que o artista utilizou objetos encontrados ("prontos") e não exerceu nenhum conjunto de habilidades tradicionalmente reconhecido. My Bed, de Tracey Emin, ou The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living, de Damien Hirst, seguem este exemplo. Emin dormiu (e se envolveu em outras atividades) em sua cama antes de colocar o resultado em uma galeria como obra de arte. Hirst surgiu com o design conceitual para a obra de arte, mas deixou a maior parte da criação eventual de muitas obras para artesãos empregados. A celebridade de Hirst é fundada inteiramente na sua capacidade de produzir conceitos chocantes. A produção real de muitas obras de arte conceituais e contemporâneas é uma questão de montagem de objetos encontrados. No entanto, há muitos artistas modernistas e contemporâneos que continuam a destacar-se nas competências de desenho e pintura e na criação de obras de arte manuais. A arte teve um grande número de funções diferentes ao longo de sua história, tornando seu propósito difícil de abstrair ou quantificar em um único conceito. Isso não significa que o propósito da arte seja "vago", mas que ela teve muitas razões únicas e diferentes para ser criada. Algumas dessas funções da arte são fornecidas no esboço a seguir. Os diferentes propósitos da arte podem ser agrupados de acordo com aqueles que não são motivados e aqueles que são motivados (Lévi-Strauss). Os propósitos não motivados da arte são aqueles que são essenciais ao ser humano, transcendem o indivíduo ou não cumprem um propósito externo específico. Neste sentido, a arte, como criatividade, é algo que o ser humano deve fazer pela sua própria natureza (ou seja, nenhuma outra espécie cria arte) e, portanto, está além da utilidade. # Instinto humano básico para harmonia, equilíbrio e ritmo . A arte neste nível não é uma ação ou um objeto, mas uma apreciação interna do equilíbrio e da harmonia (beleza) e, portanto, um aspecto do ser humano que vai além da utilidade. A imitação, então, é um instinto da nossa natureza. Em seguida, há o instinto de "harmonia" e ritmo, sendo os metros manifestamente seções do ritmo. As pessoas, portanto, começando com esse dom natural, desenvolveram gradualmente suas aptidões especiais, até que suas improvisações rudes deram origem à poesia. – Aristóteles # Experiência do misterioso. A arte oferece uma maneira de vivenciar a si mesmo em relação ao universo. Essa experiência pode muitas vezes ocorrer sem motivação, quando se aprecia arte, música ou poesia. A coisa mais linda que podemos vivenciar é o misterioso. É a fonte de toda a verdadeira arte e ciência. – Albert Einstein # Expressão da imaginação. A arte fornece um meio de expressar a imaginação de maneiras não gramaticais que não estão vinculadas à formalidade da linguagem falada ou escrita. Ao contrário das palavras, que vêm em sequências e cada uma delas tem um significado definido, a arte fornece uma gama de formas, símbolos e ideias com significados maleáveis. A águia de Júpiter [como exemplo de arte] não é, como os atributos lógicos (estéticos) de um objeto, o conceito de sublimidade e majestade da criação, mas sim algo mais — algo que dá à imaginação um incentivo para espalhar seu voo sobre toda uma série de representações semelhantes que provocam mais pensamento do que admite expressão em um conceito determinado por palavras. Eles fornecem uma ideia estética, que serve à ideia racional acima como um substituto para a apresentação lógica, mas com a função adequada, no entanto, de animar a mente, abrindo-lhe uma perspectiva para um campo de representações semelhantes que se estendem além de seu alcance. – Immanuel Kant # Funções ritualísticas e simbólicas. Em muitas culturas, a arte é usada em rituais, apresentações e danças como decoração ou símbolo. Embora muitas vezes não tenham um propósito utilitário (motivado) específico, os antropólogos sabem que muitas vezes servem a um propósito no nível de significado dentro de uma cultura específica. Esse significado não é fornecido por nenhum indivíduo, mas geralmente é o resultado de muitas gerações de mudanças e de uma relação cosmológica dentro da cultura. A maioria dos estudiosos que lidam com pinturas rupestres ou objetos recuperados de contextos pré-históricos que não podem ser explicados em termos utilitários e, portanto, são categorizados como decorativos, rituais ou simbólicos, estão cientes da armadilha representada pelo termo "arte". – Silva Tomaskova Os propósitos motivadores da arte referem-se a ações intencionais e conscientes por parte dos artistas ou criadores. Podem ser para provocar mudanças políticas, para comentar um aspecto da sociedade, para transmitir uma emoção ou estado de espírito específico, para abordar a psicologia pessoal, para ilustrar outra disciplina, para (com artes comerciais) vender um produto, ou usados como uma forma de comunicação. # Comunicação. Arte, em sua forma mais simples, é uma forma de comunicação. Como a maioria das formas de comunicação tem uma intenção ou objetivo direcionado a outro indivíduo, este é um propósito motivado. Artes ilustrativas, como ilustração científica, são uma forma de arte como comunicação. Mapas são outro exemplo. No entanto, o conteúdo não precisa ser científico. Emoções, estados de ânimo e sentimentos também são comunicados por meio da arte.[Arte é um conjunto de] artefatos ou imagens com significados simbólicos como meio de comunicação. – Steve Mithen # Arte como entretenimento. A arte pode buscar trazer uma emoção ou humor particular, com o propósito de relaxar ou entreter o espectador. Essa é frequentemente a função das indústrias de arte de filmes e videogames. # Vanguarda. Arte para mudança política. Uma das funções definidoras da arte do início do século XX foi usar imagens visuais para promover mudanças políticas. Os movimentos artísticos que tinham esse objetivo — dadaísmo, surrealismo, construtivismo russo e expressionismo abstrato, entre outros — são coletivamente chamados de artes de vanguarda.Em contraste, a atitude realista, inspirada pelo positivismo, de São Tomás de Aquino a Anatole France, parece-me claramente hostil a qualquer avanço intelectual ou moral. Eu a detesto, pois é feita de mediocridade, ódio e presunção maçante. É essa atitude que hoje dá origem a esses livros ridículos, essas peças insultuosas. Ela constantemente se alimenta e extrai força dos jornais e embrutece tanto a ciência quanto a arte ao bajular assiduamente os gostos mais baixos; clareza beirando a estupidez, uma vida de cachorro. – André Breton (Surrealismo) # A arte como uma "zona livre", afastada da ação da censura social. Ao contrário dos movimentos de vanguarda, que queriam apagar as diferenças culturais para produzir novos valores universais, a arte contemporânea aumentou sua tolerância em relação às diferenças culturais, bem como suas funções críticas e libertadoras (investigação social, ativismo, subversão, desconstrução, etc.), tornando-se um lugar mais aberto para pesquisa e experimentação. # Arte para investigação social, subversão ou anarquia. Embora semelhante à arte para mudança política, a arte subversiva ou desconstrutivista pode buscar questionar aspectos da sociedade sem nenhum objetivo político específico. Nesse caso, a função da arte pode ser usada para criticar algum aspecto da sociedade. A arte do grafite e outros tipos de arte de rua são gráficos e imagens que são pintados com spray ou estêncil em paredes, prédios, ônibus, trens e pontes visíveis ao público, geralmente sem permissão. Certas formas de arte, como o grafite, também podem ser ilegais quando violam leis (nesse caso, vandalismo). # Arte para causas sociais. A arte pode ser usada para conscientizar sobre uma grande variedade de causas. Várias atividades artísticas visavam conscientizar sobre o autismo, câncer, tráfico de pessoas, e uma variedade de outros tópicos, como a conservação dos oceanos, direitos humanos em Darfur, mulheres aborígenes assassinadas e desaparecidas, abuso de idosos e poluição. # Arte para propósitos psicológicos e de cura. A arte também é usada por arteterapeutas, psicoterapeutas e psicólogos clínicos como arteterapia. O produto final não é o objetivo principal neste caso, mas sim um processo de cura, por meio de atos criativos, que é buscado. A obra de arte resultante também pode oferecer entendimentos sobre os problemas vivenciados pelo sujeito e pode sugerir abordagens adequadas para serem usadas em formas mais convencionais de terapia psiquiátrica. # Arte para propaganda ou comercialismo. A arte é frequentemente usada como uma forma de propaganda e, portanto, pode ser usada para influenciar sutilmente concepções populares ou humor. De forma semelhante, a arte que tenta vender um produto também influencia o humor e a emoção. Em ambos os casos, o propósito da arte aqui é manipular sutilmente o espectador para uma resposta emocional ou psicológica específica em relação a uma ideia ou objeto específico. # Arte como um indicador de aptidão. Tem sido argumentado que a capacidade do cérebro humano excede em muito o que era necessário para a sobrevivência no ambiente ancestral. Uma explicação da psicologia evolucionista para isso é que o cérebro humano e os traços associados (como capacidade artística e criatividade) são o equivalente humano da cauda do pavão. O propósito da cauda extravagante do pavão macho tem sido argumentado como sendo atrair fêmeas (veja também modelo da seleção sexual de Fisher e princípio da desvantagem). De acordo com essa teoria, a execução superior da arte era evolutivamente importante porque atraía parceiras. As funções da arte descritas acima não são mutuamente exclusivas, pois muitas delas podem se sobrepor. Por exemplo, a arte com o propósito de entretenimento também pode buscar vender um produto, ou seja, um filme ou um videogame. A arte pode ser dividida em qualquer número de etapas que se possa argumentar. Esta seção divide o processo criativo em três grandes etapas, mas não há consenso sobre um número exato. No primeiro passo, o artista visualiza a arte em sua mente. Ao imaginar como seria sua arte, o artista inicia o processo de dar existência à arte. A preparação pode envolver a abordagem e a pesquisa do tema. A inspiração artística é um dos principais motores da arte e pode ser considerada como proveniente do instinto, das impressões e dos sentimentos. Na segunda etapa, o artista executa a criação de sua obra. A criação de uma peça pode ser afetada por fatores como o ambiente, o humor e o estado mental do artista. Por exemplo, As Pinturas Negras de Francisco de Goya, criadas nos últimos anos de sua vida, são consideradas tão sombrias porque ele estava isolado e por causa de sua experiência com a guerra. Ele os pintou diretamente nas paredes de seu apartamento na Espanha e provavelmente nunca as discutiu com ninguém. Os Beatles afirmaram que drogas como LSD e maconha influenciaram alguns de seus maiores sucessos, como Revolver. O método de tentativa e erro é considerado parte integrante do processo de criação. O último passo é a apreciação da arte, que tem como subtópico a crítica. Num estudo, mais de metade dos estudantes de artes visuais concordaram que a reflexão é um passo essencial do processo artístico. Segundo revistas de educação, a reflexão sobre a arte é considerada parte essencial da experiência. No entanto, um aspecto importante da arte é que outros também podem vê-la e apreciá-la. Enquanto muitos se concentram na aprovação do público, a arte tem um valor profundo além do seu sucesso comercial como fornecedora de informação e saúde na sociedade. O prazer pela arte pode provocar um amplo espectro de emoções devido à beleza. Algumas artes pretendem ser práticas, com sua análise estudiosa, destinadas a estimular o discurso. Desde os tempos antigos, grande parte da arte mais refinada representa uma exibição deliberada de riqueza ou poder, muitas vezes obtida por meio de grandes obras de arte e materiais caros. Muitas obras de arte foram encomendadas por governantes políticos ou instituições religiosas, com versões mais modestas disponíveis apenas para os mais ricos da sociedade. No entanto, houve muitos períodos em que arte de altíssima qualidade estava disponível, em termos de propriedade, em grandes setores da sociedade, sobretudo em meios baratos, como a cerâmica, que persiste no solo, e em meios perecíveis, como tecidos e madeira. Em muitas culturas diferentes, as cerâmicas dos povos indígenas das Américas são encontradas em uma variedade tão grande de sepulturas que claramente não eram restritas a uma elite social, embora outras formas de arte possam ter sido. Métodos de reprodução, como moldes, facilitaram a produção em massa e foram usados para levar cerâmica romana antiga de alta qualidade e estatuetas gregas de Tanagra a um mercado muito amplo. Os selos cilíndricos eram artísticos e práticos, e muito utilizados pelo que pode ser vagamente chamado de classe média no Antigo Oriente Próximo. Uma vez que as moedas passaram a ser amplamente utilizadas, estas também se tornaram uma forma de arte que atingiu a mais ampla gama da sociedade. Outra inovação importante surgiu na Europa no século XV, quando a gravura começou com pequenas xilogravuras, principalmente religiosas, que geralmente eram muito pequenas e coloridas à mão, e acessíveis até mesmo aos camponeses que as colavam nas paredes de suas casas. Os livros impressos eram inicialmente muito caros, mas o seu preço caiu gradualmente até que, no século XIX, até os mais pobres podiam comprar alguns com ilustrações impressas. Graburas populares de muitos tipos diferentes decoram casas e outros lugares há séculos. Em 1661, a cidade de Basileia, na Suíça, inaugurou o primeiro museu público de arte do mundo, o Kunstmuseum Basel. Atualmente, o seu acervo se distingue por um período histórico impressionantemente amplo, desde o início do século XV até o presente. Suas diversas áreas de ênfase lhe conferem posição internacional como um dos museus mais importantes do gênero. Estas abrangem: pinturas e desenhos de artistas activos na região do Alto Reno entre 1400 e 1600, e sobre a arte dos séculos XIX a XXI. Edifícios e monumentos públicos, seculares e religiosos, por sua natureza, normalmente se dirigem a toda a sociedade e aos visitantes como espectadores, sendo a exibição ao público em geral um fator importante em seu design há séculos. Os templos egípcios são típicos porque a decoração maior e mais suntuosa era colocada nas partes que podiam ser vistas pelo público em geral, em vez das áreas vistas apenas pelos sacerdotes. Muitas áreas dos palácios reais, castelos e casas da elite social eram geralmente acessíveis, sendo que grandes partes das coleções de arte dessas pessoas podiam ser vistas, seja por qualquer pessoa, seja por aqueles que podiam pagar um pequeno preço, ou por aqueles que vestiam as roupas corretas, independentemente de quem fossem, como no Palácio de Versalhes, onde os acessórios extras apropriados (fivelas de sapato de prata e uma espada) podiam ser alugados em lojas do lado de fora. Foram feitos arranjos especiais para permitir que o público visse muitas coleções reais ou privadas colocadas em galerias, como a Coleção Orleans, alojada principalmente em uma ala do Palais Royal em Paris, que podia ser visitada durante a maior parte do século XVIII. Na Itália, o turismo de arte do Grand Tour se tornou uma grande indústria a partir do Renascimento e governos e cidades se esforçaram para tornar suas principais obras acessíveis. A Coleção Real da Inglaterra continua distinta, mas grandes doações, como a Antiga Biblioteca Real, foram feitas dela ao Museu Britânico, estabelecido em 1753. Os Uffizi em Florença foram inaugurados inteiramente como uma galeria em 1765, embora esta função já tivesse vindo gradualmente a substituir os escritórios originais dos funcionários públicos durante muito tempo. O edifício hoje ocupado pelo Prado em Madrid foi construído antes da Revolução Francesa para a exibição pública de partes da coleção de arte real e galerias reais semelhantes abertas ao público existiam em Viena, Munique e outras capitais. A abertura do Museu do Louvre durante a Revolução Francesa (em 1793) como um museu público para grande parte da antiga coleção real francesa certamente marcou uma etapa importante no desenvolvimento do acesso público à arte, transferindo a propriedade para um Estado republicano, mas foi uma continuação de tendências já bem estabelecidas. A maioria dos museus públicos modernos e programas de educação artística para crianças em escolas podem ser rastreados até esse impulso de ter arte disponível para todos. No entanto, os museus não só disponibilizam a arte, como também influenciam a forma como a arte é percebida pelo público, como os estudos revelaram.Assim, o museu em si não é apenas um palco para a apresentação da arte, mas desempenha um papel ativo e vital na percepção geral da arte na sociedade moderna. Os museus nos Estados Unidos tendem a ser presentes dos muito ricos para as massas. (o Museu Metropolitano de Arte, na cidade de Nova Iorque, por exemplo, foi criado por John Taylor Johnston, um executivo ferroviário cuja coleção de arte pessoal deu origem ao museu.) Mas, apesar de tudo isto, pelo menos uma das funções importantes da arte no século XXI continua a ser a de um marcador de riqueza e de estatuto social. Houve tentativas de artistas de criar arte que não pudesse ser comprada pelos ricos como um objeto de status social. Um dos principais motivadores originais de grande parte da arte do final dos anos 1960 e 1970 era criar arte que não pudesse ser comprada e vendida. É “necessário apresentar algo mais do que meros objetos” disse o importante artista alemão do pós-guerra Joseph Beuys. Este período viu o surgimento de coisas como arte performática, videoarte e arte conceitual. A ideia era que se a obra de arte fosse uma performance que não deixaria nada para trás, ou fosse uma ideia, ela não poderia ser comprada e vendida. "Preceitos democráticos que giram em torno da ideia de que uma obra de arte é uma mercadoria impulsionaram a inovação estética que germinou em meados da década de 1960 e foi colhida ao longo da década de 1970. Artistas amplamente identificados sob o título de arte conceitual... substituindo atividades de performance e publicação por engajamento com as preocupações materiais e materialistas da forma pintada ou escultural... têm se esforçado para minar o objeto de arte enquanto objeto." Nas décadas seguintes, estas ideias perderam-se um pouco, à medida que o mercado da arte aprendeu a vender DVDs de edição limitada de obras em vídeo, convites para peças de performance artística exclusivas e objetos que sobraram de peças conceituais. Muitas dessas performances criam obras que são compreendidas apenas pela elite que foi educada sobre o porquê de uma ideia, vídeo ou pedaço de lixo aparente poder ser considerado arte. O marcador de status se torna a compreensão da obra em vez de necessariamente possuí-la, sendo que a obra de arte continua sendo uma atividade de classe alta. "Com o uso generalizado da tecnologia de gravação de DVD no início dos anos 2000, os artistas e o sistema de galerias que obtém os seus lucros com a venda de obras de arte ganharam um meio importante de controlar a venda de obras de arte em vídeo e computador em edições limitadas para colecionadores." A arte sempre foi controversa, ou seja, rejeitada por alguns espectadores, por uma grande variedade de razões, embora a maioria das controvérsias pré-modernas sejam vagamente registradas ou completamente perdidas. Iconoclastia é a destruição de arte que é detestada por vários motivos, incluindo religiosos. Aniconismo é uma aversão geral a todas as imagens figurativas, ou muitas vezes apenas às religiosas, e tem sido uma corrente presente em muitas religiões importantes. Foi um fator crucial na história da arte islâmica, onde representações de Maomé permanecem especialmente controversas. Muitas obras de arte foram rejeitadas simplesmente porque retratavam ou defendiam governantes, partidos ou outros grupos impopulares. As convenções artísticas costumam ser conservadoras e levadas muito a sério pelos críticos de arte, embora muitas vezes muito menos pelo público em geral. O conteúdo iconográfico da arte pode causar controvérsia, como nas representações medievais tardias do novo motivo do Desmaio da Virgem em cenas da Crucificação de Jesus. O Juízo Final de Michelangelo foi controverso por várias razões, incluindo violações do decoro através da nudez e da pose de Cristo semelhante à de Apolo. O conteúdo de grande parte da arte formal ao longo da história foi ditado pelo patrono, e não apenas pelo artista. No entanto, com o advento do romantismo e as mudanças econômicas na produção de arte, a visão do artista se tornou o determinante usual do conteúdo de sua arte, aumentando a incidência de controvérsias, embora muitas vezes reduzindo sua importância. Fortes incentivos à percepção de originalidade e publicidade também encorajaram os artistas a cortejar a controvérsia. A Balsa da Medusa de Théodore Géricault, foi em parte um comentário político sobre um evento recente. Le Déjeuner sur l'Herbe, de Édouard Manet, foi considerado escandaloso não por causa da mulher nua, mas porque ela está sentada ao lado de homens completamente vestidos com roupas da época, em vez de trajes do mundo antigo. Madame X, de John Singer Sargent, causou polêmica pelo rosa avermelhado usado para colorir o lóbulo da orelha da mulher, considerado muito sugestivo e supostamente arruinando a reputação da modelo da alta sociedade. O abandono gradual do naturalismo e da representação realista da aparência visual dos objetos nos séculos XIX e XX levou a uma controvérsia que durou mais de um século. No século XX, Guernica, de Pablo Picasso, usou técnicas cubistas marcantes e óleos monocromáticos para retratar as consequências terríveis de um bombardeio contemporâneo a uma pequena e antiga cidade basca. Interrogatório III, de Leon Golub, retrata uma detenta nua, encapuzada, amarrada a uma cadeira, com as pernas abertas revelando seus órgãos sexuais, cercada por dois algozes vestidos com roupas cotidianas. Piss Christ, de Andrés Serrano, é uma fotografia de um crucifixo, sagrado para a religião cristã e que representa o sacrifício e o sofrimento final de Cristo, submerso em um copo com a própria urina do artista. A comoção resultante levou a comentários no Senado dos Estados Unidos sobre o financiamento público das artes. Antes do modernismo, a estética na arte ocidental estava muito preocupada em alcançar o equilíbrio apropriado entre diferentes aspectos do realismo ou da verdade da natureza e do ideal; ideias sobre qual seria o equilíbrio apropriado mudaram ao longo dos séculos. Essa preocupação está amplamente ausente em outras tradições de arte. O teórico estético John Ruskin, que defendeu o que ele via como o naturalismo de William Turner viu o papel da arte como a comunicação por artifício de uma verdade essencial que só poderia ser encontrada na natureza. A definição e avaliação da arte tornaram-se especialmente problemáticas desde o século XX. Richard Wollheim distingue três abordagens para avaliar o valor estético da arte: a realista, segundo a qual a qualidade estética é um valor absoluto independente de qualquer visão humana; a objetivista, segundo a qual ela também é um valor absoluto, mas depende da experiência humana geral; e a posição relativista, segundo a qual a estética não é um valor absoluto, mas sim depende e varia com a experiência de diferentes humanos. A chegada do modernismo no final do século XIX levou a uma ruptura radical na concepção da função da arte, o que ocorreu novamente no final do século XX com o advento do pós-modernismo. O artigo de Clement Greenberg de 1960 "Pintura Modernista" define a arte moderna como "o uso de métodos característicos de uma disciplina para criticar a própria disciplina". Greenberg aplicou originalmente essa ideia ao movimento expressionista abstrato e a usou como uma forma de entender e justificar a pintura abstrata plana (não ilusionista):A arte realista e naturalista dissimulou o meio, usando a arte para esconder a arte; o modernismo usou a arte para chamar a atenção para a arte. As limitações que constituem o meio da pintura — a superfície plana, o formato do suporte, as propriedades do pigmento — foram tratadas pelos Velhos Mestres como fatores negativos que só poderiam ser reconhecidos implícita ou indiretamente. No modernismo, estas mesmas limitações passaram a ser consideradas fatores positivos e foram reconhecidas abertamente.Depois de Greenberg, surgiram vários teóricos importantes da arte, como Michael Fried, T. E. Clark, Rosalind Krauss, Linda Nochlin e Griselda Pollock, entre outros. Embora originalmente concebida apenas como uma forma de compreender um conjunto específico de artistas, a definição de arte moderna de Greenberg é importante para muitas das ideias de arte dentro dos vários movimentos artísticos dos séculos XX e XXI. Artistas pop como Andy Warhol se tornaram notáveis e influentes por meio de trabalhos que incluíam e possivelmente criticavam a cultura popular, bem como o mundo da arte. Os artistas das décadas de 1980, 1990 e 2000 expandiram esta técnica de autocrítica para além da arte erudita, para toda a criação de imagens culturais, incluindo imagens de moda, quadrinhos, outdoors e pornografia. Duchamp certa vez propôs que arte é qualquer atividade de qualquer tipo — tudo. No entanto, a forma como apenas certas atividades são classificadas hoje como arte é uma construção social. Há evidências de que pode haver um elemento de verdade nisso. Em The Invention of Art: A Cultural History, Larry Shiner examina a construção do sistema moderno das artes, ou seja, belas artes. Ele encontra evidências de que o sistema mais antigo das artes antes do nosso sistema moderno considerava arte qualquer atividade humana qualificada; por exemplo, a sociedade grega antiga não possuía o termo arte, mas techne, que não pode ser entendida nem como arte nem como artesanato, pois as distinções entre esses conceitos são produtos históricos que surgiram mais tarde na história humana. A techne incluía pintura, escultura e música, mas também culinária, medicina, equitação, geometria, carpintaria, profecia e agricultura, etc. Após Duchamp, durante a primeira metade do século XX, ocorreu uma mudança significativa na teoria estética geral, que tentou aplicar a teoria estética entre várias formas de arte, incluindo as artes literárias e as artes visuais, umas às outras. Isso resultou no surgimento da escola neocrítica e no debate sobre a falácia intencional. Em causa estava a questão de saber se as intenções estéticas do artista ao criar a obra de arte, qualquer que fosse a sua forma específica, deveriam ser associadas à crítica e à avaliação do produto final da obra, ou se a obra deveria ser avaliada pelos seus próprios méritos, independentemente das intenções do artista. Em 1946, William K. Wimsatt e Monroe Beardsley publicaram um clássico e controverso ensaio da neocrítica intitulado "A Falácia Intencional", no qual argumentavam fortemente contra a relevância da intenção de um autor, ou "significado pretendido" na análise de uma obra literária. Para Wimsatt e Beardsley, as palavras na página eram tudo o que importava; a importação de significados de fora do texto era considerada irrelevante e potencialmente perturbadora. Em outro ensaio, "A Falácia Afetiva ", que serviu como uma espécie de ensaio irmão, Wimsatt e Beardsley também desconsideraram a reação pessoal/emocional do leitor a uma obra literária como um meio válido de analisar um texto. Essa falácia seria mais tarde repudiada por teóricos da escola de teoria literária baseada na resposta do leitor. Ironicamente, um dos principais teóricos desta escola, Stanley Fish, foi treinado pelos neocríticos. Fish critica Wimsatt e Beardsley em seu ensaio de 1970 "Literatura no Leitor". Conforme resumido por Berys Gaut e Paisley Livingston em seu ensaio "A Criação da Arte": "Os teóricos e críticos estruturalistas e pós-estruturalistas foram severamente críticos de muitos aspectos da neocrítica, começando com a ênfase na apreciação estética e na chamada autonomia da arte, mas reiteraram o ataque à suposição das críticas biográficas de que as atividades e a experiência do artista eram um tópico crítico privilegiado." Esses autores afirmam que: "Os anti-intencionalistas, como os formalistas, sustentam que as intenções envolvidas na criação da arte são irrelevantes ou periféricas para a interpretação correta da arte. Portanto, os detalhes do ato de criar uma obra, embora possivelmente de interesse em si mesmos, não têm relação com a interpretação correta da obra." Gaut e Livingston definem os intencionalistas como distintos dos formalistas, afirmando que: "Os intencionalistas, ao contrário dos formalistas, sustentam que a referência às intenções é essencial para fixar a interpretação correta das obras". Eles citam Richard Wollheim afirmando que "a tarefa da crítica é a reconstrução do processo criativo, onde o processo criativo deve, por sua vez, ser pensado como algo que não para antes, mas termina na própria obra de arte". Decisivos para o debate sobre a virada linguística na história da arte e nas humanidades foram os trabalhos de outra tradição, a saber, o estruturalismo de Ferdinand de Saussure e o subsequente movimento do pós-estruturalismo. Em 1981, o artista Mark Tansey criou uma obra de arte intitulada The Innocent Eye como uma crítica ao clima predominante de desacordo na filosofia da arte durante as últimas décadas do século XX. Teóricos influentes incluem Judith Butler, Luce Irigaray, Julia Kristeva, Michel Foucault e Jacques Derrida. O poder da linguagem, mais especificamente de certos tropos retóricos, na história da arte e no discurso histórico foi explorado por Hayden White. O fato de a linguagem ser um meio transparente de pensamento foi sublinhado por uma forma muito diferente de filosofia da linguagem que teve origem nas obras de Johann Georg Hamann e Wilhelm von Humboldt. Ernst Gombrich e Nelson Goodman, no seu livro Languages of Art: An Approach to a Theory of Symbols, chegaram à conclusão de que o encontro conceitual com a obra de arte predominou exclusivamente sobre o encontro perceptivo e visual durante as décadas de 1960 e 1970. Ele foi desafiado com base na pesquisa feita pelo psicólogo ganhador do prêmio Nobel Roger Sperry, que sustentou que o encontro visual humano não se limitava a conceitos representados apenas na linguagem (a virada linguística) e que outras formas de representações psicológicas da obra de arte eram igualmente defensáveis e demonstráveis. A visão de Sperry acabou prevalecendo no final do século XX, com filósofos estéticos como Nick Zangwill defendendo fortemente um retorno ao formalismo estético moderado, entre outras alternativas. Disputas sobre se algo deve ou não ser classificado como uma obra de arte são chamadas de disputas classificatórias, que no século XX incluíram pinturas cubistas e impressionistas, a Fonte de Duchamp, os filmes, as imitações superlativas de notas de J. S. G. Boggs, a arte conceitual e os videogames. O filósofo David Novitz argumentou que o desacordo sobre a definição de arte raramente é o cerne do problema. Em vez disso, “as preocupações e os interesses apaixonados que os humanos investem na sua vida social” são “uma parte importante de todas as disputas classificatórias sobre a arte”. De acordo com Novitz, as disputas classificatórias são mais frequentemente disputas sobre valores sociais e para onde a sociedade está a tentar chegar do que sobre a teoria propriamente dita. Por exemplo, quando o Daily Mail criticou o trabalho de Hirst e Emin argumentando que "Durante 1.000 anos a arte tem sido uma das nossas grandes forças civilizadoras. Hoje, ovelhas em conserva e camas sujas ameaçam fazer de todos nós bárbaros", eles não estão a avançar uma definição ou teoria sobre a arte, mas a questionar o valor do trabalho de Hirst e Emin. Em 1998, Arthur Danto sugeriu um experimento mental mostrando que "o status de um artefato como obra de arte resulta das ideias que uma cultura aplica a ele, em vez de suas qualidades físicas ou perceptíveis inerentes. A interpretação cultural (uma teoria da arte de algum tipo) é, portanto, constitutiva da condição artística de um objeto." Antiarte é um rótulo para a arte que desafia intencionalmente os parâmetros e valores artísticos estabelecidos; é um termo associado ao dadaísmo e atribuído a Marcel Duchamp pouco antes da Primeira Guerra Mundial, da arte postal e dos Jovens Artistas Britânicos, A arquitetura é frequentemente incluída como uma das artes visuais; no entanto, como as artes decorativas ou a publicidade, envolve a criação de objetos onde as considerações práticas de uso são essenciais de uma forma que normalmente não são em uma pintura, por exemplo. A palavra arte também é usada para aplicar julgamentos de valor, como em expressões como "aquela refeição foi uma obra de arte" (o cozinheiro é um artista) ou "a arte do engano" (o alto nível de habilidade do enganador é elogiado). É esse uso da palavra como uma medida de alta qualidade e alto valor que dá ao termo seu sabor de subjetividade. Fazer julgamentos de valor requer uma base para crítica. No nível mais simples, uma maneira de determinar se o impacto do objeto nos sentidos atende aos critérios para ser considerado arte é se ele é percebido como atraente ou repulsivo. Embora a percepção seja sempre colorida pela experiência, e seja necessariamente subjetiva, é comumente entendido que o que não é esteticamente satisfatório de alguma forma não pode ser arte. No entanto, a "boa" arte não é sempre ou mesmo regularmente esteticamente atraente para a maioria dos espectadores. Em outras palavras, a principal motivação de um artista não precisa ser a busca pela estética. Além disso, a arte frequentemente retrata imagens terríveis feitas por razões sociais, morais ou instigantes. Por exemplo, a pintura de Francisco Goya retratando os fuzilamentos espanhóis de 3 de maio de 1808 é uma representação gráfica de um pelotão de fuzilamento executando vários civis implorantes. Mas, ao mesmo tempo, as imagens horríveis demonstram a grande habilidade artística de Goya em composição e execução e produzem indignação social e política adequada. Assim, o debate continua sobre qual modo de satisfação estética, se houver, é necessário para definir a "arte". A assunção de novos valores ou a rebelião contra noções aceitas do que é esteticamente superior não precisa ocorrer simultaneamente com um abandono completo da busca pelo que é esteticamente atraente. De fato, o inverso geralmente é verdadeiro: a revisão do que é popularmente concebido como esteticamente atraente permite uma revigoração da sensibilidade estética e uma nova apreciação dos padrões da arte em si. Inúmeras escolas propuseram suas próprias maneiras de definir qualidade, mas todas parecem concordar em pelo menos um ponto: uma vez que suas escolhas estéticas são aceitas, o valor da obra de arte é determinado por sua capacidade de transcender os limites do meio escolhido para atingir algum acorde universal pela raridade da habilidade do artista ou em seu reflexo preciso no que é denominado zeitgeist. A arte muitas vezes tem como objetivo apelar e conectar-se com as emoções humanas. Pode despertar sentimentos estéticos ou morais e pode ser entendido como uma forma de comunicar esses sentimentos. Os artistas expressam algo para que seu público fique excitado até certo ponto, mas não precisam fazer isso conscientemente. A arte pode ser considerada uma exploração da condição humana; isto é, o que é ser humano. Por extensão, Emily L. Spratt argumentou que o desenvolvimento da inteligência artificial, especialmente no que diz respeito aos seus usos com imagens, necessita de uma reavaliação da teoria estética na história da arte hoje e uma reconsideração dos limites da criatividade humana. Uma questão jurídica essencial são as falsificações, o plágio, as réplicas e as obras fortemente baseadas em outras obras de arte. A lei de propriedade intelectual desempenha um papel significativo no mundo da arte. A proteção de direitos autorais é concedida aos artistas por suas obras originais, fornecendo-lhes direitos exclusivos para reproduzir, distribuir e exibir suas criações. Esta salvaguarda permite aos artistas regular a utilização do seu trabalho e protegê-los contra cópias não autorizadas ou violações. O comércio de obras de arte ou a exportação de um país podem estar sujeitos a regulamentações legais. Internacionalmente também há grandes esforços para proteger as obras de arte criadas. A ONU, a UNESCO e a Blue Shield International tentam garantir proteção eficaz em nível nacional e intervir diretamente em caso de conflitos armados ou desastres. Isso pode afetar particularmente museus, arquivos, coleções de arte e locais de escavação. Isso também deve garantir a base econômica de um país, especialmente porque obras de arte geralmente são de importância turística. O presidente fundador da Blue Shield International, Karl von Habsburg, explicou uma conexão adicional entre a destruição de bens culturais e a causa da fuga durante uma missão no Líbano em abril de 2019: "Os bens culturais fazem parte da identidade das pessoas que vivem em um determinado lugar. Se você destrói sua cultura, você também destrói sua identidade. Muitas pessoas são desenraizadas, muitas vezes não têm mais nenhuma perspectiva e, como resultado, fogem de sua terra natal."
Andrew John Wiles KBE FRS(Cambridge, 11 de abril de 1953) é um matemático britânico. Professor na Universidade de Princeton, famoso por ter demonstrado, com a colaboração de Richard Lawrence Taylor, o Último Teorema de Fermat, em 1994. Anteriormente, Andrew Wiles já havia realizado importantes trabalhos na teoria dos números, obtendo os primeiros resultados da famosa conjectura de Birch e Swinnerton-Dyer além de importantes contribuições para a "conjectura principal" da Teoria de Iwasawa. A odisséia de Wiles começou em 1986, quando Ken Ribet, inspirado por uma ideia de Gerhard Frey, mostrou que o UTF resultaria como uma consequência da conjectura de Taniyama-Shimura, pois cada uma das curvas elípticas poderia ser parametrizada por formas modulares. Sendo menos singular que o UTF, a conjectura de Shimura-Taniyama é mais ampla pois envolve ideias bastante fundamentais da teoria dos números. Ninguém tinha qualquer ideia de como demonstrá-la. Trabalhando em absoluto segredo e compartilhando seu progresso apenas com Nicholas Katz, também professor de Matemática em Princeton, Wiles desenvolveu a prova da conjectura de Taniyama-Shimura, e a partir dela o UTF. A prova é árdua e introduz muitas ideias novas. Wiles foi bastante dramático na apresentação da prova. Em junho de 1993, sem anunciar os tópicos com antecedência, agendou três palestras no Newton Institut. A audiência e o mundo estavam ávidos para conhecer o seu conteúdo. Nos meses seguintes, o manuscrito da demonstração circulou somente entre um pequeno número de matemáticos. A primeira versão da prova dependia da construção de um sistema de Euler e este aspecto mostrou ser bastante complicado, resultando numa versão final da demonstração diferente da original. Esta dificuldade foi superada com a colaboração de Richard Lawrence Taylor. A história romanceada da demonstração do UTF está detalhadamente apresentada no livro de Simon Singh: "O Último Teorema de Fermat", Editora Record, 1998. O livro teve versão para a televisão na série de documentários científicos da BBC "Horizon". * * *[ Entrevista de Andrew Wiles em Nova Online] *[ Vídeo da BBC apresentando a trajetória de Andrew Wiles (legendas em português)]
Axel Martin Fredrik Munthe (Oskarshamn, Suécia, 31 de outubro de 1857 — Estocolmo, 11 de fevereiro de 1949) foi um médico, psiquiatra e escritor sueco. Sua obra mais famosa é The Story of San Michele ("O Livro de San Michele") publicada em 1929. Munthe também foi conhecido por sua natureza filantrópica e por advogar os direitos animais. Estudou Medicina na Universidade de Uppsala, Montpellier e Paris, doutorando-se no ano de 1880. Embora sua tese tratasse da ginecologia e obstetrícia, Munthe fora fortemente impressionado pelo trabalho pioneiro sobre neurologia do professor Jean-Martin Charcot, chegando a assistir às suas aulas no Hospital Salpêtrière. Bref och skisser, Red Cross and Iron Cross, For Those Who Love Music, O livro de San Michele - no original Boken om San Michele, En gammal bok om människor och djur, Homens e bichos - no original Memories and vagariés, [ Enciclopédia Nacional Sueca – Axel Munthe], The Story of Axel Munthe by G. Munthe and G. Uezkull, The Story of Axel Munthe, Capri and San Michele by A. Andrén, Boken Om Axel Munthes San Michele, Levente A S Erdeos, 1999, ISBN 9172033428, En osalig ande. Berättelsen om Axel Munthe, Bengt Jangfeldt, 2003. Traduzido par o inglês por Harry Watson (Axel Munthe: The Road to San Michele), 2008, ISBN 978-1-84511-720-7. [ Casa de Munthe]
Reis e nobres, Alfredo de Wessex — ou Alfredo, o Grande; rei de Wessex entre 871 e 886, Alfredo, Duque de Saxe-Coburgo-Gota (1844–1900), Alfredo, Príncipe-Hereditário de Saxe-Coburgo-Gota (1874–1899) — filho do anterior ;Outros, Alfredo (futebolista) (n. 1992) — Alfredo Francisco Martins; de nacionalidade brasileira
Alessandro Algardi (Bolonha, – Roma, ) foi um escultor, desenhista e arquiteto romano. As fontes divergem no que concerne a data de seu nascimento, havendo quem diga que nasceu a 27 de novembro de 1595 ou até mesmo no ano de 1602. Primeiro foi destinado aos estudos literários, mas logo ingressou na escola de Ludovico Carracci, aprendendo também com Giulio Cesare Conventi. Em 1622 estava em Mântua, onde o duque Ferdinando Gonzaga mantinha uma coleção de escultura clássica, que lhe serviu de inspiração para sua obra futura. Após breve estadia em Veneza, transferiu-se para Roma em 1625, onde se dedicou inicialmente ao restauro de estatuária antiga. Com a ascensão do papa Inocêncio X (1644 a 1655), a popularidade de Bernini começou a decair e foi suplantado por Algardi. Como representante de um tipo de classicismo que reagia ao expressivo estilo do Barroco, Algardi se deixou influenciar grandemente pela arte da Antiguidade, como se nota pela qualidade pintoresca de sua escultura. Tornou-se conhecido por obras como o monumento ao Papa Leão XI e o alto-relevo A Fuga de Átila, no Vaticano; a estátua de bronze de Inocêncio X, no Palazzo dei Conservatori; a estátua de São Filipe Neri com o Anjo; as figuras da Fonte de Netuno, e a tumba do Conde e da Condessa de Monterrey. [ La Scultura Italiana]
Maria, a Judia ou Maria, a Profetisa, é uma antiga filósofa grega e famosa alquimista que viveu no Egipto por volta do ano 273 a.C.. Alguns a situam na época de Aristóteles (384–322 a.C.), uma vez que a concepção aristotélica dos quatro elementos formadores do mundo (o fogo, o ar, a terra e a água) condiz bastante com as idéias alquimistas de Maria, como o axioma de Maria: «o Um torna-se Dois, o Dois torna-se Três, e do terceiro nasce o Um como Quatro». Segundo Aristóteles, o enxofre era considerado a expressão do elemento fogo, e Maria o tomou como base para os principais processos que estudou. Ela menciona o enxofre em frases sempre misteriosas, como «uma pedra que não é pedra» e «tão comum que ninguém a consegue identificar». Maria conta que Deus lhe revelou uma maneira de calcinar cobre com enxofre para produzir ouro. Esse enxofre era obtido do disulfeto de arsênico, que é achado em minas de ouro. Talvez tenha sido essa a origem da lenda da transformação de metais menos nobres em ouro. Dentre as invenções de Maria estão o kerotakis, uma espécie de barril fechado e o banho de vapor: para um aquecimento lento e gradual dos experimentos, em vez de manipular as substâncias diretamente no fogo, ela descobriu que era possível controlar melhor a temperatura se fosse por meio da água - que até hoje chamamos de banho-maria. Para além disso dois equipamentos de destilação (alambique), com duas ou três saídas para destilados — o dibikos e o tribikos — e um aparelho para sublimação, sendo-lhe ainda atribuída a descoberta do ácido clorídrico. A maior parte das suas escrituras foram conservadas por Zósimo de Panópolis (300 d.C.). Não existem elementos concretos sobre o tempo e lugar de sua vida. Ela é mencionada pelos primeiros alquimistas da história, sempre como uma autoridade e respeito extremo. Os alquimistas do passado acreditava que ela era Miriã, irmã de Moisés e Arão, o profeta, mas há evidências que apoiam que esta reivindicação é falsa. A menção mais concreta de Maria, a Judia no contexto da alquimia é por Zósimo de Panópolis, que escreveu no século IV os livros alquimistas mais antigos conhecidos . Zósimo descreve vários de seus experimentos e instrumentos. Em seus escritos, Maria é quase sempre citada como tendo vivido no passado e citou-a como uma das "sábias". Jorge Sincelo, um cronista bizantino do século VIII, apresenta Maria como uma professora de Demócrito, a quem ela conheceu em Mênfis, Egito na época de Péricles. No século X Kitab al-Fihrist de Ibn al-Nadim cita-a como uma das cinqüenta e duas mais famosas alquimistas, sabendo da preparação do caput mortuum. O filósofo romano Morieno chamou de "Maria, a profetisa" e os árabes a conheciam como a "Filha de Platão", um nome que em ocidentais textos alquímicos foi reservada para o enxofre branco. No livro de Alexandre (2 ª parte) do poeta persa Nizami, Maria, uma princesa síria, visita o Tribunal de Alexandre, o Grande, e aprende a partir de Aristóteles (384 aC - 322 aC), entre outras coisas, a arte de fazer ouro. Sabe-se que Maria escreveu vários textos sobre alquimia. Embora nenhum de seus escritos ter sobrevivido em sua forma original, os seus ensinamentos foram amplamente citados por autores posteriores herméticos. Seu trabalho principal sobrevivente é um extrato feito por um anônimo filósofo cristão, chamado O Diálogo de Maria e Aros sobre o Magistério de Hermes, em que são descritas e nomeadas operações que seriam mais tarde a base da Alquimia, leucose (branqueamento) e xanthosis (amarelecimento). Uma foi feita por moagem e do outro por calcinação. Este trabalho descreve pela primeira vez um sal de ácido e outros ácidos que podem ser identificados com ácido acético. Há também várias receitas para fazer ouro, até mesmo de vegetais de raiz como o Mandragora. Vários enigmáticos preceitos alquímicos têm sido atribuídas a Maria. Ela supostamente disse da união dos opostos: Esta outra vem do Axiom de Maria Maria era uma trabalhadora respeitada, que inventou aparelhos complicados de laboratório para a destilação e sublimação de materiais químicos. Maria disse ter descoberto o ácido clorídrico, embora isso não seja aceito pela maioria dos textos científicos . Também são atribuídas a ela a invenção dos aparelhos de alquimia conhecidos como tribikos, kerotakis e o banho-maria. Maria aperfeiçoou a câmara de destilação de três braços. O tribikos era uma espécie de alambique com três braços que foi utilizado para obter as substâncias purificadas por destilação. Ninguém sabe ao certo se Maria, a Judia foi sua inventora, mas Zósimo credita que a primeira descrição deste instrumento para ela. Em seus escritos (citado por Zósimo), ela recomenda que o cobre ou bronze utilizados para criar os tubos sejam da espessura de uma frigideira, e a junção entre estes tubos deve ainda ser selada com farinha de colar na cabeça O kerotakis é a invenção mais importante de Maria, a Judia, um dispositivo usado para aquecer substâncias utilizadas na alquimia e recolher os vapores. É um recipiente hermético com uma folha de cobre suspensa no topo. Quando funciona corretamente, todas as articulações são no vácuo apertado. O uso de tais recipientes fechados nas artes herméticas levaram ao termo "hermeticamente fechada". Maria e seus colegas acreditavam que a reação que se dá no kerotakis era uma reconstituição do processo de formação do ouro que acontecia nas entranhas da terra. Mais tarde, este instrumento foi modificado pelo alemão Franz von Soxhlet em 1879 para criar o extrator que leva seu nome, Soxhlet.
André-Marie Ampère (Lyon, — Marselha, ) foi um físico, filósofo, cientista e matemático francês que fez importantes contribuições para o estudo do eletromagnetismo. Nasceu em Lyon, foi professor de análise na École Polytechnique de Paris e no Collège de France. O seu pai, Jean-Jacques Ampère, um abastado comerciante nessa cidade, tinha como objetivo principal garantir-lhe uma completa educação quando possível, inclusivamente uma formação religiosa sólida. Como não queria que o filho tivesse, uma carga adicional de preconceitos dos ensinamentos religiosos, decidiu ele próprio supervisionar essa educação, com ajuda de uma gigantesca biblioteca, que André, aos onze anos, já tinha lido inteiramente. Depois da biblioteca do lado paterno, o jovem, com 12 anos, já lidava com os principais teoremas da álgebra e da geometria, passou a estudar matemática, começando pela leitura das obras de Leonhard Euler e Jakob Bernoulli, tarefa complicada para o principiante, pois exige um conhecimento anterior sobre ramos bastante complexos da matemática. Além disso, Bernoulli escrevera as suas obras em latim, língua que André desconhecia. No tempo de duas semanas assimilou essa língua com o pai e, no mesmo período de tempo, obteve princípios de análise infinitesimal com o bibliotecário do colégio de Lyon. Assim, a exemplo de Pascal, com doze anos já podia redigir um tratado sobre as seções cónicas. Em 1814 foi eleito membro da Académie des Sciences. Ocupou-se com vários ramos do conhecimento humano, deixando obras de importância, principalmente no domínio da física e da matemática. O seu filho Jean-Jacques Ampère (1800-1864) foi filólogo, erudito, viajante e historiador literário francês, o seu nome é em honra do pai de André. Entre suas obras, ele deixou por terminar Ensaio sobre a filosofia das Ciências, na qual iniciou a classificação do conhecimento do homem. Publicou Recueil d'Observations électro-dynamiques; La théorie des phénomènes électro-dynamiques; Précis de la théorie des phénomènes électro-dynamiques; Considérations sur la théorie mathématique du jeu; Essai sur la philosophie des sciences. No estado do Paraná (Brasil), um rio e uma cidade levam seu nome, com a grafia modificada adaptada ao português (rio Ampére e cidade de Ampére). Considérations sur la théorie mathématique du jeu, Perisse Frères, Lyon Paris 1802, - Internet-Archive,, * *, *, Em inglês:, Magie, W.M. . A Source Book in Physics. Harvard: Cambridge MA. pp. 446–460. . *LISA - Grande Enciclopédia da Língua Portuguesa (Histórico) *Koogan Larousse Seleções * *
Abu Ali Haçane ibne Alhaitame, conhecido também pela forma latinizada Alhazém, foi um matemático, físico e astrônomo árabe ou persa. Nasceu no ano 965 em Baçorá, (atual Iraque) e morreu em 1040 na cidade do Cairo. Foi pioneiro nos estudos da óptica, após Ptolomeu. Foi um dos primeiros a explicar o fenômeno dos corpos celestes no horizonte. Outra contribuição importante sua foi para o método científico. Alhazém acreditava que uma hipótese devia ser provada por experimentos, seguindo procedimentos sistemáticos e que poderiam ser reproduzidos, assim já demonstrando similaridades do que hoje é considerado o método científico moderno, mais de mil anos atrás e séculos antes de Descartes.. É considerado por muitos como o primeiro cientista, pelas suas contribuições na óptica, na astronomia, na física, na matemática, filosofia e pelo pensamento de que o conhecimento científico só seria alcançado através de uma postura cética por parte do pesquisador, que deveria comprovar suas hipóteses pelo uso de experimentos e que estes poderiam ser reproduzidos. Alhazém nasceu em 965 em Baçorá, na Pérsia Antiga e morreu em 1040 no Cairo. Pouco se sabe sobre a infância e a adolescência de Alhazém, ele fez parte de uma era em que a civilização muçulmana crescia intelectualmente de forma bastante considerável, com a criação de bibliotecas e escolas. Os primeiros estudos de sua vida foram dedicados ao estudo de religião. Contudo, Alhaitame foi aos poucos tornando-se infeliz com seus estudos de religião e tomou a decisão de dedicar-se inteiramente à ciência, que ele achou muito bem descrita nos trabalhos de Aristóteles. Tendo tomado esta decisão, o resto de sua vida foi voltado ao estudo de Matemática, Física e outras ciências. O maior trabalho prévio em Óptica havia sido o Almagesto, de Ptolomeu, e embora o trabalho de Alhazém não tenha tido a mesma influência que o Almagesto, ainda assim é considerado como a próxima grande contribuição ao assunto, tanto que foi chamado pelos estudiosos europeus de o segundo Ptolomeu. e com base nisto concluiu que a altura da atmosfera terrestre deveria ser de aproximadamente 79 km, o que é bastante compatível com os resultados atuais. Alhazen também concluiu que a atmosfera reflete a luz, pelo fato de que as estrelas menos brilhantes do céu começam a desaparecer quando o sol ainda está 18° abaixo da linha do horizonte, indicando o término do crepúsculo ou o início do amanhecer. Alhazém também contribuiu para o estudo do corpo humano, devido sua teoria sobre a visão. Por meio dela, propôs que a visão ocorre através da luz e das cores que se espalham em linha reta, para todos os lados, a partir de cada ponto da superfície dos objetos, e atingem o olho, nele produzindo uma réplica bidimensional do que percebemos. Em seu Livro de Óptica, explicou que a luz e as cores produzem efeitos no olho: uma luz muito brilhante (como a do Sol, ou a luz solar refletida por um espelho) pode produzir dor e dano a esse, assim como luzes brilhantes que o atingem acarretam em consequências de certa duração — ao olhar para um lugar escuro depois de observar um corpo branco brilhante, a visão não é nítida durante algum tempo — e, também, objetos coloridos produzem efeitos temporários nos olhos. A abordagem de Alhazém é fortemente experimental e ele manteve praticamente a mesma descrição do olho que havia sido apresentada por Galeno e outros autores antecessores. Porém, é necessário frisar que sua teoria não é aceita atualmente, apesar de sua importância para a compreensão do processo visual, uma vez que teve grande influência na Europa, pois Johannes Kepler (1571-1630) propôs as bases da teoria da visão que ainda é utilizada.
Alessandro Allori, também conhecido como Alessandro Bronzino (Florença, 31 de maio de 1535 – Florença, 22 de setembro de 1607) foi um pintor histórico e retratista italiano, discípulo de Miguel Ângelo e de Bronzino, que estudou em Roma. As suas obras principais são: Cristo entre os escribas, Expulsão dos mercadores do templo e os retratos de Giuliano de Medici, Duque de Memours e Rafael. Era pai de Cristófano Allori. Em 1540, após a morte de seu pai, ele foi criado e treinado na arte por um amigo próximo, muitas vezes referido como seu 'tio', o pintor maneirista Agnolo Bronzino, cujo nome ele às vezes assumia em seus quadros. Em alguns aspectos, Allori é o último da linha de pintores florentinos proeminentes, de herança artística toscana geralmente não diluída: Andrea del Sarto trabalhou com Fra Bartolomeo (assim como Leonardo da Vinci), Pontormo trabalhou brevemente com Andrea e treinou Bronzino, que treinou Allori. As gerações subsequentes na cidade seriam fortemente influenciadas pela maré de estilos barrocos preeminentes em outras partes da Itália. Freedberg ridiculariza Allori como um derivado, alegando que ele ilustra "o ideal de Maniera pelo qual a arte (e o estilo) são gerados a partir da arte preexistente". O polimento de figuras tem uma forma não natural de mármore, como se ele visasse uma estatuária fria. Pode-se dizer da pintura maneirista da fase tardia em Florença, que a cidade que desde cedo deu vida à estatuária com as obras de mestres como Donatello e Michelangelo, ainda estava tão impressionada com elas que petrificou as poses das figuras na pintura. Enquanto em 1600 o barroco em outros lugares estava começando a dar vida a figuras pintadas, Florença estava pintando estátuas bidimensionais. Além disso, em geral, com exceção da Contra-Maniera (Contra-Maneirismo) artistas, ela não ousou se desviar de temas elevados ou mergulhar em grandes emoções. Entre seus colaboradores estava Giovanni Maria Butteri e seu principal aluno foi Giovanni Bizzelli. Cristofano dell'Altissimo, Cesare Dandini, Aurelio Lomi, John Mosnier, Alessandro Pieroni, Giovanni Battista Vanni e Monanni também foram seus alunos. Allori foi um dos artistas, trabalhando sob Vasari, incluídos na decoração do Studiolo de Francesco I. Ele foi o pai do pintor Cristofano Allori (1577–1621). Santa Maria Novella, Museu de Belas Artes de Budapeste, Palazzo Vecchio, Florença, Gemäldegalerie, Berlim
August Wilhelm Ambros (Mýto, perto de Praga, 17 de Novembro de 1816 – Viena, 28 de Junho de 1876) foi um compositor e musicólogo austríaco, autor da obra "Geschichte der Musik" (História da Música) em 4 volumes. Foi também professor no Conservatório de Viena. Ele nasceu em Mýto, distrito de Rokycany, Bohemia. Seu pai era um homem culto, e sua mãe era irmã de Raphael Georg Kiesewetter (1773-1850), o arqueólogo musical e colecionador. Ambros estudou na Universidade de Praga A partir de 1850, tornou-se conhecido como crítico e redator de ensaios, e em 1860 começou a trabalhar em sua magnum opus, sua História da Música, publicada em intervalos a partir de 1862 em cinco volumes, os dois últimos (1878, 1882) sendo editado e concluído por Otto Kade e Wilhelm Langhans. Também em Praga, ele fez parte do conselho de governadores do Conservatório Real de Praga. Em 1872, ele morava em Viena e foi contratado pelo Departamento de Justiça como oficial e pela família do príncipe Rudolf como seu tutor. Por meio de seu trabalho em Viena, ele obteve uma licença de meio ano para deixá-lo viajar pelo mundo para coletar informações musicais para incluir em seu livro de História da Música. Ele foi um excelente pianista e autor de várias composições que lembram Felix Mendelssohn. ===, Die Grenzen der Musik und Poesie. Eine Studie zur Ästhetik der Tonkunst, (Os limites da música e da poesia. Um estudo sobre a estética da música) Praga 1856, Der Dom zu Prag (Catedral de Praga), Praga 1858, Das Conservatorium in Prag. Eine Denkschrift bei Gelegenheit der fünfzigjährigen Jubelfeier der Gründung (O Conservatório de Praga. Um memorando por ocasião do 50º aniversário da fundação), Praga 1858 ([ versão online)], Culturhistorische Bilder aus dem Musikleben der Gegenwart (Imagens culturais e históricas da vida musical contemporânea), Leipzig 1860 – 2. Aufl. 1865 ([ versão online]), Geschichte der Musik (História da musica) *, I. A música da Grécia Antiga e do Oriente. Wroclaw 1862. *, II. A. Os primórdios da arte ocidental europeia. B. O desenvolvimento do canto polifônico regular. Wroclaw 1864. *, III. A. O tempo dos holandeses. B. A música na Alemanha e na Inglaterra. C. Música italiana do século XV. Wroclaw 1868. *, IV. [Música na Itália de Palestrina até cerca de 1650]. "Fragment", Leipzig 1878. *, V. Obras de argila selecionadas dos mestres mais famosos dos séculos XV e XVI. Editado por Otto Kade com base em partituras que ficaram inacabadas. Leipzig 1882. *, Índice de nomes e assuntos. Criado por Wilhelm Bäumker. 1882, Bunte Blätter. Skizzen und Studien für Freunde der Musik und der bildenden Kunst (Folhas coloridas. Esboços e estudos para amigos da música e das artes visuais). ([ versão] online - Digitalen Bibliothek Mecklenburg-Vorpommern) *, [Vol. 1]. Leipzig 1872. *, Novo episódio [vol. 2]. Leipzig 1874. *, Folhas coloridas [dois volumes em um; apenas os ensaios sobre música, ed. por Emil Vogel.] 1896. Dois legados musicais. Pressburg e Leipzig 1882. Uma bibliografia dos numerosos ensaios, estudos, esboços, etc. que apareceram em revistas e jornais diários (Neue Zeitschrift für Musik, Leipzig; Bohemia, Praga; Abendpost, Neue Freie Presse, Viena, etc.) ainda está faltando; seria importante porque, de acordo com o auto-testemunho de Ambros (Bunte Blätter I, VI f.), artigos de periódicos anteriores e páginas de destaque só foram incorporados em suas próprias coleções de uma forma fortemente reformulada. No momento, a Universidade de Viena está trabalhando em uma edição histórico-crítica de seus ensaios e resenhas musicais dos anos de 1872 a 1876. Ambros escreveu canções, música de câmara, peças de caráter e sonatas para piano, bem como numerosas obras inéditas, como as óperas Libuša's Prophecy, Břetislav a Jitka, aberturas para peças de Kleist, Calderón e Shakespeare, duas missas, um Stabat Mater e duas sinfonias. Ele foi um dos compositores mais respeitados de Praga na década de 1840, mas, com exceção de suas aberturas, não teve muito sucesso fora da cidade.
André II da Hungria ou André II Árpád Hiérosolymitai (c.1175 — 21 de setembro de 1235) foi rei da Hungria entre 1205 e 1235, sucedeu ao seu sobrinho, . Em 1217 partiu para a Terra Santa para participar da Quinta Cruzada. O seu reinado assistiu ao enfraquecimento do poder real e o fortalecimento dos senhores feudais húngaros, processo consolidado através da Aranybulla ("bula de ouro", versão local da Magna Carta, 1222). André era o segundo filho do rei Bela III da Hungria e sua primeira esposa, Inês de Antioquia. Como filho mais novo, André não tinha esperança de herdar o Reino da Hungria de seu pai, que queria garantir a herança de seu filho mais velho Américo da Hungria, e fê-lo já coroado em 1182. No entanto, quando o príncipe Vladimir II Iaroslavic da Galícia, que tinha sido expulso de seu país por seus súditos, fugiu para a Hungria procura por atendimento em 1188, o rei Bela III mandou prendê-lo e ocupou o seu principado e ele tornou André príncipe da Galícia. O seu poder deve ter sido apenas nominal, ele nem sequer visitar o seu principado. Embora, as tropas do jovem príncipe poderiam ter o domínio em 1189, quando os boiardos da Galícia se levantaram contra o seu governo, mas pouco depois o príncipe Vladimir conseguiu escapar de seu cativeiro e expulsou as tropas húngaras da Galícia. Em 23 de Abril 1196, o rei Bela III morreu e deixou o Reino da Hungria para seu filho mais velho, Américo, enquanto André herdou uma grande quantidade de dinheiro para cumprir juramento de seu pai com as Cruzadas. No entanto, André usou o dinheiro para recrutar seguidores entre os barões e também procurou a ajuda de Leopoldo V, duque da Áustria. Em dezembro de 1197, tropas de André derrotou exércitos Rei Américo em uma batalha perto de Macsek em dezembro de 1197. Após a vitória de André, o rei foi obrigado a transferir o governo dos Ducados da Croácia e da Dalmácia para André. No início de 1198, o Papa Inocêncio III pediu para André que cumprisse os últimos desejos de seu pai e liderasse uma Cruzada à Terra Santa. No entanto, em vez de uma Cruzada, André liderou uma campanha contra as províncias vizinhas e ocupadas por Zaclúmia e Rama. André também passou a conspirar com alguns prelados contra o seu irmão, mas o rei Emerico foi informado sobre os planos de André e ele pessoalmente prendeu o bispo Boleszlo de Vac, um dos principais apoiadores de André, e ele também privou os seguidores de seu irmão (por exemplo, Palatino Mog) de seus privilégios. No verão de 1199, o rei Emerico derrotou André na Batalha de Rad e André teve que fugir para a Áustria. Finalmente, os dois irmãos fizeram as pazes com a mediação do legado papal, e o Reino da Croácia e da Dalmácia foi concedido novamente para seu irmão. Por volta de 1200, André casou com Gertrudes de Merânia, filha de Bertoldo IV, Duque de Merânia. Foi, provavelmente, sua esposa que o persuadiu a conspirar contra seu irmão novamente, mas quando o rei Emerico, que tinha feito com que as tropas de André fossem em menor número, foi desarmado, usando apenas a coroa e o cetro, para o acampamento de André, perto Varasd, André imediatamente entregue. O rei tinha o irmão preso, mas André conseguiu escapar pouco depois. No entanto, o rei, cuja saúde estava falhando, queria garantir a ascensão de seu filho, Ladislau, que tinha sido coroado em 26 de Agosto 1204. Pouco depois, o rei reconciliado com André, nomeou-lhe para cuidar do reino durante a menoridade do filho dele. Após a morte de seu irmão em 30 de Setembro/Novembro de 1204, André assume o governo do reino como tutor de seu sobrinho e pega também o dinheiro que o seu irmão tinha depositado em nome do jovem Ladislau. A rainha viúva Constance estava ansiosa para a vida de rei do seu filho e ela fugiu com o rei Ladislau à corte de Leopoldo VI, duque da Áustria. André fez preparativos para uma guerra contra a Áustria, mas o rei criança morreu em 07 de maio de 1205, herdou o trono assim, André. André foi coroado pelo Arcebispo João de Kalocsa em 29 de maio de 1205 em Székesfehérvár, mas antes da coroação, teve que fazer um juramento. André fez uma alteração radical na política interna seguida por seus antecessores e ele começou a conferir as propriedades reais para seus partidários. Ele chamou essa nova política Novae Institutiones em seus atos, e declarou que "nada pode definir limites à generosidade da Majestade Real, e que a melhor medida de subvenções, por um monarca, é incomensurabilidade". Ele deu tudo - dinheiro, aldeias, domínios, condados inteiro - para o empobrecimento total do tesouro. André foi generoso principalmente com parentes alemães de sua esposa e seguidores, o que causou descontentamento entre seus súditos. Durante os primeiros anos de seu reinado, André foi ocupado com as discórdias dentro do Principado de Galícia. Em 1205, ele levou seus exércitos para o principado para garantir a a soberania do jovem príncipe Daniel, expulso por revoltas locais. Depois de sua campanha, ele adotou o título de "Rei da Galícia e Lodoméria", referindo-se a sua supremacia sobre os dois principados vizinhos. No início do ano seguinte, Daniel foi novamente expulso da Galícia, mas André negou a dar assistência a ele, porque o adversário do príncipe criança, o príncipe Vladimir III Igorevych havia subornado. No entanto, no mesmo ano, ele fez uma campanha na Galícia e deu assistência para o príncipe romano Igorevych para adquirir o trono. Em 1208, aproveitando-se da briga entre o príncipe romano Igorevych e seus boiardos, André ocupou a Galícia e nomeou um regente para governar o principado em seu nome, mas o príncipe Vladimir III Igorevych conseguiu reconquistar seu principado já no ano seguinte. Um grupo de aristocratas da corte, escandalizados com a generosidade de André para parentes de sua esposa e seguidores, planejado para oferecer o trono a seus primos, que viviam na corte de Teodoro I Láscaris do Império de Niceia, mas seu emissário foi preso e André pôde superar a conspiração. Em 1211, ele concedeu Burzenland aos Cavaleiros Teutônicos, a fim de garantir a segurança das fronteiras do sudeste de seu reino contra os cumanos. No entanto, os Cavaleiros Teutônicos começaram a estabelecer um país independente do rei da Hungria. Após seu retorno, ele ordenou a execução apenas do líder dos conspiradores e perdoou os outros membros do grupo, que resultou na emergente antipatia de seu filho, Béla. No entanto, em 1214, André teve seu filho coroado. No verão de 1214, André teve uma reunião com o Grão-Duque Lesco I da Polônia e eles concordaram que iriam dividir o Principado da Galícia entre a Hungria e a Polônia. Suas tropas aliadas ocuparam o principado vizinho, que foi concedida ao filho mais novo de André, Colomano. No entanto, André negou a transferir os territórios de acordo com o acordo com o Duque Lesco I, que fez uma aliança com o príncipe de Mistislau de Novogárdia e afastaram as tropas de André do principado. Pouco tempo depois, Andrew fez uma nova aliança com Lesco I e ocuparam a Galícia, onde mais uma vez o filho de André foi nomeado para o principado. Foi filho de Bela III (1148 - 24 de Abril de 1196) e de Inês de Châtillon (c. 1148 - 1184), filha de Reinaldo de Châtillon e de (1125 - 4 de Julho de 1187) e de Constança de Antioquia. Casou por três vezes, a sua primeira mulher, Gertrudes da Merânia (1185 - 24 de Setembro de 1213, assassinada durante as lutas entre as facções senhoriais), filha de Bertoldo IV da Merânia e da duquesa Inês de Rochlitz, da Casa de Wettin, de quem teve: # Ana Maria (1204-1237), casou em 1221 com o tsar João Asen II da Bulgária. # Bela IV (1206 — 3 de Maio de 1270) casou em 1218 com Maria Lascarina (c. 1206 – 16 de Julho ou 24 de Junho de 1270) ), filha de Teodoro I Láscaris do Império de Niceia. # Santa Isabel da Hungria (7 de Julho de 1207 - 17 de Novembro de 1231). # Colomano de Halych (1208 - depois de 11 de abril de 1241) # André da Hungria (ca. 1210 - 1234) Do segundo casamento, com Iolanda de Courtenay, princesa de Constantinopla (1180 - 1233) filha de Pedro II de Courtenay e de Iolanda de Hainaut, sendo esta última irmã de Balduíno I de Constantinopla (1172 - 1205) e de Henrique da Flandres (1174 - 1216), que foram simultaneamente o primeiro e o segundo Imperadores do Império Latino de Constantinopla, e portanto filha de Balduíno V de Hainaut (1150 - 17 de Dezembro de 1195) e de Margarida I da Flandres (1145 - 15 de Novembro de 1194), teve: # Iolanda da Hungria, princesa da Hungria e rainha de Aragão (1216 - 1251) casou com Jaime I de Aragão "O conquistador", rei de Aragão, de Valência e de Maiorca. Do terceiro casamento com Beatriz d'Este (1180 -?) # Estevão da Hungria casado por duas vezes, a primeira com Catarina Traversari e a segunda com Tomásina Morosoni. Heraldry of the Royal Families of Europe, Jiri Louda & Michael Maclagan, Clarkson N. Potter Inc Publishers, 1ª Edição, New York, 1981.
Aurélio Ambrósio (c. 340 – Mediolano, 4 de abril de 397), mais conhecido como Santo Ambrósio, foi um arcebispo de Mediolano (moderna Milão) que se tornou um dos mais influentes membros do clero no . Foi prefeito consular da Ligúria e Emília, cuja capital era Mediolano, antes de tornar-se bispo da cidade por aclamação popular em 374. Ambrósio era um fervoroso adversário do arianismo. Tradicionalmente atribui-se a Ambrósio a promoção do canto antifonal, um estilo no qual um lado do coro responde de forma alternada ao canto do outro, e também a composição do Veni redemptor gentium, um hino natalino, Deus creator omnium e diversos hinos litúrgicos. Ambrósio é um dos quatro doutores da Igreja originais e é notável por sua influência sobre o pensamento de Santo Agostinho. Ambrósio nasceu numa família romana cristã por volta de 340 e foi criado em Augusta dos Tréveros (moderna Tréveris, Alemanha), a capital da Gália Bélgica. Seu pai também se chamava Aurélio Ambrósio, o prefeito pretoriano da Gália; sua mãe é descrita como sendo inteligente e piedosa. Os irmãos de Ambrósio, Sátiro (que foi o tema de sua De excessu fratris Satyri) e Marcelina, são também venerados como santos. Conta a lenda que, quando criança, um enxame de abelhas pousou no seu rosto enquanto dormia no berço e deixou para trás uma gota de mel. Seu pai considerou o fato um sinal de sua futura, sua "língua de mel". É por conta desta tradição que abelhas e colmeias geralmente aparecem junto ao santo na arte cristã. Depois da morte prematura de seu pai, Ambrósio seguiu-o na profissão. Foi educado em Roma, estudando literatura, direito e retórica. O prefeito pretoriano da Itália, Sexto Cláudio Petrônio Probo, primeiro deu-lhe uma posição em seu conselho e, por volta de 372, fê-lo prefeito consular (o governador) da Ligúria e Emília, cuja capital era Mediolano. Ele permaneceu na função até 374, quando foi aclamado bispo da cidade. Ambrósio era muito popular e, como havia sido governador da principal cidade do ocidente romano, estava sempre junto da corte do imperador romano Valentiniano I. Ambrósio jamais se casou. No fim do, havia uma profunda divisão entre os fieis na diocese de Mediolano, colocando de um lado os católicos (como eram chamados todos os cristãos na época) e os arianos. Em 374, o bispo Auxêncio de Milão, um ariano, morreu e seus partidários rapidamente tentaram eleger um sucessor. Ambrósio correu para a igreja onde a eleição seria realizada com o objetivo de evitar um escândalo, o que era provável. Seu discurso foi interrompido por um grito de "Ambrósio, bispo!", acompanhado logo por toda a assembleia. Ambrósio era conhecido por ser católico, mas era também tolerável para os arianos por conta da forma caridosa com que ele tratava os temas teológicos envolvidos na disputa. A princípio, ele recusou energicamente o cargo, pois ele não estava de forma alguma preparado: ele não era nem batizado e nem estudara teologia. Ao ser nomeado, Ambrósio fugiu para a casa de um colega tentando se esconder. Ao receber um carta do imperador Graciano elogiando a conveniência de Roma nomear indivíduos evidentemente merecedores de funções sagradas, o partido de Ambrósio o entregou. No espaço de uma semana, foi batizado, ordenado e consagrado bispo de Mediolano. Como bispo, Ambrósio imediatamente adotou um estilo de vida asceta, dedicando seu dinheiro para os pobres, doando todas suas terras - apenas uma parte foi reservada para Marcelina (que tornar-se-ia freira), sua irmã Ele aplicou este conhecimento como pregador, concentrando-se especialmente na exegese do Antigo Testamento, e suas habilidades retóricas impressionaram Agostinho de Hipona, ainda um pagão na época, que até então fazia pouco dos pregadores cristãos. No confronto com os arianos, Ambrósio buscou refutar teologicamente suas proposições, que eram contrárias ao Credo de Niceia, a ortodoxia oficial. Os arianos apelaram a muitos líderes e membros do clero em altos postos tanto no ocidente quanto no oriente para se proteger. Embora o imperador ocidental, Graciano, fosse um ortodoxo, o jovem Valentiniano II, que se tornou seu colega, aderiu ao credo ariano. No oriente, Teodósio I era também um niceno, mas havia arianos espalhados por todo o seu império, especialmente no alto clero. Neste conflitivo ambiente religioso, dois dos principais bispos arianos, Paládio, de Raciária (Ratiaria) e Secundiano, de Singiduno (moderna Belgrado, na Sérvia), confiantes no poder de seus partidários, convenceram Graciano a convocar um concílio ecumênico. O pedido pareceu-lhe tão justo que foi atendido sem hesitação. Porém, Ambrósio, temendo as consequências, convenceu-o a convocar um concílio apenas com os bispos ocidentais para decidir a questão. O Concílio de Aquileia reuniu trinta e dois bispos, que elegeram Ambrósio presidente e convocaram Paládio para defender suas posições, o que ele se recusou a fazer. Uma votação decidiu então que ele e seu companheiro Secundiano seriam depostos. Mesmo assim, o crescente poderio ariano mostrou-se uma tarefa formidável para Ambrósio. Em 385 ou 386, o imperador e sua mãe, Justina, juntamente com um considerável contingente do clero e dos poderes seculares (especialmente militares), professavam o arianismo abertamente. Eles exigiam que duas igrejas em Mediolano, uma na cidade (a Basílica dos Apóstolos) e outra nos subúrbios (São Vítor), fossem entregues aos arianos. Ambrósio obviamente se recusou e foi chamado a se explicar perante um concílio. Ele foi e sua eloquência em defesa da Igreja teria supostamente impressionado tanto os ministros de Valentiniano que ele conseguiu sair de lá sem ter que entregar as igrejas. No dia seguinte, enquanto realizava a liturgia das horas na basílica, o prefeito urbano da cidade o interrompeu para tentar convencê-lo a ceder pelo menos a basílica pórcia aos arianos. Como ele ainda assim se recusou, alguns oficiais da corte foram enviados para lá para tomá-la à força, o que foi sinalizado pelo hasteamento do brasão imperial para prepará-la para a chegada do imperador e da mãe para o festival da Páscoa. Apesar da oposição imperial, Ambrósio declarou na ocasião: Um discurso de Ambrósio aos jovens cristãos alertou-os sobre os perigos do casamento com judeus. Porém, sua oposição aos judeus assumiu um caráter muito mais ativo em 388, quando o imperador Teodósio I foi informado de que uma multidão de cristãos havia retaliado a comunidade judaica local destruindo a sinagoga de Callinicum, no Eufrates . A sinagoga provavelmente existia dentro da cidade fortificada para servir os soldados ali estacionados, e Teodósio ordenou que os infratores fossem punidos e que a sinagoga fosse reconstruída às custas do bispo. Ambrósio escreveu ao imperador argumentando contra isso, baseando seu argumento em duas afirmações: primeiro, se o bispo obedecesse à ordem, seria uma traição à sua fé, e segundo, se o bispo se recusasse a obedecer a ordem, ele se tornaria um mártir e criaria um escândalo que envergonharia o imperador. Ambrósio, referindo-se a um incidente anterior onde Magnus Maximus emitiu um édito censurando os cristãos em Roma por incendiar uma sinagoga judaica, alertou Teodósio que o povo, por sua vez, exclamou "o imperador se tornou judeu", o que implica que Teodósio receberia o mesma falta de apoio do povo. Teodósio rescindiu a ordem relativa ao bispo. Isso não foi suficiente para Ambrósio, entretanto, e quando Teodósio visitou Milão novamente, Ambrósio o confrontou diretamente na tentativa de fazê-lo desistir do caso inteiro. McLynn argumenta que Ambrósio não conseguiu conquistar a simpatia do imperador e foi excluído de seus conselhos depois disso. O caso Callinicum não foi um incidente isolado. De modo geral, porém, embora McLynn diga que isso faz Ambrósio parecer intolerante e um fanático aos olhos modernos, os estudiosos também concordam que as atitudes de Ambrósio em relação aos judeus não podem ser resumidas de maneira justa em uma frase, já que nem todas as atitudes de Ambrósio em relação aos judeus eram negativas. Por exemplo, Ambrósio faz uso extensivo e apreciativo das obras de um judeu, Fílon de Alexandria, em seus próprios escritos, tratando Fílon como um dos "fiéis intérpretes das Escrituras". Fílon era um erudito e um escritor prolífico durante a era do Judaísmo do Segundo Templo. Quarenta e três de seus tratados foram preservados, e estes por cristãos, e não por judeus. Fílon tornou-se fundamental na formação da visão literária cristã nos seis dias da criação por meio do Hexaemeron de Basílio. Eusébio, os Padres Capadócios e Dídimo, o Cego, também se apropriaram de material de Fílon, mas nenhum o fez mais do que Ambrósio. Como resultado destas extensas referências, Fílon foi aceito na tradição cristã como um Padre honorário da Igreja. “Na verdade, uma catena bizantina até se refere a ele como 'Bispo Fílon'. Esta grande consideração por Fílon levou até a uma série de lendas sobre sua conversão ao cristianismo, embora esta afirmação se baseie em evidências muito duvidosas”. Ambrósio também usou Flávio Josefo, Macabeus e outras fontes judaicas para seus escritos. Ele elogia alguns judeus individualmente. Ambrósio tendia a escrever negativamente sobre todos os não-nicenos, como se estivessem todos em uma categoria. Isso serviu a um propósito retórico em seus escritos e deve ser considerado adequadamente. Apesar de descontente com os princípios religiosos de Ambrósio, a corte e o imperador logo pediram a ajuda de Ambrósio. Quando Magno Máximo usurpou o trono na Gália e pensava invadir a Itália, Valentiniano enviou Ambrósio para dissuadi-lo. A embaixada teve sucesso e Magno recuou. Uma segunda embaixada teve menos sucesso, a Itália foi invadida e Milão, tomada. Justina e o filho fugiram, mas Ambrósio permaneceu firme em seu posto de bispo da cidade, mandando derreter a prataria de sua igreja para diminuir o sofrimento da população da cidade. Em 385, Ambrósio, apoiado pela população, recusou-se a atender um pedido de Valentiniano II para entregar a Basílica Pórcia para que fosse utilizada pelas tropas arianas. No ano seguinte, Justina e Valentiniano receberam o bispo ariano Auxêncio de Durostoro (moderna Silistra, na Bulgária), e Ambrósio novamente recebeu ordens de entregar uma igreja em Milão aos arianos. Ambrósio e sua congregação se entrincheiraram na igreja preparando-se para o pior e a ordem acabou sendo revogada. Teodósio I foi excomungado por Ambrósio pelo massacre de pessoas, em Tessalônica depois que do assassinato de um governador romano pela população. Ambrósio admoestou Teodósio afirmando que ele deveria imitar David em sua penitência na mesma medida que o imitou em sua culpa - Ambrósio readmitiu o imperador apenas depois de diversos meses de penitência. Ambrósio também forçou Teodósio a não reembolsar a comunidade judaica da Mesopotâmia depois que uma sinagoga foi destruída por uma horda cristã. Estes incidentes demonstram a força do bispo na porção ocidental do império, mesmo quando enfrentava um imperador poderoso - a controvérsia de João Crisóstomo com um imperador muito mais fraco uns anos depois em Constantinopla terminou numa fragorosa derrota do bispo. Em 392, depois da morte de Valentiniano II e da aclamação de Eugênio, Ambrósio foi obrigado a suplicar com Teodósio, que no final derrotou o usurpador, pela vida dos que o haviam apoiado. Sob a influência de Ambrósio, os imperadores Graciano, Valentiniano II e Teodósio I passaram a perseguir o paganismo. Foi também pela influência dele que Teodósio emitiu os 391 "decretos de Teodósio" que, com intensidade cada vez maior, foram tornando ilegais as práticas pagãs, culminando na remoção do altar da Vitória do Senado Romano por ordem de Graciano. Logo depois de tornar-se o imperador incontestável de todo o Império Romano, Teodósio morreu em Mediolano em 395 e, dois anos depois, em 4 de abril de 397, morreu também Ambrósio. Foi sucedido por Simpliciano. O corpo de Ambrósio ainda hoje pode ser visto na Basílica de Santo Ambrósio em Milão, onde ele tem sido continuamente venerado desde então. Estão ali também os corpos, segundo tradição da época de Ambrósio, dos mártires Gervásio e Protásio. Ambrósio é um dos Doutores da Igreja latinos juntamente com Santo Agostinho, São Jerônimo e São Gregório, o Grande. A intensa consciência episcopal de Ambrósio ampliou a crescente doutrina da Igreja e seu ministério sacerdotal ao mesmo tempo que o prevalente ascetismo da época, em consonância com o treinamento ciceroniano e estoico que recebeu em sua infância, permitiu que Ambrósio promulgasse um alto padrão para a ética cristã. Desta nasceram De officiis ministrorum, De viduis, De virginitate e De paenitentia. Ele demonstrava um tipo de flexibilidade litúrgica que tinha em mente que a liturgia era uma ferramenta para servir ao povo em sua adoração a Deus e não deveria tornar-se uma entidade rígida e invariável onde aparecesse. Seu conselho para Agostinho de Hipona sobre este tema era que seguisse o costume litúrgico local. "Quando estou em Roma, jejuo aos sábados; quando estou em Mediolano, não. Siga o costume da igreja onde está.". Desta forma, Ambrósio recusou-se a ser tragado para um falso conflito sobre qual seria a forma litúrgica "correta" quando na verdade nada havia a ser discutido. Este conselho entrou para a língua portuguesa na forma do dito "Em Roma, faça como os romanos". A poderosa mariologia de Ambrósio influenciou os papas da época como Dâmaso e Sirício e, posteriormente, Leão Magno. Central para Ambrósio era a virgindade de Maria e o papel dela como mãe de Deus:, "O nascimento virginal é digno de Deus. Que nascimento humano poderia ser mais digno de Deus que aquele no qual o imaculado filho de Deus manteve a pureza de sua origem imaculada ao se tornar humano?". "Nós confessamos que Cristo, nosso Senhor, nasceu de uma virgem e, portanto, rejeitamos a ordem natural das coisas. Pois não foi através de um homem que ela concebeu, mas através do Espírito Santo". "Cristo não está divido, é um. Se o adoramos como o Filho de Deus, não negamos seu nascimento através da virgem. Mas ninguém deve ampliar este entendimento a Maria. Maria era o templo de Deus, mas não Deus no templo. Portanto, apenas Aquele que estava no templo deve ser adorado.". "Sim, verdadeiramente abençoada por ter superado o sacerdote (Zacarias). Enquanto ele negou, a Virgem retificou o erro. Não admira que o Senhor, desejando resgatar o mundo, tenha começado sua obra com Maria. Assim, ela, através da qual a salvação estava sendo preparada para todos os povos, tenha sido a primeira a receber o prometido fruto da salvação. Ambrósio via a virgindade como superior ao matrimônio e via Maria como um modelo de virgindade. Em sua exegese, Ambrósio, assim como Hilário, era um alexandrino. No dogma, ele seguia Basílio de Cesareia e outros autores gregos, mas, seja como for, Ambrósio lança uma luz claramente ocidental às suas especulações, o que é particularmente verdadeiro em sua ênfase sobre o pecado e à graça divina assim como no lugar que ele atribuiu para a fé na vida cristã. De fide ad Gratianum Augustum ("Sobre a Fé", para Graciano), De Officiis Ministrorum ("Sobre o Ofício dos Ministros", um manual eclesiástico modelado no De Officiis de Cícero.), De Spiritu Sancto ("Sobre o Espirito Santo"), De incarnationis Dominicae sacramento ("Sobre o Sacramento da Encarnação do Senhor"), De mysteriis ("Sobre os Mistérios"), Expositio evangelii secundum Lucam ("Comentário sobre o Evangelho segundo Lucas"), Obras éticas: De bono mortis ("Sobre a Boa Morte"); De fuga saeculi ("Sobre a Fuga do Mundo"); De institutione virginis et sanctae Mariae virginitate perpetua ad Eusebium ("Sobre o Nascimento da Virgem e a Perpétua Virgindade de Maria"); De Nabuthae ("Sobre Naboth"); De paenitentia ("Sobre a Penitência"); De paradiso ("Sobre o Paraíso"); De sacramentis ("Sobre os Sacramentos"); De viduis ("Sobre as Viúvas"); De virginibus ("Sobre as Virgens"); De virginitate ("Sobre a Virgindade"); Exhortatio virginitatis ("Exortação à Virgindade"); De sacramento regenerationis sive de philosophia ("Sobre o Sacramento do Renascimento ou Sobre a Filosofia" [fragmentos]), Comentários homiléticos sobre o Antigo Testamento: o "Hexamerão" ("Seis Dias"); De Helia et ieiunio ("Sobre Elias e o Jejum"); De Iacob et vita beata ("Sobre Jacó e a Vida Feliz"); De Abraham; De Cain et Abel; De Ioseph; De Isaac vel anima ("Sobre Isaac ou Sobre a Alma"); De Noe; De interpellatione Iob et David ("Sobre a Oração de Jó e David"); De patriarchis ("Sobre os Patriarcas"); De Tobia; Explanatio psalmorum; Explanatio symboli ("Comentário sobre o Símbolo"). Orações funerais: De obitu Theodosii; De obitu Valentiniani; De excessu fratris Satyri, 91 epístolas, Uma coleção de hinos, Fragmentos de sermões, "Ambrosiastro" ou "Pseudo-Ambrósio" é um curto comentário sobre as epístolas paulinas há muito tempo atribuídas a Ambrósio. Atribui-se tradicionalmente a Ambrósio a composição do chamado canto ambrosiano, conhecido também como "canto antifonal", embora não se saiba na verdade se teve algum papel nisso. São nos hinos ambrosianos que surge pela primeira vez a rima. Além disso, aproveitando-se do impulso inicial dado por Hilário e certo em seu objetivo de combater a salmódia ariana, Ambrósio compôs vários hinos, quatro dos quais sobreviveram juntamente com a música que os acompanha, que não deve ser muito diferente das melodias originais. Cada um deles é composto de oito stanza de quatro linhas num estrito dimetro iâmbico (iambos de 2x2):, Deus Creator Omnium, Aeterne rerum conditor, Jam surgit hora tertia, Jam Christus astra ascendante, Veni redemptor gentium (um hino cristão) Ambrósio também é tradicionalmente identificado como sendo o autor do Te Deum, que, diz-se, teria sido composto quando ele batizou Santo Agostinho, seu mais famoso convertido. Ambrósio era bispo em Mediolano na época da conversão de Agostinho e foi mencionado por este nas "Confissões". Numa passagem das "Confissões" na qual Agostinho pondera o motivo pelo qual ele não conseguia partilhar do fardo de Ambrósio e faz um comentário que foi importante na história da doutrina do celibato: Nesta mesma passagem aparece uma curiosa anedota que viria a ser importante na história da leitura: Esta é uma passagem famosa na discussão acadêmica contemporânea. A prática de ler para si sem vocalizar o texto era menos comum na Antiguidade do que é hoje. Numa cultura que atribuía um alto valor à oratória e às performances públicas e na qual a a produção dos livros era muito trabalhosa, a maioria da população era analfabeta e era na qual os que podiam tinham escravos à disposição para que lhes fossem recitadas as principais obras, textos escritos eram geralmente vistos como "scripts" para recitação e não obras para a meditação silenciosa. Porém, há também evidências de que a leitura silenciosa de fato ocorria na Antiguidade e não era considerada rara. Os escritos de Ambrósio guardam atualidade na Igreja que a eles em várias épocas tem recorrido. As suas obras são citadas em documentos doutrinais e pontifícios até hoje. Pio XII escora-se em Ambrósio na sua Encíclica Sacra Virginitas, de 25 de março de 1954, citando todas as obras do santo sobre o assunto. Nos documentos do Concílio Vaticano II Ambrósio é reiteradamente citado e invocado como fundamento. Ao menos cinco vezes na Constituição Dogmática Lumen Gentium e ainda na Constituição Gaudium et Spes e na Dei Verbum é mencionado, o Concílio recorre também a ele nos Decretos Ad gentes, Perfectas caritatis e Optatam totius para confirmação da sua doutrina. Também o Papa Paulo VI nele se apoia para escrever a Constituição Apostólica Poenitemini e na Exortação Apostólica O Culto à Virgem Maria, de 24 de março de 1973. Estes e outros documentos eclesiásticos demonstram a sua atualidade dentro do magistério da Igreja Católica. Bento XVI discorrendo sobre ele diz que Ambrósio: "Trouxe para o ambiente latino a meditação das Escrituras, iniciando no Ocidente a prática da lectio divina, que orientou a sua pregação e os seus escritos, que brotam precisamente da escuta da Palavra de Deus. Com ele os catecúmenos aprendiam primeiro a arte de viver bem para preparar-se depois para os grandes mistérios de Cristo e sua pregação partia da leitura dos Livros Sagrados, para viver de conformidade com a revelação divina.". "Nessa leitura onde o coração se esforça por compreender a palavra de Deus, se entrevê o método da catequese ambrosiana: a Escritura intimamente assimilada, sugere os conteúdos que se devem anunciar para converter os corações. A catequese é pois, inseparável do testemunho de vida.", Hexameron, De paradiso, De Cain, De Noe, De Abraham, De Isaac, De bono mortis – ed. C. Schenkl 1896, Vol. 32/1 ([ In Latin]), De Iacob, De Ioseph, De patriarchis, De fuga saeculi, De interpellatione Iob et David, De apologia prophetae David, De Helia, De Nabuthae, De Tobia – ed. C. Schenkl 1897, Vol. 32/2, Expositio evangelii secundum Lucam – ed. C. Schenkl 1902, Vol. 32/4, Expositio de psalmo CXVIII – ed. M. Petschenig 1913, Vol. 62; editio altera supplementis aucta – cur. M. Zelzer 1999, Explanatio super psalmos XII – ed. M. Petschenig 1919, Vol. 64; editio altera supplementis aucta – cur. M. Zelzer 1999, Explanatio symboli, De sacramentis, De mysteriis, De paenitentia, De excessu fratris Satyri, De obitu Valentiniani, De obitu Theodosii – ed. Otto Faller 1955, Vol. 73, De fide ad Gratianum Augustum – ed. Otto Faller 1962, Vol. 78, De spiritu sancto, De incarnationis dominicae sacramento – ed. Otto Faller 1964, Vol. 79, Epistulae et acta – ed. Otto Faller (Vol. 82/1: lib. 1-6, 1968); Otto Faller, M. Zelzer (Vol. 82/2: lib. 7-9, 1982); M. Zelzer (Vol. 82/3: lib. 10, epp. extra collectionem. gesta concilii Aquileiensis, 1990); Índices et addenda – comp. M. Zelzer, 1996, Vol. 82/4, H. Wace and P. Schaff, eds, A Select Library of Nicene and Post–Nicene Fathers of the Christian Church, 2nd ser. x [Contains translations of De Officiis (under the title De Officiis Ministrorum), De Spiritu Sancto (On the Holy Spirit), De excessu fratris Satyri (On the Decease of His Brother Satyrus), Exposition of the Christian Faith, De mysteriis (Concerning Mysteries), De paenitentia (Concerning Repentance), De virginibus (Concerning Virgins), De viduis (Concerning Widows), and a selection of letters], St. Ambrose "On the mysteries" and the treatise on the sacraments by an unknown author, translated by T Thompson, (London: SPCK, 1919) [translations of De sacramentis and De mysteriis; rev edn published 1950], S. Ambrosii De Nabuthae: a commentary, translated by Martin McGuire, (Washington, D.C. : The Catholic University of America, 1927) [translation of On Naboth], S. Ambrosii De Helia et ieiunio: a commentary, with an introduction and translation, Sister Mary Joseph Aloysius Buck, (Washington, DC: The Catholic University of America, 1929) [translation of On Elijah and Fasting], S. Ambrosii De Tobia: a commentary, with an introduction and translation, Lois Miles Zucker, (Washington, DC: The Catholic University of America, 1933) [translation of On Tobit], Funeral orations, translated by LP McCauley et al. Fathers of the Church vol 22, (New York: Fathers of the Church, Inc. 1953) [by Gregory of Nazianzus and Ambrose] Letters, translated by Mary Melchior Beyenka, Fathers of the Church, vol 26, (Washington, DC: Catholic University of America, 1954) [Translation of letters 1-91], Saint Ambrose on the sacraments, edited by Henry Chadwick, Studies in Eucharistic faith and practice 5, (London: AR Mowbray, 1960), Hexameron, Paradise, and Cain and Abel, translated by John J Savage, Fathers of the Church, vol 42, (New York: Fathers of the Church, 1961) [contains translations of Hexameron, De paradise, and De Cain et Abel], Saint Ambrose: theological and dogmatic works, translated by Roy J. Deferrari, Fathers of the church vol 44, (Washington: Catholic University of American Press, 1963) [Contains translations of The mysteries, (De mysteriis) The holy spirit, (De Spiritu Sancto), The sacrament of the incarnation of Our Lord, (De incarnationis Dominicae sacramento), and The sacraments], Seven exegetical works, translated by Michael McHugh, Fathers of the Church, vol 65, (Washington: Catholic University of America Press, 1972) [Contains translations of Isaac, or the soul, (De Isaac vel anima), Death as a good, (De bono mortis), Jacob and the happy life, (De Iacob et vita beata), Joseph, (De Ioseph), The patriarchs, (De patriarchis), Flight from the world, (De fuga saeculi), The prayer of Job and David, (De interpellatione Iob et David).], Homilies of Saint Ambrose on Psalm 118, translated by Íde Ní Riain, (Dublin: Halcyon Press, 1998) [translation of part of Explanatio psalmorum], Ambrosian hymns, translated by Charles Kraszewski, (Lehman, PA: Libella Veritatis, 1999), Commentary of Saint Ambrose on twelve psalms, translated by Íde M. Ní Riain, (Dublin: Halcyon Press, 2000) [translations of Explanatio psalmorum on Psalms 1, 35-40, 43, 45, 47-49], On Abraham, translated by Theodosia Tomkinson, (Etna, CA: Center for Traditionalist Orthodox Studies, 2000) [translation of De Abraham], De officiis, edited with an introduction, translation, and commentary by Ivor J Davidson, 2 vols, (Oxford: OUP, 2001) [contains both Latin and English text], Commentary of Saint Ambrose on the Gospel according to Saint Luke, translated by Íde M. Ní Riain, (Dublin: Halcyon, 2001) [translation of Expositio evangelii secundum Lucam], Ambrose of Milan: political letters and speeches, translated with an introduction and notes by JHWG Liebschuetz, (Liverpool: Liverpool University Press, 2005) [contains Book Ten of Ambrose’s Letters, including the oration on the death of Theodosius I; Letters outside the Collection (Epistulae extra collectionem); Letter 30 to Magnus Maximus; The oration on the death of Valentinian II (De obitu Valentiniani).], Otto Maria Carpeaux, "História da Literatura Ocidental" *. . . . . . . . . . . [ Algumas obras em espanhol] (mercaba.es),, [ "Saint Ambrose"] at the [ Christian Iconography] website,, [ "Of St. Ambrose"] from the Caxton translation of the Golden Legend,, [ Obras de Santo Ambrósio na Biblioteca Nacional de Portugal]
Anders Jonas Ångström (Medelpad, 13 de agosto de 1814 — Uppsala, 21 de junho de 1874) foi um físico sueco. Anders Jonas Ångström nasceu em Medelpad, filho de Johan Ångström, e estudou em Härnösand. Ele se mudou para Uppsala em 1833 e foi educado na Universidade de Uppsala, onde em 1839 ele se tornou docente em física. Em 1842, ele foi para o Observatório de Estocolmo para ganhar experiência no trabalho prático de astronomia e, no ano seguinte, foi nomeado guardião do Observatório Astronômico de Uppsala. Intrigado com o magnetismo terrestre, ele registrou observações de flutuações na intensidade magnética em várias partes da Suécia e foi encarregado pela Academia de Ciências de Estocolmo da tarefa, não concluída até pouco antes de sua morte, de trabalhar os dados magnéticos obtidos por HSwMS Eugenie em sua viagem ao redor do mundo em 1851 a 1853. Em 1858, ele sucedeu Adolph Ferdinand Svanberg na cadeira de física em Uppsala. Seu trabalho mais importante estava relacionado à condução de calor e espectroscopia. Em suas pesquisas ópticas, Optiska Undersökningar, apresentadas à Real Academia de Ciências da Suécia em 1853, ele não apenas apontou que a faísca elétrica produz dois espectros sobrepostos, um do metal do eletrodo e outro do gás pelo qual passa, mas deduziu da teoria da ressonância de Leonhard Euler que um gás incandescente emite raios luminosos da mesma refrangibilidade que aqueles que pode absorver. Esta declaração, como Sir Edward Sabine comentou ao lhe conceder a medalha Rumford da Royal Society em 1872, contém um princípio fundamental da análise de espectro e, embora negligenciado por vários anos, o autoriza a ser classificado como um dos fundadores da espectroscopia. De 1861 em diante, ele deu atenção especial ao espectro solar. Sua combinação do espectroscópio com a fotografia para o estudo do Sistema Solar resultou em provar que a atmosfera do Sol contém hidrogênio, entre outros elementos, e em 1868 ele publicou seu grande mapa do espectro solar normal em Recherches sur le espectro solaire, incluindo medições detalhadas de mais de 1 000 linhas espectrais, que por muito tempo permaneceram autorizadas em questões de comprimento de onda, embora suas medições fossem inexatas em uma parte em 7 000 ou 8 000, devido ao metro que ele usava como padrão ser um pouco curto demais. Ele foi o primeiro, em 1867, a examinar o espectro da aurora boreal, e detectou e mediu a linha brilhante característica em sua região verde-amarela; mas ele se enganou ao supor que essa mesma linha, que muitas vezes é chamada por seu nome, também pode ser vista à luz do zodíaco. Ele morreu em Uppsala em 21 de junho de 1874. Seu filho, Knut (1857–1910), também era físico. *Pesquisas Sobre o Espectro Solar *Sobre os Espectros dos Gases Simples *Memórias Sobre a Temperatura da Terra *
A análise do comportamento (do inglês, behavior analysis) é uma ciência natural, formulada pelo psicólogo americano B. F. Skinner, que estuda o comportamento humano e de outros animais a partir da interação entre organismo e ambiente. Para a análise do comportamento, comportamento é tudo aquilo que um organismo – humano ou animal – faz ou produz, incluindo ações privadas, como sentir ou pensar. Enquanto área de estudo, a análise do comportamento busca compreender, principalmente, as causas que levam os processos de aquisição, manutenção e perda de comportamentos de um organismo. A atenção do pesquisador é assim dirigida para as condições ambientais em que determinado organismo se encontra, para a reação desse indivíduo a essas condições, para as consequências que essa reação lhe traz e para os efeitos que essas consequências produzem - processo denominado "tríplice contingência", unidade funcional dessa ciência. O comportamento é entendido como uma relação interativa de transformação mútua entre o organismo e o ambiente que o cerca na qual os padrões de conduta são naturalmente selecionados em função de sua história de interação com o contexto. Trata-se de uma aplicação do modelo evolucionista de Charles Darwin ao estudo do comportamento que reconhece três níveis de seleção - o filogenético (que abrange comportamentos adquiridos hereditariamente pela história de seleção da espécie), o ontogenético (que abrange comportamentos adquiridos pela história vivencial do indivíduo) e o cultural (restrito à espécie humana, abrange os comportamentos controlados por regras, estímulos verbais ou simbólicos, transmitidos e acumulados ao longo de gerações por meio da linguagem). A análise pode ser experimental, no âmbito da pesquisa básica, baseando-se sobretudo em experimentos empíricos, controlados e de alto rigor metodológico com animais e humanos (ainda que este último demande certas limitações investigativas em virtude de maiores restrições ético-morais) ou aplicada, onde os resultados experimentais são diretamente aplicados a contextos não controláveis objetivamente, como acontece na maioria das formulações de estratégias terapêuticas. Apesar da pesquisa básica centrar-se preferencialmente na observação direta de comportamentos públicos/abertos, considera-se nos âmbitos teórico e aplicado também o mundo privado/encoberto do sujeito. O mundo privado, acessível apenas ao próprio indivíduo e relatado (caso humano) ao mundo externo por meio do relato discursivo (comportamento verbal) é convencionalmente entendido por diversas abordagens teóricas da Psicologia e pelo senso comum como subjetividade.A problemática envolvida acerca da subjetividade na análise do comportamento foi cuidadosamente abordada por Skinner, principal representante dessa ciência: A análise científica do comportamento começa pelo isolamento das partes (variáveis) simples de um evento complexo de modo que esta parte possa ser melhor compreendida. A pesquisa experimental de Skinner seguiu tal procedimento analítico, restringindo-se a situações suscetíveis de uma análise científica rigorosa. Os resultados de seus experimentos podem ser verificados independentemente e sua conclusões podem ser confrontadas com os dados registrados. Assim, fazer análise do comportamento é determinar as características/dimensões da ocasião em que o comportamento ocorre, identificar as propriedades públicas e privadas da ação e definir as mudanças produzidas pela emissão das respostas (no ambiente, no organismo). Para Skinner, um evento comportamental é o produto conjunto da história de aprendizagem do sujeito. Assim, pode-se dizer que o ambiente (externo - físico, social; interno - biológico, histórico) seleciona grandes classes de comportamento. Como resposta às correntes internalistas do comportamentalismo e inspirado pelo behaviorismo filosófico, Burrhus F. Skinner publicou, em 1953, o livro Science and Human Behavior. A publicação desse livro marca o início da corrente comportamentalista conhecida como behaviorismo radical. O behaviorismo radical foi desenvolvido não como um campo de pesquisa experimental, mas sim uma proposta de filosofia sobre o comportamento humano. As pesquisas experimentais constituem a Análise Experimental do Comportamento, enquanto as aplicações práticas fazem parte da Análise Aplicada do Comportamento. O behaviorismo radical seria uma filosofia da ciência do comportamento. Skinner foi fortemente anti-mentalista, ou seja, considerava não pragmáticas as noções "internalistas" (entidades "mentais" como origem do comportamento, sejam elas entendidas como cognição, id-ego-superego, inconsciente coletivo, etc.) que permeiam as diversas teorias psicológicas existentes. Skinner jamais negou em sua teoria a existência dos processos mentais (eles são entendidos como comportamento), mas afirma ser improdutivo buscar nessas variáveis a origem das ações humanas, ou seja, os eventos mentais não causam o comportamento das pessoas, os eventos mentais são comportamentos e são de natureza física. A análise de um comportamento (seja ele cognitivo, emocional ou motor) deve envolver, além das respostas em questão, o contexto em que ele ocorre e os eventos que seguem as respostas. Tal posição evidentemente opunha-se à visão watsoniana do behaviorismo, pela qual a principal razão para não se estudar fenômenos não fisiológicos seria apenas a limitação do método, não a efetiva inexistência de tais fenômenos de natureza diferente da física. O behaviorismo skinneriano também se opunha aos neobehaviorismos mediacionais, negando a relevância científica de variáveis mediacionais: para Skinner, o homem é uma entidade única, uniforme, em oposição ao homem "composto" de corpo e mente, ou seja, a visão de homem é a visão monista. Skinner desenvolveu os princípios do condicionamento operante e a sistematização do modelo de seleção por consequências para explicar o comportamento. O condicionamento operante segue o modelo Sd-R-Sr, onde um primeiro estímulo Sd, dito estímulo discriminativo, aumenta a probabilidade de ocorrência de uma resposta R. A diferença em relação aos paradigmas S-R e S-O-R é que, no modelo Sd-R-Sr, o condicionamento ocorre se, após a resposta R, segue-se um estímulo reforçador Sr, que pode ser um reforço (positivo ou negativo) que "estimule" o comportamento (aumente sua probabilidade de ocorrência), ou uma punição (positiva ou negativa) que iniba o comportamento em situações semelhantes posteriores. O condicionamento operante difere do condicionamento respondente de Pavlov e Watson porque, no comportamento operante, o comportamento é condicionado não por associação reflexa entre estímulo e resposta, mas sim pela probabilidade de um estímulo se seguir à resposta condicionada. Quando um comportamento é seguido da apresentação de um reforço positivo ou negativo, aquela resposta tem maior probabilidade de se repetir com a mesma função; do mesmo modo, quando o comportamento é seguido por uma punição (positiva ou negativa), a resposta tem menor probabilidade de ocorrer posteriormente. O behaviorismo radical se propõe a explicar o comportamento animal através do modelo de seleção por consequências. Desse modo, o behaviorismo radical propõe um modelo de condicionamento não-linear e probabilístico, em oposição ao modelo linear e reflexo das teorias precedentes do comportamentalismo. Para Skinner, a maior parte dos comportamentos humanos são condicionados dessa maneira operante. Para Skinner, os comportamentos são selecionados através de três níveis de seleção. Os componentes da mesma são: # Nível filogenético: que corresponde aos aspectos biológicos da espécie e da hereditariedade do indivíduo; # Nível ontogenético: que corresponde a toda a história de vida do indivíduo; # Nível cultural: os aspectos culturais que influenciam a conduta humana. Através da interação desses três níveis (onde nenhum deles possui um status superior a outro) os comportamentos são selecionados. Para Skinner, o ser humano é um ser ativo, que opera no ambiente, provocando modificações nele, modificações essas que retroagem sobre o sujeito, modificando seus padrões comportamentais. A explicação selecionista do comportamento é eminentemente histórica, e abre mão de argumentos semelhantes aqueles do paradigma da mecânica clássica. Em relação a este ponto, um erro frequente nas críticas à análise do comportamento é acreditar que, dentro do behaviorismo, a causa de um comportamento deve ser necessariamente imediata. Pelo contrário, a causa de um comportamento não precisa estar próxima e imediata, já que a causação imediata (se necessária) se opõe à explicação histórica - que, por sua vez, incorpora a história da espécie, a história do indivíduo e a história da cultura, considerando-se estas como três processos de seleção do comportamento. A análise recai sobre o produto integrado desses processos históricos, e sua separação ou análise é um artifício meramente didático ou metodológico. O comportamento humano é o produto da ação integrada e contínua de contingências filogenéticas, ontogenéticas e culturais. Isso evidentemente ainda passa pelo crivo de uma análise funcional de cada elemento destes circunstancialmente. O que faz da Análise do Comportamento uma ciência preocupada com a "prática" e a "função das coisas" na vida do sujeito. Não se trata, portanto, de "aniquilar" um dado comportamento disfuncional, mas avaliar as razões pelas quais ocorre e como implementar novos comportamentos e de que maneira isto poderia ser útil na real vivência do indivíduo Apesar de ter sido e ainda ser bastante criticado, muitos dos preconceitos em relação às ideias de Skinner são, na verdade, fruto do desconhecimento de quem critica. Muitas das críticas feitas ao behaviorismo radical são, na verdade, críticas ao behaviorismo de Watson. Mesmo autores que ficaram amplamente conhecidos por suas críticas, como Chomsky em A Review on Skinner's Verbal Behavior, pouco conheciam acerca da abordagem e, com isso, cometeram diversos erros. A crítica de Chomsky já foi respondida por Kenneth MacCorquodale em On Chomsky's Review of Skinner's Verbal Behavior. O behaviorismo skinneriano, representado pela ABAI (Association for Behavior Analysis International) possui cerca de membros no mundo inteiro e cresce cerca de 6.5% ao ano. Esta ciência destaca-se, em regimento da filosofia e abordagem teórica behaviorista, pela exclusiva rejeição do modelo de pensamento dualista que divide a constituição humana em duas realidades ontologicamente independentes, o corpo físico e a mente metafísica - ou seja, nessa perspectiva processos subjetivos tais como emoções, sentimentos e pensamentos/cognições são entendidos como substancialmente materiais e sujeitos às mesmas leis naturais do comportamento. Tal entendimento não rejeita a existência da subjetividade (como dito anteriormente), mas destituí a mesma de um funcionamento automatista. Logo, embora Freud e os psicodinâmicos estivessem igualmente interessados na base ontológica da ação, Skinner adotou uma posição mais extrema, afirmando que todos estes fatores conhecidos tradicionalmente como mentais são, na realidade, comportamentos e devem ser estudados como tais, não classificados como causa do comportamento, o que o coloca em oposição a explicações internalistas, sejam elas de carácter mentalistas ou organicistas. Em resumo, para Skinner, os pensamentos e as emoções não podem ser causa do comportamento e sim classes comportamentais específicas.
Apolo (ou Ἀπέλλων, transl. Apellōn) é uma das divindades principais da mitologia greco-romana, um dos deuses olímpicos. Filho de Zeus e Leto, e irmão gêmeo de Ártemis, possuía muitos atributos e funções, e possivelmente depois de Zeus foi o deus mais influente e venerado dentre todos os deuses gregos. As origens de seu mito são obscuras, mas no tempo de Homero já era de grande importância, sendo um dos mais citados na Ilíada. Era descrito como o deus da divina distância, que ameaçava ou protegia desde o alto dos céus, sendo identificado como o sol e a luz da verdade. Fazia os homens conscientes de seus pecados e era o agente de sua purificação ritual; presidia sobre as leis da Religião e sobre as constituições das cidades, era o símbolo da inspiração profética e artística, sendo o patrono do mais famoso oráculo da Antiguidade, o Oráculo de Delfos, e líder das musas. Era temido pelos outros deuses e somente seu pai e sua mãe podiam contê-lo. Era o deus da morte súbita, das pragas e doenças, mas também o deus da cura e da proteção contra as forças malignas. Além disso era o deus da Beleza, da Perfeição, da Harmonia, do Equilíbrio e da Razão, o iniciador dos jovens no mundo dos adultos, estava ligado à Natureza, às ervas e aos rebanhos, e era protetor dos pastores, marinheiros e arqueiros. Embora tenha tido inúmeros amores, foi infeliz nesse terreno, mas teve vários filhos. Foi representado numerosas vezes desde a Antiguidade até o presente, geralmente como um homem jovem, nu e imberbe, no auge de seu vigor, às vezes com um manto, um arco e uma aljava de flechas, ou uma lira, e com algum de seus animais simbólicos, como a serpente, o corvo ou o grifo. Apolo foi identificado sincreticamente com grande número de divindades maiores e menores nos seus vários locais de culto, e sobreviveu veladamente ao longo do florescimento do cristianismo primitivo, que se apropriou de vários de seus atributos para adornar seus próprios personagens sagrados, como Cristo e o arcanjo São Miguel. Entretanto, na Idade Média Apolo foi identificado pelos cristãos muitas vezes com o Demônio. Mas desde a associação de Apolo com o poder profano pelo imperador romano Augusto se originou um poderoso imaginário simbólico de sustentação ideológica do imperialismo das monarquias e da glória pessoal dos reis e príncipes. Seu mito tem sido trabalhado ao longo dos séculos por filósofos, artistas e outros intelectuais para a interpretação e ilustração de uma variedade de aspectos da vida humana, da sociedade e de fenômenos da Natureza, e sua imagem continua presente de uma grande variedade de formas nos dias de hoje. Até mesmo seu culto, depois de um olvido de séculos, foi recentemente ressuscitado por correntes do neopaganismo. Era chamado pelos gregos de Apollon ou Apellon, pelos romanos de Apollo e pelos etruscos de Apulu ou Aplu. A origem do nome Apolo é incerta, bem como a de seu mito. Apolo é um nome que não tem paralelos claros em outras línguas indo-europeias, e é o único deus olímpico que não figura nas cerca de mil tabuletas conhecidas escritas em Linear B, uma fonte de dados sobre a Grécia na Idade do Bronze. Embora essa omissão possa ser apenas casual e achados arqueológicos futuros possam trazer outras conclusões, em termos estatísticos permanece uma evidência significativa, o que aponta para uma origem possivelmente oriental e uma chegada à Grécia em período relativamente tardio. Graf sugere as seguintes hipóteses para sua origem: ele pode ter sido uma divindade indo-europeia, presente mas não documentada na Idade do Bronze grega, ou foi introduzido após a Idade das Trevas grega, ou proveio do Oriente Próximo, possivelmente da Anatólia ou da região semita. Para Plotino seu nome significava a negação da pluralidade: "não-muitos" (a-poli), acrescentando que para os pitagóricos significava o Uno. Plutarco seguia nessa linha dizendo que os pitagóricos associavam nomes divinos aos números, e que a Mônada era identificada com Apolo. Platão também pensava de forma semelhante, ligando Apolo com "o simples", e "o verdadeiro". Burkert sugeriu que deriva de "manter uma assembleia sagrada", o que Nagy considerou plausível, baseado no que Hesíquio de Alexandria também referira, mas essa etimologia foi rejeitada por Frisk, Chantraine e Dietrich, que consideram a origem do nome simplesmente desconhecida. Bernal apresentou a hipótese de que derivou de Hórus, deus solar egípcio, através de adaptações fonéticas intermédias na Fenícia. Heródoto dizia que Apolo e Hórus eram o mesmo deus. As primeiras referências literárias a Apolo se encontram em Homero, na própria fundação da literatura grega. E neste momento o deus já aparecia tão carregado de atributos que o poeta considerava difícil escolher por onde começar seu elogio. Como fica evidente, apesar das incertezas sobre a origem do mito e da ausência de documentação anterior, no ele já estava consolidado. Apolo é citado na Odisseia, é o foco de um dos Hinos Homéricos, e é um dos deuses protagonistas na Ilíada, e dessas fontes provêm as primeiras descrições de sua história. Foi quem curou as feridas de Sarpedon, foi o instrumento de Zeus para evitar a profanação do corpo do guerreiro quando este foi morto, e velou pelo corpo de Heitor. Na Ilíada, Apolo também aparece como o deus da música, tocando sua lira para o deleite dos imortais, e como o guardião dos cavalos de Eumelo, e do gado de Laomedonte. No Hino a Apolo, Homero descreveu desde seu nascimento em Delos até sua apoteose em Delfos. O hino abre mostrando Apolo já adulto, como o arqueiro sublime, entrando no palácio dos deuses e inspirando o temor em todos. Leto, sua mãe, o recebe e conduz ao seu assento entre os imortais, enquanto que seu pai Zeus lhe dá as boas-vindas, junto com os outros deuses. Depois o poeta passa a descrever as circunstâncias de seu nascimento. Leto, uma ninfa filha do titã Céos, foi amada por Zeus e engravidou de Apolo e Ártemis. Hera, esposa legítima de Zeus, descobriu o romance e voltou sua ira para Leto, que se viu impelida em uma longa peregrinação para encontrar um lugar onde pudesse dar à luz, sempre perseguida pela serpente Píton, posta em seu encalço. Parando na ilha de Ortígia, deu à luz Ártemis, mas só encontrou abrigo enfim em uma ilha flutuante, Delos, pois Hera ordenara a Gaia, a terra, que não oferecesse nenhum lugar de repouso para Leto. Ao pisar na ilha, Leto falou-lhe implorando que a recebesse, e fazendo o grande juramento em nome do Estige, prometeu-lhe erguer um templo e consagrá-la a seu filho, com o que a ilha aquiesceu à sua súplica. Entretanto, mesmo assistida pelas deusas Dione, Reia, Icneia, Têmis e Anfitrite, por nove dias e nove noites Leto sofreu as dores do parto sem que Apolo nascesse, uma vez que Hera havia impedido Ilícia, a deusa dos partos, de socorrê-la. Mas as deusas finalmente enviaram Íris, a mensageira dos deuses, para que seduzisse Ilícia com a oferta de um magnífico colar de ouro e âmbar de nove cúbitos de comprimento, e assim, antes que Hera protestasse, carregada pela veloz Íris ela desceu do Olimpo para ajudar Leto, e logo Apolo nasceu. O infante foi então banhado pelas deusas, envolto em faixas e ornado com uma coroa de ouro. Antes que mamasse em sua mãe, Têmis deu-lhe de beber o néctar dos deuses, e fê-lo comer a ambrosia divina, conferindo-lhe a imortalidade. Imediatamente tornou-se adulto, soltou-se das faixas, bradou reivindicando a lira e o arco, e declarou-se o porta-voz da vontade de Zeus. Sua luz refulgiu, e Delos floresceu em ouro. Em seguida Homero o mostra de novo no Olimpo, tocando sua lira e presidindo o coro das Musas, e logo o faz descer do céu e percorrer a Terra, procurando onde fundar seu culto. Chegando junto à fonte Telfusa, viu que era um local sobremaneira aprazível para erguer um templo e estabelecer um oráculo, mas a fonte advertiu-o que ali os homens ergueriam uma cidade barulhenta e não lhe dariam a devida atenção, e sugeriu que ele fundasse seu oráculo nas silenciosas encostas do monte Parnaso, o que ele fez, não sem antes matar o monstro Tífon, filho partenogênico de Hera, que ali vivia devastando a região, e a serpente Píton, que perseguira sua mãe. Em seguida procurou seus primeiros sacerdotes. Disfarçado de delfim, capturou um navio cretense e levou seus marinheiros para o sítio que escolhera, impondo-lhes a obediência, dando-lhes a direção do templo e do oráculo e prescrevendo os rituais que deviam ser realizados. Por ter-se revelado a eles sob a forma de um delfim, disse que deveria ser invocado sob o epíteto de Apolo Delfínio, e o oráculo se chamaria Oráculo de Delfos. Em sua Teogonia, Hesíodo, mais ou menos contemporâneo de Homero, fez apenas uma breve alusão a Apolo, mas outros autores depois deles deram versões alternativas para sua história. Diversas localidades reivindicaram o privilégio de ser seu local de nascimento: Éfeso, Tegyra, Zoster Os egípcios e Cícero diziam que ele era filho de Ísis e Dionísio, e foi identificado também com os deuses solares Febo e Hélios, o egípcio Hórus, o Aplu etrusco e o Mitra oriental. Dizia-se que ele nascera em um dia sete, ou que nascera de sete meses, e por isso o número sete lhe era sagrado. Os dias sete de todos os meses lhe eram dedicados com sacrifícios, e seus festivais caíam geralmente num dia sete. Era membro do concílio dos deuses principais no Olimpo, tinha o sol como sua carruagem e como regente das Musas residia também no monte Parnaso, em cuja base estava seu principal oráculo. Os animais a ele associados eram a serpente, o lobo, o delfim e o corvo, alguns autores acrescentam o cisne, o abutre e o grifo, e era amiúde representado com o arco e flechas, ou com a lira. Sua planta sagrada era o loureiro, com cujas folhas eram confeccionadas as coroas dos vencedores dos Jogos atléticos. Como se lê em Homero, os primeiros de seus atributos foram o da morte súbita com suas flechas infalíveis, a música, a vingança e punição de violações da lei sagrada, o causador de doenças, e apenas secundariamente curador. Com o passar do tempo seu mito foi sendo enriquecido, e a enorme quantidade de epítetos que foram associados a seu nome o prova. Seu caráter primitivo, marcado pela violência, tornou-se mais brando, e ele foi erigido em um deus civilizador, curador, protetor, harmonizador e organizador, num justiceiro mais equilibrado e em um profeta completo. Pitágoras teve um papel nessa transformação. Ele era considerado por uns um filho de Apolo, por outros uma encarnação do próprio deus, que descera ao mundo dos homens com uma missão terapêutica, e é significativo que Pitágoras só sacrificasse em altares de Apolo, chamasse a si mesmo de um curador, tocasse a lira e desse grande importância à música e à divinação. Ensinando uma doutrina de forte base ética e que enfatizava a harmonia e a pureza, sua influência sobre a cultura grega foi enorme, na mesma época em que o culto de Apolo se disseminava. Também foi importante a assimilação de Apolo pelo orfismo, cujo patrono mítico, o músico Orfeu, era acreditado como filho do deus. Seus ritos incluíam a música e a divinação, sua doutrina enfatizava a disciplina moral rigorosa, a purificação e o ascetismo, e incluía a crença numa vida beatífica após a morte. O Hino a Apolo dos órficos declara como função do deus harmonizar os pólos opostos do cosmos com sua música. Apolo então assumiu outros atributos, apareceram outras lendas, e diversos autores gregos, e depois os helenistas e romanos, o mostraram em poemas, em dramas e em iconografia. Até a letalidade assustadora de suas flechas pôde ser expandida para transformá-lo no deus da morte misericordiosa. Para Denis Huisman a influência da imagem apolínea foi determinante para a formação da filosofia de Sócrates e, por consequência, a de Platão. Aristóteles referiu o mesmo, dizendo que de Delfos ele tomara o moto Conhece a ti mesmo, que se tornou o motivo organizador central de seu modo de vida e pensamento. Platão enfatizou sua faceta organizadora na Religião, declarando que o Oráculo de Delfos devia ser consultado acerca de todas as questões relativas ao estabelecimento de santuários, sacrifícios e outras formas de culto de deuses, daemones e heróis; também sobre as tumbas e os ritos fúnebres, e as indicações para cargos religiosos públicos. Também disse que ele havia descoberto a Medicina, a arte do arco e a divinação sob impulso do desejo e do amor, e por isso ele era um discípulo de Eros. O poeta Calímaco o mostrou como o inventor da flauta e da lira — embora a tradição mais corrente diga que ele recebeu ambas de seu irmão Hermes - e canonizou a identificação entre Apolo e Hélio, o deus especificamente solar, criticando os que ainda faziam alguma distinção entre ambos, embora já Homero o chamasse de Febo, brilhante. Também seu papel de guardião de rebanhos se tornou mais marcado do que se lê em Homero, e por extensão se tornou o protetor dos pastores. Também o declarou como o patrono das migrações dóricas. A faceta de seu caráter ligada à Justiça foi explorada de forma interessante na tragédia Eumênides, parte da trilogia Oresteia, de Ésquilo, retratando Apolo de forma ambígua. Primeiro o autor faz Tétis protestar, dizendo que Apolo estivera em seu festim, cantara para ela e lhe prometera a felicidade, e em seguida matara seu filho. Depois Orestes é obrigado por Apolo a assassinar a sua própria mãe Clitemnestra, mas ao fazer isso se tornou culpado de um crime contra o próprio sangue, um terrível tabu. Assim o personagem, apesar de ter cumprido um mandamento divino, é atormentado por uma fúria igualmente divina, personificada nas Erínias, até que Apolo intervém como seu advogado num julgamento em Atenas. Mas, não obstante a defesa de tão excelso advogado, o caso acabou empatado no júri. Orestes foi resgatado, no entanto, pelo voto de Atena favorável a si. Depois o próprio Apolo o purificou com o sangue de um porco. É válido assinalar que Platão, na República, teceu severas críticas contra esta maneira de retratar os deuses, dizendo que era indecorosa, falsa e nada de útil poderia trazer para a sociedade, nem podia ser bom exemplo para a formação dos jovens. Continuou dizendo que era um atrevimento e uma decadência fazer de um deus um personagem, atribuindo-lhes traços próprios dos homens, privando a arte, assim, de seu propósito ético e de sua capacidade como instrumento educativo. Ao mesmo tempo, na época de Platão já se tornara corrente uma visão de que Apolo era a antítese e o complemento de Dioniso, seu irmão, o deus dos excessos, das relações entre o corpo e a alma, da embriaguez, da orgia, das emoções descontroladas, da transgressão, dos mistérios ocultos, do teatro e das mênades, enquanto que Apolo passava a ser mais ligado à esfera racional, à vida cotidiana, à arte e à ordem social, preservando contudo seu papel de inspirador da profecia e portador da palavra divina, ou Logos, também um símbolo do espírito e do intelecto. Também para os iniciados nos mistérios órficos Apolo e Dioniso eram manifestações polares da mesma divindade. Como o arqueiro infalível e deus da luz, matador da serpente Píton, que era um símbolo das forças do mundo subterrâneo e do caos irracional, Apolo era uma imagem do iniciado que penetra nos mistérios da Natureza através da ciência e domina a animalidade da natureza humana através da vontade, do conhecimento e da disciplina; era, também por isso, o deus das expiações, purificações e penitências. Uma das versões de seu mito diz que ele mesmo, após matar o monstro Píton, que era não obstante uma criatura divina, teve de se purificar e fazer expiações por oito anos exilando-se no Vale do Tempe, sob a proteção de um loureiro. Sendo um deus curador e ligado à ordem social, por extensão foi associado com os ritos de passagem da infância para a idade adulta, tornando-se a imagem do educador ideal, provendo inspiração e instrução para o cultivo do corpo e da mente em um equilíbrio harmonioso e para uma correta inserção social do jovem na vida comunitária. Uma consequência destes atributos se reflete nas histórias em que Apolo tomou jovens amantes masculinos, como Jacinto e Ciparisso. Na cultura grega a homossexualidade masculina era socialmente aceita e incentivada, dentro de certos parâmetros bem definidos, e tinha funções pedagógicas e ritualísticas de grande importância. Um homem maduro, o erastes, fazia a corte a um jovem, o eromenos, tornando-o ao mesmo tempo amante e discípulo, iniciando-o nos mistérios da vida adulta e nas suas responsabilidades sociais. A própria forma do contato sexual estava sujeita a convenções. Assim que surgissem os sinais da puberdade o jovem era declarado adulto e a relação se rompia. Ele então casava com uma mulher, constituía família e assumia por sua vez o papel de erastes, tomando para si um jovem eromenos e continuando a tradição. Embora haja relatos de perversão deste sistema iniciático, com a busca do prazer assumindo a maior importância, idealmente era destinado a formar um homem disciplinado e moral. Onde Apolo era adorado sob o epíteto de Carneios (chifrudo), atos de pederastia em público eram parte do ritual religioso de iniciação masculina. Sobrevivem relatos sobre a invocação a Apolo antes da realização do ato homossexual, onde o erastes suplica ao deus que sua arete, virtude, seja transferida para o eromenos. Paralelamente, as representações de Apolo sempre como um homem jovem e imberbe apontam para seu caráter de efebo eterno, uma imagem da perene juventude. Proclo, em sua Teologia Platônica, estabeleceu uma hierarquia divina onde Apolo era uma emanação de Hélios e figurava, junto com Hermes e Afrodite, como uma deidade intermediária entre os deuses do universo primordial e da esfera superior e o mundo dos mortais, formando juntos uma trindade cujo atributo principal era os de elevar as almas humanas até eles mesmos. Hermes seria o responsável pela elevação da alma até o conhecimento do Bem, e Afrodite até o plano da Beleza. Apolo teria a função de elevar a alma até a esfera da Verdade e da Luz da Razão através da música, cuja virtude residia em sua capacidade de produzir harmonia e ritmo. As Musas seriam, nessa hierarquia, emanações secundárias de Apolo. Proclo mais tarde, em Filebo, sintetizou o conceito de Bem como englobando Verdade, Beleza e Simetria, e ligou esses três aspectos respectivamente a três formas de vida, a do filósofo, protegido de Hermes, a do amante, devoto de Afrodite, e a do músico, seguidor de Apolo, e ligou essas formas a três tipos de loucura produzida pela inspiração divina, respectivamente a mania profética e filosófica, a mania erótica e a mania poética. Entre os romanos, seu oráculo era conhecido desde o tempo dos reis, mas o culto só se consolidou sob o império de Augusto. Ovídio fez dele o conhecedor do passado, do presente e do futuro, e dono do poder de todas as ervas medicinais, Horácio cantou o deus mais alto que os deuses romanos, e Virgílio disse que na sequência das Idades do mundo a última seria regida por Apolo, o que era confirmado pelos célebres Livros Sibilinos, mas seu perfil era mais divulgado como curador e patrono das artes, e antes do que uma divindade real tinha mais um status de símbolo. Entretanto Augusto reavivou seu culto, colocou o Estado Romano sob a proteção de Apolo, mas identificado com Febo, a deidade solar romana, e ao longo dos séculos seguintes, por influência do Mitraísmo do Oriente, o culto se voltou mais para o Sol do que para Apolo propriamente dito, que teve suas múltiplas atribuições e seu antigo lugar preponderante entre os gregos resumidos à cura e à arte. Desde então tanto o poder religioso como o profano competiram pelo uso da simbologia solar. Com a ascensão do cristianismo os deuses pagãos caíram em progressivo esquecimento. Os Padres da Igreja e os filósofos cristãos contribuíram ativamente para esse processo, denunciando-os como falsos deuses. Lactâncio, por exemplo, ridicularizou os mitos de Apolo e dos demais deuses como uma impossibilidade óbvia - haviam nascido de uniões sexuais, o que via como inconciliável com a natureza divina, e dizia que se tratavam de simples mortais magnificados. Quanto a Apolo propriamente dito, Aristides analisou seu caráter e o acusou de estuprador, assassino e embusteiro, invejoso e iracundo, dizendo ainda ser um absurdo que alguém que não deveria reinar nem entre os mortais fosse considerado uma das potestades celestes. Entretanto, antes do ocaso final do paganismo autores como Celso atacaram o cristianismo em bases semelhantes às que usaram os cristãos para destruir o Panteão pagão, perguntando como uma virgem poderia ter concebido, e se ela o pôde fazer, por que os deuses pagãos não poderiam amar mulheres mortais da mesma forma e gerar descendência; além disso, o deus que figurava nas Escrituras judaico-cristãs, frequentemente irado, assassino e vingativo, também não podia ser considerado um exemplo de virtude. É de lembrar que mesmo entre toda a condenação do paganismo, a teologia paleocristã foi largamente devedora da filosofia e da metafísica clássicas, especialmente dos neoplatônicos, como se prova na leitura da literatura patrística e na própria Bíblia, onde o Evangelho de João abre com as frases: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens". Se diz que Cristo é a encarnação do Verbo, o que imediatamente remete à identificação grega de Apolo com a Palavra Divina através da profecia. A rigor Apolo não reivindica a profecia como sua; ele é um deus poderoso, mas subordinado a seu pai, Zeus, o deus supremo, e necessariamente se coloca muito próximo dele em sua função de seu porta-voz. Homero, em seu Hino a Apolo, faz Apolo dizer: "Possa a lira me ser cara, e também o arco encurvado, e para os homens eu proclamarei em oráculos o infalível conselho de Zeus", e no Hino a Apolo órfico o deus é descrito como "a luz da vida", de modo que as similaridades entre as teologias cristã e pagã são evidentes. A visão negativa da mitologia grega continuou ao longo de toda a Idade Média, e Apolo chegou a ser identificado com o Diabo. Mas a tradição popular de culto dos deuses solares era por demais arraigada para que seu significado pudesse ser obliterado pelos cristãos, e de fato vários dos atributos apolíneos foram transferidos para novos personagens da cena religiosa em mudança, numa "política de solarização", como referiu Christian Mandon. São Jerônimo orientou a liturgia do batismo dizendo que o cristão deveria morrer para o pecado e se voltar para o leste - onde nasce o sol - estabelecendo uma aliança com o "Sol da Justiça", o Cristo, em quem poderia renascer. Em torno do surgiu substituindo Apolo o culto do arcanjo São Miguel, cuja vitória sobre a "Antiga Serpente" - um dos nomes do Diabo - é o exemplo mais claro de paralelismo com a vitória de Apolo sobre a Píton. Seu culto se disseminou rapidamente na Idade Média, muitas vezes instituído sobre antigos santuários de Apolo, e em alguns lugares da Europa suplantou o do próprio Cristo. A associação entre ambos continuou viva pelos séculos seguintes. São Francisco de Assis compôs um hino em honra ao Irmão Sol onde dizia que o sol era a mais próxima imagem da divindade, e Petrarca elaborou uma teologia pessoal onde Cristo e Apolo aparecem ligados, numa imagem que penetra em todo o seu trabalho poético. Para Denis Cosgrove, o tema da ascensão de Cristo para o céu, onde ele se tornou o Pantocrator, o supremo governante, portando o globo, símbolo do poder imperial, e/ou o livro da Lei, imagem de sua onisciência e sabedoria, quando refletido através da herança greco-romana se consolidou numa teologia da universalidade do Cristianismo, que com sua luz universal redimia todos os povos, e não mais apenas o "povo eleito" dos judeus. Não deixa de ser simbólico o fato de que uma das mais expressivas representações clássicas de Apolo, o Apolo Belvedere, de Leocares, tenha sido reencontrado numa escavação arqueológica nesta época, suscitando o entusiasmo generalizado entre toda a intelectualidade europeia e influenciando gerações de artistas por séculos à frente. Neste momento Apolo, como deus da luz, da beleza, das artes e da razão, se tornou uma imagem tutelar para os artistas e teóricos da arte, que estavam engajados em desenvolver uma arte figurativa baseada no racionalismo, no estudo anatômico científico e na geometria, junto com uma concepção de arte como uma inspiração divina. Por sua interpretação como uma imagem da busca humana por um universo compreensível e organizado e por uma localização do homem nesta ordem cósmica, o mito de Apolo e Mársias foi objeto de representação renascentista particularmente copiosa, com mais de cem obras identificadas, uma tradição que continuou no Barroco. Também para os humanistas do Renascimento Apolo foi uma figura importante, muitas vezes associado a Cristo em seu caráter purificador e redentor. No terreno político, desde a época de Augusto se tornara um lugar-comum a associação do sol com o poder, a majestade e a glória régias, ao mesmo tempo em que essa associação pessoal do monarca com o astro do dia veio a ser um pretexto fácil para os potentados justificarem pretensões imperialistas e absolutistas. Essa ideologia foi renovada pelos príncipes renascentistas, que reivindicaram para si a posição sinóptica, universal e centralizadora de Apolo, estimulando a formação de um imaginário tingido pelas ideias de totalidade, transcendência, radiância e distanciamento intelectual, atualizando uma antiga tradição mas agora embasada em fontes originais redescobertas, e dando-lhe o caráter de novo projeto cultural. O caso mais típico dessa associação entre o sol e a monarquia na Idade Moderna foi o de Luís XIV da França, cognominado o "Rei-Sol", instaurando uma complexa ritualística cortesã para enfatizar sua condição exaltada e colocando toda a alta nobreza debaixo de seu controle direto. Nas artes de seu tempo a imagem do sol e a menção a Apolo são onipresentes, e o rei se apresentava publicamente em bailes e festas como uma personificação da divindade solar. Em tempos recentes o mito de Apolo continuou sendo trabalhado. Durante o Iluminismo seu papel de fonte da luz da Razão e dissipador da ignorância e do erro se tornou generalizadamente reconhecido, mas também a universalidade da sua luz deu margem a interpretações que justificavam a erradicação de potenciais divergências e particularismos individuais. Winckelmann, porém, o maior teórico dos neoclássicos, o colocou nas alturas, dizendo que a descrição de Apolo exige o estilo mais sublime: uma devoção a tudo o que se refira à humanidade. Com os românticos sua posição variou; Shelley o viu mais como um símbolo da tirania cultural e política, e Oscar Wilde o via como uma imagem da pureza do mundo natural em contraste com a decadência da civilização, mas entre os acadêmicos desde o se tornou patente a importância do estudo dos mitos para prover uma chave de interpretação da sociedade e do homem modernos, com estudos pioneiros realizados por Friedrich Max Müller no campo da Religião Comparada e Friedrich von Schelling na área da Filosofia da Mitologia, entre outros. Para Nietzsche, Apolo era o deus dos sonhos, em contraste com Dioniso, o deus das intoxicações, e ambos os estados eram para ele os protótipos originais de toda a arte (Urbilder), nos quais os instintos artísticos da Natureza, a Unidade Primordial, encontram sua suprema e imediata satisfação. Nietzsche acreditava que as figuras divinas gloriosas apareceram para os mortais primeiro em sonhos, e que o valor dos sonhos estava em que o homem esteticamente sensível mantinha uma relação com os sonhos que era a mesma que os filósofos mantinham com a realidade da existência; o homem sensível era, assim, também um observador da vida, pois as imagens oníricas forneciam uma interpretação para a sua vida, e por isso os sonhos eram vivenciados pelos homens como uma necessidade jubilosa e como uma fonte de prazer intenso. Seguia dizendo que a necessidade jubilosa da experiência onírica havia sido corporificada pelos gregos em seu Apolo, que se elevava então como a imagem gloriosa e o agente do processo de individuação, um processo que se caracteriza pelo equilíbrio e moderação, lembrando os ditos associados desde longa data a Apolo, inscritos no seu templo em Delfos, que recomendavam o autoconhecimento e a moderação. Em outras palavras, Apolo e Dioniso eram pólos complementares de uma mesma essência, e a desordem irracional, a vitalidade exuberante, a instabilidade e fugacidade das impressões dionisíacas deviam ser tornadas objetivas, fixas, compreensíveis e transmissíveis através do poder moderador, articulador e organizador de Apolo. Com sua teoria de contraste complementar entre o apolíneo e o dionisíaco - que de fato já era clara para os próprios gregos antigos - ele lançou as bases imediatas para sua elaboração posterior pela Psicologia, Estética, Arte e Filosofia modernas, numa discussão que continua até os dias de hoje e vem sendo trabalhada por grande número de autores, expandindo-a para outras áreas do saber. Para Carl Jung, Apolo representava uma tipologia psicológica específica, caracterizada pela introspecção, introversão e contemplação. James Hillman e William Guthrie consideraram o princípio apolíneo, ou pelo menos uma absorção de traços de seu perfil, como indispensável quando uma pessoa necessita de um senso de forma, de disciplina, de distanciamento, de clareza de pensamento e objetividade, e, para Gregory Nagy, Apolo é uma imagem da palavra à espera da concretização, de uma juventude que nunca chega à maturidade, de um homem que jamais supera o seu pai. Vincenzo Vitiello viu em Apolo uma prefiguração mítica do conceito de que toda a tradição filosófica do ocidente pode ser descrita como um esforço continuado para o desenvolvimento da faculdade de pensar. Também leu seu mito como um relato da violência necessária para a estruturação do cosmos a partir do caos. Trindade & Schwartz usaram as relações entre Têmis e Apolo para debater o processo de dessacralização do sistema judiciário moderno, considerando que Têmis dera a ambrosia e o néctar para Apolo em seu nascimento, e que ela era uma divindade tutelar anterior do oráculo que Apolo assumiu em Delfos. Para os autores, Têmis representa a Justiça em abstrato, e Apolo o instrumento de sua difusão entre os homens, mas através de uma sensibilidade que chamam de poética e divinamente inspirada. Diante do que veem como uma banalização tanto da Justiça como da Arte nos dias de hoje, advogam a restauração da conexão antiga entre Apolo e Têmis, a fim de que se reconduza as pessoas a um plano em que seja possível compreender a beleza da Lei, reconhecer a distinção entre certo e errado e aceitar a autoridade da Justiça como essencial para o processo civilizador, do qual Apolo é o símbolo. De acordo com Vilanova Artigas, Apolo é um símbolo da aceitação da sociedade como ela é, mas também de um projeto de melhoramento potencialmente infinito através da fidelidade a princípios de ordem, disciplina, consciência e lei, e das tecnologias que a cultura possa desenvolver, em benefício de todos. Mas para Cosgrove a imagem do universalismo apolíneo tem aspectos problemáticos para a contemporaneidade, tendo gerado políticas imperialistas que se por um lado foram importantes para consolidar um senso de identidade para os ocidentais, por outro repercutiram de forma negativa em outras regiões do planeta, com o resultado da dominação injustificada de outras nações pelos países do ocidente e a aparição de profundos dilemas éticos a respeito de direitos humanos, e também deram margem a ideias de domínio sobre a Natureza que trouxeram graves consequências para a ecologia mundial. Também o patriarcalismo que norteou a concepção apolinea representou uma fonte de opressão para o universo feminino. O autor, porém, pensa que a imagem de Apolo é excessivamente complexa e rica para ser reduzida a qualquer abordagem focal, e sua importância se prova pela imensa gama de ecos que produziu em inúmeras áreas da vida humana ao longo da história. Entre seus pontos positivos para a cultura contemporânea, para ele, está o de ser o modelo de um mundo integrado e harmônico, de uma esfera de beleza e vitalidade, banhada em uma visão beatífica e poética que não exclui o estímulo ao progresso científico, cujo testemunho mais óbvio foi a denominação do projeto espacial norteamericano de Programa Apollo. Apolo teve um grande número de amores, masculinos e femininos, mortais e imortais, mas geralmente não foi correspondido, ou quando foi, alguma tragédia interrompeu o romance. Aqui são citados apenas alguns, lembrando que de acordo com as várias fontes podem ser encontradas versões divergentes de cada história. Ovídio disse nas Metamorfoses que o primeiro amor de Apolo foi Dafne, uma ninfa, mas o amor acabou frustrado por Eros, que lançando sua flecha de chumbo contra a ninfa, fê-la rejeitar o deus, enquanto que dirigindo sua flecha de ouro para Apolo, provocou-lhe intensa paixão. Teve motivos para isso, pois Apolo havia desdenhado da habilidade do deus do amor com o arco e gabado suas próprias vitórias. Depois de ser incansavelmente perseguida por Apolo, Dafne suplicou para seu pai para que fosse transformada em um loureiro. Apolo declarou então que o loureiro seria sua árvore sagrada. Os vencedores dos Jogos recebiam uma coroa de folhas de loureiro. Ciparisso era especialmente afeiçoado a um cervo domesticado. Acidentalmente matou-o com seu dardo, e, inconsolável, pediu para Apolo, que o amava, para pranteá-lo para sempre. Apolo atendeu ao seu pedido transformando-o em cipreste, que tornou-se uma árvore símbolo do luto. Hermes e Apolo disputaram o amor de Quíone, por sua grande beleza. Temeroso que Apolo a ganhasse, Hermes tocou seus lábios com o caduceu, fê-la dormir e a possuiu. Não obstante, Apolo, disfarçado de uma velha, penetrou no seu quarto e a amou também. De Hermes Quione concebeu Autólico, e de Apolo, Filamon, mas orgulhou-se demasiado disso, julgando-se mais bela que Ártemis. Então a deusa injuriada a matou. O pai de Quíone, tomado pela dor, jogou-se de um penhasco, mas Apolo o transformou em uma águia feroz. Corônis lhe deu como filho Asclépio, mas o traiu, e por isso morreu pela seta do deus ultrajado. Asclépio, tornando-se um mestre na arte de curar tão poderoso que podia ressuscitar os mortos, ameaçava com isso o poder soberano de Zeus, ultrajava Têmis e roubava súditos a Hades, pelo que foi morto pelo raio de Zeus. Para vingar-se, como não podia voltar-se contra seu pai, Apolo matou os Ciclopes, que haviam forjado os raios, e por isso foi castigado. Deveria ter sido desterrado para o Tártaro, mas graças à interferência de sua mãe o castigo foi comutado em um ano de trabalhos forçados como um mortal para o rei Admeto. Sendo bem tratado pelo rei durante sua expiação, Apolo ajudou-o a obter Alceste e a ter uma vida mais longa que a que o destino lhe reservara. Uma versão da história a amplia, e diz que enquanto Apolo estava entre os mortais ensinou-lhes a música, a dança e todas as artes e ofícios que tornam a vida mais agradável; ensinou às pessoas também os jogos atléticos, a caça, a contemplação da natureza e a percepção de suas belezas próprias, e todo o dia parecia um dia de festa. Os deuses, vendo que a vida na Terra se tornava mais aprazível que a sua, chamaram de volta Apolo para o Olimpo. Também disputou o amor de Marpessa com Idas, e Zeus ordenou que ela escolhesse entre ambos. Temendo ser rejeitada quando ficasse velha e perdesse sua beleza, ela decidiu por Idas. Desejou a princesa troiana Cassandra, e deu-lhe como presente o dom da profecia. Mesmo assim ela repudiou o deus, e Apolo a puniu fazendo com que ninguém acreditasse nela, embora suas profecias se revelassem depois sempre verdadeiras. Destino semelhante teve a Sibila de Cumas, que exigiu o prolongamento de sua vida em tantos anos quantos os grãos de areia que tinha na mão. Concedido o favor, ela negou seu amor, e então Apolo não revogou-lhe o dom, mas fez com que sua beleza e juventude não fossem preservadas ao longo de sua vida de milênios, envelhecendo até se tornar uma criatura horrenda, seca e encarquilhada, escondida dentro de um vaso, cujo único desejo era morrer. Entretanto, Apolo foi feliz com Cirene, uma ninfa, tendo o filho Aristeu, que se tornou uma deidade da vegetação e agricultura. Amou tão intensamente o formoso Jacinto que, segundo Ovídio, esqueceu de si mesmo, do arco e da lira, e passava todo o seu tempo longe de Delfos entretendo-se com o jovem. Mas Jacinto também era o predileto do vento Zéfiro, que invejoso da primazia de Apolo sobre o coração do jovem, num dia em que eles jogavam o disco, desviou o lance de Apolo, e o disco atingiu Jacinto, matando-o. Cheio de tristeza, Apolo impediu que ele fosse levado por Hades, e o transformou em uma flor que recebeu seu nome. Uma das lágrimas de Apolo tocou numa das pétalas, deixando uma marca. Jacinto mais tarde recebeu um culto próprio importante, especialmente cultivado em Esparta, e festivais dedicados a ele ainda sobrevivem nos dias de hoje. Com Creusa gerou Íon, o fundador mítico do povo jônico. De Dríope gerou Anfiso; Depois do esquartejamento de Orfeu, Apolo impediu que uma serpente comesse sua cabeça, transformando o réptil em pedra. Apolo matou os filhos de Níobe, vingando a ofensa que esta havia proferido contra sua mãe Leto, gabando-se de ter muitos filhos, enquanto Leto havia tido apenas dois. Matou também os Aloídas, gigantes filhos de Posídon, que ameaçavam o Olimpo Enviou duas serpentes para matar seu sacerdote Laocoonte e seus filhos, pois ele o havia ofendido quebrando seu voto de castidade. Quanto à música, há uma lenda a respeito da origem da lira e da siringe, uma espécie de flauta. Enquanto servia o rei Admeto, Apolo enamorou-se de Himeneu a ponto de esquecer seu trabalho como guardador dos rebanhos do rei. Aproveitando-se disso, Hermes, seu irmão por parte de Zeus, roubou o gado. Apolo o acusou junto a Maia, mãe de Hermes, mas ela não lhe deu fé. Zeus então ordenou que Hermes devolvesse as reses, mas Apolo o viu tocando a lira, que ele havia inventado afeiçoando o casco de uma tartaruga como o corpo do instrumento, e usando tripas de vaca como suas cordas. Apolo ficou tão encantado que em troca do gado a pediu para si. Mais tarde Hermes inventou a siringe, que Apolo também desejou para si, mas em retorno Hermes exigiu que seu irmão lhe ensinasse a arte da profecia, Apolo discordou, pois não era lícito que nenhum outro deus usufruir do dom da profecia, porém indicou-o aprender esta arte com as Trías que viviam no Monte Parnasso. Indicou o caminho, e deu ainda para Hermes seu cajado de pastor, que se transformou no caduceu hermético. Apolo competiu em um concurso musical com Cíniras, seu filho, que perdeu e cometeu por isso o suicídio. Competiu também com o sátiro Mársias, e foi ajustado de antemão que se Mársias perdesse, seria esfolado vivo. Perdeu, e sofreu a consequência trágica. Toda a natureza chorou Mársias, e suas lágrimas, colhidas pela terra, drenaram para suas veias exangues, e ele se transformou em um rio, que recebeu seu nome. Competiu também com Pã, quando foi juiz o rei Midas. Dando Pã como vencedor, Midas foi punido pelo deus da música recebendo orelhas de burro. Música, dança, divinação, procissões, sacrifícios e rituais purificatórios tinham parte central em seu culto em todos os lugares, e o hino dedicado especialmente a Apolo era o peã, mas as formas específicas variavam de acordo com o local e suas associações com alguma faceta especial do deus, e com a época do ano, e não se pode imaginar um sistema homogêneo, considerando a extensão do período histórico em que foi cultuado, a vasta região que abrangeu e os vários sincretismos que sua imagem sofreu. Há relatos desde grandes festivais pan-helênicos até oferendas simples de indivíduos, e adiante são citadas algumas festas e ritos a título de exemplo. Apesar de a lenda dizer que seu primeiro local de culto foi Delos, a ilha onde nascera, achados arqueológicos sugerem que o mais antigo templo de Apolo possivelmente foi construído em Naxos, no final do, uma estrutura relativamente simples, mas que possuía uma estátua de culto do deus de dimensões colossais, com cerca de seis metros de altura, que se preservou de forma fragmentária. Somente no final do os gregos dominaram Delos, e então ergueram ali um santuário para Apolo que veio a adquirir grande importância, também em virtude da condição da ilha de sede da Liga de Delos. Em os gregos consagraram toda a ilha ao culto, e por causa do seu caráter sagrado, nascimentos e mortes eram proibidos, e todas as gestantes perto de darem à luz e doentes graves deviam abandoná-la. Também reconstruíram e ampliaram o templo primitivo e instituíram um grande festival para Apolo que reunia as cidades da Liga a cada quatro anos, e outro a cada seis anos. Anualmente os membros da Liga enviavam para Delos um coro de quatorze jovens num navio consagrado, que reconstituía a chegada mítica de Teseu à ilha de Creta para matar o Minotauro, acompanhado dos sete mancebos e sete virgens enviados em sacrifício. Segundo a tradição, os jovens haviam prometido, se Teseu derrotasse o monstro e eles sobrevivessem, que enviariam todos os anos um navio-oferenda para perpetuar a memória da façanha. As famílias que se diziam seus descendentes mantiveram o costume, e era uma cerimônia cercada de grande sacralidade. Desde a partida do navio, após a bênção solene do sacerdote de Apolo, até seu retorno, as execuções eram proibidas. O Apolo Délio se tornou muito venerado em Atenas, ao lado do Apolo Pítio. Ao longo do domínio helenista seu prestígio permaneceu e mesmo cresceu, chegando ao seu pico em torno do, mas em a ilha foi devastada pelas tropas do rei do Ponto. Segundo Demóstenes, Atenas tinha Apolo Pítio como seu ancestral, e ali ele foi sempre cultuado. Um dos festivais mais conhecidos era o da Thargelia, celebrado em Atenas e cidades gregas da Ásia no mês de Targélio, maio. Era basicamente um rito purificatório, às vezes combinado a ritos de fertilidade celebrando as colheitas. Iniciava com a escolha de duas pessoas, que serviriam de bodes expiatórios para a coletividade, os fármacos (pharmákoi), que seriam banidos para sempre, e era necessário que eles oferecessem a si mesmos voluntariamente. Apesar do sacrifício que isso envolvia, os fármacos não ganhavam nenhum respeito da população, ao contrário, eram tratados da forma mais indigna. Recebiam colares de figos secos e eram a seguir expulsos da cidade com pancadas de ramos de figueira, acreditando-se que carregariam com eles todo o mal de lá. Contudo, ganhavam provisões para um ano. Enquanto isso acontecia, se realizava uma procissão onde se apresentavam os frutos da terra entre cantos de hinos a Apolo. É possível que esses frutos fossem consumidos no festival, e que se realizasse ao mesmo tempo um rito em honra a Deméter, mas as fontes não são claras a respeito. Outro festival era o da Pianópsia, quando se levava em procissão geral um ramo de oliveira enfeitado com um tecido de lã e vários tipos de frutos. Várias procissões privadas aconteciam no mesmo momento, e as portas das casas eram adornadas com um ramo semelhante que permanecia ali ao longo de todo o ano, renovado na festa seguinte. O significado exato do festival é obscuro, pode ter sido uma ação de graças pelo bom resultado das colheitas, uma vez que ele era realizado no outono, quando as safras já estavam no fim. e ele era honrado com sacrifícios e preces antes de cada assembléia pública, junto com outros deuses. Quando os atenienses enviavam oficialmente suas oferendas para Delfos, a procissão era precedida de dois homens portando machados, reencenando a lenda que dizia Apolo ter desbravado o terreno para a fundação da cidade e reafirmando o caráter civilizador do deus. Outro festival ateniense era a Bedrômia, que agradecia a assistência de Apolo durante as guerras. Algumas versões do mito dizem que desde antes da chegada de Apolo havia um oráculo instalado na encosta do monte Parnaso, consagrado a Gaia, e cuja profetisa era Têmis ou Febe. Mais tarde ele teria passado para a presidência de Posídon, e somente em data relativamente tardia teria sido assumido por Apolo. Essa versão é confirmada pela evidência arqueológica, havendo sido encontrados ali artefatos sacros de data tão antiga quanto c. Tomlinson acredita que Delfos permaneceu como um santuário de âmbito apenas local até o, quando foi dedicado a Apolo e começou a adquirir importância, mas não há consenso entre os historiadores; De Boer & Hale, e também Malkin, fazem sua influência pan-helênica recuar para o, quando ele já teria sido consultado sobre projetos de fundação de colônias distantes. Ésquilo, que era filho de um sacerdote de Elêusis e ele mesmo um iniciado em seus Mistérios, também suportava essa visão de dedicações sucessivas, e disse que certa vez a pitonisa o havia confirmado. Diodoro Sículo disse a origem da sacralidade do lugar se deve a que certa vez um pastor foi procurar suas cabras perdidas e, entrando numa gruta, ficou inebriado com estranhos vapores e pôde ver o passado e o futuro. Relatando o fato aos seus companheiros, ergueram um altar, pois consideraram os fenômenos como sinal da presença divina, e escolheram uma virgem para assumir a função de profetisa. O santuário délfico mais recente, quando já era presidido por Apolo, foi construído no fim do, em uma série de terraços interligados por uma Via Sacra, que era usada como caminho de procissões, culminando no terraço do templo propriamente dito, uma estrutura dórica erguida a mando de Clístenes, que foi destruída por uma avalanche no . Foi então reconstruído no mesmo local uma estrutura idêntica à anterior, financiado por toda a Grécia. Ao longo da Via Sacra foram com o tempo erguidas várias capelas, chamadas de tesouros, por cada cidade grega, e serviam como depósitos das oferendas para Apolo. Algumas eram ricamente ornamentadas, como os tesouros de Sifno e de Atenas. Também foi erguido um muro em torno de toda a área, além de oratórios menores, um estádio, um teatro, casas para os sacerdotes e para as pitonisas, memoriais e outras estruturas. As pitonisas proferiam seus oráculos em um estado de transe, sentadas sobre uma trípode que ficava sobre uma fenda rochosa no solo de onde saíam vapores subterrâneos, depois de mascarem folhas de loureiro e beberem água da fonte sagrada. Só profetizavam nove vezes por ano, no sétimo dia após a lua nova. Aristófanes disse que quando a pitonisa proferia o oráculo o loureiro sagrado era agitado em uma encenação orgiástica, e Diodoro mencionou o sacrifício de bodes, cuja presença é documentada por moedas cunhadas em Delfos. Essa forma de divinação não era típica de deuses solares mas era comum a outras divindades ctônicas, e isso parece indicar sua ligação com os cultos primitivos dedicados a Gaia e outras deidades da terra e do mundo subterrâneo. Também foi sugerido que isso indica uma origem cretense ou oriental para o rito. Estudos recentes têm sugerido que certos gases tóxicos emanados de fissuras subterrâneas exatamente no local do templo podem ser uma explicação para a origem do estado alterado de consciência das pitonisas. Em anos recentes foi desenvolvida uma técnica de estimação de probabilidades e sincronismos futuros, chamada Método Delphi, inspirada pela atividade do oráculo. A técnica é usada especialmente "quando não se possuem dados em quantidade suficiente ou fidedignos para que se possa fazer uma extrapolação ou, ainda, quando existem expectativas de mudanças estruturais nos fatores determinantes do desencadeamento futuro". Delfos era considerada o centro do mundo e o umbigo da Terra estava dentro do templo, simbolizado pela pedra do ônfalo (umbigo). Desta forma Delfos era uma imagem de estabilidade numa cultura definida por um aglomerado de cidades e grupos étnicos independentes, e estruturava toda a cosmografia grega num plano de círculos concêntricos de graus decrescentes de civilização que era reproduzido em escala menor em cada pólis. Os gregos viviam no círculo central, e para eles além viviam os estrangeiros, seguidos pelos bárbaros, os selvagens e finalmente os monstros. Envolvendo o mundo conhecido havia um círculo cósmico formado pelas águas infinitas do oceano, de onde se originavam os quatro ventos e onde residiam os povos míticos. A cada inverno Apolo viajava até os país dos Hiperbóreos, que segundo algumas lendas haviam ajudado o deus na fundação de Delfos, um povo eterno e não sujeito aos males da humanidade e que Heródoto considerava todo composto por sacerdotes de Apolo. Esta peregrinação mítica era um símbolo da sucessão das estações, regidas pelo deus através do deslocamento aparente da posição do sol no céu ao longo do ano, e criava um elo entre o mundo dos homens e as forças dos mundos superiores. O Oráculo de Delfos se tornou o grande árbitro e legislador de toda a Grécia. Não tomava a iniciativa de impor regras ou políticas, mas quando surgia alguma questão delicada as cidades frequentemente o consultavam, para resolver disputas e guerras, quando desejavam criar legislação ou fundar colônias, e quando precisavam instrução sobre saúde e bem-estar coletivos na emergência de pragas e outras calamidades, quando o deus informava sobre os ritos purificatórios e sacrifícios necessários para afastar o mal. Também impunha penalidades para maus governantes e regulava os requisitos para admissão em cargos públicos. Suas decisões eram geralmente acatadas, e quando não o eram, desastres imprevistos podiam suceder. O oráculo adquiriu tamanha autoridade e o respeito de todos os gregos não apenas porque era a voz de um deus, mas porque conseguiu se manter relativamente neutro em todos os conflitos públicos que administrou. Para os indivíduos, suas respostas incentivavam a reflexão e o autoexame. O santuário permaneceu em atividade ao longo dos períodos helenista e romano, e o oráculo foi consultado e respeitado até o, mas com a progressiva penetração do cristianismo caiu em abandono. Foram feitas algumas tentativas de restaurá-lo, mas com a conversão do Império Romano ao cristianismo elas perderam o sentido. O imperador Juliano, o Apóstata, tentou revitalizá-lo em torno de quanto quis restaurar o paganismo no império, mas então o próprio oráculo falou aos enviados imperiais: "Digam ao imperador que minha casa ruiu até o alicerce. Apolo já não mora aqui, nem a luz de sua profecia, e a água de sua fonte secou". Sobrevivem duas peças de música dedicadas ao Apolo Délfico, dois hinos encontrados em inscrições em pedra no santuário, mas não se sabe como eram executados. A transcrição da notação musical grega ainda tem muitas incógnitas, além disso estão em forma fragmentária, e a reconstrução de que se dispõe hoje das melodias é conjetural. De qualquer forma estão entre as mais antigas partituras conhecidas no ocidente. O primeiro hino foi escrito por um ateniense anônimo em torno de, e foi descoberto em 1893 por Pierre de Coubertin. O segundo hino foi composto por Limenios, em torno de ; Música do Primeiro Hino Délfico (versão midi) Apolo era conhecido pelos romanos desde uma idade recuada, e ainda durante o reinado o Oráculo de Delfos já era consultado, mas seu culto só foi instituído em Roma no ano de, quando ele foi invocado para evitar uma praga, construindo-se um templo nos Campos Flamínios dedicado a Apolo Sosiano. Um segundo templo foi erguido em, e durante a II Guerra Púnica foram instituídos Jogos Apolíneos. Mas Apolo não conheceu grande popularidade entre os romanos senão durante o império de Augusto, que colocou a si e ao Estado sob sua proteção, homenageou-o instituindo Jogos quinquenais, ampliando seu templo e doando-lhe riquezas conquistadas na Batalha de Áccio, que se tornou a sede da culminação dos Jogos seculares celebrados no ano 17 para comemorar o início de uma nova era, quando o poeta Horácio celebrou Apolo e sua irmã Diana (Ártemis) acima de todos os deuses romanos. Apolo era conhecido pelos etruscos sob os nomes de Apulu ou Aplu. Até onde se pôde descobrir, dada a ausência de testemunhos literários, teve um papel importante na religião etrusca, e seus atributos eram em tudo semelhantes aos gregos. Não são conhecidas muitas representações, mas sobrevive uma estátua de Apulu em terracota policroma em tamanho natural de qualidade superior, o chamado Apulu de Veios, criada talvez pelo escultor Vulca para os romanos em torno de Encontrada em 1916, foi de grande importância para a reavaliação da arte etrusca no . Plínio, o Velho, a descreveu como a mais bela estátua de seu tempo, e que era mais estimada do que ouro. Apolo, como outras deidades, tinha diversos títulos, que lhe eram aplicados para refletir a diversidade de seus papéis, obrigações e aspectos. Aqui segue uma lista parcial, que exclui epítetos toponímicos. Epítetos gregos Aguieu, protetor da entrada das casas; Egletes, radiante, Febo, brilhante; Lício ou Liceu, luminoso; matador de lobos, ou Licégena, nascido de uma loba ou nascido na Lícia; Acestor, Acésio, Alexícaco, Apotropeu, Iatromante, Epicuro, Paian, todos ligados à sua capacidade de prover a saúde e afastar o mal; Mântico, profeta; Arcágeta, diretor da fundação, por ser fundador das muralhas de Mégara; Esminteu, caçador de ratos; Nômio, andarilho; Delfínio, do útero, que associa Apolo com Delfos;). Era associado ao atributo de regente da Idade Dourada. Parnópio, salta-montes; Carneios, chifrudo; Afétoro, deus do arco; Argirotoxo, do arco de prata; Hecergo ou Hecébolo, que atira longe, referindo às suas flechas; Ninfágeta, líder das ninfas; Clário, doador de terras, por sua supervisão sobre as cidades e colônias; Muságeta, líder das musas. Epítetos romanos Médico; Lesquenório, porque presidia as assembleias poéticas e musicais e as reuniões das musas. Epítetos celtas Atepômaro, grande ginete, ou dono de um grande cavalo; Beleno, belo ou brilhante; Grano, Vindônio, brilhante; Borvo, quente, borbulhante, patrono das fontes termais; Maponos, grande mancebo, filho divino; Morigasto, marítimo; Além da importante presença simbólica de Apolo no mundo de hoje, já abordada na seção sobre seu mito, deve ser mencionada a recente ressurgência do seu culto efetivo através da proliferação de credos neopagãos na cultura Nova Era. Já existe uma série de ritos estabelecidos para este novo culto de Apolo, e Vasilios Makrides nota que setores conservadores da Igreja Ortodoxa grega estão atualmente a denunciar um suposto projeto "oficial" de paganização da Grécia, tornado evidente para eles através da renovação do ensino da mitologia e da introdução de literatura neopagã nas escolas, da atribuição de nomes de deidades pagãs para ruas e parques públicos, da ereção de estátuas de Apolo e outros deuses na Academia de Atenas, da emissão de selos como efígies de deuses, da organização de festivais revivalistas em Delfos e da criação ali de um centro cultural internacional para a promoção do espírito délfico de cooperação internacional, apenas para citar algumas das medidas adotadas de fato pelas instâncias governamentais gregas. Diversos pregadores ortodoxos têm protestado também contra a introdução de elementos pagãos nas Olimpíadas recentes, e já houve enfrentamentos violentos entre ambas as facções, que tiveram de ser administrados pelo poder público, o que parece provar que o neopaganismo já se torna, na Grécia contemporânea, uma força social de significativa influência. Tais cultos neopagãos fazem em linhas gerais uma crítica ao monoteísmo cristão-judaico e propõem uma ressacralização do mundo natural e uma reintegração do homem a ele de uma forma espontânea, desvestida de um dogmatismo religioso que julgam limitador da plena expressão da natureza humana como ela é e da percepção do divino em todo o mundo manifesto. Para Alain de Benoit o Paganismo moderno prima pela tolerância e respeito pelas diferenças, e antes do que constituir um passadismo romântico ou uma utopia - apesar de muitas de suas manifestações atuais serem, para ele, ingênuas, quando não patéticas - se baseia numa concepção não-linear da história, numa escolha deliberada por uma vida mais autêntica, integrada e harmoniosa, num desejo de corrigir a oposição dualista entre homem e Deus que contamina o monoteísmo, trazendo o divino para o mundo do cotidiano, e aponta para a efetiva eternidade dos mitos e da vida que eles animam. As estátuas e pinturas de Apolo o mostram como um homem jovem, no auge de sua força e beleza. Muitas vezes está nu, ou veste um manto. Pode trazer uma coroa de louros na cabeça, o arco e flechas, uma cítara ou lira nas mãos. Às vezes a serpente Píton também é representada, ou algum outro de seus animais simbólicos, como o grifo e o corvo. Nas pinturas e mosaicos pode ter uma coroa de raios de luz ou um halo. Suas primeiras representações conhecidas datam do, onde ele aparece esquematicamente, sob a forma de um pilar cônico de pedra, sob o epíteto de Apolo Aguieu, o protetor dos caminhos, ou na forma de uma herma, em geral um pilar com uma cabeça no topo. Em Esparta foi encontrada uma imagem única, desaparecida em tempos modernos, um relevo que o representava com quatro braços e quatro orelhas, segurando em cada mão um manto, um ramo de oliveira, um arco e uma pátera. Também são conhecidos relatos literários de estátuas primitivas em madeira e estatuetas em bronze. Representações mais acabadas aparecem em meados do, entre elas uma estátua criada por Dipeno e Escílis, seguindo a tipologia abstratizante do kouros do período arcaico, e nesta época ele já estava firmemente associado com os ideais de beleza, juventude, força e virtude sintetizados no conceito da kalokagathia. De fato é possível que a simbologia apolínea tenha desempenhado um papel determinante na cristalização de toda a tipologia do kouros, e exercido assim uma influência central para toda a evolução subsequente da representação masculina na escultura grega. Apenas do sítio arqueológico do santuário de Apolo Ptoos na Beócia foram recuperados cerca de 120 kouroi. O Apolo arcaico mais célebre foi uma estátua em mármore produzida por Cânaco para o templo de Dídimos perto de Mileto, em torno do fim do Na invasão persa foi capturada e levada para Ecbátana, sendo devolvida depois. Diversas moedas mostram essa estátua, e possivelmente foi reproduzida em bronze em tamanho menor. O conhecido Apolo de Piombino pode tratar-se de uma dessas cópias. Do período severo, em sequência, sobrevivem algumas obras muito significativas, o Apolo Alexícaco, o que afasta o mal, de autoria de Cálamis, o Apolo de Mântua, atribuído a Hegias, e o Apolo do Mestre de Olímpia, instalado no frontão do templo de Zeus em Olímpia, já mostrando um trabalho de observação da anatomia humana muito mais detalhado. Algumas peças deste período também introduzem variações na figura, cobrindo-o de mantos que escondem sua nudez. Poucas evidências restam do período do alto classicismo, sabe-se que Fídias produziu vários Apolos, mas não chegaram a nossos dias, salvo o Apolo de Cassel e o Apolo do Tibre, cuja atribuição não é totalmente garantida, mas dos períodos clássico tardio, helenista e romano os museus guardam diversas peças, entre elas o célebre Apolo Belvedere, de Leocares, talvez a mais afamada de todas as estátuas de Apolo, o Apolo Sauróctono e o Apolo Liceu, de Praxíteles, e várias versões do Apolo Citaredo, das quais são importantes as dos Museus Capitolinos, do Museu Britânico, da Gliptoteca Ny Carlsberg, do Museu Pergamon e do Museu Nacional Romano. Também são notáveis as representações pictóricas do deus, encontradas em grande número de vasos de todos os períodos, ilustrando vários episódios de seu mito. Sua figura, através da expansão helenística para o oriente, foi uma influência na cristalização da iconografia do Buda desenvolvida pela escola de Gandara, na Índia. Depois de um eclipse ao longo da Idade Média, no Renascimento voltou a ser representado com frequência, em todos os ramos da arte e da literatura, e continua a sê-lo nos dias de hoje. Entre os pintores célebres que deixaram obras sobre ele se contam Andrea Mantegna, Lucas Cranach, Piero Pollaiuolo, Dosso Dossi, Palma il Giovane, Rafael Sanzio, Giovanni Battista Tiepolo, Pompeo Batoni, Claude Lorrain, Diego Velázquez e José de Ribera.[ Entre os escultores, Baccio Bandinelli, Adriaen de Vries, Gian Lorenzo Bernini, Nicolas Coustou e Jean-Antoine Houdon.[ Cite-se também alguns exemplos literários - além dos poetas clássicos mencionados antes: Friedrich Schiller, Jonathan Swift, e Camões escreveram poemas para ele; foi citado várias vezes em obras de Dante Alighieri, Lope de Vega, Shakespeare, Cervantes, Chesterton, Alexander Pope, John Milton, Coleridge, Charles Dickens, Victor Hugo, Nathaniel Hawthorne e Oscar Wilde, entre muitos outros. Na música apareceu nas óperas L'Orfeo de Claudio Monteverdi, La descente d'Orphée aux enfers de Marc-Antoine Charpentier, Apollo e Dafne de Haendel e Apollo et Hyacinthus de Mozart, e no bailado Apollon Musagète de Igor Stravinsky, entre outras peças. O deus é invocado ainda hoje quando os médicos fazem o Juramento de Hipócrates, e seu nome é usado atualmente para identificar uma infinidade de empresas, casas de espetáculo, instituições e produtos comerciais em todo o mundo. É nome de pessoas e famílias, de um grupo de asteroides, de cidades - Apolo (Bolívia), Apollo (Pensilvânia) -, de uma borboleta (Parnassius apollo), de uma proteína humana e de uma variedade de aspargo, e o conhecido programa espacial norteamericano Apollo foi denominado à lembrança do deus grego. Imagem:Apollo Olympia.jpg|Apolo do Mestre de Olímpia, c. Museu Arqueológico de Olímpia Imagem:Apollo ny carlsberg glyptotek.jpg|Apolo citaredo, obra romana, c. Gliptoteca Ny Carlsberg, Copenhagen Imagem:Baccio Bandinelli-2-Boboli Gardens.jpg|Baccio Bandinelli: Apolo, 1552-1556 Palácio Pitti, Florença Imagem:Nymphenburg-Statue-12a.jpg|Anton Boos: Apolo com a cítara, 1785, Schloss Nymphenburg Imagem:Apollon opera Garnier n3.jpg|Aimé Millet: Apolo entre as Musas da Poesia e da Música, c. 1860–1869. Ópera Garnier, Paris Imagem:Charles Meynier - Apollo Belvedere in a Landscape.jpg|Charles Meynier: Apolo de Belvèdère Museu da Revolução Francesa
Os aruaques, também conhecidos como aravaques e arauaques, são um grupo de povos indígenas do norte da América do Sul e do Caribe. Suas línguas pertencem à família linguística aruaque (de arawak, "comedor de farinha"). Especificamente, o termo "aruaque" foi aplicado em vários momentos, desde os locono da América do Sul até os taíno, que viviam nas Grandes Antilhas e no norte das Pequenas Antilhas, no Caribe. Todos esses grupos falavam línguas aruaques relacionadas. Foram encontrados em diferentes partes da América do Sul - Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana, Paraguai, Peru, Venezuela e Antilhas. No tronco linguístico aruaque (arahuaco em espanhol; aportuguesado como "aruaque"), estão catalogadas 74 línguas de vários povos indígenas do Brasil, dentre as quais a língua tariana, a língua palicur, a língua baníua, a língua terena e a língua iaualapiti. Os primeiros exploradores e administradores espanhóis usaram os termos aruaque e caribes para distinguir os povos do Caribe, com caribe reservado para grupos indígenas que consideravam hostis e aruaque para grupos que consideravam amigáveis. Em 1871, o etnólogo Daniel Garrison Brinton propôs chamar a população caribenha de "Ilha Aruaque" por causa de suas semelhanças culturais e linguísticas com os aruaques continentais. Os estudiosos subsequentes encurtaram esta convenção para "Aruaque", criando confusão entre os grupos insulares e continentais. No século XX, estudiosos como Irving Rouse voltaram a usar "Taíno" para designar o grupo caribenho para enfatizar sua cultura e idioma distintos. No fim do século XV, os aruaques encontravam-se dispersos pela Amazônia, nas Antilhas, Bahamas, na Flórida e nos contrafortes da Cordilheira dos Andes. Os grupos mais conhecidos são os taínos, que viviam principalmente na ilha de Hispaniola, em Porto Rico e na parte oriental de Cuba. Os que povoavam as Bahamas foram chamados lucaianos (lukku-cairi ou "povo da ilha"). Trata-se de populações neolíticas praticantes da agricultura, da pesca e da coleta. Produziam também uma cerâmica extremamente rica em adornos e pinturas brancas, negras e amarelas. As populações ameríndias das Antilhas não conheciam a escrita. As línguas aruaques podem ter surgido no vale do rio Orinoco, na atual Venezuela. Posteriormente, eles se espalharam amplamente, tornando-se de longe a família linguística mais extensa da América do Sul na época do contato europeu, com falantes localizados em diversas áreas ao longo dos rios Orinoco e Amazonas e seus afluentes. O grupo que se auto-identificou como aruaque, também conhecido como locono, colonizou as áreas costeiras do que hoje é a Guiana, Suriname, Granada, Bahamas, Jamaica e partes das ilhas de Trinidad e Tobago. Michael Heckenberger, um antropólogo da Universidade da Flórida que ajudou a fundar o Projeto Amazônia Central, e sua equipe encontraram cerâmica elaborada, aldeias circundadas, campos elevados, grandes montes e evidências de redes comerciais regionais que são todos indicadores de uma cultura complexa. Há também evidências de que modificaram o solo utilizando diversas técnicas, como a adição de carvão para transformá-lo em terra preta, que ainda hoje é famosa pela sua produtividade agrícola. O milho e a batata-doce eram as suas principais culturas, embora também cultivassem mandioca e yautia. Os aruaques pescavam com redes feitas de fibras, ossos, anzóis e arpões. De acordo com Heckenberger, a cerâmica e outros traços culturais mostram que essas pessoas pertenciam à família linguística aruaque, um grupo que incluía os taínos, os primeiros nativos americanos que Colombo encontrou. Foi o maior grupo linguístico que já existiu na América pré-colombiana. Em algum momento, a cultura taíno, de língua aruaque, surgiu no Caribe. Dois modelos principais foram apresentados para explicar a chegada dos ancestrais taíno às ilhas; o modelo "Circum-Caribe" sugere uma origem nos Andes colombianos ligada ao povo arhuaco, enquanto o modelo amazônico apóia uma origem na bacia amazônica, onde as línguas aruaque se desenvolveram. Os taínos estiveram entre os primeiros americanos a encontrar os europeus. Cristóvão Colombo visitou várias ilhas e chefias em sua primeira viagem em 1492, que foi seguida pelo estabelecimento de La Navidad naquele mesmo ano, na costa nordeste de Hispaniola, o primeiro assentamento espanhol na América. As relações entre os espanhóis e os taínos acabariam por tomar um rumo amargo. Alguns dos chefes de nível inferior taínos pareciam ter atribuído uma origem sobrenatural aos exploradores. Quando Colombo retornou a La Navidad em sua segunda viagem, ele descobriu que o assentamento havia sido incendiado e todos os 39 homens que ele havia deixado lá foram mortos. Com o estabelecimento de um segundo assentamento, La Isabella, e a descoberta de jazidas de ouro na ilha, a população de colonos espanhóis em Hispaniola começou a crescer substancialmente, enquanto doenças e conflitos com os espanhóis começaram a matar dezenas de milhares de taínos todos os anos. Em 1504, os espanhóis derrubaram a última chefia cacique taíno em Hispaniola e estabeleceram firmemente a autoridade suprema dos colonos espanhóis sobre os agora subjugados taínos. Durante a década seguinte, os colonos espanhóis presidiram um genocídio dos taínos restantes em Hispaniola, que sofreram escravização, massacres ou exposição a doenças. A influência taíno sobreviveu até hoje, como pode ser visto nas religiões, línguas e música das culturas caribenhas. Os loconos e outros grupos sul-americanos resistiram à colonização por um período mais longo, e os espanhóis permaneceram incapazes de subjugá-los ao longo do século XVI. No início do século XVII, aliaram-se aos espanhóis contra os vizinhos calina (caribes), que se aliaram aos ingleses e holandeses. Os loconos se beneficiaram do comércio com potências europeias no início do século XIX, mas sofreram posteriormente com mudanças económicas e sociais na sua região, incluindo o fim da economia de plantation. A sua população diminuiu até ao século XX, quando começou a aumentar novamente. A maior parte dos aruaques das Antilhas morreu ou dissipou-se por casamento a conquista espanhola. Na América do Sul, os grupos de língua aruaque são difundidos, desde o sudoeste do Brasil até as Guianas, no norte, representando uma ampla gama de culturas. Eles são encontrados principalmente nas áreas de floresta tropical ao norte da Amazônia. Tal como aconteceu com todos os povos nativos amazônicos, o contacto com a colonização europeia levou à mudança cultural e ao despovoamento entre estes grupos.
América do Norte é um continente nos hemisférios Norte e Ocidental da Terra. Segundo a definição das Nações Unidas e sua divisão de estatísticas, a América do Norte é limitada ao norte pelo Oceano Ártico, a leste pelo Oceano Atlântico, a sudeste pela América do Sul e pelo Mar do Caribe, e a oeste e sul pelo Oceano Pacífico. A região inclui Bahamas, Bermudas, Canadá, Caribe, América Central, Ilha Clipperton, Groenlândia, México, Saint Pierre e Miquelon, Ilhas Turks e Caicos e os Estados Unidos. As Nações Unidas e sua divisão de estatísticas reconhecem que a América do Norte inclui três regiões: América do Norte, América Central e Caribe. Cobre uma área de cerca de 24,7 milhões de quilômetros quadrados, representando aproximadamente 16,5% da área e 4,8% de sua superfície total do planeta. É o terceiro maior continente em tamanho, depois da Ásia e da África, e o quarto maior continente em população, depois da Ásia, África e Europa. Em 2021, a população da América do Norte foi estimada em mais de 592 milhões de pessoas em 23 Estados independentes, ou cerca de 7,5% da população mundial. Na geografia humana, os termos "América do Norte" e "norte-americano" podem se referir ao Canadá, Estados Unidos, México e Groenlândia ou, alternativamente, Canadá, Groenlândia e os EUA (sendo o México classificado como parte da América Latina) ou simplesmente Canadá e os EUA (sendo a Groenlândia classificada como Ártica ou Europeia (devido ao seu status político como parte da Dinamarca) e o México classificado como latino-americano). Não se sabe ao certo como e quando as primeiras populações humanas chegaram à América do Norte. Sabe-se que as pessoas viveram nas Américas há pelo menos 20 mil anos, mas várias evidências apontam para datas possivelmente anteriores. O período paleoamericano na América do Norte seguiu o Último Período Glacial e durou até há cerca de 10 mil anos, quando o Período Arcaico começou. A fase clássica ocorreu após o período Arcaico e durou aproximadamente do século VI ao século XIII. A partir de 1000 d.C. os nórdicos foram os primeiros europeus a explorar e, finalmente, colonizar áreas da América do Norte. Em 1492, as viagens exploratórias de Cristóvão Colombo levaram a um intercâmbio transatlântico, incluindo migrações de colonos europeus durante a Era dos Descobrimentos e o início do período moderno. Os padrões culturais e étnicos atuais refletem interações entre colonos europeus, indígenas, africanos escravizados, imigrantes da Europa, Ásia e descendentes desses respectivos grupos. A colonização europeia na América do Norte levou a maioria dos norte-americanos a falar línguas europeias, como inglês, espanhol e francês, e as culturas da região geralmente refletem tradições ocidentais. Entretanto, partes relativamente pequenas da América do Norte, no Canadá, Estados Unidos, México e América Central, têm populações indígenas que continuam aderindo às suas respectivas tradições culturais e linguísticas pré-coloniais europeias. Embora navegadores escandinavos tivessem se estabelecido na Groenlândia durante o século X e, eventualmente, alcançado a América do Norte por volta de 1000 d.C. esses exploradores em quase nada contribuíram para o conhecimento da região. Depois que Cristóvão Colombo atingiu as ilhas Bahamas em 1492, diversos exploradores espanhóis, partindo da ilha de Hispaniola, iniciaram o devassamento das terras continentais correspondentes à América Central e do Norte. Em 1519, Hernán Cortés iniciou a conquista do México. Seis anos antes, porém, a Flórida havia sido contornada por Juan Ponce de León, e no mesmo ano em que Cortés assenhoreou-se do México, Alonso de Pineda circundava o golfo do México. Durante os anos de 1524 e 1525, o português Estevão Gomes, a serviço da Espanha, realizou o percurso desde Grand Banks até à Flórida. Expedições posteriores alcançaram o interior do continente: Pánfilo de Narváez desembarcou na Flórida, enquanto Álvar Núñez Cabeza de Vaca e o negro escravo atingiram o norte do México a partir da baía de Galveston. Expedições iniciadas por Hernando de Soto e Marcos de Niza e por Francisco Vásquez de Coronado seguiram rotas que se estenderam desde o Grand Canyon até rio Savanna, subiram o vale do Mississipi além do Ohio e alcançaram o rio Kansas. As primeiras expedições espanholas foram completadas em 1542-43, quando Juan Rodríguez Cabrillo e Bartolomé Ferrelo exploraram a costa do Pacífico, desde a baixa Califórnia até um ponto além da latitude 42º00'00"N. Enquanto os espanhóis exploravam as baixas latitudes, outros europeus exploravam as costas ao norte. Após a viagem do navegador genovês João Caboto, em 1497, a serviço da Inglaterra, o francês Jacques Cartier subiu o rio São Lourenço a partir de 1534 e Sir Francis Drake explorou o litoral do Pacífico (1578-79). No início do século XVII, franceses e bascos estabeleceram-se no golfo de São Lourenço, dedicando-se ao comércio de peles. Mercadores franceses fundaram Port Royal, mas em 1608 Quebec tornou-se o centro do comércio de peles, e, a partir desse empório, o governador francês do Canadá, Samuel de Champlain, tentou descobrir uma passagem para o Pacífico. As explorações de Champlain e dos missionários franceses resultou no devassamento do sistema de São Lourenço-Grandes Lagos . As rivalidades entre franceses e ingleses levaram estes últimos a organizarem a Companhia da Baía de Hudson, depois que essa região tornou-se conhecida através dos esforços dos exploradores ingleses, entre os quais, sir Martin Frobisher, John Davis e Henry Hudson. A França, por seu lado, tentava, a todo custo, ampliar sua soberania em terras da América do Norte. Em 1671-72, Paul Denis explorou os rios Saguenay e Rupert até à baía de James, enquanto Simon François Daumont proclamava a suserania francesa sobre o interior da América do Norte, no salto de Santa Maria . Em 1673, Louis Joillet e Jacques Marquette desceram o Mississipi até o Arkansas e, nove anos depois, René Robert Cavelier, apoderou-se em nome da França, de toda a região, que denominou Louisiana. Entre as mais notáveis tentativas dos franceses de estabelecerem conexão com as colônias espanholas foram as de Louis de Juchereau de Saint Denis que, partindo de Natchitoches, na Louisiana, alcançou San Juan Bautista, no México, de Bernard de la Harpe ao longo dos rios Red e Arkansas (1719-22); e de Pierre e Paul Mallet, que seguiram o Missouri e voltaram pelo Mississipi ao longo dos rios Arkansas e Canadense. Nas planícies do norte coube Pierre Gaultier de Varennes, descobrir os lagos Winnipeg, Winnipegosis e Manitoba, além das montanhas Negras. Enquanto isso, ingleses e holandeses dedicaram-se à exploração das regiões abaixo dos Grandes Lagos e a leste do Mississipi. Destacaram-se nessa tarefa Henry Hudson, que descobriu o vale do Hudson ; James Needham, que explorou os rios Tennessee e Ohio ; Arnout Cornelius Viele, que encontrou a junção dos rios Arkansas e Mississipi (1692-94); e Henry Kelsey, Anthony Henday e Samuel Hearne, que vasculharam amplas áreas desconhecidas do interior canadense. Exploradores russos demonstraram interesse pela América do Norte no início do século XVIII. Vitus Jonassen Bering atravessou o estreito de Bering em 1728, e, juntamente com Alexei Chirikov, atingiu o sul do Alasca em 1741. Expedições marítimas espanholas exploraram em 1774-75 o litoral da Califórnia até à latitude de 57º00'00"N. James Cook realizou o percurso do Oregon até o estreito de Bering, padre Silvestre Vélez de Escalante, partindo de Santa Fé, explorou os lagos Utah e Sevier e o alto rio Virgínia (1776-77). Em 1789, sir Alexander Mackenzie descia o rio Mackenzie até o oceano Ártico e mais tarde a expedição de Lewis e Clark, após subir o Missouri, alcançou a desembocadura do rio Colúmbia. Na primeira metade do século XIX, a região ártica foi explorada por diversas expedições, entre elas a de sir John Franklin, John Rae, Thomas Simpson, Frederick W. Beechey, William Edward Parry e John Ross, mas somente entre 1903 e 1906, Roald Amundsen empreendeu a expansão marítima do Atlântico ao Pacífico pelo norte do continente. Embora comerciantes suecos, holandeses e russos tivessem estabelecido colônias na América do Norte no século XVII, sua contribuição à colonização da região foi pequena comparada com a dos espanhóis, franceses e ingleses. Coube ao vice-reinado da Nova Espanha, instituído em 1535, velar pelas aquisições territoriais espanholas na área das Antilhas e do continente, ao norte do istmo do Panamá. Os espanhóis avançaram para o norte e em 1560 tomaram a Flórida aos huguenotes. Os esforços dos missionários na Virgínia fracassaram, mas as missões enviadas ao litoral da Geórgia e da Carolina obtiveram êxito. No final do século XVI, Juan de Onate colonizou o Novo México, e Santa Fé foi estabelecida em 1610. No século XVIII, os espanhóis expandiram suas fronteiras do Pacífico, de Sonora até à baía de São Francisco. Os colonizadores ingleses, que se estabeleceram no litoral atlântico, desde o Maine até à Geórgia, dedicaram-se à agricultura, comércio, pesca e construção naval. Durante a década de 1630, numerosos imigrantes puritanos chegaram a Massachussets e daí se espalharam por Connecticut, Rhode Island e New Hampshire. O desenvolvimento da Pensilvânia iniciou-se em 1682 com a chegada dos imigrantes quakers. No século XVII, milhares de escravos africanos foram introduzidos no sul, e no século XVIII estabeleceram-se correntes migratórias procedentes da Irlanda, Escócia, País de Gales e Alemanha. Por volta de 1760, as colônias britânicas da América do Norte já contavam cerca de 2 milhões de habitantes. Numerosos fatores, como as relações com os índios, a política de ocupação de terras e a fertilidade dos solos, modificaram a colonização, que se caracterizou, no século XIX, pela expansão das fronteiras agrícolas, com o estabelecimento de núcleos pioneiros em Oregon, Utah e Califórnia e a ocupação das planícies, e pelas descobertas de ouro e prata na Califórnia. Os estabelecimentos franceses na América do Norte, desenvolveram-se na Nova França (Canadá) e na Acádia (litoral da Nova Escócia). Devido à ineficiência da administração privada, a coroa francesa assumiu o controle direto da Nova França, em 1663, expandindo-a, em seguida, ao longo do rio São Lourenço. A Acádia, com seu pequeno número de franceses, passou, em 1713, ao controle da Inglaterra. Estabelecida em 1699, a Louisiana desenvolveu-se sob a administração de um mercador e mais tarde da Companhia das Índias Ocidentais, tornando-se província real em 1731. Mas ingleses e irlandeses também participaram da colonização da Nova França. Imigrantes procedentes da Inglaterra e de Nova Iorque estabeleceram comunidades em Quebec e Montreal, enquanto a revolução americana levou numerosos legalistas a se transferirem para o alto Canadá. Os monarcas europeus entenderam que a sua soberania estendia-se a seus súditos estabelecidos no Novo Mundo, e por esse motivo as guerras europeias e as rivalidades na América produziram modificações territoriais na região. Em 1664, a Inglaterra ocupou a Nova Irlanda e em 1713 adquiriu as possessões francesas na Acádia, Terra Nova e Terra de Rupert. Meio século depois, a França cedeu toda a faixa continental a leste do Mississipi à Grã-Bretanha e oeste deste rio à Espanha. Esta, por sua vez, entregou à Flórida aos ingleses. Após a revolução americana, os Estados Unidos obtiveram o território ao sul do Canadá e a leste do Mississipi, enquanto a Espanha recuperava a Flórida . Napoleão tomou a Louisiana à Espanha mas logo vendeu-a aos Estados Unidos em . Pelo tratado de 1819, a Espanha transferiu a Flórida aos Estados Unidos, os quais acabaram aceitando a fronteira ocidental para a Louisiana que deixava o Texas em mãos dos espanhóis. Após a desintegração do império colonial espanhol na América, colonos estadunidenses revoltaram-se no Texas, proclamando a república, que foi incorporada aos Estados Unidos em 1845. Depois de uma curta guerra com os Estados Unidos, o México renunciou às suas pretensões ao Texas e cedeu o Novo México e alta Califórnia . A fronteira entre os Estados Unidos e as províncias britânicas do norte foi demarcada ao longo do paralelo 49, de 1818 a 1846. Rússia e Grã-Bretanha estabeleceram a fronteira interior do Alasca em 1825, mas a Rússia vendeu essa região aos Estados Unidos em 1867. As principais modificações territoriais em províncias britânicas ocorreram após 1860, com a incorporação ao Canadá da Nova Escócia e Novo Brunswick . Terra de Rupert, Colúmbia Britânica, ilha do Príncipe Eduardo e Terra Nova . Considerando que a América do Norte acaba na fronteira do México com a Guatemala, pode-se, assim, dizer que a América do Norte é composta pelos seguintes territórios: ; Países independentes, Canadá É uma federação composta por dez províncias e três territórios, uma democracia parlamentar e uma monarquia constitucional, com o rei do Reino Unido como chefe de Estado — um símbolo dos laços históricos do Canadá com o Reino Unido — sendo o governo dirigido por um primeiro-ministro, cargo ocupado atualmente por Justin Trudeau. Ocupa grande parte da América do Norte e se estende desde o Oceano Atlântico, a leste, até o Oceano Pacífico, a oeste. Ao norte o país é limitado pelo Oceano Ártico. É o segundo maior país do mundo em área total, atrás apenas da Rússia, e a sua fronteira comum com os Estados Unidos, no sul e no noroeste, é a mais longa fronteira terrestre do mundo. Estados Unidos São uma república constitucional federal composta por cinquenta estados e um distrito federal. A maior parte do país situa-se na região central da América do Norte, formada por 48 estados e Washington, D.C. o distrito federal da capital. Localiza-se entre os oceanos Pacífico e Atlântico, fazendo fronteira com o Canadá a norte e com o México a sul. O estado do Alasca está no noroeste do continente, fazendo fronteira com o Canadá no leste e com a Rússia a oeste, através do estreito de Bering. O estado do Havaí é um arquipélago no Pacífico Central. O país também possui vários outros territórios no Caribe e no Pacífico. México É uma república constitucional federal limitada a norte pelos Estados Unidos; ao sul e oeste pelo Oceano Pacífico; a sudeste pela Guatemala, Belize e Mar do Caribe; a leste pelo Golfo do México. Com um território que abrange quase 2 milhões de quilômetros quadrados,
A Região do Algarve ou Algarve é uma região portuguesa situada no sul do país, com a capital localizada na cidade de Faro, tendo uma área de 4 997 km2 e uma população de 469 983 habitantes, registando uma densidade populacional de 94 habitantes por km2. sendo a quinta região mais populosa de Portugal e a quarta região mais extensa. É uma das sete regiões de Portugal, constituída por apenas uma sub-região com o mesmo nome e 16 municípios, que se dividem em 67 freguesias. Limita a norte com a região do Alentejo, a leste com a região espanhola da Andaluzia e a sul e a oeste com o Oceano Atlântico. A economia algarvia registou um Produto interno bruto de 9,2 mil milhões de euros em 2021, correspondendo cerca de 4,3 % do PIB nacional. Em comparação com as outras seis regiões portuguesas dispõe da 5° maior economia regional, à frente da Madeira e atrás do Alentejo. Já no PIB per capita, a região dispõe do segundo maior valor de todas as regiões, registando 21 173 € em 2021, à frente do Alentejo e atrás da Área Metropolitana de Lisboa, A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR-ALG) é a agência que coordena as políticas ambientais, o ordenamento do território, as cidades e o desenvolvimento global desta região, apoiando os governos e associações locais. O Algarve transformou-se numa das regiões portuguesas com maior número de residentes estrangeiros, oriundos principalmente de outros países europeus. Em 2018, 69 mil dos habitantes não eram portugueses, tendo sido os cidadãos oriundos de França, Itália e Suécia os que mais cresceram naquele ano. Os cidadãos de nacionalidade britânica continuam a ser os mais representativos entre a população estrangeira residente no Algarve. Na época romana a região era denominada de Cinético (Cyneticum) devido ao nome do povo indo-europeu nativo, os cinetes ou cônio (cynetes ou conii em latim). Posteriormente, com o advento da agricultura e o surgimento de um estilo de vida mais sedentário, assentamentos fixos proliferaram em várias partes da região algarvia, sendo o povoamento calcolítico de Alcalar, que atingiu dimensões consideráveis, um dos mais notáveis e bem preservados exemplos de tais sociedades. Do neolítico e calcolítico sobrevivem ainda diversos monumentos megalíticos na forma de menires, cromeleques e antas, como a Anta das Pedras Altas, a mais bem preservada em território algarvio. Na época pré-romana a região era habitada pelos cónios, também conhecidos por cúneos ou cinetes, um povo (formado por várias tribos) cuja filiação linguística e étnica ainda é alvo de debate, com alguns historiadores e arqueólogos a afiliá-los aos celtas, outros aos iberos, e ainda outros aos povos anatólicos.. Esse antigo território dos cónios ia da foz do rio Mira à foz do Guadiana, pelo litoral, e da foz do rio Mira passando pela área das nascentes do rio Sado e pelas ribeiras de Terges e de Cobres até à confluência desta última com o Guadiana e descendo pela margem direita ou oeste desse rio novamente até à sua foz, pelo interior, abrangendo assim toda a área da Serra do Caldeirão (também denominada Serra de Mu) e seu planalto. Segundo José Hermano Saraiva, os conii ou cynetes (cónios, em latim, ou cinetes, em grego), conforme atestam os topónimos Conímbriga e Coina, haviam-se deslocado para o sul por conta da pressão exercida por outros povos e, como os lusitanos, eram celtas. Ainda segundo alguns autores, é possível que os cónios e a sua cultura abrangessem uma vasta área, já que semelhanças em etnónimos, como é o caso da tribo dos Ikonioi, da Gália, ou do topónimo Conimbriga, em Condeixa-a-Nova, assim como a raíz indo-europeia (ku-no, de extracto indo-europeu, significa 'cume' ou 'pico') do idioma falado e escrito pelos cónios, apontam para uma extensa proliferação, que ia da actual França a diversas partes da Península Ibérica. Existem também historiadores que, devido a similitudes linguísticas, colocam a origem dos cónios na Anatólia, possivelmente aparentados com os lídios. Antes da integração definitiva dos cónios no Império Romano, durante o período que vai de cerca de a, estes encontravam-se sob forte influência romana mas gozavam de elevado grau de autonomia. Devido, em parte, ao relacionamento favorável com os romanos, os cónios haviam tido alguns conflitos com os lusitanos que, sob a liderança de Cauceno (Kaukenos), o chefe lusitano anterior a Viriato, tinham conquistado durante algum tempo o seu território, incluindo a capital, Conistorgis (de localização ainda desconhecida, num monte a norte de Ossonoba, atual Faro, ou talvez Castro Marim) no ano Do período visigótico existem várias fontes e indícios (quer de escritores cristãos quer árabes) que referem uma magnifica catedral em Ossonoba (actual Faro), mas cujos vestígios nunca foram encontrados [ [ Da ocupação bizantina (Império Bizantino) destacam-se as torres bizantinas de Ossonoba [ Escavações arqueológicas em Silves desterraram vários utensílios de olaria, assim como fragmentos de panelas, taças e frigideiras com acabamentos visigóticos. Também na mesma cidade foi encontrado, estando agora exposto no Museu Municipal de Arqueologia de Silves, um capitel visigótico. Outro capitel visigótico foi descoberto na Ermida da Nossa Senhora da Rocha (em Porches, perto de Lagoa). Pelo Algarve foram descobertas algumas necrópoles visigóticas, como a do Poço dos Mouros, em Silves e outras menos conhecidas na Vila do Bispo, Lagos, Albufeira, São Bartolomeu de Messines e Loulé. Diversos objectos, desde aqueles destinados a práticas de culto (cristão e pagão) a utensílios de higiene pessoal, decorativos (brincos e jóias) e armas foram encontrados pela região. Segundo o arqueólogo Mário Varela Gomes, acreditava-se que a escassez de descobertas arqueológicas se devesse à curta presença visigótica na região e às circunstâncias geográficas e geológicas que mantiveram o Algarve isolado por boa parte da sua história, mas recentes pesquisas demonstram que muito se desconhece por conta de insuficientes esforços arqueológicos que visem ampliar escavações, assim como devido a um desinteresse geral pelo estudo da presença de povos germânicos no território, desinteresse esse partilhado pelas autarquias. É, não obstante o pouco material disponível para análise, na opinião de Gomes, inquestionável que estes povos tiveram um impacto considerável na região, deixando um legado que deveria ser melhor compreendido. Nas décadas que antecederam a invasão muçulmana, diversos concílios, fruto da aliança entre a Igreja e o Estado, haviam dado início a uma série de perseguições que tinham a comunidade judaica como alvo. Em 654, o rei Recesvinto adoptou diversas disposições austeras contra os judeus. Em 681, Ervígio forçou-os a optar entre a conversão ao cristianismo ou o exílio. Em 693, Égica impôs a proibição do comércio com cristãos, atitude essa que, segundo o historiador sírio Ali Nasrah, prejudicou enormemente a comunidade judaica que, então, era consideravelmente numerosa e bem estabelecida na Península Ibérica. Ainda segundo Nasrah, que se apoiava numa ampla variedade de documentos e provas que corroboravam o seu raciocínio, tais acontecimentos impeliram os judeus a urdir, em começos do século VIII, juntamente com os seus correligionários norte africanos, um plano que tinha como intuito a expulsão dos visigodos. O Algarve foi a última porção de território de Portugal a ser definitivamente conquistada aos mouros, no reinado de D. Afonso III, no ano de 1249. A ocupação de Portugal por parte de povos muçulmanos deixou um legado arquitectónico, linguístico (em diversas palavras árabes que foram introduzidas na língua portuguesa e no vocabulário regional algarvio), gastronómico e cultural notável, sendo tal influência mais visível no Algarve e Alentejo, onde a presença foi mais ampla e duradoura, presença essa compartilhada com a região espanhola de Andaluzia, com a qual, devido a uma herança quase idêntica, em comparação com outras regiões portuguesas mais distantes e culturalmente díspares, o Algarve partilha maiores similaridades. Existem, como remanescentes desta ocupação, diversas fortificações, como o Castelo de Silves, o Castelo de Aljezur, o Castelo Belinho, o Castelo de Paderne, o Castelo de Loulé, o Ribat de Arrifana, assim como estruturas religiosas, como o Morábito de São Pedro e o Morábito de São João, em Alvor. Já no que se refere à língua portuguesa, a influência linguística do árabe, apesar de considerável, não deixou vestígios na sintaxe. Linguistas estimam entre trezentas a seiscentas o número de palavras que os povos berberes, árabes e congéneres deixaram no idioma, nomeadamente para designar vegetais, produtos hortícolas, sistemas de aproveitamento de água e rega, assim como alguns termos associados ao comércio. Segundo alguns documentos históricos, a conquista definitiva do Algarve e a expulsão dos mouros no reinado de D. Afonso III, nomeadamente a tomada da cidade de Faro, foi feita de forma relativamente pacífica. D. Sancho I, já tinha anteriormente conquistado partes da região algarvia, quando cercou a cidade de Silves em 1189 e com o auxílio de uma frota de outros cruzados europeus, conquistou a mesma, inclusive o seu pai D. Afonso Henriques, tinha derrotado os mouros ali perto na Batalha de Ourique. Dom Paio Peres Correia mestre da ordem de Santiago, foi responsável pela reconquista final do Algarve, sobretudo dos castelos de Silves, Paderne e Faro. No entanto, apenas em 1267 — no Tratado de Badajoz — foi reconhecida a posse do Algarve como sendo território português, devido a pretensões do Reino de Castela. Curiosamente, o nome oficial do reino resultante seria frequentemente designado de Reino de Portugal e do Algarve, mas nunca foram constituídos dois reinos separados. Terminada a reconquista da região durante o reinado de D. Afonso III, o Algarve foi incluído no reino cristão de Portugal, foram concedidos forais importantes, assim como incentivos ao povoamento região vindos sobretudo do norte do país, mas também de além Pirenéus. A região foi bastante relevante, nos séculos seguintes, sobretudo a partir do pela odisseia da exploração marítima portuguesa, da exploração da costa africana e da conquista das praças marroquinas, sob o comando do Infante D. Henrique. Este assentou na região e parte da organização das descobertas foi efectuada no Algarve. O território, devido às condições favoráveis à navegação, foi uma das primeiras bases da expansão marítima portuguesa nos séculos XV e XVI, do qual partiram algumas expedições, sendo o porto de Lagos um dos mais importantes dessa época. Durante as Guerras Liberais que começaram com a tomada do poder por D. Miguel I e a reação das forças liberais lideradas pelo duque da Terceira, elegeram a região da Manta Rota como lugar de desembarque das forças militares que depois se moveram a caminho de Lisboa. O Reino do Algarve foi dissolvido em 1834, com a extinção do posto de Governador Militar do Reino do Algarve e o distrito de Faro instituído no ano seguinte, apesar do título de Rei dos Algarves se conservar na titulatura régia pelo menos até 1910. Posteriormente, o Algarve iniciou o como uma região rural, periférica, com uma economia baseada na cultura de frutos secos, na pesca e na indústria conserveira. Contudo, a partir da década de 1960, dá-se a explosão da indústria do turismo, mudando assim por completo a sua estrutura social e económica. Desde os alvores do reino, constituiu uma região bem delimitada e individualizada, não só em termos geográficos mas também do ponto de vista identitário, com características históricas, climáticas, etnográficas, arquitetónicas, gastronómicas e económicas muito próprias. Actualmente, o turismo constitui o motor económico do Algarve. A antiga província tradicional possui algumas das melhores praias do Sul da Europa, e condições excepcionais para a prática de actividades e desportos ao ar livre. O Algarve é a terceira região mais rica do país, com um PIB per capita de 87% (média Europeia). Ocupa uma área de km2 e nela residem habitantes . O Algarve confina a norte com a região do Alentejo (sub-regiões do Alentejo Litoral e Baixo Alentejo), a sul e oeste com o oceano Atlântico, e a leste o Rio Guadiana marca a fronteira com Espanha. O ponto mais alto situa-se na serra de Monchique, com uma altitude máxima de 902 m (Pico da Foia). Além de Faro, têm também categoria de cidade os aglomerados populacionais de Albufeira, Lagoa, Lagos, Loulé, Olhão, Portimão, Quarteira, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António. Destas, todas são sede de concelho à excepção de Quarteira. A zona ocidental do Algarve é designada por Barlavento e a oriental por Sotavento. A designação deve-se com certeza ao vento predominante na costa sul do Algarve, sendo a origem histórica desta divisão incerta e bastante remota. Na Antiguidade, os Romanos consideravam no sudoeste da Península Ibérica a região do cabo Cúneo — que ia desde Mértola por Vila Real de Santo António até à enseada de Armação de Pêra — e a região do Promontório Sacro — que abrangia o restante do Algarve. Internamente, a região é subdividida em duas zonas, uma a Ocidente (o Barlavento) e outra a Leste (o Sotavento). Com esta divisão podemos registar um claro efeito de espelho entre as duas zonas. Cada uma destas zonas tem 8 municípios e uma cidade dita principal: Faro está para o Sotavento como Portimão está para o Barlavento. De igual modo possui cada uma delas uma serra importante (a Foia, no Barlavento, e o Caldeirão, no Sotavento). Rios com semelhante importância (o Arade no Barlavento e o Guadiana no Sotavento). Um hospital principal em cada uma das zonas garante os cuidados de saúde em todo o Algarve. Em termos de infraestruturas, o Aeroporto Internacional está numa zona e o Autódromo Internacional noutra. Finalmente, a nível desportivo, os históricos do futebol algarvio Sporting Clube Olhanense (representante do Sotavento) e o Portimonense Sporting Clube (representante do Barlavento) encontram-se regularmente na Primeira Liga do futebol português. A equipa do Olhanense ascendeu à 1.ª Liga em 2009, enquanto que por sua vez a equipa de Portimão ascendeu um ano depois, em 2010. Um dos principais traços distintivos da região algarvia constitui o seu clima. As condições climáticas que o senso-comum atribui geralmente ao clima algarvio podem ser encontradas em todo o seu esplendor no barrocal e no litoral sul, especialmente na região central e no sotavento algarvio. Um conjunto de características base resumem o clima da região, em especial do barrocal e do litoral sul: verões longos e quentes, invernos amenos e curtos, precipitação concentrada no Outono e no Inverno, reduzido número anual de dias com precipitação e elevado número de horas de sol por ano. A temperatura média anual do litoral do sotavento e da região central do Algarve é mais elevada de Portugal Continental e uma das mais elevadas da Península Ibérica, rondando os 18 °C, atendendo às normais climatológicas 1961/90. A precipitação encontra-se essencialmente concentrada entre Outubro e Fevereiro, e assume com frequência um carácter torrencial. As médias anuais são inferiores a 600 mm em grande parte do litoral e no vale do Guadiana, e superam os 800 mm na serra do Caldeirão e os na serra de Monchique. Na região litoral existem 5 meses secos, e entre Junho e Setembro a queda de precipitação é muito pouco frequente. O clima do Algarve, segundo a classificação de Köppen, divide-se em duas regiões: uma de clima temperado com inverno chuvoso e verão seco e quente e outra de clima temperado com inverno chuvoso e verão seco e pouco quente . Com excepção da Costa Vicentina e das serras de Monchique e de Espinhaço de Cão, toda a região algarvia possui um clima temperado mediterrânico do tipo Csa. No litoral do sotavento algarvio as noites tropicais (noites com temperatura mínima igual ou superior a 20 °C) são frequentes durante o período estival. De facto, a temperatura mínima mais alta de sempre registada em Portugal pertence à estação meteorológica de Faro: 32,2 °C, a 26 de Julho de 2004. A queda de neve na região algarvia é muito rara e é mais susceptível de ocorrer na Foia. A última vez que ocorreu queda de neve no litoral algarvio foi em fevereiro de 1954. Na madrugada de 1 de Fevereiro de 2006 nevou na serra do Caldeirão, e na manhã de 10 de Janeiro de 2009 nevou na serra de Monchique. A primavera algarvia é uma estação inconstante: alguns anos é fugaz, curta, noutros mais longa, roubando espaço ao Estio ou ao Inverno; por vezes chuvosa e fresca, ou então quente e seca, ou ainda soalheira, mas ventosa. Em Março e Abril as temperaturas sobem lentamente, transitando para os valores estivais; durante o dia estas oscilam entre os 9/12 °C e os 19/22 °C. Em ambas os meses a precipitação média ronda os 40 mm, num total para ambos os meses de cerca de 20 dias com precipitação igual ou superior a 0,1 mm. Uma das características climáticas de referência da região algarvia é a existência de verões longos, quentes e secos. A partir de meados de Maio, a queda de precipitação no litoral e barrocal sul começa a ser um evento raro, e as temperaturas máximas e mínimas abandonam a amenidade primaveril para atingirem valores estivais. Junho é um mês seco, com precipitações médias inferiores a 10 mm e temperaturas médias que oscilam entre os 16 °C e os 26 °C. Julho e Agosto são os dois meses mais quentes e secos do ano. A queda de precipitação é um evento pouco frequente, podendo suceder-se vários anos sem que ocorra queda de precipitação durante estes dois meses. As temperaturas médias oscilam entre os 17/19 °C e os 28/30 °C. A temperatura mais alta registada no Verão é de 44,3 °C na estação Faro/Aeroporto no dia 26 de Julho de 2004. Setembro ainda apresenta características estivais bem marcadas. As temperaturas oscilam entre os 16/18 °C e os 26/29 °C. Por vezes, as primeiras chuvas de Outono podem ocorrer no final de Setembro; por esse motivo, a precipitação média deste mês ronda os 15 mm. As primeiras chuvas após o verão, que ocorrem regularmente durante o mês de Outubro, caracterizam o início do outono. Após a queda das primeiras chuvas, os dias ainda poderão permanecer quentes, mas as noites começam gradualmente a ficar mais frescas. Por vezes, sucedem-se semanas de dias soalheiros, banhados por uma luz doce e inconfundível: é o chamado Verão de São Martinho. Ocasionalmente, as condições estivais prolongam-se durante parte do mês de Outubro. Em Outubro, as temperaturas oscilam entre os 13/16 °C e os 23/25 °C. As chuvas que caem durante este mês assumem com frequência um carácter torrencial: durante apenas um dia pode ser acumulada uma parte substancial da precipitação total do mês, seguindo-se vários dias de sol e céu limpo. A precipitação média de Outubro ronda os 45/70 mm. Novembro é o segundo mês mais chuvoso do ano, com uma precipitação média que ronda os 75/90 mm, concentrada geralmente num reduzido número de dias. As temperaturas baixam ligeiramente durante este mês, variando entre os 10/12 °C e os 18/21 °C. O inconfundível inverno algarvio pode ser resumidamente caracterizado por três adjetivos: curto, chuvoso e suave. Dezembro é o mês mais chuvoso do ano. Dias tempestuosos, marcados pela chuva intensa e trovoada alternam com dias amenos, soalheiros e de céu limpo, óptimos para a prática de atividades ao ar livre. A precipitação média ronda os 90 a 120 mm, e as temperaturas médias oscilam entre os 8/10 °C e os 16/18 °C. Janeiro é o mês com temperaturas menos altas do ano: regra geral, estas variam entre os 6/8 °C e os 15/17 °C. A precipitação média ronda os 70/80 mm. Já em Fevereiro, as temperaturas começam paulatinamente a subir, e no final deste mês as condições primaveris começam a fazer-se sentir. As temperaturas oscilam os 7/9 °C e os 16/18 °C, e a precipitação média ronda os 45 a 70 mm. Ocasionalmente, durante o inverno a região algarvia é assolada por curtos períodos mais frios, nos quais as temperaturas mínimas atingem valores próximos dos 0 °C e as máximas não ultrapassam os 10 °C. Contudo, estes eventos meteorológicos são raros. O cabo de São Vicente está situado numa rota de migração de aves, permitindo a observação sazonal de variedade de avifauna. A vegetação predominante no barrocal Algarvio é o matagal mediterrânico, caracterizado pela abundância de plantas resistentes à falta de água. O subsolo do Algarve é habitado por várias espécies endémicas, únicas do Algarve, algumas delas descobertas recentemente. As espécies mais emblemáticas da fauna subterrânea do Algarve são o pseudoescorpião gigante das grutas do Algarve (Titanobochica magna) e o maior inseto cavernícola terrestre da Europa, a Squamatinia algharbica. Outras espécies de plantas, endémicas rigorosas ou não, levam o nome do Algarveː, Cistus algarvensis Sims, Bot. Mag. 17: t. 627 . Helianthemum algarvense Dunal, Prodr. [A. P. de Candolle] 1: 268 . Herniaria algarvica Chaudhri, Rev. Paronychiinae 346 . Limonium algarvense Erben, Mitt. Bot. Staatssamml. München 14: 503 . Linaria algarviana Chav. Monogr. Antirrh. 142 . Ophrys algarvensis D.Tyteca, Benito & M.Walravens, J. Eur. Orch. 35: 65 . Syn.: O. omegaifera subsp. algarvensis (D.Tyteca, Benito & M.Walravens) Kreutz, Kompend. Eur. Orchid. 110 . Rhododendron algarvense Page, Prod. Southhampt. Gard. 38. Sideritis algarviensis D.Rivera & Obón, Anales Jard. Bot. Madrid 47: 500 . Stegitris algarviensis Raf. Sylva Tellur. 132 . No ano de 2021 o Algarve registou habitantes O Algarve é constituído por 16 municípios, sendo Loulé o município mais populoso da região, com mais de 72 mil habitantes, seguido pelo muncípio de Faro com mais de 67 mil habitantes, o muncípio de Portimão com pouco menos de 60 mil habitantes, o município de Olhão e o município de Albufeira com ambas mais de 44 mil habitantes. Os dez municípios mais populosos do Algarve encontram-se todos no litoral. Os dez municípios contabilizam perto de de 430 mil habitantes. Quanto à densidade populacional, o município de Olhão tem a densidade populacional mais alta de toda a região, com 341 habitantes por km2, seguido pelo muncípio de Faro com 334 habitantes por km2, Portimão com 328 habitantes por km2, Albufeira com 313 habitantes por km2 e Vila Real de Santo António com 308 habitantes por km2. O Algarve tem 11 cidades oficiais. A maior cidade da região é Portimão, com pouco menos de 50 mil habitantes e uma densidade populacional de 651 habitantes por km2, seguida por Faro, com mais de 46 mil habitantes e uma densidade populacional de 619 habitantes por km2, e Albufeira, com mais de 28 mil habitantes e uma densidade populacional de 649 habitantes por km2. O Algarve, através dos 16 municípios, é constituida por 67 freguesias. A seguinte lista demostra todas as freguesias, listadas e ordenadas:, Lista de Freguesias do Algarve Lista de património edificado no distrito de Faro A Serra de Monchique localiza-se na zona oeste do Algarve, onde se situa o ponto mais alto da região — a Fóia — que está a 902 m de altitude. Este é também um dos pontos mais proeminentes de Portugal. O cume-pai chama-se Picota e está a 774 m acima do nível do mar. A serra do Caldeirão faz a fronteira entre o litoral e barrocal algarvios e as planícies do Baixo Alentejo. Faz parte do maciço antigo, sendo constituída por xisto-grauvaque, rocha que origina solos finos e pouco fertéis. O seu ponto mais alto localiza-se no Baixo Alentejo, próximo da fronteira com o Algarve, onde atinge os 580 m de altitude; nos concelhos de Tavira e de Loulé possui diversos pontos em que ultrapassa os 500 m. O rio Guadiana é a fronteira natural entre o Algarve e a Andaluzia e, portanto, entre Portugal e Espanha. O rio nasce a uma altitude de cerca de, nas lagoas de Ruidera, na província espanhola de Ciudad Real, tendo uma extensão total de 829 km. A bacia hidrográfica tem uma área de, situada, em grande parte, em Espanha (cerca de ). Este rio é navegável até à vila alentejana de Mértola, constituindo um atrativo turístico relevante. Nasce na Serra do Caldeirão e passa por Silves, Portimão e Lagoa indo desaguar no oceano Atlântico, em Portimão, imediatamente a leste da Praia da Rocha. No tempo dos descobrimentos portugueses era navegável até Silves, onde existia um importante porto. Hoje, devido ao enorme assoreamento, apenas pequenos barcos aí podem chegar. É um sapal que se estende pelos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, abrangendo uma área de cerca de ao longo de 60 km desde o rio Ancão até à praia da Manta Rota. Trata-se de uma área protegida pelo estatuto de Parque Natural, atribuído pelo Decreto-lei 373/87 de 9 de dezembro de 1987. Anteriormente, a Ria Formosa tinha estatuto de Reserva Natural, instituído em 1978. A Região do Algarve representa cerca de % das exportações nacionais e % da economia nacional. Graças aos investimentos no turismo, e a região ter recebido várias qualificações como "Melhor Destino Europeu", tornou-se uma região competitiva e é a região com mais turistas nacional. A Região do Algarve tem, a seguir da Área Metropolitana de Lisboa, da Região Norte, da Região Centro e do Alentejo, a quinta maior economia regional de Portugal. Mesmo que seja a quinta região mais rica do país, é hoje a segunda região aonde às pessoas tem o maior rendimento de todas as sete regiões nacionais. Em 2019, a diferença entre os rendimento por habitante do Algarve, comparado com a Área Metropolitana de Lisboa, existe uma diferença de cerca de 4.000 €. A região foi atingida pela recessão global em 2009 e pela Crise da Zona Euro em 2011 e 2012. Enquanto o PIB da região ultrapassou pela primeira vez os 7,5 mil milhões de € em 2010, baixou em 2012 para 7,1 mil milhões de €, graças à crise. A região só conseguiu recuperar os 7,5 mil milhões de € em 2014, e com um forte crescimento económico atingiu os 10 mil milhões de € em 5 anos. Em termos de PIB per capita reduziu de 16 900 € em 2009 para 16 100 € em 2012, mas graças ao forte crescimento económico conseguiu atingir os 20.000 € em 2017, aumentando assim o rendimento de cada habitante em 4 000 €, com uma duração de 5 anos. Ao longo dos anos, o Produto Interno Bruto do Algarve cresceu com a entrada na União Europeia, com os investimentos feitos no turismo e nas infra-estruturas. Os dados dos anos de 2009 e 2019 mostram, que o PIB da região algarvia cresceu 38%, dos registados 7,4 mil milhões de € em 2009 para 10,2 mil milhões de € em 2019. Ao longo dos anos o PIB da região baixou, por exemplo em 2011 e 2012, aonde foi registado um decrescimento perto dos 5,4%. As razão para o decrescimento económico foi a crise financeira. Comparado aos dados do PIB nacional, a economia regional do Algarve ganhou ao longo dos anos cada vez mais importância. A partir de 2015, o peso da riqueza produzida no Algarve situou-se nos 4% no PIB nacional. A Região do Algarve é constituída por uma só sub-região, com o mesmo nome. Daí não existem dados para comparar as sub-regiões do Algarve, porque só existe uma. A Região do Algarve é constituída por uma só sub-região, com o mesmo nome. Daí não existem dados para comparar as sub-regiões do Algarve, porque só existe uma. Até ao início da década de 60 do, o Algarve era uma região caracterizada por empregos precários, mal remunerados e uma pobre qualidade de vida. O Algarve dispõe de praias e paisagens naturais que, aliadas ao clima temperado mediterrânico, tornam-na na mais turística região de Portugal. Hoje em dia, as ligações rodoviárias fazem com que qualquer ponto do Algarve esteja a pouco mais de uma hora de distância do aeroporto. Actualmente, o aeroporto de Faro é o terceiro mais movimentado de Portugal, tendo recebido mais de 8,6 milhões de passageiros no ano de 2018. A maioria dos turistas vêm de Portugal, Reino Unido, Espanha, Alemanha, Países Baixos e Irlanda, estando-se igualmente a verificar uma crescente presença de visitantes provenientes de França. No primeiro semestre de 2019 registou-se um crescimento de 62%, 30,6% e 14,6% dos mercados italiano, brasileiro e americano, respectivamente. Vilamoura, junto à praia da Falésia (concelho de Loulé), Albufeira, considerada a "capital do turismo" algarvio, possuindo alguns dos mais conhecidos complexos turísticos da Europa, a Praia da Rocha, no concelho de Portimão, e a Praia da Marinha, no concelho de Lagoa, são os destinos mais procurados pelos turistas. Lagos é também uma das cidades com maior presença turística no Algarve. Algumas das suas praias são consideradas das melhores de Portugal e até do mundo, dispondo também de uma grande diversidade de bares, restaurantes e hotéis amplamente reconhecidos. Nos últimos anos, a região de Tavira tem-se assumido cada vez mais como um importante pólo turístico, graças ao seu valioso património cultural e paisagístico. Já na extremidade do sotavento algarvio, localiza-se ainda Monte Gordo, um dos mais antigos pontos de turismo balnear da costa algarvia; a antiga aldeia de pescadores encontra-se já em pleno golfo de Cádiz, e como tal é banhada pelas águas mais quentes do país: não raras vezes durante a estação estival a temperatura da água do mar atinge os 26 °C. Tem-se vindo a observar um considerável crescimento no sector do Alojamento Local nos últimos anos, estimulado por uma crescente procura por parte de pessoas com menos poder aquisitivo e que, por conseguinte, não se podem hospedar em unidades hoteleiras. O Algarve possui aproximadamente 32 mil alojamentos locais legais, desde apartamentos e moradias para aluguer a hostels e casas de hóspedes, os quais empregam mais de 20 mil pessoas e geram em torno de 980 milhões de Euros por ano. Cerca de metade destes estabelecimentos localizam-se nos concelhos de Albufeira, Loulé e Portimão. Os turistas que mais procuram esta modalidade de alojamento são britânicos, portugueses e franceses, seguidos por alemães, espanhóis e brasileiros. Estudos demonstram que a flexibilidade e condições destas acomodações, desde a hospitalidade dos anfitriões, mais dispostos a interagir com os hóspedes, à localização muitas vezes central ou perto da praia, à permissão de animais de estimação, à possibilidade de organizar eventos, assim como a relação qualidade-preço, tornam-nas mais apelativas a um nicho de mercado que tem como foco evitar os preços elevados e condições mais rígidas das grandes unidades hoteleiras. Embora a procura turística seja principalmente baseada nas praias da região, esta tem sido incrementada devido à realização de importantes eventos desportivos, como o campeonato europeu de futebol Euro 2004 que teve três dos seus jogos em Faro, os campeonatos mundiais de voleibol que têm tido lugar em Portimão, campeonatos mundiais de golfe e ainda a passagem do maior Rally do mundo, Lisboa–Dakar em 2006 e 2007. Eventos musicais têm vindo a ganhar peso, nomeadamente o Algarve Summer Festival e o Portimão Air Show — um festival aéreo que teve a sua primeira edição em 2008 e que por iniciativa da cidade de Portimão veio também colorir os céus do Algarve e encher a cidade numa época de pouca procura turística. O turismo de natureza, nomeadamente o especializado em caminhadas (destacando-se a Rota Vicentina e a Rota da Água, em Monchique) e observação de aves (sendo a Ria Formosa altamente procurada para esse fim), registou um crescimento substancial nos últimos anos, fomentado principalmente por turistas do centro e norte da Europa. Investimentos no sector do turismo de saúde foram também verificados, sendo actualmente um segmento em considerável expansão. Durante a época sazonal, ocorre uma grande expansão na população residente algarvia devido às estadias dos turistas, tendo-se verificado situações em que o número de habitantes triplica. Não obstante o desenvolvimento propiciado pelo advento do turismo, que melhorou, em certo grau, a qualidade de vida da população algarvia, o mesmo suscitou igualmente fortes críticas por parte de diversas personalidades que desaprovam da descaracterização cultural, do encarecimento do custo de vida, desproporcional em relação com o poder aquisitivo dos habitantes, da reduzida diversificação da economia, da desertificação do interior e massificação do litoral, assim como do impacto ambiental que o turismo em massa e a construção civil trouxeram à região. O biólogo e arquitecto algarvio Fernando Silva Grade, no seu livro O Algarve tal como o destruímos, reprova os extensos estragos ecossistémicos, a negligência para com e a destruição da arquitectura tradicional e a obsolescência do legado cultural, possibilitados pela massiva procura turística. Em tom de dissentimento, Silva Grade comentou, sobre a proliferação do sector do turismo e construção civil, «O Algarve, paradigma desta situação, continua a enterrar diligentemente todas as memórias e indícios da sua cultura ancestral. E, depois de ter arrasado praticamente todas as suas cidades, vilas e aldeias, empenha-se agora em desfigurar os últimos resquícios que restam à febre carnívora do betão.» Em 2008, Miguel Sousa Tavares salientou que «Em muitos e muitos dos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem valor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. A ganância dos especuladores e promotores, a dependência das câmaras do imobiliário e a corrupção desenfreada mataram a paisagem». A insolvência da Thomas Cook, a segunda maior operadora turística europeia, em 2019, havia já suscitado considerações desfavoráveis à escassez de alternativas à indústria do turismo, que, ante uma crise que afectasse o sector, deixaria a região do Algarve vulnerável ao desemprego. O carácter sazonal da procura turística e a baixa remuneração dos empregos dependentes desta indústria, assim como a especulação imobiliária, que dificultou a aquisição de habitação e o arrendamento a longo prazo, são outros aspectos alvo de pereceres negativos por parte de alguns analistas. Outras críticas aludem à destruição de casas e moradias de carácter singular na região para abrir espaço a estabelecimentos turísticos. Fernando Grade denunciou a incapacidade de muitos autarcas e municípios para tomarem medidas no sentido de colmatar os problemas oriundos da dependência do sector do turismo. Em Maio de 2020, o número de desempregados inscritos no IEFP registou um aumento de 202,4%, face a Maio de 2019. Já debilitada pela interrupção económica e por um substancial estancamento do fluxo turístico, nomeadamente internacional, como resultado da Pandemia de COVID-19, a indústria do turismo no Algarve foi adicional e consideravelmente afectada pela quarentena obrigatória de 14 dias imposta aos turistas britânicos (que representam cerca de 30% dos turistas que visitam o Algarve anualmente) ao regressarem ao Reino Unido provindos de Portugal Continental. Em Dezembro de 2020 haviam aproximadamente 31 000 desempregados no Algarve, um aumento de mais de 60% em comparação com 2019, sendo a segunda região do país mais afectada pelo desemprego. Em Janeiro de 2021, a taxa de ocupação global média/quarto não superou os 7,6%, um decréscimo de 78,9% face a Janeiro de 2020. Já o volume de vendas apresentou uma diminuição de 83,5% com relação ao mês homólogo do ano anterior. Vários hoteleiros apontam para uma recuperação turística lenta, alegando que os níveis pré-pandémicos não serão retomados num prazo inferior a cinco anos. Os empresários da região criticaram a resposta do governo aos efeitos da crise pandémica, aludindo nomeadamente aos apoios que consideram genéricos, sem atenderem às particularidades da economia algarvia, assim como à falta de perspectiva de abertura das fronteiras. Salientaram ainda que 80% dos negócios estão encerrados, sendo que muitos deles, por conta de burocracia, encontram-se sem acesso a apoios financeiros. Em Março de 2021, segundo Madalena Feu, delegada regional do Instituto do Emprego e Formação Profissional, encontravam-se mais de 33,000 pessoas desempregadas no Algarve. Em Março de 2021, a região algarvia registava a menor incidência de casos de Covid-19 do país. Não obstante, o Algarve continua a ser a região financeira e socialmente mais afectada pela pandemia, possuindo o índice de desemprego mais elevado de Portugal. Ante as adversidades oriundas da pandemia, vários partidos políticos e entidades aludiram à necessidade da região apostar em outros sectores, criando assim alternativas ao turismo de massas, nomeadamente com investimentos nas áreas da agricultura, pesca, novas tecnologias e energias renováveis. Com a inclusão de Portugal à linha vermelha na Alemanha, verificou-se um aumento do número de cancelamentos de estadias na região, e voos provenientes da Alemanha estão a chegar a Faro com metade dos passageiros. Não obstante a preocupação dos empresários com a ausência de turistas, o custo para se fazer turismo no Algarve continua alto. Os produtos agrícolas tradicionais, dignos de nota, são as produções de frutos secos (figos, amêndoas e alfarrobas), aguardente de medronho e ainda a produção de cortiça, nomeadamente nas regiões do nordeste algarvio. Regista-se ainda uma relevante produção de citrinos. Os maiores pomares de laranja situam-se no concelho de Silves, especialmente na freguesia de Algoz. A laranja algarvia é muito doce e goza de grande fama não só em território nacional como internacionalmente. Na imagem pode vêr-se uma das imagens pela qual o Algarve é mais conhecido. As amêndoas são bastante utilizadas na gastronomia da região, destacando-se os doces de amêndoa, exportados para todo o país e para o estrangeiro, que são outro marco da cultura algarvia. Durante a maior parte da sua história, a região do Algarve sofreu de graves deficiências nos acessos terrestres ao resto do país, devido a problemas de segurança e à presença de cadeias montanhosas que a separavam do Alentejo. A situação só começou a melhorar nos finais do Século XIX, com o desenvolvimento das vias rodoviárias e a construção de uma linha férrea. Devido aos problemas de acesso por terra, e à presença de uma extensa faixa costeira, os transportes marítimos e fluvial tiveram uma grande importância na região, sendo os principais eixos fluviais o Arade e o Guadiana. O Rio Arade servia uma extensa região no centro interior do Algarve, com destaque para a importante cidade de Silves, enquanto que o Guadiana unia o Alentejo e o interior do Sotavento à faixa costeira. Por conseguinte, a costa sul de Portugal transformou-se num importante ponto de contacto, de partida e de chegada, de actividade piscatória de vital importância económica, de comércio e de exploração marítima.
O artesanato é um ofício ancestral feito de forma manual utilizando a matéria-prima natural, sendo também o produto final feito por um artesão (de artesão + ato). Mas com a mecanização da indústria o artesão é identificado como aquele que produz objetos pertencentes a chamada cultura popular. O artesanato é tradicionalmente a produção na qual o produtor possui os meios de produção e trabalha com a família em sua própria casa, realizando todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento; ou seja, não havendo divisão do trabalho ou especialização para a confecção de algum produto. A arte e o artesanato possuem particularidades socioculturais da comunidade onde são produzidos; são formadas por identidade cultural, ancestralidade e, transmissão de conhecimento. O artesanato é historicamente produzido pelos indígenas (autóctones) desde muito tempo, formando assim um conhecimento tradicional que é repassado entre gerações. Como por exemplo o artesanato da etnia Kayapó Mekrãgnoti, que usa técnicas tradicionais próprias de produção, que respeita o modo de vida integrado na floresta viva e fortalece a transmissão de conhecimento tradicional. O artesanato pode ser erudito, popular e folclórico, podendo ser manifestado de várias formas como, nas cerâmicas utilitária, funilaria popular, trabalhos em couro e chifre, trançados e tecidos de fibras vegetais e animais (sedenho), fabrico de farinha de mandioca, monjolo de pé de água, engenhocas, instrumentos de música, tintura popular. E também encontram-se nas pinturas e desenhos (primitivos), esculturas, trabalhos em madeiras, pedra guaraná, cera, miolo de pão, massa de açúcar, bijuteria, renda, filé, crochê, papel recortado para enfeite etc. A história do artesanato tem início no mundo com a própria história do homem, pois a necessidade de se produzir bens de utilidades e uso rotineiro, e até mesmo adornos, expressou a capacidade criativa e produtiva como forma de trabalho. A partir do século XIX, o artesanato ficou concentrado então em espaços conhecidos como oficinas, onde um pequeno grupo de aprendizes viviam com o mestre artesão, detentor de todo o conhecimento técnico. Este oferecia, em troca de mão de obra barata e fiel, conhecimento, vestimentas e comida. Criaram-se as Corporações de Ofício, organizações que os mestres de cada cidade ou região formavam a fim de defender seus interesses. Com a Revolução Industrial, que iniciou na Inglaterra, o artesanato foi fortemente desvalorizado, deixou de ser tão importante, já que neste período capitalista o trabalho foi dividido colocando determinadas pessoas para realizarem funções específicas, essas deixaram de participar de todo o processo de fabricação. Além disso, os artesãos eram submetidos à péssimas condições de trabalho e baixa remuneração. Este processo de divisão de trabalho recebeu o nome de linha de montagem. Os teóricos do século XIX, como Karl Marx e John Ruskin, e artistas (ver: Romantismo) criticavam essa desvalorização. Os intelectuais da época consideravam que o artesão tinha uma maior liberdade, por possuir os meios de produção e pelo alto grau de satisfação e identificação com o produto. Na tentativa de lidar com as contradições da Revolução Industrial, William Morris funda o grupo de Artes e Ofícios na segunda metade do século XIX, tentando valorizar o trabalho artesanal e se opondo à mecanização. Podemos pensar nos índios como os nossos mais antigos artesãos, já que, quando os portugueses descobriram o Brasil, encontraram aqui a arte da pintura utilizando pigmentos naturais, a cestaria e a cerâmica - sem falar na arte plumária, isto é, cocares, tangas e outras peças de vestuário ou ornamentos feitos com plumas de aves. O artesanato brasileiro é um dos mais ricos do mundo e garante o sustento de muitas famílias e comunidades. O artesanato faz parte do folclore e revela usos, costumes, tradições e características de cada região. O conhecimento tradicional é um produto histórico (durante longos anos) resultado do modo de vida de uma comunidade tradicional com a biodiversidade em que está inserida (intelecto coletivo ou intelecto cultural). Este saber se reconstrói na transmissão entre as gerações e, que geralmente é feita por via oral, possui uma imediata aplicação prática nesta comunidade. De acordo com o antropólogo Claude Lévi-Strauss, entre os povos tradicionais existem técnicas que foram desenvolvidas (algumas complexas) onde o espírito científico estava presente através da: curiosidade natural, prazer de conhecer, observações e, experiências com resultados práticos e imediatamente utilizáveis (atitudes científicas, empirismo: a experiência do real). O artesanato brasileiro é diversificado e garante o sustento de muitas famílias e comunidades. Fazendo parte do folclore este revela usos, costumes, tradições e características de cada região. Os indígenas são os mais antigos artesãos. Eles utilizavam a arte da pintura, usando pigmentos naturais, a cestaria e a cerâmica, sem esquecer a arte plumária como os cocares, tangas e outras peças de vestuário feitos com penas e plumas de aves. É a arte popular e de artesanato mais desenvolvidas no Brasil e desenvolveu-se em regiões propícias à extração de sua matéria prima - o barro. Nas feiras e mercados do Nordeste, se encontram os bonecos de barro, reconstituindo figuras típicas da região, como os cangaceiros, retirantes, vendedores, músicos e rendeiras. É uma manifestação cultural muito utilizada pelos índios nas suas construções de armas, utensílios, embarcações, instrumentos musicais, máscaras e bonecos. Os artesanatos em madeira produzem objetos diversificados com motivos da natureza, do universo humano e a fantasia. Exemplos disso são as carrancas, ou cabeças-de-proa, os utensílios como cocho, pilão, gamelas e móveis simples e rústicos, os engenhos, moendas, tonéis, carroças e o maior produto artesanal em madeira - contando com poucas partes de metal - são os carros de bois. A arte de trançar fibras, deixada pelos índios, inclui esteiras, redes, balaios, chapéus, peneiras e outros. Quanto à decoração, os objetos de trançados possuem uma imensa variedade, explorada através de formas geométricas, espessuras diferentes, corantes e outros materiais. Esse tipo de artesanato pode-se encontrar espalhados em diversas regiões do Norte e Nordeste do Brasil como, na Bahia, Mato Grosso, Maranhão, Pará e o Amazonas. Cada povo indígena tem seu próprio artesanato. Em geral, a tinta usada pelas tribos é uma tinta natural, proveniente de árvores ou frutos. Os adornos e a arte plumária são outro importante trabalho indígena. A grande maioria das tribos desenvolvem a cerâmica e a cestaria. E como passatempo ou em rituais sagrados, os índios desenvolveram flautas e chocalhos. Os principais tipos de artesanato são: plumária, cestaria, máscaras e, cerâmica. Plumária: caracterizada pelo uso de penas/plumas de diversas aves para criar adornos e peças cerimoniais. Cestaria: caracterizada pelo uso de fibras naturais (cipó, palha e, palmeira) na produção de itens funcionais (cestas e peneiras), onde cada etnia possui métodos de tecelagem, e usam símbolos culturais para representarem a identidade indígena. Máscara: o principal elemento nos rituais/cerimônias, que representam figuras espirituais e ancestrais, caracterizada pelo uso de madeira e couro, são pintadas com símbolos em referência ao poder e ao espiritual. Cerâmica: uma das formas mais antigas de artesanato, sendo a mais praticada entre os indígenas, que é produzida com a modelagem da argila na criação de utensílios do cotidiano (potes e tigelas) e peças ornamentais pintadas com grafismo. O artesanato sustentável é uma modalidade que une o artesanato com a sustentabilidade ambiental. Trata-se da utilização da reciclagem na produção de objetos artesanais. Atualmente muitos vêm falando sobre sustentabilidade e preservação do meio ambiente. Estudiosos e pesquisadores buscam maneiras de preservar a natureza e para isso tentam conscientizar a sociedade sobre o grande consumismo que está ocorrendo, o lixo que vem sendo produzido e o impacto que isso causa no ambiente em que vivemos, demonstrando as consequências que sofreremos se continuarmos tendo a atitude de hoje no futuro, pois são poucos os que de fato se preocupam com isso. Atualmente, encontram-se vários artesãos que usam como matéria-prima objetos que para muitos não passam de lixo. Obras com reconhecimento mundial são feitas a partir de materiais recicláveis. Os objetos mais produzidos são os artigos de decoração, como exemplos de artistas que transformam lixo em arte são: Sayaka Kajita, artista japonesa que cria obras de escultura com plástico; Ann Smith, americana que utiliza peças quebradas de eletrodomésticos para criar robôs em forma de animais e também o artista brasileiro Jaime Prades, transformando pedaços de madeira jogados na rua em esculturas de árvores. Para a produção de artesanato sustentável os artesãos usam materiais que são de fácil acesso e podem ser encontrados na rua, como garrafas de vidro, papelão, lâmpadas, latas de refrigerante, entre outros objetos que constantemente estão sendo jogados no meio ambiente e que acabam poluindo a natureza. Mas é preciso ter em mente que nenhum objeto se perde, qualquer lixo encontrado na rua pode se tornar uma obra prima de grande valor, apenas é preciso unir a conscientização e a criatividade para diminuir o impacto ambiental e favorecer a cultura. A cultura de uma cidade é importante porque permite que valores não sejam perdidos, cada lugar tem suas tradições, origens, movimentos religiosos entre outras práticas, e unir o artesanato à cultura possibilita a representação das práticas culturais e renova a história dos povos. RegadorPrimitivo.jpg|Regador produzido artesanalmente Artesão REFON.jpg|Artesão entalhando em baixo relevo Artesanato_Bordado.jpg|Exemplo de artesanato bordado em execução. Artesanato_pedra_sabao.jpg|Artesanato utilitário em pedra sabão. Luminaria artesanal.JPG|Luminária produzida com materiais recicláveis. Handicraftdelhi.jpg|Loja de artesanato em Déli . Art of Babaçu.JPG|Artesanato com coco babaçu, no nordeste do Brasil
Ateísmo, num sentido amplo, é a ausência de crença na existência de divindades. O ateísmo é oposto ao teísmo, O termo ateísmo, proveniente do ), que significa "sem Deus", foi aplicado com uma conotação negativa àqueles que se pensava rejeitarem os deuses adorados pela maioria da sociedade. Com a difusão do pensamento livre, do ceticismo científico e do consequente aumento da crítica à religião, a abrangência da aplicação do termo foi reduzida. Os primeiros indivíduos a identificarem-se como "ateus" surgiram no . Os ateus tendem a ser céticos em relação a afirmações sobrenaturais, citando a falta de evidências empíricas que provem sua existência. Os ateus têm oferecido vários argumentos para não acreditar em qualquer tipo de divindade. O complexo ideológico ateísta inclui: o problema do mal, o argumento das revelações inconsistentes e o argumento da descrença. Outros argumentos do ateísmo são filosóficos, sociais e históricos. Embora alguns ateus adotem filosofias seculares, não há nenhuma ideologia ou conjunto de comportamentos que todos os ateus sigam. Na cultura ocidental, assume-se frequentemente que os ateus são irreligiosos, embora alguns ateus sejam espiritualistas. Ademais, o ateísmo também está presente em certos sistemas religiosos e crenças espirituais, como o jainismo, o budismo e o hinduísmo. O jainismo e algumas formas de budismo não defendem a crença em deuses, enquanto o hinduísmo mantém o ateísmo como um conceito válido, mas difícil de acompanhar espiritualmente. Como os conceitos sobre a definição do ateísmo variam, é difícil determinar quantos ateus existem no mundo atualmente com precisão. Segundo uma estimativa, cerca de 2,3% da população mundial descreve-se como ateia, enquanto 11,9% descreve-se como não-religiosa. Itália, Espanha, Reino Unido, Alemanha e França . No grego antigo, o adjetivo ) é formado pelo prefixo a, significando "ausência" e o radical "teu", derivado do grego theós, significando "deus". O significado literal do termo é, então, "sem deus". A palavra passou a indicar de forma mais direta pessoas que não acreditavam em deuses no, adquirindo definições como "cortar relações com os deuses" ou "negar os deuses". O termo ἀσεβής passou então a ser aplicado contra aqueles que impiamente negavam ou desrespeitavam os deuses locais, ainda que crendo em outros deuses. Modernas traduções de textos clássicos, por vezes tornam atheos em "ateu". Como substantivo abstrato, também existia ἀθεότης (atheotes), "ateísmo". Cícero traduziu a palavra do grego para o latim como atheos. O termo era frequentemente usado pelas duas partes, no sentido pejorativo, no debate entre os primeiros cristãos e os helênicos. O termo "ateísmo" foi utilizado pela primeira vez para descrever a opção livre pessoal na Europa do final do, especificamente denotando descrença no deus monoteísta abraâmico. No, a globalização contribuiu para a expansão do termo para referir-se à descrença em todos os deuses, embora ainda seja comum na sociedade ocidental descrever o ateísmo como simples "descrença em Deus." Mais recentemente, tem havido um movimento em certos círculos filosóficos para redefinir ateísmo como a "ausência de crença em divindades", e não como uma crença em si mesmo; esta definição tornou-se popular em comunidades ateístas, embora sua utilização tenha sido limitada. Autores discutem entre si sobre qual a melhor forma de definir e classificar o "ateísmo", contestando quais as entidades sobrenaturais a que o termo se aplica, se é uma afirmação por direito próprio ou se é meramente a ausência de uma, e se requer uma rejeição consciente, explícita. Uma variedade de categorias têm sido propostas para tentar distinguir as diferentes formas de ateísmo. Alguma da ambiguidade e controvérsia envolvida na definição do ateísmo resulta da dificuldade em chegar a um consenso sobre a definição de palavras como "divindade" e "Deus". A pluralidade de concepções muito diferentes de deus e de divindades conduz a ideias conflituosas sobre a aplicabilidade do ateísmo. Os antigos romanos acusavam os cristãos de serem ateus por não adorarem os seus deuses pagãos. Aos poucos, essa visão caiu em desuso, pois o teísmo passou a ser entendido como a crença em qualquer divindade. As definições do ateísmo também variam quanto ao grau de consideração que uma pessoa deve dar à ideia de deus (ou deuses) para ser considerado um ateu. O ateísmo tem sido por vezes definido para incluir a simples ausência de crença na existência de qualquer divindade. Essa definição ampla incluiria os recém-nascidos e outras pessoas que não tenham sido expostas a ideias teístas. Já em 1772, o Barão d'Holbach disse que: "Todas as crianças nascem ateias, elas não têm ideia de Deus". Do mesmo modo, o escritor norte-americano George H. Smith sugeriu em 1979 que: "O homem que não está familiarizado com o teísmo é ateu porque não acredita em um deus. Esta categoria também incluiria a criança com a capacidade conceitual de compreender as questões envolvidas, mas que ainda não tomou conhecimento dessas questões. O fato de que esta criança não acredita em Deus qualifica-a como ateu." Smith cunhou o termo "ateísmo implícito" para se referir à "ausência de crença teísta sem uma rejeição consciente dela" e "ateísmo explícito" para referir-se à definição mais comum de descrença consciente. Ernest Nagel contradiz a definição de Smith sobre o ateísmo como uma mera "ausência de teísmo", reconhecendo apenas o ateísmo explícito como "ateísmo" verdadeiro. Filósofos como Antony Flew e Michael Martin têm contrastado o ateísmo positivo (forte/duro) com o ateísmo negativo (fraco/suave). O ateísmo positivo é a afirmação explícita de que os deuses não existem. O ateísmo negativo inclui todas as outras formas de não-teísmo. Segundo esta classificação, quem não é um teísta é um ateu negativo ou positivo. Os termos "ateísmo forte" e "ateísmo fraco" são relativamente recentes, enquanto os termos "ateísmo negativo" e "ateísmo positivo" são de origem mais antiga, tendo sido utilizados (de maneira ligeiramente diferente) na literatura filosófica Sob esta demarcação do ateísmo, a maioria dos agnósticos podem ser qualificados como ateus negativos. Como mencionado acima, os termos "positivo" e "negativo" têm sido usados na literatura filosófica de uma forma similar aos termos "forte" e "fraco", respectivamente. No entanto, o livro Ateísmo Positivo, do escritor indiano Goparaju Ramachandra Rao, publicado pela primeira vez em 1972, introduziu um uso alternativo do termo. Tendo crescido em um sistema hierárquico com uma base religiosa, Gora pedia uma Índia secular e sugeriu diretrizes para uma filosofia ateísta positiva, ou seja, uma que promova os valores positivos. O ateísmo positivo, definido desta forma, implica coisas como moralmente reto, mostrando um entendimento de que as pessoas religiosas têm razões para acreditar, sem proselitismo ou dando lições sobre o ateísmo e defender-se com honestidade, em vez de com o objetivo de "ganhar" qualquer confronto com os críticos sinceros. Enquanto Martin, por exemplo, afirma que o agnosticismo implica o "ateísmo negativo", A afirmação da intangibilidade do conhecimento a favor ou contra a existência de deuses é às vezes vista como indicação de que o ateísmo requer fé. As respostas comuns de ateus contra este argumento incluem que proposições religiosas não comprovadas merecem tanta descrença quanto todas as outras proposições não comprovadas e que a improbabilidade da existência de um deus não implica igual probabilidade para ambas as possibilidades. O filósofo inglês J. J. C. Smart argumenta ainda que "às vezes uma pessoa que é realmente ateia pode descrever-se, mesmo apaixonadamente, como agnóstica devido ao irrazoável ceticismo filosófico generalizado que nos impediria de dizer que sabemos alguma coisa qualquer, exceto, talvez, as verdades da matemática e da lógica formal." Por conseguinte, alguns autores ateus como Richard Dawkins preferem distinguir as posições teísta, agnóstica e ateia segundo a probabilidade que cada uma delas atribui à afirmação "Deus existe". Antes do, a existência de Deus era tão universalmente aceita no mundo ocidental, que mesmo a possibilidade do ateísmo verdadeiro era questionada. Isso é chamado de inatismo teísta, a noção de que todas as pessoas acreditam em Deus, desde o nascimento; dentro desta visão estava a conotação de que os ateus estão simplesmente em negação. Existe também uma posição alegando que os ateus são rápidos a acreditar em Deus em tempos de crise, que os ateus fazem conversões no leito de morte, ou de que "não existem ateus nas trincheiras." Alguns defensores dessa posição afirmam que um dos benefícios da religião é que a fé religiosa permite aos seres humanos suportarem melhor as dificuldades, funcionando como o "ópio do povo". Contudo, tem havido exemplos do contrário, entre os quais exemplos de literais "ateus nas trincheiras." Alguns ateus questionam a própria necessidade de usar o termo "ateísmo". Em seu livro Carta a Uma Nação Cristã, Sam Harris escreve: O ateísmo não é uma filosofia; não é mesmo uma visão do mundo; é simplesmente a admissão do óbvio. Na verdade, o "ateísmo" é um termo que nem sequer deveria existir. Nunca ninguém precisa identificar-se como um "não-astrólogo" ou "não-alquimista". Não temos palavras para pessoas que duvidam que Elvis ainda está vivo ou que extraterrestres têm atravessado a galáxia só para molestar fazendeiros e seu gado. O ateísmo é nada mais do que ruídos que as pessoas razoáveis ​​fazem na presença de crenças religiosas injustificadas. um defensor do ateísmo no A mais ampla demarcação da lógica ateísta é entre o ateísmo prático e teórico. No ateísmo prático ou pragmático, também conhecido como apateísmo, os indivíduos vivem como se não existissem deuses e explicam fenômenos naturais sem recorrer ao divino. A existência de deuses não é rejeitada, mas pode ser designada como desnecessária ou inútil; de acordo com este ponto de vista os deuses não dão um propósito à vida, nem influenciam a vida cotidiana. Uma forma de ateísmo prático, com implicações para a comunidade científica, é o naturalismo metodológico - a "adoção tácita ou assunção do naturalismo filosófico no método científico, aceitando-o ou nele acreditando, totalmente ou não." O ateísmo prático pode assumir várias formas:, Ausência de motivação religiosa — a crença em deuses não motiva a ação moral, a ação religiosa, ou qualquer outra forma de ação;, Exclusão ativa do problema dos deuses e da religião da busca intelectual e de ações concretas;, Indiferença — a ausência de qualquer interesse pelos problemas dos deuses e da religião; ou, Desconhecimento do conceito de uma divindade. O ateísmo teórico postula explicitamente argumentos contra a existência de deuses, respondendo a argumentos teístas comuns, como o argumento teleológico ou a Aposta de Pascal. Na verdade, o ateísmo teórico é principalmente uma ontologia, precisamente uma ontologia física. O ateísmo epistemológico argumenta que as pessoas não podem conhecer um Deus ou determinar a existência de um Deus. O fundamento do ateísmo epistemológico é o agnosticismo, o qual assume uma variedade de formas. Na filosofia da imanência, a divindade é inseparável do próprio mundo, incluindo a mente de uma pessoa e a consciência de cada pessoa está bloqueada no sujeito. De acordo com esta forma de agnosticismo, esta limitação de perspectiva impede qualquer inferência objetiva, desde a crença em um deus às afirmações de sua existência. O agnosticismo racionalista de Kant e do Iluminismo só aceita o conhecimento deduzido com a racionalidade humana. Esta forma de ateísmo afirma que os deuses não são perceptíveis como uma questão de princípio e, portanto, sua existência não pode ser conhecida. O ceticismo, baseado nas ideias de Hume, afirma que a certeza sobre qualquer coisa é impossível, por isso nunca se pode saber da existência de um Deus. A inclusão do agnosticismo no ateísmo é disputada; também pode ser considerado como uma visão básica do mundo independente. Um autor escreve: O ateísmo lógico sustenta que às diversas concepções de deuses, como o deus pessoal do cristianismo, são atribuídas qualidades logicamente inconsistentes. Os ateus apresentam argumentos dedutivos contra a existência de Deus que afirmam a incompatibilidade entre certas características, como a perfeição, estatuto de criador, imutabilidade, onisciência, onipresença, onipotência, onibenevolência, transcendência, a pessoalidade (um ser pessoal), não-fisicalidade, justiça e misericórdia. Os ateus teodiceanos acreditam que o mundo como o experimentam não pode ser conciliado com as qualidades normalmente atribuídas a Deus e aos deuses pelos teólogos. Eles argumentam que um Deus onisciente, onipotente e onibenevolente não é compatível com um mundo onde existe o mal e o sofrimento, e onde o amor divino está escondido de muitas pessoas. Um argumento semelhante é atribuído a Siddhartha Gautama, o fundador do budismo. Filósofos como Ludwig Feuerbach e Sigmund Freud argumentaram que Deus e outras crenças religiosas são invenções humanas, criadas para atender a várias necessidades psicológicas e emocionais. Esta é também uma visão de muitos budistas. Karl Marx e Friedrich Engels, influenciados pela obra de Feuerbach, argumentaram que a crença em Deus e na religião são funções sociais, utilizadas por aqueles no poder para oprimir a classe trabalhadora. De acordo com Mikhail Bakunin, "a ideia de Deus implica a abdicação da razão e da justiça humanas; é a negação mais decisiva da liberdade humana, e, necessariamente, termina na escravização da humanidade, na teoria e na prática." Ele inverteu o famoso aforismo de Voltaire de que se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo, escrevendo que "se Deus realmente existisse, seria necessário aboli-lo." O ateísmo axiológico, ou construtivo, rejeita a existência de deuses em favor de um "absoluto maior", como a humanidade. Esta forma de ateísmo favorece a humanidade como fonte absoluta da ética e valores, e permite que os indivíduos resolvam problemas morais, sem recorrerem a Deus. Marx e Freud utilizaram este argumento para transmitir mensagens de libertação, de desenvolvimento integral e de felicidade sem restrições. ou torna a vida sem sentido e miserável. Blaise Pascal argumentou esta visão nos seus Pensées. O filósofo francês Jean-Paul Sartre identificou-se como um representante de um "existencialismo ateísta", menos preocupado com negar a existência de Deus do que estabelecer que o "homem precisa... encontrar-se novamente e entender que nada pode salvá-lo de si mesmo, nem mesmo uma prova válida da existência de Deus."" Sartre disse que um corolário de seu ateísmo era que "se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes que ele possa ser definido por qualquer conceito, e ... este ser é o homem." O acadêmico Rhiannon Goldthorpe sugeriu que alguns dos escritos de Sartre estavam "permeados por um 'ateísmo cristão', no qual crenças antigas ainda alimentam a imaginação e a sensibilidade do cético mais radical." O acadêmico Priest Stephen descreve a perspectiva de Sartre como "uma metafísica ateísta." O tradutor de Sartre, Hazel Barnes, escreveu sobre aquele: "O Deus que ele rejeita não é um poder vago, um X desconhecido que explicaria a origem do universo, nem tão pouco é um ideal ou um mito para simbolizar a busca do homem pelo Bem. É especificamente o Deus dos Escolásticos ou, pelo menos, qualquer ideia de Deus como um Criador específico, todo-poderoso, absoluto e existente." Apesar do termo ateísmo ter origem na França do, ideias que seriam hoje reconhecidas como ateístas estão documentadas desde a antiguidade clássica e o período védico. Escolas ateístas são encontradas no hinduísmo antigo, e existem desde o tempo da religião védica. Entre as seis escolas ortodoxas (āstika e nāstika) da filosofia hindu, Sânquia, o mais antigo sistema filosófico, não aceita Deus, enquanto a antiga Mimamsa também rejeita a noção de divindade, e sustenta que a própria ação humana é suficiente para criar as circunstâncias necessárias à apreciação dos seus frutos. A completamente materialista e antiteísta escola filosófica Carvaka que se originou na Índia em torno do é provavelmente a escola de filosofia mais explicitamente ateísta da Índia, similar à escola cirenaica grega. Este ramo da filosofia indiana é classificado como heterodoxo devido à sua rejeição da autoridade dos Vedas e não é considerado parte das seis escolas ortodoxas do hinduísmo, mas é notável como evidência de um movimento materialista dentro do hinduísmo. Chatterjee e Datta explicam que a nossa compreensão da filosofia Carvaka é fragmentária, baseada principalmente na crítica das suas ideias por outras escolas, e que não é uma tradição viva: Outras filosofias indianas geralmente consideradas como ateístas incluem samkhya clássica e mimāṃsā. A rejeição de um Deus criador pessoal também é observada no jainismo e no budismo na Índia. O ateísmo ocidental tem suas raízes na filosofia grega pré-socrática, mas não emerge como uma visão do mundo distinta até o final do Iluminismo. O filósofo grego do Diágoras é conhecido como o "primeiro ateu" e é citado como tal por Cícero no seu De Natura Deorum. Crítias via a religião como uma invenção humana usada para assustar as pessoas e fazê-las seguir a ordem moral. Atomistas como Demócrito tentaram explicar o mundo de uma forma puramente materialista, sem referência ao espiritual ou místico. Entre outros filósofos pré-socráticos, que provavelmente tinham pontos de vista ateístas, incluem-se Pródico e Protágoras. No os filósofos gregos Teodoro, o Ateu e Estratão de Lâmpsaco também não acreditavam que deuses existiam. Sócrates (c. 471-) foi acusado de impiedade (ver Dilema de Eutífron) baseado no fato de ele ter inspirado o questionamento dos deuses do Estado. Embora ele tenha contestado a acusação de que era um "ateu completo", dizendo que não podia ser um ateu, visto que acreditava em espíritos, acabaria por ser condenado à morte. Sócrates também reza a vários deuses no Fedro de Platão e diz "Por Zeus" no diálogo A República. Evêmero (c. 330-260 a.C.) publicou sua visão de que os deuses eram apenas os governantes, conquistadores e fundadores do passado deificados, e que os seus cultos e religiões eram, em essência, a continuação dos reinos que desapareceram e das estruturas políticas anteriores. Embora não fosse estritamente um ateu, Evêmero mais tarde foi criticado por ter "espalhado o ateísmo por toda a terra habitada ao obliterar os deuses." O atomista e materialista Epicuro (c. 341-270 a.C.) disputou muitas doutrinas religiosas, incluindo a existência de vida após a morte ou uma divindade pessoal; ele considerava a alma puramente material e mortal. Embora o epicurismo não tenha descartado a existência de deuses, ele acreditava que, se existissem, eles estavam despreocupados com a humanidade. O poeta romano Lucrécio (c. 99-), concordou que, se houvesse deuses, estavam despreocupados com a humanidade e eram incapazes de afetar o mundo natural. Por esta razão, ele acreditava que a humanidade não devia ter medo do sobrenatural. Ele expõe seus pontos de vista epicuristas sobre o cosmos, átomos, alma, mortalidade e religião em De rerum natura, que popularizou a filosofia de Epicuro em Roma. O filósofo romano Sexto Empírico defendia que se deve suspender o julgamento sobre praticamente todas as crenças - uma forma de ceticismo conhecida como pirronismo - que nada era inerentemente mau e que a ataraxia ("paz de espírito") é atingível se nos refrearmos de julgar. O volume relativamente grande de obras suas que sobreviveram, teve uma influência duradoura sobre filósofos posteriores. O significado do termo "ateu" mudou ao longo da antiguidade clássica. Os primeiros cristãos eram rotulados como ateus pelos não-cristãos por causa da sua descrença nos deuses pagãos. Durante o Império Romano, os cristãos foram executados por sua rejeição aos deuses romanos em geral e ao culto imperial em particular. Quando o cristianismo se tornou a religião estatal de Roma sob o governo de Teodósio I em 381, a heresia tornou-se um delito punível. A adoção de pontos de vista ateístas era rara na Europa durante a Alta Idade Média e Idade Média (ver Inquisição medieval); metafísica, religião e teologia eram os interesses dominantes. Houve, no entanto, movimentos deste período que promoveram concepções heterodoxas do Deus cristão, incluindo pontos de vista diferentes sobre a natureza, a transcendência e a cognoscibilidade de Deus. Indivíduos e grupos, tais como João Escoto Erígena, David de Dinant, Amalarico de Bena e os Irmãos do Livre Espírito mantinham pontos de vista cristãos, mas com tendências panteístas. Nicolau de Cusa sustentava uma forma de fideísmo que chamou de docta ignorantia ("ignorância aprendida"), afirmando que Deus está além da categorização humana e que o nosso conhecimento de Deus é limitado à conjectura. Guilherme de Ockham inspirou tendências antimetafísicas com a sua limitação nominalista do conhecimento humano para objetos singulares e afirmou que a essência divina não poderia ser intuitivamente ou racionalmente apreendida pelo intelecto humano. Seguidores de Ockham, como João de Mirecourt e Nicolau de Autrecourt, expandiram esta visão. A divisão resultante entre a fé e a razão influenciou teólogos posteriores, como John Wycliffe, Jan Hus e Martinho Lutero. Ele foi seguido por outros pensadores abertamente ateus, como o Barão d'Holbach e Jacques-André Naigeon. O filósofo David Hume desenvolveu uma epistemologia cética fundamentada no empirismo, enfraquecendo a base metafísica da teologia natural. Outros ateus que se destacaram no Iluminismo foram Denis Diderot e Jean le Rond d'Alembert, autores do Encyclopédie, documento que reunia todos os conhecimentos de até então. A Revolução Francesa tirou o ateísmo e o deísmo anticlerical dos salões e colocou-os na esfera pública. Um dos principais objetivos da Revolução Francesa foi uma reestruturação e subordinação do clero em relação ao Estado através da Constituição Civil do Clero. As tentativas para aplicá-la levaram à violência anticlerical e à expulsão de muitos clérigos da França. Os eventos políticos caóticos da Paris revolucionária, acabaram por permitir aos jacobinos mais radicais tomar o poder em 1793, inaugurando o Reino do Terror. Os jacobinos eram deístas e introduziram o Culto do Ser Supremo como uma religião estatal da França. Alguns ateus próximos de Jacques Hébert procuraram estabelecer um culto da razão, uma forma de pseudo-religião ateia com uma deusa personificando a razão. Ambos os movimentos, em parte, contribuíram para as tentativas forçadas de descristianizar a França. O Culto da Razão terminou depois de três anos, quando a sua liderança, incluindo Jacques Hébert, foi guilhotinada pelos jacobinos. As perseguições anticlericais terminaram com a Reação Termidoriana. A era napoleônica institucionalizou a secularização da sociedade francesa e exportou a revolução para o norte da Itália, na esperança de criar repúblicas flexíveis. No, os ateus contribuíram para várias revoluções políticas e sociais, facilitando os levantes de 1848, o Risorgimento na Itália e o crescimento de um movimento socialista internacional. Na segunda metade do, o ateísmo ganhou proeminência sob a influência de filósofos racionalistas e livre-pensadores. Muitos proeminentes filósofos alemães da época negaram a existência de divindades e eram críticos da religião, incluindo Ludwig Feuerbach, Arthur Schopenhauer, Max Stirner, Karl Marx e Friedrich Nietzsche. O ateísmo no, particularmente na forma de ateísmo prático, avançou em muitas sociedades. O pensamento ateu encontrou reconhecimento em uma ampla variedade de outras filosofias mais amplas, como o existencialismo, o objetivismo, o humanismo secular, o niilismo, o positivismo lógico, o anarquismo, o marxismo, o feminismo e o movimento científico e racionalista geral. O positivismo lógico e o cientificismo pavimentaram o caminho para o neopositivismo, a filosofia analítica, o estruturalismo e o naturalismo. O neopositivismo e a filosofia analítica descartaram o racionalismo clássico e a metafísica em favor do empirismo estrito e do nominalismo epistemológico. Proponentes como Bertrand Russell, rejeitaram enfaticamente a crença em Deus. Em seus primeiros trabalhos, Ludwig Wittgenstein tentou separar a linguagem metafísica e sobrenatural do discurso racional. A. J. Ayer afirmou a inverificabilidade e a falta de sentido das afirmações religiosas, citando a sua adesão às ciências empíricas. Relacionado com esta ideia, o estruturalismo aplicado de Lévi-Strauss ligou a origem da linguagem religiosa ao subconsciente humano ao negar o seu significado transcendental. John Niemeyer Findlay e J. J. C. Smart argumentaram que a existência de Deus não é logicamente necessária. Naturalistas e monistas materialistas, tais como John Dewey, consideravam o mundo natural como a base de tudo, negando a existência de Deus ou a imortalidade. O também assistiu ao avanço político do ateísmo, estimulado pela interpretação das obras de Marx e Engels. Após a Revolução Russa de 1917, houve mais liberdade religiosa para as minorias religiosas, o que durou alguns anos. Embora a Constituição Soviética de 1936 garantisse a liberdade para realizar cultos, o Estado soviético, sob a política de ateísmo de Estado de Stalin, não considerava a religião um assunto privado; o governo soviético ilegalizou o ensino religioso e promoveu campanhas para convencer as pessoas a abandonar a religião. Diversos outros estados comunistas também se opuseram à religião e promoveram o ateísmo estatal, incluindo os antigos governos socialistas da Albânia, e, atualmente, da China, Coreia do Norte e Cuba. Outros líderes como Periyar E. V. Ramasamy, um proeminente líder ateu da Índia, lutaram contra o hinduísmo e os brâmanes por eles discriminarem e dividirem as pessoas em nome de castas e religião. Tal foi sublinhado em 1956, quando ele erigiu uma estátua representando um deus hindu com inscrições antiteístas. Em 1966, a revista Time perguntava: "Deus está morto?", em resposta ao movimento teológico Morte de Deus, citando a estimativa de que quase metade de todas as pessoas no mundo viviam sob um poder anti-religioso e milhões mais na África, Ásia e América do Sul pareciam não ter conhecimento sobre o Deus único. Em 1967, o governo albanês de Enver Hoxha anunciou o fechamento de todas as instituições religiosas no país, declarando a Albânia o primeiro Estado oficialmente ateu, embora a prática religiosa na Albânia tenha sido restaurada em 1991. Estes regimes acentuaram as associações negativas do ateísmo, especialmente onde o sentimento anticomunista era forte, como nos Estados Unidos, apesar do fato de que ateus proeminentes serem anticomunistas. Desde a queda do Muro de Berlim, o número de regimes ativamente anti-religiosos tem diminuído consideravelmente. Em 2006, Timothy Shah do Fórum Pew constatou "uma tendência mundial em todos os grandes grupos religiosos, na qual movimentos baseados em Deus e na fé, em geral, estão experimentando confiança e influência crescentes face aos movimentos e ideologias seculares". No entanto, Gregory S. Paul e Phil Zuckerman consideram isso um mito e sugerem que a situação real é muito mais complexa e matizada. A motivação religiosa dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e as tentativas parcialmente bem-sucedidas do Discovery Institute para mudar o currículo de ciências das escolas estadunidenses para incluir ideias criacionistas, juntamente com o apoio dessas ideias pelo ex-presidente George W. Bush em 2005, desencadearam uma onda de publicações de conhecidos autores ateus como Sam Harris, Daniel C. Dennett, Richard Dawkins, Victor J. Stenger e Christopher Hitchens, cujas obras foram best-sellers nos Estados Unidos e em todo o mundo, movimento que passou a ser conhecido como Novo Ateísmo. Um levantamento de 2010 descobriu que aqueles que se identificam como ateus ou agnósticos estão, em média, mais bem informados sobre religião do que os seguidores das religiões principais. Descrentes tiveram melhores pontuações respondendo a questões sobre os princípios centrais das fés protestante e católica. Apenas fiéis mórmons e judeus tiveram tão boas pontuações sobre religião quanto os ateus e agnósticos. É difícil quantificar o número de ateus no mundo. Institutos de pesquisas de crença religiosa podem definir o "ateísmo" de várias maneiras diferentes ou fazer diferentes distinções entre ateísmo, convicções não-religiosas e crenças religiosas e espirituais não-teístas. Por exemplo, um ateu hindu iria declarar-se como hindu, apesar de também ser, ao mesmo tempo, ateu. Um estudo de 2005, publicado na Encyclopædia Britannica, revelou que os não-religiosos representam cerca de 11,9% da população mundial e os ateus cerca de 2,3%. Este número não inclui aqueles que seguem religiões ateias, como alguns budistas. Uma enquete realizada entre novembro e dezembro de 2006, publicada no Financial Times, mostrou as taxas de população ateia nos Estados Unidos e em cinco países europeus. As menores taxas de ateísmo estão nos Estados Unidos com apenas 4%; as taxas de ateísmo nos países europeus pesquisados foram consideravelmente mais altas: Itália, Espanha, Reino Unido, Alemanha e França . Os números europeus são semelhantes aos de uma pesquisa oficial da União Europeia, que relatou que 18% da população da UE não acredita em um deus. Outros estudos têm mostrado uma porcentagem estimada de ateus, agnósticos e outros não-crentes em um deus pessoal de apenas um dígito em países como Polônia, Romênia, Chipre e outros países europeus, e de até 85% na Suécia, 80% na Dinamarca, 72% na Noruega e 60% na Finlândia. No Uruguai, entre 30 e 50% da população assume não ter religião. enquanto uma pesquisa da União Europeia encontrou uma correlação positiva entre o abandono escolar precoce e a crença em um deus. Em contrapartida, um artigo publicado pela Universidade de Chicago que discutiu o referido estudo, afirmou que 76% dos médicos estadunidenses acreditam em Deus, mais do que os 7% dos cientistas acima, mas ainda inferior aos 85% da população em geral. No mesmo ano, Frank Sulloway, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Michael Shermer, da Universidade do Estado da Califórnia, conduziram um estudo que encontrou em sua amostra de pesquisa de "credenciados" adultos dos Estados Unidos (12% doutorados e 62% eram graduados universitários) 64% que acreditavam em Deus e houve uma correlação indicando que a convicção religiosa diminuiu com o aumento do nível de escolaridade. Uma correlação inversa entre religiosidade e inteligência foi encontrada por 39 estudos realizados entre 1927 e 2002, de acordo com um artigo na Mensa International Magazine. Estes resultados concordam em geral com uma metanálise realizada em 1958 pelo professor Michael Argyle, da Universidade de Oxford. Ele analisou sete estudos que investigaram a correlação entre a atitude em relação à religião e o nível de inteligência entre os estudantes do ensino médio e universitários dos Estados Unidos. Apesar de uma clara correlação negativa ter sido encontrada, a análise não identificou existência de causalidade, mas observou que fatores como histórico familiar autoritário e classe social também poderiam desempenhar algum papel. De acordo com dados do Censo brasileiro de 2010 do IBGE, 8,0% da população brasileira declarou-se "sem religião" (15,3 milhões), dentre as quais cerca de 615 mil declararam-se ateias. No Censo de 2000, estes correspondiam a 7,4% (cerca de 12,5 milhões) da população. No Brasil, o estado da Bahia é o quarto com maior número de pessoas sem religião; o primeiro é o Rio de Janeiro. O segundo lugar fica com Álvaro de Carvalho, com 40% sem religião. Uma pesquisa do Gallup de 2015 encontrou uma correlação entre ateísmo, anos de estudos e PIB per capita. Indivíduos com menor nível de instrução são mais religiosos, embora os religiosos sejam maioria em todos os níveis educacionais. Mais importante que os anos de estudo, é a renda: entre os indivíduos com renda média-alta ou alta, menos de 50% se dizem religiosos, contra 70% dos com renda baixa ou média-baixa. Em um outro estudo, o paleontologista Gregory Paul chegou à conclusão de que não existe nenhuma sociedade altamente religiosa que seja altamente desenvolvida socialmente. Das dez nações mais religiosas do mundo, todas têm um PIB per capita inferior a 14,1 mil dólares. Pesquisadores observaram que a religiosidade é maior em regiões pobres em decorrência da maior "insegurança existencial". Uma pesquisa do Pew Research Center, de 2018, concluiu que a religiosidade diminui em países onde as pessoas têm maior nível de escolaridade, onde o PIB é mais alto e a desigualdade social menor. Etiópia, Indonésia, Nigéria e Uganda são países onde elevada percentagem da população considera a religião "muito importante" nas suas vidas, contrastando com China, Japão, Suécia, Reino Unido e Alemanha (10% cada), lugares onde poucas pessoas dão a mesma resposta. No Brasil, 72% consideram a religião "muito importante" nas suas vidas. Em comparação com pessoas religiosas, "ateus e pessoas laicas" são menos nacionalistas, preconceituosas, antissemitas, racistas, dogmáticas, etnocêntricas, mentalmente fechadas e autoritárias. Nos Estados Unidos, nos estados com os maiores percentuais de ateus na população, a taxa de homicídios é menor do que a média. Na maioria dos estados religiosos dos Estados Unidos, a taxa de homicídios é superior à média. Assume-se frequentemente que pessoas que se auto-identificam como ateus são irreligiosas, mas algumas seitas dentro das principais religiões, rejeitam a existência de uma divindade criadora e pessoal. Nos últimos anos, certas denominações religiosas têm acumulado uma série de seguidores abertamente ateus, tais como o judaísmo humanístico e ateísta e ateus cristãos. O sentido mais estrito do ateísmo positivo não implica quaisquer crenças específicas fora da descrença em qualquer divindade, como tal, os ateus podem ter qualquer número de crenças espirituais. Pela mesma razão, os ateus podem ter uma grande variedade de crenças éticas, que vão desde o universalismo moral do humanismo, que defende que um código moral deve ser aplicado consistentemente a todos os seres humanos, ao niilismo moral, que sustenta que a moralidade não tem sentido. Embora seja um truísmo filosófico, encapsulado no Dilema de Eutífron de Platão, que o papel dos deuses na diferenciação entre certo e errado ou é desnecessário ou arbitrário, o argumento de que a moralidade tem que ser derivada de Deus e que não pode existir sem um criador sábio tem sido uma característica persistente de debate político, ainda que não tanto do filosófico. Preceitos morais, como "o assassinato é errado" são vistos como leis divinas, requerendo um legislador ou juiz divino. No entanto, muitos ateus argumentam que o tratamento legalista da moralidade envolve uma falsa analogia e que a moralidade não depende de um legislador da mesma forma que as leis. Outros ateus, como Friedrich Nietzsche, discordaram desta opinião e declararam que a moralidade "tem verdade apenas se Deus é a verdade, portanto fica em pé ou cai de acordo com a fé em Deus." Existem sistemas normativos éticos que não necessitam que os princípios e regras sejam fornecidos por uma divindade. Alguns incluem ética da virtude, contrato social, ética kantiana, utilitarismo e o objetivismo. Sam Harris propôs que a prescrição moral (criar regras éticas) não é apenas uma questão a ser explorada pela filosofia, mas que podemos praticar significativamente uma ciência da moralidade. Um tal sistema científico deve, no entanto, responder ao criticismo consubstanciado na falácia naturalista. Os filósofos Susan Neiman e Julian Baggini (entre outros) afirmam que o comportamento ético apenas devido ao mandato divino não é o comportamento ético verdadeiro, mas apenas a obediência cega. Baggini argumenta que o ateísmo é uma base superior para a ética, afirmando que uma base moral externa aos imperativos religiosos é necessária para avaliar a moralidade dos próprios imperativos - para ser capaz de discernir, por exemplo, que "furtarás" é imoral, mesmo que a sua religião o instrua a fazer isso - e que os ateus, portanto, têm a vantagem de estarem mais inclinados a fazer tais avaliações. O político e filósofo contemporâneo britânico Martin Cohen ofereceu o exemplo historicamente mais revelador de injunções bíblicas em favor da tortura e escravidão como evidência de que as injunções religiosas seguem os costumes políticos e sociais, e não vice-versa, mas também observou que a mesma tendência parece ser verdadeira para filósofos supostamente imparciais e objetivos. Cohen explana esse argumento com mais detalhes na Filosofia Política de Platão a Mao, no caso do Alcorão que ele vê como tendo tido um papel geralmente infeliz na preservação dos códigos sociais do início do por meio de mudanças na sociedade secular. Alguns ateus proeminentes, tais como Bertrand Russell, Christopher Hitchens, Sam Harris e Richard Dawkins, têm criticado as religiões, citando aspectos nocivos das práticas e doutrinas religiosas. Os ateus têm-se envolvido muitas vezes em debates com defensores da religião, e os debates por vezes tratam a questão de saber se as religiões oferecem um benefício líquido para os indivíduos e para a sociedade. Um argumento de que as religiões podem ser prejudiciais, feito por ateus como Sam Harris, é que a dependência das religiões ocidentais da autoridade de Deus presta-se ao autoritarismo e ao dogmatismo. Os ateus também citaram dados mostrando que há uma correlação entre fundamentalismo religioso e religião extrínseca (quando a religião é praticada porque serve a interesses ocultos) e autoritarismo, dogmatismo e preconceito. Estes argumentos, combinados com eventos históricos que são argumentos para demonstrar os perigos da religião, como as Cruzadas, Inquisição, caça às bruxas e os ataques terroristas, têm sido usados em resposta às reivindicações dos efeitos benéficos da crença na religião. O ateísmo sempre foi uma doutrina perseguida, clandestina e discriminada. Durante a cristianização do Império Romano, o ateísmo foi considerado crime terrível e praticamente deixou de existir na história das ideias europeias. Até o, devido ao poder político-eclesiástico, o indivíduo que assumisse oposição aos ensinamentos da Igreja seria recriminado pela sociedade e pelo governo com acusações de desonestidade, rebeldia, incredulidade e libertinagem. Uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup em 1999 comprova que 95% dos estadunidenses votaria em uma mulher para presidente, 92% votaria em um judeu ou negro, 79% em um homossexual mas apenas 49% votaria em um ateu. A revista Newsweek estima uma porcentagem ainda menor: 37% Uma pesquisa de 2007 encomendada pela CNT/Sensus revela que 84% dos brasileiros votariam em um negro para Presidente da República, 57% em uma mulher, 32% em um homossexual mas apenas 13% votaria em um ateu. Uma pesquisa de agosto de 2010 realizada pelo Núcleo de Opinião Pública em uma iniciativa da Fundação Perseu Abramo e SESC revelou que 66% das mulheres brasileiras jamais votariam em um ateu e 11% dificilmente votaria, enquanto 61% dos homens brasileiros nunca votaria e 13% dificilmente votaria. Uma pesquisa realizada no dia 13 de dezembro de 2012 pelo Datafolha indica que 86% dos brasileiros acreditam que a crença em Deus torna as pessoas melhores, enquanto que apenas 13% acreditam que a implicação não é obrigatória. Uma pesquisa do Pew Research Center, de 2013, perguntou se as pessoas acham ser necessário acreditar em Deus para se ter moral e bons valores. Indonésia, Gana (99% cada), Paquistão e Egito foram países onde elevadíssima percentagem da população respondeu que sim, contrastando com França, República Checa, Espanha (19% cada) e Grã-Bretanha, lugares onde a maioria da população não acredita nessa correlação. No Brasil, 86% responderam que é necessário acreditar em Deus para se ter moral e bons valores e apenas 13% disseram que essa correlação não é verdadeira. Nesse contexto, o Brasil situa-se mais próximo dos países da África e do Oriente Médio do que da Europa. Segundo levantamento da Fundação Perseu Abramo, de 2008, 42% dos brasileiros admitiram sentir aversão a quem não crê em Deus. Desses, 17% declararam sentir ódio ou repulsa e 25%, antipatia. Segundo relatório do Parlamento Europeu de 2017, pessoas não religiosas estão submetidas a "discriminação severa" em 85 países do mundo, sendo que em 12 países a apostasia (troca ou abandono de religião) é punível com a pena de morte. Conforme a Associação Americana de Livreiros, em 2005 as obras da categoria "céticos e ateus" registraram o maior crescimento da história até então e o segundo maior entre os demais gêneros. A revista mensal com a quinta maior tiragem dos Estados Unidos, entre as especializadas, é uma publicada pela Sociedade dos Céticos. Na Fox News, o programa Bullshit! dissemina o ateísmo e a dupla de mágicos Penn Jillette e Raymond Joseph Teller desmascara truques místicos. Associação Ateísta Portuguesa, Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, Aliança Ateia Internacional, American Atheists, Federação Humanista Europeia, União Internacional Ética e Humanista, Freedom From Religion Foundation
América (algumas vezes referida como Américas;, ) é o continente localizado no hemisfério ocidental, estendendo-se no sentido norte-sul, desde o oceano Ártico até o Cabo Horn, ao longo de cerca de 15 mil quilômetros. É o segundo maior continente do mundo em extensão territorial. O seu extremo oriental insular (não continental) encontra-se na Groenlândia, o Nordostrundingen, enquanto o ocidental localiza-se nas Aleutas. Já os extremos continentais (não insulares) são o cabo Príncipe de Gales, o extremo ocidental, no Alasca, e a ponta do Seixas, extremo oriental, no estado brasileiro da Paraíba. A América compõe-se de duas massas de dimensões continentais (a América do Norte e América do Sul) ligadas por um istmo (o istmo do Panamá) que é cortado por um canal (o Canal do Panamá). Além dessas divisões, também se reconhecem as regiões da América Central e Mesoamérica, com base em critérios geográficos e culturais. Os cinco maiores países da América, Canadá, Estados Unidos, Brasil, Argentina e México são também as maiores economias, que estão entre as vinte maiores do mundo. Com uma área de 42 189 120 km² e uma população de mais de 1,002 bilhão de habitantes, corresponde a 8,3% da superfície total do planeta, ou 28,4% das terras emersas, e a 14% da população humana. Localizada entre o oceano Pacífico e o Atlântico, a América inclui o mar do Caribe e a Groenlândia, mas não a Islândia, por razões históricas e culturais. Também é conhecida pela expressão "Novo Mundo", neste caso em oposição à Eurafrásia, considerada o "Velho Mundo", e à Oceania, chamada de "Novíssimo Mundo". A maioria dos estudiosos aponta o nome do navegador italiano Américo Vespúcio como origem etimológica do topônimo "América", cujo gentílico é "americano". A América é geralmente dividida em América do Norte, América Central e América do Sul. Contudo os países anglófonos, por influência dos Estados Unidos, costumam usar o termo Américas para definir o continente, subdividindo-o não em três partes mas em dois continentes: América do Norte e América do Sul. No entanto, a visão predominante pelas várias línguas do mundo é a definição de América como sendo um único continente. José Pedro Machado é inequívoco ao apontar como origem do topônimo "América" o prenome do navegador italiano Américo Vespúcio. Segundo Machado, o termo já aparece na obra Cosmographiae introductio, de 1507, de autoria de Martin Waldseemüller em Saint-Dié-des-Vosges (nordeste da França), em que, ao lado de cartas escritas por Vespúcio, consta um mapa no qual as terras do nordeste brasileiro — cuja descoberta Waldseemüller erroneamente atribuiu a Vespúcio - estão indicadas como Americi Terra vel America (do latim "Terras de Américo ou América"). A forma foi passada para o feminino por paralelismo com os outros continentes. Quanto ao registro desta forma em língua portuguesa, Machado aponta o texto Lusitânia Transformada, de Fernão Álvares do Oriente . O Dicionário Houaiss registra a primeira aparição do gentílico "americano" em 1679. Acredita-se que os primeiros migrantes humanos para a América foram nômades asiáticos que atravessaram a Beríngia ou Ponte Terrestre de Bering (onde hoje se encontra o estreito de Bering) atingindo inicialmente a América do Norte. Durante grande parte do, os cientistas consideravam a cultura Clóvis como a primeira da América, com sítios datados de cerca de 13 500 anos atrás. Mais recentemente, foram encontrados outros sítios arqueológicos (ver: Luzia) que parecem indicar a presença humana na América por volta de Em outra onda migratória, os inuítes atingiram a região ártica da América por volta do ano 1000. Milhares de anos após as primeiras migrações, surgiram as primeiras civilizações complexas no continente, com base em comunidades agrícolas. Foram identificados assentamentos sedentários a partir de Grandes civilizações centralizadas desenvolveram-se no Hemisfério Ocidental: Caral ou Norte Chico, Chavin, Nazca, Moche, Huari, Chimu, Pachacamac, Tiahuanaco, Aymara e Inca nos Andes Centrais (hoje Peru e Bolívia); Muísca na Colômbia; Olmecas, Toltecas, Mixtecas, Zapotecas, Maias e Astecas na América Central. As cidades dos maias e astecas eram tão grandes quanto as do Velho Mundo, com população estimada em cerca de 300 000 em Tenochtitlán, por exemplo. Tais civilizações desenvolveram a agricultura, com culturas de milho, batata, tomate, abóbora, feijão e abacate, dentre outras. Não desenvolveram a pecuária em larga escala, devido à escassez de espécies no continente. Milhares de anos após a chegada dos indígenas, o continente foi redescoberto pelos europeus. Por volta do ano 1000, colonos viquingues começaram a chegar à Groenlândia, em 982, e em Vinlândia (ver: L'Anse aux Meadows), pouco depois, embora esta última tenha sido abandonada logo em seguida; desapareceram da Groenlândia por volta de 1500. Foi apenas a viagem de Cristóvão Colombo, em 1492, que levou à colonização europeia generalizada da América e à marginalização dos seus habitantes originais. O empreendimento de Colombo ocorreu num momento histórico em que diversos avanços em técnicas de navegação e comunicação permitiram atravessar o Atlântico e posteriormente disseminar pela Europa a notícia da descoberta. A escravidão, doenças e guerras dizimaram as populações indígenas e alteraram radicalmente a composição étnica da América. O trabalho escravo foi reforçado no continente com a importação de indivíduos africanos, no que se tornou um crescente comércio escravagista, o tráfico negreiro. As populações indígenas reduziam-se à medida que os contingentes brancos e negros cresciam rapidamente. É de notar-se, porém, que o maior número de indígenas e de casamentos inter-raciais na América Hispânica deu origem a populações com maior composição étnica de mestiços e indígenas na América Central e do Sul. O controle europeu sobre o continente começou a declinar a partir da independência dos Estados Unidos frente a coroa britânica, em 4 de julho de 1776. Por sua vez, o processo de independência na América Latina começou no início do, embora já se registrassem movimentos nativistas no . Aos poucos, os povos latino-americanos conquistaram sua independência frente à Espanha, em geral com o emprego de força militar: a batalha de Boyacá, em 1819, assegura o fim do domínio espanhol do norte da América do Sul; a Argentina declara independência em 1816, em congresso reunido em Tucumán; o México libera-se de maneira relativamente pacífica em 1821; naquele período a maioria dos países latino-americanos obtém sua independência. A Espanha logrou manter sob seu controle Porto Rico e Cuba, até 1898. A maioria dos países do Caribe libertou-se no . O Brasil, único país americano de fala portuguesa, atingiu a independência de maneira particular. Devido às guerras napoleônicas, a capital do Império Português fora transferida de Lisboa para o Rio de Janeiro, o que provocou a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido com Portugal e Algarve. A dissolução deste reino unido, em 1822, com a independência do Brasil e uma breve guerra, resultou numa monarquia, a única da América (com exceção de alguns ensaios malsucedidos no México e no Haiti). Os grandes protagonistas do período da independência americana foram George Washington, Thomas Jefferson, Simón Bolívar, José de San Martín, Bernardo O'Higgins, Miguel Hidalgo y Costilla, José Bonifácio de Andrade e Silva, D. Pedro I, Agustín de Iturbide, Benito Juárez entre outros. A Grã-Colômbia, independente em 1819, dissolveu-se em suas partes constituintes em 1830: Colômbia, Venezuela e Equador (o Panamá separar-se-ia da Colômbia em 1903, por influência americana). Questões de limites causaram frequentes guerras entre as novas repúblicas da América, dentre as quais se destacam a Guerra do Pacífico (Chile contra Bolívia e Peru), que resultou em ganhos territoriais para o Chile, e a Guerra da Tríplice Aliança ou do Paraguai (Argentina, Brasil, Uruguai contra Paraguai), com sérias consequências demográficas para a população paraguaia. A própria consolidação dos novos países não se fez sem confrontos, de que é exemplo a Guerra Civil Americana. Em 1888, o Brasil libertou os seus escravos. De sua independência até 1889, o país manteve a forma de governo monárquica. Naquele ano, o exército proclamou a república, regime que vigora até o presente, com diversas alterações. Ao longo do, os Estados Unidos expandiram-se em território e em pujança econômico-comercial, prelúdio do status de superpotência de que viriam a gozar no . A expansão territorial americana incluiu a compra da Luisiana, do Alasca e da Flórida Oriental, a partilha do Oregon Country, conflitos com o México (anexação do Texas, Guerra Mexicano-Americana: anexação de Colorado, Arizona, Novo México, Wyoming, Califórnia, Nevada e Utah) e com a Espanha (Guerra Hispano-Americana: anexação de Porto Rico, Cuba, Guam, Filipinas), anexação do Havaí e de diversas ilhas no Pacífico e no Caribe. Os Estados Unidos despontaram como o ator central da América e do planeta como um todo no, com papel protagonístico nas relações internacionais, na ciência e tecnologia, nas artes (com destaque para a música popular e o cinema) e outras áreas. A América Latina destacou-se no domínio das artes, com sua música popular (na qual se destaca a música popular brasileira mas também o tango argentino e outros ritmos), sua literatura, com grandes nomes como Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, Pablo Neruda, Paulo Coelho e Jorge Amado, e seus artistas plásticos, como Fernando Botero, Diego Rivera, Frida Kahlo e Portinari. O revelaria um grande abismo entre o norte rico e desenvolvido, composto pelos Estados Unidos e Canadá, e o sul pobre e em desenvolvimento, integrado pela América Latina e Caribe. Livres democracias estáveis em Estados Unidos e Canadá, contrastaram com os frequentes golpes militares latino-americanos. O ponto mais setentrional da América é a ilha Kaffeklubben, que é o ponto emerso terrestre mais setentrional. O ponto mais ao sul é o ilhéu Águila, nas ilhas Diego Ramírez (a ilha Thule do Sul, é geralmente considerada parte da Antártida). O ponto mais oriental está em Nordostrundingen. O ponto mais ocidental é ilha Attu. O continente americano é a maior massa terrestre do planeta no sentido norte-sul. No seu mais longo trecho, estende-se por cerca de km, da península de Boothia, no norte do Canadá, ao Cabo Froward, na Patagônia chilena. O ponto mais ocidental do continente americano é o fim da península de Seward, no Alasca, enquanto a Ponta do Seixas, no nordeste do Brasil, forma a extremidade oriental do continente. A geografia ocidental da América é dominada pela cordilheira americana, com os Andes correndo ao longo da costa oeste da América do Sul e as Montanhas Rochosas e outras cordilheiras norte-americanas correndo ao longo do lado ocidental da América do Norte. Com km de comprimento os Apalaches correm ao longo da costa leste da América do Norte, do Alabama até Terra Nova. Ao norte dos Apalaches, a Cordilheira Árctica corre ao longo da costa oriental do Canadá. As cordilheiras com os mais altos picos são os Andes e as montanhas Rochosas. Enquanto existem picos altos, em média, na Sierra Nevada e na cordilheira das Cascatas, não há como muitos atingindo uma altura maior do que metros. Na América do Norte, a maior quantidade de montanhas com mais de metros ocorrem nos Estados Unidos e, mais especificamente, no estado do Colorado. Os picos mais altos na América estão localizados nos Andes, sendo o Aconcágua, na Argentina, o mais alto; na América do Norte o Monte McKinley, nos Estados Unidos, é o mais alto. Entre as suas cadeias de montanhas costeiras, a América do Norte tem vastas áreas planas. As Planícies Interiores estão distribuídas por grande parte do continente, com baixo relevo. O Escudo Canadense cobre quase 5 milhões de km² da América do Norte e é geralmente bastante plano. Do mesmo modo, o nordeste da América do Sul é coberto pela plana bacia Amazônica. O planalto Brasileiro, na costa leste, é bastante suave, mas mostra algumas variações no relevo, enquanto mais ao sul existem grandes planícies como o Gran Chaco e os Pampas. Com montanhas e planícies costeiras interiores, a América tem várias grandes bacias hidrográficas que drenam os continentes. A maior bacia hidrográfica da América do Norte é a do Mississippi, abrangendo a segunda maior bacia hidrográfica do planeta. O sistema dos rios Mississippi-Missouri drena mais de 31 estados dos Estados Unidos, a maior parte das Grandes Planícies e grandes áreas entre as Montanhas Rochosas e os Apalaches. Este rio é o quarto maior do mundo e décimo mais forte do mundo. Na América do Norte, a leste das montanhas Apalaches, não há grandes rios, mas sim uma série de rios e córregos que fluem para o leste com o seu término no oceano Atlântico, estes rios incluem o rio Savannah. Um exemplo semelhante surge com rios centrais canadenses que drenam para a baía de Hudson, sendo a maior do rio Churchill. Na costa oeste da América do Norte, os principais rios são o Colorado, Columbia, Yukon e Sacramento. O rio Colorado drena grande parte das montanhas Rochosas do Sul. O rio corre por cerca de km para o golfo da Califórnia, durante o qual ao longo do tempo tem esculpido fenômenos naturais, como o Grand Canyon e fenômenos criados, como o Mar Salton. O Columbia é um grande rio com km de comprimento, no centro-oeste da América do Norte, e é o rio mais poderoso na costa oeste da América. No extremo noroeste da América do Norte, o Yukon drena grande parte da península do Alasca e corre por km em direção ao Pacífico. Drenando para o oceano Ártico, na América do Norte, o rio Mackenzie drena águas dos Grandes Lagos do Canadá. Este rio é o maior no Canadá e drenos quilômetros quadrados. A maior bacia hidrográfica da América do Sul é a do Amazonas, abrange uma área de 7 milhões de km², compreendendo terras de vários países da América do Sul (Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Bolívia e Brasil). O rio Amazonas tem mais de 7 mil afluentes, e possui 25 mil quilômetros de vias navegáveis. A bacia Amazônica representa 1/5 da água derramada no oceano por todos os rios do planeta. A segunda maior bacia hidrográfica da América do Sul é a do rio Paraná, é uma depressão ovalada, com o eixo maior no sentido quase norte-sul, e possui uma área de cerca de 1,5 milhão de km². Desenvolveu-se durante parte das eras Paleozoica e Mesozoica, e seu registro sedimentar compreende rochas formadas do período Ordoviciano ao Cretáceo, abrangendo um intervalo de tempo entre 460 e 65 milhões de anos atrás. A seção de maior espessura, superior a 7 000 m, está localizada na sua porção central e é constituída por rochas sedimentares e ígneas. As rochas sedimentares da bacia do Paraná são ricas em restos de animais e vegetais fossilizados. A bacia do Paraná é uma típica bacia flexural de interior cratônico, embora durante o Paleozoico fosse um golfo aberto para sudoeste para o então oceano Panthalassa. A gênese da bacia está ligada à relação de convergência entre a margem sudoeste do antigo supercontinente Gondwana, formado pelos atuais continentes América do Sul, África, Antártica e Austrália, além da Índia, e a litosfera oceânica do Panthalassa, classificando a bacia, pelo menos no Paleozoico, como do tipo antepaís das orogenias Gondwanides. O clima da América varia significativamente de região para região. Os lugares mais quentes da América estão localizados na Grande Bacia da América do Norte e no deserto do Atacama, no Chile. O clima de floresta tropical ocorre nas latitudes da Amazônia, nas florestas nubladas americanas, na Flórida e em Darién Gap. Nas montanhas Rochosas e nos Andes, um clima semelhante é observado. Muitas vezes, as altitudes mais elevadas dessas montanhas são cobertas de neve. O sudeste da América do Norte tem grande ocorrência de tornados e furacões, sendo que a grande maioria dos tornados ocorrem em uma região dos Estados Unidos denominada Tornado Alley. Muitas vezes, partes do Caribe estão sujeitas aos efeitos de furacões violentos. Estes furacões são formados pela colisão de ar seco e frio do Canadá e do ar quente e úmido do Atlântico. América do Norte — Quando usado para denotar menos do que o continente norte-americano inteiro, este termo pode incluir Canadá, México e Estados Unidos, Também pode incluir os territórios dependentes das Bermudas (Reino Unido), Groêlandia (Dinamarca) e São Pedro e Miquelão (França). América do Meio — México e as nações da América Central; muitas vezes inclui as Antilhas. Ocasionalmente, Colômbia e Venezuela também são incluídos na América do Meio. **América Central — A região sudeste do continente da América do Norte, compreendendo Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicaragua e Panamá. Algumas vezes, a América Central é definida apenas por incluir os cinco países que ganharam independência como as Províncias Unidas da América Central. Esta definição exclui Belize e Panamá. *, Antilhas — As ilhas do Caribe. América do Sul — Contém as nações de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colombia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela além dos Departamentos além-mar da França, a Guiana Francesa. Também inclui os territórios Insulares das Ilhas Malvinas ou Ilhas Falkland (Reino Unido), as Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul (Reino Unido), Fernando de Noronha (Brasil), Trindade e Martim Vaz (Brasil), o arquipélago de Galápagos (Equador), e o Arquipélago Juan Fernández . América do Meio (Estados Unidos) — "América do Meio" também pode se referir a região central dos estados unidos, ou a População dos E.U.A. de Classe Média. América do Norte — a região do Continente da América do Norte, contendo o Canadá, os Estados Unidos, Groelândia, São Pedro e Miquelão, e Bermudas. América Latina e o Caribe: *, América Central — países ao sul dos Estados Unidos e ao norte da Colômbia. *, Caribe. *, América do Sul — todos os países ao sul do Panamá. Com este esquema, o continente da América do Norte comprime a América do Norte, América Central e Caribe. Estados Unidos da América — Uma República Federativa fundada na América do Norte em 1776 e comprime 50 estados e um distrito federal (Distrito de Columbia, com vários territórios com filiação variável; comumente referido como E.U.A. ou simplesmente "América". *, Estados Confederados da América — Uma extinta confederação na América do Norte de 1861 a 1865, comprimindo os 11 estados sulistas que tentaram separar-se dos Estados Unidos da América: Alabama, Arkansas, Florida, Georgia, Louisiana, Mississippi, North Carolina, South Carolina, Tennessee, Texas, e Virginia. Sua rebelião precipitou a Guerra Civil Americana; com sua conclusão, os estados confederados foram readmitidos na representação do congresso dos Estados Unidos. América Britânica — Antiga designação para as posses britânicas na América. América do Norte Britânica — Antiga designação para territórios na América do Norte colonizados pela Grã-Bretanha nos séculos 18 e 19, particularmente depois de 1783 e em referência ao Canadá. No começo da Revolução americana, em 1775, o Império Bretão na América do Norte incluía vinte colônias ao norte do México. Em 1783, o Pacto de Paris terminou a revolução americana; o leste e o oeste da Florida foram cedidos a Espanha no pacto, e depois cedida da Espanha para os Estados Unidos em 1819. De 1867 a 1873, todas menos uma colônia remanescente da América do Norte Britânica confederou-se (através de uma série de atos epônimos) até o domínio do Canadá. Newfoundland se juntou ao Canadá em 1949. Antilhas Britânicas — As ilhas e territórios do Caribe sob influência colonial da Grã-Bretanha. República Federativa da América Central — Anteriormente conhecida como "Províncias Unidas da América Central", uma república federativa na América central de 1823 a 1840 unindo as independentes da colonização espanhola: Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, e (posteriormente) Los Altos. Em 1838, a federação sucumbiu a guerra civil e se dissolveu. América do Norte (América Setentrional) — O primeiro nome oficial do México. *, América Mexicana" — Um nome escolhido e descartado na primeira constituição mexicana. Federação das Antilhas — Uma federação de várias ilhas do caribe e territórios além-mar da Grã-Bretanha de 1958 a 1962. Isto foi seguido pelos Estados Associados das Antilhas, uma política menor e mais solta, de 1967 a 1981. América Anglo-Saxônica — A região da América que teve ligações significantes histórica, linguística e culturalmente com a Inglaterra ou as Ilhas Britânicas; onde o inglês (uma língua germânica) é oficialmente ou primariamente falado; normalmente Canadá e Estados Unidos. América Latina — A região da América cuja língua derivou do latim, como o espanhol, o português e o francês– são oficialmente ou primariamente faladas. **Ibero-América — A região da América que teve ligações histórica, linguística e culturais com a Espanha ou Portugal (ambos na Península Ibérica.) ***América Hispânica (também América Espanhola) — Países habitados por pessoas que falam espanhol. Mesoamérica — Uma região da América estendendo do centro do México até a Nicarágua e Costa Rica; um termo usado especialmente em etimologia e arqueologia por ser a região onde as civilizações floresceram durante a era pré-colombiana, e que dividiram um número de tradições históricas e culturais. **Área Linguística da Mesoamérica — Uma região linguística, definido como a área habitada por falantes de um tipo de língua indígena que desenvolveu similaridades como resultado de suas conexões históricas e geográficas; cruamente ligada a Mesoamérica arqueológica/etnohistórica. Aridoamérica — Uma divisão regional arqueológica/etnohistórica, essencialmente árida/semiárida do atual México, cujos povos históricos são normalmente caracterizados pela existência nômade e com pouca segurança na agricultura. Oasisamérica — Um termo arqueológico/etnohistórico ocasionalmente usado para definir a região cultural pré-colombiana da América do Norte. A população total da América era de habitantes segundo estimativas de 2008. A população da América compreende descendentes de grandes grupos étnicos, como os indígenas (inclusive inuítes e aleútas), os europeus (principalmente espanhóis, ingleses, irlandeses, italianos, portugueses, franceses, alemães e neerlandeses), negros africanos, asiáticos (como os amarelos e os médio-orientais), bem como mestiços e mulatos. Várias línguas são faladas na América. Alguns são de origem europeia, outras são faladas por povos indígenas ou por uma mistura de idiomas diversos, como os diferentes crioulos. A língua dominante da América Latina é o espanhol, embora a maior nação da América Latina, o Brasil, fale português. Pequenos enclaves de comunidades que falam francês, neerlandês e regiões de língua inglesa também existem na América Latina, notadamente na Guiana Francesa, Suriname e Belize, respectivamente, e o crioulo haitiano, de origem francesa, é dominante na nação do Haiti. Línguas nativas são mais proeminentes na América Latina do que nos países anglo-americanos, com os idiomas nahuatl, quíchua, aimará e o guarani como o mais comum. Várias outras línguas nativas são faladas com menos frequência tanto na América Anglo-Saxônica quanto na América Latina. Línguas crioulas, que não o crioulo haitiano, são também faladas em partes da América Latina. A língua dominante da América Anglo-Saxônica, como o próprio nome sugere, é o inglês. O francês é também oficial no Canadá, onde é a língua predominante em Québec e uma língua oficial em Novo Brunswick, juntamente com o inglês. Também é uma linguagem importante no estado da Louisiana e em partes de New Hampshire, Maine e Vermont, nos Estados Unidos. O espanhol manteve uma presença permanente no sudoeste dos Estados Unidos, que fazia parte do Vice-reinado da Nova Espanha, especialmente na Califórnia e no Novo México, onde uma variedade distinta do espanhol sobrevive desde o . Mais recentemente, o espanhol se tornou amplamente falado em outras partes dos Estados Unidos devido à pesada imigração de povos da América Latina. Elevados níveis de imigração, em geral, têm trazido uma grande diversidade linguística para a América Anglo-Saxônica, com mais de 300 línguas conhecidas a serem faladas nos Estados Unidos, mas a maioria das línguas são faladas apenas em enclaves pequenos e em grupos relativamente pequenos de imigrantes. As nações da Guiana, Suriname e Belize geralmente não são consideradas nem como parte da América Anglo-Saxônica ou da América Latina devido a diferenças linguísticas com a América Latina, diferenças geográficas com a América Anglo-Saxônica, e diferenças culturais e históricas com ambas as regiões; o inglês é a idioma principal da Guiana e Belize e o neerlandês é a língua oficial do Suriname. Nas exportações e importações, em 2020, os Estados Unidos foram o 2.º maior exportador do mundo (US$ 1,64 trilhão) e o maior importador (US$ 2,56 trilhões). O México foi o 10.º maior exportador e importador. O Canadá foi o 12.º maior exportador e importador. O Brasil foi o 24.º maior exportador e o 28.º maior importador. O Chile foi o 45.º maior exportador e o 47.º maior importador. A Argentina foi a 46.ª maior exportadora e a 52.ª maior importadora. A Colômbia foi a 54.ª maior exportadora e a 51.ª maior importadora; entre outros. A agricultura do continente é muito forte e variada. Países como Estados Unidos, Brasil, Canadá, México e Argentina estão entre os maiores produtores agriculturais do planeta. Em 2019, o continente dominava a produção mundial de soja (quase 90% do total mundial, com Brasil, EUA, Argentina, Paraguai, Canadá e Bolívia entre os 10 maiores do planeta), cana-de-açúcar (perto de 55% do total mundial, com Brasil, México, Colômbia e Guatemala entre os 10 maiores do planeta), café (perto de 55% do total mundial, com Brasil, Colômbia, Honduras, Peru e Guatemala entre os 10 maiores do planeta) e milho (perto de 48% do total mundial, com EUA, Brasil, Argentina e México entre os 10 maiores do planeta). O continente também produz quase 40% da laranja (com Brasil, EUA e México entre os 10 maiores produtores), perto de 37% do abacaxi (com Costa Rica, Brasil, México e Colômbia entre os 10 maiores produtores), perto de 35% do limão (com México, Argentina e Brasil entre os 10 maiores produtores) e perto de 30% do algodão (com EUA, Brasil, México e Argentina entre os 10 maiores produtores), entre vários outros produtos. Na pecuária, a América também tem produções gigantescas. O continente produzia, em 2018, cerca de 45% da carne bovina mundial (com EUA, Brasil, Argentina, México e Canadá entre os 10 maiores produtores do mundo); cerca de 36% da carne de frango mundial (com EUA, Brasil e México entre os 10 maiores produtores do mundo), e cerca de 28% do leite de vaca mundial (com EUA e Brasil entre os 10 maiores produtores do mundo), entre outros produtos. Em termos industriais, o Banco Mundial lista os principais países produtores a cada ano, com base no valor total da produção. Pela lista de 2019, os Estados Unidos tem a 2.ª indústria mais valiosa do mundo (US$ 2,3 trilhões), o México tem a 12.ª indústria mais valiosa do mundo (US$ 217,8 bilhões), o Brasil tem a 13.ª indústria mais valiosa do mundo (US$ 173,6 bilhões), o Canadá tem a 15.ª indústria mais valiosa do mundo (US$ 151,7 bilhões), a Venezuela a 30.ª maior (US$ 58,2 bilhões, mas depende do petróleo para obter esse valor), a Argentina era a 31.ª maior ($ 57,7 bilhões), Colômbia a 46.ª maior ($ 35,4 bilhões), Peru a 50.ª maior ($ 28,7 bilhões) e Chile a 51.ª maior ($ 28,3 bilhões), entre outros. Na produção de petróleo, o continente tinha 8 dos 30 maiores produtores mundiais em 2020: Estados Unidos, Canadá, Brasil, México, Colômbia, Venezuela, Equador e Argentina . Na produção de gás natural, o continente tinha 8 dos 32 maiores produtores mundiais em 2015: Estados Unidos, Canadá, Argentina, Trinidad e Tobago, México, Venezuela, Bolívia e Brasil . Na produção de carvão, o continente tinha 5 dos 30 maiores produtores mundiais em 2018: Estados Unidos, Colômbia, Canadá, México e Brasil . Na produção de veículos, o continente tinha 5 dos 30 maiores produtores mundiais em 2019: Estados Unidos, México, Brasil, Canadá e Argentina . Na produção de aço, o continente tinha 5 dos 31 maiores produtores mundiais em 2019: Estados Unidos, Brasil, México, Canadá e Argentina . Na mineração, o continente tem grandes produções de ouro (principalmente nos EUA, Canadá, Peru, México, Brasil e Argentina); prata (principalmente no México, Peru, Chile, Bolívia, Argentina e EUA); cobre (principalmente no Chile, Peru, EUA, México e Brasil); platina (Canadá e EUA); minério de ferro (Brasil, Canadá, EUA, Peru e Chile); zinco (Peru, EUA, México, Bolívia, Canadá e Brasil); molibdênio (Chile, EUA, Peru, México e Canadá); lítio (Chile, Argentina, Brasil e Canadá); chumbo (Peru, EUA, México e Bolívia); bauxita (Brasil, Jamaica, Canadá e EUA); estanho (Peru, Bolívia e Brasil); manganês (Brasil e México); antimônio (Bolívia, México, Guatemala, Canadá e Equador); níquel (Canadá, Brasil, República Dominicana, Cuba e EUA); nióbio (Brasil e Canadá); rênio (Chile e EUA); iodo, entre outros. , *, Gronelândia (português europeu) ou Groenlândia (português brasileiro), *, Ilha Navassa *, *, Ilhas Virgens Americanas, *, Ilha de Clipperton *, São Pedro e Miquelão *, São Martinho *, São Bartolomeu, *, *, *, São Martinho *, Países Baixos Caribenhos, *, *, *, *, *, *, *, Para além de dependências, existem também alguns territórios sem esse estatuto, integrando países localizados em outros continentes. *, Flores *, Corvo, *, *, * *, *, Saba *, Santo Eustáquio, A Islândia está dividida entre a placa continental norte-americana e a placa continental europeia. No entanto, é quase sempre considerada uma nação europeia, levando-se em conta a sua associação cultural com os outros países nórdicos. Apesar de a massa terrestre mais próxima à ilha de Jan Mayen ser a Gronelândia, a massa continental mais próxima desta ilha é a Europa. As Ilhas Geórgia do Sul e Sanduíche do Sul são por vezes consideradas ilhas americanas. No entanto, é mais usual a sua associação à Antártida. Na América existem muitas organizações internacionais intercontinentais, as quais estão listadas abaixo. O esporte mais popular na América é o futebol. Nesse continente há duas confederações diferentes: a CONMEBOL, para clubes e seleções da América do Sul, e a CONCACAF, para clubes e seleções da América do Norte, Central e do Caribe. A CONMEBOL tem como seus principais torneios a Copa Libertadores da América para os clubes e a Copa América para as seleções. Já a CONCACAF tem como seus principais torneios a Liga dos Campeões da CONCACAF para os clubes e a Copa Ouro da CONCACAF para as seleções. Na Copa do Mundo, o continente já obteve dez títulos com três países diferentes: Brasil, Argentina e Uruguai . Já sediou essa competição oito vezes, sendo sede da Copa do Mundo FIFA de 1930, no Uruguai, e da Copa do Mundo FIFA de 2014, no Brasil. Outros esportes como basquete, vôlei, beisebol, boxe e MMA são bem populares na América, principalmente na América do Norte. A principal competição de esportes olímpicos da América são os Jogos Pan-Americanos e os Jogos Parapan-Americanos, que são organizados pela Organização Desportiva Pan-Americana. A América já sediou sete vezes os Jogos Olímpicos de Verão, tendo sido o Rio de Janeiro a última cidade-sede. Também sediou seis vezes os Jogos Olímpicos de Inverno.
Em mecânica, a aceleração é a taxa de variação da velocidade de um objeto em relação ao tempo. As acelerações são grandezas vetoriais (no sentido de que têm magnitude e direção). A orientação da aceleração de um objeto é dada pela orientação da força resultante atuando sobre aquele objeto. A magnitude da aceleração de um objeto, conforme descrito pela segunda lei de Newton, é o efeito combinado de duas causas:, o saldo líquido de todas as forças externas agindo sobre aquele objeto - a magnitude é diretamente proporcional a essa força resultante;, a massa desse objeto, dependendo dos materiais de que é feito - a magnitude é inversamente proporcional à massa do objeto. A unidade SI para aceleração é metro por segundo ao quadrado (m⋅s −2). Por exemplo, quando um veículo parte de uma paralisação (velocidade zero, em um referencial inercial) e viaja em linha reta em velocidades crescentes, ele está acelerando na direção de deslocamento. Se o veículo virar, ocorre uma aceleração em direção à nova direção e altera seu vetor de movimento. A aceleração do veículo na direção atual do movimento é chamada de aceleração linear (ou tangencial durante os movimentos circulares), a reação que os passageiros a bordo experimentam como uma força que os empurra de volta aos assentos. Ao mudar de direção, a aceleração efetiva é chamada radial (ou ortogonal durante movimentos circulares) aceleração, a reação à qual os passageiros experimentam como uma força centrífuga. Se a velocidade do veículo diminui, isso é uma aceleração na direção oposta e matematicamente negativa, às vezes chamada de desaceleração, e os passageiros experimentam a reação à desaceleração como uma força inercial empurrando-os para a frente. Essas acelerações negativas são frequentemente alcançadas pela queima de retrofoguetes em espaçonaves. Tanto a aceleração quanto a desaceleração são tratadas da mesma forma, ambas são mudanças na velocidade. Cada uma dessas acelerações (tangencial, radial, desaceleração) é sentida pelos passageiros até que sua velocidade relativa (diferencial) seja neutralizada em relação ao veículo. A aceleração média de um objeto ao longo de um período de tempo é sua mudança na velocidade dividido pela duração do período. Matematicamente: \vec_m=\frac=\frac A aceleração instantânea, entretanto, é o limite da aceleração média em um intervalo infinitesimal de tempo. Em termos de cálculo, a aceleração instantânea é a derivada do vetor velocidade em relação ao tempo: \vec=\lim_\frac=\frac Como a aceleração é definida como a derivada da velocidade, v, com respeito ao tempo, t, e a velocidade é definida como a derivada da posição, x, com respeito ao tempo, a aceleração pode ser considerada como a segunda derivada de x com respeito a t :a= =(Caso o movimento ocorra em linha reta, as quantidades vetoriais podem ser substituídas por escalares nas equações). Pelo teorema fundamental do cálculo, pode-se ver que a integral da função de aceleração a é a função de velocidade v ; ou seja, a área sob a curva de um gráfico da aceleração em relação ao tempo corresponde à velocidade. v=\int a \operatorname\!t Da mesma forma, a integral da função j, sendo derivada da função de aceleração, pode ser usada para encontrar a aceleração em um determinado momento: a=\int j \operatorname\!t A aceleração transversal (perpendicular à velocidade) causa mudança na direção. Se esta for constante em intensidade e sua direção permanecer ortogonal à velocidade, temos um movimento circular. Para esta aceleração centrípeta temos: : \mathbf = - \frac \frac = - \omega^2 \mathbf Um valor de uso comum para a aceleração é g, a aceleração causada pela gravidade da Terra ao nível do mar a 45° de latitude, cerca de 9,81 m/s² Na mecânica clássica, a aceleração \mathbf está relacionada com a força \mathbf e a massa \mathbf (assumida ser constante) por meio da segunda lei de Newton: : F = m \cdot a Como resultado de sua invariância sob transformações galileanas, a aceleração é uma quantidade absoluta na mecânica clássica. Depois de definir sua teoria da relatividade especial, Albert Einstein enunciou que forças sentidas por objetos sob aceleração constante são indistinguíveis das que estão em campo gravitacional, e assim se define a relatividade geral (que também explica como os efeitos da gravidade podem limitar a velocidade da luz, mas isso é outra história). O ponto-chave da relatividade geral é que ele responde a: "por que somente um objeto se sente acelerado?", um problema que tem flagelado filósofos e cientistas desde o tempo de Newton (e fez Newton endossar o conceito de espaço absoluto). Por exemplo, se você pegar seu carro e acelerar se afastando de seu amigo, você poderia dizer (dado seu referencial) que é seu amigo que está acelerando se afastando de você, enquanto somente você sente qualquer força. Essa é a base do popular paradoxo dos gêmeos que pergunta por que somente um gêmeo envelhece quando se afasta movendo-se próximo da velocidade da luz e então retornando, pois o gêmeo mais velho pode dizer que o outro é que estava se movendo. Na relatividade especial, somente referenciais inerciais (referenciais não-acelerados) podem ser usados e são equivalentes; a relatividade geral considera todos os referenciais, inclusive os acelerados, como equivalentes. A aceleração tem as dimensões da velocidade divididas pelo tempo, ou seja, L T −2 . A unidade SI de aceleração é o metro por segundo ao quadrado (ms −2 ); ou "metro por segundo por segundo", pois a velocidade em metros por segundo muda pelo valor da aceleração, a cada segundo. Um objeto em movimento circular - como um satélite orbitando a Terra - está acelerando devido à mudança de direção do movimento, embora sua velocidade possa ser constante. Nesse caso, diz-se que está sofrendo aceleração centrípeta (direcionada para o centro). A aceleração adequada, a aceleração de um corpo em relação a uma condição de queda livre, é medida por um instrumento chamado acelerômetro . Na mecânica clássica, para um corpo com massa constante, a aceleração (vetorial) do centro de massa do corpo é proporcional ao vetor líquido de força (isto é, soma de todas as forças) agindo sobre ele (segunda lei de Newton): F= ma \Leftrightarrow a= onde F é a força resultante que atua no corpo, m é a massa do corpo e a é a aceleração do centro de massa. À medida que as velocidades se aproximam da velocidade da luz, os efeitos relativísticos se tornam cada vez maiores. *Movimento *Movimento circular uniforme *Movimento retilíneo *Mecânica clássica *Cinemática
A história do abolicionismo no Brasil remonta à primeira tentativa de abolição da escravidão indígena no Brasil, em 1611, à sua abolição definitiva pelo Marquês de Pombal, em 1755 e 1758, durante o reinado de D. José I, e aos movimentos emancipacionistas no período colonial, particularmente a Conjuração Baiana de 1798, em cujos planos encontrava-se a erradicação da escravidão. Após a Independência do Brasil, as discussões a este respeito estenderam-se por todo o período do Império, tendo adquirido relevância a partir de 1850 e caráter verdadeiramente popular a partir de 1870, culminando com a assinatura da Lei Áurea de 13 de maio de 1888, que extinguiu a escravidão no Brasil. José Bonifácio de Andrada e Silva, em sua famosa representação à Assembleia Constituinte de 1824, já havia chamado a escravidão de "cancro mortal que ameaçava os fundamentos da nação". O conselheiro Antônio Rodrigues Veloso de Oliveira foi uma das primeiras vozes abolicionistas do Brasil recém-independente. Nas palavras do historiador Antônio Barreto do Amaral: "Em suas "Memórias para o melhoramento da Província de São Paulo, aplicável em grande parte às demais províncias do Brasil", apresentadas ao príncipe D. João VI em 1810, e publicadas pelo autor em 1822, após enumerar e criticar os atos dos capitães-generais que concorriam para entravar o desenvolvimento paulista, passa a tratar do elemento servil e da imigração livre, que poderia concorrer para a vinda das populações europeias flageladas pelas devastações das guerras de Napoleão. Propunha, o conselheiro Veloso de Oliveira, que, na impossibilidade do estabelecimento de correntes migratórias, prosseguisse o comércio de escravos, mas que a escravidão do indivíduo importado fosse restringida a dez anos e que, no Brasil, nascessem livres os filhos dos escravos". No Período Regencial, desde 7 de novembro de 1831, a Câmara dos Deputados havia aprovado e a regência promulgado a Lei Feijó, que proibia o tráfico de escravos africanos para o país, porém esta lei não foi aplicada. Em março de 1845, esgotou-se o prazo do último tratado assinado entre o Brasil e o Reino Unido, e o governo britânico decretou, em agosto, o ato Bill Aberdeen. Com o nome de Lord Aberdeen, do Foreign Office (o Ministério britânico das Relações Exteriores), o ato dava, ao almirantado britânico, o direito de aprisionar navios negreiros, mesmo em águas territoriais brasileiras, e julgar seus comandantes. Por meio do ato, os capitães britânicos receberam poderes de atracar em navios brasileiros em alto-mar e verificar se transportavam escravos. Caso o fizessem, deveriam se desfazer da carga, devolvendo os escravos à África, ou transferi-la para os navios britânicos. Criticado no próprio Reino Unido por pretender tornar a Inglaterra a "guardiã moral do mundo", no Brasil, o ato Bill Aberdeen provocou pânico em traficantes e proprietários de escravos e de terras. A consequência imediata do Bill Aberdeen foi o significativo e paradoxal aumento no comércio de escravos, por conta da antecipação das compras de escravos antes da proibição em definitivo e, especialmente, da grande elevação do preço dos escravos. Caio Prado Júnior diz que, em 1846, entraram 50 324 escravos e, em 1848, 60 mil. Calcula-se que, até 1850, o país recebeu 3,5 milhões de africanos cativos. Os navios britânicos perseguiam embarcações suspeitas, a marinha britânica invadia águas territoriais e ameaçava bloquear portos. Houve incidentes, troca de tiros no Paraná. Alguns capitães, antes de serem abordados, jogavam, no oceano, a carga humana. Os infratores eram fazendeiros ou proprietários rurais, todos escravagistas. As províncias protestavam, pois, na época, no Brasil, a escravidão era coisa natural, integrada à rotina e aos costumes, vista como instituição necessária e legítima. Uma sociedade intensamente desigual dependia do escravo para se manter. Cedendo às pressões, D. Pedro II deu um passo importante: seu gabinete elaborou um projeto de lei, apresentado ao parlamento pelo Ministro da Justiça Eusébio de Queirós, que adotava medidas eficazes para a extinção do tráfico. Convertido na lei n.º 581, de 4 de setembro de 1850, determinava, seu artigo 3: Um dos seus artigos determinava o julgamento dos infratores pelo Almirantado, passando, assim, ao Governo imperial, o poder de julgar, que, antes, era conferido a juízes locais Tantos foram os protestos que, em julho de 1852, Eusébio de Queirós teve que comparecer à Câmara dos Deputados para apelar para a mudança da opinião pública. Lembrou que muitos fazendeiros do norte enfrentavam dificuldades financeiras, sem poder pagar suas dívidas com os traficantes. Muitos haviam hipotecado suas propriedades para especuladores e grandes traficantes - entre os quais numerosos portugueses - para obter recursos destinados à compra de mais cativos. Lembrou ainda que, se continuasse a entrar no Império tão grande quantidade de escravos africanos, haveria um desequilíbrio entre as categorias da população - livres e escravos -, ameaçando os primeiros. A chamada "boa sociedade" ficaria exposta a "perigos gravíssimos", pois o desequilíbrio já provocara numerosas rebeliões (como a dos Malês, em Salvador, em 1835). No ano de 1854, foi aprovada a Lei Nabuco de Araújo, nome do Ministro da Justiça de 1853 a 1857, que previa sanções para as autoridades que encobrissem o contrabando de escravos. Os últimos desembarques de que se tem notícia aconteceram em 1856. A imigração até 1850 vinha sendo um fenômeno espontâneo. Entre 1850 e 1870, passou a ser promovida pelos latifundiários. Vindos primeiramente da Alemanha, sem êxito, e depois da Itália, os imigrantes, muitas vezes enganados e com contratos que os faziam trabalhar em regime quase escravo, ocuparam-se do trabalho rural na economia cafeeira. Tantos retornaram a seus países que houve necessidade de intervenção de consulados e das entidades que os protegiam, como algumas sociedades promotoras de imigração. Foram muitas as regiões em que os escravos foram substituídos pelos imigrantes. Algumas cidades em 1874 tinham 80% dos trabalhadores rurais negros, e, em 1899, 7% de trabalhadores negros e 93% brancos. Em 1850, após a aprovação de lei de autoria de Eusébio de Queirós, a escravidão começou a declinar com o fim do tráfico de escravos. Progressivamente, os imigrantes europeus assalariados substituíram os escravos no mercado de trabalho. Mas foi só a partir da Guerra do Paraguai (1864-1870) que o movimento abolicionista ganhou impulso. Dos milhares de ex-escravos que retornaram da guerra vitoriosos, muitos, até mesmo os condecorados, correram o risco de voltar à condição anterior por pressão dos seus antigos donos. O problema social tornou-se uma questão política para a elite dirigente do Segundo Reinado. A abolição do tráfico de escravos, seu baixo índice de reprodução, as várias epidemias de malária, as constantes fugas de escravos, a multiplicação dos quilombos e a alforria de muitos escravos, inclusive daqueles que lutaram na Guerra do Paraguai, contribuíram sensivelmente para a diminuição da quantidade de escravos no Brasil à época da abolição. Por volta de 1852, as primeiras associações e clubes abolicionistas surgiram pelo país, como a Sociedade Abolicionista Dois de Julho, fundada por jovens estudantes da Faculdade de Medicina da Bahia. Em 1880, políticos importantes, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, criam, no Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, Com a agremiação de 13 associações, foi fundada em 13 de agosto de 1883 a Confederação Abolicionista, e, a partir de 1884, houve intensificação do ativismo em espaços públicos e maior institucionalização do movimento. A participação feminina também foi de grande relevância na luta pelo fim da escravidão, atuando em parceria com os abolicionistas históricos ou de forma independente. Teve participação destacada na campanha abolicionista, a maçonaria brasileira, sendo que quase todos os principais líderes da abolição foram maçons. José Bonifácio, pioneiro da abolição, Eusébio de Queirós, que aboliu o tráfico de escravos, o Visconde do Rio Branco, responsável pela Lei do Ventre Livre, e os abolicionistas Luís Gama, Antônio Bento, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Silva Jardim e Rui Barbosa eram maçons. Em 1839, os maçons David Canabarro e Bento Gonçalves emanciparam escravos durante a Guerra dos Farrapos. No Recife, os alunos da Faculdade de Direito mobilizam-se, sendo fundada uma associação abolicionista por alunos como Plínio de Lima, Castro Alves, Rui Barbosa, Aristides Spínola, Regueira Costa, dentre outros. Em São Paulo, destaca-se o trabalho do ex-escravo e um dos maiores heróis da causa abolicionista, o advogado Luís Gama, responsável diretamente pela libertação de mais de mil cativos. Criou-se, também na capital paulista, a Sociedade Emancipadora de São Paulo, com a participação de líderes políticos, fazendeiros, lentes da faculdade, jornalistas e, principalmente de estudantes. O país foi tomado pela causa abolicionista e, em 1884, o Ceará e o Amazonas aboliram a escravidão em seus territórios. Nos últimos anos da escravidão no Brasil, a campanha abolicionista se radicalizou com a tese "Abolição sem indenização" lançada por jornalistas, profissionais liberais e políticos que não possuíam propriedades rurais. O Partido Liberal comprometeu-se publicamente com a causa do nascimento de crianças a partir daquela data, mas foi o gabinete do Visconde do Rio Branco, do Partido Conservador, que promulgou a primeira lei abolicionista, a Lei do Ventre Livre, em 28 de setembro de 1871. Em defesa da lei, o Visconde do Rio Branco apresenta a escravidão como uma "instituição injuriosa", menos para os escravos e mais para o país, sobretudo para sua imagem externa. Depois de 21 anos sem qualquer medida governamental em relação ao fim da escravidão, foi votada a "Lei Rio Branco", mais conhecida como "Lei do Ventre Livre", que considerava livres todos os filhos de escravos nascidos a partir da sua data, e pretendia estabelecer um estágio evolutivo entre o trabalho escravo e o regime de trabalho livre, sem, contudo, causar mudanças abruptas na economia ou na sociedade. Na Câmara dos Deputados, o projeto de lei obteve 65 votos favoráveis e 45 contrários. Destes, 30 eram de deputados das três províncias cafeeiras: Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. No Senado do Império, foram 33 votos a favor e 7 contra. Entre os votos contrários, 5 foram de senadores das províncias cafeeiras. Segundo o disposto na lei, os filhos dos escravos – chamados de ingênuos – tinham duas opções: ou ficavam com os senhores de suas mães até a maioridade (21 anos) ou poderiam ser entregues ao governo. Na prática, os escravocratas mantiveram os ingênuos nas suas propriedades, tratando-os como se fossem escravos. Em 1885, dos 400 000 ingênuos, somente 118 ingênuos foram entregues ao governo – os proprietários optavam por libertar escravos doentes, cegos e deficientes físicos. Por outro lado, a Lei Rio Branco teve o mérito de expor as mazelas da escravidão na imprensa e em atos públicos. Na década de 1890, cerca de meio milhão de crianças foram libertadas quando estariam entrando em idade produtiva. A Lei do Ventre Livre declarava de condição livre os filhos de mulher escrava nascidos desde a data da lei. O índice de mortalidade infantil entre os escravos aumentou, pois, além das péssimas condições de vida, cresceu o descaso pelos recém-nascidos. A ajuda financeira prevista pela Lei do Ventre Livre aos fazendeiros para estes arcarem com as despesas da criação dos ingênuos jamais foi fornecida aos fazendeiros:, § 1.º da lei :- Os ditos filhos menores ficarão em poder e sob a autoridade dos senhores de suas mães, os quais terão a obrigação de criá-los e tratá-los até a idade de oito anos completos. Chegando o filho da escrava a esta idade, o senhor da mãe terá opção, ou de receber do Estado a indenização de 600$000 (600 mil-réis), ou de utilizar-se dos serviços do menor até a idade de 21 anos completos. No primeiro caso, o Governo receberá o menor e lhe dará destino, em conformidade da presente lei. Joaquim Nabuco escreveu em 1883: A partir de 1887, os abolicionistas passaram a atuar no campo, muitas vezes ajudando fugas em massa, fazendo com que, por vezes, os fazendeiros fossem obrigados a contratar seus antigos escravos em regime assalariado. Em 1887, diversas cidades libertaram os escravos; a alforria era normalmente condicionada à prestação de serviços (que, em alguns casos, implicava a servidão a outros membros da família). Ceará e Amazonas libertaram seus escravos em 1885. A decisão do Ceará aumentou a pressão da opinião pública sobre as autoridades imperiais. Em 1885, o governo cedeu mais um pouco e promulgou a Lei Saraiva-Cotegipe, que regulava a "extinção gradual do elemento servil". A Lei Saraiva-Cotegipe ficou conhecida como a Lei dos Sexagenários. Nascida de um projeto do deputado baiano Ruy Barbosa, essa lei libertou todos os escravos com mais de 60 anos, mediante compensações financeiras aos seus proprietários mais pobres para que ajudassem esses ex-escravos. Porém, essa parte da lei jamais foi cumprida e os proprietários de escravos jamais foram indenizados. Os escravos que estavam com idade entre 60 e 65 anos deveriam "prestar serviços por 3 anos aos seus senhores e após os 65 anos de idade seriam libertos". Poucos escravos chegavam a esta idade, e os que chegavam já estavam sem condições de garantir seu sustento, ainda mais agora que precisavam competir com os imigrantes europeus. Acresce ainda que, no recenseamento de 1872, que fez a primeira matrícula geral de escravos, muitos fazendeiros tinham aumentado a idade de seus escravos para burlarem a matrícula de 1872, escondendo os ingênuos introduzidos por contrabando após a Lei Eusébio de Queirós. Numerosos negros robustos e ainda jovens eram, legalmente, sexagenários, sendo libertos, neste caso, pela Lei dos Sexagenários, ainda em condições de trabalho. Os proprietários ainda tentariam anular a libertação, alegando terem sido enganados porque não foram indenizados como prometia a lei. As zonas recentemente desbravadas do Oeste Paulista revelavam-se mais dispostas à emancipação total dos escravos: ricas e prósperas, já exerciam grande atração sobre os imigrantes, e estavam mais bem preparadas para o regime de trabalho assalariado. Também os negros e mulatos escravizados passaram a participar mais ativamente da luta, fugindo das fazendas e buscando a liberdade nas cidades, especialmente, depois de 1885, quando foram proibidos os castigos corporais aos escravos fugidos quando viessem a ser recapturados. A lei n.º, de 15 de outubro de 1886, revogou o artigo n.º 60 do Código Criminal de 1830 e a lei n.º 4, de 10 de Junho de 1835, na parte em que impõem a pena de açoites, e determinou que "ao réu escravo serão impostas as mesmas penas decretadas pelo Código Criminal e mais legislação em vigor para outros quaisquer delinquentes". No interior de São Paulo, liderados pelo mulato Antônio Bento e seus caifazes, milhares deles escaparam das fazendas e instalaram-se no Quilombo do Jabaquara, em Santos. A essa altura, a campanha abolicionista misturou-se à campanha republicana e ganhou um reforço importante: o Exército Brasileiro pediu publicamente para não mais ser utilizado na captura dos fugitivos. Nos últimos anos da escravidão no Brasil, a campanha abolicionista adotou o lema "Abolição sem indenização". Do exterior, sobretudo da Europa, chegavam apelos e manifestos favoráveis ao fim da escravidão. Essas fugas em massa de escravos para a cidade de Santos geraram violência, que foi denunciada nos debates sobre a Lei Áurea em 9 de novembro de 1888 na Câmara Geral, pelo deputado geral Andrade Figueira, que acusou a polícia paulista (Força Pública) e políticos de serem coniventes com estas fugas, o que levou os proprietários de escravos paulistas a libertarem seus escravos para evitar mais violência: No mesmo sentido, escreveu Joaquim Manuel de Macedo em seu livro: As Vítimas-Algozes, denunciando a cumplicidade dos pequenos estabelecimentos comerciais, chamados de Venda, na receptação dos bens furtados, nas fazendas, pelos escravos e quilombolas: Em 13 de maio de 1888, o governo imperial rendeu-se às pressões e a princesa Isabel de Bragança assinou a lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil. A decisão desagradou aos fazendeiros, que exigiam indenizações pela perda de "seus bens". Como não as conseguiram, aderiram ao movimento republicano. Ao abandonar o regime escravista, o Império perdeu uma coluna de sustentação política. O fim da escravatura, porém, não melhorou a condição social e econômica dos ex-escravos. Sem formação escolar ou uma profissão definida, para a maioria deles a simples emancipação jurídica não mudou sua condição subalterna nem ajudou a promover sua cidadania ou ascensão social. Sobre as consequências negativas da abolição sem amparo aos escravos, no livro "Centenário de Antônio Prado", editado em 1942, Everardo Valim Pereira de Souza fez esta análise: A Lei Áurea foi o coroamento da primeira mobilização nacional da opinião pública, na qual participaram políticos e poetas, escravos, libertos, estudantes, jornalistas, advogados, intelectuais e operários. Esse 13 de maio (que já foi feriado nacional durante a República Velha) da princesa Isabel de Bragança (filha do Imperador Dom Pedro 2.º) é o 13 de maio da doação da liberdade, e ressalta o apoio dado por muitos brancos da época à abolição da escravatura. Os militantes do atual movimento negro no Brasil evocam um outro 13 de maio, que vê a abolição, em 13 de maio de 1888, como sendo um golpe branco visando a frear o avanço da população negra, que era, na época, um minoria oprimida. Num terceiro enfoque, o 13 de maio é visto como conquista popular, em 1978 transformado pelo Movimento Negro Unificado em Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo. Nesse enfoque, se devem centrar os debates modernos, que encarem o problema negro como problema nacional. Todo o processo da abolição no Brasil foi lento e ambíguo, pois, como afirma José Murilo de Carvalho: "A sociedade estava marcada por valores de hierarquia, de desigualdade; marcada pela ausência dos valores de liberdade e de participação; marcada pela ausência da cidadania", e mostra ainda José Murilo que não eram apenas grandes fazendeiros que possuíam escravos. Diz ainda o mesmo historiador: Escreve, ainda, o mesmo autor, ao comentar a "carga de preconceitos que estruturam nossa sociedade, bloqueiam a mobilidade, impedem a construção de uma nação democrática": O documento original da Lei Áurea, assinado pela Princesa Isabel, encontra-se atualmente no acervo do Arquivo Nacional, na cidade do Rio de Janeiro. Apesar de a abolição total da escravidão só ter acontecido em 1888, com a Lei Áurea, as leis do Ventre Livre (Lei 2 040, de 1871) e dos Sexagenários (Lei 3 270, de 1885) já previam indenizações dos escravocratas no caso de liberação dos escravos que eles tinham por posse. No entendimento de Perdigão Malheiro: "se a escravidão deve sua existência e conservação exclusivamente à lei positiva, é evidente que ela a pode extinguir. A obrigação de indenizar não é de rigor, segundo o direito absoluto ou natural; e apenas de equidade como consequência da própria lei positiva, que aquiesceu ao fato e lhe deu vigor como se fora uma verdadeira e legítima propriedade; essa propriedade fictícia é antes uma tolerância da lei por motivos especiais e de ordem pública, do que reconhecimento de um direito que tenha base e fundamento nas leis eternas. No julgamento, sempre se deve decidir o mais favoravelmente que se possa à liberdade. De modo que só se declare escravo e se mantenha como tal aquele sobre quem houver um direito evidente de propriedade; e ainda assim, se não for possível, em rigor ou ao menos por equidade e favor à liberdade, eximi-lo do cativeiro, posto que por meio de indenização ao senhor." A Lei do Ventre Livre diz, em seu artigo 1.º, §1.º, que os filhos de escravas com até 8 anos incompletos são propriedade dos donos de suas mães. Chegada a idade de 8 anos, os senhores podem optar entre libertar a criança e receber uma indenização de 600 mil-réis do estado, ou de utilizar-se dos serviços do menor até a idade de 21 anos completos. No artigo 8.º da mesma Lei, determina-se que todos os escravos sejam cadastrados com declaração de nome, sexo, estado, aptidão para o trabalho e filiação. Seguindo o que foi decidido sobre o cadastro dos escravos, a Lei dos Sexagenários, em seu artigo 1.º, §3.º, estipula o valor de cada escravo conforme a sua idade, variando de 900 mil-réis a 200 mil-réis, sendo que o valor de escravas do sexo feminino é 25% menor. O §8.º do mesmo artigo trata da indenização dos senhores caso o cadastro dos escravos, se for obrigação de algum funcionário seu, não seja feito, uma vez que os escravos não cadastrados seriam automaticamente libertos. O artigo 3.º versa sobre a indenização dos senhores com base no valor de tabela dos escravos, sendo que uma porcentagem do valor seria deduzida de seu preço de acordo com o tempo que levou para o escravo ser liberto a partir de seu cadastro, variando de 2% de dedução se liberto no primeiro ano, a 12% de dedução se liberto do décimo primeiro ano em diante. No caso de escravos com idade entre 60 anos completos e 65 anos incompleto, segundo o artigo 3.º, §10, a indenização aos senhores pela sua alforria se dá pela prestação de serviço por um período de 3 anos. A partir de 65 anos, os escravos são libertos de qualquer obrigação para com o senhor mediante a sua alforria. O artigo 4.º, §4.º, explicita, no entanto, que a regalia à indenização pela alforria dos escravos cessará com a extinção da escravidão, que se deu com a Abolição da Escravatura, em 1888. Em 23 de agosto de 1871, antes da publicação da Lei do Ventre Livre (promulgada no mês seguinte, garantindo liberdade aos filhos de escravos nascidos no Brasil), o Senado decide, de forma plenária, autorizar alforria dos escravos da nação, cujos serviços foram dados em usufruto à Coroa, independente de indenização. Os últimos anos que antecederam a abolição da escravidão foram tumultuados na câmara dos deputados. Tentando acelerar o processo emancipatório, entraram, em pauta, projetos de leis que incentivassem o fim da escravidão pelo ressarcimento. Em 15 de julho de 1884, o deputado Antônio Felício dos Santos apresenta o Projeto de Lei n.º 51 "dispondo que se proceda a nova matrícula de todos os escravos até julho de 1885, ficando livres os que não forem inscritos e cujo valor será arbitrado conforme o processo da lei para a libertação pelo fundo de emancipação". O fundo de emancipação buscava reunir, de maneira pecuniária, recursos para a obtenção do maior número possível de cartas da alforria. A indenização asseguraria a legitimidade da propriedade privada, princípio negado após promulgação da Lei da Abolição, ao desclassificar o escravo como um objeto, uma propriedade. Esse fundo foi criado pela Lei do Ventre Livre, em seu artigo 3. O projeto de lei proposto pelo deputado Antônio Felício dos Santos tinha, portanto, como função primordial, o fim da escravidão, pelo simples fato de que, caso não efetuasse a nova matrícula requerida, o proprietário de escravo perderia a posse sobre o mesmo, restando-lhe apenas a justa indenização, prevista pelo fundo emancipatório. O movimento abolicionista sofreu contraposições da sociedade escravocrata na Câmara. Em 3 de setembro de 1884, o deputado e primeiro-secretário, Leopoldo Augusto Diocleciano de Melo e Cunha, prossegue o testemunho do Decreto n.º 9 270 elaborado pelo então Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império Filipe Franco de Sá, com o seguinte teor: "Usando da atribuição que me confere a Constituição Política do Império no artigo 101 § 5.º, e tendo ouvido o Conselho de Estado, hei por bem dissolver a Câmara dos Deputados e convocar outra, que se reunirá extraordinariamente no dia 1.º de Março do ano próximo vindouro." O motivo desta dissolução foram as contraposições criadas pelo Projeto de Lei n° 48, que buscava a implementação de novos impostos para o aumento do Fundo de Emancipação e concedia liberdade aos escravos maiores de 60 anos sem indenização. A dissolução da Câmara dos Deputados buscava frear os movimentos abolicionistas que estavam se concretizando, mas a oposição não conseguiu conter as ideias liberais. Uma última tentativa em assegurar o direito indenizatório após a escravidão foi proposta no dia 24 de maio de 1888 com o intuito de estabelecer, como bem descrito em seu preâmbulo: "providências complementares da Lei n° de 13 de maio de 1888, que extinguiu a escravidão". O deputado Antônio Coelho Rodrigues enviou, à Câmara dos Deputados, o projeto de lei n° 10, que mandava o governo indenizar, em títulos de dívida pública, os prejuízos resultantes da extinção do elemento servil. Tal projeto sequer foi deliberado, uma vez que ia contra o já estabelecido na Leis Áurea; dos Sexagenários e do Ventre Livre. Em 14 de dezembro de 1890, por decreto, em proposta feita por Joaquim Nabuco no ano de 1888, Ruy Barbosa, empossado em sua função de Ministro da Fazenda, solicita a destruição de todos os livros de matrícula, documentos e papéis referentes à escravidão existentes no Ministério da Fazenda, de modo a impedir qualquer pesquisa naquele momento e posterior a ele que visasse à indenização de ex-proprietários de escravos. No entanto, essa decisão só foi efetivada em 13 de maio de 1891, na gestão de Tristão de Alencar Araripe, que, na ata do encontro que culminou em tal destruição, mandou analisar a situação do escravo sob o ponto de vista jurídico um ano antes, e as tendências abolicionistas naquela época. Rui Barbosa via, na escravidão, o maior dos problemas do Brasil, não tolerando meios-termos quanto ao seu fim, a exemplo das Leis do Ventre Livre e dos Sexagenários: se é para deixar de existir a escravidão, que seja extinta por completo. O Ministro afirmava que, se era par alguém ser indenizado, deveriam ser os próprios ex-escravos. Porém, sabendo da impossibilidade desse acontecimento, a ideia de queimar seu acervo teve início. Um plano de indenização para os libertos foi mencionado pela princesa Isabel em uma carta enviada ao visconde de Santa Vitória em 11 de agosto de 1889. O plano envolvia a utilização de fundos doados pelo então Visconde, que seriam advindos de seu banco. A data de início para os procedimentos supostamente seria na posse da nova legislatura em 20 de novembro de 1889 e a princesa pretendia executá-lo com o auxílio de abolicionistas influentes no governo e na mídia como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio. A carta original encontra-se atualmente no acervo do Museu Imperial de Petrópolis e faz parte dos documentos cedidos ao museu pelo Memorial Visconde de Mauá. Uma cópia da carta também encontra-se no acervo da Câmara Municipal da Araraquara desde 05 de setembro de 2019 por determinação do Parecer nº 392/2019 da Comissão de Justiça, Legislação e Redação da casa legislativa. Com a Proclamação da República em 15 de novembro, 5 dias antes do início da nova legislatura, a possibilidade de execução do plano se exauriu. A posterior queima dos livros de matrícula e de recolhimento de tributos dos ex-escravos determinada por despacho do então Ministro da Fazenda Ruy Barbosa em 14 de dezembro de 1890 também impediu qualquer ressarcimento aos libertos. Registros como esses também são utilizados atualmente por países com histórico escravagista para que as pessoas consigam identificar seus antepassados. Apesar de ter sido de suma importância por ter impedido a obtenção de indenizações pelos ex-proprietários de escravos, esse acontecimento é tido atualmente por alguns pesquisadores como fator crucial gerador do “apagamento da memória negra” e constante entre os elementos centrais dos padrões de desrespeito com os grupos negros no Brasil. Se por um lado a abolição da escravatura representou uma grande conquista ética e humanitária, por outro ela se revelou problemática, pois para os libertos, de muitas maneiras sua situação piorou. Como o governo não organizou nenhum programa para sua integração na sociedade, eles foram entregues à própria sorte. No contexto de uma sociedade dominante branca profundamente impregnada de racismo, a discriminação continuou se manifestando em todos os níveis. A vasta maioria dos libertos permaneceu marginalizada e desprovida de acesso à saúde, à educação, à formação profissionalizante, ao exercício da cidadania. Muitos perderam seu trabalho e sua moradia e foram obrigados a migrar em busca de novas colocações, que geralmente eram precárias e difíceis. A miséria se tornou comum. A pós-abolição foi o início de um longo e árduo processo de luta por direitos, dignidade, reconhecimento e inclusão, que até hoje ainda não está concluído.
Alforria (do árabe الحرية, al-ḥurrííâ) ou manumissão é o ato pelo qual um proprietário de escravos liberta os seus próprios escravos. Esta libertação assume diferentes formas consoante o tempo e o local da sociedade escravagista. A primeira palavra para "liberdade" vem do sumério Ama-gi, que corresponde à alforria da escravidão por dívida. No Brasil, alforriava-se como em nenhum outro lugar. A alforria se torna, portanto, um problema à historiografia brasileira, pois um escravo alforriado, fujão ou morto é igualmente para o sistema um escravo a menos. Do árabe الحرية al-ḥurrííâ, que significa "afastamento de falhas, escravidão, ou maldade; estado de homem livre, não escravo; liberdade". A palavra "alforria" tem origem no árabe al-furriâ, que significa "liberdade". "Manumissão" provém do termo latino manumissione. A carta de alforria era um documento através do qual o proprietário de um escravo rescindia dos seus direitos de propriedade sobre o mesmo. O escravo liberto por esse dispositivo era habitualmente chamado de negro forro. Segue abaixo a transcrição de uma carta de alforria (mantida a ortografia original): A noção de liberdade se confundia com a ideia de dispor de si. O direito de propriedade do senhor em relação ao seu escravo passava para este - processo que culmina em uma maior autonomia do cativo. Todavia, devido ao estatuto jurídico de reescravização, que perdurara até 1871, o escravo poderia ter sua liberdade revogada. O domínio do senhor, antes real, tornava-se virtual. Essa cultura da manumissão demarca a inferioridade intrínseca do negro, até quando liberto. A liberdade concedida pela manumissão, devido seu caráter movediço - mesmo que raríssimas fossem as revogações das promessas de alforria -, estabelece novos mecanismos de produção de patronagem. Reiterando, assim, o status quo escravista. O historiador Frank Tannenbaum fez uma associação entre o alto grau de alforrias no Brasil com uma subsequente leniência (suavidade) desta sociedade escravista em relação à sociedade dos Estados Unidos. O debate suscitado pelo historiador austro-americano, o qual efetua um juízo valorativo sobre os modelos escravistas, fraqueja desde sua origem. Como afirma o historiador Moses Finley, uma sociedade escravista é aquela na qual o escravo possui a função sociológica de produção de diferença entre os livres. Não é suficiente a uma sociedade que ela possua escravos para ser considerada escravista. O modelo escravista está intrinsecamente associado a uma estrutura hierárquica, a qual é afirmada pela constante reiteração de poder. O escravo é, portanto, um signo de distinção social. Assim, a consideração de uma sociedade escravista como leniente ou cruel desloca o debate em torno dos próprios fundamentos desse modelo societário. Entre escravo e liberto, há incontáveis dissimilitudes. O depoimento de Mahommah Gardo Baquaqua exemplifica isso: "Depois de algumas semanas, ele me despachou de navio para o Rio de Janeiro, onde permaneci duas semanas até ser vendido novamente. Havia lá um homem de cor que queria me comprar mas, por uma ou outra razão, não fechou o negócio. Menciono esse fato apenas para ilustrar que a posse de escravos se origina no poder, e qualquer um que dispõe dos meios para comprar seu semelhante com o vil metal pode se tornar um senhor de escravos, não importa qual seja sua cor, seu credo, ou sua nacionalidade; e que o homem negro escravizaria seu semelhante tão prontamente quanto o homem branco, tivesse ele o poder."A tese de Tannenbaum elide, consequentemente, a função da alforria como um elemento fundamental da reprodução do status quo. Havia três modos de obtenção da alforria: gratuitamente, mediante a serviços ou por meio de pagamentos. Por vezes, a alforria era concedida sem ensejar nada em troca do escravo. Dentre as diversas categorias de escravos existentes, os que mais obtinham vantagem diante deste modelo de alforria eram os escravos domésticos. Estes eram mais íntimos de seus senhores, trabalhavam junto a eles e, portanto, eram mais suscetíveis a serem agraciados por uma carta de alforria. Os africanos do eixo Congo-Angola eram os que mais aquinhoados a obter este tipo de alforria. A maioria que recebia esse tipo de carta passava a trabalhar na casa do antigo dono, possuindo um salário e horários definidos de trabalho. Diversos casos de alforrias concedidas pelos senhores exigiam, em troca, anos de serviço do escravo. Este só seria de fato libertado quando o serviço exigido fosse cumprido, havendo a possibilidade de se revogar a promessa. Era um tipo de alforria dominado pela categoria dos crioulos. Se demonstrou o caso mais incomum de alforria ao longo do século XIX. O escravo deveria pagar o próprio valor para ser libertado. Assim, os denominados "negros de ganho" - isto é, os escravos que exerciam sua ocupação fora de casa, por meio de vendas por exemplo - possuíam vantagens em relação aos demais escravos, por conta de uma maior capacidade de acumular pecúlio. Havia também os "escravos do eito", os quais trabalhavam para o próprio sustento. A produção, caso gerasse excedentes, poderia ser comercializada pelos escravos nos mercados, permitindo a eles acumular pecúlio para a compra da alforria. Por esta via, desnuda-se a relação senhor e escravo - de mando e obediência - para vendedor e comprador. A cor podia ser parda ou negra, com diversas gradações intermediárias (fula, cabra, mulato etc.). Os pardos possuíam um número de alforrias francamente maior do que os negros. A lógica seria a de um maior nível de aculturação - isto é, maior capacidade de integração com a cultura predominante - dos pardos, resultando em vantagens para angariar sua alforria. Entre homens e mulheres, se beneficiavam mais mulheres - possivelmente por um maior nível de aculturação. O escravo podia ser Africano - com subdivisões étnicas como Congo, Angola, Mina, Monjolo etc. - ou Crioulo (isto é, nascido no Brasil). Os Crioulos, neste caso, são os que obtêm um maior número de alforrias. O argumento de um maior nível de aculturação aplica-se. Entre as décadas de 1840-60, contudo, o número de Africanos alforriados ultrapassa o nível de crioulos. O nível de aculturação, portanto, não serve de explicação única para o desempenho vantajoso de um grupo diante do outro. Essa quebra nos padrões de alforria deixam um debate historiográfico em aberto. Um caminho a seguir é mediante a formação de redes de solidariedade entre os escravos, ou deste com um benfeitor - às vezes até com o próprio senhor. Há uma divisão em 3 faixas etárias: Infante (0/14 anos); Adulto ; Idoso . Os adultos tendem a prevalecer com o maior número de alforrias. Todavia, nas décadas de 1840-60, as crianças obtêm mais manumissões - questão também aberta à historiografia. No que se refere à metodologia empregada para o trabalho com alforria, não é suficiente trabalhar somente a partir das variáveis apresentadas. As fontes e o contexto social antecedem o trabalho com as noções de idade, sexo, cor, naturalidade, meio, ocupação, e as demais variáveis.
Abolicionismo — movimento político que visava o fim da escravidão *Abolição (Rio de Janeiro) — bairro da cidade brasileira do Rio de Janeiro *Abolição (minissérie) — minissérie brasileira de 1988 da Rede Globo *Palácio da Abolição — sede do governo do Estado do Ceará
A análise numérica é o estudo de algoritmos de aproximação para a solução de problemas matemáticos. Em geral, os algoritmos numéricos se dividem em diretos, recursivos e iterativos. Os iterativos apresentam uma sucessão de passos visando a convergência para o valor aproximado da solução exata. . Uma das primeiras referências a métodos numéricos consta na tabuleta babilônica YBC 7289, que fornece uma aproximação sexagesimal de \sqrt, o comprimento da diagonal de um quadrado unitário. A aproximação da raiz quadrada de 2 consiste de quatro algarismos sexagesimais, que estão sobre seis dígitos decimais: :1 + 24/60 + 51/60^2 + 10/60^3 = 1.41421\overline. Ser capaz de calcular as faces de um triângulo (e assim, sendo capaz de calcular raízes quadradas) é extremamente importante, por exemplo, em carpintaria e construção. Em uma parede quadrada que tem dois metros por dois metros, uma diagonal deve medir \sqrt \approx 2.83 metros. Embora a análise numérica tenha sido concebida antes dos computadores, tal como o entendemos hoje, o assunto se relaciona a uma interdisciplinaridade entre a matemática e a tecnologia da informação. Também é muito referido na disciplina de cálculo numérico. Um dos procedimentos mais conhecidos de tal área do saber é o método de Newton e o Método de Newton-Raphson. Pelo método de Newton, se determinam dois valores extremos, entre os quais deve estar o resultado do problema. A função, então, é aplicada à média dos dois valores e esta, na iteração posterior, passa a ser um dos valores extremos, em substituição a um dos anteriores, dependendo do resultado da função. No método de Newton-Raphson, o número de iterações para se chegar a um resultado com uma determinada aproximação é diminuído pelo uso da derivada da função. O objetivo do campo de análise numérica é projetar e analisar técnicas para encontrar soluções aproximadas, porém precisas, para problemas complexos, cuja variedade é demonstrada a seguir. *Métodos numéricos avançados são essenciais para previsões meteorológicas adequadas. *Calcular a trajetória de uma aeronave requer a solução numérica precisa de um sistema de equações diferenciais ordinárias. *Fabricantes de carros podem melhorar a segurança de seus veículos utilizando simulações computacionais de acidentes. Tais simulações consistem essencialmente da resolução de derivadas parciais numericamente. *Fundos de cobertura usam ferramentas de todos os campos da análise numérica para tentar calcular o valor de ações mais precisamente do que outros envolvidos no mercado. *Companhias aéreas usam sofisticados algoritmos de otimização para definir os valores de passagens, pagamentos de funcionários e necessidades de combustíveis. Historicamente, tais algoritmos foram desenvolvidos dentro do campo de pesquisa de operações. *Companhias de seguros usam programas numéricos para análise de riscos. *O resto desta seção destaca diversos temas importantes para a análise numérica. O campo da análise numérica antecede a invenção do computador em séculos. Interpolação linear é usada há mais de 2000 anos. Grandes matemáticos no passado trabalharam com análise numérica, o que é obviamente percebido pelo nome de importantes algoritmos como: Método de Newton, Polinômio de Lagrange, Eliminação Gaussiana, ou Método de Euler. Para facilitar os cálculos manuais, grandes livros foram produzidos, com fórmulas e tabelas de dados como pontos de interpolação e coeficientes de funções. Utilizando estas tabelas, freqüentemente calculadas até a 16ª casa decimal ou além, qualquer um poderia olhar os valores e inseri-los nas fórmulas e encontrar estimações numéricas aproximadas para algumas funções. Este trabalho culminou em uma publicação do NIST em 1964, de um livro de mais de 1000 páginas editado por Abramowitz e Stegun com um grande número de formulas e funções comumente utilizadas e seus valores em diversos pontos. Os valores das funções não são mais de grande utilidade quando temos um computador à disposição, mas as diversas fórmulas podem ainda ser bastante úteis. As calculadoras mecânicas também foram desenvolvidas como uma ferramenta para cálculos a mão. Estas calculadoras evoluíram para computadores eletrônicos nos anos 40, quando então se percebeu que estes computadores seriam úteis para fins administrativos. Mas a invenção do computador também influenciou campo da análise numérica, uma vez que cálculos maiores e mais complexos poderiam ser resolvidos. Métodos diretos calculam a solução de um problema em um número finito de passos. Estes métodos resultariam na resposta precisa se eles fossem realizados com precisão infinita. Exemplos incluem a Eliminação Gaussiana, o método de fatoração QR para a resolução de sistemas lineares de equações e o Algoritmo simplex de programação linear. Na prática, é utilizada precisão finita e o resultado é uma aproximação da solução real (assumindo estabilidade). Em contraste aos métodos diretos, Métodos Iterativos não terminam em um determinado número de passos. Atribuído um valor inicial, métodos iterativos realizam sucessivas aproximações que convergem para a solução exata em seu limite. Um teste de convergência é especificado para decidir quando uma solução suficientemente precisa foi encontrada. Mesmo usando uma precisão infinita, estes métodos (geralmente) não chegariam à solução em um número finito de passos. Exemplos incluem o Método de Newton, Método da Bissecção e a Interação de Jacob. Em matrizes de álgebra computacionais, métodos iterativos são geralmente necessários para problemas complexos. Métodos iterativos são mais usuais do que métodos diretos em análise numérica. Alguns métodos são diretos em seu princípio, mas são utilizados como se não fossem; e.g Método do resíduo mínimo generalizado e o Método do gradiente conjugado. Para estes métodos o número de passos necessários para se obter a solução exata é tão grande que a aproximação é a aceita da mesma maneira que no método iterativo. Além disso, problemas contínuos devem as vezes ser substituídos por problemas discretos cuja solução é conhecidamente próxima da do problema contínuo; este processo é chamado “discretização”. Por exemplo, a solução de uma Equação diferencial é a Função. Esta função deve ser representada por uma quantidade limitada de dados, por exemplo, por seu valor em um número finito de números em seu domínio, apesar de seu domínio ser contínuo. Um dos problemas mais simples é a avaliação de uma função em um determinado ponto. Mas mesmo a avaliação de um polinómio não é sempre trivial: o esquema de Horner é muitas vezes mais eficiente do que o método óbvio. De forma geral, é importante estimar e controlar o erro de arredondamento que resulta do uso do sistema de ponto flutuante na aritmética. Resolver uma equação não linear, consiste basicamente em determinar os zeros de f =0 \in [a,b]. Para que possamos usar algum método numérico temos de localizar um intervalo para um zero. Para termos uma ideia onde o zero se localiza teremos de fazer uma análise gráfica da função. Por exemplo, fazer o gráfico na calculadora ou com programas de computador, como por exemplo o GNU Octave, Mathematica ou MATLAB. Para garantir que a raiz existe e seja única temos de verificar os seguintes teoremas: # Seja f \in C[a,b], se ff então existe pelo menos um x \in \left]a,b\right[ tal que f=0. # Seja f \in \left[a,b\right], se f' existe e tem sinal constante em \left[a,b\right] então f não pode ter mais de um zero em \left[a,b\right]. Um dos métodos numéricos para o cálculo de zeros em um intervalo é o método da bissecção. Este método consiste na divisão do intervalo em dois. Haverá um intervalo em que o zero estará e outro não. Para o localizarmos usamos o teorema 1. Rejeitamos o intervalo que não tem o zero e ficamos com o subintervalo que tem o zero. Repetimos este procedimento o número de vezes necessárias de modo a obtermos um erro inferior ao pretendido. Para encontrarmos o erro de ordem k usamos a seguinte fórmula:|e_| = | z - x_k | \le \frac. Fórmula para o cálculo do zero da função: \beginI_0=[a,\ b],&\left\vert I_0\right\vert=b-a\\ x_1=\frac,&\left\vert I_1\right\vert=\frac\\ x_2=\frac,&\left\vert I_2\right\vert=\frac\\ x_3=\frac,&\left\vert I_3\right\vert=\frac\\ \quad\ \ \vdots \quad\ \ \vdots \quad &\\ x_k=\frac,&\left\vert I_k\right\vert=\frac\\ \end Um sistema de equações lineares Sn é um conjunto de n equações com n incógnitas. Os sistemas de equações lineares possuem diversas aplicações na matemática e na física sendo um dos principais temas tratados pelo cálculo numérico. Genericamente um sistema linear pode ser representado como: S_n=\left\{\begin a_x_1+a_x_2+\dots+a_x_n=b_1\\ a_x_1+a_x_2+\dots+a_x_n=b_2\\ \dots\dots\dots\dots\dots\dots\dots\dots\dots\dots\dots\\ a_x_1+a_x_2+\dots+a_x_n=b_n,\end\right. ou ainda: Sn=\sum_^n a_x_j=b_j Um sistema linear pode ainda ser representado utilizando-se matrizes, na forma: A_X_m=B_m, sendo: A_=\begin a_ & a_ & \cdots & a_ \\ a_ & a_ & \cdots & a_ \\ \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ a_ & a_ & \cdots & a_ \end, X_m=\begin x_1\\ x_2\\ \vdots\\ x_m \end e B_m=\begin b_1\\ b_2\\ \vdots\\ b_m \end Os sistemas lineares podem ser resolvidos através de métodos diretos (exatos) e métodos iterativos (aproximativos). Os métodos diretos, ou exatos, possibilitam encontrar a solução exata de um sistema de equações lineares a partir de um número finito de operações. Os métodos iterativos, ou aproximativos, são aqueles em que a solução do sistema de equações linear é obtida a partir de uma sequência de aproximações sucessivas x, x, ... x partindo-se de uma aproximação inicial x. Várias outras aplicações existem da análise numérica, como resolução de problemas de autovalores ou valores singulares, cálculo de integrais ou equações diferenciais. Em geral, operações que envolvem limite são facilmente aplicadas em análise numérica, já que os respectivos algoritmos seguem a própria definição de limite. *Computação científica *Processo de Gram-Schmidt *Problema de Halting *Diferenciação numérica *BARROSO, Leônidas Conceição e outros. Cálculo numérico: com aplicações. 2.ed. São Paulo: Harbra, 1987. ISBN 85-294-0089-5. *CLAUDIO, Dalcidio Moraes; MARINS, Jussara Maria. Cálculo numérico computacional: teoria e prática. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2000. ISBN 85-224-2485-3. *Gilat, Amos . MATLAB: An Introduction with Applications, 2nd edition, John Wiley & Sons. ISBN 0-471-69420-7. *Hildebrand, F. B. . Introduction to Numerical Analysis, 2nd edition, McGraw-Hill. ISBN 0-070-28761-9. *Leader, Jeffery J. . Numerical Analysis and Scientific Computation. Addison Wesley. ISBN 0-201-73499-0. *Trefethen, Lloyd N. . "[ Numerical analysis]", 20 pages. To appear in: Timothy Gowers and June Barrow-Green (editors), Princeton Companion of Mathematics, Princeton University Press. *[ Numérica ? Notas de aulas ] Análise, T. Diogo & M. Tomé, 2002, Secção de Folhas AEIST *[ Cálculo Numérico - Um Livro Colaborativo] - Livro de Cálculo Numérico mantido pelo Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. - a list maintained by Indiana University Stat/Math Center * * *, mantido pelo projeto REAMAT da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Amparo do São Francisco é um município brasileiro no interior do estado de Sergipe. O município faz parte da mesorregião do Leste Sergipano e da microrregião de Propriá. Sua população estimada em 2019, segundo o IBGE foi de 2374 habitantes, sendo portanto o município menos populoso de todo o estado de Sergipe. Sua área mede apenas 35,330 km² e situa-se na região hidrográfica do São Francisco. Não existem muitos registros a respeito do surgimento do município; as informações históricas vêm de estórias passadas de geração em geração pelos seus habitantes. Na localidade de Urubu do Baixo (hoje cidade de Propriá) havia uma grande fazenda chamada Campinhos pertencente ao Capitão Antonio Rodrigues da Costa Dória (membro da primeira Comarca de Propriá). Em 1855, João da Cruz Freire, filho de donos de engenho, recebe sua herança com a morte do pai e compra parte das terras da fazenda Campinhos, as batizando posteriormente de fazenda Amparo. Dedica-se à criação de gado e lavouras nas novas terras, anos depois casa-se com dona Francisca Senhorinha, descendente de uma família portuguesa e recebe a patente de Capitão da Guarda Nacional. Posteriormente, doa área de terras para a construção de uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Amparo. Com o passar do tempo, foram chegando algumas famílias, que decidiram construir suas casas às margens do riacho Jaguaribe, entre a lagoa Salgada e o local onde hoje funciona a Fazenda Jaguaribe. Em 2021, o município teve uma mudança de nome de Amparo de São Francisco, e passou a chamar-se Amparo do São Francisco. No ano de 1937, dez membros do bando de Lampião (dentre eles os cangaceiros Volta Seca, Boca Preta, Canário e Pancada) invadiram a cidade de madrugada. Muitos moradores se esconderam nos arrozais a beira do rio. Entravam nas casas exigindo dinheiro, e invadiram as propriedades das pessoas importantes da cidade como Franklin Freire (filho de João da Cruz Freire, fundador de Amparo). A intenção era sequestrar o proprietário, dando um prazo para o resgate que caso não fosse pago, resultaria em sua morte; mas o sobrinho de Franklin, Adão Freire, propôs ir no lugar do tio, o que foi aceito. No entanto antes do resgate ser pago e o prazo acabar, foram cercados pela polícia no povoado Barra Salgada, município de Aquidabã. No tiroteio um soldado foi morto, e Adão Freire conseguiu fugir e teve que se esconder num paiol de algodão, pois fora confundido com um dos bandidos. Após a fuga foi reconhecido e solto pelos soldados. A administração municipal se dá pelo poder executivo e pelo poder legislativo. O atual prefeito de Amparo de São Francisco é Franklin Freire, filiado ao PR. Ele assumiu o cargo em 2017, após vencer as eleições municipais de 2016 com 1.497 votos (64.14% do total). O poder legislativo é exercido pela câmara municipal, composta atualmente por nove vereadores. Amparo é o município sergipano que tem o menor eleitorado; nas eleições de 2016, havia apenas 2.569 eleitores. A receita do município é gerada principalmente pela atividade agrícola e pecuária. Os principais produtos agrícolas são: o milho, a manga, a mandioca, o arroz e o feijão, enquanto os maiores rebanhos são de bovinos, suínos, equinos e ovinos. Na avicultura os principais efetivos são os galináceos. A indústria local entrou em decadência na década de 1980, permanecendo o comércio na região. Nos meses seguintes comemoram-se o dia de São José, a Semana Santa e o São João. A amparense Maria Feliciana dos Santos, tornou-se conhecida nacionalmente devido a sua alta estatura. Com 2,25 metros de altura, ela foi jogadora de basquete e atração de circo. Em 1961, foi coroada no programa do Chacrinha, como a "Rainha da Altura". Ela foi considerada a "Mulher Mais Alta do Brasil". Os principais pontos turísticos de Amparo são a prainha e os sítios defronte ao rio. Na cidade, também saboreiam os deliciosos pratos à base de peixe-frito, moqueca e mariscos. Projeto Viajando na Leitura de Amparo do São Francisco - Sergipe. O Projeto Viajando na Leitura nasceu a partir da percepção do pouco interesse pela leitura ocasionado pelos nossos alunos diante da avalanche da tecnologia e do uso excessivo dos celulares e outros meios midiáticos. Neste sentido, em 2019 enchemos uma mala de livros que é o nosso “carro chefe” e saímos por algumas escolas levando contações de histórias e teatros objetivando despertar neles o gosto pela leitura, o amor aos livros e a importância de se adquirir o hábito de ler. O Projeto foi tomando uma proporção tão grande que tivemos que ampliá-lo por toda a rede municipal envolvendo também as turmas do ensino fundamental das séries finais e estimulando à produção textual para inseri-los no universo literário. Na educação infantil é oferecido um leque de imagens de livros para os alunos produzirem seus contos e nós somos seus escribas. No ensino fundamental das séries iniciais, eles já leem livros, interpretam, produzem seus contos e poesias e se expressam por meio de desenhos. No fundamental das séries finais existe um grupo de WhatsApp onde semanalmente eles produzem por meio de imagens ou sem imagens. Também produzem contos coletivos e produzem peças teatrais. Em 2021 três integrantes do nosso Projeto tomaram posse na Academia de Letras Estudantil do Município de Japoatã - ALEJ. No início de 2022 fomos agraciados com o Prêmio Oxente Sergipe em Aracaju pelo destaque na Educação. Agora em maio também deste ano recebemos o Certificado de Honra ao Mérito da Academia Gloriense de Letras de Nossa Senhora da Glória por todo trabalho desenvolvido na educação através do incentivo a leitura e a escrita. É de suma importância salientar o sucesso do projeto graças ao apoio e parceria de todos os professores e diretores assim como das famílias dos nossos alunos, sendo estes os protagonistas. A maioria de nossos alunos já publicaram textos poéticos em Antologias pelo Brasil afora desde a educação infantil até as séries finais do ensino fundamental. Realizamos anualmente saraus com declamações, músicas, teatros, exposição de livros artesanais e de poesias. Durante a pandemia fundamos a Biblioteca Comunitária Escritora Jeane Caldas que contém um acervo de mais mil livros de literatura Infantojuvenil. O Projeto Viajando na Leitura, atualmente, conta com as cinco professoras orientadoras: Ana Carla Roberto da EMEF Raimundo Martins Ana Cláudia Araújo da EMEF Ivany da Glória Freire Carla Oliveira da Educação Infantil Eunice Ramos da EMEF Ivany da Glória Freire Mércia Barboza da EMEF Ivany da Glória Freire *Lista de municípios de Sergipe, [ Prefeitura Municipal], [ Câmara Municipal]
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Sapé, 20 de abril de 1884 – Leopoldina, 12 de novembro de 1914) foi um poeta e professor brasileiro reconhecido como um dos principais expoentes do simbolismo e do pré-modernismo brasileiro. Sua obra é marcada pela versificação considerada imprópria para a época, pela crítica à hipocrisia social e à ética cristã e pelo pessimismo cientificista e existencial baseado em Schopenhauer, Herbert Spencer e Hippolyte Taine. Em vida, publicou apenas o livro ' em 1912, mas não alcançou reconhecimento, morrendo dois anos mais tarde por pneumonia. Na década seguinte, com a reedição de sua obra pelo seu amigo Órris Soares sob o título de Eu e outras poesias, consagrou-se como um poeta inventivo e singular e influenciou o modernismo brasileiro. Augusto dos Anjos nasceu no Engenho Pau d'Arco, atualmente no município de Sapé, estado da Paraíba. Foi educado nas primeiras letras pelo pai e estudou no Lyceu Paraibano, onde viria a ser professor em 1908. Precoce poeta brasileiro, compôs os primeiros versos aos 7 anos de idade. Em 1903, ingressou no curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife, bacharelando-se em 1907. Em 1910 casa-se com Ester Fialho. Seu contato com a leitura, influenciaria muito na construção de sua dialética poética e visão de mundo. Com a obra de Herbert Spencer, teria aprendido a incapacidade de se conhecer a essência das coisas e compreendido a evolução da natureza e da humanidade. De Ernst Haeckel, teria absorvido o conceito da monera como princípio da vida, e de que a morte e a vida são um puro fato químico. Arthur Schopenhauer o teria inspirado a perceber que o aniquilamento da vontade própria seria a única saída para o ser humano. E da Bíblia, da qual também não contestava sua essência espiritualística, usando-a para contrapor, de forma poeticamente agressiva, os pensamentos remanescentes, em principal os ideais iluministas/materialistas que, endeusando-se, se emergiam na sua época. "Promovia 'sessões memoráveis' na sala de jantar. Era 'médium' classificado", segundo o biógrafo Ademir Vidal. Embora se intitulassem católicos, os membros de sua família realizavam sessões espíritas por curiosidade, até que, por motivos de perturbação no ambiente doméstico, a mãe do autor decidiu proibi-las. Vidal afirma também que Augusto dos Anjos chegou a psicografar versos de Gonçalves Dias. Dedicou-se ao magistério, transferindo-se para o Rio de Janeiro em 1910 onde foi professor em vários estabelecimentos de ensino. Faleceu em 12 de novembro de 1914, às 4 horas da madrugada, aos 30 anos, em Leopoldina, Minas Gerais, onde era diretor de um grupo escolar. A causa de sua morte foi pneumonia. Na casa em que residiu durante seus últimos meses de vida funciona hoje o Museu Espaço dos Anjos. Após sua morte, seu amigo Órris Soares organizaria uma edição chamada Eu (poesias completas), incluindo ao núcleo original mais 46 poemas que o poeta deixara manuscritos ou que foram publicados apenas em periódicos. EU de Augusto dos Anjos, assentada em bases sólidas do verossímil e da unidade clássica do filósofo Aristóteles, necessita de risco, fazer o que tem de ser feito, no seu projeto fracassado dum novo Cosmos, que ressuscita à vida duma nova Roma instaurada noutra nova civilização brasileira frente ao velho mundo. Trata-se duma poética da transgressão que se dá à janela livre da globalização ao unir os povos numa só nação chamada Brasil, por estar à frente de seu tempo e na vanguarda cultural da unidade das nações também à luz da pluralidade, de Paul Feyerabend. Nem é à toa que no livro A poética carnavalizada de augusto dos anjos o crítico constate como em todo o EU e no soneto “Vencedor” há um poeta atormentado em instaurar uma nova civilização brasileira, quem assombrará ao mundo por meio de o seu novo estatuto dado à palavra feia e fedorenta como a cloaca que alimenta à hiena, animal desvairado que ainda assim sorrir. Palavra esdrúxula e excêntrica essa que arromba às portas da unidade clássica à literatura universal por meio de a sua poética da pluralidade, da transgressão, ordinária e inclassificável. Nem é à toa também que o poeta de EU, Augusto dos Anjos, explore em sua poética expressões tétricas como "Evangelho da podridão", "verme", "matéria em decomposição", “cloaca”, "escarro", “miséria”, “grito”, “horrenda”, “alegre” e "sangue". Todavia tudo junto e misturado às palavras alegres da literatura carnavalizada, que vai abrindo à cena inaugural da miséria nacional por meio dum estranho circo de horrores. É como se criasse assim nessa poética uma metalinguagem cinematográfica sobre o corpo devorado por seus próprios vermes. E o faz por meio duma escritura em plena festa da carne, o carnaval. Enfim, a sátira menipeia manifesta-se pois também nessa poética aristotélica de EU. Mas ao mesmo tempo é uma poética da transgressão, uma autêntica e original "coroação destronamento". Trata-se de polifonia, dialogismo e "discurso social" confluindo na categoria explorada por Bakhtin em sua tríade filológica: "primeira peculiaridade", "segunda peculiaridade" e "terceira peculiaridade", equidistantes à tríade semiótica de Peirce: primeiridade, secundidade, terceiridade, que se vão corresponder também com a tríade de Lacan: real, simbólico, imaginário. Sua linguagem orgânica, muitas vezes cientificista e agressivamente crua, mas sempre com ritmados jogos de palavras, ideias, e rimas geniais, causava repulsa na crítica e no grande público da época. Ele somente apresentou grande vendagem anos após a sua morte. Muitas divergências há entre os críticos de Augusto dos Anjos quanto à apreciação de sua obra e suas posições são geralmente extremas. De qualquer forma, seja por ácidas críticas destrutivas, seja através de entusiasmos exaltados de sua obra poética, Augusto dos Anjos está longe de se passar despercebido na literatura brasileira. O aspecto melancólico da sua poesia, que a marca profundamente, é interpretado de diversas maneiras. Uma vertente de críticos, na qual se inclui Ferreira Gullar, fundamenta a melancolia da obra na biografia do homem Augusto dos Anjos. Para Gullar, as condições de nossa cultura dependente dificultam uma expressão literária como a de Augusto dos Anjos, em que se rompe com a imitação extemporânea da literatura europeia. Essa ruptura de Augusto dos Anjos ter-se-ia dado menos por uma crítica à literatura do que por uma visão existencial, fruto de sua experiência pessoal e temperamento, que tentou expressar na forma de poesia. A poesia de Augusto dos Anjos é caracterizada por Gullar como apresentando aspectos da poesia moderna: vocabulário prosaico misturado a termos poéticos e científicos; demonstração dos sentimentos e dos fenômenos não através de signos abstratos, mas de objetos e ações cotidianas; a adjetivação e situações inusitadas, que transmitem uma sensação de perplexidade. Ele compara a miscigenação de vocabulário popular com termos eruditos do poeta ao mesmo uso que faz Graciliano Ramos. Descreve ainda os recursos estilísticos pelos quais Augusto dos Anjos tematiza a morte, que é personagem central de sua poesia, e o compara a João Cabral de Melo Neto, para quem a morte é apresentada de forma crua e natural. Outros, como Chico Viana, procuram explicar a melancolia através dos conceitos psicanalíticos. Para Sigmund Freud, a melancolia é um sentimento parecido com o luto, mas se caracteriza pelo desconhecimento do melancólico a respeito do objeto perdido. A origem da melancolia da poesia de Augusto dos Anjos estaria, para alguns críticos, em reflexões de influências política com os problemas de sua família, e num conflito edipiano de sua infância. Há ainda aqueles que tentam analisar a poesia de Augusto dos Anjos baseada em sua criatividade como artista, de acordo com o conceito da melancolia da criatividade do crítico literário norte-americano Harold Bloom. O artista seria plenamente consciente de sua capacidade como poeta e de seu potencial para realizar uma grande obra, manifestando, assim, o fenômeno da "maldição do tardio". Sua melancolia viria da dificuldade de superar os "mestres" e realizar algo novo. De forma geral, no entanto, sua poesia é reconhecidamente original. Para Álvaro Lins e para Carlos Burlamaqui Kopke, sua singularidade está ligada à solidão, que também caracteriza sua angústia. Eudes Barros, em seu livro A Poesia de Augusto dos Anjos: uma Análise de Psicologia e Estilo, nota o uso inusitado dos adjetivos por Augusto dos Anjos, e qualifica seus substantivos como extremamente sinestésicos, criando dimensões desconhecidas para a adjetivação convencional. Manuel Bandeira destaca o uso das sinéreses como forma de representar a impossibilidade da língua, ou da matéria, para expressar os ideais do espírito. Portanto, os recursos estilísticos de Augusto dos Anjos se reconhecem como geniais. As imagens da obra poética de Augusto dos Anjos se caracterizam pela teratologia exacerbada, por imagens de dor, horror e morte. O uso da racionalidade, e assim da ciência, seria uma forma de superar a angústia da materialidade e dos sentimentos. Mas a Ciência, que marca fortemente sua poesia, seja como valorizada ou através de termos e conceitos científicos, também lhe traz sofrimento, como nota Kopke. É marcante também a repetição de temas nessa poesia, e um sentimento de solidariedade universal, ligado à desumanização da natureza e até do próprio humano, o que reduziria todos os seres a uma só condição. Os contrastes peculiarizam seus temas. Idealismo e materialismo, dualismo e monismo, heterogeneidade e homogeneidade, amor e dor, morte e vida, "Tudo convém para o homem ser completo", como diz o próprio poeta em Contrastes. ANJOS, Augusto dos. Eu. 1ª ed. Rio de Janeiro: [s.c.p.] 1912. _______. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. BARROS, Eudes. A poesia de Augusto dos Anjos: uma análise de psicologia e estilo. Rio de Janeiro: Ouvidor, 1974. ERICKSON, Sandra S. F. A melancolia da criatividade na poesia de Augusto dos Anjos. João Pessoa: Editora Universitária, 2003. GULLAR, Ferreira. "Augusto dos Anjos ou vida e morte nordestina". In: ANJOS, Augusto dos. Toda a poesia; com um estudo crítico de Ferreira Gullar. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978. HELENA, Lucia. A cosmo-agonia de Augusto dos Anjos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, Biblioteca Tempo Universitário — 47; João Pessoa: Secretaria da Educação e Cultura da Paraíba/Comissão do Centenário de Augusto dos Anjos, 1984. NÓBREGA, Humberto. Augusto dos Anjos e sua época. João Pessoa: Edição da Universidade da Paraíba, 1962. _______. Augusto dos Anjos. João Pessoa: A União, 1971. VASCONCELOS, Montgômery. A poética carnavalizada de Augusto dos Anjos. São Paulo: Annablume, 1996. VIANA, Chico (Pseudônimo de Francisco José Gomes Correia). O evangelho da podridão: culpa e melancolia em Augusto dos Anjos. João Pessoa: UFPB, 1994. _______. A sombra e a quimera: escritos sobre Augusto dos Anjos. João Pessoa: Idéia/Universitária, 2000. PROENÇA, Manuel Cavalcanti de. O artesanato em Augusto dos Anjos, em Augusto dos Anjos e outros ensaios. Rio de Janeiro/Brasília: Grifo/INL, 1973;, MAGALHÃES JUNIOR, Raimundo de. Poesia e vida de Augusto dos Anjos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978;, ROSENFELD, Anatol. A costela de prata de Augusto dos Anjos, em Texto e contexto. São Paulo: Perspectiva, 1973. [ Augusto dos Anjos e sua fortuna crítica], Matraga v. 21, n. 35,
Antônio Mariano Alberto de Oliveira (Saquarema, 28 de abril de 1857 — Niterói, 19 de Janeiro de 1937), mais conhecido como Alberto de Oliveira, foi um poeta, professor e farmacêutico brasileiro. Figura como líder do Parnasianismo brasileiro, na famosa tríade Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac. Foi um dos 17 filhos de José Mariano de Oliveira e Ana Maria da Encarnação, uma família que se mistura com a literatura brasileira, dentre eles sua irmã Amélia de Oliveira que foi o grande amor de Olavo Bilac. Foi secretário estadual de educação, membro honorário da Academia de Ciências de Lisboa e imortal fundador da Academia Brasileira de Letras. Adotou o nome literário Alberto de Oliveira no livro de estreia, após várias modificações dispersas nos jornais. Seu pai, mestre-de-obras, transferiu residência para o município de Itaboraí, onde construiu o teatro. De origem humilde, Antônio foi, seguindo o irmão mais velho, à capital da província, trabalhar como vendedor. Ambos moravam num barracão aos fundos da casa comercial do Sr. Pinto Moreira, em Niterói, vizinhos do pintor Antônio Parreiras, ainda anônimo, com 17 anos, que lembra, ancião, o contato com o "moço" "de andar firme e compassado". Diplomou-se em magistério e farmácia, cursando medicina (vindo a conhecer Olavo Bilac), até o terceiro ano, mediante grande esforço pessoal, o que lhe rendeu emprego na Drogaria do "Velho Granado". Também abriu um colégio em Niterói. Casou-se em 1889 com a viúva Maria da Glória Rebelo. Após a glória literária, destacou-se na política como Oficial de Gabinete do primeiro presidente de Estado do Rio de Janeiro eleito José Thomaz da Porciúncula (1892-1894), do Partido Republicano Fluminense, marcadamente prudentista e antiflorianista, com a pasta de Diretor Geral da Instrução Pública do Rio de Janeiro, equivalente ao atual Secretário de Estado de Educação. Durante a tranferência da capital do estado de Niterói para Petrópolis, devido às insurreições e revoltas pró e contra a Proclamação da República, permaneceu na Cidade Imperial Serrana, já que a excelência de seu trabalho o manteve no cargo durante o mandato de Joaquim Maurício de Abreu (1894–1897). Foi Professor de Português e Literatura no Colégio Pio-Americano e na Escola Dramática e Escola Normal, dirigida por Coelho Neto. Participou da famosa "Batalha do Parnaso", ocorrida no Diário do Rio de Janeiro entre 1878 e 1881 contra o Ultra-romantismo piegas e já desgastado, junto com Teófilo Dias, Artur Azevedo e Valentim Magalhães, resgatando as origens do Romantismo dialogadas com aqueles "novos tempos". Reunidos em torno de Artur de Oliveira, num café da Rua do Ouvidor, eram integrantes da vanguarda "Ideia Nova", ao lado de Fontoura Xavier, Carvalho Jr. e Affonso Celso Jr. que lhe prefaciou o Livro de Ema (deslocado da 1a. para a 2a. série das Poesias). Inspirados na Arte Moderna da França, feita por Théophile Gautier, Théodore de Banville, Charles Baudelaire e Leconte de Lisle, os "Tetrarcas" do Parnasianismo, e, secundariamente, em Sully Prudhome e José-Maria de Heredia, fizeram todos a maior revolução na poesia brasileira até então, importantíssima para a consolidação da Modernidade do Brasil, no tocante à literatura, a partir da eleição do "Novo" como valor e da "Ruptura" como sistema, tradição. Envolveu-se com os fundadores da inovadora Gazeta de Notícias, Manuel Carneiro e Ferreira de Araújo, publicando poemas posteriormente reunidos no livro Canções Românticas (prefácio de Teófilo Dias) e conhecendo neste jornal o amigo Machado de Assis, que o citou no famoso artigo "A Nova Geração" (Revista Brasileira, 1879) bem como lhe prefaciou Meridionais, ainda financiadas pelo jornal, livro-chave para a ideia Nova da Nova Geração, só mais tarde referida conceitualmente, "rotulada" ou esquematizada como "estilo parnasiano". Decorrido apenas um ano, publica, sob encomenda dos leitores, Sonetos e poemas, consagrando-se junto ao público, o que lhe rende um prefácio de T. A. Araripe Jr. ao livro seguinte, Versos e rimas, títulos talvez alusivos a Sonetos e rimas, de Luís Guimarães Jr. também Jovem Poeta, como eram conhecidos esses revolucionários em prol da poesia autêntica sem os clichês românticos. Depois de quatro livros publicados, foi convidado por Machado de Assis para a Fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1897, ocasião em que se vê a longevidade do convívio entre o romancista e o poeta. Com Raimundo Correia e Olavo Bilac, formou a tríade mais representativa da ideia Nova da Nova Geração, hoje chamado Parnasianismo, reunida em sua casa no bairro Barreto, Niterói, à época capital de província, e depois no seu famoso Solar da Engenhoca, sito à mesma cidade, ou no bairro Neves, São Gonçalo, residência anterior. Impecável na métrica e correto na forma, sofre uma vaia que parece ainda ecoar desde a Semana de Arte Moderna de 1922, na voz de críticos literários fiéis à ideia modernista. Mário de Andrade, rancoroso pela rejeição dos parnasianos ao seu livro parnasiano Há uma gota de sangue em cada poema, se empenha em retaliar o velho estilo, cuja principal vítima era o poeta de Saquarema, como se vê nos ensaios "Mestres do Passado", publicados no Jornal do Commercio em 1921 e na "Carta Aberta a Alberto de Oliveira", publicada na Revista Estética no. 3, em 1925. Nos últimos anos de sua vida, proferiu conferência "O Culto da Forma na Poesia Brasileira", (1913, Biblioteca Nacional; 1915, São Paulo) e ainda foi homenageado pelo Jornal do Commercio, em 1917. No mesmo ano, recebeu Goulart de Andrade na Academia Brasileira de Letras. Foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, pelo concurso da revista Fon-Fon, título desocupado desde a morte de seu discípulo e amigo Olavo Bilac, falecido em 1918. Em 1935, prestigia o Cenáculo Fluminense de História e Letras, com sua gloriosa presença. Sem dúvida, o Poeta-Professor é "Andarilho Fluminense", semeando Lirismo e Educação em todos os lugares por que passou: Saquarema, Rio Bonito, Itaboraí, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Campos e Rio de Janeiro (no seu Estado natal), além de Araxá, São Paulo, Curitiba. Seus incontáveis versos falam da pujança da natureza fluminense e dos encantos da mulher brasileira, ambas freqüentemente evocadas pela memória. Os temas da Grécia Antiga, que caracterizam o Parnasianismo de moldes franceses, formam uma pequena minoria da obra, em torno de 10%. Vê-se sua herma no Jardim do Russel (Rio de Janeiro, capital), obra do escultor Petrus Verdier, ou na sede histórica da Prefeitura Municipal de Niterói (jardim de entrada), obra do escultor H. Peçanha. *Canções Românticas. Rio de Janeiro: Gazeta de Notícias, 1878. *Meridionais. Rio de Janeiro: Gazeta de Notícias, 1884. *Sonetos e Poemas. Rio de Janeiro: Moreira Maximino, 1885. *Relatório do Diretor da Instrução do Estado do Rio de Janeiro: Assembléia Legislativa, 1893. *Versos e Rimas. Rio de Janeiro: Etoile du Sud, 1895. *Relatório do Diretor Geral da Instrução Pública: Secretaria dos Negócios do Interior, 1895. *Poesias (edição definitiva). Rio de Janeiro: Garnier, 1900. (com juízos críticos de Machado de Assis, Araripe Júnior e Afonso Celso) *Poesias, 2ª série. Rio de Janeiro: Garnier, 1905. *Páginas de Ouro da Poesia Brasileira. Rio de Janeiro: Garnier, 1911. *Poesias, 1ª série (edição melhorada). Rio de Janeiro: Garnier, 1912. *Poesias, 2ª série (segunda edição). Rio de Janeiro: Garnier, 1912. *Poesias, 3ª série Rio de Janeiro: F. Alves, 1913. *Céu, Terra e Mar. Rio de Janeiro: F. Alves, 1914. *O Culto da Forma na Poesia Brasileira. São Paulo: Levi, 1916. *Ramo de Árvore. Rio de Janeiro: Anuário do Brasil, 1922. *Poesias, 4ª série. Rio de Janeiro: F. Alves, 1927. *Os Cem Melhores Sonetos Brasileiros. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1932. *Poesias Escolhidas. Rio de Janeiro: Civ. Bras. 1933. *Póstuma. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1944. *VÍTOR, Nestor. Alberto de Oliveira (ensaio), 1906. (incluído em Obra crítica, 2 vols. 1973). *VIANNA, Oliveira. Alberto de Oliveira: discurso de posse (recepção de Affonso de Taunay). Rio de Janeiro: Acad. Bras. de Letras, 1940. *SERPA, Phocion. Alberto de Oliveira (1857-1957). Rio de Janeiro: Liv. S. José, 1957. *SOUZA, Sávio Soares de. A outra face de Alberto de Oliveira. Rio de Janeiro, 1957 (livreto da palestra de 21/07/1957 na Prefeitura de Saquarema) *CAMPOS, Geir. Alberto de Oliveira (poesia). Rio de Janeiro: Agir, 1959 (Nossos Clássicos, 32) *ELMO, Elton. A família de Alberto de Oliveira. Rio de Janeiro: Do Autor, 1979. *DANTAS, Olavo. A glória de Alberto de Oliveira. Rio de Janeiro: Do Autor, 1994. *CAVALCANTI, Camillo. Alberto de Oliveira: antologia poética (sesquicentenário). Rio de Janeiro: Do Autor, 2007. *LUTTERBACH, Edmo Rodrigues. Alberto de Oliveira: o príncipe dos poetas (antologia). Niterói: Nitpress, 2007. (Coleção Introdução aos Clássicos Fluminenses). *AZEVEDO, Sânzio de. Os melhores poemas de Alberto de Oliveira. Rio de Janeiro: Global, 2008. *Fundamentos Modernos das Poesias de Alberto de Oliveira. (tese de doutorado disponível on-line). *ASSIS, Machado de. A Nova Geração. Revista Brasileira, 1879. (incluído em Crittica literaria, das Obras completas). *VERÍSSIMO, José. O Parnasianismo no Brasil; O Sr. Alberto de Oliveira. in: ---. Estudos de literatura brasileira. Belo Horizonte: Itatiaia/ São Paulo: Edusp, 1977. (2a e 6a séries) *GOMES, Eugênio. Alberto de Oliveira; Alberto de Oliveira e o Simbolismo. in: ---. Visões e revisões. Rio de Janeiro: INL, 1958. *REIS, Marco Aurélio Mello. Leitura de Alberto de Oliveira. in: OLIVEIRA, Alberto de. Poesias completas (ed. crítica de Marco Aurélio Mello Reis). Rio de Janeiro: Eduerj, 1978. *JUNQUEIRA, Ivan. A face erótica de Alberto de Oliveira. in: ---. À sombra de Orfeu. Rio de Janeiro: Nórdica, 1984. *CANDIDO, Antonio. No coração do silêncio. in: ---. Na sala de aula: cadernos de análise literária. São Paulo: Ática, 1985. *AZEVEDO, Sânzio de. Alberto de Oliveira: a ortodoxia em questão. in: JUNQUEIRA, Ivan. Escolas literárias no Brasil. Rio de Janeiro: Acad. Bras. de Letras, 2004. Alberto de Oliveira fundou a cadeira 8 da Academia Brasileira de Letras, escolhendo como patrono o inconfidente Cláudio Manuel da Costa, mártir da liberdade. *[ Obras disponíveis na Poepedia.com - A Enciclopedia da Poesia]
Afonso Henrique da Costa Guimarães (Ouro Preto, 24 de julho de 1870 – Mariana, 15 de julho de 1921), mais conhecido como Alphonsus de Guimaraens, foi um poeta brasileiro, considerado um dos principais representantes do simbolismo no Brasil. Seus poemas versavam de maneira obsessiva a morte da mulher amada e apresentavam um ritmo melódico e um misticismo católico, com influências barrocas, românticas e decadentistas. Sua obra, predominantemente poética, consagrou-o como um dos principais autores simbolistas do Brasil. Traduziu também poetas como Stéphane Mallarmé, em referência à cidade em que passou parte de sua vida, é também chamado de "o solitário de Mariana", a sua "torre de marfim do Simbolismo". Alphonsus de Guimaraens era filho de Albino da Costa Guimarães, comerciante nascido em Cepães, Braga, Portugal, e de Francisca de Paula Guimarães Alvim, sobrinha do poeta Bernardo Guimarães, portanto, era sobrinho-neto de Bernardo. Matriculou-se, em 1887, na Faculdade de Engenharia. Perdeu prematuramente a prima e noiva Constança, filha de Bernardo Guimarães, o que o abalou moral e fisicamente. Foi, em 1890, para São Paulo, onde ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, compondo a turma 64, que colou grau em 1895. Em São Paulo, colaborou na imprensa e frequentou a Vila Kyrial, de José de Freitas Vale, onde se reuniam os jovens simbolistas. Em 1895, no Rio de Janeiro, conheceu Cruz e Souza, poeta a quem já admirava e de quem se tornou amigo pessoal. Também foi juiz-substituto e promotor em Conceição do Serro, hoje Conceição do Mato Dentro, MG. No ano de 1897, casou-se com Zenaide de Oliveira. Posteriormente, em 1899, estreou na literatura com dois volumes de versos: Setenário das dores de Nossa Senhora e Câmara Ardente, e Dona Mística, ambos de nítida inspiração simbolista. Em 1900, passou a exercer a função de jornalista, colaborando em A Gazeta, de São Paulo. Em 1902, publicou Kyriale, sob o pseudônimo de Alphonsus de Guimaraens; obra que o projetou no universo literário, obtendo assim reconhecimento, ainda que restrito de alguns raros críticos e de amigos mais próximos. Em 1903, os cargos de juízes-substitutos foram suprimidos pelo governo do estado de Minas Gerais. Consequentemente, Alphonsus perdeu também seu cargo de juiz, o que o levou a graves dificuldades financeiras. Após recusar um posto de destaque no jornal A Gazeta, Alphonsus foi nomeado para a direção do jornal político Conceição do Serro, onde também colaborariam seu irmão, o poeta Archangelus de Guimaraens, Cruz e Souza e José Severino de Resende. Em 1906, tornou-se juiz municipal de Mariana, MG, para onde se transferiu com sua esposa Zenaide de Oliveira, com quem teve 15 filhos, dois dos quais também escritores: João Alphonsus (1901–1944) e Alphonsus de Guimaraens Filho (1918–2008). Devido ao período que viveu em Mariana, ficou conhecido como "O Solitário de Mariana", apesar de ter vivido lá com a mulher e com seus filhos. O apelido lhe foi dado devido ao isolamento completo em que viveu. Sua vida, nessa época, passou a ser dedicada basicamente às atividades de juiz e à elaboração de sua obra poética. O poeta Carlos Drummond de Andrade homenageou Alphonsus em seu centenário em 1970, com o poema "Luar para Alphonsus", na segunda edição do livro de poesias e crônicas chamado "Versiprosa", em 1973. Em 1987 foi inaugurado em Mariana o Museu Casa Alphonsus de Guimaraens. O Museu está instalado na casa em que o escritor viveu com a família no período de 1913 a 1921. Localizado no centro histórico da cidade, o imóvel apresenta características das construções de estilo colonial, dentro dos padrões estéticos do fim do século XVIII até o início do século XIX, com dois pavimentos e um quintal, por onde se distribuem os espaços expositivos, educativos, áreas de pesquisa, de administração e de convivência do Museu. Na mesma cidade há também uma rua com seu nome, situada entre a ponte de areia e a ponte de tabuas - que também recebe seu nome. O rapper Emicida, em 2019, lançou uma música inspirada no maior poema do autor, "Ismália". A música é uma parceria com Larissa Luz e Fernanda Montenegro, que recita o texto no final da canção. *Septenário das dores de Nossa Senhora, poesia *Câmara Ardente, poesia *Dona Mystica, poesia *Kiriale, poesia *Mendigos, prosa *Pastoral aos crentes do amor e da morte *Escada de Jacó *Pulvis *Salmos *Poesias *Jesus *Alphonsus, . [ Poemas de Alphonsus de Guimaraens ], [ Poemas de Alphonsus de Guimaraens ]
Manoel Antônio Álvares de Azevedo (São Paulo, — Rio de Janeiro, ) foi um poeta, contista, dramaturgo e ensaísta brasileiro. É um dos mais populares e importantes poetas do Brasil, sendo o principal representante da segunda geração do romantismo no país. Sua obra, fortemente influenciada por Byron e Musset, enquadra-se na estética do mal do século e abrange quase todos os gêneros literários, com foco na poesia lírica. É o patrono da cadeira n. 2 da Academia Brasileira de Letras, fundada por Coelho Neto. Álvares de Azevedo nasceu no dia 12 de setembro de 1831, na cidade de São Paulo, filho de Inácio Manuel Álvares de Azevedo e Maria Luísa Mota Azevedo, ambos de famílias ilustres. Os seus primeiros biógrafos dizem que seu nascimento se deu na biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo, mas hoje sabe-se que o poeta nasceu na casa de seu avô materno. Dois anos após seu nascimento, mudou-se com os pais para o Rio de Janeiro, na época capital do Império do Brasil, onde fez seus estudos primários e secundários. Em 1848, aos 17 anos, regressou à São Paulo e matricula-se na Escola de Direito do Largo de São Francisco. Apesar de não ter gostado da cidade, por conta do seu caráter provinciano, foi um estudante aplicado, destacando-se pela facilidade de aprendizado e pelo estro literário. Lá, escreveu poemas, contos e peças, fundou a Revista Mensal da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano e a Sociedade Epicureia (também chamada de "Casa de Satã"), uma república de estudantes que procuravam seguir os ensinamentos de Lorde Byron. Segundo o relato de Bernardo Guimarães, amigo de Azevedo que participou da república, as reuniões eram marcadas por orgias com prostitutas e foram responsáveis pela morte de alguns estudantes. Álvares de Azevedo morreu aos 20 anos, enquanto passava as férias com a família no Rio de Janeiro, em condições até hoje controversas. Segundo o relato tradicional, a sua morte é decorrente de uma tuberculose. A maioria dos estudiosos modernos, porém, alegam que essa é uma versão falsa, criada com o intuito de relacionar a sua morte à de muitos outros poetas do mal do século. A versão mais aceita hoje diz que ele sofreu um acidente de cavalo, que provocou-lhe um abcesso na fossa ilíaca. O acidente acabou progredindo para uma septicemia, que levou à morte do poeta às 17 horas do dia 25 de abril de 1852. No seu enterro, o escritor Joaquim Manuel de Macedo leu o seu último poema, intitulado Se eu morresse amanhã, escrito um mês antes, enquanto estava acamado Sua obra foi extensivamente lida até as duas primeiras décadas do século XX, e ainda hoje é altamente popular, com constantes reedições de sua poesia e antologias. Em vida, porém, Álvares de Azevedo publicou apenas alguns poemas, artigos e discursos. O restante da sua obra foi publicado postumamente em diversos livros. Sua poesia completa foi reunida nas obras Lira dos vinte anos, Poesias diversas, O poema do frade e O Conde Lopo. Sua prosa narrativa abrange apenas o livro de contos Noite na Taverna, apesar de haver alguns fragmentos de romance. A sua única peça completa é Macário. Além dessas obras, diversos fragmentos, estudos críticos, traduções, artigos, discursos e cartas. A primeira parte da Lira reúne poemas de caráter melancólico e jovial. A mulher é representada como uma virgem bela e graciosa, e o amor, a saudade, a tristeza e a obsessão pela morte são tratadas com seriedade.A segunda parte da Lira reúne poemas irônicos e reflexivos. A mulher é representada com zombaria e realismo, e o eu lírico professa uma solidão irremediável e um grande desejo por afastar-se do mundo e a segunda como o momento onde "se dissipa o mundo visionário e platônico". Descreve a mudança de tonalidade entre as duas fases dizendo que "quase que depois de Ariel esbarramos em Calibã" e explica-a afirmando que "a unidade deste livro funda-se numa binomia. Duas almas que moram nas cavernas de um cérebro pouco mais ou menos de poeta escreveram este livro, verdadeira medalha de duas faces". Entre outras coisas, sua obra é aclamada por revolucionar o tema do erótico na literatura brasileira. Antecipando em um século o que seria feito pelo modernismo, trata do erótico sem subterfúgios, sem requintes retóricos. Machado de Assis publicou na coluna “Semana Literária” do jornal Diário do Rio de Janeiro de 26 de junho de 1866 uma análise da Lira dos vinte anos. Ali escreveu: “Álvares de Azevedo era realmente um grande talento; só lhe faltou o tempo, como disse um dos seus necrólogos. [...] Era daqueles que o berço vota à imortalidade. Compare-se a idade com que morreu aos trabalhos que deixou, e ver-se-á que seiva poderosa não existia naquela organização rara.” “Em tão curta idade, o poeta da Lira dos vinte anos deixou documentos valiosíssimos de um talento robusto e de uma imaginação vigorosa. Avalie-se por aí o que viria a ser quando tivesse desenvolvido todos os seus recursos”. O crítico literário português Lopes de Mendonça, num perfil literário de Álvares de Azevedo, escreve: “O jovem poeta não cantava somente para as turbas que se deixassem comover pela harmonia de seus cantos; cantava porque lhe ardia no peito um fogo devorador, porque a sua alma ébria, e palpitante, lhe acendia a imaginação, e como lhe intimava, que traduzisse aos outros, a magia dos seus sonhos, o fervor dos seus desejos, o esplêndido irradiar da sua esperança”. O jornal niteroiense A Pátria de 16 de maio de 1856, numa “Meditação aos ossos do poeta Álvares de Azevedo”, afirma que “aquele crânio foi um livro de versos sublimes como os de Byron, foi uma página divina de Shakespeare; foi um raio da inteligência de Homero; aquele crânio guardava um cérebro cheio como o de Camões, e constituiu uma cabeça que merecia uma coroa, como a que Tasso teve no Capitólio!”. Essa mesma polarização é problematizada em "Uma lira de duas cordas", obra que faz uma inovadora leitura da recepção crítica do poeta. *AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. 4. ed. São Paulo, Martin Claret, 2012. ISBN 9788572323420. *PORINI, Cristina Garófalo. Apresentação. In: AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. 4. ed. São Paulo, Martin Claret, 2012, p. 9-20. ISBN 9788572323420 * * * *Delírio, Poesia e Morte, a Solidão de Álvares de Azevedo. Biografia romanceada por Luciana Fátima. Ed. Estronho, 2015.
Agricultura orgânica, ou agricultura biológica, são expressões frequentemente usadas para designar sistemas sustentáveis de agricultura que não permitem o uso de fertilizantes e agrotóxicos sintéticos, nem de organismos geneticamente modificados. Os seus proponentes acreditam que em um solo saudável, mantido sem o uso de fertilizantes sintéticos e de agrotóxicos não-orgânicos, os alimentos têm qualidade superior à de alimentos convencionais. Diversos países, incluindo os Estados Unidos (NOP - National Organic Program), o Japão (JAS - Japan Agricultural Standard), a Suíça (BioSuisse), a Austrália (AOS - Australian Organic Standard / ACO - Australia Certified Organic), o Brasil (ProOrgânico - Programa de Desenvolvimento da Agricultura) e países da União Europeia, adotaram programas para a regulação e desenvolvimento desta atividade. Este sistema de produção, que exclui o uso de fertilizantes e pesticidas sintéticos, e de produtos reguladores de crescimento, tem como base o uso de fertilizantes e pesticidas de origem biológica; a manutenção do solo; a rotação de culturas; o aumento da biodiversidade; a consorciação de culturas; a adubação verde; a compostagem; e o controle biológico de insetos e doenças. O solo é um organismo vivo, e deve ser tratado com o máximo de cuidado possível para manter toda a vida nele existente;, Uso de adubos orgânicos de baixa solubilidade;, Controle de insetos e doenças com medidas preventivas e produtos naturais;, O mato (ervas daninhas) faz parte do sistema. Deve ser usado como cobertura de solo e abrigo de insetos. O princípio da produção orgânica é o estabelecimento do equilíbrio da natureza utilizando métodos naturais de adubação e de controle de pragas. Em alguns casos, no entanto, não são observadas diferenças significativas. Alguns exemplos de estudos científicos que mostram diferenças de composição entre alimentos orgânicos e convencionais: TABELA 1 - Diferenças nutricionais relatadas em artigos científicos entre alimentos orgânicos e convencionais. Essa melhor qualidade nutricional atribuída aos alimentos orgânicos deve-se a um conjunto de fatores, tais como:, maior dedicação dos agricultores nos sistemas de produção natural;, necessidade de otimizar as condições de fertilidade do solo para garantir o crescimento das espécies vegetais que serão consumidas diretamente ou servirão de insumo para alimentação de animais;, produção planejada de acordo com as condições de clima, solo e biodiversidade local, possibilitando melhor qualidade na produção de alimentos;, menor presença (ou ausência) de substâncias interferentes adicionadas que possam causar prejuízos metabólicos nos organismos participantes da cadeia alimentar, como fertilizantes químicos e agrotóxicos. Produtos orgânicos oferecem maior garantia para o consumidor quando se trata de saúde e origem do que está sendo consumido, levando a uma preferência no consumo, além da sustentabilidade no quesito ambiental, social e ético proporcionada pela prática da agricultura orgânica. Portanto, na esfera socioeconômica, eles acabam apresentando um maior valor quando comparados a alimentos convencionais. Faz-se necessária uma regulamentação da atividade orgânica no Brasil, junto a um incentivo da produção orgânica, com legislação que apoie esses produtores, possibilitando uma competitividade com a agricultura convencional de produção de alimentos em massa. Políticas neoliberais no Brasil, com foco em exportação de commodities agrícolas, fez do país um dos maiores consumidores de agrotóxicos no mundo. O uso crescente dessas substâncias sob controle pouco rígido desprotege a população de seus efeitos nocivos, sobretudo aqueles que se encontram em maior risco de contaminação, como trabalhadores e moradores de zonas rurais. A função dos agrotóxicos na agricultura convencional é possibilitar a grande produção, evitando pragas e doenças nas plantações. A aplicação indiscriminada e sem regulamentação leva à contaminação dos solos e dos recursos hídricos. Além da degradação ambiental, os alimentos em contato com esses produtos químicos podem apresentar algum grau de contaminação. O consumo de tais alimentos pode gerar acúmulo de defensivos agrícolas no organismo, acarretando em intoxicações agudas ou crônicas, que apresentam quadros variados que vão desde alergias, náuseas e vômitos a neoplasias, lesões hepáticas e cânceres. A expressão "agricultura orgânica" não é visto com unanimidade, nem parece ter um significado etimologicamente correto, mas tornou-se reconhecida como sinônimo de "agricultura mais perto da natureza". Não se refere, portanto, a um único método de agricultura. Há quem diga que se trata mais de uma ideologia do que de um conjunto de técnicas agrícolas. é uma corrente da agricultura ecológica que tem, como base, a experiência de Nasser Youssef Nasr no Espírito Santo, no Brasil. Também chamada de "biotecnologia tropical", defende o estímulo e manejo de ervas nativas e exóticas, a diversidade de insetos e plantas, a aplicação direta de estercos e resíduos orgânicos na base das plantas, adubações orgânicas e minerais pesadas. Nasser diz que a agricultura de clima tropical do Brasil não precisa de compostagem, pois o clima quente e as reações fisiológicas e bioquímicas intensas garantem a transformação no solo da matéria orgânica. No Brasil, defende Nasser, o esterco deve ser colocado diretamente na planta, pois esta sabe o momento apropriado de lançar suas radículas na matéria orgânica que está em decomposição, e os micro-organismos do solo buscam no esterno os nutrientes necessários para a planta e os levam para baixo da terra. Outro ponto interessante é o uso de ervas nativas e exóticas junto com a cultura para que haja diversidade de inços. Desta forma, é preciso manejar as ervas nativas de maneira que elas mantenham o solo protegido e façam adubação verde. Não temos uma agricultura de solo, mas de sol. Na prática, essas correntes têm pontos em comum, e suas práticas diárias não diferem significativamente. Fazem, todas elas, parte da mudança de paradigma que está em processo: o modelo cartesiano de causa-efeito sendo substituído nas ciências da vida pelo modelo sistêmico. No Brasil, o uso de pesticidas em grande escala e de forma indiscriminada tem gerado muitos prejuízos ao meio ambiente e à saúde humana. Isso vem ocorrendo desde a ascensão da agricultura industrial há cerca de 60 anos em um processo conhecido como Revolução Verde. Dentre esses grupos podem ser citados os seguintes movimentos e organizações: Associação Brasileira de Agroecologia, Articulação Nacional de Agroecologia, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor,Movimento Urbano de Agroecologia de São Paulo, Associação de Agricultura Orgânica, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Fundação Mokiti Okada, Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida entre outros. De acordo com uma meta-análise publicada em 2017, em comparação com a agricultura convencional, a agricultura biológica tem maior necessidade de terra por unidade de produção, maior potencial de eutrofização, maior potencial de acidificação e menor necessidade de energia, mas está associada a emissões de gases de efeito estufa igualmente altas. Os autores enfatizam que o maior deles não é o sistema de produção (convencional versus orgânico), mas evitar produtos de origem animal, que têm impactos ambientais 20 a 100 vezes maiores do que os alimentos de origem vegetal. Estudos encontraram que a toxicidade e impacto ambiental de pesticidas e agrotóxicos de origem orgânica pode superar àquela de produtos sintéticos devido à necessidade de aplicação de uma quantidade maior para obter resultados semelhantes. O mercado de alimentos orgânicos já é responsável por uma fatia considerável do mercado de alimentos, tendo em 2000 superado a marca dos 10% de área cultivada em relação ao total cultivado em alguns países como a Áustria e a Suécia enquanto a estimativa do mesmo ano nos EUA, feita pelo USDA é de crescimento de 12% ao ano no número de produtores de orgânicos. Com um crescimento cada vez maior do seu mercado e, devido ao fato de geralmente ter um custo mais alto de produção e preços de venda mais altos, a venda de alimentos orgânicos está sujeita à fraudes. A certificação de orgânicos é um tema novo no Brasil e há indícios de que uma maior transparência no processo de certificação e maiores dados ao consumidor final poderão aumentar o mercado dos orgânicos no país. Atualmente a certificação dos orgânicos no Brasil é controlada pelo Ministério da Agricultura através do SISORG. Para pertencer ao Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, existem três formas de certificação, são elas: Certificação por Auditoria, Sistema Participativo de Garantia e Controle Social na Venda Direta. A qualidade do produto está relacionada não somente com seu aspecto visual, mas com a reputação do produtor e da certificação. Isótopos de nitrogênio: Em geral, nos fertilizantes sintéticos a razão entre os isótopos 15N/14N é muito menor do que a razão nos fertilizantes orgânicos. Isso ocorre porque os sintéticos são produzidos a partir do nitrogênio atmosférico, que é bem menos rico em 15N do que os compostos orgânicos. Esse é um teste com taxa de acerto boa na maior parte dos casos estudados, mas serve exclusivamente para plantas que não sejam fixadoras de nitrogênio (não serve para leguminosas, por exemplo) e preferencialmente para plantas de crescimento rápido. É um teste cujo potencial varia muito de acordo com a planta analisada e com as condições do procedimento agrícola aplicado. Para esse teste é necessário um espectrômetro de massa sensível a ponto de ter resolução para distinguir isótopos. Composição de elementos químicos: a análise de diversos elementos químicos que compõem a amostra se mostra bastante eficaz, apesar de ser necessária a análise de dezenas de elementos químicos. Devido à grande quantidade de elementos químicos analisados, para poder comparar uma amostra com as demais é necessária a realização de uma abordagem multivariada como PCA ou Rede bayesiana de forma a verificar quais elementos são realmente importantes para a distinção entre os orgânicos e os convencionais. A variação de proporção entre os elementos não tem consistência entre espécies e nem mesmo entre variedades de uma planta, isto é, os resultados obtidos para distinção de uma variedade não serve para outra e, além disso, deve-se levar em consideração o clima e o solo do plantio. Apesar disso, existem evidências crescentes de diferença sistemática na concentração de elementos como Cu, Mn, Ca, e Zn. Há indícios de que essa diferença seja resultante da presença de Micorriza arbuscular em "solos orgânicos". Exemplos de análises que exibem a composição de elementos químicos são, novamente a espectrometria de massa e a análise do espectro de emissão de raios-X. Análise de metabólitos e de proteínas: é a análise da quantidade de açúcares, nucleotídeos, álcoois, vitaminas, etc. Ela também exige uma análise estatística multivariada. Apesar disso, os estudos realizados com cereais não fizeram essa estatística e encontraram variações em somente 8 dos 52 metabólitos analisados. A contagem dessas substâncias é feita usando espectrometria de massa e a separação das substâncias feita por cromatografia como a cromatografia gasosa. Compostos fenólicos: a análise consiste na comparação entre a presença de metabolitos secundários, como os flavonóides e antioxidantes. A explicação apresentada para os maiores níveis de metabólitos secundários nos alimentos orgânicos se dá através da observação de que as plantas orgânicas são expostas a maiores situações de estresse como a presença de animais e larvas, portanto são resultados de mecanismos de defesa. Outra justificativa para a exibição desses compostos é que os alimentos orgânicos geralmente possuem um tempo de amadurecimento e crescimento mais longo e é nesses períodos que a planta produz tais substâncias. Outras análises para as quais existem menos estudos mas têm exibido grande potencial para a distinção de alimentos orgânicos e convencionais são a análise de compostos voláteis (os compostos que evaporam, como os gases dos sucos de frutas), análise do transcritoma (o funcionamento dos genes das plantas) e a comparação entre as cristalizações do cloreto de cobre em contato com as plantas.
Armin Jozef Jacobus Daniël van Buuren OON (Leida, 25 de dezembro de 1976), é um DJ e produtor musical holandês. Desde 2001, ele apresenta o A State of Trance, um programa de rádio semanal transmitido para quase 40 milhões de ouvintes em 84 países, por mais de 100 estações de rádio FM. Segundo o site DJs and Festivals, "o programa de rádio o impulsionou ao estrelato e ajudou a cultivar um interesse pela música trance em todo o mundo". Armin Van Buuren já conquistou vários prêmios. Ele foi eleito o DJ número um pela DJ Mag por um recorde de cinco vezes, sendo quatro delas consecutivas. Ele ficou em quinto lugar na lista Top 100 DJs da DJ Mag em 2022, e em quarto lugar em 2015, 2016, 2019 e 2020, além de terceiro em 2017. Seu álbum de estúdio de 2008, Imagine, alcançou o topo da parada musical neerlandesa, um feito inédito por um artista de música eletrônica na história musical do país. Em 2014, foi indicado a um Grammy Award de Melhor Gravação de Dance por seu single "This Is What It Feels Like", com a participação de Trevor Guthrie, o que o tornou o quarto artista de trance a receber uma indicação ao Grammy. Nos Estados Unidos, ele detém o recorde de mais entradas, vinte e uma, na parada Billboard Dance/Electronic Albums. Armin van Buuren começou a produzir e compor suas próprias músicas aos 14 anos e deu início a sua carreira de DJ em um clube local chamado Nexus, em sua cidade natal. Terminou o colegial por volta de 1995 e iniciou faculdade de direito ainda naquele ano. Enquanto isso, Armin transformava seu simples "estúdio no quarto" em um verdadeiro estúdio profissional, onde inicialmente foram produzidos grandes sucessos de sua carreira, tais como Touch Me e Communication, faixas clássicas do trance que ainda são constantemente executadas em suas apresentações pelo planeta. Armin é dono de uma simplicidade e carisma sem igual, quando questionado sobre qual seria sua inspiração musical, ele afirma: "Qualquer coisa boa!" e deixa o recado para os jovens djs: "Não sejam prisioneiros de seus próprios estilos". Armin define seu som como sendo algo "Liberal, eufórico, enaltecedor, melódico e energético". Embora seja um defensor inflamado e protetor da tocha do trance, seus sets típicos incorporam faixas de techno, electro, minimal e house underground, assim como o tech trance mais tradicional, e criam momentos de excitação e surpresa que nunca falham na hora de colocar a casa abaixo e corresponder às mais altas expectativas dos fãs. Armin também possui um dos mais consagrados programas de rádio semanal, o A State Of Trance, também chamado de ASOT, é transmitido pela DI.FM. O programa, que começou em 2001 em uma pequena rádio holandesa, continuou a crescer muito em 2008, sendo reproduzido cada vez. Hoje é transmitido em mais de 40 estações de FM em todo o mundo. Cresceu a ponto de virar uma grande referência internacional e semanal do trance e mostra como a internet é uma ferramenta poderosa para a música. Armin realizou uma grande festa para celebrar este momento tão importante de sua vida e carreira, que contou com a participação de convidados especiais como: Lange, Cosmic Gate, Gareth Emery, Ferry Corsten, Markus Schulz, Above & Beyond, Paul Oakenfold e muitos outros. Em 2012, seu programa completou a marca de 550 episódios e para comemorar esta marca, Armin realizou uma turnê que percorreu 5 continentes em 4 semanas, junto a ele participarão convidados como: Lange, Cosmic Gate, Gareth Emery, Ferry Corsten, Markus Schulz, Above & Beyond, Dash Berlin, Ørjan Nilsen entre outros. Em 2002, Armin foi eleito o Nº 4 na lista de 100 Tops DJs da revista DJ Magazine, considerada a bíblia da música eletrônica. No ano seguinte ele saltou para o 3º lugar e assim permaneceu durante 3 anos seguidos. Em 2006, foi para o 2º lugar, perdendo apenas para o alemão Paul van Dyk, até que em 2007, Armin van Buuren conquista o 1º lugar na mais consagrada lista de Tops DJs do mundo. Em 2010 Armin manteve a liderança, sendo pelo 4º ano consecutivo eleito DJ Nº1 do mundo pela DJ Mag, anunciado em 27 de outubro, no Ministry Of Sound, em Londres, um recorde inédito. Em 2011 perde o lugar para David Guetta. Já em 2012 Armin volta a ser eleito o melhor DJ do mundo, mas nos últimos dois anos perdeu o título para Hardwell, também DJ holandês, ficando em 3º em 2014; com Hardwell em 1º e Dimitri Vegas & Like Mike em 2º. ; Álbuns de estúdio, 76, Shivers, Imagine, Mirage, Intense, Embrace, Balance, Feel Again, Breathe, [ Site oficial de Armin Van Buuren],, [ Armin Van Buuren] no Last.fm, [ All music], [ Armin van Buuren's tracklisting archive], [ Armin van Buuren's show - A State of Trance at DI.fm OnDemand archive (licensed)], [ Armin van Buuren at TheDJList.com], [ Interview with Armin van Buuren on Clubplanet.com],, [ May 2007 interview with Armin Van Buuren on TranZfusion.com], [ November 2007 TranceSound.net interview], [ Universal Religion 2008 About.com Interview], [ Armin Wins Buma Culture Pop Award 2008]
António Manuel de Oliveira Guterres (Lisboa, ) é um engenheiro, político e diplomata português e timorense que serve como nono secretário-geral da Organização das Nações Unidas desde 2017. Guterres foi Primeiro-Ministro de Portugal entre 1995 e 2002 e Secretário-Geral do Partido Socialista entre 1992 e 2002. Foi Presidente da Internacional Socialista entre 1999 e 2005. Exerceu o cargo de Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados entre 15 de junho de 2005 e 31 de dezembro de 2015. No ano seguinte, anunciou sua candidatura ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Em 5 de outubro de 2016 foi anunciada a vitória de Guterres na eleição para secretário-geral, sendo marcada para o dia seguinte a votação formal no Conselho de Segurança. Em 6 de outubro de 2016 o Conselho de Segurança votou por unanimidade e aclamação a resolução que recomenda à Assembleia Geral a designação de Guterres como novo secretário-geral das Nações Unidas. Depois do juramento prestado a 12 de dezembro de 2016, perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Guterres tomou posse como o nono secretário-geral das Nações Unidas no dia 1 de janeiro de 2017 para um mandato de 5 anos. Desde, usufrui de uma subvenção mensal vitalícia (paga com os fundos da Caixa Geral de Aposentações) de 4 138€. Nascido em Lisboa, na freguesia de Santos-o-Velho, com raízes familiares na aldeia das Donas, Concluídos os estudos secundários, no Liceu Camões, em Lisboa, António Guterres aderiu ao Partido Socialista em 1973, pela mão de António Reis. No ano seguinte, logo após o 25 de Abril, foi nomeado chefe de gabinete de José Torres Campos (sucessivamente Secretário de Estado da Indústria e Energia dos I, II e III governos provisórios). Em 1976, na sequência das eleições legislativas desse ano, ganhas pelo PS, estreou-se como deputado à Assembleia da República, onde veio a exercer funções como presidente das comissões parlamentares de Economia e Finanças (1977-1979) e de Administração do Território, Poder Local e Ambiente (1985-1988). Presidiu também à comissão de Demografia, Migrações e Refugiados da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa . Foi eleito cinco vezes presidente da Assembleia Municipal do Fundão, cargo que exerceu de 1979 até 1995. Em 1992, num congresso em que enfrentou Jorge Sampaio, foi eleito secretário-geral do PS. Depois venceu com maioria relativa as eleições legislativas de 1995 e de 1999, chefiando os XIII e XIV governos constitucionais, ambos minoritários e formados exclusivamente pelo PS. Presidiu à Internacional Socialista, entre 1995 e 2000. Na sequência das eleições autárquicas de dezembro de 2001, porém — nas quais o PS sofreu uma derrota significativa —, Guterres decidiu apresentar a sua demissão. No ato inesperado da demissão declarou demitir-se para evitar que o país caísse num «pântano político», devido à falta de apoio ao governo que os resultados autárquicos indicavam. Sucederam-lhe Ferro Rodrigues, na liderança do PS, e Durão Barroso, do PSD na chefia do governo. Assumiu desde a sua saída de primeiro-ministro, em 2002, até 2005, a função de consultor do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos. Em 2005 viria a ser nomeado para o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Manteve-se nesse cargo até 2015. Esteve presente na reunião de 2012 dos Bilderberg na Alemanha nessa mesma qualidade. A 7 de abril de 2016, tomou posse como conselheiro de Estado, designado pelo presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, tendo acabado por renunciar ao mandato após a sua eleição como Secretário-Geral da ONU, em 24 de novembro de 2016. Um ano depois de abandonar o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Guterres foi escolhido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas numa votação informal e à porta fechada, como o candidato ideal para secretário-geral das Nações Unidas, com treze votos a favor e nenhum veto — o que significa nenhum voto negativo dos estados membros permanentes do Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia). Em suma, na última de seis votações informais, realizada a 29 de setembro de 2016, e cujos resultados foram clarificados em 5 de outubro de 2016 (data da divulgação do sentido de voto dos membros permanentes do CSNU), Guterres conseguiu 13 votos de encorajamento e dois sem opinião; de entre os membros permanentes houve quatro votos de encorajamento e um sem opinião. Para trás ficou a candidata búlgara Kristalina Georgieva, apoiada pela Alemanha, que obteve oito votos negativos. A votação oficial e definitiva por parte do CSNU ocorreu em 6 de outubro de 2016, por volta das 15h00 (hora de Portugal Continental) e nomeou, de forma definitiva e oficial, o antigo primeiro-ministro Português o escolhido pelo Conselho. Dessa forma, o novo secretário-geral da ONU só foi nomeado oficialmente quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou com uma maioria simples a resolução que indica a sua nomeação. Guterres tomou posse do novo cargo no dia 1 de janeiro de 2017. Em 18 de junho de 2021 foi reeleito pela Assembleia Geral para um novo mandato de mais cinco anos. , Licenciado em engenharia eletrotécnica, pelo Instituto Superior Técnico, com média final de 19 valores, Chefe de Gabinete do Secretário de Estado da Indústria e Energia dos I, II e III Governos Provisórios, Deputado à Assembleia da República, pelos círculos de Lisboa e Castelo Branco; no Parlamento virá a desempenhar a função de presidente das comissões de Economia e Finanças (1977-1979) e de Administração do Território, Poder Local e Ambiente (1985-1988), bem como à comissão de Demografia, Migrações e Refugiados da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Secretário-geral do Partido Socialista entre 1992 e 2002, Primeiro-ministro dos XIII e XIV governos constitucionais, entre outubro de 1995 e abril de 2002. Presidente da Internacional Socialista, entre novembro de 1999 e junho de 2005, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, entre junho de 2005 e dezembro de 2015, Doutoramento Honoris Causa na área das Ciências Sociais e Humanas pela Universidade da Beira Interior, Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Coimbra (Faculdade de Economia), Doutoramento Honoris Causa pela Universidad Europea de Madrid, Conselheiro de Estado do Presidente da República de Portugal entre março de 2016 e dezembro de 2016, Secretário-geral da Organização das Nações Unidas desde janeiro de 2017, Doutoramento Honoris Causa pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa (19 de fevereiro de 2018) (23 de julho de 1996) (22 de setembro de 1997) (10 de dezembro de 1998) (2 de julho de 1999) (17 de março de 2000) (9 de outubro de 2000) (27 de abril de 2001) (30 de setembro de 2001) (4 de fevereiro de 2002) (1 de abril de 2002) Grande-Colar da do Brasil (4 de abril de 2002) (4 de abril de 2002) (4 de abril de 2002) (4 de abril de 2002) de Portugal (9 de junho de 2002) (30 de Agosto de 2009) de Portugal (2 de fevereiro de 2016) ImageSize = width:450 height:450 PlotArea = left:50 right:0 bottom:10 top:10 DateFormat = yyyy Period = from:1945 till:2025 TimeAxis = orientation:vertical ScaleMajor = unit:year increment:5 start:1945 ScaleMinor = unit:year increment:1 start:1975 PlotData = color:green mark:(line,black) align:left fontsize:S shift: # shift text to right side of bar # there is no automatic collision detection, fontsize:XS # so shift texts up or down manually to avoid overlap shift:(25,-10) at:1949 text:Nasce em Lisboa, 30 de Abril at:1971 text:Licenciatura em Engenharia from:1995 till:2002 shift:(25,-10) text:Primeiro-ministro at:2002 text:Demite-se de primeiro-ministro at:1999 text:Eleito presidente da Internacional Socialista (até 2005) at:2005 text:Nomeação para o cargo de alto-comissário da ONU para os Refugiados # at:2015 text:Abandona o cargo de alto-comissário da ONU para os Refugiados at:2016 text:Nomeado Conselheiro de Estado; Eleito secretário-geral da ONU,,
Os irmãos Lumière (em ancês: [lymjɛːʁ]), Auguste Marie Louis Nicolas Lumière (19 de outubro de 1862 – 10 de abril de 1954) e Louis Jean Lumière (5 de outubro de 1864 – 6 de junho de 1948), foram fabricantes franceses de equipamentos de fotografia, mais conhecidos por seu sistema de imagens em movimento Cinématographe e pelos curtas-metragens que produziram entre 1895 e 1905, o que os coloca entre os primeiros cineastas. Sua exibição de um único filme em 22 de março de 1895, para cerca de 200 membros da Société d'encouragement pour l'industrie nationale (Sociedade para o Desenvolvimento da Indústria Nacional) em Paris foi provavelmente a primeira apresentação de filme projetado. Sua primeira exibição pública comercial em 28 de dezembro de 1895, para cerca de 40 visitantes pagantes e parentes convidados tem sido tradicionalmente considerada como o nascimento do cinema. Tanto as técnicas quanto os modelos de negócios dos cineastas anteriores se mostraram menos viáveis do que as apresentações revolucionárias dos Lumière. Os irmãos Lumière nasceram em Besançon, França, filhos de Charles-Antoine Lumière (1840–1911) e Jeanne Joséphine Costille Lumière, que se casaram em 1861 e se mudaram para Besançon, estabelecendo um pequeno estúdio de retratos fotográficos. Ali nasceram Auguste, Louis e sua irmã Jeanne. Eles se mudaram para Lyon em 1870, onde nasceram suas outras duas filhas: Mélina e Francine. Auguste e Louis frequentaram La Martiniere, a maior escola técnica de Lyon. Eles patentearam vários processos significativos que levaram à sua câmera de filme, mais notavelmente as perfurações de filme (originalmente implementadas por Émile Reynaud) como meio de avançar o filme através da câmera e do projetor. O Cinématographe original havia sido patenteado por Léon Guillaume Bouly em 12 de fevereiro de 1892. O — um dispositivo três em um que podia gravar, revelar e projetar imagens em movimento — foi posteriormente desenvolvido pelos Lumière. Os irmãos patentearam sua própria versão em 13 de fevereiro de 1895. A data da gravação de seu primeiro filme é disputada. Em uma entrevista com Georges Sadoul em 1948, Louis afirmou que filmou em agosto de 1894 – antes da chegada do cinetoscópio na França. Isso é questionado por historiadores, que consideram que uma câmera Lumière funcional não existia antes do início de 1895. Os irmãos Lumière viam o cinema como uma novidade e se retiraram do negócio cinematográfico em 1905. Eles passaram a desenvolver o primeiro processo fotográfico prático em cores, o Autocromo Lumière. Louis morreu em 6 de junho de 1948, e Auguste em 10 de abril de 1954. Eles estão enterrados em um túmulo de família no Novo Cemitério Guillotière em Lyon. Em 22 de março de 1895, em Paris, na Sociedade para o Desenvolvimento da Indústria Nacional, diante de uma pequena audiência, um dos quais teria sido Léon Gaumont, então diretor da empresa, os Lumière exibiram privadamente um único filme, Operários Deixando a Fábrica Lumière. O foco principal da conferência de Louis foi sobre os desenvolvimentos recentes na indústria fotográfica, principalmente a pesquisa sobre policromia (fotografia colorida). Foi para surpresa de Lumière que as imagens em movimento em preto e branco retiveram mais atenção do que as fotografias coloridas estáticas. Os Lumière fizeram sua primeira exibição pública paga em 28 de dezembro de 1895, no Salon Indien du Grand Café em Paris. Esta apresentação consistiu dos seguintes 10 curtas-metragens: #' (literalmente, "a saída da fábrica Lumière em Lyon", ou, sob seu título em inglês mais comum, Operários Deixando a Fábrica Lumière), 46 segundos #La Voltige (Cavaleiros Acrobatas), 46 segundos #' ("pescando peixinhos dourados"), 42 segundos #' (O Congresso Fotográfico Chega em Lyon), 48 segundos #' (Os Ferreiros), 49 segundos # (O Jardineiro, ou O Regador Regado), 49 segundos #' (Café da Manhã do Bebê (lit. "refeição do bebê")), 41 segundos #' ("Pulando no Cobertor"), 41 segundos #' (Praça dos Cordeliers em Lyon), 44 segundos #', 38 segundos Cada filme tinha até de comprimento, que, quando projetado manualmente através de um projetor, dura aproximadamente 50 segundos. Os Lumière fizeram uma turnê com o em 1896, visitando lugares como Cidade do México, Bruxelas, Bombay, Londres, Montreal, Nova York, Palestina e Buenos Aires. Em 1896, apenas alguns meses após as exibições iniciais na Europa, filmes dos irmãos Lumière foram exibidos no Egito, primeiro na bolsa de valores Tousson em Alexandria em 5 de novembro de 1896, e depois no Hamam Schneider (Banho Schneider) no Cairo. Os irmãos afirmaram que "o cinema é uma invenção sem futuro" e se recusaram a vender sua câmera a outros cineastas como Georges Méliès. Isso deixou muitos cineastas chateados. Consequentemente, seu papel na história do cinema foi extremamente breve. Paralelamente ao seu trabalho no cinema, eles experimentaram a fotografia colorida. Trabalharam em processos fotográficos coloridos na década de 1890, incluindo o processo Lippmann (heliocromia por interferência) e seu próprio processo de 'cola bicromada', um processo de cor subtrativo, exemplos dos quais foram exibidos na Exposição Universal em Paris em 1900. Este último processo foi comercializado pelos Lumière, mas o sucesso comercial teve que esperar pelo seu próximo processo de cor. Em 1903, eles patentearam um processo fotográfico colorido, o Autocromo Lumière, que foi lançado no mercado em 1907. Durante grande parte do século XX, a empresa Lumière foi uma grande produtora de produtos fotográficos na Europa, mas a marca Lumière desapareceu do mercado após a fusão com a Ilford. Imagens em movimento anteriores, por exemplo aquelas dos espetáculos de fantasmagoria, o fenacistoscópio, o zoetrópio e o Théâtre Optique de Émile Reynaud consistiam em imagens desenhadas à mão. Um sistema que pudesse registrar a realidade fotográfica em movimento, de maneira muito parecida com a forma como é vista pelos olhos, teve um impacto maior sobre as pessoas. O Zoopraxiscópio de Eadweard Muybridge projetava silhuetas pintadas em movimento baseadas em seu trabalho de cronofotografia. O único disco de Zoopraxiscópio com fotografias reais foi feito como uma forma inicial de animação de stop motion. Predecessores menos conhecidos, como o Bioscópio de Jules Duboscq (patenteado em 1852) não foram desenvolvidos para projetar as imagens em movimento. Um inventor polonês Kazimierz Prószyński construiu sua câmera e dispositivo de projeção, chamado Pleógrafo, em 1894, antes daqueles feitos pelos irmãos Lumière. Le Prince desapareceu em 1890, antes de conseguir fazer demonstrações públicas das câmeras e projetores patenteados que ele vinha desenvolvendo durante os anos anteriores. Seu curta-metragem conhecido como Cena do Jardim de Roundhay passou a ser considerado posteriormente como o filme mais antigo. William Friese-Greene patenteou uma "câmera mecânica" em 1889, que incorporava muitos aspectos das câmeras de filme posteriores. Ele exibiu os resultados em sociedades fotográficas em 1890 e desenvolveu câmeras adicionais, mas não projetou publicamente os resultados. O Eletrotaquiscópio de Ottomar Anschütz projetava loops muito curtos de alta qualidade fotográfica. Thomas Edison acreditava que a projeção de filmes não era um modelo de negócio tão viável quanto oferecer os filmes no dispositivo de "peep show" cinetoscópio. Assistir às imagens na tela acabou sendo muito mais preferido pelo público. O Cinetoscópio de Thomas Edison (desenvolvido por William Kennedy Dickson), estreou publicamente em 1894. O Eidoloscópio de Lauste e Latham foi demonstrado para membros da imprensa em 21 de abril de 1895, e aberto ao público pagante na Broadway em 20 de maio. Eles filmaram filmes de até vinte minutos de duração a velocidades acima de trinta quadros por segundo e os exibiram em muitas cidades dos EUA. A Empresa Eidoloscópio foi dissolvida em 1896 após várias disputas internas. Max e Emil Skladanowsky, inventores do Bioscópio, ofereceram imagens em movimento projetadas a um público pagante em Berlim a partir de 1º de novembro de 1895, até o final do mês. Seu maquinário era relativamente pesado e seus filmes muito mais curtos do que os dos irmãos Lumière. As exibições reservadas dos Skladanowsky em Paris foram canceladas após a notícia do show Lumière. No entanto, eles levaram seus filmes em turnê para outros países. . Les images des Lumière (em francês). Paris: Gallimard, 1995. . Cook, David. A History of Narrative Film (4ª ed.). New York: W. W. Norton, 2004. . Mast, Gerald and Bruce F. Kawin. A Short History of the Movies (9ª ed.). New York: Pearson Longman, 2006. . . Le cinéma des origines (em francês). Seyssel, France: Champ Vallon, 1985. . [ Le musée Lumière] – Museu Lumière
Aveiro é uma cidade portuguesa e capital da sub-região da Região de Aveiro, pertencendo à região do Centro e ao Distrito de Aveiro e ainda à antiga província da Beira Litoral. A cidade possui 62.653 habitantes sendo sede do Município de Aveiro que tem uma área total de 197,58 km2, 80 978 habitantes em 2021 e, por isso, uma densidade populacional de 410 hab./km2, estando subdividido em 10 freguesias. O município é limitado a norte pelo município da Murtosa, a nordeste por Albergaria-a-Velha, a leste por Águeda, a sul por Oliveira do Bairro, a sudoeste por Vagos e por Ílhavo e a oeste com o Oceano Atlântico, A cidade é um importante centro urbano, portuário, ferroviário, universitário e turístico. Fica situada a cerca de 63 km a noroeste de Coimbra, de 70 km a sul do Porto, e a 255 km de Lisboa. O topónimo Aveiro vem do topónimo latino medieval Averius, que por sua vez veio do étimo céltico aber (embocadura do rio). Fruto da crise dinástica de 1383–1385, deu-se em Aveiro uma escaramuça entre tropas castelhanas e cavaleiros portugueses da Ordem de Cristo. Junto do que é hoje a vila de Eixo, 120 cavaleiros comandados por João Cabral vieram ao encontro de uma pequena expedição conjunta de tropas castelhanas contando com um total de 250 soldados. Cerca de 210 peões e uma mistura de 40 cavaleiros e besteiros que incluía o galego Juan de Batista. Ao final da manhã de 17 de outubro de 1384 deu-se a escaramuça que resultou numa vitória decisiva portuguesa. O padre da paróquia no final do dia fez o sumário da batalha e, embora provavelmente um número exagerado, é dito que morreram 46 castelhanos e apenas 7 portugueses. No final do dia o que restava das tropas castelhanas bateram em retirada refugiando-se junto do que é hoje Vilar Formoso para mais tarde se juntarem ao exército de Juan I de Castela. Em finais do século XVI e princípios do século XVII, a instabilidade da vital comunicação entre a Ria e o mar levou ao fecho do canal, impedindo a utilização do porto (veja porto de Aveiro) e criando condições de insalubridade, provocadas pela estagnação das águas da lagoa, causas estas que provocaram uma grande diminuição do número de habitantes muitos dos quais emigraram, criando póvoas piscatórias ao longo da costa portuguesa e, consequentemente, estiveram na base de uma grande crise económica e social. Foi, porém e curiosamente, nesta fase de recessão que se construiu, em plena domínio filipino, um dos mais notáveis templos aveirenses: a Igreja da Misericórdia. Em 1759, por Alvará Real de 11 de abril, D. José I elevou Aveiro a cidade, poucos meses depois de ter condenado por traição, ao cadafalso, o seu último duque, título criado, em 1547, por D. João III. Foi feita Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 29 de março de 1919 e Membro-Honorário da Ordem da Liberdade a 23 de março de 1998. Aveiro foi um dos principais portos envolvidos na pesca do bacalhau durante o período ditatorial. É um município territorialmente descontínuo, visto que compreende algumas ilhas fluviais na Ria de Aveiro e uma porção da península costeira (freguesia de São Jacinto) com quase 25 km de extensão que fecha a ria a ocidente. O município tem limites terrestres e aquáticos através da Ria com Ílhavo e Murtosa. Faz ainda fronteira com Albergaria-a-Velha, Oliveira do Bairro, Vagos e Águeda. O município de Aveiro está dividido em 10 freguesias:, Aradas (urbana), Cacia, Eixo e Eirol, Esgueira (urbana), Glória e Vera Cruz, Oliveirinha, Requeixo, Nossa Senhora de Fátima e Nariz, Santa Joana (urbana), São Bernardo (urbana), São Jacinto, Mosteiro de Jesus, que acolhe o Museu de Santa Joana, Igreja dos Carmelitas, Edifício da Câmara Municipal de Aveiro, Estátua a José Estêvão, Estátua a D. João Evangelista de Lima Vidal, Estátua a Santa Joana, Praça do Peixe, Jardim Infante D. Pedro e Coreto, Casa de Santa Zita com fachada decorada de azulejos, Edifício Arte Nova dos Bombeiros, Igreja da Vera Cruz, Igreja dos Carmelitas, Casa Arte Nova do Hotel As Américas, Sé Catedral de Aveiro e Cruzeiro de S. Domingos século XV, Igreja da Misericórdia, Capela do Senhor das Barrocas, Igreja do Convento do Carmo, Pelourinho de Esgueira, Quinta da Condessa de Taboeira, actualmente abandonada e em ruínas, Capela de São Gonçalinho, Capela da Sra. da Alegria, Teatro Aveirense, Casa do Major Pessoa, Casa em que Eça de Queirós morou em Aveiro, Taberna frequentada por Eça de Queirós, Estação de comboios (painéis de azulejos), Casa em estilo Arte Nova, na Rua Eça de Queirós, Casa onde se alojou D. Manuel II, na sua visita em 1908, na Rua do Carmo, Casa onde nasceu Fernando Pessa, na Rua do Carmo, Sede da Fundação Engº António Pascoal, na Av. Dr. Lourenço Peixinho, Jazigo de José Estêvão de Magalhães, no Cemitério Central, Casa datada de 1616, na esquina da Rua Direita, Casa do Arquitecto Francisco Augusto da Silva Rocha, em estilo Arte Nova, na Rua do Carmo, nº 12, Casa em estilo Arte Nova, na Rua Alm. Cândido dos Reis, nº 146, Casa do Dr. Lourenço Peixinho em Estilo Arte Nova (1906–1911), actualmente Fundação João Jacinto de Magalhães, na Rua José Rabumba, nº 56, Casa em estilo Arte Nova, na Rua João Mendonça, nsº 5–7, Casa com influência Arte Nova, na esquina da Rua Direita com a Praça General Humberto Delgado (pontes), ex-Sapataria Miguéis, Antiga Fábrica Jeronymo Pereira Campos, Galeria Morgados da Predicosa, Av. de Santa Joana, junto ao Museu, Casa dos Morgados de Vilarinho / Couceiro da Costa, Rua do Gravito, nº 32, Casa dos Christos, na Rua Direita, frente ao Hotel Imperial, Palacete em estilo Arte Nova, mandado construir por Francisco de Oliveira Simões, em Salreu (Número de habitantes que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.) No censo de 1864 a freguesia de Nariz fazia ainda parte do concelho de Oliveira do Bairro, só passando para o de Aveiro por decreto de 04/12/1872 Por decreto de 13/01/1898 a freguesia de Ílhavo (São Salvador), deste concelho, passou a constituir o concelho de Ílhavo Colors= id:a value:gray id:b value:gray id:c value:rgb id:d value:rgb(0.6,0.7,0.8) ImageSize = width:800 height:450 PlotArea = left:50 bottom:30 top:30 right:30 DateFormat = x.y Period = from:0 till:90000 TimeAxis = orientation:vertical AlignBars = justify ScaleMajor = gridcolor:b increment:10000 start:0 ScaleMinor = gridcolor:a increment:5000 start:0 BackgroundColors = canvas:c BarData= bar:1864 text:1864 bar:1878 text:1878 bar:1890 text:1890 bar:1900 text:1900 bar:1911 text:1911 bar:1920 text:1920 bar:1930 text:1930 bar:1940 text:1940 bar:1950 text:1950 bar:1960 text:1960 bar:1970 text:1970 bar:1981 text:1981 bar:1991 text:1991 bar:2001 text:2001 bar:2011 text:2011 bar:2021 text:2021 PlotData= color:d width:25 align:left bar:1864 from:0 till: 19296 bar:1878 from:0 till: 20332 bar:1890 from:0 till: 22719 bar:1900 from:0 till: 24919 bar:1911 from:0 till: 27802 bar:1920 from:0 till: 27521 bar:1930 from:0 till: 31644 bar:1940 from:0 till: 35303 bar:1950 from:0 till: 40187 bar:1960 from:0 till: 46055 bar:1970 from:0 till: 49808 bar:1981 from:0 till: 60284 bar:1991 from:0 till: 66444 bar:2001 from:0 till: 73335 bar:2011 from:0 till: 78450 bar:2021 from:0 till: 80954 PlotData= bar:1864 at: 19296 fontsize:s text: 19.296 shift: bar:1878 at: 20332 fontsize:s text: 20.332 shift: bar:1890 at: 22719 fontsize:s text: 22.719 shift: bar:1900 at: 24919 fontsize:s text: 24.919 shift: bar:1911 at: 27802 fontsize:s text: 27.802 shift: bar:1920 at: 27521 fontsize:s text: 27.521 shift: bar:1930 at: 31644 fontsize:s text: 31.644 shift: bar:1940 at: 35303 fontsize:S text: 35.303 shift: bar:1950 at: 40187 fontsize:S text: 40.187 shift: bar:1960 at: 46055 fontsize:S text: 46.055 shift: bar:1970 at: 49808 fontsize:S text: 49.808 shift: bar:1981 at: 60284 fontsize:S text: 60.284 shift: bar:1991 at: 66444 fontsize:S text: 66.444 shift: bar:2001 at: 73335 fontsize:S text: 73.335 shift: bar:2011 at: 78450 fontsize:S text: 78.450 shift: bar:2021 at: 80954 fontsize:S text: 80.954 shift: (Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população presente no município à data em que eles se realizaram Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente) Aveiro possui um clima mediterrânico do tipo Csb, ou seja, com verões amenos. Dias com mais de 30 ºC são muito raros, não chegando a 10 por ano em média, mas os verões são secos. Os invernos são amenos e chuvosos, sendo que dias abaixo de 0 ºC ocorrem ainda mais raramente, cerca de 2 por ano. Isto deve-se em parte ao efeito que a Ria de Aveiro tem no moderar das temperaturas. Museu Arte Nova, na Rua Dr. Barbosa de Magalhães n.º10, Museu de Santa Joana, na Av. Santa Joana, 3810–329 Aveiro, [ Museu da cidade], na Rua João Mendonça 9–11, 3800–200 Aveiro, Museu da Universidade de Aveiro A Estação Ferroviária de Aveiro é o ponto focal na Linha do Norte, a uma hora do Porto e a duas horas de Lisboa. Com comboios pendulares Alfa Pendular, Intercidades (rápidos) e urbanos/suburbanos e automotoras na linha do Vouga. A cidade está também servida por várias estradas/autoestradas e ainda um porto: o Porto de Aveiro. Existe um serviço municipal de transportes públicos coletivos rodoviários. Em 2014, um autarca do Barreiro considerou que este é um tipo de «serviço público raro, apenas existente em cinco concelhos no país» Numa iniciativa pioneira em Portugal, pode-se ainda circular com as bicicletas BUGA (Bicicleta de Utilização Gratuita de Aveiro). Este serviço, originalmente gratuito, passou em 2023 a ser pago. Escola Básica 2º e 3º Ciclos João Afonso, Escola Básica 2º e 3º Ciclos de Aradas, Escola Básica 2º e 3º Ciclos de S. Bernardo, Escola Básica 2º e 3º Ciclos Castro Matoso, Escola Básica 2º e 3º Ciclos de Cacia, Escola Básica Integrada de Eixo, Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, Aveiro *Colégio D. José I *Colégio Português, Escola Secundária José Estêvão, Escola Secundária Homem Cristo, Escola Secundária Dr. Mário Sacramento, Escola Básica e Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima, Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, Aveiro, Universidade de Aveiro, ISCAA — Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Aveiro, ISCIA — Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração, Escola Profissional de Aveiro, [ AEVA — Associação para a Educação e Valorização da região de Aveiro], [ EFTA — Escola de Formação Profissional de Aveiro] *[ MUSA] — Escola de Música e Artes de Aveiro *Oficina de Música de Aveiro, Escola de jazz Riff, Fábrica — Centro Ciência Viva de Aveiro, Le Persil Noir — Grupo Artístico, Lugar dos Afetos — O Lugar dos Afetos, obra de Graça Gonçalves (escritora e médica), para além de ter no alicerce a mensagem dos seus livros, Jogos de Afetos e da Coleção Afetos, dá continuidade à Rede de Afetos que começou nas sua obras e, hoje em dia, tem cada vez mais expressão, e adesão, a nível nacional e internacional. O Lugar dos Afetos, profundamente inovador, foi pensado e construído de modo a comportar várias casas temáticas, caminhos, jardins e recantos únicos. Graça Gonçalves, a autora de todo o projeto, concebeu até os mais pequenos pormenores da arquitetura exterior e interior. Coerentemente, o mais ínfimo pormenor tem significado. [ ACA — Associação Comercial do Distrito de Aveiro] *SINTICAVS — Sindicato Nacional de Cerâmica, Alavarium Andebol Clube de Aveiro, Associação Cultural e Desportiva — "Os Ílhavos", Associação Desportiva de Taboeira, Associação Desportiva de Requeixo, Associação Recreativa Cultural da Barroca, Associação Recreativa e Cultural de Oliveirinha, Centro Atlético Póvoa Pacense — CENAP, Centro Desportivo de São Bernardo, Clube Estrela Azul, Clube de Ténis de Aveiro, Clube do Povo de Esgueira, Clube dos Galitos, Escola Gímnica de Aveiro, Futebol Clube Bom-Sucesso, Gambozinos (Clube de Ultimate e Desportos de Disco de Aveiro), Grupo Desportivo Eixense, Rugby Universidade de Aveiro, Sport Clube Beira-Mar, Sporting Clube de Aveiro, Sporting Clube Vista Alegre Pratos e doces típicos da cidade de Aveiro: *Ovos moles de Aveiro;, Derivados de Ovos Moles: Castanhas de Ovos, Fios de Ovos e Lampreia de Ovos;, Bolachas Americanas e Tripas ;, Raivas;, Cavacas;, Caldeirada de Enguias; A cidade de Aveiro está geminada com:, Arcachon, Gironda Belém, Pará Bourges, Cher Caracas, Distrito Capital Cidade Rodrigo, Castela e Leão Cubatão, São Paulo Inhambane, Inhambane Newark, Nova Jérsia Oita, Oita Papagou-Cholargos, Atenas Setentrional Pelotas, Rio Grande do Sul Pemba, Cabo Delgado Santa Cruz, Ilha de Santiago Santo António do Príncipe, Pagué Viana do Castelo, Distrito de Viana do Castelo Farim, Oio Forlì, Emília-Romanha Mahdia, Mahdia Panyu, Cantão Viseu, Distrito de Viseu, A Cidade de Aveiro foi distinguida com:, Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, em 29 de Março de 1919. Costa Nova, Moliceiro, Cultura europeia, Lista de cidades em Portugal, DIAS, Diamantino, Revista AVEIRO, Câmara Municipal de Aveiro, pp. 8, 2ª Edição, Julho de 1997. [ Site da Câmara Municipal de Aveiro]
A é a ciência social que estuda e sistematiza as práticas usadas para administrar. O termo "administração" significa direção, gerência. Ou seja, é o ato de administrar ou gerir negócios, pessoas ou recursos, com o objetivo de alcançar metas definidas. É uma área do conhecimento fundamentada em um conjunto de princípios, normas e funções elaboradas para disciplinar os fatores de produção, tendo em vista o alcance de determinados fins como maximização de lucros ou adequada prestação de serviços públicos. Pressupõe a existência de uma instituição a ser gerida, ou seja, uma organização constituída de pessoas e recursos que se relacionem num determinado ambiente, orientadas para objetivos comuns. Administração é frequentemente tomada como sinônimo de Administração de Empresas. Porém, isto somente faz sentido se o termo empresa for considerado como sinônimo de organização e legalização, que significa os esforços humanos organizados, feitos em comum, com um fim específico, um objetivo. O adequado é considerar a Administração de Empresas subárea da Administração, uma vez que esta trata de organizações que podem ser públicas, sociedades de economia mista ou privadas, com ou sem fins lucrativos. A necessidade de organizar os estabelecimentos nascidos com a Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra em meados do século XIX, levou profissionais de outras áreas mais antigas, a exemplo da Engenharia, a buscar soluções específicas para problemas que não existiam antes. Assim, a aplicação de métodos de ciências diversas, para administrar estes empreendimentos, deu origem aos rudimentos da Ciência da Administração. Discute-se se a Administração pode ser considerada uma disciplina científica. Quando assim considerada, é um ramo das Ciências Sociais, tratando dos agrupamentos humanos, mas com uma peculiaridade que é o olhar holístico, buscando a perfeita sinergia entre pessoas, estrutura e recursos. Diferencia-se das ciências puras por possuir um caráter prático de aplicação nas organizações. Um dos princípios filosóficos da Administração diz: "A verdadeira administração não visa lucro, visa bem estar social; o lucro é mera consequência ". A profissão de Administrador é, historicamente, recente e foi regulamentada no Brasil em 9 de setembro de 1965, data em que se comemora o Dia do Administrador. A Semana do Administrador instituída pelo Adm. Gaston Schwabacher, é comemorada dos dias 2 a 9 de setembro, onde são homenageados feitos administrativos éticos. Administrar é o processo de dirigir ações que utilizam recursos para atingir objetivos. Embora seja importante em qualquer escala de aplicação de recursos, a principal razão para o estudo da Administração é seu impacto sobre o desempenho das organizações. É a forma como são administradas que torna as organizações mais ou menos capazes de utilizar corretamente seus recursos para atingir os objetivos corretos. Como elo entre os recursos e os objetivos de uma organização, cabe ao profissional da Administração combinar os meios na proporção adequada, sendo, para isso, necessário tomar decisões constantemente num contexto de restrições, pois, nenhuma organização dispõe de todos os recursos e a capacidade de processamento de informações do ser humano é limitada. Administrar envolve a elaboração de planos, pareceres, relatórios, projetos, arbitragens e laudos, em que é exigida a aplicação de conhecimentos inerentes às técnicas de Administração. A Teoria Geral da Administração começou com a "ênfase nas tarefas", na Administração Científica de Taylor. A seguir, a preocupação básica passou para a "ênfase na estrutura" com a Teoria Clássica de Fayol, e com outros princípios como o Fordismo de Henry Ford e a Teoria Burocrática de Max Weber, seguindo-se mais tarde a Teoria Estruturalista. A Relação Humanística surgiu com a "ênfase nas pessoas", por meio da Teoria Comportamental e pela Teoria do Desenvolvimento Organizacional . A "ênfase no ambiente" surgiu com a Teoria dos Sistemas, sendo completada pela Teoria da contingência. Esta, posteriormente, desenvolveu a "ênfase na tecnologia". Cada uma dessas cinco variáveis - tarefas, estrutura, pessoas, ambiente e tecnologia - provocou a seu tempo uma diferente teoria administrativa, marcando um gradativo passo no desenvolvimento da TGA. Cada teoria procurou privilegiar ou enfatizar uma dessas cinco variáveis, omitindo ou relegando a um plano secundário todas as demais. Dessa forma, representam uma maneira específica de encarar a tarefa e as características do trabalho da Administração. Entretanto, Mario Manhães Mosso, demonstra a necessidade de alterarmos a cronologia bem como as próprias teorias, uma vez que, por exemplo, Alfred Chandler, pai da Teoria Contingencial, indicou sua utilização já em 1900, assim ela não poderia ser a última teoria. Bem como Frederick Taylor foi o primeiro a identificar os subsistemas de Recursos Humanos em 1911, bem antes da experiência de Hawthorne de 1927, o marco inicial da Teoria das Relações Humanas. A Teoria Geral da Administração, assim, está em fase de mutação nas suas raízes. É o modelo de gestão que defende que a causa primária de um problema é o “desvio de responsabilidade”. O carro chefe desse modelo, é o famoso organograma, que serve para especificar de maneira clara as responsabilidades. A função dessa ferramenta, é permitir a gerência a possibilidade de atribuir a culpa rapidamente, caso outro desastre ocorra, evitando que as pessoas cometam erro e saiam impunes, pois se cometerem serão punidas. Infelizmente, a maioria das empresas criaram seus organogramas para impedir que haja o “desvio de responsabilidade”. Para isto, seus organogramas mostram quem são as pessoas “pagas” para pensar e as responsáveis por executar. Há uma clara divisão entre os gestores (ou oficiais na estrutura militar) e os “operacionais” ou “chão de fábrica” (ou soldados na estrutura militar). Neste modelo, os gestores são os responsáveis pelo planejamento estratégico e tático (dependendo do nível hierárquico na companhia) e por garantir que a “missão” e os objetivos sejam alcançados. Para isto, eles contam com seus “soldados”, os quais são os responsáveis pela execução das atividades necessárias ao cumprimento da missão pela empresa, não questionando as ordens ou o planejamento a eles atribuídos impostos. Para colocar esta engrenagem em funcionamento é necessário que todos os “soldados” saibam o que e como executar. Não compete a eles desenvolver e experimentar maneiras de se executar uma tarefa, de aprender coisas novas e de testar novas teorias. Porém, com as mudanças na sociedade, por meio da explosão do conhecimento, esse tipo de gestão não está conseguindo suprir as necessidades e, pouco a pouco, está caindo em desuso. O trabalho administrativo é a aplicação do esforço físico e mental por um gerente, com a finalidade de garantir os resultados por meios de outras pessoas, seus gerenciados. Em síntese, o Administrador é a ponte entre os meios (recursos financeiros, tecnológicos e humanos) e os fins (objetivos). A Administração se divide, modernamente, em cinco áreas: Finanças, Administrativo, Marketing, Vendas ou Produção,Logística e Recursos Humanos. Produção: "Se refere a qualquer tipo de atividade destinada à fabricação, elaboração ou obtenção de bens e serviços. No entanto, a produção é um processo complexo que exige vários fatores que podem ser divididos em três grandes grupos: a terra, o capital e o trabalho. Logística: "A logística é o conjunto de atividades que tem por fim a colocação, com um custo mínimo, duma quantidade de produto no local e no momento em que existe procura. A logística abarca, pois, todas as operações que condicionam o movimento dos produtos, tais como: localização das fábricas e entrepostos, abastecimentos, gestão física de produtos em curso de fabrico, embalagem, formação e gestão de estoques, manutenção e preparação das encomendas, transportes e circuitos de entregas." Recursos Humanos: TOLEDO "o ramo de especialização da ciência da Administração que desenvolve todas as ações que têm como objetivo a integração do trabalhador no contexto da organização e o aumento de sua produtividade". Alguns doutrinadores modernos inserem, nessa divisão, a TI (Tecnologia da Informação) e a P&D (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação). Pelo fato de a Administração ter diversas ciências como base, o Administrador disputa seu espaço com profissionais de diferentes áreas. Em Finanças, disputa espaço com Economistas e Contadores; em Marketing, disputa espaço com Publicitários; em Produção, disputa espaço com Engenheiros; em Recursos Humanos, disputa espaço com Psicólogos, etc.. Pode-se considerar um Executivo toda pessoa encarregada de uma organização ou de uma de suas subunidades, incluindo-se no conceito Administradores de empresas estatais e privadas, Administradores Públicos (como Prefeitos, Governadores e Chefes de repartições públicas), bem como Administradores de organizações privadas sem fins lucrativos (como clubes e ONGs). Atualmente, as principais funções administrativas são:, Fixar objetivos (planejar);, Analisar: conhecer os problemas;, Solucionar problemas;, Organizar e alocar recursos (recursos financeiros e tecnológicos e as pessoas);, Comunicar, dirigir e motivar as pessoas (liderar);, Negociar;, Tomar as decisões (rápidas e precisas);, Mensurar e avaliar (controlar). ; O papel do Administrador As funções do Administrador foram, num primeiro momento, delimitadas como: planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar. No entanto, por ser essa classificação bastante difundida, é comum encontrá-la em diversos livros e até mesmo em jornais de forma condensada em quatro categorias, são elas: Planejar: "definir o futuro da empresa, principalmente, suas metas, como serão alcançadas e quais são seus propósitos e seus objetivos", ou como "método que as pessoas e as organizações usam para administrar suas relações com o futuro. É uma aplicação específica do processo decisório." O planejamento envolve a determinação no presente do que se espera para o futuro da organização, envolvendo quais as decisões deverão ser tomadas, para que as metas e propósitos sejam alcançados. Organizar: pode-se constatar que […] se fosse possível sequenciar, diríamos que depois de traçada a meta organizacional, é necessário que as atividades sejam adequadas às pessoas e aos recursos da organização, ou seja, chega a hora de definir o que deve ser feito, por quem deve ser feito, como deve ser feito, a quem a pessoa deve reportar-se, o que é preciso para a realização da tarefa. Logo, "organizar é o processo de dispor qualquer conjunto de recursos em uma estrutura que facilite a realização de objetivos. O processo organizacional tem como resultado o ordenamento das partes de um todo, ou a divisão de um todo em partes ordenadas." Dirigir (Liderar): envolve influenciar as pessoas para que trabalhem num objetivo comum. "Meta traçada, responsabilidades definidas, será preciso neste momento uma competência essencial, qual seja, a de influenciar pessoas de forma que os objetivos planejados sejam alcançados." A chave para tal, está na utilização da sua afetividade, na sua interação com o meio ambiente que atua. E por último Controlar, que "estando a organização devidamente planejada, organizada e liderada, é preciso que haja um acompanhamento das atividades, a fim de se garantir a execução do planejado e a correção de possíveis desvios". Cada uma das características podem ser definidas separadamente, porém, dentro da organização, são executadas em conjunto, ou seja, não podem ser trabalhados disjuntas. O campo de atuação do administrador é bastante amplo. Ele deve planejar, organizar, dirigir e controlar as atividades de empresas, quer sejam públicas ou privadas, e traçar estratégias e métodos de trabalho em diversas áreas (agroindustrial, escolar, financeira, hospitalar, rural, etc.). Nas situações de crise, possui importante papel, quando define onde será investido o dinheiro e de que forma será equilibrada as finanças e a produção da empresa. Segundo o Conselho Federal de Administração, a Administração apresenta os seguintes campos de atuação: #Administração e Seleção de Pessoal/Recursos Humanos; #Organização, Sistemas e Métodos ; #Orçamento; #Empresário; #Administração de Material/Logística; #Administração Financeira; #Administração Hospitalar / Saúde; #Administração Hoteleira; #Administração Mercadológica/Marketing; #Administração de Produção; #Relações Industriais/Benefícios/Segurança do Trabalho; #Campos considerados como Desdobramentos ou Conexos.
Açorda à alentejana é uma sopa típica do Alentejo que, ao contrário da maioria das sopas, esta não é cozinhada: é montada cozinha quando é servida. A receita de açorda não é única, porque muda de região para região e mesmo de família para família. A palavra que designa esse tipo de sopa, escrita como açorda ou sorda, deriva do árabe ath-thorda. A composição básica da açorda é alho, sal, azeite, água em ebulição e pão fatiado, no entanto a esta mistura acrescentam-se ervas aromáticas como o coentro ou o poejo e pode servir-se com peixe fresco (cozido ou frito), bacalhau ou ovo (escalfado ou cozido). O processo de confeção passa pelo pisar do sal com a erva aromática e o alho, mistura à qual se acrescenta azeite. Deita-se depois por cima a água onde se cozeu o acompanhamento, ainda fervente, e deita-se pão alentejano fatiado. A açorda à alentejana foi um dos candidatos finalistas às 7 Maravilhas da Gastronomia portuguesa. Segundo a tradição, a origem da açorda remonta à época da ocupação árabe, daí o nome (ath thurda): prato básico obtido pela desintegração do pão num caldo aromatizado ao qual se junta o azeite. A preparação acompanhou os árabes durante muitos séculos e de facto há testemunhos dela nesta parte do império árabe da época, no período entre os séculos VIII e XIII. É um prato adequado até às mesas mais pobres, mas - podendo ter à disposição condimentos e pratos mais ricos - mesmo à mesa mais nobre podia ser servido sem desfigurar.
Arkady Timofeïevitch Avertchenko (Sebastopol, 15 de março jul. / 27 de março de 1881 greg. ou 15 de março jul. / 27 de março de 1880 greg. – Praga, 12 de março de 1925) foi um humorista e satírico russo. Seu jornal O satírico teve grande repercussão em seu país. Converteu-se num dos escritores satíricos mais populares da Rússia nos anos que antecedem a Revolução de 1917. [ Bibliografia e obras digitalizadas]
Jacques Anatole François Thibault, mais conhecido como Anatole France (Paris, 16 de abril de 1844 — Saint-Cyr-sur-Loire, 12 de outubro de 1924) foi um escritor francês. Era um poeta, jornalista e romancista francês com vários best-sellers. Foi membro da Académie française e ganhou o Prémio Nobel de Literatura em 1921 "em reconhecimento das suas brilhantes realizações literárias, caracterizadas como são por uma nobreza de estilo, uma profunda simpatia humana, graça e um verdadeiro temperamento gaulês". Les Légions de Varus, poema publicado em 1867 na Gazette rimée. Poèmes dorés, Les Noces corinthiennes (A esposa de Corintio), Jocaste et Le Chat maigre (Jocasta e o gato faminto), Le Crime de Sylvestre Bonnard (O crime de Silvestre Bonnard), Les Désirs de Jean Servien (As aspirações de Jean Servien), Abeille (Abelha), Balthasar, Thaïs, L’Étui de nacre (Mãe de perola), La Rôtisserie de la reine Pédauque (Ao sinal do reino Pédauque), Les Opinions de Jérôme Coignard (As opiniões de Jerome Coignard), Le Lys rouge (O lirio vermelho), Le Puits de Sainte Claire (O poço de Saint Clare), L’Histoire contemporaine (Uma cronica contemporânea) *, 1: L’Orme du mail (A arvore olmo no mercado) *, 2: Le Mannequin d'osier (O Manequim de Vime) *, 3: L’Anneau d'améthyste (O anel de ametista) *, 4: Monsieur Bergeret à Paris (Senhor Bergeret em Paris), Clio, Histoire comique (Um conto de Mummers), Sur la pierre blanche (A pedra branca), L'Affaire Crainquebille, L’Île des Pingouins (A Ilha dos pinguins), Les Contes de Jacques Tournebroche (The Merrie Tales of Jacques Tournebroche), Les Sept Femmes de Barbe Bleue et autres contes merveilleux (As sete esposas do Barba Azul e outros incríveis contos), Les dieux ont soif, La Révolte des anges (A revolta dos anjos), Le Livre de mon ami (My Friend's Book), Pierre Nozière, Le Petit Pierre (Little Pierre), La Vie en fleur (The Bloom of Life), Au petit bonheur, ', La Comédie de celui qui épousa une femme muette (The Man Who Married A Dumb Wife), Le Mannequin d'osier (The Wicker Woman), Vie de Jeanne d'Arc (The Life of Joan of Arc), Alfred de Vigny, Le Château de Vaux-le-Vicomte, Le Génie Latin, Le Jardin d’Épicure (The Garden of Epicurus), Opinions sociales, Le Parti noir, Vers les temps meilleurs, Sur la voie glorieuse, Trente ans de vie sociale, em quatro volumes, (1949, 1953, 1964, 1973) *
Alexandre Ivanovich Kuprin ; (aldeia de Narovtchat, no oblast de Penza, 26 de agosto jul./ 7 de setembro de 1870 greg. -, Leningrado) foi um escritor russo, observador perspicaz do folclore. Sua primeira obra importante, Moloch, apareceu em 1896. Suas novelas mais famosas são: O Duelo, Yama: O Poço, Olesya, Capitão Ribnikov, Esmeralda e O bracelete de granadas - este último transformado em filme de 1965. The Duel (Поединок, 1905; traduzido como The Duel in 1916), ' (Яма, 1909–1915), The Wheel of Time (Колесо времени, 1929), Junkers (Юнкера, escrito em 1928-1932, publicado em 1933), romance autobiográfico, In the Dark (Впотьмах, 1893), Moloch (Молох, 1896), Olesya (Олеся, 1898), Sulamith: A Romance of Antiquity (Суламифь, 1908), The Garnet Bracelet (Гранатовый браслет, 1911), "The Last Debut" (Последний дебют, 1889), "Psyche" (Психея, traduzido como "Psyque" em 1929), "On a Moonlit Night" (Лунной ночью, 1893), "The Inquiry" (Дознание, 1894), The Kiev Types (Киевские типы, 1896, uma coleção de esboços), Miniatures (Миниатюры, 1897, coleção de contos), "At the Circus" (В цирке, 1902), "The Horse Thieves" (Конокрады, 1903), "Captain Ribnikov" (Штабс-капитан Рыбников, 1906), "The River of Life" (Река жизни, 1906), "The Outrage - A True Story"
Emile Salomon Wilhelm Herzog (Elbeuf, 26 de julho de 1885 — 9 de outubro de 1967) foi um romancista e ensaísta francês. Seu pseudônimo André Maurois tornou-se seu nome legal em 1947. Seus primeiros livros foram O Silêncio do Coronel Branbles e Os discursos do dr. O'Grady, que obtiveram sucesso. Entretanto, sua consagração no mundo literário ocorreu com a publicação de três biografias, as de Byron, Shelley e Disraeli. Tornou-se membro da Academia Francesa em 1938. (Lista não exaustiva), 1918 - Les Silences du colonel Bramble. Contém a tradução de André Maurois do poema célebre de Rudyard Kipling If— (traducção muitas vezes atribuída erradamente a Paul Éluard), 1919 - Ni ange ni bête ficção histórica, 1922 - Bernard Quesnay, aparecendo em 1926 numa versão revista, sob o título: La Hausse et la Baisse. 1922 - Les Discours du docteur O'Grady. Tem as personagens de Bramble. 1923 - Ariel ou la Vie de Percy Bysshe Shelley biografia-frontispício de Maxime Dethomas. 1924 - Dialogue sur le commandement, ensaio. 1926 - La Hausse et la Baisse, romance, 1926 - Meïpe ou la Délivrance, conto e novela, 1927 - La Vie de Benjamin Disraeli, estudo histórico. 1927 - Études anglaises, ensaio. 1927 - Le Chapitre suivant, 1ª versão, 1928 - Climats, considerada a sua obra-prima. 1928 - Voyage au pays des Articoles, conto e novela, 1928 - Le Pays des trente-six mille volontés, conto de fantasia, 1930 - Don Juan ou la vie de George Gordon Byron, biografia. 1930 - Relativisme, ensaio. 1931 - Hubert Lyautey, biografia, 1931 - Ivan Tourgueniev, biografia. 1931 - Le Peseur d'âmes evoca a teoria do peso da alma, 1932 - Le Côté de Chelsea, romance, Gallimard. 1932 - Mes songes que voici (Paris, Grasset), 1932 - Le cercle de famille, romance, 1933 - Chantiers américains, 1933 - Édouard VII du Royaume-Uni et son temps, biografia. 1934 - L'Instinct du bonheur, romance, 1934 - Sentiments et coutumes, ensaio, 1935 - Voltaire, biografia. 1935 - Premiers contes, contos, Rouen, H. Defontaine, 1937 - Histoire de l'Angleterre, História. 1937 - La machine à lire les pensées, conto e novela. 1938 - René ou la Vie de François-René de Chateaubriand biografia e estudo literário, 1939 - Un art de vivre, ensaio, 1939 - L’Empire français - livraria Hachette, ilustrações de Auguste Leroux. Álbum para crianças apresentando o Império Colonial Francês. 1939 - États-Unis 1939, Paris 1939. 1939 - Discours prononcé dans la séance publique de sa réception à l'Académie Française le jeudi 22 juin 1939. éd. Firmin Didot et Cie. 1943 - Toujours l'inattendu arrive, 1943 - Histoire des États-Unis, História. 1946 - Journal des États-Unis 1946, Paris 1946. 1946 - Terre promise, romance. 1946 - Sept visages de l'amour, ensaio. 1947 - Nouveaux discours du Docteur O'Grady. Esta obra evoca, entre outros assuntos, a guerra mundial entre estas duas espécies de formigas, Pheidoles e Iridomyrmex . Este livro, que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, marca o progresso intelectual tem sido feito desde o primeiro. As ideias de Sartre como a nova situação criada pela bomba atómica. 1947 - Histoire de France (éditions Dominique Wapler, 1947) História. 1947 - Des mondes impossibles, conto e novela, 1948 - Rouen dévasté, ensaio. éd. Nagel 1948. 1949 - À la recherche de Marcel Proust, estudo e biografia literária. Éditions Hachette, 1950 - Alain, estudo e biografia literária, 1951 - Ce que je crois, essai. Edt Grasset 1951. 1952 - Lélia ou la Vie de George Sand, estudo e biografia literária, 1952 - Destins exemplaires, ensaio. 1954 - Olympio ou la Vie de Victor Hugo estudo e biografia literária, 1954 - Femmes de Paris, Plon éditeur. 1956 - Lettres à l'inconnue, 1957 - Lecture, mon doux plaisir, ensaio. 1957 - Les Trois Dumas, biografia, 1957 - Robert et Elizabeth Browning, biografia, 1958 - L'Impromptu de Barentin, Festival de Barentin, 1959 - Portrait d'un ami qui s'appelait moi, 1960 - Le Monde de Marcel Proust Éditions Hachette, estudo histórico e literário, 1962 - Les Deux Géants - Histoire des États-Unis et de l'U.R.S.S : De 1917 à nos jours, com Aragon. Robert Laffont. 1965 - Prométhée ou la Vie de Honoré de Balzac, estudo histórico e literário, 1956 - Les Roses de septembre, romance, 1959 - La Vie de sir Alexander Fleming, biografia. 1960 - Pour piano seul, conto novela. 1961 - Adrienne ou la Vie de Adrienne de La Fayette, biografia. 1964 - La Conversation, ensaio, 1966 - Au commencement était l'action, ensaio. 1967 - Le Chapitre suivant 2ª versão, Un art de vivre, Magiciens et logiciens, Lettre ouverte à un jeune homme sur la conduite de la vie, La Maison, Snobisme dans l'art, Aspect de la biographie
Aleksandr Serguêievitch Púchkin (Moscou, 26 de maiojul./ 6 de junho de 1799greg. — São Petersburgo, 29 de janeirojul./ 10 de fevereiro de 1837greg.) foi um poeta, escritor e dramaturgo russo da Era Romântica. É considerado o maior poeta russo e o fundador da moderna literatura russa. Nascido na nobreza russa, seu pai, Serguei Lvovitch Púchkin, pertencia a uma antiga e nobre família. Seu bisavô materno era o general de brigada Abram Petrovitch Gannibal, nobre de origem africana sequestrado em sua terra natal e criado na corte da imperatriz como seu afilhado. Púchkin foi pioneiro no uso do discurso vernacular em seus poemas e peças teatrais, criando um estilo de narrativa que misturava drama, romance e sátira associada com a literatura russa, influenciando fortemente desde então os escritores russos seguintes. Ele também escreveu ficção histórica. Sua Marie: Uma História de Amor Russa fornece uma visão da Rússia durante o reinado da imperatriz Catarina II. Entre as suas obras mais conhecidas encontram-se O prisioneiro do Cáucaso, A filha do capitão, Eugene Onegin, A história da revolta de Purgatief, O Cavaleiro de Bronze e Dama de Espadas, que inspirou a ópera homônima de Tchaikovski. Escreveu poemas, novelas e peças teatrais. Sua mãe, Nadezhda Ossipovna Hannibal (1775-1836) descendia por parte de sua avó paterna das nobrezas alemã e escandinava. Era filha de Ossip Abramovich Gannibal (1744-1807) e sua esposa Maria Aleksejevna Pushkina (1745-1818). O pai de Ossip Abramovich Gannibal, ou seja, o bisavô de Púchkin, foi Abram Petrovitch Gannibal (1696-1781), um escudeiro promovido por Pedro I, que havia nascido em uma vila chamada Lagon, atual Eritreia. Após a educação na França como um engenheiro militar, Abram Gannibal tornou-se governador de Reval e, posteriormente, general-chefe para a construção de fortes marítimos e canais na Rússia. Aleksandr Serguêievitch Púchkin publicou seu primeiro poema com quinze anos de idade e foi largamente reconhecido nos meios literários antes mesmo de sua graduação no Imperial Lyceum, localizado no Tsarskoye Selo, a vila real de então. Considerado o maior dos poetas russos e o fundador da literatura russa moderna, foi pioneiro no uso da língua coloquial em seus poemas e peças, criando um estilo narrativo — mistura de drama, romance e sátira — como poeta, fazia uso de expressões e lendas populares, marcando os seus versos com a riqueza e diversidade do idioma russo. Influenciou autores como Gogol, Liermontov e Turgeniev formando com os mesmos a famosa plêiade russa de autores. A Gogol, pela amizade e projeto mútuo de desenvolvimento de uma literatura autenticamente russa, Púchkin lega algumas ideias como a da peça teatral O inspetor geral. Gogol pediu uma comédia ao amigo, e Púchkin passou horas detalhando uma história como a "fábula fiscal" do Inspetor Geral. Quando Gogol pediu um drama denso, Púchkin detalhou a ele um golpe de alguns senhores feudais russos que visava a obter recursos do Governo, para "investimentos", apresentando documentos de escravos já falecidos como se ainda vivos fossem. Tal ideia foi desenvolvida na grande obra de Gogol Almas Mortas, inacabada. Devido às suas ideias progressistas, tendo sido amigo de alguns dezembristas, responsáveis por uma tentativa de golpe contra o czar Alexandre I, foi desterrado, vagando, entre 1820 e 1824, pelo sul do Império Russo. Sob severa vigilância dos censores estatais e impedido tanto de viajar quanto de publicar, ele escreve sua mais famosa peça, Boris Godunov, com evidente influência de William Shakespeare. A peça só pode ser publicada anos depois. Escreveu o romance em verso, Eugene Onegin, um retrato panorâmico da vida russa, no qual introduziu elementos que levaram a designar o seu estilo como "romantismo realista" russo do século XIX. O romance foi publicado em folhetins, de 1825 a 1832, e foi a base da ópera homônima de Tchaikovsky. No decurso deste período, Púchkin compôs diversos poemas de influência byroniana, dentre os quais se destacam O prisioneiro do Cáucaso, A fonte de Baktchisarai e Os ciganos. Em 1826, o escritor recebeu o perdão do czar, regressando a Moscovo. Dois anos depois, escreveu Poltav, uma epopeia que narra a história de amor do cossaco Mazeppa. Cultivando cada vez mais a prosa, alcançou grande sucesso com obras como Contos de Belkin, A Dama de Espadas e A Filha do Capitão. Púchkin e sua esposa, Natalya Goncharova, com quem se casou em 1831, tornar-se-iam regulares frequentadores da corte. Em 1837, diante dos boatos, cada vez mais insistentes, de que sua esposa começara um escandaloso caso extraconjugal, Púchkin desafiou o dito amante, Georges d'Anthès, para um duelo. Mortalmente ferido pelo oponente, Púchkin faleceria dois dias depois. Encontra-se sepultado no Svyatogorsk monastery Cemetery, Pushkinskiye Gory, Pskovskaya Oblast' na Rússia. Por causa de seus ideais políticos liberais e sua influência sobre gerações de rebeldes russos, Púchkin foi retratado pelos bolcheviques como opositor da literatura e da cultura burguesas e um antecessor da literatura e da poesia soviéticas. 1820 – Ruslan i Ludmila (Руслан и Людмила); Tradução para o inglês: Ruslan and Ludmila, 1820–21 – Kavkazskiy plennik (Кавказский пленник); Tradução: O prisioneiro do Cáucaso, 1821 – Gavriiliada (Гавриилиада); Tradução para o inglês: The Gabrieliad, 1821–22 – Bratia razboyniki (Братья разбойники); Tradução para o inglês: The Robber Brothers, 1823 – Bakhchisarayskiy fontan (Бахчисарайский фонтан); Tradução: A fonte de Baktchisarai, 1824 – Tsygany (Цыганы); Tradução: Os ciganos, 1825 – Graf Nulin (Граф Нулин); Tradução para o inglês: Count Nulin, 1829 – Poltava (Полтава), 1830 – Domik v Kolomne (Домик в Коломне); Tradução para o inglês: The Little House in Kolomna, 1833 – Andzhelo (Анджело); Tradução para o inglês: Angelo, 1833 – Medny vsadnik (Медный всадник); Tradução para o inglês: The Bronze Horseman, 1825–1832 – Evgeniy Onegin (Евгений Онегин); Tradução: Eugene Onegin, 1825 – Boris Godunov (Борис Годунов); English translation by Alfred Hayes: Boris Godunov, 1830 – Malenkie tragedii (Маленькие трагедии); Tradução para o inglês: Little Tragedies *, Kamenny gost (Каменный гость); Tradução para o inglês: The Stone Guest *, Motsart i Salieri (Моцарт и Сальери); Tradução para o inglês: Mozart and Salieri *, Skupoy rytsar (Скупой рыцарь); English translations: The Miserly Knight, or The Covetous Knight *, Pir vo vremya chumy (Пир во время чумы); Tradução para o inglês: A Feast in Time of Plague, 1822 – Царь Никита и сорок его дочерей; Tradução para o inglês: Tsar Nikita and His Forty Daughters, 1825 – Жених; Tradução para o inglês: The Bridegroom, 1830 – Сказка о попе и о работнике его Балде; Tradução para o inglês: The Tale of the Priest and of His Workman Balda, 1830 – Сказка о медведихе; Tradução para o inglês: The Tale of the Female Bear, or The Tale of the Bear. Conto inacabado, 1831 – Сказка о царе Салтане; Tradução para o inglês: The Tale of Tsar Saltan, 1833 – Сказка о рыбаке и рыбке; Tradução para o inglês: The Tale of the Fisherman and the Fish, 1833 – Сказка о мертвой царевне; Tradução para o inglês: The Tale of the Dead Princess, 1834 – Сказка о золотом петушке; Tradução para o inglês: The Tale of the Golden Cockerel, 1817 – "Ode to Liberty", 1829 – "I Loved You", 1831 – "To the Slanderers of Russia", 1828 – Arap Petra Velikogo (Арап Петра Великого); Tradução para o inglês: The Moor of Peter the Great, romance inacabado, 1829 – Roman v pis'makh (Роман в письмах); Tradução para o inglês: A Novel in Letters, romance inacabado, 1836 – Kapitanskaya dochka (Капитанская дочка); Tradução para o português: A filha do capitão, romance, 1836 – Roslavlyov (Рославлев); Tradução para o inglês: Roslavlev, romance inacabado, 1841 – Dubrovsky (Дубровский); romance inacabado, 1831 – Povesti pokoynogo Ivana Petrovicha Belkina (Повести покойного Ивана Петровича Белкина); Tradução para o inglês: The Tales of the Late Ivan Petrovich Belkin *, Vystrel (Выстрел); Tradução para o inglês: The Shot, conto *, Metel (Метель); Tradução para o inglês: The Blizzard, conto *, Grobovschik (Гробовщик); Tradução para o inglês: The Undertaker, conto *, Stantsionny smotritel (Станционный смотритель); Tradução para o inglês: The Stationmaster, conto *, Baryshnya-krestianka (Барышня-крестьянка); Tradução para o inglês: The Squire's Daughter, conto, 1834 – Pikovaya dama (Пиковая дама); Tradução para o português: Dama de espada, conto, 1834 – Kirjali (Кирджали); Tradução para o inglês: Kirdzhali, conto, 1837 – Istoria sela Goryuhina (История села Горюхина); Tradução para o português: A história da aldeia de Goriúkhino, conto inacabado, 1837 – Egypetskie nochi (Египетские ночи); Tradução para o português: Noites egípcias, 1834 – Istoria Pugachyova (История Пугачева); Tradução: A história da revolta de Purgatief, 1836 – Puteshestvie v Arzrum (Путешествие в Арзрум); Tradução para o inglês: A Journey to Arzrum, esboços de viagem, . Inclui os seguintes contos: *, Noites egípcias *, A história da aldeia de Goriúkhino *, Dama de espada *, Dubróvski, Aleksandr Puchkin- Eugenio Oneguin(tr.: F. e N. Guerra,Lisboa, Relogio D'Agua ed.). Aleksandr Puchkin- Contos (tr.: F. e N. Guerra, Lisboa, Relogio D' Agua ed.). FEINSTEIN, Elaine : After Pushkin: versions of the poems of Alexander Sergeevich Pushkin by contemporary poets. Manchester: Carcanet Press; London: Folio Society, 1999 ISBN 1-85754-444-7, VITALE, Serena: Pushkin's button; transl. from the Italian by Ann Goldstein. New York: Farrar, Straus & Giroux, 1998 ISBN 1-85702-937-2, WOLF, Markus: Freemasonry in life and literature. With an introduction to the history of Russian Freemasonry (in German). Munich: Otto Sagner publishers, 1998 ISBN 3-87690-692-X, LOTMAN, Yuri: Пушкин. Биография писателя. Статьи и заметки. Henri TROYAT- Pouchkine . 1ed. Paris, 1953. Disponível online: [ *TROYAT, Henri . "Pushkin's Ethiopian Ancestry". Ethiopia Observer 6. *Black Russian - A Review by Andrew Kahn of Hugh Barnes' Gannibal: The Moor of Petersburg. *BARNES, Hugh. Gannibal: The Moor of Petersburg, London 2005, p. 4. *GNAMMANKOU, Dieudonné. Abraham Hanibal - l’aïeul noir de Pouchkine, Paris 1996, p. 129. *BARNES, Hugh. Gannibal: The Moor of Petersburg, London 2005, p. 219. [ Obras compleas (em russo)]— FEB-web's Digital Scholarly Edition de A.S. Pushkin, [ Obras de Pushkin]no Projeto Gutenberg, [ A história da família de Aleksandr Pushkin], [ Biographical essay on Pushkin.] - Mike Phillips, British Library . [ The Pushkin Review], revista anual da North American Pushkin Society. Página visitada em 2010-10-19, [ English translations of Pushkin's poems]. Retrieved 2013-04-26, [ English translation of "The Tale of the Female Bear"], [ List of English translations of Eugene Onegin with extracts], [ List of English translations of The Bronze Horseman with extracts], [ Alexander Pushkin. Mozart and Saliery] (em inglês), [ Alexander Pushkin. Boris Godunov] (em inglês), [ Alexander Pushkin. The Bronze Horseman] (em inglês), [ Alexander Pushkin poetry], [ Pushkin's poetry translated to English by Margaret Wettlin], [ Alexander Pushkin Fairy Tales: Russian Text]
Anton Pavlovitch Tchekhov, (Taganrog, 29 de janeiro de 1860 — Badenweiler, 15 de julho de 1904), foi um médico, dramaturgo e escritor russo, considerado um dos maiores contistas de todos os tempos. Em sua carreira como dramaturgo criou quatro clássicos e seus contos têm sido aclamados por escritores e críticos. Tchekhov foi médico durante a maior parte de sua carreira literária, e em uma de suas cartas ele escreve a respeito: "A medicina é a minha legítima esposa; a literatura é apenas minha amante". Tchekhov renunciou ao teatro e deixou de escrever obras teatrais após a péssima recepção de A Gaivota (em russo: "Чайка") em 1896, mas a obra foi reencenada e aclamada em 1898, interpretada pela companhia Teatro de Arte de Moscou de Constantin Stanislavski que interpretaria também Tio Vânia (Дядя Ваня), As Três Irmãs (Три сестры) e O Jardim das Cerejeiras (Вишнëвый сад). Estas quatro obras representam um desafio para os atores, bem como para o público, porque no lugar da atuação convencional Tchekhov oferece um "teatro de humores" e uma "vida submersa no texto". Nem todos apreciaram o desafio: Liev Tolstói disse a Tchekhov: "Sabe, eu não consigo tolerar Shakespeare, mas suas peças são ainda piores". No entanto, Tolstói admirava os contos de Tchekhov. A princípio Tchekhov escrevia simplesmente por razões financeiras, mas sua ambição artística cresceu, e ele fez inovações formais que influenciaram na evolução dos contos modernos. Sua originalidade consiste no uso da técnica de fluxo de consciência, mais tarde adotada por James Joyce e outros modernistas, além da rejeição do propósito moral presente na estrutura das obras tradicionais. Ele nunca fez nenhum pedido de desculpas pelas dificuldades impostas aos leitores, insistindo que o papel de um artista era o de fazer perguntas, não o de respondê-las. Anton Pavlovitch Tchekhov (AFI [ɐnˈton ˈpavləvʲɪtɕ ˈtɕexəf]) nasceu em 29 de janeiro de 1860, em Taganrog, um porto marítimo no Mar de Azov no sul da Rússia, sendo o terceiro de seis filhos. Seu pai, Pavel Iegorovitch Tchekhov, filho de um ex-servo, cuidava de uma mercearia. Diretor do coro de uma paróquia, devoto cristão ortodoxo e pai que agredia fisicamente seu filho, Pavel Tchekhov lhe deu uma educação rígida e muito religiosa, o que fez com que Tchekhov se tornasse um amante da liberdade e da independência, e foi visto por alguns historiadores como modelo para os muitos personagens hipócritas criados por seu filho. Sua mãe, Ievguenia Iacovlevna Morozov, era uma excelente contadora de histórias que entretinha as crianças com histórias sobre suas viagens junto de seu pai (um comerciante de tecidos) por toda a Rússia. "Nossos talentos nós recebemos do nosso pai", Tchekhov lembra, "mas nossa alma recebemos de nossa mãe." Quando adulto, Tchekhov criticou o tratamento de seu irmão Aleksandr perante sua esposa e filhos, lembrando-lhe da tirania de Pavel: Tchekhov frequentou uma escola para meninos gregos, e depois o Liceu Taganrog, hoje rebatizado de Liceu Tchekhov, de onde ele foi afastado por um ano após reprovar em um exame. Ele cantava no monastério ortodoxo grego em Taganrog e nos coros de seu pai. Numa carta de 1892, ele usou a palavra "sofrimento" para descrever a sua infância e lembrou: Em 1876, seu pai atingiu a falência após gastar todas suas finanças construindo uma casa nova, e para evitar ser preso fugiu para Moscou, onde seus dois filhos mais velhos, Aleksandr e Nicolay, cursavam a universidade. A família viveu em condições de pobreza em Moscou, a mãe de Tchekhov estava emocionalmente e fisicamente arrasada. A família se mudou e Tchekhov ficou para trás para vender os bens da família e terminar seus estudos. Tchekhov permaneceu em Taganrog por mais três anos, com um homem chamado Selivanov que, assim como Lopakhin em O Jardim das Cerejeiras, apoiou a família em troca de sua casa. Tchekhov teve de pagar por conta própria seus estudos, e ele conseguiu isso através de aulas particulares, captura e venda de pintassilgos, venda de esquetes para jornais, entre outros trabalhos. Ele enviava todo rublo que conseguia para Moscou, bem como cartas bem humoradas para tentar alegrar sua família. e ele escreveu um longa-metragem no gênero comédia dramática, O Órfão, que seu irmão Aleksandr julgou como "uma imperdoável, porém, inocente criação". Tchekhov também se envolveu em uma série de casos amorosos, um deles com a esposa de um professor. Tchekhov, agora, havia assumido a responsabilidade pela família inteira. Para ajudar sua família e pagar suas mensalidades escolares, ele escrevia diariamente esquetes curtas e bem-humoradas e ainda vinhetas sobre a vida russa contemporânea, sob os pseudônimos de "Antosha Chekhonte" (Антоша Чехонте) e o "Homem sem rancor" (Человек без селезенки) em periódicos como a Strekoza. Seu potencial gradualmente deu a ele a reputação de cronista satírico da vida cotidiana russa, e em 1882 já escrevia para a revista Oskolki (Fragmentos), que pertencia a Nikolay Leykin, um dos principais editores da época. O tom de Tchecov, nesta fase, foi mais severo do que eles estavam familiarizados a verem em suas obras para adultos. Em 1884, Tchekhov se torna apto a exercer a profissão de médico, profissão que considerava como sua profissão principal, mesmo ele tendo ganhado pouco dinheiro com isso e atendido os pobres de graça. Entre 1884 e 1885, Tchekhov começa a tossir sangue, e em 1886 os ataques pioraram; mas ele não quis admitir estar com tuberculose a seus familiares e amigos, Ele continuou a escrever para revistas semanais, ganhando dinheiro o suficiente para mudar a família para acomodações progressivamente melhores. No início de 1886, ele foi convidado a escrever para um dos mais populares jornais em São Petersburgo, o Novoye Vremya (Novo Tempo), que pertencia e era editado pelo magnata Aleksei Suvorin, que pagava por linha o dobro pago por Leikin e que lhe permitiu um espaço três vezes maior. Suvorin estava se tornando um amigo de longa data e, talvez, um dos mais próximos amigos de Tchekhov. Em pouco tempo, Tchekhov começou a atrair a atenção literária, bem como a popular. Dmitri Grigorovich, um célebre escritor russo de 64 anos, escreveu a Tchekhov após ler seu conto O Caçador, "Você tem um verdadeiro talento. Um talento que o coloca na linha de frente entre os escritores da nova geração". Ele aconselhou Tchekhov a desacelerar, escrever menos, e se concentrar em qualidade e não quantidade literária. Tchekhov respondeu que a carta havia o atingido "como um raio" e confessou, "Eu escrevi minhas histórias da mesma maneira que os repórteres escrevem suas notícias sobre incêndios, mecanicamente, semiconsciente e não me importando nem com os leitores nem comigo mesmo". Uma admissão que poderia trazer prejuízos a Tchekhov, uma vez que manuscritos antigos revelam que ele escrevia com extremo cuidado, e continuamente os revisava. No entanto, o conselho de Grigorovich, inspirou uma ambição artística mais séria no artista de então 26 anos. Em 1887, com certo favorecimento por parte de Grigorovich, a coleção de histórias Ao Anoitecer (В Сумерках) fez com que Tchekhov ganhasse o cobiçado Prêmio Pushkin "pela melhor produção literária distinta pelo seu valor artístico". Naquele ano, esgotado pelo excesso de trabalho e por conta de seus problemas de saúde, Tchekhov fez uma viagem à Ucrânia, o que o fez relembrar a beleza da estepe. Em seu retorno, ele começou o conto A Estepe, "algo muito estranho e muito original", que foi finalmente publicado pela Severny Vestnik (O Arauto do Norte). Em uma narrativa que se desvia dos processos de pensamento dos personagens, Tchekhov inicia uma viagem de cabriolé através da estepe, pelos olhos de um rapaz enviado para viver longe de casa, com seus companheiros, um sacerdote e um comerciante. A Estepe, que tem sido chamado de o "dicionário das poesias de Tchekhov", representou para ele um avanço significativo, exibindo muito da qualidade de sua ficção para adultos e que por conta disso ganhou sua publicação em uma revista literária, ao em vez de em um jornal. No outono de 1887, um diretor de teatro chamado Korsh comissionou Tchekhov a escrever uma peça, e o resultado foi Ivanov, escrita em duas semanas e produzida em novembro. Mikhail Tchekhov, considerou Ivanov um momento decisivo no desenvolvimento intelectual de seu irmão e de sua carreira literária. A morte em 1889 de seu irmão Nikolay, que havia contraído tuberculose influenciou Tchekhov na criação de Uma história enfadonha, terminada em setembro daquele ano, sobre um homem que enfrenta o fim de uma vida que ele percebe ter sido sem propósito algum. Mikhail Tchekhov, que percebeu a depressão e a inquietação de seu irmão após a morte de Nikolay, estava pesquisando sobre prisões na época como parte de seu curso de direito, e Anton Tchekhov, em busca de um propósito em sua vida, logo se tornou obcecado com a questão da reforma do sistema prisional. Suas declarações sobre Tomsk a sua irmã se tornaram notórias. Mais tarde, os habitantes de Tomsk revidaram construindo uma estátua burlesca de Tchekhov. O que Tchekhov testemunhou em Sacalina chocou e irritou-o, espancamentos, desvio de suprimentos, e a prostituição forçada de mulheres. Ele escreveu "Houve momentos em que senti que as coisas que via diante de mim haviam ultrapassado os limites da degradação humana." Ele estava particularmente comovido com o sofrimento das crianças que viviam na colônia penal com seus pais. Por exemplo: Mais tarde, Tchekhov chegou à conclusão de que a caridade e as doações não eram a solução, mas que o governo tinha a obrigação de assegurar um tratamento humanitário aos prisioneiros. Os resultados de suas pesquisas foram publicados entre 1893 e 1894 sob o título de Ostrov Sakhalin (A Ilha de Sacalina), uma obra sociológica — não literária — digna e informativa ao invés de brilhante. Tchekhov criou a expressão literária para o "Inferno de Sacalina" em seu conto O Assassino, na última seção que está ambientada em Sacalina, onde o assassino Yakov carrega carvão durante a noite, com saudades de casa. A obra de Tchekhov em Sacalina é o objeto de breve comentário e análise no romance 1Q84 do escritor japonês Haruki Murakami. Em 1892, Tchekhov compra a propriedade rural de Melicovo, a cerca de sessenta e cinco quilômetros ao sul de Moscou, onde viveu com sua família até 1899. "É agradável ser um lorde", brincou ele com seu amigo Ivan Leontyev (que escrevia peças humorísticas sob o pseudônimo de Shcheglov), Mikhail Tchekhov, um membro da família que morava em Melicovo, descreve a magnitude do trabalho médico de seu irmão: As despesas de Tchekhov com medicamentos foram consideráveis, mas o maior custo foi o de fazer viagens de várias horas para visitar os doentes, o que reduziu seu tempo para escrever. Tchekhov começou a escrever sua peça A Gaivota em 1894, em uma pousada que ele havia construído em uma horta, em Melicovo. Nos dois anos desde que se mudou para a propriedade, ele havia reformado a casa, retomado a agricultura e a horticultura, feito um jardim e um pequeno lago e plantado muitas árvores, que, de acordo com Mikhail, ele "cuidava… como se fossem seus filhos. Como o coronel Vershinin em As Três Irmãs, algo que parecia que só poderia ser alcançado depois de três ou quatro centenas de anos". Mas a peça impressionou tanto o dramaturgo Vladimir Nemirovitch-Dantchenko que ele convenceu seu colega Constantin Stanislavski a dirigi-la no inovador Teatro de Arte de Moscou em 1898. A atenção que Stanislavski prestou ao realismo psicológico e a atuação foram criadas para extrair as maravilhas escondidas do texto e restaurar o interesse de Tchekhov pela dramaturgia. O Teatro de Arte encomendou mais peças de Tchekhov e no ano seguinte encenou Tio Vânia, que ele havia acabado de escrever em 1896. Em março de 1897, Tchekhov sofreu uma hemorragia grave nos pulmões, durante uma visita a Moscou. Com muita dificuldade, ele foi convencido a ir para uma clínica, onde os médicos diagnosticaram tuberculose na parte superior de seus pulmões e ordenaram uma mudança em seu estilo de vida. Após a morte de seu pai em 1898, Tchekhov comprou um terreno nos arredores de Ialta e construiu uma casa lá, para qual ele se mudou com sua mãe e irmã no ano seguinte. Mesmo ele tendo plantado árvores e flores em Ialta, criado cachorros e gruas domésticas, e ter recebido convidados como Liev Tolstói e Máximo Gorki, ele sempre ficava aliviado por deixar sua "Sibéria quente" para ir a Moscou ou viajar ao exterior. Ele prometeu que voltaria para Taganrog tão logo a água corrente fosse instalada na cidade. Em Ialta, ele concluiu mais duas peças para o Teatro de Arte de Moscou, compondo com mais dificuldade do que nos dias em que "escrevia serenamente, do jeito que eu como panquecas hoje"; ele levou um ano para compor As Três Irmãs e O Jardim das Cerejeiras. No dia 25 de maio de 1901 casou-se com Olga Knipper — em segredo, dado o seu horror a casamentos —, uma ex-protegida e por vezes, amante de Nemirovich-Danchenko, que ele conheceu pela primeira vez nos ensaios da peça A Gaivota. Até então, Tchekhov havia sido descrito como "o escritor solteiro mais elusivo da Rússia". Ele preferia fazer visita aos bordéis a ter um relacionamento sério. Certa vez, ele escreveu a Suvorin: A carta se revelou profética sobre os arranjos conjugais de Tchekhov e Olga: ele viveu em grande parte em Ialta, ela em Moscou, prosseguindo a sua carreira de atriz. Em 1902, Olga sofre um aborto espontâneo, e Donald Rayfield ofereceu evidências, baseadas nas cartas do casal, de que a gravidez poderia ter ocorrido enquanto Tchekhov e Olga estavam separados, embora estudiosos russos conclusivamente refutaram essa ideia. O legado literário deste casamento a distância é uma correspondência que preserva joias da história do teatro, incluindo queixas de ambos sobre os métodos de direção de Stanislavski e conselhos de Tchekhov para Olga sobre como se atuar em suas peças. Em Ialta, Tchekhov escreveu um de seus mais famosos contos, A Dama do Cachorrinho, que retrata o que a princípio parece uma ligação casual entre um homem e uma mulher, ambos casados, em Ialta. Eles não esperam maiores consequências da relação, e se encontram atraídos um pelo outro, arriscando a segurança de suas vidas familiares. Em maio de 1904, a tuberculose de Tchekhov alcançou um estado terminal. Mikhail Tchekhov lembrou que "todos os que viam achavam que seu fim não estava longe, mas quanto mais perto [ele] estivesse de seu fim, menos ele parecia perceber". A morte de Tchekhov se tornou um dos "maiores temas da história literária", e já foi recontada, enfeitada e muitas vezes fantasiada, notavelmente no conto Errand por Raymond Carver. Em 1908, Olga escreveu este relato sobre os últimos momentos de vida de seu marido: O corpo de Tchekhov foi transportado para Moscou em um vagão de trem com refrigeração, que servia para o transporte de ostras frescas, um detalhe que ofendeu Gorky. Algumas das milhares de pessoas de luto seguiram o cortejo fúnebre de Fyodor Keller, por engano, acompanhados de uma banda militar. Tchekhov foi enterrado ao lado de seu pai no Cemitério Novodevichy. Poucos meses antes de morrer, Tchekhov disse ao escritor Ivan Bunin que ele achava que as pessoas iriam continuar a ler suas obras por mais sete anos. "Por que sete?" perguntou Bunin. "Bem, sete anos e meio", respondeu Tchekhov. "Isso não é ruim. Tenho ainda seis anos para viver". Sempre modesto, Tchekhov não poderia imaginar o tamanho de sua reputação póstuma. Os aplausos para O Jardim das Cerejeiras, no ano de sua morte, mostraram o quanto ele conquistou o afeto do público russo — naquela época, ele era a segunda maior personalidade literária russa, apenas atrás de Tolstói, que viveu mais seis anos — mas após sua morte, a fama de Tchekhov logo se espalhou para mais longe. Graças às traduções de Constance Garnett, as obras de Tchekhov ganharam o público inglês e a admiração de escritores como James Joyce, Virginia Woolf e Katherine Mansfield. As questões que envolvem as semelhanças entre a história de 1910 de Mansfield, O Menino que Estava Cansado, e a obra de Tchekhov, Sonolento, são resumidas no livro de William Herbert, New's Reading Mansfield and Metaphors of Reform O crítico russo D. S. Mirsky, que vivia na Inglaterra, explicou que a popularidade de Tchekhov naquele país se dava por conta de sua "incomum e absoluta rejeição do que podemos chamar de valores heroicos". Na própria Rússia, as obras de Tchekhov só saíram de moda após a Revolução Russa, mas elas foram mais tarde adaptadas ao sistema soviético, como o personagem Lopakhin, por exemplo, reinventou-se como um herói da nova ordem, golpeando com um machado o jardim das cerejeiras. Um dos primeiros estrangeiros a admirar as peças de Tchekhov foi George Bernard Shaw, que usa o subtítulo "uma fantasia sobre temas ingleses ao estilo russo" em sua obra A Casa da Angústia e que nota semelhanças entre a situação da classe britânica e a de seus homólogos russos como descrito por Tchecov: "as mesmas pessoas agradáveis, a mesma completa futilidade". Nos Estados Unidos, a reputação de Tchekhov começa a crescer um pouco mais tarde, em parte pela influência do sistema Stanislavski, com seu conceito de subtexto: "Tchekhov geralmente não expressava seu pensamentos em discursos", escreveu Stanislavski, "mas em pausas, entrelinhas ou nas respostas que consistiam em uma única palavra… os personagens, muitas vezes sentiam e pensavam coisas que não expressavam através do diálogo". Particularmente, o Group Theatre foi quem desenvolveu a abordagem subtextual ao drama, influenciando gerações de dramaturgos, roteiristas e atores americanos, incluindo Clifford Odets, Elia Kazan e, em particular, Lee Strasberg. Por sua vez, o Actors Studio de Strasberg e seu "método" influenciaram muitos atores, inclusive Marlon Brando e Robert De Niro, embora neste momento a tradição de Tchekhov, provavelmente, tenha sido distorcida por conta da preocupação com o realismo. Em 1981, o dramaturgo Tennessee Williams, inspirado pela peça A Gaivota, criou The Notebook of Trigorin. Apesar do sucesso de Tchekhov como dramaturgo, alguns escritores acreditam que seus contos representem sua maior conquista. Raymond Carver, que escreveu o conto Errand sobre a morte de Tchekhov, acreditava que ele era o melhor de todos os contistas: Ernest Hemingway, outro escritor influenciado por Tchekhov, foi mais relutante: "Tchekhov escreveu cerca de seis bons contos. Mas ele era um escritor aficionado". E Vladimir Nabokov uma vez reclamou da "miscelânea de terríveis prosaísmos, dos epítetos prontos e das repetições" de Tchekhov. Mas ele também declarou que A Dama do Cachorrinho era "uma das maiores histórias já escritas" e que Tchekhov escrevia da "forma que uma pessoa conta a outra sobre as coisas mais importantes em sua vida, lentamente, mas sem pausas, e com uma voz suave". Para o escritor William Boyd, o avanço veio quando Tchekhov abandonou aquilo que William Gerhardie chamava de "enredo de eventos" para algo mais "turvo, interrompido, remendado, ou em outras palavras, adulterado pela vida". Virginia Woolf refletiu sobre a qualidade única de um conto de Tchekhov em The Common Reader : As obras de Tchekhov foram traduzidas em muitas línguas. O famoso escritor uzbeque Abdulla Qahhor traduziu muitos dos contos de Tchekhov para a língua uzbeque. Qahhor foi influenciado por Tchekhov e considerava o dramaturgo russo como seu professor. *Platonov (Безотцовщина, também conhecida como Órfão ou Peça sem Título [Пьеса без названия]; 1881) – obra em quatro atos, Malefícios do Tabaco (О вреде табака, 1886) – monólogo em um ato, Ivanov (Иванов, 1887) - quatro atos, O Urso (Медведь, 1888) - comédia em um ato, O Pedido de Casamento (Предложение, 1888-1889) – comédia em um ato, O Casamento (Свадьба, 1889) – um ato, O Demônio da Madeira (Леший, 1889) – comédia em quatro atos, Tatiana Repina (Татьяна Репина, 1889) – drama em um ato, Inevitavelmente Trágico (Трагик поневоле, 1889), A Festividade (Юбилей, 1891), A Gaivota (Чайка, 1896) – comédia em quatro atos, Tio Vânia (Дядя Ваня, 1899-1900) – drama em quatro atos, As Três Irmãs (Три сестры, 1901) – drama em quatro atos, O Jardim das Cerejeiras (Вишнёвый сад, 1904) – comédia em quatro atos, Ostrov Sakhalin (Остров Сахалин, 1895), Caderno de Notas, A Estepe (Степь, 1888), A História de um Desconhecido (Рассказ неизвестного человека, 1893), Minha vida (Моя жизнь, 1896), O Duelo (Дуэль, 1891), Três anos (Три года, 1895) Tchekhov escreveu 574 contos, incluindo alguns inacabados. Esta é uma lista parcial. Ficheiro:Young Chekhov 1880s.jpg|O jovem Tchekhov em 1882. Ficheiro:The Soviet Union 1960 CPA 2391 stamp (Anton Chekhov and Moscow Residence).jpg|Selo da União Soviética dedicado ao 100º aniversário de Tchekhov em 1960. Ficheiro:Anton Chekhov, portrayed by Nikolay Chekhov.jpg|Retrato de Tchekhov por seu irmão Nikolai. Ficheiro:Anton Tschechow - Ölskizze von Lewitan.jpg|Retrato por Isaac Levitan. Ficheiro:Chekhov by serov.jpg|Retrato por Valentín Serov. Ficheiro:Tschechow Salon Badenweiler 6.JPG|"Salão Tchekhov" no Museu de Literatura em Badenweiler. Ficheiro:Anton Tschechow in Taganrog.JPG|Estatua de Tchekhov na entrada do Liceu Anton Tchekhov. Ficheiro:Chekhov's Fest.JPG|Poster do Festival de Teatro Internacional de Tchekhov. Ficheiro:Anton Chekhov with pince-nez, hat and bow-tie.jpg|O visual clássico de Tchekhov: pincenê, chapéu e gravata borboleta. Ficheiro:Anton Tschechow.jpg|Tchekhov em ilustração de 1905. Ficheiro:Ol'ga Anton Cechov.jpg|Anton e sua esposa Olga em 1901. Ficheiro:Tolstoy and chekhov.jpg|Tchekhov e Liev Tolstói em Ialta, 1900. Ficheiro:Grave of Anton Chekhov 1.jpg|Túmulo de Tchekhov, Cemitério Novodevichy, Moscou.
Arnold Ulitz (Wrocław, 11 de Abril de 1888 — Tettnang, 12 de Janeiro de 1971) foi um escritor alemão. Seus romances estão impregnados com as impressões de sua participação na Primeira Guerra Mundial. No romance Ararat descreve o futuro desaparecimento de um mundo ateu, assim como o ressurgimento de uma nova era. O romance Das Testament mostra o mundo drasticamente corrompido dos anos de após-guerra. Escreveu também novelas e poesias. * *